sábado, novembro 02, 2013

Falo daquele que, se não escreve, mata alguém

«Dificilmente se acredita que os seus textos ainda existam, que estes livros não se apaguem. Pois, ao contrário do lugar comum onde se encontra a vã consolação, ao contrário da crença de que a escrita, trazendo glória, traz eternidade, há este sentimento, que é meu, de que para certa rara gente tudo foi uma única coisa. Não ocorreu uma separação e penso sempre que as ervas que devoram um mortal devorarão também a sua obra. Porque este é um dos casos em que a obra era o orgão vital, o que gerava visão, entendimento, medo e esperma.
Há pessoas assim cuja existência, cuja carne é matéria literária. Não falo já de qualidade. Falo, sim, da quantidade de poema que há num corpo. Da combustão que é feita de palavras em lugar de oxigénio. Falo daquele que, se não escreve, mata alguém. Daquele que não aceita um aparelho de cognição capaz de o proteger com o vulgar conforto do real. Que se educou para a alucinação. O que descreve o brilho intenso que há na noite e é, no entanto, a fonte do fulgor, dessa fosforescência com que os mortos que o tocam, de visita, o contaminam.
Dificilmente se acredita que os seus textos não tivessem ardido inteiramente, não se extinguissem com aquelas mãos que pegavam na insónia para os escrever.»
Hélia Correia, in Revista de artes e Ideias n.º 8, «O Medo», Coimbra: Alma Azul, 2006. p.51

quinta-feira, outubro 31, 2013

Sinais


30.Outubro.2013, Roma. O rapaz de seis anos começou por sentar-se na cadeira do Papa enquanto este discursava, mas depois abraçou-o e resistiu quando o segurança tentou retirá-lo do local.

domingo, outubro 13, 2013

Leadership


Leadership – The Assumption Trap | John Caswell: 

"10. Leadership’s Denial Of Their Overall Design Responsibility: Organizational design has become the crucial science missing from the modern business skill-set. Nowadays we need to design living systems and not dying hierarchies of stupidity. Leaders have seemingly lost their leadership role in designing the perfect organization and all that goes with it."

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Diferente


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Giving

Pontes de saída - Le Monde Diplomatique - Edição Portuguesa



Este cancro metastizou, mas não é incurável. Para procurar palavras que possam ser úteis, teremos de procurar outras abordagens. Há que parar a sangria das células novas e saudáveis que todos os dias produzimos. Isso implica uma moratória ao pagamento da dívida, porque ela, insustentável no futuro, é já hoje responsável por canalizar a riqueza que produzimos para alimentar os credores financeiros. Reestruturar a dívida, protegendo pequenos aforristas e as pensões, é um problema para credores que terão feito um mau investimento, não um problema para o Estado português (teria dinheiro para pagar salários e pensões). Há que repor o contrato social, que exige uma fiscalidade justa, o que implica enfrentar as ferozes resistências dos que detêm os mais altos rendimentos, do capital financeiro, dos lucros accionistas, etc. E há que compreender que a universalidade do acesso ao serviços públicos, às funções sociais do Estado – que sabemos ser o melhor garante de igualdade e coesão social – só pode ser garantida com a defesa da sua gratuitidade para todos. Foi muito por aqui, que alastrou o cancro das engenharias neoliberais que corroeram o Estado: uma educação, saúde e segurança social cada vez mais para pobres, com o preço e a degradação da qualidade a levar os que têm mais posses para os privados.
Sandra Monteiro (Editorial) 

Pontes de saída - Le Monde Diplomatique - Edição Portuguesa

sábado, outubro 12, 2013

Capital social e bibliotecas públicas

Biblioteca Pública de Manguinhos, S. Paulo (Brasil); que segui a inspiração da célebre biblioteca de Medellín (Colombia) Inagem publica em artigo de janeiro de 2013, incluindo entrevista com Adriana Ferrari

Como podem as bibliotecas públicas contribuir para o aumento do capital social? (1) trabalhando em colaboração com organizações de voluntários - o que apresenta algumas dificuldades; (3) tornando-se, cada vez mais bons lugares de encontro informal entre as pessoas; (3) desenvolvendo bons serviços públicos universais, com destaque para os que se dirigem a crianças e famílias.

Segundo o World Values Survey (2006), mais de 50% da população mundial acredita que as pessoas são de confiança (capital  social).
Países em que o capital social é elevado: países escandinavos (estes também têm as menores desigualdades económicas), China, Finlândia, Holanda
Países em que a confiança nas pessoas é fraca: França, Turquia

Ler mais aqui, num artigo de 2008 do Boletim da Associação Andaluza de Bibliotecários, que alerta para a importância de mais investigação sobre o tema, área de excelência da biblioteca pública, e alicerce das democracias:

(79) El capital social y las bibliotecas públicas: necesidad de investigar | Andreas Vårheim - Academia.edu

segunda-feira, setembro 30, 2013

A morte da infância


Fabulosos texto e imagem de Luís Januário, hoje, no blog
No início desses anos 1980, quando Neil Postman publicou o seu livro, a infância tinha-se já extinguido, liquidada pelos media electrónicos e, sobretudo, pela televisão. Ele debruçou-se com brilhantismo sobre os sintomas da extinção da infância: o desaparecimento de vestuário especificamente infantil, do comportamento, das atitudes, dos desejos, “mesmo do aspecto físico”.  Mas, e é este o ponto em que me vou concentrar, a parte mais curiosa do livro de Postman é sobre a perda da inocência.
Ler mais aqui: anaturezadomal.blogspot.pt/2013/09/a-morte-da-infancia.html

sábado, setembro 28, 2013

Oiço passos de cavalo... será ele, o ditador?

Formatar o curriculum (nacional) nem que seja a poder de cascatas e exames (nacionais). Reduzir o curriculum (artes fora, ciências e tecnologia minguantes, inovação para quê...). Consagrar separações estanques entre disciplinas, dificultando trabalhos interdisciplinares ou de integração (projetos, etc). Limitar professores a metas, programas e mesmo manuais escritos "por quem sabe", em papel ou pela via digital. Reforçar um curriculum oculto que valorize a obediência, a autoridade "de quem sabe/manda", o conformismo, e despreze a inovação e o pensamento crítico. E ainda mais: mobilizar para o exame, o teste, a nota, ignorando os esforços para descoberta, a criação, a solidariedade e acção transformadora.

Tudo isto é para abrir caminho a quê? A quem?
Clarence fisher, professor com mais de 20 anos de experiência, promove os Guias Para uma Ditadura, usando a ironia no combate democrático. Este é dedicado à educação. Ao ler o texto, não podemos deixar de reconhecer muitas práticas políticas em aplicação em Portugal. Brrr...


1.) As much as possible, have a common curriculum throughout your nation. Leave little opportunity for communities or districts to customize what the students in their area learn. This will give you solid control over everything and does not allow specific populations of people or communities to emphasize things that may be important to them or meaningful for their students.
2.) Have solid boundaries in place between subject areas. Make sure that the students in your schools study each subject separately. Emphasizing each subject as a stand alone silo of knowledge will ensure that students find it more difficult to see the relationships that exist between things. This will also ensure that basic knowledge will form the majority of material that is covered in classrooms instead of the in depth study of more complicated topics.
3.) Be very wary about changing the subjects that students are able to study in your schools. Keep it basic. Reading, writing, math and science should form the cornerstones of what your students learn. New advancements in technology, science and math shouldn't find their way into your schools very quickly.
4.) Arts programs should be eliminated from your schools whenever possible. The study of art only allows people's thoughts to move towards freedom, beauty, and the condition of their lives.
5.) As much as possible provide the teachers in your classrooms with scripted programs for them to follow. This will ensure that you can have almost total control over not only what is studied, but what is said in your classrooms, the examples used and the problems that are solved. Make administrators or school inspectors responsible for strictly enforcing that these things are followed.
Advancing a certain kind of hidden curriculum in your schools is a more delicate balancing act. For your nondemocratic nation, the hidden curriculum should emphasize the power and unquestioning authority of your government. Teachers need to emphasize lessons which do not encourage innovative or creative thinking. Large amounts of content should simply be given out to students. 
Notes and worksheets should be used whenever possible. As much as possible, teachers need to control the work that is handed out to students. Students should, over time, acquire the habit of material being given out to them by people in positions of authority and power. They should have few opportunities to be creative or to investigate personally meaningful projects that revolve around their own interests and passions. Teachers should discourage entrepreneurial or social justice initiatives from taking hold in classrooms and schools.
Clarence Fisher
in The-Dictators-Practical-Guide-to-Education
www.evenfromhere.org/wp-content/uploads/2013/09/The-Dictators-Practical-Guide-to-Education.pdf

A Arte de Pensar: A Desobediência Civil


A Arte de Pensar: A Desobediência Civil: "O objectivo da desobediência civil é, em última análise, mudar leis e políticas particulares, e não arruinar completamente o estado de direito. Os que agem na tradição da desobediência civil evitam geralmente todos os tipos de violência, não apenas porque pode arruinar a sua causa ao encorajar a retaliação, conduzindo assim a um agravamento do conflito, mas sobretudo porque a sua justificação para violar a lei é moral, e a maior parte dos princípios morais só permite que se prejudique outras pessoas em situações extremas, tal como quando somos atacados e temos de nos defender."

Conceito desenvolvido pela primeira vez por Thoreau em 1849.
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A crise está virando zona...

quinta-feira, setembro 26, 2013

La educación transforma la vida = A educação transforma a vida

Dados sobre a importância da educação no desenvolvimento (Unesco, 2013)   - infografia
"La publicación de estos datos se realiza en el marco de una campaña en la que se pide a los dirigentes del mundo que den prioridad a la educación equitativa y de calidad en los nuevos programas de desarrollo para el periodo posterior a 2015. El análisis íntegro estará disponible en el Informe de Seguimiento de la EPT en el Mundo que verá la luz en enero de 2014."

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▶ Elyse Eidman-Aadahl on Writing in the Digital Age (Big Thinkers Series) - YouTube

"
anybody, anything, anywhere

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segunda-feira, setembro 23, 2013

Vila Franca de Xira retoma a sua garra




Escolhe quem seja francamente exigente, para autarquias que nos ajudem mesmo a viver melhor. Marca o que mais importa: acção social, ambiente, território e urbanismo, economia e emprego, transportes, mobilidade e acessibilidades, educação e cultura, saúde e desporto, cidadania.
in


Sítio web: Atreve-te a mudar
Presença no Facebook:
Candidatura do BE ao concelho de Vila Franca de Xira https://www.facebook.com/BEVFX2013?fref=ts
BE Vila Franca de Xira https://www.facebook.com/BlocoVFXira
BE Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa https://www.facebook.com/be.povoa.forte?fref=ts
BE de Alverca do Ribatejo e Sobralinho https://www.facebook.com/pages/Bloco-de-Esquerda-Alverca-e-Sobralinho/116707391721871?fref=ts
BE Alhandra, S. João dos Montes e Calhandriz (em construção)

Ir aos treinos e não perder a forma

Talvez possamos falar de uma democracia mais democrática, como António Sérgio a definiu, há 
80 anos, através de uma comparação com o desporto:
 “A liberdade e a cidadania devem ser alimentadas todos os dias, pacientemente recriadas, sempre reconquistadas, pois se não realizarmos este treino diário perdemos a forma, perdemos a pujança, e não conseguiremos construir o futuro que ambicionamos”. 
Há sempre uma saída, desde que estejamos dispostos a procurá-la e a assumir os riscos dessa 
procura.

António Sampaio da Nóvoa
introdução ao Programa Eleitoral (edição digital, no Issuu)
Candidatura não partidária à Junta de Freguesia de Alcântara, Lisboa 2013

Coração RR


Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda

sob montanhas cinzentas

e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa

Viva a sesta! Pela saúde do seu cérebro


No mínimo, 10-20 minutos (para voltar a trabalhar revigorado).
Bom mesmo, 90 minutos :)

How Long to Nap for the Biggest Brain Benefits ?

segunda-feira, setembro 16, 2013

How can the culture sector deal with digital change? Get rid of the 'digital' | Culture professionals network | Guardian Professional

 
"No one under the age of 20 even talks about 'digital' anything anymore. It's a part of the changes we see all around us – in communications, transport, retail, manufacturing, entertainment, education and medicine. Digital developments might drive these changes, but their lasting impact is found not in a raft of evolving technologies, but in our changing needs and behaviours."

How can the culture sector deal with digital change? Get rid of the 'digital' | Culture professionals network | Guardian Professional

:)

124. TAYLOR MALI: What Teachers Make

124. TAYLOR MALI: What Teachers Make

Marshal Berman (1940-2013): ler o mundo para o transformar


Marshal Berman (1940-2013): o marxismo contra a tristeza | Esquerda:
"“Nós não podemos gerar ideias que venham a juntar as vidas das pessoas se perdermos contato com essas vidas tais como são. Se não soubermos reconhecer as pessoas, como se apresentam, sentem e experienciam o mundo, nós nunca seremos capazes que as ajudar a conhecerem-se a elas mesmas ou a mudar o mundo. Ler o Capital não nos ajudará se não formos capazes, também, de ler os sinais que nos mostram as ruas.”
Marshal Berman 
Continuarei a viver as ruas e abrir janelas, a rir, e a frequentar a revista Dissent.
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Life is (a kind of) school

Contra o medo

A ler


Os clássicos nascen todos os dias :)
Extrato do conto "O Programador e o Bruxo", incluído no livro "O Inferno de Outro Mundo", que será lançado no Rio de Janeiro esta quarta, dia 18, na Livraria Antonio Gramsci

Já não havia cadeiras vazias quando a palestra começou. Deixei que o Sabatelli iniciasse o filme que trouxera, projetado numa tela nas costas dele – uma compilação de cenas de pseudoavistamentos de OVNIs, na maioria claramente falsos, alguns, os melhores, duvidosos. Mas nada que apontasse para um real contato de terceiro grau. Deixei a palestra ganhar ritmo, só para verificar que o sujeito sabia falar com segurança. Quem não conhecesse bem o tema podia deixar-se levar pela tese de que os ETs já estão na Terra há muito tempo, mas existe uma grande conspiração montada para ocultar as evidências. 
Quando achei que o sujeito estava ultrapassando os limites, disparei o primeiro míssil: intercalei na projeção cenas do filme “Ed Wood”, do Tim Burton. O público viu, de surpresa, imagens de uns pratos presos por cordéis sendo filmados como se fossem discos voadores, e o realizador, que ficou conhecido como “o pior cineasta do mundo”, interpretado pelo ator Johnny Depp, dizendo que não havia problema que os fios aparecessem. As pessoas começaram a rir, e o Sabatelli, que estava de costas, não entendeu nada. Quando se virou, cortei o filme que trouxera e voltei a exibir o dele. 
O homem não deu pela troca e achou que riam do filme dos OVNIs. Engasgou-se, vacilou, ensaiou um improviso dizendo que as imagens eram sérias, “avistamentos confirmados”, e eu disparei o segundo míssil – a cena do mesmo filme que mostrava o Ed Wood vestido de mulher e dançando. O público já ria às gargalhadas, o Sabatelli se virou de repente e a cena desapareceu. Fiquei brincando de gato e rato com ele. Mal se virava para o público, regressava o Ed Wood; logo que dava as costas ao público e encarava a tela regressavam os pseudoavistamentos de OVNIs. As pessoas já quase rebolavam de tanto rir. Aquilo parecia um filme dos irmãos Marx. Finalmente, desisti da brincadeira e deixei em looping a sequência dos pratos fingindo que eram discos voadores, presos a cordeizinhos, e o Ed Wood dizendo: “No problem!”
O Sabatelli espumou de raiva quando viu a projeção, saltou sobre o notebook e desligou-o da corrente, esquecendo que a bateria o manteria funcionando. Olhou perplexo o ecrã, sem saber o que fazer. O público não parava de rir. Até que finalmente lembrou o óbvio: desligou o cabo do projetor, agarrou o notebook e a mala e saiu porta afora. 
Quando achei que o sujeito estava ultrapassando os limites, disparei o primeiro míssil: intercalei na projeção cenas do filme “Ed Wood”, do Tim Burton. O público viu, de surpresa, imagens de uns pratos presos por cordéis sendo filmados como se fossem discos voadores, e o realizador, que ficou conhecido como “o pior cineasta do mundo”, interpretado pelo ator Johnny Depp, dizendo que não havia problema que os fios aparecessem. As pessoas começaram a rir, e o Sabatelli, que estava de costas, não entendeu nada. Quando se virou, cortei o filme que trouxera e voltei a exibir o dele. 
O homem não deu pela troca e achou que riam do filme dos OVNIs. Engasgou-se, vacilou, ensaiou um improviso dizendo que as imagens eram sérias, “avistamentos confirmados”, e eu disparei o segundo míssil – a cena do mesmo filme que mostrava o Ed Wood vestido de mulher e dançando. O público já ria às gargalhadas, o Sabatelli se virou de repente e a cena desapareceu. Fiquei brincando de gato e rato com ele. Mal se virava para o público, regressava o Ed Wood; logo que dava as costas ao público e encarava a tela regressavam os pseudoavistamentos de OVNIs. As pessoas já quase rebolavam de tanto rir. Aquilo parecia um filme dos irmãos Marx. Finalmente, desisti da brincadeira e deixei em looping a sequência dos pratos fingindo que eram discos voadores, presos a cordeizinhos, e o Ed Wood dizendo: “No problem!”
O Sabatelli espumou de raiva quando viu a projeção, saltou sobre o notebook e desligou-o da corrente, esquecendo que a bateria o manteria funcionando. Olhou perplexo o ecrã, sem saber o que fazer. O público não parava de rir. Até que finalmente lembrou o óbvio: desligou o cabo do projetor, agarrou o notebook e a mala e saiu porta afora.  
Luis Leiria


Quem for ao lançamento, adira ao evento aqui:
https://www.facebook.com/events/579074355486833/?fref=ts

Mia Couto aponta reinvenção do português como processo político - 27/08/2013

Folha de S.Paulo - Ilustrada - Mia Couto aponta reinvenção do português como processo político - 27/08/2013: "Língua portuguesa

Hoje o português é a língua nacional dos moçambicanos, mas a maior parte deles tem outra língua materna. É uma língua em constante movimento, e isso para um escritor é muito sedutor. Essa reinvenção da língua ocorre como um processo social.

João Guimarães Rosa foi uma grande influência. Era como um sinal verde que na literatura se pudesse fazer esse processo de reinvenção da língua. É a reinvenção da nação como linguagem. E Guimarães dá conta desse Brasil ameaçado pelo moderno. É uma coisa que vivemos em Moçambique. A linguagem vira campo de resistência."

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domingo, setembro 15, 2013

Canção amiga


Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, setembro 06, 2013

Ladrões de Bicicletas: Bem-vindos ao «cheque-ensino» (II)


Assinale-se, por agora, que é hoje mais que evidente o cumprimento prévio de uma das etapas essenciais deste processo - a degradação da escola pública - alcançada com êxito pelo ministro Nuno Crato ao longo dos últimos dois anos, no seu desígnio de financiar o ensino privado através do Orçamento de Estado (e ao arrepio do estabelecido no Memorando da Troika, o tal que era para cumprir «custe o que custar»). É isso que significa o despedimento massivo de professores, os sucessivos cortes orçamentais, o aumento do número de alunos por turma ou a criação de giga-agrupamentos escolares, entre outras medidas lesivas da qualidade do ensino. Nuno Crato, o arauto da livre «concorrência entre escolas e entre sistemas», não brinca em serviço: para permitir que colégios e escolas privadas possam generalizadamente competir com a escola pública, e antes de lhes reforçar por esta via o financiamento, tratou antecipadamente de a enfraquecer e deteriorar.

Ladrões de Bicicletas: Bem-vindos ao «cheque-ensino» (II):   « É legítimo supormos que todos os estudantes, ao estarem munidos do "vale" que o Estado lhes passou a colocar nas mãos (para...

quarta-feira, setembro 04, 2013

a vida pensada a régua e compasso | aposentos


"Dito de outro modo, as construções deixaram de ser um apoio à aquisição de propriedades e noções para passarem a ser ilustrações grosseiras de noções que eram dadas como adquiridas. E, isso, parece-nos natural por ser consistente com o ensino superior e as suas ferramentas de então.
Talvez por isso a manutenção e renovação dos utensílios de desenho para a geometria matemática deixou de ser acautelada. Falamos de escolas que conhecemos e onde trabalhámos. Quando começámos a preocupar-nos verdadeiramente com o problema, nos primeiros anos da década de 80, procurámos fazer construções geométricas em sessões para professores de matemática, na escola em que trabalhávamos. Com algum espanto nosso e nenhum espanto dos participantes, não conseguimos traçar uma circunferência e, em alguns casos, nem uma recta adequada aos passos da construção. Para além dos quadros de ardósia ou similares, os compassos e as réguas que requisitáramos já estavam em adiantado estado de decomposição. E estamos convencidos que essa degradação não se devia só a incúria das administrações; era suportada pelas práticas dos profissionais envolvidos no ensino da geometria matemática. Não se encontravam em mau estado os instrumentos dos anexos a salas específicas de professores de desenho.
(...)
Quando apareceram os quadros interactivos, experimentámos cada um dos modelos, um pouco por todo o lado, ao mesmo tempo que experimentávamos programas de Geometria Dinâmica na esperança de podermos ver os jovens nas salas de aula a resolver problemas usando instrumentos (réguas e compasso, visuais e virtuais), a confirmar resultados, a pensar o passo a passo, propriedade a propriedade, compondo raciocínios e percebendo como as coisas andam ligadas, como uma só construção está na base de muitas ideias diferentes. (...)"
Arsélio Martins, 2013

a vida pensada a régua e compasso | aposentos:

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terça-feira, agosto 27, 2013

A questão Cinemateca - PÚBLICO

A questão Cinemateca - PÚBLICO: "Colocar a Cinemateca na dependência directa das receitas de publicidade das televisões faz tanto sentido quanto indexar o orçamento da Biblioteca Nacional e da Torre do Tombo aos resultados das vendas dos romances de José Rodrigues dos Santos.(...)
A Cinemateca, graças a Félix Ribeiro e a Luís de Pina, mas sobretudo graças à inesgotável energia e ao enorme carisma de João Bénard da Costa, foi uma instituição que se soube afirmar como poucas na vida cultural portuguesa, e que desempenha hoje um papel único, essencial e insubstituível, cuja prossecução não pode estar dependente de anúncios de carros, telemóveis e cervejas. E isto não é ser estatista. Isto é ser liberal - uma Cinemateca fechada afecta a minha liberdade enquanto indivíduo, ao vedar-me o único acesso que existe neste país a 120 anos de história do cinema. Não é coisa pouca."

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domingo, agosto 25, 2013

Voemos

Edna de Araquara

ALGUMAS PROPOSIÇÕES COM PÁSSAROS E ÁRVORES QUE O POETA REMATA COM UMA REFERÊNCIA AO CORAÇÃO

OS PÁSSAROS NASCEM NA PONTA DAS ÁRVORES

As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
Deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
Quando o Outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
Mas deixo essa forma de dizer ao romancista
É complicada e não se da bem na poesia
Não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração


RUY BELO, in TODOS OS POEMAS ( Lisboa: Assírio & Alvim, 2000)

quarta-feira, agosto 21, 2013


A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

A meu favor tenho uma rua em transe
Um alto incêndio em nome de nós todos

Alexandre O'Neill
(19 de Dezembro de 1924 -21 de Agosto de 1986)

Quando a comunicação social se suicida


 
A correspondente de guerra não nega a crise dos jornais: "Existe uma crise dos media, mas não dos leitores." Para ela, essa crise explica-se pela corrida para o simplismo e o sensacionalismo, acompanhada pelos cortes abruptos na qualidade da comunicação social. Os leitores continuam a querer compreender aquilo que acontece no mundo e isso exige um jornalismo que vá para além da histeria das aparências, feito por jornalistas que vão aos locais para contar as histórias e entender as pessoas e as suas circunstâncias.

 Mais escandaloso que o tempo e o modo como Judite Sousa entrevistou um jovem milionário com pouca história é o facto de nenhum órgão de comunicação social nacional ter conseguido enviar um jornalista para o Egipto. Não é o público que só consegue ler as Pepas e os Lorenzos desta vida, é a comunicação social que está a decretar o seu próprio suicídio.
Se lermos a "História de Portugal" organizada por José Mattoso, verificamos que no início do século xx, com uma população escassamente alfabetizada, "O Século" e o "Diário de Notícias" vendiam, cada um, cerca de 100 mil exemplares por dia. Em pleno século xxi, os nossos jornais têm muito menos leitores. Não foram eles que desapareceram, são os jornais, a comunicação social e os jornalistas que não estão a cumprir devidamente o seu papel de informar com qualidade. O que fazem não serve.
Nuno Ramos de Almeida, Agosto 2013 

Quando a comunicação social se suicida | iOnline - Notícias de Portugal, Mundo, Economia, Desporto, Boa Vida, Opinião e muito mais.

terça-feira, agosto 20, 2013

The Learning Generalist: Why my daughter doesn't deserve school

De vez em quando, é bom recentrarmo-nos no essencial. Cada criança é de facto uma oportunidade para melhorar.


The Learning Generalist: Why my daughter doesn't deserve school:

 " I do have a few things in mind that I want my daughter to get out of her education - and I'm particular about these to the extent that I'm more than happy to homeschool her if necessary.

  • Enjoy her childhood and grow organically
  • Develop a respect for nature
  • Experience the dignity of labour
  • Build respect for tradition and indigenous livelihoods; learn extensively from them
  • Gain mastery over all our family languages - Hindi, Bengali and Marathi
  • Pursue knowledge for its own sake - not for curriculum
  • Discover the ability to follow her passion without fear
  • Question the status quo of the current world
  • Learn to work with others, not against them
  • Apply her learning in real life through inter-disciplinary challenges"


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quinta-feira, agosto 15, 2013

Um rio, só se for claro

ROTEIRO

Parar. Parar não paro.
Esquecer. Esquecer não esqueço.
Se carácter custa caro
pago o preço.

Pago embora seja raro.
Mas homem não tem avesso
e o peso da pedra eu comparo
à força do arremesso.

Um rio, só se fôr claro.
Correr, sim, mas sem tropeço.
Mas se tropeçar não paro
- não paro nem mereço.

E que ninguém me dê amparo
nem me pergunte se padeço.
Não sou nem serei avaro
- se carácter custa caro
pago o preço.

SIDONIO MURALHA

Pode a confiança ser o cerne da educação? Pode ser de outro modo?

In the following video from Digital Media Research Hub, Katie Salen, Depaul University professor and Executive Director of the Institute of Play discusses the role of play in learning, describing it as a “state of being” that empowers learners to access and explore content, and consider the roles of others in a shared learning space.  (Retirei daqui)



Lembrei-me de uma canção, já antiga...


segunda-feira, agosto 12, 2013

Meninas que lutam por ir à escola (Paquistão, 2013)



United Nations, 11 July 2013 - Disastrous flooding in Pakistan has destroyed countless schools throughout the country. But the rebuilding efforts have presented an opportunity for change in traditional attitudes towards girls' education

Nações Unidas, 11 Jukho 2013 - As inundações catastróficas no Paquistão destruíram inúmeras escolas em todo o país. Mas os esforços de reconstrução trouxeram uma oportunidade para mudar as atitudes tradicionais relativamente à educação das raparigas.

Ler mais aqui

sábado, agosto 10, 2013

É na terra do teu pão / que se joga a tua sorte



Em 1969 Luís Cília, gravou o seu segundo disco para a etiqueta moshé-naim, com poesia portuguesa, no qual surge este tema. Mais tarde Adriano Correia de Oliveira interpretou e gravou, esta canção com o nome de "Margem Sul". O poema é de Urbano Tavares Rodrigues de quem, o Luís, gravou mais um poema, num disco unicamente editado em Espanha.

Ó Alentejo dos pobres
Reino da desolação
Não sirvas quem te despreza
É tua a tua nação

Não vás a terras alheias
Lançar sementes de morte
É na terra do teu pão
Que se joga a tua sorte

Terra sangrenta de Serpa
Terra morena de Moura
Vilas de angústia em botão
Dor cerrada em Baleizão

A foice dos teus ceifeiros
Trago no peito gravada
Ó minha terra vermelha
Como bandeira sonhada

Para saber mais consulte o site www.luiscilia.com

quinta-feira, agosto 08, 2013

Street Boy -- Sixto Rodriguez

Cá dentro inquietação, inquietação


Entre o Twitter, o Facebook e a rua, a gente vai enfrentando o medo. Coletivamente, em comunicação global, a aprender sempre, reforçando-se pela não violência. Tudo começa, como na canção do José Mário Branco, "cá dentro", na inquietação.
"Os movimentos dizem que o mais importante não é o produto, o que conseguiram, mas sim o processo, ou seja, como conseguiram. A partir daí, criam experiências do que poderiam ser outras formas de representação políticas"
(...)
"Enquanto tivermos capacidade de indignação e de mobilização, poderemos ir para a prática"

Não basta apenas criticar na internet, diz sociólogo Manuel Castells - Terra Brasil:

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quarta-feira, agosto 07, 2013

Mundo Feio

http://www.pobrezanaopagaadivida.info/
Petição

Todavia, mais que criticar as “frases infelizes” de alguns protagonistas, interessa entender que, como mostra Doreen Massey, palavras como “cliente”, “consumidor”, “mercado” modelam quer a nossa visão de nós próprios quer a nossa visão do mundo e criam a ilusão de que o mundo é “isto” porque não pode ser outra coisa (o tal TINA neoliberal, o inefável “there is no alternative”).
Maria Rosa Martelo, 2013 
Ler o resto do texto aqui:
Mundo Feio | iOnline - Notícias de Portugal, Mundo, Economia, Desporto, Boa Vida, Opinião e muito mais.

terça-feira, agosto 06, 2013

Agonia em Agosto, Setembro mal posto


Por incrível que pareça, para que um ano lectivo decorra com normalidade, a maior parte das decisões têm de ser tomadas com grande antecedência, obrigando a um misto de planeamento, sensibilidade e bom senso.
Num tempo em que é o paradigma empresarial que rege a visão sobre todas as outras instituições, seria de esperar que o Ministério da Educação se comportasse como um conselho de administração dirigido por gestores previdentes.
Em vez disso, a equipa de Nuno Crato reforça o caos nas escolas, criando uma situação que leva a que haja alunos sem turma, professores sem horário e directores sem férias. Ao mesmo tempo, quer impor, em Agosto, uma prova que, mesmo que fizesse sentido, teria de estar preparada com muito mais antecedência.
Nuno Crato já não vai a tempo de perceber o que é um ano lectivo. Por outro lado, no fundo, nunca quis saber. Se soubesse, não podia ser Ministro da Educação.
Nuno Crato não sabe o que é um ano lectivo

sábado, agosto 03, 2013

COR


TESTAMENTO 
Maria Helena Vieira da Silva (1908-1993)

Eu lego aos meus amigos

Um azul cerúleo para voar alto.
Um azul cobalto para a felicidade.
Um azul ultramarino para estimular o espírito.
Um vermelhão para o sangue circular alegremente.
Um verde musgo para apaziguar os nervos.
Um amarelo ouro: riqueza.
Um violeta cobalto para o sonho.
Um garança para deixar ouvir o violoncelo.
Um amarelo barita: ficção científica e brilho; resplendor.
Um ocre amarelo para aceitar a terra.
Um verde de Verona para a memória da primavera.
Um anil para poder afinar o espírito com a tempestade.
Um laranja para exercitar a visão de um limoeiro ao longe.
Um amarelo limão para o encanto.
Um branco puro: pureza.
Terra de siena natural: a transmutação do ouro.
Um preto sumptuoso para ver Ticiano.
Um terra de sombra natural para aceitar melhor a melancolia negra.
Um terra de Siena queimado para o sentimento de duração.

Nota: texto encontrado entre os papéis de Maria Helena Vieira da Silva após a sua morte, onde nos transmite a convicção de que as cores, simples matéria pigmentada, contêm afinal todo o arco-íris de que a vida é composta.

sexta-feira, agosto 02, 2013

Mobilizar



Bandeira hasteada 21.07.2013, Cascais (Grécia & Portugal).
 In www.dalaiama.blogspot
Ao contrário do que acontece, por exemplo, na França da Frente Nacional, em Portugal uma parte da esquerda tem ocupado como pode o terreno do nacional, tentando dar-lhe um cunho popular e democrático que pode e deve ser o seu. Afinal de contas, foi neste país que ocorreu uma revolução democrática e nacional que colocou na agenda de um país anteriormente colonizador e colonizado três irrecusáveis D (Democratizar, Descolonizar, Desenvolver). Tendo deixado de ser colonizador, o D de descolonização tem hoje uma nova declinação, num contexto apesar de tudo infinitamente menos coercitivo, pelo menos por enquanto, mas que põe em causa a independência nacional e o desenvolvimento igualitário. 
De resto, o preconceito racista, mais ou menos velado, não é apenas atributo da versão sombria do nacionalismo, já que tem sido cultivado, a norte, pelos defensores e beneficiários do euro e é reproduzido por elites nacionais que lhe dão a devida coloração social. Para além disso, a história nacional e europeia mostra-nos a outra face do nacionalismo, como bem sublinhou José Manuel Sobral; uma face de que nos esquecemos por nossa conta e risco: «entendido como amor da pátria, como terra própria e dos antepassados e, mesmo, lugar da liberdade e da democracia», «contribuiu para sustentar a resistência que venceu o nazismo e os fascismos». Estou certo que o nacionalismo, se for entendido como o que reivindica esta herança emancipatória, contribuirá para quebrar, pelas periferias e mobilizando as classes populares, esta estrutura de dominação com escala europeia. O que pode haver de mais importante, do ponto de vista ético-político, hoje, neste país?
João Rodrigues
Que fazer neste país? : a centralidade da escala nacional

quinta-feira, agosto 01, 2013

Are you past oriented or future oriented.

Calendário EIG _ Agosto 2013 tem rostos de Portugal


Discrimination is everywhere –  hidden and usually within us, both women and men. We accept things as natural’, but they are not natural. They are cultural norms that determine the ways things are.
A discriminação está em toda a parte - oculta e geralmente entre nós, tanto mulheres como homens. Aceitamos as coisas como "naturais", mas não são naturais. São normas culturais que determinam o modo como as coisas são. 
Isabel Barreno 

What I tell young women is not to give up on their dreams. The struggle is not for social liberties, since these have already been established; the struggle is rather to change the mentality.
O que eu digo às mulheres jovens é para não desistirem dos sues sonhos. A luta não é por liberdades sociais, uma vez que essas já foram estabelecidas; a luta é sobretudo por mudar a mentalidade. 
Maria Teresa Horta

Calendário (pdf)
Notícia aqui http://aviagemdosargonautas.net/2013/08/01/calendario-com-rosto-de-maria-isabel-barreno-e-maria-teresa-horta-por-clara-castilho/#comments