quarta-feira, junho 29, 2016

Francisco José Viegas



De vez em quando vou a uma dessas bibliotecas públicas perto de casa, aberta aos fins de semana. Oiço o silêncio dos livros, que murmuram sem cessar. Risos no jardim. A felicidade de estar perto de gente que lê e se perde a despropósito, sem razões nem método. 

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Blog - Francisco José Viegas - Correio da Manhã

segunda-feira, junho 27, 2016

Mário Tomé: “Íamos entusiasmadíssimos para a guerra” – Observador



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E que é que lia?Lia o Italo Calvino, lia o Augusto Abelaira, lia o Steinbeck. Essa leitura dava-me uma forma de estar no mundo ainda não definida, mas pelo menos já a elaborava uma capacidade de crítica em relação ao que vivia. No caso do fascismo, a tropa — a tropa em geral, não era eu –, em relação à PIDE tínhamos aversão, tirando os que eram da PIDE lá da tropa. A tropa era contra a PIDE, a não ser depois na guerra…


Mário Tomé: “Íamos entusiasmadíssimos para a guerra” – Observador

Crianças presas em espaços fechados não aprendem nem crescem – Observador

Questionado sobre o contexto que levou pais e educadores a aprisionarem as suas próprias crianças, o professor elenca diversos motivos. Entre eles, o “desaparecimento da rua enquanto local de jogo”, muito por via da crescente urbanização das cidades, aumento do tráfego automóvel e ausência de políticas públicas dirigidas ao bem-estar na infância. Ao mesmo tempo, assiste-se ao “excessivo alarmismo dos órgãos de comunicação social sobre os perigos a que as crianças estão sujeitas”, levando à redução da permissão dada pelos pais para que se desloquem sozinhas.
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O que os pais não sabem – ou facilmente esquecem – é que esta via da proteção excessiva está longe de ser benéfica para os filhos: “Brincar é ganhar confiança em si próprio e é também o melhor caminho para evitar o acidente, ou seja, quanto mais risco mais segurança.”
Ainda assim, o fundador e antigo presidente da Sociedade Internacional para Estudos da Criança não tem dúvidas em afirmar que “hoje temos melhores pais, melhores famílias, melhores crianças e melhor sociedade do que há anos atrás. O que está em causa é o aparecimento de novos problemas associados à educação das crianças do nosso tempo que podem estar a colocar em perigo a sua identidade, autonomia e necessidades básicas de desenvolvimento biológico e cultural”, alerta.


Crianças presas em espaços fechados não aprendem nem crescem – Observador

Ladrões de Bicicletas: Tem os dias contados

 

O Labour está numa encruzilhada: ou Jeremy Corbin assume em definitivo os anseios das classes trabalhadoras, dos jovens precarizados e das regiões deprimidas, e ainda pode ganhar as eleições no Outono, ou o Labour expulsa Corbyn e iniciará um declínio inexorável. Aliás, o mesmo dilema espera os socialistas de outros países, com destaque para França, Espanha e Portugal




Ladrões de Bicicletas: Tem os dias contados: O povo do Reino Unido decidiu Brexit. Foi um dia histórico porque marca o início do fim da UE. Pelo que li, há uma grande correlação en...

quinta-feira, junho 23, 2016

Manuel Gusmão: a alegria partilhável da resistência – Caliban

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Acha que é possível passar dessa ordem puramente estética como aquela que diz respeito à poesia e às artes em geral para a ordem política. Acha que há essa possibilidade de efectivar essa beleza da chama na ordem política?Acho. Acho decisivamente que é uma das possibilidades da redenção das nossas coisas, dos nossos casos de vida, vidas perturbadas, onde reside sempre a possibilidade de em algum sítio e algum lugar viver algo que é para nós um acontecimento e a promessa de uma alegria comunicável e partilhável. A possibilidade da estética tem a ver, ou pode ter a ver com uma disponibilidade ética.
(...)

Acha ainda possível, urgente, necessário, que a arte surja como função de libertação? Ou só ela não chega?MG: terá de ser a arte a encontrar aquilo que quer fazer com os seus materiais e instrumentos. E se ela vier encontrar-se com a política ela deverá configurar o seu espaço, uma espécie de protocolo, de terreno, para o seu encontro com a política, porque ela não se pode entregar pura e simplesmente nas mãos da política e dar à política o comando. Porque neste sentido encontramos mais uma vez, pela enésima vez, uma forma de a política colonizar a poesia ou de a política colonizar a poética. A poética é um termo que para mim me é mais simpático que o termo de estética. Porque a poética recoloca no centro de qualquer fenómeno artístico e de qualquer relação com a arte a questão do fazer. A poética é um produzir, um estudo da poiesis, e, a poesis já introduz artes e portanto podemos falar da poesis de qualquer arte sem trazer nada de exterior à arte, enquanto que, quando falamos da estética, tentamos confrontar o mundo da arte com o mundo em que vivemos, o mundo onde a arte é. Esse confronto pode não nos trazer muita coisa de bom porque substitui a descrição daquilo que as artes fazem por valores de comparação entre a figura artística e a figura do mundo e isso é aquilo que significa, por um lado, aparentemente, a necessidade de ver que a arte tem sempre a ver com o mundo mas não implica, não garante, que o que o que a arte ganha do mundo seja dito pela arte tal qual, e, portanto, é preferível escutar a arte no que ela diz enquanto arte e aí confiarmos que ela tem uma palavra sobre o mundo.


Manuel Gusmão: a alegria partilhável da resistência – Caliban

domingo, junho 12, 2016

Estamos a nada de serlo todo


LAREDO, CALLES QUE BESAN from estudios vimagit-tlf.650434137- on Vimeo.
Um sorriso nesta noite em que encontrámos outro Laredo tão semelhante ao povo da Laredo Associação Cultural que parece fantasia.

O segredo não está no treino, mas na verdade

Wook.pt - De Zero a Dez



Seguindo o link abaixo indicado, encontra um texto riquíssimo, em inglês, apresentado numa conferência internacional de Reumatologia pela Margarida.

Como lidar com a dor?

Com entender o corpo e com eles e entender?

Vale a pena ler o texto, e, depois, os livros da Margarida. Pela sua saúde, pela nossa saúde.



Leaning to control - The power over the day-to-day setbacks is... ours! (Full presentation) | Margarida Fonseca Santos | LinkedIn

sábado, junho 11, 2016

Portugal - pensar o futuro a longo prazo

É bom reler esta notável entrevista de Coimbra de Matos a Anabela Mota Ribeiro, sobre Portugal. Fotografia de Gérard Castello Lopes, partilhada pela autora, hoje, no Facebook, relembrando o texto, publicado em 2012.




Lidamos mal com o conflito e com a interpelação? Porque é que o outro discordar de nós é sentido pelos portugueses como uma forma de afrontamento, de intimidação? Tudo é demasiado pessoal.Confirmo isso. Se fizer uma pergunta a um conferencista, discordando dele, num congresso em Portugal sou acusado de ser agressivo. Se for num congresso internacional, isso é completamente aceite. Aqui somos muito narcísicos, ficamos logo ofendidos. Discordar é ofender o outro.
Isso é um traço de narcisismo?É, não aceitamos bem que o outro discorde de nós, sentimos isso como uma diminuição.
Como é que ficamos menos vulneráveis, menos narcísicos? Como é que aprendemos a lidar com a crítica e aquilo que sentimos como sendo a agressividade do outro?A causa psicológica assenta num sentimento de inferioridade. Se a pessoa se sente inferior, qualquer discordância do outro é sentida como uma ofensa pessoal. Se está consciente da sua capacidade, se não tem complexos de inferioridade…
Como é que se trabalha este sentimento de inferioridade? É uma coisa importante na maneira como interagimos com o colectivo.Começa na família e depois na sociedade em geral: os portugueses tornam-se autónomos muito tarde. Por razões financeiras e por razões culturais. Mesmo nos anos 60, em que se vivia relativamente bem, as pessoas saíam muito tarde de casa. É-se muito ligado à família de origem. Desde pequeno há uma cultura de concentrar, proteger, e não de fomentar a autonomia.
O que podemos extrair disso é a ideia de que todos juntos somos mais fortes? É por isso que devemos permanecer no espaço da família, resguardados? Por que é que não se incentiva a independência?Vem da geração anterior. Os pais têm dificuldade em promover a independência dos filhos, sentem isso como uma perda da influência deles. Vê-se também ao nível pedagógico; a maior parte dos professores, se um aluno tem ideias diferentes das dele sente isso mal; gosta que o aluno copie as ideias do mestre. Não gostamos de ser contestados pelos mais novos.
Isso é considerado uma insolência. Temos um ditado que traduz isso bem: “Já a formiga tem catarro”.Pois é, mas não devia ser. Os mais novos trazem ideias novas.

"O que nos deve entusiasmar é aquilo que não sabemos, não aquilo que sabemos."

"É preciso pensar num futuro a longo prazo."


Coimbra de Matos (sobre Portugal) - Anabela Mota Ribeiro

quinta-feira, junho 09, 2016

Expresso | Bebé do São José: seis razões para um milagre





“Não foi um milagre, mas um avanço da ciência e da capacidade de multidisciplinaridade e eficácia de uma equipa. Não são só os médicos, mas os enfermeiros, os nutricionistas, os farmacêuticos e todos os profissionais que contribuíram para este êxito”, que exigiu uma dedicação de 24 horas por dia, todos os dias. “A tranquilidade com que vivemos o desenvolvimento do feto foi o que nos deu segurança. O que não queríamos era que ele tivesse problemas graves”.


Expresso | Bebé do São José: seis razões para um milagre

terça-feira, junho 07, 2016

Lídia Jorge, a inquietar

 

Não tenho uma carreira, não gosto da palavra, vou antes fazendo um caminho e aceito com naturalidade que um dia realcem o meu trabalho e que no outro o critiquem. Podem até esquecer-se de mim. Há grandes escritores de que já ninguém fala. Acima de tudo sou e serei sempre uma entre os outros e não uma fora dos outros, ou se quiser acima dos outros. Não gosto dessa postura de superioridade que alguns escritores acabam por adotar.


“A literatura serve para inquietar e despertar as pessoas para a realidade” | Esquerda

quinta-feira, junho 02, 2016

Un vestido y un amor - Mercedes Sosa





Mercedes, como Caetano, vem da América Latina e domina o coração híbrido luso-hispano-hablante, mais o perfume índio e de sagradas misturas que a História explicará, mas eu felizmente não preciso: ainda consigo escutar a pele, e o arrepio que a todos nos irmana.

Un vestido y un amor - Caetano Veloso



Por mistérios que desconheço, tenho um coração ibérico, para além de outros. Nele a palavra em português se casa sem conflitos com o castelhano e as demais línguas da Iberia.

Caetano é como eu, e faz bater esta hibridez como poucos outros cantores.