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quinta-feira, abril 23, 2020

Louvor do aprender (Dia Mundial do Livro)

Louvor do Aprender, um poema de Bertold Brecht

Fonte aqui

Louvor do Aprender

Aprende o mais simples! Pra aqueles
Cujo tempo chegou
Nunca é tarde de mais!
Aprende o abc, não chega, mas
Aprende-o!   E não te enfades!
Começa! Tens de saber tudo!
Tens de tomar a chefia!

Aprende, homem do asilo!
Aprende, homem na prisão!
Aprende, mulher na cozinha!
Aprende, sexagenária!
Tens de tomar a chefia!

Frequenta a escola, homem sem casa!
Arranja saber, homem com frio!
Faminto, pega no livro: é uma arma.
Tens de tomar a chefia.

Não te acanhes de perguntar, companheiro!
Não deixes que te metam patranhas na cabeça:
Vê c'os teus próprios olhos!
O que tu mesmo não sabes
Não o sabes.
Verifica a conta:
És tu que a pagas.
Põe o dedo em cada parcela,
Pergunta: Como aparece isto aqui?
Tens de tomar a chefia.

Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'
Tradução de Paulo Quintela

domingo, março 15, 2020

Vírus & democracia


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Charge de Laerte Coutinho in Forum, 25.02.2020

Na China, a capacidade de controlo de Xi Jinping vai ao ponto de conseguir medir a temperatura dos distribuidores de comida a cada duas horas e, na embalagem, é obrigatório que constem os valores da temperatura de quem confeccionou a refeição. Os passos das pessoas são controlados por uma aplicação no telemóvel. Em contrapartida, cada cidadão tem, por exemplo, garantidas cinco máscaras 
gratuitas por semana. Por oposição ao exemplo italiano e ao dos Estados Unidos, com Donald Trump a recusar responsabilizar-se pelo que quer que esteja relacionado com “o vírus estrangeiro” e incapaz de tornar acessíveis os cuidados de saúde de que os norte-americanos precisam, não falta já quem questione se uma ditadura não estará mais bem preparada para conter o vírus. “Se se confirmar o aparente sucesso que a China está a ter a controlar isto, por contraste com países democráticos, mais gente pode começar a concluir que, afinal, o autoritarismo pode dar jeito, mesmo que em sacrifício de alguns direitos”, preocupa-se Aguiar-Conraria. O facto de a China ter, por via do seu desempenho económico, “deitado por terra aquela ideia dos anos 1980 e 90 de que eram os países com democracias mais sólidas que tinham melhores performances económicas”, não ajuda a pôr travão a tais ameaças aos regimes democráticos. 
“O perigo de as democracias saírem fragilizadas desta pandemia é enorme”, vaticina também Manuel Loff.“O que é que disse [o deputado do CDS] Telmo Correia? Que é preciso uma ‘voz de comando’! E de onde é que isto está a sair? Está a sair de onde sempre esteve: durante a II Guerra Mundial, a questão, mesmo nas democracias opositoras do nazismo, era se uma ditadura não seria mais eficaz a mobilizar os seus soldados, a dar-lhes moral para enfrentar os inimigos. Em pleno século XXI, está a voltar à superfície este elogio permanente do autoritarismo”, compara.O que mais preocupa o historiador é perceber que, à boleia da covid-19 tal como à boleia da crise dos refugiados, grassa a ideia de que a complexificação das relações e dos problemas sociais e políticos requer um “comando forte”. “Essa crítica nacional-populista ao funcionamento da democracia, que não dispensa uma retórica oportunista de mais democracia, foi o que levou Bolsonaro ao poder e o que deu força o Orbàn na Hungria e a Putin na Rússia”, insiste para sustentar que, ao reavivar medos ancestrais, a covid-19 “reforça discursos de natureza messiânica ou autárcica, que, perante um vírus que vem de fora, defendem que o país tem de se fechar sobre si próprio”. E, submergidas pelo pânico social, as pessoas tornam-se permeáveis à erosão dos seus direitos. 
“A lógica de que os países têm de fechar o contacto com os outros começou em 2017, a seguir à tomada de posse de Trump, e, do dia para a noite, o passo foi dado”, situa Loff, referindo-se à decisão do Presidente norte-americano de “fechar” os voos provenientes da Europa. A Itália, por seu turno, “isolou-se a si própria, num estado de emergência com efeitos de natureza policial”, diz ainda, convencido de que, “criados os mecanismos legais, estas medidas terão impactos duradouros”.“Se incorporarmos este estado de emergência dentro das nossas cabeças, ninguém se lembrará de ir perguntar ao Estado quando é que isto acaba. E efectivamente os processos de securitização de áreas da nossa vida colectiva e individual só têm sucesso quando a sociedade os entende como naturais”, prossegue o investigador, subscrevendo as teorias do filósofo italiano Giorgio Agamben, que no livro Estado de Excepção (Edições Setenta, 2018) conclui que o mundo vive em permanente estado de excepção desde os ataques terroristas de 11 de Setembro. “A ideia que perdura desde então”, conclui Loff, “é que sempre que há um ataque temos de suspender a Declaração Universal dos Direitos Humanos, detendo e vigiando pessoas sem necessidade de qualquer autorização judicial”. No caso português, “é sintomático que uma das primeiras discussões suscitadas pela covid-19 visava perceber se, à luz da Constituição, o Estado pode ou não impor determinadas práticas de reclusão domiciliária”, recorda Aguiar-Conraria, para acrescentar que, se se concluir que não tem, “de certeza absoluta que, bem ou mal, na próxima revisão constitucional isso é alterado”.E assim "ficaremos com mais um exemplo de como as crises são aproveitadas para erodir direitos e tornar as sociedades menos liberais”.
in O vírus do medo já contagiou as democracias, Público, 15.03.2020

quinta-feira, fevereiro 13, 2020

13 de Fevereiro de 1906: nasce Agostinho da Silva


Que diria Agostinho da Silva destas duas afirmações da espuma dos dias que agora vivemos?

Tema: eutanásia e proposta de referendo sobre o tema por representantes de confissões religiosas
 "Não podemos permitir que alguns deputados queiram decidir por nós." -afirmação de um bispo católico em 2020, Portugal 
 "Não podemos permitir que alguns bispos, que ninguém elegeu, queiram decidir por nós."- afirmação de uma cidadã em 2020, Portugal
Sobre Agostinho da Silva:

Estórias da História: 13 de Fevereiro de 1906: Nasce Agostinho da Silva: Professor e investigador português, George Agostinho Batista da Silva nasceu a 13 de fevereiro de 1906, no Porto, e morreu a 3 de ab...

sábado, outubro 19, 2019

Espanha aqui tão perto - mais tolerância, menos sangue


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Quijote pelo Ballet de Catalunha

























• Público • Sábado, 19 de Outubro de 2019

O país que “deu” o Quixote merece tudo, menos muita da sua política. É também por admiração e estima por Espanha que escrevo isto

José Pacheco Pereira

A Espanha nem una nem grande nem livre
“La libertad, Sancho, es uno de los más preciosos dones que a los hombres dieron los cielos; con ella no pueden igualarse los tesoros
que encierran la tierra y el mar: por la libertad, así como por la honra, se puede y debe aventurar la vida.”
(Cervantes, Don Quijote)

Este é um artigo indignado e como eu sou de raras indignações podem parar de o ler aqui. Nestas alturas estou-me positivamente “marimbando” — sem desculpa pelo plebeísmo porque preciso da sua força — para as nossas tricas nacionais, e para o gigantesco espectáculo de hipocrisia que é a União Europeia, capaz de se mobilizar pelas mais minoritárias causas da moda, mas indiferente ao que se passa na Catalunha.
Como cá. São todos muito liberais, todos muito preocupados pelas liberdades (económicas), todos muito tradicionais, alguns muito revoltados com a repressão (na Venezuela ou em Cuba), e chega-se à Catalunha e ficam todos muito indignados com a “violência” na rua, todos muito legalistas, todos indiferentes a um processo político persecutório, todos olhando para o lado para não verem as multidões na rua, e acima de tudo para não verem as faces dessa multidão. Para não verem que eles são iguais a nós, velhos, mulheres, donas de casa, trabalhadores, jovens casais, moradores, professores, funcionários, gente LGBT, gente conservadora, gente cujos pais e avós conheceram a guerra civil e guardam a memória dos fuzilamentos de dirigentes catalães ou dos movimentos estudantis e operários que confrontaram o franquismo numa Catalunha mais irridente do que muitas partes de Espanha. Eles olham para a rua e vêem os capuzes, e como o El País e a imprensa portuguesa que o segue estão muito preocupados com a Constituição e com a lei, com revoltas, golpes de Estado, revoluções, sedições, separatismo, independentismo. O que não vêem ou admitem é que possa haver uma vontade, uma determinação, uma razão pela independência da maioria dos catalães.
O problema é que na rua catalã não estão fascistas de pata ao alto, nem gente a marchar detrás de variantes da suástica, ou de runas nórdicas, nem a gritar contra os refugiados, nem a atacar mesquitas e sinagogas — está gente como nós. Mas o mesmo não se pode dizer das setas da Falange, nem da bandeira espanhola transformada no estandarte da “España, una, grande y libre” do franquismo, que recrudesceram nos dias de hoje em resposta ao independentismo catalão, numa causa que já mereceu em Espanha muitos milhares de mortos.
Na verdade, os nossos anticatalães, parte do PS e quase toda a direita acabam por ser muito amigos de uma das mais sinistras tradições do país ao nosso lado, o espanholismo de Castela, historicamente muito agressivo, tradicional inimigo de Portugal, a pátria que supostamente lhes enche o peito antes de chegarem a Bruxelas, onde desincha. O espanholismo que encontrou os seus melhores porta-vozes em partidos de extrema-direita como o Vox, que Nuno Melo branqueou, ou num PP minado pela corrupção, ou na sua versão modernizada, o Ciudadanos, o partido que o CDS gostaria de ser quando for grande. E em Espanha nesse partido que nem é socialista, nem operário, mas que agora é muito espanhol e que aceitou ser chantageado pelos herdeiros de Francisco Franco e que não teve a coragem de evitar o julgamento político dos independentistas.
Podem não ser favoráveis à independência catalã, não podem ser indiferentes aos presos políticos e às suas sentenças punitivas. E só por ironia é que se vê ficarem muito ofendidos com a comparação entre Hong Kong e Barcelona, eles que não mexeram uma palha sobre Hong Kong porque o seu anticomunismo pára na EDP e na REN, e não têm muita autoridade para fazer essa distinção. O mesmo com a “progressiva” e de “referência” comunicação social espanhola cuja agressividade anticatalã é repulsiva. E o mesmo para a portuguesa.
E repetem-se argumentos absurdos. O argumento contra o referendo então é o de máxima hipocrisia. O referendo não valeu porque correu sem qualquer controlo. Não é inteiramente verdade, mas é natural que não tenha ocorrido em condições ideais com a polícia a roubar as urnas, a ocupar lugares de votação e a bater nos que queriam votar. Mas, se o problema foram as condições do referendo, então que se faça outro em condições de liberdade e paz civil. Resposta: não, não, nunca, jamais em tempo algum.
Eu sou um grande admirador de Espanha, da sua cultura, das suas gentes. Li o Quixote mais de que uma vez e não é por falta de vontade que não o leio outra vez. Tudo o que de grande existe na história da literatura e da arte está nesse livro, de Ulisses a Leopold Bloom. O país que “deu” este livro merece tudo, menos muita da sua política. Não é um país de história fácil, como se viu na matança da guerra civil, de que o actual conflito é demasiado herdeiro. Em política sempre foi dado a pouca tolerância e a muito sangue, mas os seus grandes homens e mulheres nos últimos 200 anos foram-no exactamente por contrariarem isso. Unamuno é um exemplo. É também por admiração e estima por Espanha que escrevo isto.

Historiador


quarta-feira, novembro 08, 2017

Democracia, luta diária

 É estranho que desejos democráticos sejam considerados perigosos, diz Judith Butler em SP
Judtih Butler organizou um seminário internacional em São Paulo, Brasil, 6 a 9.11.2017, na Sesc  Pompeia - 'Os fins da democracia' (Foto Erika Mayumi/Divulgação).  A sua presença foi alvo de manifestações de rua - 70 pessoas contra ("não à ideologia de gênero”, “meu filho, minhas regras”, "Fora Butler"), muitas outras a favor (coletivos Além Das Sombras, Pompeia Sem Medo, Democracia Corintiana e Ocupe a Democracia, "Fora Temer")

“Talvez a democracia seja uma aspiração, talvez seja uma forma de governo, além de servir a ideais como igualdade, liberdade e justiça. A democracia é uma luta diária que requer um agrupamento do pensamento crítico dedicado a responder às forças que censuram as palavras, restringem a nossa liberdade, condenam nossos amores e reproduzem legados de violência e dominação.”


Judith Butler, 2017




É estranho que desejos democráticos sejam considerados perigosos, diz Judith Butler em SP

domingo, agosto 27, 2017

Votar



1965. Há 52 anos. Havia eleições em Portugal? Haver, havia mas não era a mesma coisa. Recordemos que era um país de analfabetos - em 1960, 4 em cada 10 portugueses não sabiam ler nem escrever. 

Só podiam votar os que tivessem sexo masculino, soubessem ler e escrever ou, não sabendo, tivessem algum rendimento (analfabeto e pobre então, nem pensar). 

E as mulheres? Ainda menos, tinham que ter cursos médios, não bastava saber ler nem escrever, ou serem chefes de família (leia-se "sem homem que as guiasse" - viúvas, por exemplo), com rendimentos. Se fossem casadas e tivessem rendimentos, mesmo analfabetas, para votar tinham de pagar o dobro dos homens anualmente, para terem o mesmo direito de voto. Uma lei de 1946, que se manteve em vigor. 

Ora aconteceu que muitas destas mulheres criaram filhos e netos, e filhas e netas, e incentivavam gerações a ir à escola, aprender e formar capacidade de ler e entender, criticar e mudar. 9 anos depois destas eleições, e 38 depois daquela lei fascista, muitas mulheres de todas as condições e graus de instrução apoiaram os militares de Abril, quase todos com menos de 40 anos de idade, e a revolução. 

Nas primeiras votações depois do 25 de abril, elas eram imensas, eles eram muitos, faziam filas e filas, e votaram. A melhor resposta à ditadura - não ter medo, participar, sentir-se igual e cidadão. E votar. Agradeço a partilha da imagem à Helena Pato, no precioso grupo do FB Fascismo nunca mais, que vai em mais de 12000 membros.

Estatísticas de educação - ver pg. 18 do vol. II sobre a evolução do analfabetismo
http://www.dgeec.mec.pt/np4/172/

quinta-feira, janeiro 02, 2014

We Must Out-Educate and Out-Innovate Other Nations


First, we must end the pressure on teachers to teach to the test. I have said it before and I will say it again: We want teachers to teach with creativity and passion. I call on states not to pay bonuses to teachers to produce higher test scores and to stop evaluating teachers based on the test scores of their students. We now realize that this causes teaching to the test. That must stop now. Of course, teachers should be evaluated, but they should be evaluated by other professionals, not by their students’ test scores.
Too much testing crushes creativity and innovation, and that’s why we must stop it — now.
Second, we must strengthen and improve our public schools. We must end all efforts to privatize them. I am firmly opposed to vouchers. I will cancel federal subsidies to any charter school that does not seek out and enroll students with disabilities and students who have dropped out. I call on the states to prohibit for-profit schools and for-profit management of schools. Every dollar taken from taxpayers must go to classrooms, not to investors.
Let us recognize here and now that public education is an essential institution of our democratic society. We must make it better, not privatize it.
We will improve education by improving the lives of children. The United States leads the advanced nations of the world in child poverty. This is a scandal, and we must dedicate ourselves to reducing it.
We Must Out-Educate and Out-Innovate Other Nations | Group Think | BillMoyers.com

domingo, outubro 13, 2013

Pontes de saída - Le Monde Diplomatique - Edição Portuguesa



Este cancro metastizou, mas não é incurável. Para procurar palavras que possam ser úteis, teremos de procurar outras abordagens. Há que parar a sangria das células novas e saudáveis que todos os dias produzimos. Isso implica uma moratória ao pagamento da dívida, porque ela, insustentável no futuro, é já hoje responsável por canalizar a riqueza que produzimos para alimentar os credores financeiros. Reestruturar a dívida, protegendo pequenos aforristas e as pensões, é um problema para credores que terão feito um mau investimento, não um problema para o Estado português (teria dinheiro para pagar salários e pensões). Há que repor o contrato social, que exige uma fiscalidade justa, o que implica enfrentar as ferozes resistências dos que detêm os mais altos rendimentos, do capital financeiro, dos lucros accionistas, etc. E há que compreender que a universalidade do acesso ao serviços públicos, às funções sociais do Estado – que sabemos ser o melhor garante de igualdade e coesão social – só pode ser garantida com a defesa da sua gratuitidade para todos. Foi muito por aqui, que alastrou o cancro das engenharias neoliberais que corroeram o Estado: uma educação, saúde e segurança social cada vez mais para pobres, com o preço e a degradação da qualidade a levar os que têm mais posses para os privados.
Sandra Monteiro (Editorial) 

Pontes de saída - Le Monde Diplomatique - Edição Portuguesa

sábado, junho 08, 2013

IMENSO SUL: Luta de Classes


É ridícula a ideia de que a divulgação deturpa. A banalização é sempre tarefa de quem banaliza e não do objeto banalizado. Quem não for capaz de convocar os seus sentidos e a sua razão para apreciar uma determinada obra, apenas por acreditar que se encontra muito difundida, tem problemas graves ao nível do espírito crítico e da isenção mais básica. Esse é um daqueles casos em que se aconselha a lavagem de olhos. É aí que reside a deturpação.

IMENSO SUL: Luta de Classes: Foto: Carlos Jesus Não contem comigo para defender o elitismo cultural. Pelo contrário, contem comigo para rebentar cada detalhe do seu ...

terça-feira, janeiro 01, 2013

Bibliotecas Públicas. Essenciais


South Brunswick Library, in New Jersey Libraries Association FB page

Community, government agency, and library collaborations are the foundation to aiding American citizens in advancement during the slow economic recovery. Together they have the opportunity to:
+ Increase awareness of the wide range of innovative services and resources available in U.S. public libraries;
+ Ensure sustained funding for public libraries at the local, state, and national levels;
+ Expand library and government agency partnerships to improve implementation of e-government and economic development activities; and
+ Recognize public libraries as an anchor institution that connects all Americans to the technology resources and services, and expert assistance necessary to bridge the digital divide.
“Investments in public libraries are working. The 2012 Public Library Funding & Technology Access Study shows how American public libraries support education, economic development, and social inclusion for individuals and communities,” said Deborah Jacobs, Director of Global Libraries at the Bill & Melinda Gates Foundation. “To ensure that libraries continue to provide access and opportunity for all, it is crucial that both public and private partners consider how they can help libraries sustain the critical services they offer.”
Ler mais aqui 

sexta-feira, julho 13, 2012

Manifeste-se

 Burro de madeira é levado para a frente do Parlamento Português, durante um protesto de professores em Lisboa contra cortes na verba nacional para a educação. Imagem daqui


No caminho com Maiakóvski


Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

 Eduardo Alves da Costa (Brasil, 1936) Retirado daqui

domingo, janeiro 08, 2012

Vencer a iniquidade, 50 anos e 7 dias depois. Sem bravata


Na manhã do dia 1 de Janeiro de 1962, e, o meu irmão e as minhas duas irmãs formos cordados, não pelo meu pai ou a minha mãe, como era costume, mas por um tio ou uma tia. Mandaram-nos vestir um roupão sobre os pijamas e acompanhá-los. Atravessámos a curta distância que separava a casa do meu avô materno da casa onde vivíamos, e à qual nunca mais voltei. Durante semanas só nos disseram coisas vagas. As empregadas do meu calavam-se de repente quando passávamos. Soubemos depois que a família não yinha a certeza que o meu paí sobrevivesse aos ferimentos de bala que sofrera no ataque ao quartel de Beja na madrugada daquele dia 1. A minha mãe estava presa. Voltou para casa um ano e meio depois. Ele, ao fim de seis anos. Lembro-me: a minha mãe, a quem não deixaram abraçar os filhos pequenos, encharcando com lágrimas os punhos cerrados de fúria com que agarrava as grades do parlatório de Caxias. O nosso terror. O meu pai, numa cela da Penitenciária de Lisboa, entubado, magríssimo, a voz quase apagada, um fantasma desvanecido contra a luz da janela, aquele homem que eu recordava grande, alegre, garboso na sua farda. Desapareceu de vez a infatigável alegria do meu irmão, um miúdo palrador e de olhos cheios de luz. Ganhou dificuldades de fala e endureceu. Nunca mais encontrou a paz. Por mim, fui adolescente a querer ser homem sem ter para isso pai. Não foi fácil e não se tornou menos difícil depois. As minhas irmãs, eu sei lá, nunca falamos disso. A família juntou-se para nos acolher e ajudar, houve amigos que estiveram à altura da ocasião, mas vivíamos com alguma dificuldade. Quando a minha mãe foi libertada, tinha perdido a profissão que a PIDE a impediu de retomar. Arranjou os empregos possíveis. Dormia pouquíssimo, trabalhava loucamente e aguentou tudo. Só perdeu a juventude e a saúde.
Quando visitávamaos os meus pais em Caxias, em Peniche, encontrámos pessoas que sofreram muito mais que nós e estavam muito mais desamparados. Especialmente os familiares de militantes do PCP, gente heróica sem bravata. Aprendemos que, para aém dos nossos pais e dos que, com eles, foram a Beja (alguns, com menos sorte e resistência física que o meu pai, para lá morrerem), havia em Portugal muitas pessoas rectas que, ao fazerem o que era necessário fazer, causaram danos colaterais como aqueles que a minha família sofreu. Aprendemos que é mesmo assim, que nada e consegue sem danos colaterais. Aprendemos também, todavia, que a maioria da pessoas não suporta esta ideia e só quer paz e sossego. É a vida, mas felizmente haverá sempre aqueles que são maiores que a vida. Se os não houvera, a iniquidade venceria necessariamente.
Coincide com os 50 anos da Revolta de Beja a perseguição movida pelo regime que hoje vigora em Portugal contra Otelo Saraiva de Carvalho, o operacional responsável pela revolta seguinte, o 25 de Abril de 1974. Que isso não nos impeça de dizer e fazer o que é necessário. A iniquidade não pode vencer.
Paulo Varela Gomes, in P2, p.3, suplemento do jormal Público, 07.01.2012

terça-feira, julho 26, 2011

Nas raízes da coragem


Revista Fórum - Manuel Castells (2011) propõe outra democracia:
"De repente, as pessoas percebem que não estão sozinhas. O que sentem, o que pensam, outros também sentem e pensam. E quando não estão sozinhas, as pessoas são mais fortes. Porque todo o conjunto do sistema passivo de comunicação e de democracia consiste em isolar essas pessoas e agregá-las em função dos que controlam os sistemas de poder nas instituições. A separação e agregação segundo o que já está estabelecido fazem com que só se possa pensar através dos sistemas predeterminados pelos interesses que dominam as instituições. A partir do momento em que surge uma dinâmica espontânea de organização em rede, na internet, nas ruas e nas relações interpessoais – a partir daí, a dinâmica muda. Quando as pessoas já não estão sozinhas, quando sabem que estão juntas, produz-se a mudança mais importante nas mentes. Perde-se o medo de dizer e de fazer. Porque o medo é a emoção primordial do ser humano, porque todos somos descendentes de covardes, pois se os valentes não corressem o suficiente, eram pegos pelas feras." 
(...)"Minha grande experiência com movimentos sociais – começando com maio de 68, do qual participei ativamente – me diz que aqui, e que em todos os acampamentos ao redor do mundo, existem raízes. Porque quaisquer que sejam as formas, elas se expandirão. Impulsionarão mudanças profundas, precisamente por ser este um movimento de pessoas, não de organizações. E as pessoas não são criadas ou destruídas, mas as pessoas se transformam.Mas não será fácil. E quando os poderes se derem conta de que as praças falam sério – pois ainda não se dão conta disso – reagirão, provavelmente de forma violenta. Existem muitos interesses em jogo. 
Por isso é essencial que esse processo lento e profundo de reconstrução da democracia viva com um princípio fundamental. Um imperativo categórico, que na minha opinião, já se expressa aqui, que é a não violência. Depois de 11 dias de acampamentos por toda a Espanha, não houve nenhum incidente violento. Por isso, a violência provável do poder deve ter como resposta a não-violência das pessoas. E para isso é preciso muita coragem, porque responder a violência com violência é uma reação de medo. 
Será preciso trabalhar muito com as pessoas que têm tanto medo, que não o superam, e que se tornam violentas. É preciso ir a um nível superior, o da superação do medo a partir da aceitação medo. A única forma de superar o medo é sair da solidão, juntar-se com os demais, e se superarem o medo sem violência, tudo é possível. 
Se precisasse criar um slogan, ele seria: medrosos do mundo inteiro, uni-vos pela rede, pois só podem perder seu medo."

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Bibliotecas Públicas - Projecto de Lei vai a votos amanhã na Comissão Parlamentar

Será que desta vez conseguimos ter uma Lei a garantir que sempre haverá bibliotecas públicas associadas à própria essência do Estado Democrático, seja qual for o concelho, a ideia do autarca e a ideologia do governante no Ministério da Cultura e o valor da assinatura de protocolos?

Garantindo efectivos serviços de biblioteca pública para todos os cidadãos, uma lei por si só não faz aparecer recursos mas marca o sentido da República e o rumo da gestão desses recursos (de todos) reforçando mais este sustento e sustentáculo da democracia na vida de cada um de nós, e de todos, pois o conhecimento é um dos bens comuns mais vitais.
Este projecto de lei é perfeito? Não é, mas para isso há deputados para trabalhar num texto melhor, e uma Comissão. O coração desta lei está no lugar certo, o da liberdade do conhecimento para toda a gente e por toda a gente, que garanta democracia real do livro que se lê ou escreve porque se quer e gosta, e não porque se tem orçamento para isso.

Argumentos financistas colherão apenas junto de quem não valoriza a partilha que é a tradição das bibliotecas públicas, e não queira honrar a República que criou o depósito legal, por exemplo, há quase 100 anos, num tempo de cofres bem magros, mas felizmente de mentes bem largas. Que os actuais deputados se iluminem também e o voto nasça coerente e consciente de que as leis podem e devem fazer a diferença nas maneiras de viver e de ser, no futuro dos nossos filhos e netos. Podem crer: já há muitos portugueses a valorizar serviços públicos de bibliotecas, muitos mais do que se pode ler/escrever nos Orçamentos. Dêem-lhes visibilidade com esta Lei.

Maria José Vitorino
eleitora recenseada desde 1975

sábado, janeiro 01, 2011

Concerto de Gilberto Gil na sede da ONU

Foi há mais de sete anos que um Ministro da Cultura de um país lusófono celebrou na ONU a Paz, em memória de homens e mulheres assassinados nesse combate, Sérgio Vieira de Mello e mais... E a gente dançou, entre palavras nossas e batuque, de repente todos humanos, burocratas ou não.

Saravá!

sábado, dezembro 11, 2010


Barry Schwartz faz uma apaixonada chamada de atenção à "sabedoria prática" como antídoto para uma sociedade que leva a burocracia ao extremo. Argumenta de forma irrefutável que regras muitas vezes falham na sua intenção, incentivos, por vezes, produzem efeitos negativos e como a sabedoria prática do dia-a-dia nos vai ajudar a reconstruir o nosso mundo.

Translated into Portuguese (Portugal) by Luis Neiva
Reviewed by
Alexandre Loureiro

quinta-feira, novembro 25, 2010

quarta-feira, novembro 24, 2010

Greve Geral Portugal 2010



Não é verdade que tudo seja inevitável ou impossível. O dia 24 de Novembro de 2010 pode marcar o início de uma nova etapa de solidariedade e de democracia.

quarta-feira, julho 01, 2009

PRIDE BRIO LIBRARY BIBLIOTECA


A Biblioteca Pública de Nova Iorque agradece o apoio que lhe deram na campanha para que se mantivesse aberta 6 dias por semana(19.06.2009)