quinta-feira, maio 31, 2018

Disparates em curso

Chegam notícias de desbaste em acervos, eliminando o que não corresponder à "nova ortografia".
E vozes sensatas (algumas...).

Nuno Pacheco
As bibliotecas já estão a arder?Pretender que as novas gerações só leiam obras submetidas à chamada “nova ortografia” é uma enormidade inqualificável.

"Só que um livro não é um telemóvel avariado ou um carro prestes a ir para a sucata, é algo que traz consigo a marca de um tempo e uma cultura. Pretender que as novas gerações só leiam obras submetidas à chamada “nova ortografia” é uma enormidade inqualificável. Teríamos de interditar aos estudantes grande parte das bibliotecas, deixando nelas acessíveis apenas umas magras estantes; teríamos de fechar à chave as bibliotecas privadas de pais, tios, amigos, para evitar às pobres crianças algum perigo de “contágio” com outras grafias; teríamos aqui, caso extremo, de afastar dos planos de leitura várias obras porque nelas se contêm termos em desuso, poupando assim as pobres crianças à escrita elaborada de Camões, Gil Vicente, Bernardim Ribeiro ou Camilo Pessanha, entre tantos outros."
Nuno Pacheco, in Público31.05.2018
Ler mais aqui:
https://www.publico.pt/2018/05/31/culturaipsilon/opiniao/as-bibliotecas-ja-estao-a-arder-1832280

quarta-feira, maio 30, 2018

O Quiosque do Piorio é nosso!


"(...) aquela esquina tem um quiosque desde há muitos anos, muito antes de qualquer um de nós ou de Vossas Excelências existir - já lá havia outro quiosque, antes deste que lá está agora e que foi construído nos anos 60 do século XX. Logicamente, qualquer gestão camarária - transitória por natureza - deve sempre considerar que gere os recursos das e para as futuras gerações, não podendo, salvo por razão de força maior, destruir património que até esteja a uso pelos habitantes do Porto de hoje - ou que possa fazer falta aos habitantes da cidade de amanhã. "
Fonte, que vale a pena ler completamente: 
(só mais uma) Carta de amor pelo Quiosque do Piorio

aqui 



Sou da Rede deste Quiosque, tecida com as armas do Facebook, e outras, a que vamos deitando a mão, o pé, e a imaginação. Amanhã, lá estarei, em Festa & Luta. :)





terça-feira, maio 22, 2018

Júlio Pomar

Porque sim

http://alfinete2008.blogspot.pt/2018/05/julio-pomar-nosso-mestre-de-ser-novo.html

segunda-feira, maio 21, 2018

Obrigada, António Arnaut



MENSAGEM ENVIADA POR ANTONIO ARNAUT sexta feira 18.05.2018
 aos congressistas presentes no:
III Congresso da Fundação Para a Saúde SNS em Coimbra

Senhor Presidente do Congresso, Senhores congressistas e convidados 
Não podendo estar convosco, felicito a organização e todos os participantes por esta jornada em defesa do Serviço Nacional de Saúde.
Como todos sabemos, os meus amigos como profissionais e eu como utente, o nosso SNS atravessa um tempo de grandes dificuldades que, se não forem atalhadas rapidamente podem levar ao seu colapso. E tudo em consequência de anos sucessivos de subfinanciamento e de uma política privatizadora e predadora resultante da Lei 48/90, ainda em vigor, que substituiu a lei fundadora de 1979. A destruição das carreiras depois de tantos anos de luta, iniciada em 1961, foi o rombo mais profundo causado ao SNS.
Sem carreiras, que pressupõem a entrada por concurso, a formação permanente, a progressão por mérito e um vencimento adequado, que há muito defendo seja igual aos dos juízes, não há serviço Nacional de Saúde digno deste nome. A expansão do sector privado, verificada nos últimos anos, deveu-se a esta desestruturação e ao facto de a Lei 48/90 considerar o SNS como um qualquer sub-sistema, presente no “mercado” em livre concorrência com o sector mercantil. É a filosofia neoliberal que visou a destruição do Estado Social e reduziu o SNS a um serviço residual para os pobres.
 
É preciso reconduzir o SNS à sua matriz constitucional e humanista. Há agora condições políticas e parlamentares para realizar essa tarefa patriótica e o governo propôs-se fazê-lo. A realização de iniciativas como este Congresso são uma forma legítima e democrática de chamar a atenção do governo para que cumpra o seu dever. Aliás, parece verificar-se um amplo consenso nacional sobre a indispensabilidade do SNS, como garante, em primeira linha, do direito fundamental à saúde. Faço votos para uma profícua discussão sobre esta temática e que, no final, resulte um contributo substantivo em defesa da consolidação do SNS, para que nos 40 anos desta grande reforma possamos todos voltar a ter orgulho no nosso SNS. 
Vosso
António Arnaut
Coimbra, 18 de Maio de 2018

Cinema em Vila Franca de Xira - Realismos Contemporâneos


O Ciclo começou em Fevereiro, prossegue até Dezembro de  2018.
Filmes contemporâneos, realismo dos nossos dias.
A 3ª sessão é já dia 25 de maio, pelas 21.00, no Museu do Neorealismo. Entrada livre, 0€!
Luz Obscura, de Ana Sousa Dias, conta a história verdadeira da família Pato durante o Estado Novo. Centra-se no núcleo familiar de Octávio Pato e na acção da PIDE sobre a sua família, constituindo um valioso contributo para a compreensão da história portuguesa entre 1926 e 1974

Programa completo do Ciclo, aqui:

quinta-feira, maio 17, 2018



Alberto Soler, 07.05.2018 (51:30)

Destaco de entre as suas propostas:

  • conceito de co-paternidade, em que os homens não "ajudam em casa", antes se responsabilizam, consistindo a parentalidade no reconhecer e dar espaço para a educação de mães e de pais, com as suas diferenças e peculariedades;
  • aviso para os riscos do ensino com "etiquetas" e da obediência cega: o futuro das crianças passa mais pela educação em valores como a assertividade, o pensamento crítico e a autonomia;
  • crítica ao sistema académico (escola) que se centra demasiado nos resultados (classificações, notas - incluindo os prémios por boas classificações, com os seus efeitos nefastos) e pouco no empenho e no esforço, e no que se aprende;
  • referência a Hanna Arendt, às experimentações de Milgram e aos perigos da acção dos burocratas aborrecidos que cumprem ordens... 
  • abordagem do tema dos limites, da protecção durante o crescimento e das obsessões securitárias : " se de repente tudo é importante, tudo perde importância".

Alto Soler é psicólogo, Mestre em Psicologia e da Saúde, com mais de 100 anos de experiència clínica e de aconselhamento a pais, conferências, contributos na imprensa, na rádio e na televisão. Publicou o livro "Hijos y padres felices" e do videoblog "Píldoras de Psicologia".

domingo, maio 06, 2018

Educação e acesso : chaves da universalização do Direito à Leitura e à Escrita


Silvia Castrillón assume, citando Emilia Ferreiro, que a leitura é um direito, não é um luxo, nem uma obrigação. Um direito de todos, essencial ao exercício pleno da democracia.
"Parto da convicção de que a leitura não é boa nem ruim em si mesma, de que ela é um direito histórico e cultura e, portanto, político, que deve situar-se no contexto em que ocorre. Historicamente, a leitura tem sido um instrumento de poder e de exclusão social: primeiro nas mãos da igreja, que garantia para si, por meio do controle dos textos sagrados, o controle da palavra divina; em seguida, pelos governos aristocráticos e pelos poderes políticos e, atualmente, por interesses económicos que dela tentam se beneficiar.
Estou consciente de que ao redor da leitura se movem diferentes propósitos, que a necessidade de sua democratização obedece a diversos fins e que disso depende, em grande parte, o fato de setores excluídos - não só da leitura, mas também de outras manifestações da cultura e da economia - não se apropriarem dessa prática. Em outras palavras: somente quando a leitura constituir uma necessidade sentida por grandes setores da população, e essa população considerar que a leitura pode ser um instrumento para seu benefício e for de seu interesse apropriar-se dela, poderemos pensar numa democratização da cultura letrada." p.16
Referindo-se a diversas campanhas, planos e projetos, é útil escutar a sua voz crítica - defende que tais campanhas podem ocultar o verdadeiro problema, criando a ilusão de que se está a fazer alguma coisa pela leitura. Tal não é verdade, se se limitarem a nos convencer da necessidade dessa prática, sem ter em conta que nada se torna necessário se não se tiver a íntima convicção de que pode ser um meio para melhorar as condições de vida. Dar livros, como um favor, gratuitamente, não resolve a discriminação e o desequilíbrio no que diz respeito à participação na cultura letrada
O verdadeiro problema está "na educação e nas possibilidades reais de acesso democrático à leitura e à escrita." (p. 21). As estatísticas que medem a leitura pelo consumo de livros por pessoa encobrem a realidade. Estimular a oferta de livros, por si só, pode confirmar privilégios, em vez de combater desigualdades, apesar das boas intenções.
Precisamos tomar consciência do problema, e assegurar espaços de participação - aí os cidadãos poderão "expressar-se pelo cumprimento do direito à leitura e à escrita e a uma verdadeira inclusão na cultura letrada." (p.21)


Pontos básicos: 

  • educação como área de intervenção central - o que requer transformações nas escolas - proporcionando a literacia a todos, e não apenas aos que já herdam a sua inserção na cultura letrada
  • bibliotecas como meios para a democratização do acesso - o que requer transformações nas bibliotecas - garantindo o acesso gratuito a materiais escritos, em todas as formas, incluindo as novas tecnologias
  • debate alargado sobre que fazer para transformar escolas e bibliotecas
Na Colômbia, este debate tem assinalado alguns eixos a desenvolver:
  • melhorar a formação de professores, enquanto leitores e escritores, que permita romper com a tradição de ensinar como aprenderam
  • equipar bem as escolas com materiais de leitura e de escrita - não apenas manuais, mas livros e outros recursos - para que se possam converter em "comunidades de leitores e escritores"
  • melhorar a gestão do tempo nas escolas - onde cada vez é mais difícil ler, refletir,  pensar, debater, e ter tempo para tal (alunos, professores, pessoal não docente)
  • construir as bibliotecas públicas a partir de projetos das próprias comunidades, de modo a alcançar todos, e não apenas a população já letrada, e/ou já escolarizada, ultrapassando formas rotinadas de gestão por atividades sem planeamento coerente com um objetivo político, social e cultural claro; o suporte financeiro é essencial, mas também é essencial a participação da sociedade civil no desenho da política pública de leitura e escrita 
Exemplos positivos mencionados 
Do Estado: Biblioteca Luis Angel Arango, no centro de Bogotá, que cumpre em 2018 60 anos



quinta-feira, maio 03, 2018

La casa de papel - Bella Ciao



E a versão longa, aqui

Museus ICOM Portugal

 
A definição de estratégia está refém da reorganização administrativa prevista pela descentralização, situação que tem desde já a consequência evidente de profundas alterações à Lei-Quadro, único quadro normativo estruturado que, infelizmente, nunca chegou a ser integralmente implementado.
As preocupações manifestadas pelo ministério prendem-se essencialmente com o modelo de gestão dos museus e monumentos da administração central do Estado, tendo-nos sido transmitido que há um novo projeto de autonomia de gestão praticamente pronto. A intenção é a de dar maior autonomia na gestão científica e cultural dos museus, mas não financeira.
Quanto à situação deficitária das equipas técnicas nos museus não há nenhuma estratégia prevista para colmatar a sangria preocupante de profissionais, resultado do envelhecimento das equipas, sendo apontada a possibilidade de melhoria do quadro de assistentes técnicos para vigilância com recurso a mobilidade de outros ministérios.
À nossa questão para quando a reposição do PROMUSEUS para os museus RPM não foi apontada nenhuma continuidade ou alternativa.
Em suma, são vários os problemas dos museus portugueses e dos seus profissionais e a falta de capacidade de concretização de algumas medidas prometidas cuja justificação é apontada como impossível de concretizar até ao fim da legislatura por razões de equilíbrio financeiro.
ICOM, 18.04.2018




Comunicado ICOM – Dia Internacional de Monumentos e Sítios | ICOM Portugal

José Jorge Letria - "Arte poética" disco "Até ao Pescoço" (LP 1972)

quarta-feira, maio 02, 2018

Pela Vida Independente


No dia 5 de maio, Dia Europeu da Vida Independente, o Centro de Vida Independente vai realizar uma marcha na Av. da Liberdade, em Lisboa, pelas 14h30.
No Facebook a associação faz um forte apelo a que quem venha à marcha (de Lisboa ou de fora) possa oferecer boleia a quem tem dificuldades em locomover-se. Se vens de carro e puderes ajudar, envia um mail para vidaindependente.lx@gmail.com:

“Para muitas pessoas com deficiência, especialmente as que vivem fora de Lisboa ou Porto, o direito à mobilidade é ainda um sonho por cumprir. Sabemos as dificuldades que enfrentam quando precisam de se deslocar para um pouco mais longe do local onde habitam. Chegar até à Marcha pela Vida Independente é impossível para muitas pessoas seja porque não há transportes acessíveis, seja porque não têm rendimentos suficientes para pagar somas astronómicas pela deslocação num táxi ou ambulância dos bombeiros locais. 
Se quer ir à Marcha pela Vida Independente e não tem transporte, diga aqui nos comentários de onde parte e se pode ou não comparticipar as despesas com o combustível.
Se você é uma pessoa solidária, defende uma verdadeira inclusão das pessoas com deficiência e tem transporte disponível, diga também aqui nos comentários que percurso poderá fazer até à Av. Da Liberdade no dia 5 de Maio.
Também pode enviar o seu pedido ou a sua oferta de boleia para o mail vidaindependente.lx@gmail.com

terça-feira, maio 01, 2018

1º de Maio. O Povo, Unido, Jamais Será Vencido

Em Maio de 1974, celebrou-se pela primeira vez em Portugal após longos anos de interregno, o Primeiro de Maio, cinco dias após a Revolução dos Cravos, num clima de verdadeira tensão, onde eram esperados alguns confrontos e reacções provindas de sectores não familiarizados com as novas ideias que rapidamente emergiam após a recente revolução de Abril. No entanto, contrariamente ao esperado, as celebrações do dia 1 de Maio em Portugal, acabaram por ser pacíficas, transformando-se numa verdadeira manifestação espontânea e numa festa da união popular e dos trabalhadores portugueses.O mote “O povo unido jamais será vencido” foi repetido vezes sem conta por milhares de manifestantes no conjunto global de manifestações que se deram um pouco por todo o país
No Bairro do Vinil: Emissora Nacional

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