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sábado, maio 30, 2020

Leonor Nazaré, 2020

"Nos últimos meses as salas das escolas e liceus ficaram vazias pelas razões que todos conhecemos e foi favorecida, também no ensino, a tele-realidade. Como recurso continuado e de forma prolongada, ela terá efeitos devastadores na formação psico-social, humana, afectiva e até cognitiva de crianças e adolescentes, pelo que o meu voto mais sincero é de que passemos agora a preferir a imunidade de contacto à debilidade que advém da hiper-protecção. Nas escolas, como nos outros espaços, é preciso invadir os lugares com a alegria que a vida plena e a força interior trazem sempre. Não há vírus que os vença nem que sequer deles se aproxime. Obrigada”.  Transcrito daqui
Num minuto nos tornamos mais vivos - talvez seja esse o verdadeiro sentido de curar. Neste minuto e meio, a propósito da exposição de Paulo Cutrica, Leonor Nazaré, curadora e mestre, abala-nos docemente, atentamente. Acompanho-a no voto que faz, e quisera poder mover outros ao mesmo, pela força que o desejo e a alegria têm.
Tudo isto vindo das redes sociais - onde a Fundação Calouste Gulbenkian publica regularmente imagens destacadas da sua imensa coleção de exposições, que são votadas, e posteriormente comentários de curadores. Na semana anterior, a obra mais votada fora «Neg. 904 Sala 2-06, Liceu Sá de Miranda, Braga, 13.05.99» de Paulo Catrica, que Leonor Nazaré comenta neste  breve video, assim cuidando de abrir as portas de melhor futuro.

terça-feira, setembro 05, 2017

Pensar sentindo - Tatiana Macedo

Fotografia de Orientalism and Reverse. Tatiana Macedo

Eu estou interessada em provocar o pensamento e pensar também passa por sentir. Talvez a minha prática se traduza em pensamento-acção pois materializa-se com aquilo que disseste e todas as outras linguagens plásticas que uso, como a “coreografia” e o som, mas parte primeiro de uma experiência, vivência-pensamento-acção-vivência-pensamento. Pensar também é físico e requer mudanças de posição em relação a algo, e mudanças de distância. Talvez o grande “motor” (não gosto de falar de temas porque não me movo por temas), o que me move é ver uma desumanização constante em tudo, e tentar resistir a isso. Se de um dia para o outro se instaurar uma Guerra Nuclear, as nossas prioridades vão mudar automaticamente. Se de um dia para o outro tiver que me atirar ao mar num bote com outras centenas de pessoas, de que me vale viver num mundo pós-internet? Afinal qual é a utopia? De quem? Onde? A utopia para uns é ter água potável, para outros é a Europa, os Estados Unidos… para outros é um avatar, uma realidade virtual, um pós alguma coisa que serve de escape do agora.
Tatiana Macedo, 2017

Entrevista a Tatiana Macedo: "O “aparente” à-vontade é resultado de muito trabalho." | Instituto Português da Fotografia

quarta-feira, outubro 29, 2014

Viver

Azulejo. Porto (Portugal)

Como diria o António Variações (Portugal, séc. XX), Quero é viver!
A frase de Cícero (Roma, séc. II) na arte popular, e pública, e portuguesa: azulejo, no Porto.

Fonte: Banco de Materiais, Catálogo Padrão de azulejos (2014)

quarta-feira, novembro 30, 2011

O Fado Do Futuro Tem de Ser Outro



Gonçalo Tocha fala para jovens.
E noutro local escreve para todos sobre o convite que deu origem a este video.
"Vocês (a juventude) são o único tesouro que existe, e é isso que o Estado tem de perceber."

quinta-feira, agosto 04, 2011

Pensar elástico

Banner Munari por Giampiero Bianchi, aqui
Os mestres : Bruno Munari sempre entre eles.
L'esperienza dell'arte cinetica e programmata ha contribuito alla formazione di un pensiero più elastico e più preciso, pronto alle mutazioni della realtà, attento alle trasformazioni delle forme, di come una cosa si trasforma in un'altra. Prima dell'arte cinetica una mela era una mela e i pittori la dipingevano tale e quale. Nel pensiero cinetico una mela è un momento della trasformazione dell'albero delle mele, da seme a seme. L'arte cinetica e programmata segna il passaggio dal pensiero meccanico a quello elettronico.
[Bruno Munari, Maio 1983] 

quinta-feira, julho 21, 2011

Common Cause




Ben Cameron (2010) : O verdadeiro poder das artes performativas

Administrador de artes e fã de teatro ao vivo Ben Cameron observa o estado das artes ao vivo, perguntando : Como pode a magia do teatro, música e dança ao vivo competir com a sempre presente Internet? No TEDxYYC, ele oferece um olhar ousado sobre o futuro.
Translated into Portuguese (Portugal) by Séfora Moreira
Reviewed by Jeff Caponero

domingo, dezembro 06, 2009

Calvino, Italo - entre nós

Ir aonde a gente passa para perturbar os dias e fazer pensar. Que tem isto a ver com ler e bibliotecas, literacia de informação e nós? Ora, vocês descobrem!

Se numa noite de Inverno um viajante: o livro de Calvino é o ponto de partida deste projecto multidisciplinar, que parou na estação Coimbra B. Viajante é uma experiência colectiva, proposta aos sentidos do espectador. Esta viagem é feita de sons e desenhos, vídeo, instalação, fotografia, pintura e escultura.

Simplesmente maravilhante. Obrigada Luís Januário, do blog htpp://anaturezadomal.blogspot.com, obrigada Vasco Paiva e ESEC

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Ruminações

imagem JSD (2009)


Os meninos, a quem são dirigidas estas palavras de muita sabedoria, não devem imitar o analfabetismo dos bois nem dos homens que andam atrás ou à frente deles. (...) Numa coisa, porém, devem imitar os bois: na ruminação. E isto quer dizer: ler, ler bem, ler com os olhos e o pensamento. 
António José Forte. Os bois e os livros in Uma faca nos dentes (2003), p. 124

 

São os livros pasto de ruminação, no sentido que o poeta lhe dá, que é o da leitura reflexiva, crítica, educada e educadora; antes de mais, de cada leitor em si. Depois, desse leitor para outros, através da comunicação sobre o lido, e da migração entre textos, entre ideias. Mais rica se mais pensada, criticamente, acrescentando um bocadinho de cada um – uma ideia, uma pergunta... - e assim mais apta à transformação. Como diriam as avós da minha infância, analfabetas algumas porém pensantes todas, mais capaz de medrar

Nos livros, lemos com os olhos tudo: as palavras, os sinais, as cores e os desenhos, o próprio formato do objecto. Nos outros lugares do lido, como os rectângulos luminosos por onde espreitamos palavras, sinais e outros alimentos do nosso ruminar, face a face como as telas pintadas ou o som directo dos instrumentos musicais, ou emitidos à distância por misteriosos meios como a Internet, aprisionados em discos brilhantes ou em outros mil disfarces ainda por descobrir, olhos e ouvidos, como nos audio-livros, ou na voz que simplesmente lê alto, desafiam o pensamento, e com ele alimentam a construção de cada qual como leitor, ou leitora. 

Aprender a ler, a ser leitor, é caminho de muito ruminar. Carece, necessariamente, de muitos livros e de outros formatos ou suportes, quantidades acessíveis a sujeitos dispostos, para tal leitura animados, e apoiados. Vive ainda, do mais precioso dos bens, o tempo - para si, e para ler. 

No coração dos meios que fomos inventando para formar leitores para ler o mundo, as bibliotecas são incontornáveis: tal como na alegoria dos ruminantes, pasto de ler com os olhos e o pensamento. Desejavelmente, meios preciosos para formar leitores,  autores eles próprios do sentido do que lerem e imaginarem. Recursos que distinguem, em séculos cada vez mais exigentes, quem sabe, e pode, aprender e exercitar o ler o mundo, no sentido que lhe deu Paulo Freire. 

Promover a leitura, a formação de leitores, a criação e boa gestão de bibliotecas, com  destaque naturalmente para as escolares e as públicas, mas também de museus e outros recursos, é assumir a Cultura como factor essencial do Desenvolvimento nas sociedades actuais. Fazê-lo para toda a gente, com toda a gente, é desafio inevitável quando se defende o desenvolvimento das democracias, e o aumento de uma riqueza maior do Planeta, tantas vezes ameaçada: a capacidade dos seres humanos de entender, compreender, criar.

Fazer tudo isto, a sério, implica conhecimento, profissionais - gente preparada e aplicada - meios materiais, criatividade. Tem de ser feito com rapidez, porém sem pressa. Com firmeza, porém na maior das liberdades. A muitas mãos, colaborativamente, com brio porém sem protagonismos que dispersem energias. Falhando e emendando, repetindo e inventando. Ninguém disse que era fácil... Implica, além disso, humor e alegria. Alegria que ajuda ao fluir da acção e da comunicação - conquistando tempo para cada qual se construir leitor, fazemos o tempo crescer, sentir-se maior mesmo quando se mede em escassos minutos de relógio. 

Formar leitores para ler o mundo significa assim agir para alargar a elasticidade do tempo psicológico, fenómeno que os sábios do cérebro explicarão. Se formos capazes de o cumprir, formar leitores para ler o mundo é, afinal, actuar para que no futuro os leitores, e o mundo, se transformem e se reescrevam. Sabendo-o, não o temem nem se diminuem pelo medo da transformação. 

Formar leitores – e leitoras – para ler o mundo vem-se tornando cada vez mais urgente. Se calhar, foi-o sempre. Nós é que ainda não o tínhamos lido bem, imitando o maravilhoso ruminar dos bois no texto de Forte, e um bocadinho mais: lendo com vagar, com os olhos, o coração e o pensamento. 

 

Maria José Vitorinopor desafio da Casa da Leitura,Vila Franca de Xira, 12.01.2009


António José Forte (1931-1988). Nos anos 50, integrou o Grupo do Café Gelo, em Lisboa Foi funcionário da Fundação Calouste Gulbenkian, trabalhando, durante mais de 20 anos, em Bibliotecas Itinerantes. Publica desde 1958.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Slowmile Arte Aprendendo Viajando



Artistas, professores, gente amante do vagar. Organizam-se para ensinar e aprender, agindo e viajando, a prática da arte, a criatividade. Abrem as iniciativas a outros, em paisagens naturais ou ambientes urbanos.
Percursos pedestres, em diferentes lugares deste Planeta. Andando e desenhando. Ao compasso da atenção e do traço.
Próximos destinos: Sintra, Nova Iorque
Imagem de Florença (2008)