domingo, maio 31, 2015

Desfazer o género e outras subversões - Teatro Maria Matos, 2 de junho, 18h30

Butler introduz, logo no primeiro capítulo de Gender Trouble, a noção de performatividade (aprofundada depois em Bodies That Matter), isto é, uma concepção do género enquanto algo que se constrói através de uma série de actos imitativos que buscam a conformidade com um original que não existe em nenhum lado, é uma mera referência do discurso. Por exemplo, da heteronormatividade que pesa sobre nós, que nos foi inculcada, e que geralmente perpetuamos através dos nossos fantasmas e das nossas opções de vida. Essas normas dizem-nos o que é preciso fazer para ser um homem ou uma mulher. Não é que Judith Butler negue absolutamente a existência de uma natureza feminina ou masculina. Mas a questão é que o género, no seu carácter performativo, é também sempre objecto de uma discussão pública, nunca é uma evidência dada pela natureza.


Desfazer o género e outras subversões - PÚBLICO

Isabel da Nóbrega



Sim, eu sei que viveu com João Gaspar Simões e com Saramago, mas não é isso que me interessa. Sou e fui leitora de Isabel da Nóbrega, felizmente ainda entre nós. Isabel, escritora, tradutora, cronista inesquecível.

Vale por si mesma, os espantosos olhos, a graça, a escrita fluente e livre.
Aquecer a água para o Henrique tomar de manhã. Tanto copo, senhores! Mas correu tudo bem. Ainda no outro dia era o calor do quarto do hospital. Que bom poder festejar o teu regresso a casa, ao trabalho, à vida. Aqueles longos, intermináveis, dias e noites, o teu rosto suado, emaciado, interrogativo. Hoje rodeado da “equipe de choque”. É bom receber à nossa mesa, dar um jantar cozinhado por nós com alegria – oh, a alegria… Em dada altura parecias ter desistido de lutar, parecias resvalar devagarinho para o outro lado. Eu gritava-te como em sonhos, sem ouvir a voz, que não me deixasses, que não me deixasses. Agora foram-nos de novo entregues as nossas noites, os nossos dias. A água ao lume. Se me faltasses, tu que és o meu esteio, que seria de mim? E a outra angústia, que nunca sei descrever-te, ou que nunca sabes ouvir, porque brincas com ela. Onde estou, que sou eu, para onde vou? Três planos de realização, o plano pessoal, o plano social mundano e o plano social-social. Eu sinto-me humanamente realizada, mas sem uma vocação, que me defina nem uma profissão que me justifique, qual a minha contribuição no plano social? Nem todos podem intervir na vida do seu tempo, mas todos têm obrigação de contribuir. Ainda não ferve. Que seria hoje a Mariana sem o seu diploma. Está apta para assumir responsabilidades, uma carreira. Mas, coitada, quantos mal-entendidos. Mal-entendido. Malentendu. Camus. O Camus explica na peça que para evitar mal-entendidos é preciso não usar artifício. “Se o homem quiser que o reconheçam, diga simplesmente quem é”. – Isso era bom, era. Mas nunca ninguém nos reconhece. Mesmo quando dizemos quem somos. Tu próprio, Henrique…desconfiaste, descreste de um amor que se te oferecia em bloco… Ferveu. Thermos. Copo. Frasco. Colher de chá. Tudo na bandejinha. Permanente esta interrogação. Não me agarro a certezas. Estou sempre pronta a rever as minhas ideias. Mas não me integro em nenhum meio. Não lhes pertenço. Porquê? A sensação, por vezes, de me desintegrar…Oh, Henrique…” 
 Pronto.A bandejinha. Afasta o candeeiro.
Lá fora, apagaste a luz, amor?
Apaguei.
E fechaste o gás, meu amor?
Sim, fechei

-  Mas há uma porta que range… Tinha de ser…

Eu vou fechá-la, amor, eu vou já ver. – Era a porta da varanda. Abri-a de par em par. A fresca noite entrou. É noite. É Junho,amor, e  estamos vivos. E não estamos sozinhos. Oh, esta alegria de não estarmos sós”.

(do livro "Viver com os outros") 





30 de maio de 2014, espaço da antiga Livraria Sá da Costa


Isabel da Nóbrega, a musa que Saramago apagou da (sua) história - Observador

This Comic Will Forever Change the Way You Look at Privilege





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terça-feira, maio 26, 2015

65 Free Charlie Chaplin Films Online | Open Culture

65 Free Charlie Chaplin Films Online | Open Culture

Reflexão crua e pré-eleitoral

57% de votantes (2011)




Faltam escassos meses para as próximas eleições legislativas em Portugal.

Há 3 anos e meio, foi assim:

Votantes: 5.588.594
Inscritos: 9.624.133
Governa quem governa porque nos partidos do Governo votaram 2.813.729 portugueses recenseados. Deste universo (os recenseados):
Um em cada 2 não foi votar
Um em cada 3,5 votou neste governo (PSD+CDS/PP).




É isto que é preciso mudar.


Legislativas 2011 - Resultados Globais

Lemos, ouvimos e lemos



Como a Lúcia e a Manuela, tantos de nós a dar sinal do atraso da nossa sociedade, do muito que há para fazer.

Deficientes Indignados lutam contra a Dignidade Deficiente do País em que vivemos, democracia muito imperfeita.



Agora Nós de 26 Mai 2015 - RTP Play - RTP

Quem sabe, diz, e toca




«A vida é muito menos cheia de prosápia do que a morte. É uma espécie de maré pacífica, um grande e largo rio. Na vida é sempre manhã e está um tempo esplêndido. Ao contrário da morte, o amor, que é o outro nome da vida, não me deixa morrer às primeiras: obriga‑me a pensar nas pessoas, nos animais e nas plantas de quem gosto e que vou abandonar. Quando a vida manda mais em mim do que a morte, amo os que me amam, e cresce de repente no meu coração a maré da vida.» 

Paulo Varela Gomes na Granta 5. Aqui: http://goo.gl/wE4Sx9

Laredo: Visitas em Língua Gestual Portuguesa: Museu de Serralves

O sorriso da Joana e as mãos da Susana, alegria Laredo com Serralves, 2015.

Leiam mais aqui:


Laredo: Visitas em Língua Gestual Portuguesa: Museu de Serralves

domingo, maio 24, 2015

Pela pausa, pelo direito a sonhar



La mayoría de los motores básicos de la vida humana —el hambre, la sed, el deseo sexual, y, desde hace poco, la necesidad de amistad— han sido transformados artificialmente en formas mercantilizadas o financializadas. Sin embargo, la gran excepción es el sueño. El sueño, en cambio, representa esa parte de las necesidades humanas y de los intervalos de tiempo que no pueden ser colonizados o conectados a una enorme máquina de obtener rentabilidad. Lo extraordinario del sueño en esta era es que de él no se puede extraer absolutamente ningún valor monetario. 
En su profunda inutilidad, su absoluta pasividad y su inmensa pérdida de tiempo de producción y consumo, el sueño entrará siempre en colisión con las exigencias de un universo 24/7. La gran parte de nuestras vidas que pasamos dormidos, liberados de tener que satisfacer mecánicamente la proliferación de falsas necesidades, es uno de los grandes desafíos humanos a la voracidad del capitalismo contemporáneo. El sueño es una interrupción intransigente del robo de nuestro tiempo por parte del capitalismo (...)
Como nos dicen muchos famosos teóricos de la política, cualquier clase de resistencia eficaz supone inventar al mismo tiempo nuevas maneras de vivir. Y aquí viene la parte difícil: antes de que cualquier nueva forma de vida social pueda surgir siquiera de forma provisional, tiene que haber un replanteamiento radical de cuáles son nuestras necesidades, un redescubrimiento de cuáles son nuestros deseos. Esto significa dejar por completo de comprar lo que se nos dice que necesitamos, y repudiar del todo el papel de consumidores. Significa rechazar activamente la letalidad de la cultura del dinero y todas las imágenes y fantasías tóxicas de riqueza material que nos rodean. Para aquellos de nosotros que tengamos hijos, significa abandonar las expectativas imposibles y desesperadas de éxito profesional y económico que les imponemos, y proporcionarles en cambio visiones de un futuro habitable compartido colectivamente."

La vida sin pausa | Cultura | EL PAÍS

quarta-feira, maio 13, 2015

Leonor Castelo, 15 anos, escreve muito bem





E é no momento, em que já não é possível estarmos mais saturados de tudo, que encontramos o sinal que tanto procurávamos. O sinal que nos dá esperança, aquele que impulsiona uma nova vontade de estar, o gatilho que dispara coragem e talvez fé em nós e no sentido de vaguearmos por aqui. O sinal leva o seu caminho para chegar, e por mais insignificante que possa parecer aos olhos de muitos, é o que basta para sentir esta esperança que, muitas vezes, parece perdida. Pegar nele e interpretá-lo – dependendo do que cada um faz dele –, muda os percursos e aonde estes nos levam.

No tempo certo - Life&Style

terça-feira, maio 12, 2015

Publicar primeiro em digital ou em papel?

Os autores debatem pros e contras de publicar primeiro em versão digital - que consequências tem esta escolha na comercialização das obras, na sua divulgação e no tipo de leituras que suscita e de leitores que atrai?



Lanzar el primer libro en versión digital tiene sus pros y contras. Stark Holborn, pseudónimo de la autora de la serie de novelas Nunslinger y la escritora Cathy Bramley, defienden esta opción a la hora de lanzar un título por entregas en un artículo publicado en The Bookseller.


::: LECTURA LAB ::: edicion, edicion digital, formatos, entregas, The Bookseller, Start Holborn, Cathy Bramley

Amazon drops gendered categories for toys

Para o menino e para a menina!

Para toda a gente. Um passo pequeno, mas significativo, dado pela Amazon a favor da igualdade entre géneros: acabar com essa categoria na classificação dos brinquedos.

Sabendo que a Amazon vive da sua atenção ao mercado, isto não deixa de ser um sinal positivo da evolução das mentalidades - é que cada vez menos pessoas acham importante essa distinção (menino/menina) quando procuram brinquedos para crianças. Brincamos mais todos juntos, meninos e meninas, podemos escolher mais livremente as brincadeiras e os jogos... do futebol às bonecas, dos transformers às mascaradas...

Um pequeno sinal?; ora tudo começa com uma pequena luz...







Amazon drops gendered categories for toys

segunda-feira, maio 11, 2015

segunda-feira, maio 04, 2015

Nunca subestimemos o poder da ignorância voluntária

O QUE FAZEMOS COM OS DINHEIROS EUROPEUS? O QREN 2007-2013

Haja luzes! Boa leitura, mesmo boa.




" O que esta experiência suscitou foi a necessidade de ultrapassar a tradicional segregação entre programação orçamental, por um lado, e programação e negociação de fundos europeus, por outro. Ora, a reflexão que se impunha é se essa não deveria ser a regra geral, em vez de uma exceção, em tempos de restrição absoluta. Ou seja, se as grandes opções na alocação de recursos públicos aos diferentes domínios da ação governativa não deveriam constituir um exercício mais integrado, com evidentes ganhos de racionalidade e transparência. E, nessa mesma linha, se aquele que é atualmente o principal instrumento da política de desenvolvimento estrutural do país não mereceria a dignidade do debate e da decisão parlamentar." (p. 324)
Não mereceu. Nós, porventura, mereceríamos. Lendo, podemos partilhar o lido e trazer o debate para as ruas do mesmo país em que o parlamento parece tantas vezes distraído do essencial.

E-book, acesso livre e gratuito, em língua portuguesa, mancha gráfica limpa e escorreita. E fresquinho (2015)



O QUE FAZEMOS COM OS DINHEIROS EUROPEUS? O QREN 2007-2013

domingo, maio 03, 2015

Mãe

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.

Mãe, na sua graça,
é eternidade.

Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, maio 01, 2015

Art of War / Arte da Guerra


A leader leads by example, not by force. / Um líder lidera pelo exemplo, não pela força 
You have to believe in yourself. / Tem de acreditar em si mesmo 
Appear weak when you are strong, and strong when you are weak. / Mostre fraqueza quando estiver forte, e força quando estiver fraco 
If your enemy is secure at all points, be prepared for him. If he is in superior strength, evade him. If your opponent is temperamental, seek to irritate him. Pretend to be weak, that he may grow arrogant. If he is taking his ease, give him no rest. If his forces are united, separate them. If sovereign and subject are in accord, put division between them. Attack him where he is unprepared, appear where you are not expected. /Se o seu inimigo estiver seguro em todos os aspetos, esteja preparado para ele. Se for superior em força, fuja dele. Se o seu adversário for temperamental, procure irritá-lo. Simule fraqueza (...)


The supreme art of war is to subdue the enemy without fighting.


Bamboo book - binding - UCR - Sun Tzu - Wikipedia, the free encyclopedia