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sábado, julho 10, 2021

Direitos e deveres culturais - educação e ciência incluídas!

 
Imagem daqui. Capa de publicação oficial, esgotada
CAPÍTULO III
Direitos e deveres culturais
Artigo 73.º
Educação, cultura e ciência
1. Todos têm direito à educação e à cultura.
2. O Estado promove a democratização da educação e as demais condições para que a educação, realizada através da escola e de outros meios formativos, contribua para a igualdade de oportunidades, a superação das desigualdades económicas, sociais e culturais, o desenvolvimento da personalidade e do espírito de tolerância, de compreensão mútua, de solidariedade e de responsabilidade, para o progresso social e para a participação democrática na vida coletiva.
3. O Estado promove a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural, em colaboração com os órgãos de comunicação social, as associações e fundações de fins culturais, as coletividades de cultura e recreio, as associações de defesa do património cultural, as organizações de moradores e outros agentes culturais.
4. A criação e a investigação científicas, bem como a inovação tecnológica, são incentivadas e apoiadas pelo Estado, por forma a assegurar a respetiva liberdade e autonomia, o reforço da competitividade e a articulação entre as instituições científicas e as empresas.

PORTUGAL. Constituição da República Portuguesa. VII Revisão Constitucional (2005). Fonte: https://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx (acedido 20210709)

sábado, maio 30, 2020

Leonor Nazaré, 2020

"Nos últimos meses as salas das escolas e liceus ficaram vazias pelas razões que todos conhecemos e foi favorecida, também no ensino, a tele-realidade. Como recurso continuado e de forma prolongada, ela terá efeitos devastadores na formação psico-social, humana, afectiva e até cognitiva de crianças e adolescentes, pelo que o meu voto mais sincero é de que passemos agora a preferir a imunidade de contacto à debilidade que advém da hiper-protecção. Nas escolas, como nos outros espaços, é preciso invadir os lugares com a alegria que a vida plena e a força interior trazem sempre. Não há vírus que os vença nem que sequer deles se aproxime. Obrigada”.  Transcrito daqui
Num minuto nos tornamos mais vivos - talvez seja esse o verdadeiro sentido de curar. Neste minuto e meio, a propósito da exposição de Paulo Cutrica, Leonor Nazaré, curadora e mestre, abala-nos docemente, atentamente. Acompanho-a no voto que faz, e quisera poder mover outros ao mesmo, pela força que o desejo e a alegria têm.
Tudo isto vindo das redes sociais - onde a Fundação Calouste Gulbenkian publica regularmente imagens destacadas da sua imensa coleção de exposições, que são votadas, e posteriormente comentários de curadores. Na semana anterior, a obra mais votada fora «Neg. 904 Sala 2-06, Liceu Sá de Miranda, Braga, 13.05.99» de Paulo Catrica, que Leonor Nazaré comenta neste  breve video, assim cuidando de abrir as portas de melhor futuro.

terça-feira, dezembro 31, 2019

Sexta sugestão : ensina-a a ler

Capa


Ensina a Chizalum a ler. Ensina-a a gostar dos livros. A melhor maneira é dando o exemplo. Se ela te vir ler compreenderá que ler é uma actividade com valor. Pode argumentar-se que se ela não fosse para a escola e se limitasse a ler livros, obteria mais conhecimentos do que uma criança educada em moldes convencionais. Os livros vão ajudá-la a compreender e a questionar o mundo, vão ajudá-la a exprimir-se e a tornar-se no que quiser ser – uma chefe de cozinha, uma cientista, uma cantora, todas beneficiam das competências que se adquirem com a leitura. Não me refiro a livros escolares. Refiro-me a livros que não têm nada a ver com a escola, auto-biografias e romances e livros de História. Se nada mais resultar, paga-lhe para ler. Recompensa-a. Conheço uma nigeriana notável, Angela, uma mãe solteira que estava a criar a filha nos Estados Unidos; como a filha não mostrava inclinação para a leitura, ela decidiu pagar-lhe cinco cêntimos por página. Um esforço dispendioso, dizia ela mais tarde a brincar, mas foi um investimento que valeu a pena.

Chimamanda Ngozi Adiche
Querida Yeawelle : como educar para o feminismo, Leya, 2018, p. 19. trad. de original em inglês, 2017 

quinta-feira, maio 17, 2018



Alberto Soler, 07.05.2018 (51:30)

Destaco de entre as suas propostas:

  • conceito de co-paternidade, em que os homens não "ajudam em casa", antes se responsabilizam, consistindo a parentalidade no reconhecer e dar espaço para a educação de mães e de pais, com as suas diferenças e peculariedades;
  • aviso para os riscos do ensino com "etiquetas" e da obediência cega: o futuro das crianças passa mais pela educação em valores como a assertividade, o pensamento crítico e a autonomia;
  • crítica ao sistema académico (escola) que se centra demasiado nos resultados (classificações, notas - incluindo os prémios por boas classificações, com os seus efeitos nefastos) e pouco no empenho e no esforço, e no que se aprende;
  • referência a Hanna Arendt, às experimentações de Milgram e aos perigos da acção dos burocratas aborrecidos que cumprem ordens... 
  • abordagem do tema dos limites, da protecção durante o crescimento e das obsessões securitárias : " se de repente tudo é importante, tudo perde importância".

Alto Soler é psicólogo, Mestre em Psicologia e da Saúde, com mais de 100 anos de experiència clínica e de aconselhamento a pais, conferências, contributos na imprensa, na rádio e na televisão. Publicou o livro "Hijos y padres felices" e do videoblog "Píldoras de Psicologia".

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Ideias boas - cidades de aprendizagem, ao longo da vida

Alguns exemplos do que fizeram as cidades membros da Rede Global das Cidades de Aprendizagem da UNESCO  para alcançar a equidade e a inclusão (em Portugal há sete cidades pertencentes a esta rede: Anadia, Câmara de Lobos, Cascais, Gondomar, Lagoa - Açores, Mação e Pampilhosa da Serra)
  • Fornecer oportunidades educacionais alternativas a todos os cidadãos, em particular para os grupos vulneráveis (por exemplo, jovens e adultos com baixos níveis de literacia, quem abandona a escola, refugiados e migrantes) que não estão na escolaridade formal ou em formação, permitindo-lhes adquirir literacia e outras capacidades básicas / vocacionais, bem como para participar na educação contínua para adultos 
  • Oferecer aulas de aprendizagem on-line que permitem a participação das pessoas em palestras gratuitas numa variedade de tópicos relevantes para a sua comunidade local 
  • Estabelecer escolas para migrantes que permitam aos trabalhadores migrantes obter qualificações profissionais, ajudando-os a integrar-se na sociedade
  • Promover iniciativas de aprendizagem intergeracional aproximando crianças e adultos 
  • Fornecer orientações de carreira, particularmente para as mulheres, para as encorajar a obter qualificações mais elevadas que lhes permitam assumir posições de liderança 
  • Criar bibliotecas móveis que proporcionem oportunidades de leitura para todos, especialmente para pessoas com deficiência, idosos e crianças abaixo da idade escolar 
  • Usar centros culturais que sirvam de locais de aprendizagem, aproximando a cultura, arte e a aprendizagem, e acolhendo projetos organizados conjuntamente por instituições educacionais e culturais locais, como forma de permitir que as pessoas locais tenham acesso ao seu património cultural e promovam a tolerância intercultural



Guia de Ação para as Cidades de Aprendizagem | Aprender

sábado, dezembro 09, 2017

Conversar no Natal, com os meninos e as meninas

 Strive to 5 2
Estudos indicam que crianças que participam frequentemente em conversas mais extensas com adultos apresentam melhores resultados ao nível do desenvolvimento da linguagem e aprendizagem da literacia. Importa, portanto, procurar que a criança se envolva e contribua ativamente no diálogo, ao invés de terminar a conversa ou mudar o tema logo após o primeiro comentário ou resposta. 
David Dickinson (2015) cunhou a expressão “Strive for 5” – “Apontar para os 5” – sugerindo uma abordagem em que o adulto e a criança desenvolvem conversas em que interagem pelo menos durante 5 turnos de conversação sobre o tópico, aprofundando o tema e explorando a conversa.
O Cão Leitor | Livros, Literacia e Literatura para crianças

sexta-feira, dezembro 08, 2017

Depois de amanhã, gente e trabalho

Freelancing in America


Freelancing in America
Freelancing in America (USA)
Image: Freelancers Union and Upwork

Futuro do Trabalho, e de quem trabalhar . Quatro previsões (World Economic Forum, 2017):

(1) Inteligência artificial não vai reduzir trabalho, mas sim exigir novas competências
(2) Cidades vão competir entre si pela posse dos maiores talentos. 
(3) “Freelancing” vai aumentar. 
(4) Educação vai quebrar os silos que a limitam.

1. AI and robotics will create more jobs, not mass unemployment  as long as we responsibly guide innovation
(...) In 2018, we must finally realize that it’s no longer a matter of human versus machine, but rather human and machine working in tandem to solve the world’s problems. It is humans who ultimately decide the next course of action.(...)
2. Cities will compete against other cities in the war for top talent
(...) The talent war of the future will no longer be between companies, it will be between cities. As technology untethers society, and remote work becomes the norm, people will live in the cities of their choosing, rather than the ones that are nearest to where they workThe cities of their choosing will have a certain “vibe” by offering attractive living options in tech-friendly environments.(...)
3. The majority of the US workforce will freelance by 2027
(...) The youngest workforce generation is leading the way, with almost half of millennials freelancing already. (...)
4. Education breaks out of the silo
Our education system is broken. The way we educate future generations no longer prepares them adequately for the skills and jobs of today. The idea that you study math and science and art in your youth as separate disciplines, and then work to solve real world problems in today’s economy, does not add up. Preparing students for tomorrow’s jobs requires breaking down the silos within education.

Fonte inspiradora: https://www.weforum.org/agenda/2017/12/predictions-for-freelance-work-education/

sexta-feira, outubro 13, 2017

quinta-feira, outubro 12, 2017

ANTI-CARIMBOS

Agostinhodasilva.png
Mensagem aos Portugueses
O que quero de todos os portugueses é o seguinte: sejam curiosos; e que a organização em sociedade possa ser de tal maneira que eles possam satisfazer essa curiosidade completamente. E não para ganhar dinheiro, não para fazer figura, nem para ganhar cargo, mas para ser plenamente aquilo que é. Alguma coisa que ele sinta que o está desenvolvendo na mensagem única que tem que dar do mundo, de maneira que a minha mensagem para qualquer aluno de qualquer escola é: faça favor de cuidar da sua mensagem e não da minha. A minha foi, é só para dizer «cuide da sua», porque essa é que tem importância. E a mensagem será vossa na medida em que for o mais diferente possível da minha, ou de qualquer outra. Senão, para quê duplicados no mundo? Não é preciso. Para isso é que inventaram os carimbos. Eu não sou um carimbo de ninguém. 
Agostinho da Silva, in Entrevista

sábado, março 11, 2017

Música, Alegria, Educação e Futuro



Lendo e relendo o que queremos que a gente da nossa terra seja e aprenda no próximo século, eis que a Música se desenha como área fundamental do caminho educativo. Fruindo, aprendendo, praticando, experimentando música ficamos mais capazes de som e silêncio, escuta e expressão, de falar e calar entre nós, sobre nós, com outros, sobre todos. Ou seja, a sermos melhores e tornar melhor o Mundo. Um mundo de gente igual por dentro, gente igual por fora. Capital da alegria.

É possível, necessário. E urgente.

Esta reflexão foi suscitada pelo documento em discussão pública
Perfil dos alunos à saída da Escolaridade Obrigatória, 
https://dge.mec.pt/sites/default/files/Noticias_Imagens/perfil_do_aluno.pdf.
E também por indignações várias nos jornais sobre a escassez de horas para Português e Matemática, como se educar gente fosse coisa de caixinhas separadas em disciplinas académicas, e se medisse em horas de relógio. O tempo que dedicamos a um assunto não está só no horário afixado na parede, mas também no tempo interior que alarga e se adensa com o interesse, o amor e a alegria que lhe conseguimos associar. O rigor que importa é o que se deseja e valoriza, por amar o que se aprende e pratica.

Espero sinceramente que a Música, como as artes em geral (incluindo as da palavra e as que usam matemática, que são todas, como ensina tantas vezes o Almada Negreiros), sejam entendidas como coração das propostas da escola. E se mantenham no coração das propostas da educação não formal. E que a Música, toda a Música
  • não seja proibida nem perseguida nas cidades e nos campos
  • não seja proibida nem perseguida nas escolas
  • seja acarinhada e respeitada nas escolas, em todas as escolas
  • não seja transformada em horror em lado nenhum
Porquê? Por desejar aos que vierem depois muitas capitais da alegria.

quarta-feira, março 16, 2016

Utopia, 1516- Educação é fundamental



Os utopianos admiram-se de que seres razoáveis possam se deleitar com a luz incerta e duvidosa de uma pedra ou de uma pérola, quando têm os astros e o sol com que encher os olhos.Encaram como louco aquele que se acredita mais nobre e mais estimável só porque está coberto de uma lã mais fina, lã tirada das costas de um carneiro, e que foi usada primeiro por este animal. Admiram-se que o ouro, inútil por sua própria natureza, tenha adquirido um valor fictício tão considerável que seja muito mais estimado do que o homem; ainda que somente o homem lhe tenha dado este valor e dele se utilize, conforme seus caprichos.Espantam-se também que um rico, de inteligência de chumbo, estúpido como uma acha de lenha, tão tolo quanto imoral, mantenha em sua dependência uma multidão de homens sábios e virtuosos, apenas porque a sorte lhe deixou algumas pilhas de escudos. Mas, dizem, a fortuna pode traí-lo e a lei (que tanto quanto a sorte precipita freqüentemente o homem do pináculo ao lodo) pode arrancar-lhe o dinheiro, fazendo-o passar às mãos do mais ignóbil de seus lacaios. Então, este mesmo rico se sentirá feliz em passar também, na companhia de seu dinheiro, a serviço de seu antigo criado.Há uma outra loucura que os utopianos detestam ainda mais, e que dificilmente concebem, é a loucura dos que rendem homenagens quase divinas a um homem porque é rico, sem serem, entretanto, nem seus devedores nem seus súditos. Os insensatos sabem, não obstante, como é sórdida a avareza desses Cresos egoístas; sabem, perfeitamente, que nunca terão um vintém de todos os tesouros destes últimos. 
Nossos insulares adquirem semelhantes sentimentos, parte no estudo das letras, parte na educação que recebem no seio de uma república cujas instituições são formalmente opostas a todas as nossas espécies e gêneros de extravagância. É verdade que um número muito pequeno é dispensado dos trabalhos materiais, entregando-se exclusivamente à cultura do espírito. São, como já disse, aqueles que, desde a infância, demonstraram aptidões raras, um gênio penetrante, vocação científica. Mas nem por isso se deixa de dar uma educação liberal a todas as crianças; e a grande massa dos cidadãos - homens e mulheres - consagra, cada dia, seus momentos de repouso e liberdade aos trabalhos intelectuais. 
Os utopianos aprendem as ciências em sua própria língua, rica e harmoniosa, intérprete fiel do pensamento; ela é difundida, mais ou menos alterada, sobre uma grande extensão do globo.Antes de nossa chegada, os utopianos nunca tinham ouvido falar nesses filósofos tão famosos no nosso mundo; entretanto, fizeram as mesmas descobertas que nós, no terreno da música, da aritmética, da dialética, da geometria. Se igualam em quase tudo os nossos antigos, são bastante inferiores aos dialéticos modernos, porque ainda não inventaram nenhuma dessas regras sutis de restrição, amplificação, suposição, que se ensinam à juventude nas escolas de lógica. Ainda não aprofundaram as idéias segundas; e, quanto ao homem em geral, ou universal, segundo a gíria metafísica, este colosso, o maior dos gigantes, que nos mostram aqui, ninguém na Utopia pode ainda percebê-lo. Em compensação, conhecem de uma maneira precisa o curso dos astros e o movimento dos corpos celestes. Imaginaram máquinas que representam com grande exatidão os movimentos e as posições respectivas do sol e da lua e dos astros visíveis acima do seu horizonte. Quanto aos ódios e às amizades dos planetas e às demais imposturas de adivinhação pelo céu, nem mesmo em sonhos disso se ocupam. Sabem prever, por indícios confirmados por uma longa experiência, a chuva, o vento e as outras revoluções do ar. Fazem apenas conjecturas sobre as causas desses fenômenos, sobre o fluxo e o refluxo do mar, sobre a composição salina dessa imensa massa líqüida, a origem e a natureza do céu e do mundo. Seus sistemas coincidem em certos pontos com os dos nossos antigos filósofos; e em outros, se afastam. Mas, nas novas teorias que imaginaram, há dissidências entre eles, como entre nós. 
Em filosofia moral, agitam as mesmas questões que os nossos doutores. Procuram na alma do homem, no seu corpo e nos objetos exteriores, o que pode contribuir para sua felicidade; perguntam, procuram saber se o nome de Bem convém indiferentemente a todos os elementos da felicidade material e intelectual, ou só ao desenvolvimento das faculdades do espírito. Dissertam sobre a virtude e o prazer; mas a primeira e principal de suas controvérsias tem por fito determinar a condição única, ou as diversas condições da felicidade do homem. Talvez possais acusá-los de propender demais para o epicurismo, porque, se a volúpia não é, para eles, o único elemento da felicidade, é um dos mais essenciais. E, fato singular, invocam em apoio dessa moral voluptuosa a religião tão grave e severa, tão triste e rígida. Têm por princípio não discutir jamais sobre o bem e o mal, sem partir dos axiomas da religião e da filosofia; de outra maneira, temeriam raciocinar em bases falhas e edificar falsas teorias.
Thomas More, Utopia (1516). Pg.35. Tradução em português do Brasil. Texto integral em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000070.pdf


quarta-feira, agosto 27, 2014

Eduardo White e a leitura


Na verdade, já ninguém lê em Moçambique. Ou porque estão a ver uma novela ou… Neste momento temos um grave problema: o regresso do analfabetismo. Já tivemos quase 97 por cento de população alfabetizada, hoje é o inverso. A escolarização é muito importante. O meu projeto para Moçambique é exatamente incutir o espírito de leitura. Ler é também sonhar. Infelizmente, mesmo hoje um jornal para se vender é um problema sério. Até me dói dizer isto, mas creio que o meu país está a apostar mais na telenovela do que no livro. O livro hoje tem um preço exorbitante, nenhum pai, nenhum encarregado de educação pode comprar. Quinhentos e tal meticais é quase o preço de um uniforme para a escola. Quando o Ministério da Educação popularizar a educação, voltaremos a ter tudo em plenitude.

Aqui: 

«A língua portuguesa usa capulana»: provavelmente a última entrevista de Eduardo White

sábado, maio 24, 2014

Educação, Serviço Público: Conferência Gulbenkian, 23 maio 2014



Ver aqui  http://livestre.am/4RsUP

Uma Conferência Gulbenkian, em linguagem que as pessoas entendem, parte de uma cadência mensal de debates iniciada em maio de 2013. A partir do minuto 14:00, Eduardo Marçal Grilo (FCGulbenkian); seguido de Paulo Santiago (OCDE). Vale a pena ouvir e ficar a pensar sobre Educação. No longo e no curto prazo. Com e sem crises, e sobretudo para lá do império da crise presente.

Profissionalismo dos docentes, autonomia, não dependência de exames, mudança nas universidades, família e suas circunstâncias (Canotilho - 1:47:00) e outras ideias por cá "non gratas" a sectores ocupantes dos poderes transitórios. 

Debate do maior relevo, num momento em que tanto nos roubam o tempo para pensar. Fora das escolas, e dentro das escolas, a robotização parece a utopia triunfante. PARAR para pensar é alimentar o arsenal necessário ao combate à desumanização e ao acriticismo. E ao esmagamento do quotidiano que faz com que haja poucos menores de 55 anos na assistência a estas conferências. Valham-nos o video-stream e as redes sociais. A tecnologia pode e deve estar ao serviço do pensamento e da acção humana.

Afinal, citando Marçal Grilo: "O futuro depende de nós."

domingo, fevereiro 02, 2014

No Ocidente, "podemos aprender muito com os pobres"


"A lição fundamental que aprendemos com os países pobres é que pessoas criativas que não têm meios usam as comunidades para dar resposta aos problemas da saúde. Em particular, fazem um uso muito maior das famílias e dos leigos, não separam a saúde das outras questões (como a educação) e põem em prática sistemas informais de prestação de cuidados. Uma coisa que nós, no Ocidente, vamos ter de aprender ou reaprender. Os sistemas e os profissionais de saúde não vão poder fazer tudo por nós. Temos de fazer mais por nós próprios.
 
Isto é particularmente importante porque as nossas necessidades de saúde mudaram nos últimos 30 anos."


No Ocidente, "podemos aprender muito com os pobres" na área da saúde - PÚBLICO



Exercício salutar: a mesma afirmação substituindo "saúde" por "cultura". Por exemplo, pensando em bibliotecas, museus, etc:

"A lição fundamental que aprendemos com os países pobres é que pessoas criativas que não têm meios usam as comunidades para dar resposta aos problemas da cultura. Em particular, fazem um uso muito maior das famílias e dos leigos, não separam a culturadas outras questões (como a educação e a saúde) e põem em prática sistemas informais de prestação de serviços. Uma coisa que nós, no Ocidente, vamos ter de aprender ou reaprender. Os sistemas e os profissionais de cultura não vão poder fazer tudo por nós. Temos de fazer mais por nós próprios. 
Isto é particularmente importante porque as nossas necessidades de cultura mudaram nos últimos 30 anos."

quinta-feira, agosto 15, 2013

Pode a confiança ser o cerne da educação? Pode ser de outro modo?

In the following video from Digital Media Research Hub, Katie Salen, Depaul University professor and Executive Director of the Institute of Play discusses the role of play in learning, describing it as a “state of being” that empowers learners to access and explore content, and consider the roles of others in a shared learning space.  (Retirei daqui)



Lembrei-me de uma canção, já antiga...


terça-feira, junho 11, 2013

Ready to become a knowmad?


More: 
Website: http://www.knowmadsociety.com/
Book: On the Horizon (online since 2000) http://www.knowmadsociety.com/

E ainda
A business approach (digital marketing agency) : http://www.knowmad.com/

Os 4 princípios da "aprendizagem nómada" são assim resumidos por Ann Kramer (Ready for the future: the four principles of nomadic learning in organizations, p. 149-157 http://www.knowmadsociety.com/oth/)


The four principles of nomadic learning 
1. Insert as much reality as possible 

Because the main trait of the world is continuous change, and therefore unpredictability, we need a way of learning that is rooted in this changing reality. That is the first principle of nomadic learning: to bring in as much reality as you possibly can. This means that the ‘‘lessons’’ and the ‘‘applications of these lessons’’are one and the same, so that there is no transfer issue to the work situation anymore. For example, if there is a need to learn about team dynamics, the program is ‘‘on the job,’’ or the whole team comes ‘‘to the classroom.’’
This way, the atmosphere is much more informal. Participants are not even aware that they are learning; they are just their regular selves. At the same time, they are more aware of their behavior, because the situation is not regular. This ‘‘unconscious awareness’’ accelerates and deepens their learning.
Another possibility is to meet an unfamiliar reality, rather than the day-to-day situation of the participants. Once, for example, I took a management team to visit a group of young asylum seekers. First they shared their life stories to get to know each other. After this introduction, the asylum seekers became the personal coaches of the managers. For both groups, this was an impressive learning experience. The asylum seekers were deeply empowered as they realized that their traumatic experiences from abroad had given them much wisdom that they could share. The managers learned the benefits of opening up and letting go of their prejudices. The reality they met was very impressive and had deep impact. 
2. Incorporate multiple perspectives 
In complex situations there is never a single solution. More and even contradicting perspectives are simultaneously true.We have to learn that no one can know the whole truth, which is the core property of complexity. And, yet, we all long for certainty. We are educated by a teacher, a father, and a mother who knows what is ‘‘correct’’ and what to do. But in complexity, we have to learn to accept more realities and perspectives at the same time.

Studying harder or longer does not bring a final solution. The current complex issues of society and consequently of organizations – the lack of sustainability and the financial crisis, to name just two – cannot be solved with logical, linear, one-way thinking. Therefore the second principle of nomadic learning is that multiple perspectives are always needed. That makes collaboration in diverse environments a necessity.
Gratton (2011) shows this need as she describes the second shift towards the future of work: moving from isolated competitor to innovative connector. The basis of professional mastery is personal skill and knowledge development. These are rarely developed in isolation.
Instead, people need to make new connections, virtual and non-virtual, to learn and develop their knowledge: The future is about innovation, and sometime your best, most innovative ideas will come as you talk and work with people who are completely different from you – perhaps they have a different mindset, or come from a different country – or are younger. It is this wide network, the ‘‘big ideas crowd’’ that will be a crucial source of inspiration (Gratton, 2011, p. 262). 

3. Create a strong interconnection between ‘‘action’’ and ‘‘conceptualization’ 
Nomadic learning is embedded in the action of day-to-day working and living. There is no given structure or model to follow; we have to conceptualize our actions as we go along. We create concepts for today, which may no longer be valid tomorrow. Action and reflection are immediate and interconnected. Social media are yet again a useful image to keep in mind (Lanting, 2010). This is the third principle of nomadic learning: action and conceptualization are strongly interconnected. In a Deleuzian manner of speaking, one could intertwine the two even stronger: action and concept are one and the same. Deleuze uses the concept of becoming.

The world is never fixed, but always becoming. Our interpretations of reality, and therefore our conceptualizations of it, are part of this becoming, and not separate (Romein et al., 2009).
When conceptualizing and action are more interconnected we get a dynamic concept of knowledge. ‘‘Knowing is a dynamic, social and emotional process of constant development, influenced by cognitions and memories of stakeholders, their social relations, the context of learning, interpretations, ambitions and preferences’’ (Keursten, 2006) (my translation).
In Situated Cognition Theory, Brown et al. (1989) write: ‘‘Situations might be said to co-produce knowledge through activity. Learning and cognition, it is now possible to argue, are fundamentally situated’’ (Brown et al., 1989). Knowing and doing are inseparable because all knowledge is situated in activity bound to social, cultural and physical contexts. Nomadic learning correspondents perfectly to this tradition. 
4. Make the learning horizontal 
By translating this nomadic, rhizomatic way of thinking to learning, nomadic learning becomes non-hierarchical. It is horizontal in the way people relate. That is the fourth principle of nomadic learning. There are no longer any experts telling us what to do because there no longer is one, big truth to follow. That is why the trainer becomes a facilitator and the participant becomes a co-learner. Together they are searching, learning, and creating a truth for the moment. They are creating rhizomes. Again, social media present a good example: anyone can ask anything they want to know at any moment all around the world, and share experiences, networks, and knowledge (Lanting, 2010). To put it rhizomatically: ‘‘Any point of a rhizome can be connected to anything other, and must be’’ (Deleuze and Guattari, 1993, p. 29).

domingo, maio 26, 2013

SOLE



We really need a curriculum of big questions.
Self Online Learning Environments

Transformemos ameaças em prazer e recriemos a educação com uma nova escola - uma Escola na Nuvem - global e humana.

sexta-feira, maio 10, 2013

Cultura é um termo orgânico


1. Diversidade e diferença - essenciais à natureza humana. As crianças desenvolvem-se melhor em curricula alargados e diversificados
2. Curiosidade é a chave para o empenho na aprendizagem, não a obediência. Ensinar é uma profissão criativa - deve facilitar aprendizagens. O seu produto não são resultados de testes e exames - que são apenas um instrumento.
3. Criatividade é o que distingue o ser humano. Não a standardização.
Como lidam muitos sistemas educativos com isto? Ignoram ou contrariam. Serão vencidos. Pelos sistemas educativos dos países (e os governantes) que entenderam que a educação é um investimento, não uma despesa, e que bons professores são preciosos e devem ser estimados como a água. Pelo bem comum. Não apenas porque merecem, mas porque o merecem as gerações futuras.