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terça-feira, dezembro 31, 2019

Sexta sugestão : ensina-a a ler

Capa


Ensina a Chizalum a ler. Ensina-a a gostar dos livros. A melhor maneira é dando o exemplo. Se ela te vir ler compreenderá que ler é uma actividade com valor. Pode argumentar-se que se ela não fosse para a escola e se limitasse a ler livros, obteria mais conhecimentos do que uma criança educada em moldes convencionais. Os livros vão ajudá-la a compreender e a questionar o mundo, vão ajudá-la a exprimir-se e a tornar-se no que quiser ser – uma chefe de cozinha, uma cientista, uma cantora, todas beneficiam das competências que se adquirem com a leitura. Não me refiro a livros escolares. Refiro-me a livros que não têm nada a ver com a escola, auto-biografias e romances e livros de História. Se nada mais resultar, paga-lhe para ler. Recompensa-a. Conheço uma nigeriana notável, Angela, uma mãe solteira que estava a criar a filha nos Estados Unidos; como a filha não mostrava inclinação para a leitura, ela decidiu pagar-lhe cinco cêntimos por página. Um esforço dispendioso, dizia ela mais tarde a brincar, mas foi um investimento que valeu a pena.

Chimamanda Ngozi Adiche
Querida Yeawelle : como educar para o feminismo, Leya, 2018, p. 19. trad. de original em inglês, 2017 

domingo, setembro 24, 2017

Elogio da edição revolucionária : Orfeu Negro, Judith Butler, 2017



Há editoras que nos cabem no coração, e, ao mesmo tempo, o ampliam. É o caso da Orfeu Negro, um caminho arrojado a produzir desde 2007,  pela audácia dos temas e o primor na linguagem e na edição de cada título. Sou fan, tanto da linha "para estudiosos" como da maravilhosa colecção Orfeu Mini, encetada em 2008, para miúdos e graúdos, e da inquietadora Casimiro.

Ontem, lançou mais um ensaio, para estudiosos, algo hermético mas nem por isso menos significativo para o homem e a mulher comuns. Trata-se do livro de Judith Butler, Problemas de género, numa bela tradução em português de Nuno Quintas, com a colaboração de João Manuel Oliveira e João Berham.

Quando não são assim tão cuidadosamente publicados, traduzidos e preparados para a leitura e a fruição de muitos mais leitores, os livros correm o risco de serem muito citados mas pouco lidos. E de citação e citação, se tornam banais e, mesmo, incompreensíveis.


Em português, e por mão da Orfeu Negro, há menos perigo de tal continuar a acontecer com esta obra, no centro do debate sobre o género e o feminismo na atualidade. Coisas que, se forem bem discutidas, podem ajudar a viver melhor muita gente, por ajudarem a compreender o que são as pessoas, e o que somos, para além das palavras que usamos, e pelo efeito que as palavras têm no modo como nos pensamos.

As ideias de Butler já tinham sido introduzidas em Portugal na tese de doutoramento da investigadora Conceição Nogueira ( 1997, Universidade do Minho). Terá sido desde 1991 na dança contemporânea – com Vera Mantero, Francisco Camacho, Carlota Lagido, Miguel Pereira, João Fiadeiro – que se “notaram os primeiros efeitos” de “Problemas de Género”.


"Definir identidades tem um problema: as identidades são pequenas demais para nos descreverem e ao descreverem-nos estão a produzir o sujeito que querem descrever”, entende João Manuel de Oliveira. “Descrever é já produzir um determinado sujeito. Quando se diz a uma menina que ela é muito feminina, está-se a construir, e a constranger, o que a menina vai ser. Não é apenas este discurso que contribui para isso, há outras estruturas sociais que o fazem. A ideia de ‘gay’, para a maioria das pessoas, incluindo muitos homossexuais, aponta para uma certa pertença a uma classe social, uma certa inserção racial, um certo capital económico. Mas há muitos gays que não são isso e, eventualmente, a palavra não esgota a possibilidade de serem outras coisas ao mesmo tempo. A Butler demonstra isso a partir da categoria ‘mulher’. Ele desconstrói a ideia de mulher, vem dizer que se trata de uma construção do discurso. Discurso não são apenas as palavras, são as instituições, desde logo o Estado, que geram representações.”
Notícia sobre o lançamento, 23.09.2017, Lisboa, aqui
Catálogo da Orfeu Negro:


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quarta-feira, janeiro 27, 2016

Marcia Tiburi em Lisboa, Fevereiro-Março 2016

 Contou-me a Maria João Cantinho, e eu partilho:
"Marcia Tiburi estará em Portugal a partir a de 20 de Fevereiro até início de Março, para lançar o seu livro "Como Conversar com um Fascista", pela Nota de Rodapé edições. A obra já vai na quinta tiragem, no Brasil, e tem dado que falar. Nós, por aqui, também temos que aprender a conversar com eles, saber como nos defendermos deles.
Quem é Márcia Tiburi?

Inteligente, bela e calorosa, Márcia Tiburi é graduada em filosofia, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1990), e em artes plásticas, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1996); mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1994) e doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1999) com ênfase em Filosofia Contemporânea. Seus principais temas são ética, estética, filosofia do conhecimento e feminismo.
Publicou livros de filosofia, entre eles a antologia "As Mulheres e a Filosofia" e "O Corpo Torturado", além de "Uma outra história da razão". Pela editora Escritos, publicou, em co-autoria, "Diálogo sobre o Corpo", em 2004, e individualmente "Filosofia Cinza - a melancolia e o corpo nas dobras da escrita". Em 2005 publicou "Metamorfoses do Conceito" e o primeiro romance da série "Trilogia Íntima, Magnólia", que foi finalista do Prêmio Jabuti em 2006. No mesmo ano lançou o segundo volume "A Mulher de Costas". Escreve também para jornais e revistas especializados, assim como para a grande imprensa. Márcia Tiburi também se apresentava, semanalmente, no programa de televisão Saia Justa, do canal por assinatura GNT. Em 2012 publica o romance "Era Meu esse Rosto"" pela Editora Record e os livros "Diálogo/Dança eDiálogo/Fotografia" pela editora do SENAC-SP."
Que bom, vou ver se consigo assistir. Porque o feminismo É revolucionário.
Uma entrevista preciosa, aqui:  https://youtu.be/xgnj6wv3tfE
Marcia Tiburi entre o Céu e a Terra (pub. 16/12/2014)
00:15 O papel da mulher 23:00 Sexo e prazer
35:51 Amor e casamento
51:58 Família
Recordo: 
"Humilho, logo existo (...) 
Em termos simples, isso quer dizer, que há uma vantagem pessoal impagável no ato de negar o outro e de expressar essa negação com palavras. Essas palavras são publicitárias. Ditas na forma de slogans fáceis de repetir, elas garantem ao fascista um lucro. Incansável no ato de repetir frases feitas e clichês, ele [o fascista] parece colocar moedinhas em um cofre. A moedinha pode ser a frase nas redes sociais. Essa busca por lucro por meio de uma repetição se torna literalmente um modo de ser.
Incapaz de supor a existência da “alteridade”, o fascista encontra um modo de ser. Como experiência de si podemos considerar o fascismo um logro, mas não para quem, vivendo um profundo empobrecimento subjetivo, não tem outra saída. A negação do outro é funcional para quem dela se serve. Ela pode ser o único jeito de garantir que se existe. Em termos simples: de conquistar um lugar no mundo."

quinta-feira, agosto 01, 2013

Calendário EIG _ Agosto 2013 tem rostos de Portugal


Discrimination is everywhere –  hidden and usually within us, both women and men. We accept things as natural’, but they are not natural. They are cultural norms that determine the ways things are.
A discriminação está em toda a parte - oculta e geralmente entre nós, tanto mulheres como homens. Aceitamos as coisas como "naturais", mas não são naturais. São normas culturais que determinam o modo como as coisas são. 
Isabel Barreno 

What I tell young women is not to give up on their dreams. The struggle is not for social liberties, since these have already been established; the struggle is rather to change the mentality.
O que eu digo às mulheres jovens é para não desistirem dos sues sonhos. A luta não é por liberdades sociais, uma vez que essas já foram estabelecidas; a luta é sobretudo por mudar a mentalidade. 
Maria Teresa Horta

Calendário (pdf)
Notícia aqui http://aviagemdosargonautas.net/2013/08/01/calendario-com-rosto-de-maria-isabel-barreno-e-maria-teresa-horta-por-clara-castilho/#comments

sexta-feira, junho 07, 2013

Biblioteca Especializada Ana de Castro Osório - Lisboa, 2013


Inaugurada este mês :) numa sala da Biblioteca Municipal de Belém, em Lisboa, exclusivamente com livros doados por cidadãs feministas, que assim "reciclaram" parte das suas bibliotecas pessoais.

sexta-feira, março 08, 2013



1857, 8 de março - as operárias de uma fábrica dos EUA entram em greve por uma jornada de trabalho de 10 h (eram 16, ganhando 1/3 do salário dos homens). Foram fechadas na fábrica. Declara-se um incêndio e 130 mulheres morrem queimadas.
1910 - na II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, na Dinamarca, em homenagem às operárias americanas, foi declarado o 8 de março como Dia Internacional da Mulher.
1975 - a ONU oficializa o Dia

Ler mais aqui, aqui (ONU) ou aqui, num artigo de 2010 de Eva Blay 8 de março: as mulheres faziam parte das classes perigosas, que defende uma origem diferente para o dia, um outro incêndio, também numa fábrica de operários em greve, mas em 1911 :)., tendo Clara Zetkin proposto março, sem data precisa, no referido Congresso, e recordando que em 1908, no último domingo de fevereiro, se realizou uma manifestação nos EUA ( chamada Dia da Mulher), pelo direito ao voto e melhores condições de trabalho.
Impressionante é a galeria de fotografias publicada pelas Nações Unidas: Photo Stories: International Women's Day. Daí retirei esta:


quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Na Índia, somos nós

Homens a sério não violam. Imagem de visao.pt

Este recuo ao discurso pré-feminista não se limita à Índia. A Itália está a ter um debate similar sobre se o vestuário e o comportamento das mulheres encorajam a violação. Até mesmo na Suécia, os activistas reclamam, os violadores que conhecem as mulheres que atacam não são processados, porque as vítimas não são vistas como “meninas bem-comportadas”.Naomi Wolf, Janeiro 2013in Project Syndicatehttp://www.publico.pt/opiniao/noticia/acabar-com-a-cultura-de-violacao-da-india-1579266

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Hungria - concurso só no feminino

domingo, fevereiro 21, 2010

Paixão


Fabulosa história de uma grande contadora, Isabel Allende, cortesia TED, alimento de imaginar. Legendas em língua portuguesa (BR). Som em língua inglesa (EUA). Olhar, silêncios e sorrisos não precisam tradução.