segunda-feira, janeiro 30, 2017

Que há-de ser de nós?

170127-obsessao


Filósofo italiano aponta: obsessão pelo sucesso individual e troca dos contatos corpóreos pelos digitais podem realizar distopia da humanidade insensível, para a qual já alertava Pasolini. (...)
Durante os anos 1970, Pasolini identificou, em seus livros Escritos Corsários e Cartas Luteranas, uma verdadeira transmutação nas sensibilidades de amplos setores da sociedade italiana, em consequência do “novo fascismo” imposto pela globalização. Acreditava que esse processo estava criando – fundamentalmente por meio do influxo semiótico da publicidade e da televisão – uma nova “espécie” de jovens burgueses, que chamou de “os sem futuro”: jovens com uma acentuada “tendência à infelicidade”, com pouca ou nenhuma raiz cultural ou territorial, e que estavam assimilando, sem muita distinção de classe, os valores, a estética e o estilo de vida promovidos pelos novos “tempos do consumo”.
 Quarenta anos depois, outro inquieto intelectual de Bolonha – o filósofo e teórico dos meios de comunicação Franco “Bifo” Berardi – acha que o sombrio diagnóstico de Pasolini tornou-se profético, diante da situação de “precariedade existencial” e aumento de transtornos mentais que as mudanças neoliberais provocaram.Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é hoje a segunda causa de morte entre jovens e crianças – a grande maioria do sexo masculino – entre 10 e 24 anos. Do mesmo modo, a depressão – patologia emocional mais presente no comportamento suicida – será em 2020 a segunda forma de incapacidade mais recorrente no mundo.
Neoliberalismo, assexualidade e desejo de morte | A Estátua de Sal

sábado, janeiro 28, 2017

Trump, o rei dos tempos modernos

Foto de Antonio Antunes.
António Antunes, 2017, Janeiro


Todas as suas declarações e medidas são quase sem excepção inaceitáveis numa sociedade democrática, e não adianta dizer que tudo foi sufragado pelo “povo” em eleições. Uma democracia, vale a pena estar sempre a repeti-lo, não é apenas o voto – é também os procedimentos e o primado da lei. O modo como fala de deportar os ilegais só pode ser feito com um enorme reforço policial e campos de concentração. E depois onde é que os deixam? Na fronteira com o México? Atiram-nos ao mar para eles regressarem à Síria ou ao Brasil? Deportar dois milhões de pessoas não tem precedente desde a Segunda Guerra e não pode ser feito em tempo de paz sem uma mudança estrutural do Estado, tornando-o um Estado policial. O modo como fala da tortura viola várias convenções sobre a guerra e as declarações de direitos humanos que os EUA assinaram, para além de que qualquer militar lhe dirá que isso expõe os soldados americanos ao mesmo tipo de práticas. As guerras não são só com o ISIS, que não conhece qualquer regra, mas com outros inimigos, que estarão agora à vontade para aplicar aos americanos os mesmos métodos. A Administração Trump ficará igual aos torcionários argentinos e brasileiros.
Pacheco Pereira, 2017, Janeiro 


Trump, o rei dos tempos modernos - PÚBLICO

segunda-feira, janeiro 23, 2017

El derecho a leer | R. Stallman

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Más tarde Dan descubrió que había habido un tiempo en el que todo el mundo podía ir a una biblioteca y leer artículos, incluso libros, sin tener que pagar. Había investigadores que podían leer miles de páginas sin necesidad de becas de biblioteca. Pero desde los años noventa del siglo anterior, tanto las editoriales comerciales como las no comerciales habían empezado a cobrar por el acceso a los artículos. En 2047, las bibliotecas que ofrecían acceso público y gratuito a los artículos académicos eran ya solo un vago recuerdo.
A ler -um belo texto de R. Stallman (1997), relembrado em 2017 Julio A. Alvarado. E a pensar.

Começa assim:



De El camino a Tycho, una colección de artículos sobre los antecedentes de la Revolución Lunar, publicado en Luna City en 2096.
El derecho a leer | Universo Abierto

El derecho a leer | R. Stallman

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Más tarde Dan descubrió que había habido un tiempo en el que todo el mundo podía ir a una biblioteca y leer artículos, incluso libros, sin tener que pagar. Había investigadores que podían leer miles de páginas sin necesidad de becas de biblioteca. Pero desde los años noventa del siglo anterior, tanto las editoriales comerciales como las no comerciales habían empezado a cobrar por el acceso a los artículos. En 2047, las bibliotecas que ofrecían acceso público y gratuito a los artículos académicos eran ya solo un vago recuerdo.
A ler -um belo texto de R. Stallman (1997), relembrado em 2017 Julio A. Alvarado. E a pensar.

Começa assim:



De El camino a Tycho, una colección de artículos sobre los antecedentes de la Revolución Lunar, publicado en Luna City en 2096.
El derecho a leer | Universo Abierto

quarta-feira, janeiro 18, 2017

A bem da incompreensão e da pedagogia, pela Cultura Geral

Convidados: Jorge Silva Melo, Maria ...




Um episódio fascinante de um belo programa, a seguir. Atualmente, sem ser preciso parar a vida em simultâneo para assistir, graças aos recursos tecnológicos do diferido.



Neste dia, bibliotecas, literatura, educação e transformar o destino e os destinos, Maria Emília Brederode Santos, Almeida Faria, Jorge Silva Melo, com Anabela Mota Ribeiro.



Bem hajam.

"Não perceber é a primeira condição para gostar da Arte. Olha, não percebi, vou ver/ler outra vez!" (minuto 2 e tal, Jorge Silva Melo)  
Tão mal-amada e tão preciosa, a incompreensão. Quase tão mal-amada como a sua irmã essencial, a pedagogia - de que também aqui se fala, entre muitas outras coisas, leituras e inquietações.


Curso de Cultura Geral - Episódio 4 - RTP Play - RTP

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Acreditamos se quisermos



Fizeram-nos acreditar que amor mesmo, amor a sério, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram que o amor não é accionado, nem chega com hora marcada.  
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém que entra na nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: nós crescemos através de nós mesmos. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram-nos acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. 
 Fizeram-nos acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.  
Fizeram-nos acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que têm pouco sexo são caretas, que os que têm muito sexo não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não nos disseram que existem muito mais cabeças tortas do que pés tortos. Fizeram-nos acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.  
Ah, também não contaram que ninguém nos vai contar isso tudo. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando estiveres muito apaixonado por ti mesmo, vais poder ser muito feliz e apaixonar-te por alguém. 
Vivemos num mundo em que nos escondemos para fazer amor... enquanto a violência é praticada à luz do dia. 
John Lennon
Fonte: http://lapelaita.tumblr.com/post/48172475063/they-made-us-believe-that-real-love-the-oneTradutor anónimo 

Poema de Janeiro -Álvaro de Campos, 1929

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Álvaro de Campos

GAZETILHA

Dos Lloyd Georges da Babilónia
Não reza a história nada.
Dos Briands da Assíria ou do Egipto,
Dos Trotskys de qualquer colónia
Grega ou romana já passada,
O nome é morto, inda que escrito.

Só o parvo dum poeta, ou um louco
Que fazia filosofia,
Ou um geómetra maduro,
Sobrevive a esse tanto pouco
Que está lá para trás no escuro
E nem a história já historia.

Ó grandes homens do Momento!
Ó grandes glórias a ferver
De quem a obscuridade foge!
Aproveitem sem pensamento!
Tratem da fama e do comer,
Que amanhã é dos loucos de hoje!

s.d.
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).
- 271.

1ª publ. in Presença, nº18. Coimbra: Jan. 1929.

quarta-feira, janeiro 11, 2017

Ladrões de Bicicletas: Todos dias há uma apropriação de valor

"Foi um choque. A empresa, como todas as outras do sector, não está acostumada a que os seus trabalhadores a ponham em tribunal."









Ladrões de Bicicletas: Todos dias há uma apropriação de valor: Não, não vou falar da apropriação da figura do Mário Soares pela direita. Quero contar algo que se passou há pouco tempo. Só para dar a id...