quinta-feira, maio 31, 2012

Dia Mundial da Criança, 1 de Junho




O projecto era explicar a crianças entre 4 e 6 anos os direitos da criança segundo a carta das Nações Unidas. O que não era fácil dado a abordagem mental do documento e pouco ajustado à idade dos destinatários.
As fases foram:1. contar como história;2. pedir para fazerem desenho sobre cada um dos aspectos;3. fazer gravação da narração feita pelas crianças.
 
Com base nesse material foi feito um ppt onde foram feitas todas as animações, que em seguida só foi convertido em vídeo com o Camtasia studio. Depois em colaboração com uma escola espanhola convertemos para espanhol e com a narração de uma das minhas netas fizemos em inglês. As três versões tão disponíveis no youtube em: 
PT -http://youtu.be/jcOkhr2kzc8 EN -http://youtu.be/-45NCBQijcc

(Partilhado pelo António dos Reis no Facebook, no grupo E-Learning Gurus-Portugal)

Iela Mari

terça-feira, maio 29, 2012

Pela capa vive o livro


Maravilhoso blogue, de Jorge Silva, que enceta um novo projecto, Living Dead Covers, com a sua colecção de imagens de capas de livros fantásticos. Capas fantásticas a não perder! Esta é de Miguel Flávio, para a Estúdios Cor.


http://livingdeadcovers.wordpress.com/#

Jorge de Sena na voz de Mário Viegas



Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya


Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso. 
É possível, porque tudo é possível, que ele seja aquele que eu desejo para vós. 
Um simples mundo, onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém de nada haver que não seja simples e natural.  
Um mundo em que tudo seja permitido, conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer, o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.  
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto o que vos interesse para viver. 
Tudo é possível, ainda quando lutemos, como devemos lutar, por quanto nos pareça a liberdade e a justiça, ou mais que qualquer delas uma fiel dedicação à honra de estar vivo.  
Um dia sabereis que mais que a humanidade não tem conta o número dos que pensaram assim, amaram o seu semelhante no que ele tinha de único, de insólito, de livre, de diferente, e foram sacrificados, torturados, espancados, e entregues hipocritamente â secular justiça, para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»  
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento, a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas à fome irrespondível que lhes roía as entranhas, foram estripados, esfolados, queimados, gaseados, e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido, ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória. Às vezes, por serem de uma raça, outras por serem de urna classe, expiaram todos os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência de haver cometido.
Mas também aconteceu e acontece que não foram mortos. Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer, aniquilando mansamente, delicadamente, por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.  
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror, foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha há mais de um século e que por violenta e injusta ofendeu o coração de um pintor chamado Goya, que tinha um coração muito grande, cheio de fúria e de amor. 
Mas isto nada é, meus filhos. Apenas um episódio, um episódio breve, nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis) de ferro e de suor e sangue e algum sémen a caminho do mundo que vos sonho.  
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la. É isto o que mais importa - essa alegria. 
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto não é senão essa alegria que vem de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém está menos vivo ou sofre ou morre para que um só de vós resista um pouco mais à morte que é de todos e virá.  
Que tudo isto sabereis serenamente, sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição, e sobretudo sem desapego ou indiferença, ardentemente espero. Tanto sangue, tanta dor, tanta angústia, um dia - mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga - não hão-de ser em vão. 
Confesso que multas vezes, pensando no horror de tantos séculos de opressão e crueldade, hesito por momentos e uma amargura me submerge inconsolável.  
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam, quem ressuscita esses milhões, quem restitui não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?  
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes aquele instante que não viveram, aquele objecto que não fruíram, aquele gesto de amor, que fariam «amanhã».  
E  por isso, o mesmo mundo que criemos nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa que não é nossa, que nos é cedida para a guardarmos respeitosamente em memória do sangue que nos corre nas veias, da nossa carne que foi outra, do amor que outros não amaram porque lho roubaram.

dito por Mário Viegas
música de fundo Luís Cília

domingo, maio 27, 2012

E todavia, a Primavera insiste



15 de novembro
As paixões dormem, o riso postiço creou cama, as mãos habituaram-se a fazer todos os dias os mesmos gestos. A mesma teia pegajosa envolve e neutralisa, e só um ruido sobreleva, o da morte, que tem deante de si o tempo ilimitado para roer. Há aqui odios que minam e contraminam, mas como o tempo chega para tudo, cada anno minam um palmo. A paciencia é infinita e mete espigões pela terra dentro: adquiriu a côr da pedra e todos os dias cresce uma polegada. A ambição não avança um pé sem ter o outro assente, a manha anda e desanda, e, por mais que se escute, não se lhe ouvem os passos. Na aparencia é a insignificancia a lei da vida; é a insignificancia que governa a villa. É a paciencia, que espera hoje, amanhã, com o mesmo sorriso humilde:--Tem paciencia--e os seus dedos ageis tecem uma teia de ferro. Não há obstaculo que a esmoreça.--Tem paciencia--e rodeia, volta atraz, espera anno atraz d'anno, e olha com os mesmos olhos sem expressão e o mesmo sorriso estampado. Paciencia... paciencia... Já a mentira é d'outra casta, faz-se de mil côres e toda a gente a acha agradavel.--Pois sim... pois sim... Não se passa nada, não se passa nada. Todos os dias dizemos as mesmas palavras, cumprimentamos com o mesmo sorriso e fazemos as mesmas mesuras. Petrificam-se os habitos lentamente acumulados. O tempo moe: moe a ambição e o fel e torna as figuras grotescas.

Raul Brandão, Humus (1ª ed. lISBOA, 1917)

in Projeto Gutenberg


sábado, maio 26, 2012

Autoedição, the real thing?


Dos mais de 3,1 milhões de títulos editados em 2010 nos Estados Unidos, 90 por cento foram edições não-tradicionais destinadas unicamente à Internet. E alguns novos autores que optaram por editar directamente as suas obras em versões para o Kindle conseguiram vender mais de um milhão de exemplares. O que significa que também no mundo da edição estamos a assistir à desconstrução da tradicional cadeia de valor e à emergência de novos modelos mais flexíveis, dinâmicos e em rede. Uma revolução está em curso.


José Afonso Furtado, 29.11.2011
Ler mais aqui

No pity, but respect



“People are wrong when they think that an unemployed man only worries about losing his wages; on the contrary, an illiterate man, with the work habit in his bones, needs work even more than he needs money. An educated man can put up with enforced idleness, which is one of the worst evils of poverty. But a man like Paddy, with no means of filling up time, is as miserable out of work as a dog on the chain. That is why it is such nonsense to pretend that those who have 'come down in the world' are to be pitied above all others. The man who really merits pity is the man who has been down from the start, and faces poverty with a blank, resourceless mind.” 

(George Orwell, Down and Out in Paris and London)



Não queremos piedade, exigimos respeito


Está errado quem pensar que um homem desempregado só se preocupa com a perda dos seus salários; pelo contrário, um homem iletrado, com o hábito do trabalho enraizado, precisa de trabalho ainda mais do que precisa de dinheiro. Um homem culto pode aguentar a inatividade forçada, que é um dos piores males da pobreza. Mas um homem como Paddy, sem meios para preencher o seu tempo, é tão miserável sem trabalho como um cão acorrentado. É por isso que é um disparate tamanho pretender que os caírem em desgraça são, entre todos, os mais dignos de piedade. O homem que é realmente digno de pena é o homem que esteve por baixo desde sempre e que encara a pobreza com um espírito vazio e sem recursos.

(George Orwell, Down and Out in Paris and London)

Retirado (citação e imagem), do blog Abrupto (21.5.2012) daqui

sexta-feira, maio 25, 2012

Efeito placebo

Por detrás das grandes marcas há sempre grandes expetativas.




Vem este video a propósito de um livro que aderiu ao Facebook, aqui.
Marcas, literacias, e as coisas do nosso dia-a-dia.
E a naturalidade com que as redes sociais fornecem meios para difusão e promoção de obras e ideias, todos os dias. Longe vão os tempos do espanto com a difusão pela internet de capítulos inteiros por Stephen King ou Paulo Coelho? Não, foram menos de 10 anos...

“(…) sugiro que o estimado leitor vista comigo a bata branca do clínico e encare por hora os seus produtos como medicamentos. Em qualquer dos casos os respetivos consumos enquadram-se sempre no pressuposto de uma contrapartida utilitária, ainda que subjetiva.” (p. 65)

terça-feira, maio 22, 2012

O desemprego tem rosto


Há blogs que nos redimem,. Este, começado em Portugal no dia 1 de maio de 2012, é um deles.


Para lá de números ou estatís­ti­cas, é de pes­soas que falamos quando o assunto é o desem­prego.
Com iní­cio no dia 1 de Maio, este pro­jecto fotográ­fico com a duração de 365 dias tem o objec­tivo de mostrar 365 ros­tos. Com dig­nidade. Uma pes­soa por dia.
Estas são algu­mas das caras reais do desem­prego em Por­tu­gal.
Fotografia: Daniel Rocha

domingo, maio 20, 2012

BANZAI



Duas  revistas originais,  Banzai  e Waribashi, para o público em geral e para os amantes de BD, anime e manga em especial.



Uma criatura emergente NCreatures, que a si mesma se apresenta como "produtora de conteúdos" e também faz convites para lançamento de livros, como qualquer editora...


Para ler e seguir, a seguir, já a seguir...

sexta-feira, maio 18, 2012

Fotograma de Uma abelha na chuva, filme de Fernando Lopes a partir do romance de Carlos de Oliveira

Fruto


foto Jose Sousa Dias, 2011


Por um desvio semântico qualquer, que os filólogos ainda não estudaram, passámos a chamar manhã à infância das aves. De facto envelhecem quando a tarde cai e é por isso que ao anoitecer as árvores nos surgem tão carregadas de tempo.






Carlos de Oliveira, in "Sobre o Lado Esquerdo", 1968

sexta-feira, maio 04, 2012

TEMOS UM PROBLEMA

Atenta Inquietude: TEMOS UM PROBLEMA:
Numa roda de colegas na sala de professores, dizia a Sara em tom preocupado:


Temos um problema, perguntei ao Fábio que faria ele se quisesse ir para casa e estivesse a chover, respondeu que atirava as nuvens ao chão para parar a chuva. Perguntei-lhe também o que faria se ficasse sozinho em casa. Disse-me que com uma escavadora deitava a casa abaixo e já não ficava lá sozinho. Ainda lhe perguntei que se tivesse pressa para ir para casa o que faria. Imaginem que me respondeu que iria a cavalo. Na verdade, temos um problema.

O Professor Velho, o que está na biblioteca, a olhar para o vapor que saía da inseparável chávena de chá, comentou como quem pensa alto:

Esses problemas, às vezes têm nome, chamam-se Mozart ou Einstein ou Beethoven ou Picasso ou … tantos outros problemas. Outras vezes esses problemas chamam-se só “mais um miúdo espertíssimo que passou pela escola e não fez nada de jeito”.

Eles têm um problema maior, concluiu o Velho ainda a olhar para o chá...

quinta-feira, maio 03, 2012

Palavra





9
O diálogo? Que diálogo pode haver entre o condenado à morte e o carrasco que o conduz ao patíbulo? O diálogo é entre amantes, entre amigos, entre camaradas. Fora disso não há diálogo. Tens a palavra, explorado.

Lisboa, 25 de Maio de 1982

António José Forte, in 
Teses sobre a visita do papa

terça-feira, maio 01, 2012

May Day 2012


May Day 2012, upload feito originalmente por hughillustration.

No shopping. No work. Occupy everywhere.
Não fazer compras. Não ir trabalhar. Ocupar em toda a parte.