domingo, fevereiro 28, 2016

Entrevista: Conheça Leonor Teles, a premiada jovem realizadora de 'Balada de Um Batráquio' - Activa

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Fazer cinema é muito difícil e caro e, se partimos para ele, tem que ser uma vontade visceral, que vem de dentro e muito forte. Só quando tenho este tipo de vontades consigo começar a desenvolver os projetos e a escrever.



Entrevista: Conheça Leonor Teles, a premiada jovem realizadora de 'Balada de Um Batráquio' - Activa

Cinema e nós




















Fotografias que nos chegaram dos corpos a serem incinerados, 
tiradas de dentro de um forno crematório de Auschwitz-Birkenau, 
por um membro de um Sonderkommando 

Em França, o debate conhece nos anos 90 uma peça fundamental
que é um texto de Serge Daney sobre Noite e Nevoeiro, de Alain Resnais, 
que ele defende como um “ filme justo” (Lanzmann tinha-o proscrito) 
e perguntando a certa altura do seu texto: “É um ‘belo’ filme? Não, é um fime justo. 
Kapo é que queria ser um belo filme e não o era." 
O Filho de Saul faz emergir implicitamente este longo debate. 
Não é apenas um filme que mostra o inferno a que desciam os Sonderkommando, 
é também um filme sobre filmes e as questões que eles levantaram.
António Guerreiro, 2016





Uma questão de imagens e de moral - PÚBLICO

domingo, fevereiro 21, 2016

Medir o azul do céu

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Um outro objeto do século 18 foi achado na Biblioteca de Genebra na Suíça.

O instrumento criado para medir a intensidade e tom de azul no céu, chamado de Cyanometer, foi criado em 1789 pelo físico suíço Horace-Bénédict de Saussure e pelo naturalista alemão Alexander von Humboldt, que usaram o círculo dividido em 53 nuances para fazer experimentos e catalogar as cores do céu de Genebra, Chamonix e Mont Blanc.
O Cyanometer ajudou a levar a uma conclusão super importante: o azul do céu tem sua medida de transparência causada pela quantidade de vapor de água na atmosfera. 
Achado livro de 1692 sobre as cores e um medidor de azul do céu - Follow the Colours: Traité des Couleurs servo à la Peinture à l' eau é provavelmente, o mais completo guia de cores de antigamente. O livro foi achado recentemente na França.

Roma Rosae

Iagem da capa da 1ª edição de Uthopia, de T. More, 1516

Das grandes cidades, restarão os nomes, e nada mais. Tudo o que temos são os nomes, e nada mais. E nada menos.

Isso mesmo cantou um poeta do século XII, Bernardo Morliacense, que bem poderia ter sido personagem do romance O Nome da Rosa, de Umberto Eco. Eco leu Bernardo, no século XX, e, subtilmente, citou-o... no final do romance. Porém, como lhe pertencia por estilo e arte, com truque.
Eco: "Stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemos" (a rosa antiga permanece no nome, nada temos além dos nomes)
Bernardo: Roma em vez de rosa (a Roma antiga permanece no nome, nada temos além dos nomes).

Morreu ontem Eco, aos 84 anos, vida cheia e biblioteca amada. Dei por mim a pensar reler O Nome da Rosa como se de um livro sobre Roma se tratasse. Claro que é um livro sobre os nomes, Eco era um grande filósofo, cuidava da permanência. Só escrevia romances, bem avisou, ao fim de semana. Provavelmente, distante das cidades, entendidas como construção urbana. E da Cidade, o que significa Sistema, se entendermos Roma como sinal de poder. Roma ou Rosa?

Como é fim de semana, brinquei também e imaginei Brecht escrevendo o poema abaixo transcrito, com a cor do sangue e dos gritos dos homens e das mulheres sem nome, depois de ler Eco. E More escolhendo a imagem da sua Utopia, na mesma situação - afinal o sonho permanece, as cidades utópicas são nomes, e, por isso, indestrutíveis a não ser que ninguém as leia. 
Declaração de interesses: sou historiadora de formação, e de há muito sei que um anacronismo por dia, muito bem nos faria, nestes tempos carentes de imaginação... sobretudo ao fim de semana!

Um bom tema para um romance, ou uma conversa de brincadeira na biblioteca de Umberto Eco: quem e o quê leu Bernardo?


Quem construiu Tebas de sete portas?



Quem construiu Tebas de sete portas?
Nos livros estão os nomes dos reis.
Foram os reis que arrastaram os blocos de pedra?
E as várias vezes destruída Babilónia —
Quem é que tantas vezes a reconstruiu?
Em que casas da Lima fulgente
de oiro moraram os construtores?
Para onde foram os pedreiros na noite em que ficou pronta
a Mu­ralha da China? A grande Roma
está cheia de arcos de triunfo. Quem os levantou?
Sobre quem triunfaram os césares?
Tinha a tão cantada Bizâncio
Só palácios para os seus habitantes?
Mesmo na lendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu bramavam os
afogados pelos seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os Gálios.
Não teria consigo um cozinheiro ao menos?
Filipe da Espanha chorou, quando a armada se afundou.
Não chorou mais ninguém?
Frederico II venceu na Guerra dos Sete Anos —
Quem venceu além dele?
Cada página uma vitória.
Quem cozinhou o banquete da vitória?
Cada dez anos um Grande Homem.
Quem pagou as despesas?
Tantos relatos
Tantas perguntas. 


(Tradução de Paulo Quintela)


Leonor Teles, Urso de Ouro, Berlim 2016


A cineasta já se tinha centrado nesta comunidade no primeiro filme, "Rhoma Acans", e confessou que a impotência sentida na primeira película a inspirou a desenvolver uma nova abordagem, em "Balada de um Batráquio"."Havia esse sentimento de frustração em relação ao filme anterior, que tinha uma personagem a quem não consigo mudar a vida. E é ingénuo da minha parte achar que poderia fazer isso. Essa ideia de querer fazer alguma coisa, em vez de estar apenas a ilustrar, era tão forte, era uma urgência. Neste filme decidi: não vamos ficar com frustrações, vamos intervir, vamos partir a loiça toda!"

Um sorriso que derrota qualquer batráquio. Uma equipa que funciona, e ri. E parte batráquios como se houvesse futuro, bom futuro. E há.

Um orgulho imenso, nesta menina e no que este sinal representa. Uma alegria. Um "estúpido" sorriso na cara da urgência.

Parabéns, a ti Leonor, e a toda a tua rede de apoio. Da família ao bairro, dos amigos às escolas, as formais (ES Reynaldo dos Santos, em V. F. Xira, Escola Superior de Cinema, na Amadora) e informais (o futebol, e tantas outras). Cá estamos, espero que à altura.

Vamos partir a loiça toda!


Mais notícia, aqui:

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=5040015

"Nunca pensei ir até Berlim quanto mais ganhar o Urso de Ouro" - Cultura - TSF Rádio Notícias

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Freddie Mercury : QUEEN / RAPSODIA BOHEMIA

Lendas de Portugal - Açores

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Lenda das Sete Cidades
Conta a lenda que o arquipélago dos Açores é o que hoje resta de uma ilha maravilhosa e estranha onde vivia um rei possuidor de um grande tesouro e uma imensa tristeza por não ter um filho que lhe sucedesse no trono. Esta dor tornava-o amargo com a sua rainha estéril e cruel com o seu povo. Mas uma noite perante os seus olhos desceu uma estrela muito brilhante dos céus que aos poucos se foi materializando numa mulher de beleza irreal envolta em luz prateada. Com uma voz que mais parecia música essa mulher prometeu-lhe uma filha bela como o sol sob a condição que o rei expiasse a sua crueldade e injustiça através da paciência. O rei teria que construir um palácio rodeado por sete cidades cercadas por muralhas de bronze que ninguém poderia transpor. A princesinha ficaria aí guardada durante trinta anos longe dos olhos e do carinho do rei. O rei aceitou o desafio. Decorreram 28 anos e com eles cresceram a impaciência e o sofrimento do rei, que um dia não aguentou mais. Apesar de ter sido avisado que morreria e que o seu reino seria destruído, o rei dirigiu-se às muralhas, desembainhou a espada e nelas descarregou a sua fúria. A terra estremeceu num ruído terrível e das suas entranhas saíram línguas de fogo enquanto que o mar se levantou sobre a terra e a engoliu. No fim de tudo, restaram apenas as nove ilhas dos Açores e o palácio da princesa, transformado agora na Lagoa das Sete Cidades dividida em duas lagoas: uma verde como o vestido da princesa e a outra azul da cor dos seus sapatos.




Mais lendas aqui:





Lendas de Portugal - Açores

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Ler é que é bom - PÚBLICO

O que civiliza não são os escritores e muito menos os livros: são os leitores. Os livros só nos podem fazer mal ou bem se nós deixarmos. Quanto mais livros lermos, menos deixamos. É uma questão de quantidade.


Miguel Esteves Cardoso, 2016



Ler é que é bom - PÚBLICO