quinta-feira, junho 29, 2017

Ricardo Araújo Pereira e Gregorio Duvivier satirizam Acordo Ortográfico

Por que dançam as intérpretes de língua gestual?

 
Porque a tradução implica interpretação, explicam Maria José Freire e Isabel Correia, directoras dos cursos superiores de LGP dos institutos politécnicos de Setúbal e de Coimbra, respectivamente. “A tradução não é como se fosse uma máquina, os gestos transmitem sentimentos e sentidos”, declara Maria José Freire. “Traduzir música não é o mesmo que traduzir uma frase do quotidiano. É preciso entender a melodia e a letra”, acrescenta Isabel Correia.


Por que dançam as intérpretes de língua gestual?: As redes sociais renderam-se ao trabalho das intérpretes de língua gestual portuguesa durante o concerto solidário pelas vítimas dos fogos.

sábado, junho 24, 2017

Bibliotecas comunitárias - para todos, plurais, combatendo esterótipos, preconceitos e colonialismo cultural

Foto: Rincón de la lectura, Red de Bibliotecas de Cajamarca (Peru), em LectyLabRed (website descontinuado)

A capacidade de inclusão, a verdade, o respeito e a sustentabilidade devem elementos essenciais. A concepção das bibliotecas e dos serviços de biblioteca devem respeitar as necessidades e as possibilidades dos utilizadores finais, e levar a resultados sustentáveis ao longo do tempo. Devem cumprir-se os requisitos relacionados com as necessidades da biblioteca da comunidade pela mobilização de apoio ao nível da base; isto é, as comunidades precisam de ser envolvidas na identificação dos problemas, na sugestão de soluções e melhoramentos, e no desenvolver de estratégias.
Para além de ser "apropriada" pela comunidade, a biblioteca e os seus serviços precisam de ser sustentáveis ao longo do tempo: uma biblioteca não pode estar constantemente a reinventar-se, antes deve focar os seus esforços na manutenção e na melhoria dos seus serviços.
Inclusiveness, trust, respect and sustainability should be core elements. The design of libraries and library services should be respectful of the final users' needs and possibilities, and lead to sustainable results over time. The community's library-related requirements should be met by mobilizing support at grassroots level; that is, communities need to be involved in identifying problems, suggesting solutions and
improvements, and developing strategies. Besides being "appropriated" by the community, the library and its services need to be sustainable over time: a library should not continuously keep reinventing itself, but focus its efforts on maintaining and improving its services.
Ler mais aqui:
Civallero, Edgardo (2017)Library services for indigenous societies in Latin America Experiences and lessons

terça-feira, junho 20, 2017

O que nos arde em Portugal

 Foto de Catarina Martins.
Portugal, 2017
Foto de Pedro Brás, bombeiro, mostrando bombeiros de Tondela, Santa Comba Dão, Nelas, entre outros, a descansar, ontem, junto a uma praia fluvial. Grande Fogo de Julho de 2017

A INCENDIÁRIA 
 
Rolamos lentamente pela paisagem devastada. Sob o disco sangrento do sol pendurado no fumo, as pessoas passam, encostadas de olhos mortos às suas casas, tractores e carros. O ar arde. De repente, um carro da Brigada de Trânsito aparece parado de porta aberta no meio da estrada com todas as luzes a piscar como uma árvore de Natal. O condutor, sozinho, combate com o extintor do carro as labaredas que mordem o alcatrão. São 4 horas da tarde do dia 3 de Agosto de 2003. Nunca mais esquecerei que, evitando o fumo branco que sai da base das chamas sufocadas pela espuma, o militar da GNR olha para o céu à procura de azul. 
Como a dele, a raiva que sentimos não tem objecto. Não é certamente dirigida à natureza que estava cá antes de nós, cá ficará depois, e não gosta da morte. Nem é aos homens que temos raiva: quais deveríamos odiar? Nós próprios? Os outros? Proponho que odiemos antes a história. Isso: a história, o comboio da história, essa metáfora que avança largando fagulhas e provocando incêndios, o comboio que uma poderosa locomotiva puxa. Marx disse-nos o nome da locomotiva: capitalismo. É a locomotiva do progresso capitalista que incendeia a floresta portuguesa. 
Das pessoas que li e ouvi sobre esta catástrofe até ao dia em que escrevo, 5 de Agosto de 2003, só Vital Moreira no “Público” de hoje se aproximou do coração das trevas. Recorreu à história para explicar a ruína dos camponeses e o seu envelhecimento, o progressivo desinvestimento do Estado na agricultura, no interior, na floresta. Tudo isto dura desde o século XIX e agravou-se muito com os governos posteriores à contra-revolução de 1976, esses funcionários de Clio, a incendiária. 
A partir do século XVIII, os camponeses foram desaparecendo dos campos europeus e norte-americanos pela violência bruta e directa das milícias dos ricos, ou expulsos pela fome, pelas dívidas, pela mecanização, pelo fim da propriedade privada dos pequenos em favor da propriedade privada dos grandes. 
O que entra em lenta cinza pelas minhas janelas em Pedrogão Grande e pousa docemente sobre o meu teclado, os meus livros, a minha roupa, é a via portuguesa para o capitalismo nos campos. Sim, falo de um destino histórico, tanto mais português, mais cruel e inumano, quanto menos se confessa e se entende, quanto mais neutro e sereno parece. O “reordenamento do território”, essa miraculosa panaceia de que tantos falam e tão poucos percebem, está a decorrer rapidamente perante os nossos olhos: corre à velocidade das chamas e do vento. Depois do desastre, muitas dezenas de milhar dos 500.000 pequenos e pequeníssimos proprietários de florestas terão perdido tudo e perderão, por fim, a terra.

O que arde em Portugal é o campesinato português, expulso do Alentejo pelo PS, varrido do centro e do norte pelas PACs do PS e do PSD, despojado de tudo pelo fogo. Ardem os velhos de olhos rasos de lágrimas que só a conversa mole de enfermeiros brancos consegue arrastar, sobre um fundo de céu em cinza, para longe da meia dúzia de oliveiras a que dedicaram a vida. Ardem os bens dos descendentes de velhos já mortos que deixaram morrer os velhos e os sobreiros de que cuidavam para plantarem no seu lugar mato, casas vazias e eucaliptos.

Haveria – haverá ainda? – outra história possível? Vejo na televisão a falsa tristeza de quem, lá no fundo, pensa que Clio só saúda os vencedores. Vejo nos telejornais os olhos serenos de quem atribui subsídios como quem deita pazadas de terra sobre um caixão. E penso num camponês vizinho meu, do outro lado do Zêzere. Tem 17 anos. Dezassete. O pai, falecido, deixou-lhe o que tinha, terra, gado, máquinas. Perdeu tudo. Vai certamente partir para o litoral onde não há agricultura nem incêndios. Talvez não tivesse que ir se, em vez de menos Estado, em vez de mais liberalismo, o interior de Portugal tivesse tido a sorte de ter sido governado nestes últimos 30 anos, já nem digo por socialistas, bastavam social-democratas, agentes de uma história mais generosa.

Os Canadair continuam a voar sobre Pedrogão. Já não sinto raiva nenhuma.

Paulo Varela Gomes
escrito e lido em 2003, 
relembrado em 2017 via Rui Bebiano e Natércia Coimbra
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domingo, junho 18, 2017

Lichtman: Trump poderá demitir-se, como fez Nixon



Allan Lichtman previu a eleição, e agora antecipa o impeachment de Trump.

"O impeachmente exige tempo, não é veloz, mas é um processo político que escapará ao controle de Trump: o procurador especial podes ser autorizado pelo Presidente, enquanto a comissão de Justiça do Senado não sofre a sua influência. Para remover um presidente é necessário que dois terços dos senadores votem as acusações de impeachment apresentadas ao senado por recomendações da Comissão de Justiça. Sendo o senado de maioria republicana é improvável que tal suceda. Todavia, a cronometragem depende dos inquéritos em curso sobre as suas relações com a Rússia."
Acha que Trump chegará ao fim do mandato?

"É impossível afirmá-lo com segurança. Se um destes inquéritos pudesse concluir que Trump ou os membros do seu staff conspiraram com Moscovo, seria o primeiro caso de uma traição de um funcionário em cargo na história dos Estados Unidos. Por certo, mesmo que não seja formulada como acusação, poderia ser ele a demitor-se: como ele próprio admitiu, não tinha tido a noção de coo seria difícil ser presidente."
Lichtman: «Trump potrebbe dimettersi, come fece Nixon» - Corriere.it

quinta-feira, junho 15, 2017

Ladrões de Bicicletas: De pé

Os trabalhistas de Corbyn, os democratas da linha Sanders, a França Insubmissa de Mélencon lideram hoje as oposições nos seus países, recusando o triste fim do movimento, já aqui assinalado. São exemplos políticos revigorantes, com os acertos e os erros de quem está vivo para apostar no socialismo. Há mais por aí. Nunca se desiste.

Adenda cinematográfica. Não por acaso, os populares vídeos da campanha de Corbyn foram feitos por outro velho resistente chamado Ken Loach. Um dos que perdeu o combate contra Thatcher e contra o melhor sinal do seu triunfo, Blair. Um dos que nunca desistiu de filmar com todo o realismo poético. Nos seus filmes, de Terra e Liberdade a Eu, Daniel Blake, há um combate pela memória das lutas e um imenso e confiante desejo de que tenham continuidade, mas também gestos quotidianos de solidariedade que atravessam gerações: da neta de punho erguido no funeral do avô, combatente na guerra civil espanhola, à pungente amizade de Blake com a jovem Katie e os seus dois filhos. Daqui até ao Espírito de 1945 é só um passo. O futuro precisa mesmo de um certo passado. 
João Rodrigues, 2017 aqui:

Ladrões de Bicicletas: De pé: O que é certo é que resistir vem do latim. "Resistente" vem de resistere, suportar, resistir, ficar firme. É formado por "...

domingo, junho 11, 2017

Um patologista no 10 de junho: “Portugueses têm mistura notável de genes” – Observador

 
“Há mais linhagem ameríndia [índios americanos], africana e judias no Minho do que na Galiza”.
"E toda esta dissertação sobre a genética predominante no país para quê? Para dizer que o “grande capital” do país é ter “as pessoas com estas misturas, em Lisboa como na Serra de Montemuro”, fazendo uma relação direta com o que Portugal avançou em vários domínios: “Na saúde, na ciência na inovação e educação. Somos até já muito competitivos”. Mas com reparos e avisos.
“Temos de ser exemplares, de cima para baixo, na organização social e na seleção das lideranças, o privilégio tem de ser acompanhado de responsabilidade“, alertou. Outro aviso é que “Portugal precisa, cada vez mais, de instituições fortes“, dando como exemplo dos que existem as Forças Armadas e a Igreja”, mas pedindo que existam mais “que criem oportunidades, recompensem o mérito e potenciem a capacidade do saber fazer”. E ainda a necessidade de combater aquele que ainda é um problema, a Educação, com o médico a dizer que existe “meio milhão de portugueses que ainda que escrevem mal”."
Um patologista no 10 de junho: “Portugueses têm mistura notável de genes” – Observador

quinta-feira, junho 08, 2017

Lisboa - Biblioteca Galveias reabre após obras de 2,5 milhões

As novidades prolongam-se a questões tão simples como a existência de fichas de eletricidade para ligar o computador em cada um dos agora 322 lugares sentados (em vez dos apenas 110 existentes anteriormente), a dois balcões de empréstimo - "para acabar com a filas que antes existiam", salienta Susana Silvestre -, ou ainda à implementação de um sistema de inventariação através de código de barras (do género do que existe nos supermercados, por exemplo), o que permitiu a instalação de máquinas de autoempréstimo, tornando assim mais fácil o levantamento e a devolução de até cinco livros.


Lisboa - Biblioteca Galveias reabre após obras de 2,5 milhões