terça-feira, novembro 26, 2019

Épico


GEDEÃO, António, pseud.
Poema épico / [António Gedeão]. – 1960 Out. 1. – [2] p. 1 f. ; 14,3 x 9,3 cm
Autógrafo a tinta azul com alguns riscados e acrescentos. – 1.º v.: «O rapazão da camisola vermelha sacode a melena da testa». – Suporte com vestígio de dobra. – Com a menção de data na margem inferior da 2.ª p. – Abaixo do título, nota de Natália Nunes, a lápis: «[Public. em Máquina de Fogo, de 1961]». V. p. 73-74.
BN Esp. E40/cx. 13

POEMA ÉPICO, ANTÓNIO GEDEÃO, «Máquina de Fogo» (1961)
O rapagão da camisola vermelha sacode a melena da testa
e retesa os braços num bocejo como um jovem leão voluptuoso.
Dorme a sesta
o involuntário ocioso.
A filha do alfaiate atirou a tesoura e o dedal pela janela
e sumiu-se na noite escura do mundo.
Quis respirar mais fundo
e isso de ser coitada é lá com ela.
O homem da barba por fazer conta os filhos e as moedas
e balbucia qualquer coisa num tom inexpressivo e roufenho.
Súbito chamejam-lhe os olhos como labaredas:
- Eu já venho!
O da face doente,
o que sofre por tudo e por nada, sem querer,
abana a cabeça negativamente:
- Isto não pode ser! Isto não pode ser!
Sentados às soleiras das portas,
mordendo a língua na tarefa inglória,
com letras gordas e por linhas tortas
vão redigindo a História.



Após " Movimento Perpétuo", surge o segundo livro de poemas de António Gedeão, "Máquina de Fogo". Esta é a obra da confirmação do poeta enquanto cientista, do cientista enquanto poeta, da consolidação da sua presença no panorama literário português.
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sexta-feira, novembro 15, 2019

João Villaret

A caminho das Jornadas de Bibliotecas da Maia e daquela fabulosa Comunidade de Leitores...
Grandes mediadores / promotores de leitura, guias no encontro com a Natureza, o Outro, o Eu.
4. João Villaret, RTP, acompanhado por Carlos Villaret. Programa de 29-3-1959

Pedro Lamares, Leonard Cohen

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sentadas e ar livre
A caminho das Jornadas de Bibliotecas da Maia e daquela fabulosa Comunidade de Leitores...
Grandes mediadores / promotores de leitura, guias no encontro com a Natureza, o Outro, o Eu.
3. Pedro Lamares, Literatura Aqui, desde 2016. RTP. Aqui, lendo Leonard Cohen, magistralmente traduzido por Vasco Gato.

Video aqui


quarta-feira, novembro 13, 2019

Mário Viegas e Manuela de Freitas dizem poesia do disco "Poemas de Bibe"...



Poemas de bibe (1990)
A grande poesia portuguesa (e os grandes poetas), escolhida para os mais "pequenos",mas não necessariamente poesia infantil...
Alinhamento do disco: 1. Eugénio de Andrade / Faz de conta 2. Eugénio de Andrade / Aquela nuvem 3. Sidónio Muralha / Eu tenho um cão 4. Antero de Quental / Pequenina 5. António Botto / Cantiga de embalar 6. António Ramos Rosa / Quem bate a uma porta de folhas na noite 7. Teixeira de Pascoaes / Canção final 8. José Gomes Ferreira / Chove 9. Eugénio de Andrade / O pastor 10. Eugénio de Andrade / Andanças do poeta 11. Camilo Pessanha / Vénus/II 12. Eugénio de Andrade / Frutos 13. Cesário Verde / De tarde 14. Miguel Torga / Brinquedo 15. Alexandre O'Neill / Periclitam os grilos 16. Pedro Oom / Actuação escrita 17. Mário Cesariny de Vasconcelos / Os anos felizes 18. Tossan / O sapo e o papo 19. Bocage / Epigrama 20. Eugénio de Andrade / Canção de Leonoreta 21. Luíz de Camões / Cantiga 22. Almada Negreiros / Rondel do alentejo 23. Camilo Pessanha / Rufando apressado 24. Fernando Pessoa / Não sei, ama , onde era 25. Fernando Pessoa/Alberto Caeiro / O guardador de rebanhos/XXXIII 26. Fernando Pessoa/Álvaro de Campos / O binómio de newton é tão belo como a vénus de milo... 27. Fernando Pessoa/Ricardo Reis / Para ser grande, sê inteiro: nada 28. Gomes Leal / Dedicatória 29. Mário Cesariny de Vasconcelos / Xácara das 10 meninas 30. António Nobre / O sono do João 31. Eugénio de Andrade / Romance de D. João 32. Sebastião da Gama / Descoberta 33. Eugénio de Andrade / Verão 34. Jorge de Sena / Poema desentranhado de 1 poema de Manuel Bandeira 35. Tossan / A morte do rato 36. Mário-Henrique Leiria / Cinegética 37. Mário-Henrique Leiria / Rifão quotidiano 38. Fernando Pessoa / Pia, pia, pia 39. Fernando Pessoa / Poema pial 40. Zeca Afonso / Balada do sino 41. Herberto Hélder / Ritual da chuva 42. Fernando Pessoa / Levava eu um jarrinho 43. João de Deus / Boas noites 44. Raul de Carvalho / Os meus poemas 45. Sophia de Mello Breyner / Coral 46. António Botto / Palavras de um roussinol 47. Jorge de Sena / Os paraísos artificiais 48. Florbela Espanca / Nas salas da embaixada 49. Matilde Rosa Araújo / Caixinha de música 50. Vitorino Nemésio / Até sempre 51. Ruy Belo / O Portugal futuro 52. António Botto / O mais importante na vida 53. António Aleixo / 5 quadras Disco na integra c/ detalhe de capa (53 poemas / textos)

LP
Mário Viegas e Manuela de Freitas ‎– Poemas De Bibe (LP) Porto - imagem 2

CD
Poemas De Bibe (Vinyl, LP, Album) album cover

Caderno de Poesias (1) - Maria Bethânia



CADERNO DE POESIAS
 2015Com direção, roteiro e repertório de Maria Bethânia, o DVD Caderno de Poesias, que integra o livro homônimo editado pela UFMG, da Universidade Federal de Minas Gerais, já pode ser adquirido separadamente
O DVD (Quitanda/Biscoito Fino) traz a interpretação de Maria Bethânia para poemas, canções e textos que estão no livro, ilustrados com recursos de animação gráfica. Gringo Cardia assina a direção do vídeo e o projeto gráfico do livro. A obra é resultado de um projeto concebido por Bethânia em parceria com a UFMG, voltado para divulgar poesia, literatura e canção popular na escola pública.
Esse projeto começou em 2009 com a iniciativa da historiadora Heloisa Maria Murgel Starling de convidar Maria Bethânia para participar do projeto “Sentimentos do Mundo”, da UFMG. A artista criou o espetáculo “Leituras de Textos”, no qual resgatava a arte de declamar poemas. “Nesse livro, Maria Bethânia reafirma a equivalência entre a chamada ‘alta literatura’ e as canções populares, entre o culto à soberania da abordagem literária em sua inesgotabilidade de sentido e de permanência, e o nosso hábito, meio distraído de fazer da canção o complemento natural da atividade cotidiana de viver”, observa a escritora.
Enquanto a artista interpreta poemas, animações gráficas conduzem o espectador ao universo lúdico dos textos. O DVD registra o espetáculo apresentado pela cantora em Diamantina, Minas Gerais, sete clipes extras sobre os poetas e um filme com poesia escrita do tamanho do show.
O Livro não acompanha o DVD.


Descrição das faixas e condições de aquisição:
https://biscoitofino.com.br/produto/caderno-de-poesias/#descricao

Mediação


"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo".
Hermann Hesse

Café Filosófico: Alegria como força revolucionária, ética e estética dos afetos



"Alegria. Alegria como vontade. Como a filosofia trata desse assunto aparentemente trivial? Para o filósofo e psicanalista Daniel Lins a experiência da alegria contém um aspecto divino, porque envolve uma força que transcende o sujeito, e também um componente de loucura, porque é marcada por uma perda de controle, por um instante de inconsciência.
Experimentar a alegria significa apostar no devir, na capacidade do homem de se transformar constantemente. Mas não se trata de uma transformação solitária. A alegria deve ser pensada como o resultado de um encontro dos homens, entre si, e dos homens com o mundo."

Mais de uma hora de boa conversa que ajuda a pensar e aprender

segunda-feira, novembro 11, 2019

Camané & Mário Laginha - Com Que Voz [Official Music Video]

2019
Camões, Oulmain, Laginha, Camané


Com que voz chorarei meu triste fado
Que em tão dura paixão me sepultou
Que mor não seja a dor que me deixou
O tempo, que me deixou o tempo
De meu bem desenganado
De meu bem desenganado
Mas chorar não estima neste estado
Aonde suspirar nunca aproveitou
Triste quero viver, pois se mudou
Em tristeza a alegria do passado
A alegria do passado
De tanto mal, a causa é amor puro
Devido a quem de mim tenho ausente
Por quem a vida e bens dele aventuro
Por quem a vida e bens dele aventuro
Com que voz chorarei meu triste fado
Que em tão dura paixão me sepultou
Que mor não seja a dor que me deixou
O tempo, que me deixou o tempo
De meu bem desenganado
De meu bem desenganado
(Assim a vida passo descontente
Ao som nesta prisão do grilhão duro
Que lástima ao pé que a sofre e sente.)

Poema de Luís Vaz de Camões, séc. XVI

sexta-feira, novembro 08, 2019

Design Circular - por mundos sem lixo

4 modelos de design para a economia circular


"Agora que temos consciência das consequências negativas desse modelo, e da economia linear como um todo, é fundamental mudarmos os critérios que definem um bom design. Não podemos dizer que um produto é de boa qualidade se ele é tóxico para as pessoas ou para o planeta, e se os materiais usados na sua composição se transformam em lixo após o primeiro uso. Por isso, o desenho de produtos também precisa incluir critérios de circularidade e de saúde humana e ambiental.
Esse quadro é desafiador, mas traz uma enorme oportunidade de inovação através do design, em todas as indústrias. Assim como os designers contribuíram para o desenvolvimento da economia linear, eles têm o potencial de liderar a transição para uma economia circular.
Se o lixo é um erro de design, o design circular é um elemento crucial para criarmos um mundo sem lixo.  Ou seja, um mundo em que produtos e sistemas são projetados para manter o valor dos recursos em circulação para as gerações futuras. Em que, mais do que reduzir o impacto negativo de nossas atividades, podemos criar processos benéficos para os seres humanos e para a biosfera.
Os designers e fabricantes que quiserem se aventurar por este caminho não estarão sozinhos. Cada vez mais profissionais, empresas e organizações estão apostando neste modelo, e investigando os princípios que guiam a transição para um futuro circular."
3 princípios: (1) Resíduos são nutrientes (2) Energia limpa e renovável (3) Celebrar a diversidade (de espécies, de culturas, de soluções)

4 modelos: conforme The Great Recovery Project (UK, 2012 e 2016) -  design para (1) longevidade (2) serviço (3) remanufactura (4) recuperação de materiais

A Escolha do Público recaiu numa empresa chilena, a Triciclos

Escolha do Público no The Circulars 2019
Foto do site da TriCiclos em http://triciclos.cl/wp-content/uploads/2016/09/SLIDER1-ESPANHOL.jpg

segunda-feira, novembro 04, 2019

E AGORA, JOSÉ?


 Vitor, menino de rua, recita poema de Carlos Drummond de Andrade (2019, Brasil)
O poema "José" de Carlos Drummond de Andrade foi publicado originalmente em 1942, na coletânea Poesias. Ilustra o sentimento de solidão e abandono do indivíduo na cidade grande, a sua falta de esperança e a sensação de que está perdido na vida, sem saber que caminho tomar.
José



E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, você?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?



Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?



E agora, José?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio — e agora?



Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?



Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse...

Mas você não morre,

você é duro, José!



Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José!

José, para onde?

sábado, novembro 02, 2019

Jorge de Sena :: Carta a Meus Filhos sobre os Fuzilamentos de Goya / Por...





"Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão."



Goya, Sena, Viegas e nós. E vós.
100 anos do nascimento do poeta de palavras escritas, Jorge de Sena

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