quarta-feira, junho 13, 2018

Cidades com cabeça e coração, precisam-se

ENTREVISTA

Estado coloca à venda terrenos da ex-Lisnave no início de 2019

Miguel Cruz, presidente da Parpública, holding que agrega várias participações e activos imobiliários do Estado, diz que no primeiro trimestre do próximo ano serão colocados à venda os 630 mil metros quadrados de área de construção ligados à Margueira, na margem sul do Tejo.


Desafiada pelos jornais de agora, páro para pensar no que aí vem, e no que podemos fazer para que seja melhor e diferente do que temos tido. Moro na Grande Lisboa. Habito uma parte do planeta em que se antevê a aplicação de capitais financeiros vultuosos para construção em áreas significativas sem que o cidadão comum perceba que resultado desenhamos para essa enorme cidade que o Tejo marca, até ao mar. Das antigas Escolas da Armada (Vila Franca de Xira até à antiga Lisnave (Almada), passando pela antiga Feira Popular e a parte poente de Marvila (Lisboa), o previsto novo aeroporto (Montijo) e ainda por projetos no arco ribeirinho que inclui a antiga Lisnave (Barreiro, Almada, Seixal).

Quando começaremos a ser capazes de imaginar desenvolvimento do território sem ser apenas com betão e mais betão? E a conseguir que a cidade seja um projeto das pessoas e com elas, ouvindo os cidadãos, os seus medos e desejos, ou seja... democrático? Em vez de um território de torneio entre interesses restritos de produtos "do costume" (prédios e mais prédios, em vez de, por exemplo, jardins, ambos produtos de atividades económicas,. e geradores de criação, produção, fruição...).

Mais uma vez, discutindo cidades, desenhamos o território, mas o maior desafio é a democracia e a cultura democrática, esse terreno de labor a longo prazo em que os livros nos ajudam e a leitura é essencial.

Leitura útil destes dias : 

Wook.pt - A Cidade na Encruzilhada
João Seixas, A cidade na encruzilhada : repensar a cidade e a sua política. Edições Afrontamento, 2013.  https://www.wook.pt/.../a-cidade-na-encruzilhada.../15248870
Existe nas Bibliotecas de Vila Franca de Xira
Recomendo ainda a rcensão de Simone Tulumello, 2013, aqui , que, descrevendo de forma clara o conteúdo da obra,  vai mais longe, e interpela autores e leitores :
"Ao mesmo tempo em que se reformava a máquina administrativa utilizando alguns dos princípios delineados neste livro (principalmente descentralização e qualificação), as políticas urbanas aplicadas no contexto da crise privilegiavam a competitividade sobre a coesão e até fomentavam a apropriação de algumas práticas participativas para agendas de caráter neoliberal (Tulumello, 2015). Será que a reinvenção da governação, se não for acompanhada por uma clara visão política de cariz progressista (ou até radical?), pode resultar na exaltação das mesmas tendências que quer contrastar? "
"O papel dos movimentos sociais, por exemplo, e mais em geral das críticas de ordem estrutural à hegemonia do sistema neoliberal é deixado numa posição marginal no livro: será, enfim, que a reinvenção da política na cidade é possível no quadro das estruturas presentes? Esta pergunta não tem resposta no livro. Por um lado o «otimismo da prática» de Seixas parece sugerir que sim, será possível, sobretudo pela capacidade das cidades se organizarem em torno de visões construídas de forma deliberativa. Por outro lado, porém, os desafios levantados ao longo do texto podem sugerir que a mudança necessária é de ordem mais estrutural (uma nova hegemonia cultural e económica). É nesta encruzilhada, a meu ver, que o debate sobre o futuro da democracia urbana se irá desenvolver nos próximos tempos." (p. 4)
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sábado, junho 02, 2018

Parar. Pensar


Pensar, como hervir un huevo, es algo que se debe parar en cierto momento, porque, si no, sale un huevo duro. También es contraproducente pensar más allá de donde puede llegar el pensamiento.
Lo racional es instrumental. Manipular la realidad no es entenderla, ni aceptarla, ni tiene nada que ver con las emociones, la creatividad o la intuición. Todo eso queda fuera de lo racional. Sólo los científicos mediocres creen que con la razón se debe solucionar todo; los competentes saben hasta dónde puede llegar la razón y no intentar aplicarla a todo, ni pretender que lo que no es racional no existe.
Se dice que fue Parménides el que inició el descarrío al decir que la realidad es racional y, algo aún peor, que lo que está cambiando no es real, y sólo es real lo fijo. Ahí se extravió el pensamiento occidental, que aún no ha rehecho el camino.Heráclito es el único que no se perdió como los que confundieron la fijeza de las palabras con la fijeza de la realidad. Las palabras son una foto fija, pero la realidad que intentan representar es una película, un flujo en movimiento. No puedes bañarte dos veces en el mismo río pero puedes usar mil veces la misma palabra o lo que ella representa, un mismo concepto. Pensamos linealmente (en silogismo: si A es B y B es C, ergo A es C) y hablamos linealmente (sujeto-verbo-predicado) pero la realidad no es lineal, es interrelacionada o matricial y holográfica, y en ella una parte refleja el todo y el todo está en todo; todo influye en todo, está interactuando.
Es hora de estudiar la filosofía occidental no cómo el medio de entender la existencia, sino como otra mitología griega. Panta rei.
Luis Racionero (2018) http://www.lavanguardia.com/opinion/20180504/443216167200/fracaso-de-la-filosofia-occidental.html

Pediu futuro? E tem feito bibliotecas?

Artist’s impression of the design for the children’s area of the Helsinki Central Library.
Image: ALA Architects. 2018
Enquanto as bibliotecas do futuro se tornam alta-tecnologia, parece que também estão a retornar ao conceito de Alexandria sobre o que as bibliotecas devem ser: lugares onde as comunidades se encontram, conversam e conectam. 

While the libraries of the future are going high-tech, it seems they are also returning to the Alexandrian concept of what libraries should be: places where communities meet, talk and connect.

Em Helsínkia (Finlândia), desenvolveu-se um projecto contando com participação dois cidadãos, que definiu o programa da biblioteca e, decorrente disso, o edifício a erguer - o que se concretizou em 2018.  A nova biblioteca pública reflecte um novo pensamento público sobre biblioteca, em que os utilizadores são fazedores activos, mais do que consumidores passivos.
Não tem muito sentido construir um depósito de livros no coração da cidade.  A nova biblioteca oferece serviços tradicionais de biblioteca, como empréstimo de livros, mas também vão ao encontro das necessidades públicas, que evoluem cada vez mais do uso do empréstimo para o fazer. O que exige às bibliotecas oferta de espaços e condições para aprender, trabalhar e praticar diferentes actividades de lazer.  A própria localização, central e perto de duas outras instituições culturais importantes (Museus), junto do Parlamento, reflecte o valor dado à Biblioteca Pública como eixo essencial da democracia e de políticas culturais e de acesso ao conhecimento - para toda a gente.
As pessoas procuram um espaço PÚBLICO culturalmente rico e inovador, gratuito e seguro, com possibilidade para fazer e para trabalhar em rede com outras pessoas, e, claro, com livros e outros materiais para emprestar. E com café!

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