quinta-feira, junho 30, 2005


Viva a música! Mas que é feito da proximidade do canto de embalar por boca própria de humana fonte directa? Posted by Hello

Prenda de anos (2) para o Mal

Pesquisando no eruditíssimo Livro de referência de especialistas sobre o mal (mais de 2222 referências) embora nem tanto sobre a natureza (23 referências) e absolutamente inconfessos sobre a natureza do mal... Aprende-se que a expulsão do Paraíso foi medida para evitar males maiores: que o homem, depois da árvore do conhecimento, experimentasse a árvore da vida. Apesar da ameaça anterior, porém, não morreu, mas foi impedido de viver eternamente
Gênesis 2:9 Do solo fez o SENHOR Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Gênesis 2:17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.




  • Gênesis 3:5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.
  • Gênesis 3:22 Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente.
  • domingo, junho 19, 2005

    Geremos

    A maior desgraça de uma nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor chamá-los não de ricos mas de endinheirados. Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro e dá emprego. Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. Ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
    - Mia Couto, em Pensatempos

    E ao terceiro dia consegui voltar a lê-lo


    Agora é Verão, eu sei.
    Tempo de facas, tempo
    em que as cobras perdem os anéis
    à míngua de água.
    Tempo em que se morre
    de tanto olhar os barcos.

    É no Verão, repito.
    Estás sentada no terraço
    e para ti correm todos os meus rios.
    Entraste pelos espelhos:
    mal respiras.
    Vê-se bem que já não sabes respirar,
    que terás de aprender com as abelhas.

    Sobre os gerânios
    te debruças lentamente.
    Com rumor de água
    sonâmbula ou de arbusto decepado
    dás-me de beber
    um tempo assim ardente.

    Poisas as mãos sobre o meu rosto,
    e vais partir,
    sem nada me dizer,
    pois só quiseste despertar em mim
    a vocação do fogo ou do orvalho.

    E devagar, sem te voltares,
    pelos espelhos entras na noite acesa.

    Tempo em que se morre, de Eugénio de Andrade
    transcrito da pag. 65 de Antologia breve seguida de Palavra ao Silêncio, com prefácio de Óscar Lopes, editada no Porto pela saudosa Inova, em 1972, o nº 13 da colecção (maravilhosa) Duas horas de leitura

    Há livros de que não nos conseguimos apartar.
    Nunca mais deixei de perder os anéis nas luas quentes do meu país, e de em cada espelho sentir os passos de quem não se voltou.
    Posted by Hello

    Baixinho

    Eu não senti nada na morte de Cunhal. O dirigente histórico, o partido, morreram para mim há muito tempo. Quando os comunistas reconheceram os crimes do estalinismo Kundera disse-lhes que não bastava que se arrependessem, era preciso que, como Édipo, vazassem os olhos e fossem para o deserto. Ora os comunistas portugueses mostraram sempre uma total insensibilidade à natureza criminosa do estalinismo e das suas manifestações. Sempre prontos a perdoar, em nome da dureza da luta de classes, sempre mansos para a tentativa de reabilitação histórica do herói da segunda guerra. Sempre confundindo firmeza ideológica com catecismo.
    Mas, na morte de Cunhal, ouvi o grito das multidões nas ruas. Dizia, aos senhores deste mundo, que outro mundo é possível. Aos homens do cálculo que a Sophia detestava, aos que traçam a régua e esquadro a nossa vida, sempre prontos a salvar a economia e a nação, a interpretar a história, a explicar a racionalidade da opressão, a soprar aos desempregados e aos excluídos que devem ter paciência, a insinuar que a desigualdade é merecida e está inscrita na nossa inferioridade genética. O grito da rua irritou os comentadores inteligentes que há anos se apoderaram das colunas de opinião da imprensa, da rádio e da televisão e construíram a nossa ignorância. O mundo tem-lhes corrido de feição. Derrotaram os inimigos, uns broeiros, aliás, quase todos incultos, incapazes, carentes de argumentos e fluência. Estavam tão satisfeitos, lá de onde se via o fim da história. E de repente aquele rumor. Parecia o PREC contado às criancinhas. Havia muitos velhos, eu sei. Mas no presente, no futuro, vai haver muitos velhos. Talvez não tenham dado conta. Há muitos velhos em casas, lares, em quartos. À espreita. Há aldeias quase só de velhos, e nos pinhais ardidos, velhos habitam casas como barcos. Quando as ruas das cidades dormitório se esvaziam, os velhos tomam conta das crianças pequeninas e contam-lhes, baixinho, uma história ainda secreta.


    Transcrevo do Mal
    Sei que para muitas crianças os sussurros ao adormecer surgem do seu coração, e não de gerações anteriores, interditas no cruel e urbaníssimo quotidiano que as transfere de infantário para escola de casa sem pai ou sem mãe, ou só com um adulto. Para outras, a própria rua desapareceu, e entre portas brincam dentro de automóveis e carrinhas, espaços de sonhar ou sofrer como eram os passeios, as travessas, os becos, os quintais e os campos dos anos sessenta.
    Mais valor têm ainda as histórias secretas que conseguem capturar, melhor ainda se directas em fala corrente e quente de carinhos e tremor de voz.
    A comoção não se decreta, e poucos a dominam.
    Na memória das crianças fica o único futuro possível. Nas pontes que com elas se fazem o derradeiro dicionário do entendimento. A ler baixinho, claro...

    sábado, junho 04, 2005


    anunciava-se assim novo passo aventuroso Posted by Hello

    ETC Teixeira Coelho, conheces?

    In memoriam de Eduardo Teixeira Coelho.... agradeço ao masson ter-me lembrado a banda desenhada de encantamento das tardes dos doze anos! E a eterna admiração por esssa história livre de ter ido viver para a Florença e por lá ficas criando

    quinta-feira, junho 02, 2005

    Mares por línguas nunca dantes avistados?


    Elogio do aprofundamento das linguas Posted by Hello

    Da minha terra vê-se a língua, ouve-se o mar


    Foto retirada de espaço público da Câmara Municipal

    Sentei-me à beira do Tejo

    A ouvir a gente falar
    Da terra, dizemos Campo
    Ao rio, chamamos Mar Posted by Hello

    Pôr a Língua de Fora é Booooooom!

    Notícia: galardoados com o Prémio em 2005 - já se sabem 2 categorias

    Prémio Príncipe de Astúrias da Cooperação Internacional
    Simone Veil

    Prémio Príncipe de Astúrias da Comunicação e Humanidades
    Alliance Française
    Società "Dante Alighieri"
    British Council
    Goethe Institut
    Instituto Cervantes
    Instituto Camões

    Apesar das críticas justas a fazer a cada um dos Institutos, é de aplaudir o Prémio conjunto a quem cuida de promover Língua e Cultura para lá das fronteiras políticas, e a opção por incluir 6 línguas diferentes, pelo menos. Curiosidade: como trata cada um destes Institutos os idiomas minoritários/regionais e os crioulos/variantes?
    Já agora, esta é uma alegria Simonetta

    Língua à vista

    Uma língua é o lugar donde se vê o Mundo e em que se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha língua vê-se o mar. Da minha língua ouve-se o seu rumor, como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi a da nossa inquietação.

    Vergílio Ferreira

    quarta-feira, junho 01, 2005

    Bi-empréstimo sobre os indexes

    A Human Events on line
    publica uma lista dos 10 livros mais perigosos dos séc. XIX e XX. Sendo a revista conservadora e americana, não é de estranhar encontrar Nietzche, Marx, Keynes (10º) e Darwin entre os terríveis autores. Dewey, o da Educação e Democracia, tam bém não escapa. Reparem no fundamento:

    "In
    Democracy and Education, in pompous and opaque prose, he disparaged schooling that focused on traditional character development and endowing children with hard knowledge, and encouraged the teaching of thinking “skills” instead."


    Thinking skills: capacidade de pensamento crítico, terrível doença que hoje mata tanto como o cancro, a sida, a fome... Que seria de nós sem estas luminárias? Que vai ser feito de nós com Poder nas mãos de leitores de tal calibre?
    O link no título do "horroroso" panfleto revela no entanto uma outra face - remete para a Amazon, que vende ainda hoje o livro...
    Mais um índice de livros perigosos para os bons costumes, nos inigualáveis EUA
    Notícia no Bicho carpinteiro, comentário aguçado no Barnabé
    Porque será que há tanta gente piedosa que quer velar pelo entendimento alheio, sem confiar minimamente na capacidade de cada um ler e criticar?