domingo, dezembro 30, 2012

Acordei a pensar num futuro em que serei memória. Ou não.  
Como os que de antes de mim hoje me assombram, no bom sentido - me permitem o assombro de viver. Haja o que houver.


Letra e vídeo aqui

Música portuguesa em memória livre

Vídeos do espólio do património imaterial musical de Tiago Pereira no Aeroporto! Teaser. from MPAGDP on Vimeo.
 Gosto muito, e alerto para o minuto 3:28 - um fandango bi-género de Riachos à sombra de um castelo.

Riscos colossais

"Espera aí... há qualquer coisa que não bate certo". "Cala aboca, palerma! Faz o que te dizem. É para o teu bem!"

"Há um enorme risco de retrocesso social" - Politica - DN
Considero muito negativo que a situação de crise sirva para justificar atropelos vários a direitos básicos das pessoas enquanto trabalhadores/as ou cidadãos e cidadãs, como, infelizmente, temos assistido nos últimos anos.Com efeito, pesa sobre as nossas sociedades, ditas de desenvolvimento avançado, um enorme risco de retrocesso social, agravado por uma globalização não regulada e por um crescente poder financeiro que, perigosamente, se sobrepõe à democracia.
Manuela Silva, DN, hoje

quinta-feira, dezembro 27, 2012

domingo, dezembro 16, 2012

Câmara Clara

http://camaraclara.rtp.pt/#/home/

Não pode ser verdade
Acabarem com este programa de televisão
Não pode o tijolo a que Tabucchi chamava realidade
Ter tal cegueira
E assim certeira

Ao ver o derradeiro programa semanal do Câmara Clara (RTP2)
Hoje
M'espanto da qualidade, imensa
E m'avergonho da indignidade da decisão
Exterminatória

Pretensamente, claro
Que a claridade da câmara
Fica em nós todos que nela vimos ou fomos vistos
Ouvimos ou fomos entendidos
E
isso
vai ser
muito
mas
muito
mas
muito
impossível
de exterminar.

Revista Vírus: segunda edição disponível na net

Revista Vírus: segunda edição disponível na net

Inteira para se ler, desafio a escrever para os próximos números. Viral?

Contar histórias tem propósitos


quinta-feira, dezembro 13, 2012

Deslimites




A menina apareceu grávida de um gavião.

Veio falou para a mãe: O gavião me desmoçou.


A mãe disse: Você vai parir uma árvore para



a gente comer goiaba nela.



E comeram goiaba.



Naquele tempo de dantes não havia limites



para ser.



Se a gente encostava em ser ave ganhava o



poder de alçar.



Se a gente falasse a partir de um córrego



a gente pegava murmúrios.



Não havia comportamento de estar.



Urubus conversavam auroras.



Pessoas viravam árvore.



Pedras viravam rouxinóis.



Depois veio a ordem das coisas e as pedras



têm que rolar seu destino de pedra para o resto



dos tempos.



Só as palavras não foram castigadas com



a ordem natural das coisas.



As palavras continuam com seus deslimites.







Manoel de Barros - Matéria de Poesia (1974)