terça-feira, junho 30, 2015

Shelfie

A picture or portrait of your bookshelf. Showcasing literature IN ALL IT'S GLORY!

(This term was originally defined by author Rick Riordan).

Not to be confused with selfie .
As you can see, everything in my shelfie is color coordinated.

Urban Dictionary: Shelfie

domingo, junho 21, 2015

O sorriso da árvore


António Lobo Antunes - As mulheres têm fios desligados. 
Há uns tempos a Joana:
- Pai, acabei um namoro à homem.
Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda:
-Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim.
O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
- Já não gosto de ti
de
- Não quero mais
chegam com discursos vagos, circulares
- Preciso de tempo para pensar
- Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
ou declarações do género de
- Tu mereces melhor do que eu
- Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
- Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
e aos amigos
- Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata
- Custou-me mas foi
- Amandei-lhe daquelas lérias do costume e a gaja engoliu
- Chora um dia ou dois e passa-lhe
e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)
ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas,
pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava
- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é saber que durante uma semana estou safo
e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las. O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- As mulheres têm fios desligados
e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
- Já não gosto de ti
se informam
-Não quero mais
aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, com o Che Guevara ou eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhe caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- O problema não está em ti, está em mim
a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Shubert. De Ovídio. De Horácio, de Virgílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável, a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.
Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca.
Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa-se de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- Mereces melhor que eu
levou como resposta
- Pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua
- O que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.
Fazem de certeza: é so copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.
Ontém jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.

in  Visão nº 804 de 31/Jul/08. 

Gente do sul


Hélia Correia, em "A Terceira Miséria", relida neste tempo de Grécia presente em todo o pensamento euripeu:

32.
Estão as praças,
Como ágoras de outrora, estonteadas
Pela concentração dos organismos,
Pelo uso da palavra, a fervilhante
Palavra própria da democracia,
Essa que dá a volta e ilumina
O que, por um instante, a empunhou.
Oh, os amigos, os abandonados,
Esses, os destinados ao extermínio,
Esses os belos despojados, nus,
Os que, mesmo nascendo no Inverno,
Pouco sabem do frio, gente que dorme
Na sombra do meio-dia, ouvindo o canto
Das cigarras, o canto sobre o qual
Hesíodo escreveu. Gente do Sul,
Gente que um dia se desnorteou.
33.
De que armas disporemos, senão destas
Que estão dentro do corpo: o pensamento,
A ideia de polis, resgatada
De um grande abuso, uma noção de casa
E de hospitalidade e de barulho
Atrás do qual vem o poema, atrás
Do qual virá a colecção dos feitos
E defeitos humanos, um início.

Hélia Correia recebeu esta semana o Prémio Camões. Mais que merecido. Esperemos que agora seja mais lida. Mais que merecemos, e precisamos disso.

quarta-feira, junho 17, 2015

Rainbow Flag



MoMA | MoMA Acquires the Rainbow Flag

Dimensões e ficção científica





Um objeto bidimensional é, por exemplo, a superfície de uma sombra, ou seja, a projeção bidimensional de um corpo tridimensional. Um limitado e infinito universo bidimensional é a superfície de uma esfera: só se pode sair dele através da dimensão altura.
Fascinante. Viva a Matemática!



Dimensões

Nutrir a imaginação





Gosto da proposta, mas escrever para as crianças é muito mais difícil que escrever para os adultos, já que, mais ou menos, sabemos como eles pensam./.../ a conversa com os pequenos não é simples nem óbvia, pois a sua imaginação tem plena dignidade e é preciso nutri-la e surpreende-la.

Dino Buzzati 



:: REVISTA EMILIA ::

Nutrir a imaginação





Gosto da proposta, mas escrever para as crianças é muito mais difícil que escrever para os adultos, já que, mais ou menos, sabemos como eles pensam./.../ a conversa com os pequenos não é simples nem óbvia, pois a sua imaginação tem plena dignidade e é preciso nutri-la e surpreende-la.

Dino Buzzati 



:: REVISTA EMILIA ::

sábado, junho 13, 2015

à mão



estes poemas que chegam
do meio da escuridão
de que ficamos incertos
se têm autor ou não
poemas às vezes perto
da nossa própria razão
que nos podem fazer ver
o dentro da nossa morte
as forças fora de nós
e a matéria da voz
fabricada no mais fundo
de outro silêncio do mundo
que serão eles senão
uma imensidão de voz
que vem na terra calada
do lado da solidão
estes poemas que avançam
no meio da escuridão
até não serem mais nada
que lápis papel e mão
e esta tremenda atenção
este nada
uma cegueira que paga
a luz por detrás de outra mão
tudo o que acende e me apaga
alumiação de mais nada
que a mão parada
allumiação então
de que esta mão me conduz
por descaminhos de luz
ao centro da escuridão
que é fácil a rima em ão
difícil é ver se a luz
rima ou não rima com a mão

Herberto Helder
Poemas Canhotos
2015

p. 42-43

Textbook vs story book. Stephen Krashen





Stephen Krashen, sempre no combate pela leitura, a aprendizagem e o pensamento, contra o monolinguismo, o império dos testes e dos exames e a formatação das respostas educativas na escola. Uma delícia, Uma esperança.

Alargar a leitura ao longo da vida (e beber café) previne a demência na população. E se possível, ser bilingue desde muito cedo.
Desenvolvemos literacia conversando, lendo, ouvindo histórias e canções, contando e recontando.Vocabulário e gramática aprende-se em ação. Ação, interação. Ler, escrever, falar, entender, 
Insistir, como só os que têm e esperam prazer do que conseguem fazer/praticar.
O motor da paixão sempre ganhou ao efeito do chicote.

Ler. Ler por prazer. Ler em voz alta, ler em silêncio. Ler e reler em duas línguas pelo menos, alternando alegremente como entre dois amores de países diferentes. Cheirar café, beber café, saborear e sentir o sorriso dos neurónios.
Escrever. Brincar com as palavra. Conversar e ficar a pensar naquilo. Desligar a televisão pelo menos um dia por semana.
Ler 10 minutos antes de deitar. 



Textbook vs story book. Stephen Krashen







Alargar a leitura ao longo da vida (e beber café) previne a demência na população. E se possível, ser bilingue desde muito cedo.


Desenvolvemos literacia conversando, lendo, ouvindo histórias e canções, contando e recontando.Vocabulário e gramática aprende-se em ação. Ação, interação. Ler, escrever, falar, entender, 
Insistir, como só os que têm e esperam prazer do que conseguem fazer/praticar.
O motor da paixão sempre ganhou ao efeito do chicote.

Ler. Ler por prazer. Ler em voz alta, ler em silêncio. Ler e reler em duas línguas pelo menos, alternando alegremente como entre dois amores de países diferentes. Cheirar café, beber café, saborear e sentir o sorriso dos neurónios.

Escrever. Brincar com as palavras. Conversar e ficar a pensar naquilo

Desligar a televisão pelo menos um dia por semana.

Ler 10 minutos antes de deitar..


terça-feira, junho 09, 2015

Era uma vez um país

Unicornio Cortázar

Daqui: La dama y el unicornio por Lulio CortÀzar sobre una pintura de Rafael

Gracias, señoras y señores, me gustaría retribuir tanta gentileza con ternura y civilidad; desgraciadamente ustedes estarán siempre ahí y eso es acantilado a pique, máquina para moler la sombra, insoportable exageración de una bondad armada de garras de coral. Cada vez me parece más penoso complicar la existencia ajena, pero no queda ninguna isla desierta, ninguna arboleda de mala fama, ni siquiera un corralito para encerrarme en él y, desde allí, mirar a los demás bajo la luz de la alianza, ¿tengo yo la culpa, oh tierra poblada de espinas, de ser un unicornio? 

Julio Cortázar. 
Último round. Protección inútil.

sábado, junho 06, 2015

Ler livros aos pares


Compare and contrast gives scholars a more complete understanding of a topic. So I thought, well, if comparative reading works for research, why not do it in daily life too? So I started reading books in pairs. 

So they can be about people -- ["Benjamin Franklin" by Walter Isaacson]["John Adams" by David McCullough] -- who are involved in the same event, or friends with shared experiences. ["Personal History" by Katharine Graham]["The Snowball: Warren Buffett and the Business of Life," by Alice Schroeder] I also compare the same stories in different genres -- (Laughter) [Holy Bible: King James Version]["Lamb" by Chrisopher Moore] -- or similar stories from different cultures, as Joseph Campbell did in his wonderful book.["The Power of Myth" by Joseph Campbell] 

 For example, both the Christ and the Buddha went through three temptations. For the Christ, the temptations are economic, political and spiritual. For the Buddha, they are all psychological: lust, fear and social duty -- interesting.

Lisa Bu: How books can open your mind | Talk Video | TED.com

quinta-feira, junho 04, 2015

Manuel Guimarães, 2015 - Lisboa e Vila Franca de Xira



Dia 8 de junho, Lisboa, Cinemateca. 

Vila Franca de Xira, Museu do Neorealismo, a partir de 17 de outubro de 2015



CICLO  REVER MANUEL GUIMARÃES




No centenário do nascimento de Manuel Guimarães (1915-1975), a Cinemateca homenageia o realizador com uma retrospetiva integral da sua obra, numa iniciativa realizada em colaboração com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira / Museu do Neo-Realismo, no contexto da exposição que ali será inaugurada a 17 de Outubro próximo - Manuel Guimarães O Sonhador Indómito, com curadoria de Leonor Areal - e da edição do catálogo dessa exposição que contará com o apoio da Cinemateca.” 


Um dos mais incompreendidos e mais injustamente desconhecidos realizadores portugueses, a cuja obra a Cinemateca dedicou uma primeira retrospetiva em 1997 (“Manuel Guimarães: A Travessia do Deserto”), Manuel Guimarães é um nome incontornável na história do cinema português e o autor de uma obra importante que é urgente rever e redescobrir. Manuel Guimarães acolheu nos seus filmes influências e referências das mais variadas proveniências, da literatura à pintura e, no cinema, do expressionismo alemão ao realismo poético francês, do cinema soviético ao cinema clássico americano. Os seus filmes tocam, ainda, tanto a mensagem social como o musical escapista, o neorrealismo e o fantástico, o melodrama e a comédia, a penúria de meios técnicos de uma rodagem artesanal ou a grande produção comercial experimentando novas tecnologias como o CinemaScope, a cor e o 70mm.Nascido em 1915, em Vale Maior (Albergaria-a-Velha), estudou na Escola de Belas-Artes do Porto, mantendo ao longo de toda a vida uma ligação importante à pintura, às artes gráficas, à ilustração e ao caricaturismo. 


Foi assistente de realização de Manoel de Oliveira durante a rodagem de ANIKI-BOBÓ (1942) e, depois disso, trabalhou com António Lopes Ribeiro, João Moreira, Jorge Brum do Canto, Armando Miranda e Arthur Duarte. A sua primeira curta-metragem, O DESTERRADO, sobre o escultor Soares dos Reis, foi considerada o melhor documentário português de 1949 e chamou a atenção para o novo realizador. 


As primeiras longas-metragens – SALTIMBANCOS, NAZARÉ e VIDAS SEM RUMO (1951/52/56) – foram produzidas em condições financeiras e técnicas precárias, tendo sido extensamente mutiladas pela censura e dividido uma crítica polarizada que apenas conseguiu ver nelas um “equívoco neorrealista” ou outro “falso arranque” da desejada renovação do cinema português. Estes filmes foram, no entanto, as obras mais originais e mais arrojadas da década de cinquenta, obrigando a uma revisão urgente das interpretações que remetem esta época apenas a um período negro do cinema português ou a uma mera antecâmara da renovação do Cinema Novo na década seguinte. 


Endividado e muito desmoralizado com as reações negativas aos seus primeiros filmes e esgotado após o longo período de refilmagem de VIDAS SEM RUMO a que a censura o obrigara, Manuel Guimarães abandona temporariamente o cinema, vendo-se forçado a aceitar, em 1958, a realização de A COSTUREIRINHA DA SÉ, veículo de grande espetáculo para a estrela do nacional-cançonetismo Maria de Fátima Bravo. O filme foi arrasado pela crítica, insensível ao retrato de um país em mudança que ali também se representava, e Guimarães ganha a reputação de cineasta maldito. Anos depois, a sua carreira teria um momento de relançamento graças ao produtor António da Cunha Telles, para quem realiza O CRIME DE ALDEIA VELHA (1964), adaptação da peça homónima de Bernardo Santareno. Mas O TRIGO E O JOIO (1965), adaptação de Fernando Namora, é novamente mutilado pela censura e atacado pela crítica. 


Empurrado para a realização de curtas-metragens de encomenda, Manuel Guimarães dedicar-se-ia ao género com empenho, assinando para o SNI, a RTP e o produtor Ricardo Malheiro mais de uma dezena de documentários, entre os quais se destacam vários sobre o mundo da arte, como ANTÓNIO DUARTE, FERNANDO NAMORA, RESENDE (1969) ou CARTA A MESTRE DÓRDIO GOMES (1971); sobre o trabalho, como TAPETES DE VIANA DO CASTELO (1967), ou ainda TRÁFEGO E ESTIVA (1968), o primeiro filme em 70mm realizado em Portugal.  


Em 1972, a comédia LOTAÇÃO ESGOTADA voltaria a penalizá-lo aos olhos do público e, sobretudo, da crítica que o acusou de insistir num género desusado numa altura em que se estreavam obras emblemáticas do cinema moderno português como UMA ABELHA NA CHUVA e O PASSADO E O PRESENTE (1971). 


CÂNTICO FINAL (1975), último filme de Guimarães, adapta o romance homónimo de Vergílio Ferreira. Terminado pelo seu filho, Dórdio Guimarães, faz ressoar na vida do seu protagonista os últimos anos de Manuel Guimarães. Tocante reflexão biográfica, CÂNTICO FINAL é a súmula perfeita de uma vida norteada por um sentido ético inflexível e de uma obra desalinhada dos padrões críticos da sua época, mutilada pela censura e menosprezada pela história do cinema, mas sempre caracterizada por uma grande dignidade artística. 


A sessão de abertura, com SALTIMBANCOS, tem lugar na sala M. Félix Ribeiro, às 21h30 de 8 de junho (ver entrada respetiva).
Cinemateca - Programação

Judith


“Quando dizemos que os corpos importam, como acho que dizemos, estamos a afirmar o valor que os corpos têm”, diz Judith Butler, que começou Bodies That Matter de mapa na mão (destino: “materialidade do corpo”, como escreve na obra) e acabou a abri-lo mais e mais. E a redesenhá-lo.
“Os nossos corpos só importam no contexto de uma qualidade justa e equitativa”, propõe, à esquerda, em Lisboa, num “futuro político baseado em princípios fundamentais ou no que chamamos democracia radical”.
Judith Butler gosta de ajuntamentos. Ecoam no Maria Matos elementos do seu texto de 2011 Bodies in Alliance and the Politics of the Street, que vai de Hannah Arendt à Praça Tahrir. Valoriza os protestos, os corpos que se reúnem e transitam da invisibilidade, da vergonha, do medo ou da pura ausência de personalidade jurídica (o imigrante ou o trabalhador sem papéis, a pessoa transgénero que vive de uma forma e tem um documento com outra, por exemplo) para um local mais iluminado “como que para dizer ‘Nós, os invisíveis, existimos’”, evoca. Fala da violência policial sobre a comunidade gay na Rússia ou da transfobia na Turquia. Corpos que se deram às balas ou, como explica em inglês, eles que “put their bodies on the line”. 
“Continuemos a ser reactivos mesmo quando pareça que ficaremos assoberbados, mesmo quando pareça que não há esperança” perante as “condições em que a precariedade”, conceito que alargou com mãos de filósofa, “se torna mais e mais a norma”. Para Butler, a habitabilidade das “vidas incorporadas que somos e que merecemos ser”, exercendo a liberdade de género como qualquer outra, é um direito inquestionável.
Género, sexo e economia: “Somos todos potencialmente precários” - PÚBLICO

segunda-feira, junho 01, 2015

Expect More / David Lankes e os Novos Bibliotecários



Existem bibliotecas há milénios, mas hoje muitos poem em causa a sua necessidade. Num mundo ainda mais digital e conectado, ainda precisamos de lugares para livros nas nossas cidades, escolas, universidades? E se as bibliotecas não são sibre livros, são sobre o quê?
Lankes defende que as comunidades precisam de bibliotecas que vão além dos tijolos e do cimento, além dos livros e da literatura. Precisamos de esperar mais das nossas bibliotecas. Devem ser lugares de aprendizagem e promover as nossas comunicades em termos de privacidade, propriedade inteletual, e deenvolvimento (económico, social, político, cultural). Apela a que as comunidades se cheguem à frente na luta pelas suas expetativas, e lutem por grandes bibliotecas.
Depois do Atlas for a New Librarianship (2011), David Lankes publicou este título, à venda durante dois anos, e, finalmente, colocou-o em livre acesso, com diversos formatos (pdf, ibook, mobi,  , incluindo audiobook.
 Está prevista a publicação de um novo livro. Podem entrar no debate sobre este aqui









Expect More: Demanding Better Libraries For Today’s Complex World | R. David Lankes