terça-feira, maio 31, 2016

Portentoso incipit de Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar (Prémio Camões, 2016).

"Os olhos no teto, a nudez dentro do quarto; róseo, azul ou violáceo, o quarto é inviolável; o quarto é individual, é um mundo, quarto catedral, onde, nos intervalos da angústia, se colhe, de um áspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero, pois entre os objectos que o quarto consagra estão primeiro os objectos do corpo"

terça-feira, maio 24, 2016

“We designed our libraries for people, not books”

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4 espaços, para



  • Inspiração
  • Aprendizagem
  • Performance
  • Produção (making)


"CREATING MEANINGWhat the staff of Dokk1 learned after the new library opened is telling. An average of 4,000 people visit each day, many staying for hours, working and socializing. Others attend programs in meeting rooms and flexible spaces related to learning, community art, and self-expression. “If you build for people, people will come,” Østergård said. Dokk1 promotes open dialog between citizens and encourages the exchange of ideas.I can’t help but reflect on how this model would look in U.S. libraries. Consider those in your community, seeking answers to big or life questions. What answers could you provide not just with resources but with connections to other people, groups, or service agencies within the building or nearby? Partnerships, Østergård noted, are a cornerstone for keeping Dokk1’s vibrancy going.The seeds are there in many of the notable libraries we read about in these pages. I’d be most interested to see the concepts applied to the academic setting. What does the Four Space model look like in a university or school library? Performative spaces for students and teachers might lead to some interesting and unexpected learning."


Dream. Explore. Experiment. | Office Hours

Pop up: há livros que saltam na Biblioteca Nacional – Observador

thames tunnel peep show



Pop up: há livros que saltam na Biblioteca Nacional – Observador

Lisboa, até 9 de setembro


Histórias, quem as conta

segunda-feira, maio 23, 2016

Art poétique (Paul Verlaine) - Léo Ferré





(...) De la musique encore et toujours ! 
 Que ton vers soit la chose envolée
Qu'on sent qui fuit d'une âme en allée 
Vers d'autres cieux à d'autres amours.  
Que ton vers soit la bonne aventure 
Eparse au vent crispé du matin 
Qui va fleurant la menthe et le thym... 
Et tout le reste est littérature.





Trad. Filipe Jarro:

Música ainda, sem nenhuns temores! 
Seja o teu verso a coisa enlevada 
Fugindo assim da alma puxada 
Para outros céus e outros amores
Seja o teu verso a boa ventura 
Dispersa ao vento mordaz da manhã, 
Embalsamada em menta, hortelã... 
E tudo o resto é literatura.
Trad. Augusto Campos

 música ainda e eternamente! 
que teu verso seja o vôo alto  
que se desprende da alma no salto 
para outros céus e para outra mente. 
que teu verso seja a aventura 
esparsa ao árdego ar da manhã 
que enche de aroma ótimo e a hortelã... 
e todo o resto é literatura.
Trad. Guilherme de Almeida

 Música, sempre e cada vez mais! 
Seja o teu verso a cousa evolada 
Que vem a nós de uma alma exilada 
Em outros céus para outros ideais. 
Seja o teu verso a boa aventura 
Esparsa ao áspero ar da manhã, 
Que vai cheirando a giesta e hortelã… 
E tudo mais é literatura.

Tempo tempo tempo

Vide a "Canção de outono". E não é verdade?

segunda-feira, maio 09, 2016

Escuta

This Powerful Comic Shows the Struggle Curvy Women Go Through Every Day

This Powerful Comic Shows the Struggle Curvy Women Go Through Every Day



This Powerful Comic Shows the Struggle Curvy Women Go Through Every Day

Pela liberdade sem fronteiras


A ouvir, aqui

"Pelo silêncio na planície, pela tranquilidade em tua voz,
pelos teus olhos verdes estelares, pelo teu corpo líquido de
bruma,
pelo direito de seguir de mãos dadas na solidão nocturna
lutaremos meu Amor.
Pela infância que fomos, pelo jardim escondido que não teve
o nosso amor,
pelo pão que nos recusam, pela liberdade sem fronteiras, pelas manhãs de sol sem mácula de grades
lutaremos meu Amor.
Pela dádiva mútua da nossa carne mártir,
pela alegria em teu sorriso claro, pelo teu sonho imaterial,
pela cidade escravizada, pela doçura de um beijo à despedida
lutaremos meu Amor.

Pelos meninos tristes suburbanos
contra o peso da angústia contra o medo
contra a seta de fogo traiçoeira cravada
em nosso doce coração aberto
lutaremos meu Amor.

Na aparência sózinhos ... multidão na verdade
lutaremos meu Amor."

Daniel Filipe

domingo, maio 01, 2016

1º de Maio, 2016. Lutar e ler


Dizer Não

Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros.

Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.

Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de «elitismo», mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.

Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação.

Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo.

Diz NÃO à verdade que te pregam, se ela é a mentira com que te ilude o pregador. Porque a verdade tem a face do Sol e não há noite nenhuma que prevaleça enfim contra ela.

Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos.

Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenanmo-nos em gado sob o comando de um pastor.

Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fratricida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue.

Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal.

E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'