sexta-feira, junho 29, 2007

Isto é dois mil e sete? Really?

AVISO

NESTE BLOG NÃO
SE FAZ CROCHET
SE ESTUDA EM CIMA DAS MESAS
SE CRITICA MONSIEUR LE PRÉSIDENT, MR. PRESIDENT, SEÑOR PRESIDENTE, AMO

por supuesto presupuesto...



Humor (sentido de )
Ainda havemos de o ver à venda nas farmácias em unidoses com a recomendação
SE NÃO USAR TODAS ESTAS DOSES - DÊ AOS POBRES, QUE EMPRESTA AO ESPÍRITO SANTO!

Isto é um caso muito sério. Aliás, vários casos. E o tempo que nos faz perder em melindres de donzela, gasta-o este Governo à socapa em delitos de (isso mesmo que estais a pensar). Eficaz? E revelador.
Como se aplica o conceito de desobediência civil à gargalhada por ver um "superior hierárquico" perder completamente a compostura, ou seja, a noção do ridículo? Quem não consegue ver que a melhor maneira de aumentar as anedotas é proibir uma anedota?
Ora aí está: o que se pretende é aumentar desesperadamente a jocosidade nacional, em privado já se vê. À vista, tudo cinzentinho e conformado.
Depois contamina e há falta de inovação, criatividade, competitividade? Pois há, lá isso... riscos de privatizar exercícios de inteligência. Paciência! Não se pode ter tudo: para obediência, mesmo na inutilidade, sobretudo na inutilidade, a inteligência só atrapalha.
(agradecendo provocação ao Daniel)

quarta-feira, junho 27, 2007

Pobreza, riqueza e o que mais adiante se verá

A nossa riqueza provém da nossa disponibilidade em efectuarmos trocas culturais com os outros. (...)

Eu venho falar aqui de um diálogo muito particular de que poucas vezes se faz alusão. Refiro-me à nossa conversa com os nossos próprios fantasmas. O tempo trabalhou a nossa alma colectiva por via de três materiais: o passado, o presente e o futuro. Nenhum desses materiais parece estar feito para uso imediato. O passado foi mal embalado e chega-nos deformado, carregado de mitos e preconceitos. O presente vem vestido de roupa emprestada. E o futuro foi encomendado por interesses que nos são alheios.

Não digo nada de novo: o nosso país não é pobre mas foi empobrecido. A minha tese é que o empobrecimento de Moçambique não começa nas razões económicas. O maior empobrecimento provém da falta de ideias, da erosão da criatividade e da ausente interna de debate. Mais do que pobres tornamo-nos inférteis.

Mia Couto
in Economia- a fronteira da cultura (2003)

sábado, junho 23, 2007

Contas às contas


Essa vida é uma estranha hospedaria
De onde se parte quase sempre às tontas,
Pois nunca as nossas malas estão prontas,
E a nossa conta nunca está em dia.

Mário Quintana

Tênis x Frescobol


de Rubem Alves



Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\’ Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo…’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\’ não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma.’

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir… E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos…

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá…

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:
‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\’. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\’. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão… O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor… Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim…(O retorno e terno, p. 51.)

terça-feira, junho 19, 2007

gente escaldada


"Não é fácil ser-se recibo verde em Portugal!"

O FERVE dá conta: Fartos dE Recibos VErdes.
Fartos e fartas!

O estilo é cru, ao jeito de comunicados mecanografados, mas a Ideia é urgente, como quase sempre. Dei pela fervura depois do Mayday, dou por eles e por elas todos os dias de todos os meses de há anos demais.

sexta-feira, junho 15, 2007

Transcrito Com Vénia

ISTO É MEU

isto é belo
isto é arte
Isto é meu

FANTASMAS: Queremos ser vanguarda/queremos o novo/vamos destruir o velho/teatro é chato/a arte com 'a' maiúsculo é elitista/vamos acabar com isso/vamos fazer um manifesto/a arte morreu/a arte morreu de novo/quem é hegel?/brillo box? O que é brillo box?/vamos demolir tudo, mesmo o que a gente não conhece

OUTROS: E se abríssemos mão dos cânones? E se tentássemos esquecer que eles existem? Por que você quer o lugar do velho? O velho fala muito alto? Você se sente ofuscado? Você não consegue abrir um buraco novo no mundo? Que saco isso de ter que ser novo.

O CANDIDATO A CÂNONE: O "novo" é a nova "aura".

CORO: Os cânones são opressores. Não podemos conviver com eles. Esquece o cânone. Esquece.

MEU: Não dá. Eu amo os cânones. A questão é que eles não podem ficar lá, sentados nas suas poltronas imaginárias. Eles precisam ser perturbados, eles precisam continuar falando, mas podem dizer outras coisas. Então convidamos os cânones a sair das bibliotecas, dos museus, das europas, e trazemos um ou outro pra uma mesa de bar. Vamos embriagar os cânones. Vamos fazer perguntas as mais constrangedoras. Vamos tirar a calcinha do cânone. Não, não precisa tanto, se não for o caso. Vamos só deixar a porta aberta (aquela "porta teórica e que de porta mesmo só tem uma indicação sumária" como diria Nelson Rodrigues). E então você entra no reduto sagrado do cânone. Você está de pé, afinal de contas – dizem – nossos joelhos não se dobram mais. Você passeia entre os nomes nos seus singelos ou suntuosos pedestais. Você olha em volta num estado de dispersão atenta. Você está pescando cânones. Sua isca, uma minhoca qualquer, que é o que você tem, está suspensa por ali. Uma coleção de sensibilidades antigas - ou até novas porém validadas – canta seu canto sedutor. E lá está você, preso no mastro talvez, mas esperando/procurando o seu peixe grande. Alguns nomes parecem olhar para o próprio pedestal com total indiferença. Eles dizem: "você pode me ler se você quiser". Outros praticamente se impõem. É difícil escolher. Você ouve... "me pega"... "me olha"... "me resgata"... "me analisa"... "me desloca"... "me contempla"... "me estuda"... "me copia"... "me tira daqui"... "me ama"... "essa moldura tá me machucando"... "me sublinha"... "me digitaliza"... "me destrói"... "me traduz"... "me compra"... "me come"... hein?

ME COME.
Eu já ouvi isso antes.
Me come. - diz o cânone.
Posso mesmo? - você pergunta.
Você me devora e, assim, me decifra.

Você fica enorme. Depois muito pequena. E às vezes não acontece nada. Nossos joelhos se dobram sim, mas é pra colocar as mãos no chão. Porque elas estão muito limpinhas. E não dá pra pegar no canône com as mãos limpas. Você está de quatro pelo cânone. Você fica de quatro pro cânone. Você e o cânone têm agora uma grande intimidade. Você está comendo o cânone. Aliás, vários.

Eles são amigos, mesmo quando rivais, o diálogo entre eles é intenso e prolixo, cheios de silêncios de Pinter e de discursos de Osborne; de convenções e seus negativos; de jogos e linguagens; solilóquios precisos e limpos, manchados de Beckett e Ensor; internos de família e espaços outros, explodidos, extintos. Nem todos se calam como Joyce nos seus finais. Pactos se estendem do nórdico ao grande sertão do Brasil. Muita Europa. Muita Europa... Faustos todos, pagaram seus preços. Até dar tiro na cabeça um ou outro já deu. "Muito trabalho" eles dizem. "Muito trabalho". Tanto trabalho pra ficar aqui embalsamado, feito múmia. O mofo é o preço da aura?

"Tira minha aura."

E você vai tirando, devagar, a aura do seu cânone. Eu disse: "seu canône". E assim vamos, devorando cânones, mastigando cânones, engolindo e cuspindo cânones. Há quem saiba até mesmo vomitar cânone. Mas passou da minha goela, é meu. Isso ninguém pode negar. Enzimas digestivas são criaturas sem cerimônia. Mas tem também as enzimas cerebrais. Despudoradas enzimas cerebrais. Tradutoras inatas, traidoras também. Devoradoras de esfinges. Mas toda europa tem suas fronteiras. Pois a fala, a escrita... aí são outros quinhentos. A polícia federal da linguagem produtiva é cascuda. Muita censura. Muita censura... O cânone tem passe livre pra entrar pelos olhos, ouvidos, por todos os sentidos tem passaporte de cidadão europeu, mas na hora de botar o cânone pra fora, mastigado, digerido, transformado, "meu", na hora de fazer ele sair pela garganta, pelas mãos que dóem de tanto escrever, pelas pontas dos dedos de unhas curtas pra digitar melhor... aí ele é muçulmano, latino, boliviano nos Estados Unidos, pária. Porque no espaço público a aura se reconfigura imediatamente. Passou o efeito: fiquei pequena de novo.

"Isto é meu" é muito difícil de dizer. Minha isca, minha minhoca qualquer, minha moqueca de peixe grande... se é belo, não sei, se é arte, não sei. Mas se é meu (será que é meu mesmo? Não é uma adaptação? Um plágio? Um pastiche? Tenho que pôr nota de pé de página?) tem que ter seu lugar no mundo. Mas "vale tudo"? "Vale tudo" é uma armadilha pros trouxas. Não vale tudo não, Pedro Bó. Do nada nada vem. E tira o seu nada daqui. O seu "nada" não pode devorar o meu "meu".

Quem pode dizer isto é arte, quem pode dizer isto é belo? Quem se interessa? Talvez seja isso, é quem se interessa que pode dizer "isto é belo", "isto é arte", no seu interesse desinteressado; os inferiores superiores atentos iguais do professor Jacotot. Por puro afeto. Mas dizer com afeto "isto é meu" está muito, mas muito fora de moda mesmo. Experimenta. Diz: Oi. É, você, você mesmo que não me conhece, quero te dar uma coisa, você que me olha e não me vê, presta atenção em mim um instante, você que troca meu nome e some nas altas da madrugada, que nem conhece essa música do Djavan que eu acabei de citar, que está distraído aí, olha pra cá: toma; ISTO É MEU, ISTO É BELO E ISTO É ARTE, é puro afeto, agora é seu. Faz o que você quiser, mas faz alguma coisa: me pega, me olha, me resgata, me analisa, me desloca, me contempla, me estuda, me copia, (me tira daqui), me ama, (essa moldura tá me machucando), me sublinha, me digitaliza, me destrói, me traduz, me compra, me come.


Um beijo,
Daní
26 de maio de 2007

Perguntas em implosão


"As únicas respostas interessantes são aquelas que destroem as perguntas."
Susan Sontag
Mais: www.susansontag.com


domingo, junho 10, 2007

HonestIdade


“O segredo do êxito é a honestidade. Se puderes evitá-la, consegues lá chegar.”
Groucho Marx

com a devida vénia ao Corta-Fitas

sábado, junho 09, 2007

Ao alcance da mão ou dessacralizar a escrita

Escribir –esa tarea que parece un difícil arte pero que es más fácil de lo que creen si hay práctica y ganas- permite tener voz y ser visible es un mundo en el que unos pocos infelices se disputan la visibilidad para sentirse superiores. Y permite ser visibles y tener voz precisamente para decir las propias palabras, para gritar las propias opiniones, para proclamar que existimos a pesar de todo y de todos. Investigar y contar los resultados permite crear una nueva profesión, remodelarla de acuerdo a nuestras necesidades cotidianas.
Y construir teoría no es tan difícil. Ocurre que con la teoría podemos cambiar la práctica. Y hay muchos –muchísimos, como mi buen amigo el “gran editor”- que están muy contentos con el palacio de cristal del que son cortesanos, y no quieren que nada cambie
Civallero, 2007
e tem mais

simples coisas


Canción de las simples cosas
(César Isella - Gustavo Leguizamón)

Uno se despide insensiblemente de pequeñas cosas,
lo mismo que un árbol en tiempos de otoño muere por sus hojas.
Al fin la tristeza es la muerte lenta de las simples cosas,
esas cosas simples que quedan doliendo en el corazón.

Uno vuelve siempre a los viejos sitios en que amó la vida,
y entonces comprende como están de ausentes las cosas queridas.
Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.

Demórate aquí, en la luz mayor de este mediodía,
donde encontrarás con el pan al sol la mesa servida.
Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.

Demórate aquí... por eso muchacho...


A voz é de Mercedes Sosa

Poema de calcular

Eu por mim escrevi isto a pensar na Emília, que também não é como os outros.

Concursos para Titular, Precarização & Escolas


Dificilmente a arbitrariedade gera a qualidade, mas muitas vezes cimenta pequenos poderes.
Esperemos conseguir resistir, individual e colectivamente, à tentação de nos virarmos uns contra os outros, incluindo esquecendo os não professores que trabalham nas escolas. A precarização avança, para todos. Fora das escolas, dentro delas.
Já não tenho filhos em idade escolar, mas a vontade de emigrar acontece-me como a quem os tem, e mais seria se os tivesse (pois ELES teriam de usar esta escola).
Difícil mesmo é, combatendo estas medidas mais ou menos canhestras, não deixar de defender mudanças na Escola, que bem precisa, pois como tem estado também não basta mesmo - o que se vem aprendendo, e como, está longe do que precisamos que se aprenda, e dos processos que desenvolvem cidadãos que sejam incapazes de arbitrariedades e de as apoiar (mesmo que se apliquem só aos outros...).
Em cada sector, temos de continuar, ou começar, a escrever, a intervir, e de formas diversas, não apenas no forum sindical - mas também aí.
Por mim, convido-vos a MOBErem-se, como o estamos a fazer sobre as bibliotecas escolares. Como os blogs que provocaram este post, Professor Sem Quadro, e o Tuga, e tantos outros, são felizmente prova. De vida. Devida, se não aos nossos filhos, certamente aos nossos netos, e aos netos de todos.

Tem dias

Roda Viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá


Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

Chico Buarque (1967) e MP4

sexta-feira, junho 08, 2007

MOBE Era uma vez uma petição sobre as Bibliotecas Escolares











Talvez já saibam, ou talvez não.
As Bibliotecas Escolares são objecto de uma petição que está neste momento aberta em linha/on line.

Depois de algumas peripécias, ficou aqui http://www.abaixoassinado.org/webroot/abaixoassinados/55.
Aproveitei para colocar a história deste texto, e o próprio texto, num blogue, aberto a comentários em http://rbeplus.blogspot.com/
Peço imensa desculpa a toda a gente, e solicito a quem já subscreveu que repita a operação. Bem hajam pela compreensão e a paciência.
Divulguem, por favor

Vou tentar retirar o primeiro publicado online, que estava ilegível por causa do império da grafia anglo-saxónica. Bem hajam pela compreensão e a paciência.
Divulguem, por favor
Se quiserem comentar no blogue, tabém ajuda a fazer movimento. Uma espécie de MOBE...-- Movimento Biblioteca Escolar. Com vénia a Civallero, lá na remota Córdova argentina, e na foto a escutar.

It's possible you've already heard about, or perhaps not yet.
Portuguese School Libraries are object of a petition online, available, after some troubles (usual websites for these purposes are anglosaxonic, and our graphics are not readable, with all our ~ and ç, and ´`^^), on
http://www.abaixoassinado.org/webroot/abaixoassinados/55
Full story and more details,
http://rbeplus.blogspot.com/
Please, read, spread, comment. It would help to build a Movement, a kind of MOBE/SLM (Movement for Schhool Libraries). And a smile to
Civallero, who writes in his distant Cordoba (Argentina).
Thanks