quinta-feira, março 31, 2016

Entre os textos da memória: Visão, 31.03.2016, p.90


Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje: 
«Na sequência de uma excelente iniciativa levada a cabo por uma cadeira em 1968, um grupo de militares derrubou finalmente o Estado Novo a 25 de Abril de 1974. Usaram espingardas, chaimites e fragatas. Esta semana, um tribunal angolano condenou 17 jovens por planearem derrubar o governo. Quando foram capturados, os revoltosos estavam na pose do seguinte armamento de guerra: um livro.» 

Entre os textos da memória: Visão, 31.03.2016, p.90: .

quarta-feira, março 30, 2016

Utopia



Zeca Afonso: Utopia
Letra e música: Zeca Afonso

In:
"Como se fora seu filho", 1983

Cidade

Sem muros nem ameias

Gente
igual por dentro

Gente igual por fora

Onde a folha da
palma

afaga a cantaria

Cidade do homem

Não do lobo, mas
irmão

Capital da alegria



Braço que dormes

nos braços
do rio

Toma o fruto da terra

É teu a ti o deves

lança o
teu desafio



Homem que olhas nos olhos

que não negas

o
sorriso, a palavra forte e justa

Homem para quem

o nada disto
custa

Será que existe

lá para os lados do oriente

Este
rio, este rumo, esta gaivota

Que outro fumo deverei seguir

na
minha rota?

terça-feira, março 29, 2016

Hanane Kai - Syrian refugee illustration

Illustrating the memories of Syrian refugees


Hanane Kai, de origem libanesa, ganhou o Prémio Bologna Ragazzi em 2016. Visitem o seu site



Imagem daqui:

Hanane Kai - Syrian refugee illustration

Dia Internacional do livro infantil 2016



Dia Internacional do livro infantil 2016



​No dia 2 de abril comemora-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen. A partir de 1967, este dia passou a ser designado por Dia Internacional do Livro Infantil, chamando-se a atenção para a importância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância.





​Para assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil 2016, a DGLAB convidou o escritor e ilustrador Afonso Cruz, vencedor do Prémio Nacional de Ilustração do ano passado, para ser o autor da imagem do cartaz.

A mensagem do IBBY internacional, este ano da responsabilidade do Brasil, consta de um texto da escritora Luciana Sandroni e um cartaz do ilustrador Ziraldo. Pode ser encontrada em 

segunda-feira, março 28, 2016

The Rise of Lowsumerism (legendado)

É uma discussão interessante. Einstein dizia que não se pode resolver um problema com o mesmo modelo mental que o criou. Mas será que nesse caso a melhor forma de atacar o poder da publicidade tradicional de gerar um consumismo desenfreado é usando a mesmíssima linguagem, porém com a mensagem oposta?

sábado, março 26, 2016

Ao som de Lisboa - mais um Livro para escutar (Letra pequena)

 <span>Agora, somos assim</span>
É e não é um livro. Domingos Cruz, autor do texto e editor, prefere chamar-lhe “projecto”; Francisca Ramalho, a ilustradora, “objecto”. Ao Som de Lisboa junta palavras (em português e inglês), ilustrações e música (de Armando Teixeira; voz de Liliana Carvalho).


A história: Pedro está em Lisboa, com os headphones postos e por isso “ausente” dos sons da cidade. Vem uma sereia e rouba-lhe os headphones. O rapaz parte então à descoberta do que nunca tinha escutado. Vai ouvir uma voz doce que canta, um contrabaixo, uma guitarra, um xilofone. Ele e os leitores, que em cada página encontram um botão para premir e assim também ficarem a conhecer os sons da capital. Pelo caminho, Pedro conhece Rita, apaixona-se, mas perde-a de vista.


Não ficamos a saber se o rapaz recupera os headphones, mas fica-nos o desejo de que não, para que continue a desfrutar dos sons inesperados que a cidade revela “entre a luz e o mar”. Ficamos a saber, isso sim, que vai continuar à procura da Rita.

Os autores leram Ao Som de Lisboa em voz alta e nas duas línguas (português e inglês) no estúdio do PÚBLICO. Este é mais um vídeo integrado no projecto Livros para Escutar do blogue Letra peque

sexta-feira, março 25, 2016

Outro tipo de crítica (literária) : Virginia Wolf, visionária

 


How Should One Read a Book?

* A paper read at a school. 
(...) If this is so, if to read a book as it should be read calls for the rarest qualities of imagination, insight, and judgment, you may perhaps conclude that literature is a very complex art and that it is unlikely that we shall be able, even after a lifetime of reading, to make any valuable contribution to its criticism. 
We must remain readers; we shall not put on the further glory that belongs to those rare beings who are also critics. 
But still we have our responsibilities as readers and even our importance. The standards we raise and the judgments we pass steal into the air and become part of the atmosphere which writers breathe as they work. An influence is created which tells upon them even if it never finds its way into print. And that influence, if it were well instructed, vigorous and individual and sincere, might be of great value now when criticism is necessarily in abeyance; when books pass in review like the procession of animals in a shooting gallery, and the critic has only one second in which to load and aim and shoot and may well be pardoned if he mistakes rabbits for tigers, eagles for barndoor fowls, or misses altogether and wastes his shot upon some peaceful cow grazing in a further field. If behind the erratic gunfire of the press the author felt that there was another kind of criticism, the opinion of people reading for the love of reading, slowly and unprofessionally, and judging with great sympathy and yet with great severity, might this not improve the quality of his work? And if by our means books were to become stronger, richer, and more varied, that would be an end worth reaching.


The Common Reader, Second Series, by Virginia Woolf : chapter22

Open-Utopia

 
Thomas More’s Utopia is more than the story of a far-off land where
there is no private property. It is a text that instructs us how to approach
texts, be they literary or political, in an open manner: open to criticism,
open to participation, open to modification, and open to re-creation. I
have done my best with Open Utopia to convey this message and continue
the tradition. 
S. Duncombe, 2012 


Open-Utopia-fifth-poofs-facing-amended.pdf

Pásion: Rodrigo Leão-Cinema Ensemble-Celina da Piedade

sexta-feira, março 18, 2016

Bibliotecas: há quase 60 anos, parecia impossível, e não foi

 
"Em 1957, o serviço de Bibliotecas Itinerante da FCG efetuou um inquérito às câmaras municipais, pelo qual sessenta e cinco dos cento e cinquenta e seis municípios do continente, mostraram interesse na instalação de numa biblioteca municipal itinerante (Melo, 2004: 288). Ou seja, cerca de metade dos municípios inquiridos considerava útil e positivo o serviço de leitura prestado pela FCG.
Outro dos elementos que atesta o interesse pelas bibliotecas da rede Gulbenkian provém da adesão ao projeto do movimento associativo de carácter cultural, recreativo, social e religioso, nalguns casos. Entre 1959 e 1970 foram instaladas sete dezenas (70) de bibliotecas em sociedades filarmónicas, cine-clubes, grupos desportivos, bombeiros, estabelecimentos prisionais, hospitais e entidades religiosas. Em 1980, contavam-se cento e quinze postos de leitura, acomodados precisamente em associações culturais e recreativas, juntas de freguesia, empresas fabris, centros de assistência social (Melo, 2004: 288-289).
Por seu turno, nunca é demais salientar a recetividade das populações à iniciativa da FCG. A prova desta adesão está no facto de a rede Gulbenkian ter ampliado, em apenas dois anos, o sistema de Bibliotecas Itinerantes para a instalação de Bibliotecas Fixas, com vantagens significativas para a disponibilidade de bibliografia às populações."

A ler mais, na tese de doutoramento de Regedor (2014)

Microsoft Word - PhD _Volume I[1]-VF

quarta-feira, março 16, 2016

Utopia, 1516- Educação é fundamental



Os utopianos admiram-se de que seres razoáveis possam se deleitar com a luz incerta e duvidosa de uma pedra ou de uma pérola, quando têm os astros e o sol com que encher os olhos.Encaram como louco aquele que se acredita mais nobre e mais estimável só porque está coberto de uma lã mais fina, lã tirada das costas de um carneiro, e que foi usada primeiro por este animal. Admiram-se que o ouro, inútil por sua própria natureza, tenha adquirido um valor fictício tão considerável que seja muito mais estimado do que o homem; ainda que somente o homem lhe tenha dado este valor e dele se utilize, conforme seus caprichos.Espantam-se também que um rico, de inteligência de chumbo, estúpido como uma acha de lenha, tão tolo quanto imoral, mantenha em sua dependência uma multidão de homens sábios e virtuosos, apenas porque a sorte lhe deixou algumas pilhas de escudos. Mas, dizem, a fortuna pode traí-lo e a lei (que tanto quanto a sorte precipita freqüentemente o homem do pináculo ao lodo) pode arrancar-lhe o dinheiro, fazendo-o passar às mãos do mais ignóbil de seus lacaios. Então, este mesmo rico se sentirá feliz em passar também, na companhia de seu dinheiro, a serviço de seu antigo criado.Há uma outra loucura que os utopianos detestam ainda mais, e que dificilmente concebem, é a loucura dos que rendem homenagens quase divinas a um homem porque é rico, sem serem, entretanto, nem seus devedores nem seus súditos. Os insensatos sabem, não obstante, como é sórdida a avareza desses Cresos egoístas; sabem, perfeitamente, que nunca terão um vintém de todos os tesouros destes últimos. 
Nossos insulares adquirem semelhantes sentimentos, parte no estudo das letras, parte na educação que recebem no seio de uma república cujas instituições são formalmente opostas a todas as nossas espécies e gêneros de extravagância. É verdade que um número muito pequeno é dispensado dos trabalhos materiais, entregando-se exclusivamente à cultura do espírito. São, como já disse, aqueles que, desde a infância, demonstraram aptidões raras, um gênio penetrante, vocação científica. Mas nem por isso se deixa de dar uma educação liberal a todas as crianças; e a grande massa dos cidadãos - homens e mulheres - consagra, cada dia, seus momentos de repouso e liberdade aos trabalhos intelectuais. 
Os utopianos aprendem as ciências em sua própria língua, rica e harmoniosa, intérprete fiel do pensamento; ela é difundida, mais ou menos alterada, sobre uma grande extensão do globo.Antes de nossa chegada, os utopianos nunca tinham ouvido falar nesses filósofos tão famosos no nosso mundo; entretanto, fizeram as mesmas descobertas que nós, no terreno da música, da aritmética, da dialética, da geometria. Se igualam em quase tudo os nossos antigos, são bastante inferiores aos dialéticos modernos, porque ainda não inventaram nenhuma dessas regras sutis de restrição, amplificação, suposição, que se ensinam à juventude nas escolas de lógica. Ainda não aprofundaram as idéias segundas; e, quanto ao homem em geral, ou universal, segundo a gíria metafísica, este colosso, o maior dos gigantes, que nos mostram aqui, ninguém na Utopia pode ainda percebê-lo. Em compensação, conhecem de uma maneira precisa o curso dos astros e o movimento dos corpos celestes. Imaginaram máquinas que representam com grande exatidão os movimentos e as posições respectivas do sol e da lua e dos astros visíveis acima do seu horizonte. Quanto aos ódios e às amizades dos planetas e às demais imposturas de adivinhação pelo céu, nem mesmo em sonhos disso se ocupam. Sabem prever, por indícios confirmados por uma longa experiência, a chuva, o vento e as outras revoluções do ar. Fazem apenas conjecturas sobre as causas desses fenômenos, sobre o fluxo e o refluxo do mar, sobre a composição salina dessa imensa massa líqüida, a origem e a natureza do céu e do mundo. Seus sistemas coincidem em certos pontos com os dos nossos antigos filósofos; e em outros, se afastam. Mas, nas novas teorias que imaginaram, há dissidências entre eles, como entre nós. 
Em filosofia moral, agitam as mesmas questões que os nossos doutores. Procuram na alma do homem, no seu corpo e nos objetos exteriores, o que pode contribuir para sua felicidade; perguntam, procuram saber se o nome de Bem convém indiferentemente a todos os elementos da felicidade material e intelectual, ou só ao desenvolvimento das faculdades do espírito. Dissertam sobre a virtude e o prazer; mas a primeira e principal de suas controvérsias tem por fito determinar a condição única, ou as diversas condições da felicidade do homem. Talvez possais acusá-los de propender demais para o epicurismo, porque, se a volúpia não é, para eles, o único elemento da felicidade, é um dos mais essenciais. E, fato singular, invocam em apoio dessa moral voluptuosa a religião tão grave e severa, tão triste e rígida. Têm por princípio não discutir jamais sobre o bem e o mal, sem partir dos axiomas da religião e da filosofia; de outra maneira, temeriam raciocinar em bases falhas e edificar falsas teorias.
Thomas More, Utopia (1516). Pg.35. Tradução em português do Brasil. Texto integral em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000070.pdf


Lilia Schwarcz e Heloisa Starling (sobre Brasil) - Anabela Mota Ribeiro


BRASIL - UMA BIOGRAFIA

A entrevista (2015) faz pensar e abre o apetite para o livro (2015).
"Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling quiseram, não “contar uma história do Brasil, mas fazer do Brasil uma história”. Traçar uma biografia, destacar personagens que habitam uma casa grande (e não apenas os senhores), apontar datas fracturantes, movimentos subterrâneos, convulsões que mudam o mundo de lugar. Violência, mestiçagem, desigualdade, liberdade são alguns dos vocábulos centrais. “Brasil: uma Biografia” é um livro que nos permite olhar para o Brasil actual e perceber heranças, continuidades e rupturas."


Lilia Schwarcz e Heloisa Starling (sobre Brasil) - Anabela Mota Ribeiro

quinta-feira, março 10, 2016

quarta-feira, março 09, 2016

Perseverança





Sakena dá-nos muitas lições... e com um sentido de humor notável. 
No Afeganistão, fundou escolas em segredo garantindo o acesso à educação para raparigas e rapazes. 
Para tal, teve que ultrapassar todo um oceano de adversidades.
Perseverança

Picturebook Makers | Sooyoung Kim

As this is a picturebook without any words, I hope that the reader’s inner voice will be added. Because my way of storytelling can be difficult to understand, there have been readers who have needed to look at the book several times. If by reading the book multiple times, the images are seen properly and if it becomes possible for readers to think deeply, it is a delightful thing for me as the author.
In the future, I would like to throw out more questions to people, and make books that inspire them to think.






Picturebook Makers | Sooyoung Kim

terça-feira, março 08, 2016

Às que vieram antes de nós: histórias do Dia Internacional das Mulheres – Blog da Boitempo

A 'Lancashire lassie' being escorted through the palace yard, Westminster Palace, London, 20th March 1907. A young woman is reluctantly escorted by two policeman who are holding her by the arms. The woman is still protesting as she is led away. The last line of the verse at the bottom says 'For Women's Rights anything we will dare; Palace Yard, take me there!' (Photo by Museum of London/Heritage Images/Getty Images)


Entre 1911 e 1914, o Dia Internacional das Mulheres foi comemorado em datas diferentes do mês março. Apenas em 8 de março de 1917, com a deflagração da greve das tecelãs de São Petersburgo que impulsionou a Revolução Russa, esta data foi consagrada como o Dia Internacional das Mulheres. No entanto, organizações internacionais – como a ONU e a UNESCO – demoraram mais de 50 anos para reconhecer a data, e só o fizeram por pressão e insistência dos movimentos feministas.Relembrar os caminhos que levaram a instituição dessa data é um modo resistir. Hoje, é importante impedir que o conteúdo emancipatório desta data seja substituído por um significado edulcorante e conveniente ao sistema capitalista. O capitalismo não age sobre os movimentos emancipatórios unicamente com a intenção de eliminá-los: pretende sempre incorporá-los, esvaziá-los de significado e potência revolucionária para transformá-los em produto.De uma perspectiva histórica, fica evidente o sequestro de significado e o apagamento ostensivo da história do Dia Internacional das Mulheres. Um dia que, nas palavras de Alexandra Kollontai, deveria ser de “consciência política e de solidariedade internacional” (KOLLONTAI, 1982) vem se tornando uma data comercial em que o mercado ‘celebra’ estereótipos de gênero que determinaram e limitaram a vida das mulheres.É preciso escavar os escombros que parecem se fechar sobre a história das mulheres que lutaram pelo dia 8 de março, impedir tentativas de apagamento de seus rastros e de seus nomes. Retomar o significado político da história do Dia Internacional das Mulheres é uma importante ferramenta contra as fogueiras materiais e simbólicas que continuam acesas.


Às que vieram antes de nós: histórias do Dia Internacional das Mulheres – Blog da Boitempo

Quando eu for grande (carta aos meus netos) - José Mário Branco e Gamboz...


Quando eu for grande quero ser
uma pedra no asfalto
o que lá estou a fazer 
só se nota quando falto

segunda-feira, março 07, 2016

Maria de Sousa - um mestre tem mestres, e muitas perguntas, sempre

 Maria de Sousa, 2014 
Abel Salazar foi médico, investigador, professor, pintor. Figura ilustre que dá nome ao instituto onde leccionou. No livro Meu Dito Meu Escrito chama-lhe “o grande desarrumador”. Quem é que a desarrumou a si?
Aonde?


Na cabeça. No projecto de vida.



Jorge da Silva Horta, professor de Anatomia Patológica. O modo como ele ensinava. Fazíamos leitura de relatórios de autópsia, e, ao mesmo tempo, sabíamos a opinião que os clínicos tinham desses pacientes em vida. Grandes e famosos clínicos. Viam o doente, achavam que o doente tinha uma coisa, depois fazia-se a autópsia e não era nada daquilo. Os resultados da autópsia eram uma forma extraordinária de aprender que, de facto, não se sabe. O que me vai impressionar sempre é o que não se sabe. Foi a primeira desarrumação.
Depois, quem desarrumou mesmo, foi um homem chamado David Ferreira, que era de um grupo que ia constituir o IGC (Instituto Gulbenkian Ciência). Recrutaram alunos de Medicina para fazer investigação, muito cedo.


Cita amiúde Garcia de Orta. É dele “a primeira grande obra de investigação médica portuguesa publicada na segunda metade do século XVI”, diz no livro. Judeu, destacou-se também na botânica e farmacologia, morreu em Goa. O que cita dele: “O que sabemos é a mais pequena parte do que ignoramos”.



Ouça, século XVI! Como é possível que haja quem não saiba quem ele é? Pessoas civilizadíssimas. Os chauffeurs de táxi dizem: “Deve ter sido importante, porque há um hospital com o nome dele, uma rua, uma escola”.


Outra constante: as histórias de criança que conta. Como se esse imaginário infantil e esse espanto – expressão que usa muito – fosse um reduto a que está sempre pronta a regressar.



Não é um reduto. Está a falar com uma cientista. Se um cientista perde essa capacidade de se espantar, de se fascinar... Não sei onde está a criança em si... Já morreu?


Maria de Sousa - Anabela Mota Ribeiro

Uma mensagem para o livro infantil - Conta uma história

53f97b6ebd

Para 2016, a mensagem com o tema “Era uma vez…” tem a escritora Luciana Sandroni responsável pelo texto e Ziraldo como autor da ilustração do pôster. Como tradição, a FNLIJ divulga no seu site a mensagem do Dia Internacional da Criança, que nesta edição do seu periódico Notícias, conta com estas informações que estão divulgando aqui e ainda com um suplemento especial apresentando a mensagem de 2016 de Luciana Sandroni e Ziraldo.
A mensagem “Era uma vez”…
“Era uma vez uma…
Princesa? Não.
Era uma vez uma biblioteca.
E também era uma vez a Luísa que foi à biblioteca pela primeira vez.
A menina andava devagar, puxando uma mochila de rodinhas enoooorme.
Ela olhava tudo muito admirada:
Estantes e mais estantes recheadas de livros.
Mesas, cadeiras, almofadas coloridas, desenhos e cartazes nas paredes.
– Eu trouxe a foto – disse timidamente para a bibliotecária.
– Ótimo, Luísa! Vou fazer sua carteira de sócia.
Enquanto isso pode escolher o livro.
Você pode escolher um livro para levar para casa, tá?
– Só um?! – perguntou desapontada.
De repente, tocou o telefone e a bibliotecária deixou a menina
com aquela difícil tarefa de escolher somente um livro
diante daquela infinidade de estantes.
Luísa puxou a mochila e procurou, procurou até que achou o seu favorito:
Branca de Neve.
Era uma edição de capa dura, com lindas ilustrações.
Com o livro na mão, puxou a mochila novamente
e, quando já saía, alguém bateu no seu ombro.
A menina se virou e quase caiu para trás de susto:
era nada mais, nada menos que o Gato de Botas
com o livro dele nas mãos, quer dizer, nas patas!
– Bom dia! Como vai sua tia? – brincou o gato fazendo uma reverência:
Luísa, você já não está careca de saber essas histórias de princesas?
Por que não leva o meu livro, O Gato de Botas, que é bem mais divertido?
Luísa, admiradíssima, com os olhos arregalados, não sabia o que dizer.
– O que houve? O gato comeu a sua língua? – brincou.
– Você é o Gato de Botas de verdade?!
– Eu mesmo! Em pelo e osso! Pois, então, me leve para a sua casa
e você saberá tudo sobre a minha história e a do Marquês de Carabás.
A menina, de tão perplexa, só fez que sim com a cabeça.
O Gato de Botas, num passe de mágica, voltou para o livro,
e, quando a Luísa já saía, alguém bateu no seu ombro de novo.
Era ela: “branca como a neve, corada como o sangue e de cabelos negros como ébano”.
Já sabem quem é?
– Branca de Neve!? – disse Luísa completamente abobada.
– Luísa, me leva com você também.
Essa edição – disse mostrando o próprio livro – é uma adaptação fiel do conto dos irmãos Grimm.
Quando a menina ia trocar de livro de novo,
o Gato de Botas apareceu muito irritado:
– Branca, a Luísa já se decidiu. Volte lá para os seus seis anões.
– São sete! E ela não se decidiu coisa nenhuma! – se irritou a Branca ficando bem vermelha de raiva.
Os dois encararam a menina esperando uma resposta:
– Eu não sei qual levar. Eu queria levar todos…
De repente, de repente, aconteceu a coisa mais extraordinária:
os personagens todos foram saindo dos seus livros:
a Cinderela, a Chapeuzinho Vermelho, a Bela Adormecida, a Rapunzel.
Era um time de verdadeiras princesas:
– Luísa, me leva para a sua casa! – suplicavam todas.
– Eu só preciso de uma cama para dormir um pouquinho– disse a Bela bocejando.
– Só cem anos, coisa pouca – ironizou o Gato.
– Posso fazer a faxina na sua casa, mas à noite eu tenho uma festa no castelo do…
– Príncipe! – gritaram todos.
– Na minha cesta eu tenho bolo e vinho. Alguém quer? – ofereceu a Chapeuzinho.
Depois surgiram mais personagens: o Patinho Feio, a Pequena vendedora de Fósforos, o Soldadinho de Chumbo e a Bailarina:
– Luísa, podemos ir com você?
Somos personagens do Andersen – pediu o Patinho Feio, que nem era assim tão feio.
– A sua casa é quentinha? Perguntou a menina dos fósforos.
– Ihhh, se tiver lareira é melhor a gente ficar por aqui… – comentou o Soldadinho com a Bailarina.
Só que, subitamente, surgiu um lobo bem peludo, enorme,
com os dentes afiados, bem ali na frente de todos:
– O Lobo Mau!!!!!
– Lobo, por que essa boca tão grande? – perguntou a Chapeuzinho por força do hábito.
Eu protejo vocês! – disse o soldadinho muito corajoso.
Foi então, que o Lobo abriu a maior bocarra e…
Comeu todo mundo? Não.
Só bocejou de sono e depois disse muito tranquilo:
– Calma, pessoal. Eu só queria dar uma ideia.
A Luísa leva o livro da Branca de Neve e nós podemos ir dentro da mochila, que é bem grande.
Todos acharam a ideia muito boa:
– Podemos, Luísa? – perguntou a Menina dos Fósforos que tremia de frio.
– Tudo bem! – disse abrindo a mochila.
Os personagens fizeram uma fila e foram entrando:
– Primeiro as princesas! – reivindicou a Cinderela.
Na última hora, os personagens brasileiros também apareceram:
o Saci, o Caipora, uma boneca de pano muito tagarela,
um menino muito maluquinho,
uma menina com uma bolsa amarela,
outra com a foto da bisavó colada no corpo, um reizinho mandão.
Todos entraram.
A mochila estava mais pesada que nunca.
Como os personagens pesam!
Luisa pegou o livro da Branca e a bibliotecária anotou tudo no fichário.
Mais tarde, a menina entrou em casa na maior alegria, e, a mãe gritou lá de dentro:
– Chegou, filha?
– Chegamos!”


Uma mensagem para o livro infantil - Conta uma história

domingo, março 06, 2016

O futuro depende das bibliotecas, da leitura e de sonhar acordados

 Neil Gaiman
Tenemos la obligación de hacer cosas bonitas. De no dejar el mundo tan feo como nos lo encontramos, de no vaciar los océanos, de no dejar nuestros problemas para la próxima generación. Tenemos la obligación de dejar las cosas limpias y ordenadas a nuestro paso, y de no dejarles a nuestros hijos un mundo estropeado, sin apenas progreso y paralizado por nuestra estrechez de miras.
Tenemos la obligación de decirle a nuestros políticos lo que queremos, de votar en contra de políticos de cualquier partido que no entiendan el valor de la lectura para crear ciudadanos que valgan la pena, de políticos que no quieran actuar para preservar y proteger el conocimiento y fomentar la alfabetización. No es cuestión de partidos políticos. Es una cuestión de humanidad.
Una vez le preguntaron a Albert Einstein sobre qué podíamos hacer para que nuestro hijos fueran inteligentes. Su respuesta fue tan simple como sabia: “Si quieren que sus hijos sean inteligentes”, dijo, “léanles cuentos de hadas. Si quieren que sean más inteligentes, léanles más cuentos de hadas.” Él comprendió el valor de la lectura y de imaginar. Espero que podamos darle a nuestros hijos un mundo en el que puedan leer y ser leídos, en el que puedan imaginar y comprender.”
Transcripción de la conferencia ofrecida por el escritor de ficción Neil Gaiman para la Reading Agency, el 14 de octubre de 2013, en el Barbican de Londres


"Por qué nuestro futuro depende de las bibliotecas, de la lectura y de soñar despiertos." | Fundación Asimov

sábado, março 05, 2016

O conceito fundamental não é a confiança mas a confiabilidade

 
O que estamos a pensar fazer sobre a perda de confiança nos serviços financeiros? E foi uma retirada de confiança justa, eles perderam a nossa confiança porque não eram dignos de ser confiáveis
Uma das razões por que penso que a confiabilidade e a nossa resposta à confiabilidade é muito importante é por ser relacional: não se pode pensar numa relação sem pensar em dois lados — por isso quero pensar na confiabilidade antes de pensar na confiança. 


O conceito fundamental não é a confiança mas a confiabilidade - PÚBLICO

O conceito fundamental não é a confiança mas a confiabilidade

 
O que estamos a pensar fazer sobre a perda de confiança nos serviços financeiros? E foi uma retirada de confiança justa, eles perderam a nossa confiança porque não eram dignos de ser confiáveis
Uma das razões por que penso que a confiabilidade e a nossa resposta à confiabilidade é muito importante é por ser relacional: não se pode pensar numa relação sem pensar em dois lados — por isso quero pensar na confiabilidade antes de pensar na confiança. 


O conceito fundamental não é a confiança mas a confiabilidade - PÚBLICO