segunda-feira, abril 30, 2018

BIBLIODIVERSIDADE, PRECISA-SE

Na guerra contra a ignorância a leitura é a melhor arma!... Frase de Eduardo Tominaga.


A ignorância sai caríssima. E semeia-se.

E combate-se.

Os primeiros subscritores desta Carta (18 de Abril de 2018) são 
  • José Antunes Ribeiro (editor-livreiro na Espaço Ulmeiro Associação Cultural, ex-fundador da Assírio & Alvim e da Ulmeiro)
  • Assírio Bacelar (editor na Nova Vega, ex-fundador da Assírio & Alvim)
  • Daniel Melo (historiador, investigador em política cultural e história do livro e da leitura).
Sou a 57ª. 

Soube da petição pelo Facebook. O digital não é desculpa para não aderir a esta Carta, antes pelo contrário. Vale a pena antes de mais ler o que aqui se escreve, pensar no que nela se destaca e se propõe. Reparar melhor no que se passa à nossa volta, pensar no que nela se diz e se avança. E depois agir.
1.2. O desinvestimento na leitura pública como ameaça ao desenvolvimento cultural Uma política do livro democrática e sustentável tem necessariamente que se articular com uma política da leitura. A sustentabilidade impõe que se promova diariamente a diversidade cultural, para atenuar efeitos nefastos advindos da concentração e homogeneização. A diversidade cultural tornou-se uma prioridade consagrada em inúmeros documentos internacionais desde os anos 1970, da UNESCO [1] ao Conselho da Europa e à comunidade ibero-americana.
Nas últimas décadas, tem-se verificado a nível planetário que a redução da diversidade no sector do livro corrói o pluralismo de pontos de vista, experiências e criações, enfraquece o debate público e a experiência humana, debilita a capacidade emancipatória dos cidadãos e das suas comunidades. Como antídoto impôs-se a ideia da bibliodiversidade, que surgiu nos anos 1990, e a qual necessita da articulação entre políticas do livro e da leitura, e entre Estados e sociedades civis organizadas.
Mas não basta abraçar ideias, impõe-se dar-lhes conteúdo prático, na aplicação das políticas públicas nos vários níveis do Estado, envolvendo e responsabilizando os cidadãos e suas organizações. 
Em Portugal, um dos pilares duma política integrada do livro e da leitura têm sido as bibliotecas públicas municipais. Ora, estas atravessam uma crise grave que urge solucionar. A crise liga-se a severas restrições orçamentais mas é, acima de tudo, um problema programático. Que fins se pretendem atingir? Que resultados se têm atingido? Que meios se devem mobilizar?
Desde logo, em muitas bibliotecas não têm sido devidamente acautelados os seus fundos bibliográficos. As novidades tardam, e parte do atraso deve-se a ainda não ser sistemática a “catalogação na fonte” dos livros, o que evitaria a duplicação de trabalho e impõe um urgente reforço de meios específicos. Diversas juntas de freguesia e municípios deixaram de investir na actualização consistente da oferta de livros nas suas bibliotecas. O investimento parece ter sido desviado para o livro escolar, o que esvazia as bibliotecas locais. Além disso, há bibliotecas municipais que têm fundos preciosos de livros de autores portugueses dos séculos XIX e XX que estão em depósitos distantes, sob o pretexto de que estas bibliotecas só devem disponibilizar livros novos, quando o que devem é assegurar uma oferta o mais generalista possível, incluindo quanto a autores e edições mais recuadas. As reedições que se vão fazendo não cobrem tudo, há que atender públicos diversificados (incluindo os que necessitam de pesquisar, cada vez mais um requisito do próprio ensino, básico e superior), e nem todas as obras relevantes podem ser contempladas no orçamento bibliotecário.
Outro problema grave prende-se com o incumprimento da missão integral por estas bibliotecas, a que estão obrigadas dado o lugar central que detém nas respectivas comunidades, enquanto pólos culturais e educativos.
Como sustenta o Conselho da Europa desde 1970, a cultura não é somente bens de consumo, mas sobretudo um espaço no qual os cidadãos podem formar a sua própria cultura, posição que foi reiterada por resolução da 1.ª Conferência de Ministros Europeus responsáveis pelos Assuntos Culturais, em 1976.
Por isso, torna-se imperioso inverter o profundo desinvestimento em actividades culturais promotoras do livro e da leitura, da hora do conto à declamação de poesia e às oficinas artísticas. São estas e outras iniciativas afins que colocam em interacção os cidadãos com actores sociais e culturais diversos, permitindo e suportando a criação, a difusão e o pluralismo culturais, mas também a integração e coesão socioculturais. Para tal efeito, é crucial dotar estas iniciativas de recursos próprios, para acabar de vez com o mau hábito de se considerar que o trabalhador intelectual e artístico deve intervir nestes espaços a título gracioso. Só assim será possível respeitar a sua dignidade profissional e reforçar as vias de produção, participação e circulação culturais e de integração sociocomunitária. E só assim também se porá cobro ao financiamento de actividades culturais pelos próprios funcionários das bibliotecas (em dinheiro para materiais, em combustível para deslocações, em horas extraordinárias não pagas, etc.), um abuso do seu espírito de missão que tem ocorrido em várias bibliotecas municipais. O bom investimento em equipamentos promotores da literacia digital não deve comprometer o resto.
Por fim, estes espaços podem e devem dar um maior contributo para a coesão territorial, o que só se consegue com a sua mais eficiente distribuição territorial. Em primeiro lugar, o projecto de uma rede de bibliotecas públicas cobrindo todo o território está por concluir e marca passo, volvidos 31 anos (209 bibliotecas activas, para 308 municípios, ou c. 2/3), com o Estado central alheado do seu programa de cofinanciamento de bibliotecas municipais. Por outro lado, em muitos concelhos uma só biblioteca fixa não chega a todas as populações, pelo que se impõe que o pivot central estimule (e seja parceiro) do lançamento de bibliotecas itinerantes junto dos municípios interessados, o que tem descurado. Para ambos os programas deve procurar-se financiamento junto da União Europeia e doutro tipo de organizações com empenho neste sector. 
CARTA ABERTA PARA SAIR DA CRISE NO SECTOR DO LIVRO E DA LEITURA : Petição Pública

domingo, abril 29, 2018

O Museu das (minhas) Descobertas

Bairro Padre Cruz, Lisboa (Foto: Maria Vlachou)

Para o Museu das Descobertas ser um museu relevante no século XXI deve ser sobretudo, no meu entender, um museu de história social, que receberá contributos de várias outras áreas (história da expansão, história marítima, história militar, com objectos relacionados com estas áreas e ainda de criação contemporânea) e que terá que se preocupar também com o “contemporary collecting” (as minhas desculpas pelo uso do termo inglês). Que tipo de objectos serão estes, de onde virão, não sei dizer, haverá pessoas muito mais habilitadas do que eu para responder a isto. Sei que esta é uma história que se inicia no século XV, cujas consequências, boas e más, chegam aos nossos dias. É o presente e o futuro que se deve debater, olhando para o que foi o passado. É o presente e o futuro que se deve discutir com todos os que se sentem tocados pela história e pela actualidade.
Isto deve reflectir-se também nas experiências, memórias, conhecimentos, origens, género e cor de pele dos membros da equipa que se vai constituir. 
Maria Vlachou 

MUSING ON CULTURE: O Museu das (minhas) Descobertas

As falsas “provas” da TVI sobre o incêndio da Mata Nacional de Leiria – Observador

 
Obviamente, desconhecemos quem terá dado origem ao incêndio na Mata Nacional de Leiria e quais as suas motivações e não é nosso objetivo apresentar hipóteses alternativas à da jornalista Ana Leal. O que pretendemos mostrar é que a reportagem erra repetidamente na interpretação da evidência, distorcendo-a no sentido de concluir aquilo que, na realidade, já era pressuposto do trabalho e não apresenta provas capazes de suportar as afirmações que faz quanto ao incêndio de 15 de Outubro.


As falsas “provas” da TVI sobre o incêndio da Mata Nacional de Leiria – Observador

quinta-feira, abril 26, 2018

Evocar, mas tratá-las só pelo primeiro nome

25 de Abril de 1975: uma imensa fila de pessoas aguarda o momento de votar no exterior do edifício da Reitoria da Universidade de Lisboa ARQUIVO A CAPITAL 
(...) evocamos os nomes das 21 mulheres que responderam à chamada dos deputados na sessão inaugural da Constituinte: Maria José, Raquel, Etelvina, Maria Helena [Santos], Carmelinda, Fernanda [Paulo], Teresa, Rosa [Rainho], Sophia, Emília, Laura, Assunção, Élia, Augusta, Amélia, Nívea, Helena [Roseta], Fernanda [Patrício], Georgette, Hermenegilda, Alda.


Manuela Goucha Soares faz um bom artigo. É positivo conhecer a nossa História, e pensar sobre ela. Para além dos nomes - sem apelido, como nas chamadas dos call-centers: está, é a Dona Maria? - e das histórias de cada uma, é interessante ler as propostas que estas mulheres eleitas fizeram, nos trabalhos árduos da Constituinte.



Expresso | Amélia esteve na Constituinte. Ela e mais vinte deputadas

segunda-feira, abril 23, 2018

Literacia em Saúde em Portugal - um debate político e educacional

saude em portugal-02



Pela nossa e vossa Saúde, atentemos ao que se passa neste dias em Portugal e alimentemos o debate.

O combate pela Literacia é fundamental para a democracia. Neste  caso, a literacia em saúde terá de incluir a consciência do peso das decisões públicas - políticas de saúde - no corpo e na vida de cada um de nós, e dos que amamos.


 um livro recente que talvez tenha interesse, da Gulbenkian que mostra que, tendo existido progressos (as gerações mais novas, antes dos 40 anos, revelam níveis menos baixos de literacia em saúde - ver gráfico da p. 12), há muito a fazer nesta matéria em Portugal.

Realmente, é um paradigma novo na educação para a saúde, na escola, mas não só, estratégia educativa ao longo da vida, mobilizando meios formais (escolares, incluindo universidade) e informais - incluindo a chamada "praça pública", presencial e a distância. Educação trans-disciplinar, evidentemente. Pese isto o que pesar às taxonomias académicas - e / ou corporativas - conservadoras.


Literacia em Saúde em Portugal - Fundação Calouste Gulbenkian

Curso de Cultura Geral (II) - Episódio 13 - RTP Play - RTP

Resultado de imagem para curso cultura geral

Ouvir bem conversar, por bem pensar - Sobrinho Simões, Teresa Salema Levy, Teresa Calçada.

Pela mão e a atenção de Anabela Mota Ribeiro.

O último programa da segunda série. Uma delícia, quase uma hora, boa.

Se nunca viu, pode começar por este, graças ao arquivo digital. Uma espécie de livro.

Curso de Cultura Geral (II) - Episódio 13 - RTP Play - RTP

domingo, abril 22, 2018

Recuperar palavras, e força - contra os riscos da hegemonia medianocrática





Alain Deneault é um filósofo francês, e alerta: 

A medianocracia não nos leva também ao enfraquecimento do discurso político?


Sem surpresa, é o meio, o centro, o médio que dominam o pensamento político. As diferenças entre os discursos de uns e de outros são mínimas, os símbolos, mais que os fundamentos, divergem, numa aparência de discórdia. As "medidas equilibradas", o "meio virtuoso" ou o " compromisso" são erigidos em noções fétiches. É a ordem política do extremo centro cuja posição corresponde menos a um ponto no eixo esquerda-direita que ao desaparecimento deste eixo em proveito duma única abordagem e duma única lógica. Sem surpresa, é o meio, o centro, a mediania que dominam o pensamento político.



Neste contexto medíocre, reina o combinado. Os governantes fazem-se eleger segundo uma linha política e aplicam uma outra, depois de eleitos; os eleitores aproveitam eleições municipais para protestar contra a política nacional, votam Frente nacional [em França] para exprimir a sua cólera, os media favorecem estas derrapagens quando só se interessam pelas estratégias dos actores. Não há qualquer visão de futuro, todo o jogo político é de vistas curtas, no bricolage permanente. 


Como resistir à medianocracia?



Resistir ao banquete para onde nos convidam, às pequenas tentações pelas quais ireis entrar no jogo. Dizer não. Não, não vou ocupar esse cargo, não, não aceitarei essa promoção, renuncio a essa vantagem ou a esse reconhecimento, porque estão envenenados. Resistir, nesse sentido, é uma ascese, e não é fácil.
Voltar à cultura e às referências intelectuais é igualmente uma necessidade. Se nos empenharmos em ler, pensar, afirmar o valor de conceitos hoje varridos como se fossem insignificantes, e reinjectarmos sentido onde ele já não existe, ou se tornou residual, avançamos politicamente. Não é por acaso que a própria linguagem está hoje sob ataques. Vamos restabelecê-la.
Para ler mais devagar:

Gouvernance, le management totalitaire / Alain Deneault, éd. Lux (2013)
La Médiocratie / Alain Deneault, éd. Lux (2015)
En politique comme dans les entreprises, “les médiocres ont pris le pouvoir”

quinta-feira, abril 19, 2018

segunda-feira, abril 16, 2018

Robert Ingpen

How the Alphabet was Made by Robert Ingpen
Como foi feito o alfabeto / How the Alphabet was Made

Um grande ilustrador australiano. Esta imagem acompanha um conto com o mesmo título no clássico do Rudyard Kipling, Just So Stories.

Website: http://robertingpen.com/about/

Uma obra dele publicada em português: Religiões do mundo



Wonderlands: the whimsical worlds of Robert Ingpen – in pictures

sexta-feira, abril 06, 2018

Desculpe incomodar, estou só a cumprir a Constituição | P3



PAULO PIMENTA

Crónica

Desculpe incomodar, estou só a cumprir a Constituição

Parece que é sempre o dinheiro, não é? A actual contestação ao modelo de apoio às artes não é apenas sobre o dinheiro. É sobre a dignidade. Sobre a dignidade de pensares num projecto artístico. De poderes fazer contratos de trabalho. E também é sobre luta


Sara Barros Leitão

2018



É sobre a dignidade de teres um seguro de acidentes de trabalho. É sobre a dignidade de teres uma secção de cultura num jornal. É sobre a dignidade ter um Ministério, um ministro. É sobre a dignidade de poderes fazer o teatro de amanhã, e não o de hoje, e desse teatro de amanhã não resultar e de estar tudo bem. É sobre a dignidade de estares aqui há muito tempo e sobre a dignidade de teres acabado de chegar. É sobre a dignidade de aprendermos juntos. É sobre a importância da diversidade para te lembrar que vivemos numa democracia.

Vale mesmo a pena ler tudo, aqui http://p3.publico.pt/cultura/palcos/25846/desculpe-incomodar-estou-so-cumprir-constituicao#.WsZO7fYVL70.facebook

quarta-feira, abril 04, 2018

Porta mágica



"PORTA DE PAPEL 
Mariana estava fora de si:
- A imbecil! Isso mesmo: imbecil. É o que ela é. Pode dizer pra ela. Não faz a mínima diferença, que se ela vier pra cima de mim eu recebo de murro na cara. Murro. Na cara. Que a cara dela vai ficar inda mais torta. Pode fofocar, que eu nem estou aí. A burra! Burrona, burríssima, burralda! Mentirosa, é?
Fanfa, a Intrigante, não entendeu direito:
- Como é mesmo?
Mariana faliu pausadamente separando as sílabas:
- Mentirosa é a comadre da madrinha dela! Entendeste agora? Se não entendeste, fala, que eu parto tua cabeça em duas como quem divide uma melancia e cuspo dentro. Vai, vai correndo, vai e diz a ela, mas diz direito, diz como eu disse, repete palavra por palavra que tenho aqui duas testemunhas: o Tripa-de-Boi e a Duda. O Tripa-de-Boi não falta jamais à verdade. E a Duda é essa flor aí, pedra noventa, gente muito fina. É. Vai, Falsália, que eu sei muito bem que tu só estás espionando para contar do outro lado. Espiã! Espiã que não sabe nem bisbilhotar, que a gente vê logo a gatina escondida com o rabão de fora. Reage, mulher. Tu não falas nada, não dizes nada, tu não te defendes, tu és essa água morna aí.
- Mariana...
Mariana sabia arremedar, entortava a boca, ficava com ar de debilóide:
- "Mariana"... "Mariana"... É só o que tu dizes, é? Fala. Reage, mostra que tu tens sangue nas veias e não água mineral. Não dizes nada, nunca dizes nada, estás gravando tudo-tudo para contar de joelhos diante da patroazinha. Santarrona de pau oco, sonsa, pau de dois bicos é tudo isso e muito mais o que tués. Olha, Fanfa Fals´lia, vai ver se eu estou ali na esquina. Mas vai correndo, se não eu sou capaz de sumir e tu não me encontrares. Corre. Depressa, que se tu demoras muito eu não te espero. Se tu chegares e eu não estiver, me espera que não demoro. Vai. Vai. Tchauzinho, Fanfazinha Falsaliazinha.
Tripa-de-Boi por pouco não estoura uma gargalhada. Duda não gostava dessas presepadas da Mariana. Rir, não ria. Nem sorria. Mas Tripa-de-Boi sabia cortejar:
- Tu és de morte, Mariana. A pobre da Fanfa saiu que nem um foguete. Como é que pode, Mariana? Ela parece que tem medo de ti. Tu, eu acho que nasceste pra deputado, sei lá!, pra líder, pra general. Olha, minha querida, eu te quero para amiga. Quando tu belisca é beliscão que torce a carne, que a carne fica doendo.
Mariana inchava feito perua e rodava admirando a própria cauda e só faltava mesmo gorgolejar: gluglu, gluglu.
Duda interrompeu aquele namoro escandalosíssimo da Mariana, namorando-se como se estivesse diante de um espelho:
- Mariana: agora fala. Agora chega, né? Eu quero saber como é mesmo essa história da porta. Porta encantada, foi o que ti falaste?
Mariana ficava sempre excitada quando falava da sua porta.
- É. Pode ser Porta Encantada. Mas eu falei Porta Mágica. Porta Mágica é que é. Encantada é se antes de ser porta fosse um sapo e uma fada transformasse o sapo em porta. Aí era Porta Encantada, que poderia a fada transformar de novo em sapo. Nada de portas encantadas. A minha porta é mágica. É diferente, Duda. Tu olhas, parece que é de madeira, podes até pegar, podes cheirar, que é de madeira mesmo. Mas atravessas por ela como se fosse uma porta de papel."

Haroldo Maranhão
A Porta Mágica, Coimbra : Vértice, 1983
Prefácio de Óscar Lopes
Capa de Júlio Resende
Prémio Vértice

Até hoje, este bando me acompanha em todas as infâncias, e em todos os lugares de sermos humanos, mais Marianas, menos Fanfas, às vezes Tripas-de-Boi, às vezes Dudas... Sempre buscando a porta de papel e atravessando a porta mágica.
Livro disponível nesta edição portuguesa, em alfarrabistas e bibliotecas, e em edições brasileiras, em bibliotecas, nos mercados do sebo e do novo

Óscar Lopes


Faz parte da galeria dos meus mestres.

Um dos seus textos porventura menos conhecidos, Gramática simbólica do Português (um esboço), de 1971, abriu-me horizontes de conhecimento que nunca lhe agradecerei bastante. A História da Literatura Portuguesa, que escreveu com António José Saraiva, numa valente edição da Estúdios Cor (1966-1973), depois repetida inúmeras vezes por outras editoras, iluminou gerações de portugueses, e continua a ser uma obra de referência. Pelas mãos de ambos descobrimos autores, épocas, títulos, num guia que nos tornou mais conscientes da nossa língua e dos nossos criadores, desde D. Dinis e os seus cantares de amigo ao século XX.

Antes e depois de 1974, a sua intervenção cidadã e académica sempre me inspirou.  Sou grata, e sei que a memória é fundamental para o futuro. Também por isso estou feliz com a notícia da homenagem que lhe é prestada por ocasião do centenário do seu nascimento.
Em 1983, Como eu gosto deste livro, o notável prefácio que escreveu para o magnífico livro de Haroldo Maranhão A Porta Mágica que editámos na Vértice assinala um dos momentos felizes de leitura e escrita em que pude participar.

Entre 4 de abril e 22 de Novembro de 2018 , a sua Faculdade de Letras da Universidade do Porto, homenageia este grande mestre, em curadoria de Fátima Oliveira e Isabel Pires de Lima.

1
Programa completo aqui 
"Notabilizou-se como ensaísta, linguista e crítico literário e, entre muitos outros epítetos que cabem num percurso singular, foi o primeiro diretor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) no pós-25 de abril. Óscar Lopes é a Figura Eminente da U.Porto 2018, iniciativa que, ao longo do ano, se propõe a celebrar o legado desta personalidade ímpar da história da Universidade e figura central da cultura portuguesa da segunda metade do século XX e início do século XXI.", citado de:
Óscar Lopes é a Figura Eminente da U.Porto 2018 « Notícias UP