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quarta-feira, fevereiro 07, 2018

Portugal é dos países da Europa que mais manifestam racismo (2014)


Lembremos Meninos de todas as cores, pequena história de Luísa Ducla Soares, já com uns anos de escrita, mas sempre viva e interrogadora - porque é que sendo o mundo redondo, ainda (ou já) não sabemos viver-de-roda, com gente de todas as cores, sentindo as cores que todos temos dentro de nós?

Isto a propósito de um estudo desanimador publicado hoje sobre a opinião "dominante" em muitos países da União Europeia. Em Portugal, os estereótipos, mais agressivos ou mais "piedosos", amortecem consciências e aniquilam o peso de informação científica e espírito crítico:


"Somos dos países da Europa que mais manifestam racismo biológico e cultural. Ou seja, acreditamos que se podem hierarquizar grupos humanos em função de factores biológicos ou de factores culturais" (Jorge Vala em entrevista no Público de hoje)

Pessoas que pensam que "algumas raças nascem menos trabalhadoras que outras", 2014


Vale a pena ler no jornal:

Entrevista. Portugal é dos países da Europa que mais manifestam racismo

domingo, maio 14, 2017

Amar



Europa, 2017

Homenagem singela a Salvador Sobral e ao seu traje negro que nos recorda as camisolas que o proibem de vestir, proibições ridículas mas mesmo assim tentadas, e todas as bandeiras que o nosso coração ama por dois e ergue por todos.

Viva a ironia, a utopia e o sonho. Viva a nossa bela língua portuguesa.

Viva a Música e a Poesia.




Imagem REUTERS/GLEB GARANICH de Salvador Sobral na final do concurso da Eurovisão, Kiev, 13.05.2017, publicada aqui. Numa conferência de imprensa, usou uma camisola com "SOS REFUGEES" e apelou ao que chamou "humanitarismo". Esta veste foi proibida pela organização do Festival.
A canção "Amar pelos dois" venceria o concurso. Sou fan de Salvador Sobral há muito tempo, e fiquei feliz, há sinais de esperança que nos animam. Até agora, a minha interpretação favorita da canção é esta 

sexta-feira, agosto 02, 2013

Mobilizar



Bandeira hasteada 21.07.2013, Cascais (Grécia & Portugal).
 In www.dalaiama.blogspot
Ao contrário do que acontece, por exemplo, na França da Frente Nacional, em Portugal uma parte da esquerda tem ocupado como pode o terreno do nacional, tentando dar-lhe um cunho popular e democrático que pode e deve ser o seu. Afinal de contas, foi neste país que ocorreu uma revolução democrática e nacional que colocou na agenda de um país anteriormente colonizador e colonizado três irrecusáveis D (Democratizar, Descolonizar, Desenvolver). Tendo deixado de ser colonizador, o D de descolonização tem hoje uma nova declinação, num contexto apesar de tudo infinitamente menos coercitivo, pelo menos por enquanto, mas que põe em causa a independência nacional e o desenvolvimento igualitário. 
De resto, o preconceito racista, mais ou menos velado, não é apenas atributo da versão sombria do nacionalismo, já que tem sido cultivado, a norte, pelos defensores e beneficiários do euro e é reproduzido por elites nacionais que lhe dão a devida coloração social. Para além disso, a história nacional e europeia mostra-nos a outra face do nacionalismo, como bem sublinhou José Manuel Sobral; uma face de que nos esquecemos por nossa conta e risco: «entendido como amor da pátria, como terra própria e dos antepassados e, mesmo, lugar da liberdade e da democracia», «contribuiu para sustentar a resistência que venceu o nazismo e os fascismos». Estou certo que o nacionalismo, se for entendido como o que reivindica esta herança emancipatória, contribuirá para quebrar, pelas periferias e mobilizando as classes populares, esta estrutura de dominação com escala europeia. O que pode haver de mais importante, do ponto de vista ético-político, hoje, neste país?
João Rodrigues
Que fazer neste país? : a centralidade da escala nacional