terça-feira, maio 30, 2017

Nas artes mais que nas ciências sociais as utopias são reapropriadas

 
A história da ocupação humana no planeta garante-nos que não há futuro na depredação capitalista, que a economia financeirizada mesmo que seja renovada constantemente com instrumentos hi-tech, conduz-nos inevitavelmente ao abismo da barbárie. A pobreza aumenta sempre, mesmo que a riqueza também. E essa barbárie está à vista. Bem visível na Europa e no cemitério em que se tornou o Mediterrâneo, nos fascismos reciclados que ganham respeitabilidade eleitoral, nas direitas clássicas que se aproximam dos fascismos nas propostas e métodos, na erosão da esquerda que sempre que quer ser respeitável e se põe em bicos de pés para gerir o neoliberalismo, fica igual à direita, na União Europeia que mesmo sendo um negócio para os seus ricos, parece ser a última barricada contra o conservadorismo.


O futuro existe agora | João Carlos Louçã – Praxis Magazine – Medium

sexta-feira, maio 26, 2017

Ler os sinais

 
Anteontem, o futuro sentou-se nas escadas de uma escola de Vagos a berrar contra "a homofobia", porque soube que duas colegas raparigas tinham sido chamadas à Direção por fazerem uma coisa que um colega rapaz e uma colega rapariga podiam fazer livremente: beijar-se. 
Claro que o futuro é imaturo, funciona à velocidade das redes sociais e sem medir as consequências das suas ações. Mas o futuro é mesmo assim, ainda se está a formar, tem pouco tempo para ponderação, mas quando responde com o instinto certo tem de ser acarinhado.

Eu vi o futuro/ David Pontes. JN

Movimento Acción Poética, em cidades desde 1996
http://culturainquieta.com/es/inspiring/item/8551-las-mejores-frases-de-accion-poetica-y-una-breve-explicacion-sobre-el-movimiento.html

Improviso desprevenido, que nem eu :)

sexta-feira, maio 19, 2017

Miranda do Corvo, 19.5.2017



TEMPOS E LUGARES DE NÓS-OUTROS, IGUALDADE E CIDADANIA
Maria José Vitorino
Laredo Associação Cultural
19 de Maio de 2015

Agradeço o convite que me foi endereçado para participar nesta Conferência na bela Serra da Lousã, que generosamente nos acolhe num ambiente tão propício à reflexão como favorável ao desenho que se sugere para a Biblioteca, ou para cada biblioteca, e para o papel que podem desempenhar no mundo. Lamento não poder permanecer no segundo dia da Conferência, por motivos profissionais inadiáveis, pois estou certa que vai ser muito estimulante.

Nesta primeira manhã, cabe-me partilhar com a Manuela Barreto Nunes e a Margarida Mota, queridas colegas bibliotecárias, a primeira mesa de desafios, antes da comunicação de Roberto Soto Aranz. Convido-vos a um pequeno aperitivo para a nossa conversa – numa mesa de 3 mulheres, como eram as Moiras, ou Parcas , mas neste caso ao contrário da mitologia, fiando fios para tecer por bons destinos. Assim seja!

No aprazível Hotel onde nos encontramos, os quartos têm designações inspiradoras, e a sua descodificação pode ser deveras estimulante. Coube-me Hefesto, uma saborosa ironia e uma escolha muito adequada.

A omnipresente Wikipedia, com todas as suas limitações, dá informação:
Hefesto ou Hefaísto (em grego: Ήφαιστος, transl.: Hēphaistos)  e “um deus da mitologia grega, cujo equivalente na mitologia romana era Vulcano. Filho de Zeus e Hera, rei e rainha dos deuses ou, de acordo com alguns relatos, apenas de Hera, era o deus da tecnologia, dos ferreiros, artesãos, escultores, metais, metalurgia, fogo e dos vulcões. Como outros ferreiros mitológicos, porém ao contrário dos outros deuses, Hefesto era manco, o que lhe dava uma aparência grotesca aos olhos dos antigos gregos. Servia como ferreiro dos deuses, e era cultuado nos centros manufatureiros e industriais da Grécia, especialmente em Atenas. O centro de seu culto se localizava em Lemnos.
Os símbolos de Hefesto são um martelo de ferreiro, uma bigorna e uma tenaz, embora por vezes tenha sido retratado empunhando um machado.Hefesto foi responsável, entre outras obras, pela égide, escudo  usado por Zeus em sua batalha contra os titãs. Construiu para si um magnífico e brilhante palácio de bronze, equipado com muitos servos mecânicos. De suas forjas saiu Pandora, primeira mulher mortal.

Talvez por também eu ser coxa, e assumir um fascínio pelas tecnologias e pela inovação em dispositivos vários associados à leitura e às bibliotecas, me seja tão grata esta associação ao simbólico que Hefesto nos transmite. Talvez seja coincidência o quarto que me atribuíram, mas é certamente uma feliz coincidência. E como são preciosas as felizes coincidências!

Sou bibliotecária e professora, e realmente de certo modo uma artesã, faço coisas – faço bibliotecas.... E como nas forjas antigas, nenhum de nós trabalha sozinho: são sempre equipas, muitos braços e olhos, e sempre com alguém mais novo a aprender dia a dia os segredos do ofício.

Tal como os ferreiros, amo as minhas ferramentas, e pouco importa que elas hoje pareçam bem diferentes da bigorna e da tenaz. Tecnologia e literacia são membros dum mesmo corpo construtor, e para nadarmos nos mares do presente precisamos de os coordenar nos nossos movimentos. 

Nada se faz sem riscos, e tal como o mitológico ferreiro sofreu os efeitos da exposição ao arsénio, com consequências no seu corpo, quem hoje se arrisca na forja das bibliotecas sujeita-se, frequentemente, a perdas e danos, que valem a pena se fizerem sentido numa visão e num compromisso que transcende a esfera individual. É preciso pois reunir tecnologia, literacia, cidadania e alguma ousadia. Serão estes elementos que teremos de associar na liga que sustente as bibliotecas de que precisamos para a nossa sobrevivência enquanto Humanidade, neste Planeta Terra, ou Gaia, se preferirem... Uma liga ao mesmo tempo resistente e ágil, leve, portátil, à medida da mão, do coração e da razão da Gente de hoje, em toda a parte.

O desafio é servirmos, não deuses, mas homens e mulheres iguais, fraternos e felizes.

A perfeição das formas exteriores não é o que Hefesto dá, nem o que procura – e as imperfeições, dificuldades e carências não lhe repugnam, antes o fazem voltar à forja, inventar, construir, martelar, aperfeiçoar, fabricar, e dar a outros os frutos do seu labor, para que sejam úteis ao caminho de cada um. Que melhor metáfora, amigos bibliotecários, para a nossa labuta, seja na biblioteca móvel que calcorreia caminhos com livros e jornais e conversa atenta, seja nos conteúdos alimentados na web diariamente, seja nas bibliotecas municipais ou nas universitárias?

Retomando o título deste meu contributo, atrevo-me a um pequeno exercício de invocação. Que Hefesto nos inspire na invenção de Bibliotecas como dispositivos de espelhos. Neste tempo de selfies e Narcisos, por um lado, e, por outro, de avassaladora comunicação virtual através de distâncias físicas imensas (tal como nos sinais de espelhos usados militarmente noutro tempo), o espelho é também uma analogia com grande potencial.
Serão as bibliotecas salas de espelhos, onde poderemos descobrir mais sobre nós mesmos e sobre o Outro, espelhos mágicos a atravessar, como Alice, pelo puro prazer da descoberta, ou para mover o mundo de pernas para o ar e o transformar noutro melhor?

Nos anos 70 do século passado, o Manuel António Pina bem anunciou esse caminho, no livro O País das Pessoas de Pernas Para o Ar:
Um dia fez as malas e foi conhecer mundo. Chegou a uma terra em que as pessoas andavam todas de pernas para o ar e de cabeça para baixo. As pessoas daquele país calçavam os sapatos nas mãos e as luvas nos pés.

Zeus venceu os Titãs graças ao escudo que Hefesto concebeu e construiu.
Construamos Bibliotecas como as múltiplas obras de Hefesto, providenciemos bibliotecas ao povo, e venceremos os modernos Titãs. Que Pandoras sairão das nossas forjas?

As boas histórias são assim, levam-nos os pensamentos longe, e nós regressamos sempre mais ricos, mais fortes, mais sábios de novas perguntas. Saibam as bibliotecas manter-se casas de boas histórias, abertas, fraternas e livres, e não teremos feito pouco.

Por hoje, bem dito e louvado, está o conto acabado.


Conferência Ibérica
promovido por Fundação ADFP
Miranda do Corvo, Hotel Parque Serra da Lousã, 19-20 de Maio de 2017

domingo, maio 14, 2017

José Mário Branco - Canção "Mudar de Vida" - YouTube

Leitura noturna pela voz do José Mário Branco. Valores para mudar de vida :).



José Mário Branco - Canção "Mudar de Vida" - YouTube

Amar



Europa, 2017

Homenagem singela a Salvador Sobral e ao seu traje negro que nos recorda as camisolas que o proibem de vestir, proibições ridículas mas mesmo assim tentadas, e todas as bandeiras que o nosso coração ama por dois e ergue por todos.

Viva a ironia, a utopia e o sonho. Viva a nossa bela língua portuguesa.

Viva a Música e a Poesia.




Imagem REUTERS/GLEB GARANICH de Salvador Sobral na final do concurso da Eurovisão, Kiev, 13.05.2017, publicada aqui. Numa conferência de imprensa, usou uma camisola com "SOS REFUGEES" e apelou ao que chamou "humanitarismo". Esta veste foi proibida pela organização do Festival.
A canção "Amar pelos dois" venceria o concurso. Sou fan de Salvador Sobral há muito tempo, e fiquei feliz, há sinais de esperança que nos animam. Até agora, a minha interpretação favorita da canção é esta 

sexta-feira, maio 12, 2017

O nosso tempo é um bicho que só tem pescoço│Mia Couto



Mia pondera sobre a velocidade característica do mundo contemporâneo, “uma espécie de corrida infrutífera para não ficarmos desatualizados”, que torna tudo efêmero, vazio. “Como é que isso aconteceu?”, se questiona para em seguida responder: “eu acho que foi uma coisa que se chama Mercado

terça-feira, maio 09, 2017

Candidatura

Candidato do BE à Câmara Municipal para 2017-2020: Carlos Patrão
João Machado (mandatário), Carlos Patrão, Alexandre Kafé, Maria José Vitorino, Catarina Lourenço, João fernandes, Vanessa Mendes, Nuno Onça (candidatos) e Pedro Filipe Soares (deputado na assembleia da República)


Esperança e confiança. Fazer acontecer


Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Geraldo Vandré (1968)

Como fazer a hora, no tempo que nos cabe?
Que canções estamos a cantar, e que outras ajudamos a inventar?
Há 40 anos, ao som de duas canções senha que todos hoje conhecemos, a coluna de Salgueiro Maia saiu de Santarém, cumprindo um plano de esperança e confiança. Ficaram célebres as palavras do capitão aos seus camaradas de unidade: quem quiser vir, venha, quem não quiser vir, fique. E ficaram célebres justamente, pois em poucas palavras não poderia representar melhor o sentido da democracia e da liberdade.
A liberdade começa em cada um e cada uma de nós, o futuro muda pelas mãos de homens e mulheres livres que escolhem, que conseguem amar e arriscam agir. E assim como hoje e no dia de votar, todos os dias se atrevem a sair de casa, do quartel, da sombra, para fazer acontecer.
A democracia que nunca está garantida - temos de a aprofundar para a defender. Não é fácil hoje, como nunca o foi.
E não há receitas prontas, para aquecer em micro-ondas. Tem mesmo de ser feita na altura, arriscando falhar para poder aprender, ao vivo.
Quantas vezes nos sentimos pessimistas quando olhamos o que se passa à nossa volta, na nossa casa e na nossa rua, no concelho, no país, no Mundo? É verdade que muitas, mas a força de que precisamos também nos chega dos sinais de esperança que tantos movimentos nos transmitem, em novos e antigos combates, pelos direitos humanos, por outra vida mais justa, mais digna, mais feliz para toda a gente. Contra a pobreza e a exploração das pessoas por outras pessoas, a desigualdade e o desemprego, a ignorância e o medo, o racismo e a discriminação, a xenofobia e a homofobia, a destruição do Planeta e dos seus recursos. Combates não faltam.
A cidade que queremos estar a construir, generosa e solidária, é uma cidade de alegria e confiança, mas não está feita nem tem receita. É feita de gente como nós, que erra e acerta, e aprende fazendo e pensando melhor. Requer rumo certo e mão firme, persistência e tolerância, ponderação e audácia, equilíbrio e coragem.
Este caminho não começou hoje, nem acabará agora.
Desde a sua fundação, o Bloco de Esquerda escolheu sempre atender à chamada nas eleições autárquicas.

Apresentamos listas e propostas, queremos verdade e transparência, e políticas certas hoje para um futuro de consequências muito melhores, democrático, livre e diverso, digno, solidário, generoso e feliz.

Pela confiança de quem votar BE, estaremos no nosso concelho, nas Assembleias de Freguesia e na Assembleia Municipal, nas Juntas de Freguesia e na Câmara Municipal, lutando por vida melhor para todos e todas, com todos e todas. Em Vila Franca de Xira, as nossas vozes fazem e farão a diferença. Flores? Flores!
Como escreveu o Pedro Lobo Antunes em tempos bem mais duros : 
Nos teus olhos vê-se a flor/ Vê-se a flor que trazes dentro / Nascem flores onde quiseres /Não deixes que as leve o vento.
Neste caso, travar o vento do desalento e do conformismo: propor-se a votos e votar, no dia 1 de Outubro de 2017.

Caminhamos, cantando, e seguindo a canção. Acreditando nas flores, para vencer o canhão. Mais flores, menos dores, mais flores. Como nos ensinaram tantos outros, e nos exigem os que agora nascem. 

Quem quiser ficar, que fique. Quem quiser vir daí, que venha.
Contem comigo, contem connosco, contem com o Bloco de Esquerda.

Póvoa de Santa Iria, Rua dos Marinheiros
Apresentação de candidatos do BE às eleições autárquicas

8 de Maio de 2017
Maria José Vitorino, 1ª candidata pelo BE à Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira.


segunda-feira, maio 08, 2017

Escrito no ar, transcrito por Sophia

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Nestes Últimos Tempos 

Nestes últimos tempos é certo a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças.

Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?

Que diremos do lixo do seu luxo —  de seu
Viscoso gozo da nata da vida — que diremos

De sua feroz ganância e fria possessão?.
Que diremos da sua sábia e tácita injustiça

Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?

Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?

Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto

Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?

Sophia de Mello Breyner Andresen
in O Nome das Coisas, publicado pela primeira vez em 1977 

Sophia de Mello Breyner Andresen, "O Nome das Coisas"

Mãe

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Miguel Torga e sua mãe, falecida em 1948- Fonte aqui

Mãe: Que desgraça na vida aconteceu, Que ficaste insensível e gelada? Que todo o teu perfil se endureceu Numa linha severa e desenhada? 
Como as estátuas, que são gente nossa Cansada de palavras e ternura, Assim tu me pareces no teu leito, Presença cinzelada em pedra dura, Que não tem coração dentro do peito. 
Chamo aos gritos por ti – não me respondes. Beijo-te as mãos e o rosto – sinto frio. Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes Por detrás do terror deste vazio. 
Mãe: Abre os olhos ao menos, diz que sim! Diz que me vês ainda, que me queres. Que és a eterna mulher entre as mulheres. Que nem a morte te afastou de mim! 

Miguel Torga

quarta-feira, maio 03, 2017

Isabel Mota, Presidente da Fundação Gulbenkian 2017

 DR
Mota, numa declaração divulgada em Dezembro, assumia, entre os seus compromissos para o futuro, que “os mais vulneráveis […] deverão ser os principais beneficiários da actividade da fundação” e que são “a arte e a cultura […] que nos dão a sabedoria e constituem os alicerces da tão necessária tolerância nos tempos conturbados em que vivemos”
Assim seja!



Isabel Mota, o plano B da Gulbenkian tem um lado sorridente - PÚBLICO

Salvador Sobral - Amar Pelos Dois


Versão com piano