segunda-feira, setembro 30, 2013

A morte da infância


Fabulosos texto e imagem de Luís Januário, hoje, no blog
No início desses anos 1980, quando Neil Postman publicou o seu livro, a infância tinha-se já extinguido, liquidada pelos media electrónicos e, sobretudo, pela televisão. Ele debruçou-se com brilhantismo sobre os sintomas da extinção da infância: o desaparecimento de vestuário especificamente infantil, do comportamento, das atitudes, dos desejos, “mesmo do aspecto físico”.  Mas, e é este o ponto em que me vou concentrar, a parte mais curiosa do livro de Postman é sobre a perda da inocência.
Ler mais aqui: anaturezadomal.blogspot.pt/2013/09/a-morte-da-infancia.html

sábado, setembro 28, 2013

Oiço passos de cavalo... será ele, o ditador?

Formatar o curriculum (nacional) nem que seja a poder de cascatas e exames (nacionais). Reduzir o curriculum (artes fora, ciências e tecnologia minguantes, inovação para quê...). Consagrar separações estanques entre disciplinas, dificultando trabalhos interdisciplinares ou de integração (projetos, etc). Limitar professores a metas, programas e mesmo manuais escritos "por quem sabe", em papel ou pela via digital. Reforçar um curriculum oculto que valorize a obediência, a autoridade "de quem sabe/manda", o conformismo, e despreze a inovação e o pensamento crítico. E ainda mais: mobilizar para o exame, o teste, a nota, ignorando os esforços para descoberta, a criação, a solidariedade e acção transformadora.

Tudo isto é para abrir caminho a quê? A quem?
Clarence fisher, professor com mais de 20 anos de experiência, promove os Guias Para uma Ditadura, usando a ironia no combate democrático. Este é dedicado à educação. Ao ler o texto, não podemos deixar de reconhecer muitas práticas políticas em aplicação em Portugal. Brrr...


1.) As much as possible, have a common curriculum throughout your nation. Leave little opportunity for communities or districts to customize what the students in their area learn. This will give you solid control over everything and does not allow specific populations of people or communities to emphasize things that may be important to them or meaningful for their students.
2.) Have solid boundaries in place between subject areas. Make sure that the students in your schools study each subject separately. Emphasizing each subject as a stand alone silo of knowledge will ensure that students find it more difficult to see the relationships that exist between things. This will also ensure that basic knowledge will form the majority of material that is covered in classrooms instead of the in depth study of more complicated topics.
3.) Be very wary about changing the subjects that students are able to study in your schools. Keep it basic. Reading, writing, math and science should form the cornerstones of what your students learn. New advancements in technology, science and math shouldn't find their way into your schools very quickly.
4.) Arts programs should be eliminated from your schools whenever possible. The study of art only allows people's thoughts to move towards freedom, beauty, and the condition of their lives.
5.) As much as possible provide the teachers in your classrooms with scripted programs for them to follow. This will ensure that you can have almost total control over not only what is studied, but what is said in your classrooms, the examples used and the problems that are solved. Make administrators or school inspectors responsible for strictly enforcing that these things are followed.
Advancing a certain kind of hidden curriculum in your schools is a more delicate balancing act. For your nondemocratic nation, the hidden curriculum should emphasize the power and unquestioning authority of your government. Teachers need to emphasize lessons which do not encourage innovative or creative thinking. Large amounts of content should simply be given out to students. 
Notes and worksheets should be used whenever possible. As much as possible, teachers need to control the work that is handed out to students. Students should, over time, acquire the habit of material being given out to them by people in positions of authority and power. They should have few opportunities to be creative or to investigate personally meaningful projects that revolve around their own interests and passions. Teachers should discourage entrepreneurial or social justice initiatives from taking hold in classrooms and schools.
Clarence Fisher
in The-Dictators-Practical-Guide-to-Education
www.evenfromhere.org/wp-content/uploads/2013/09/The-Dictators-Practical-Guide-to-Education.pdf

A Arte de Pensar: A Desobediência Civil


A Arte de Pensar: A Desobediência Civil: "O objectivo da desobediência civil é, em última análise, mudar leis e políticas particulares, e não arruinar completamente o estado de direito. Os que agem na tradição da desobediência civil evitam geralmente todos os tipos de violência, não apenas porque pode arruinar a sua causa ao encorajar a retaliação, conduzindo assim a um agravamento do conflito, mas sobretudo porque a sua justificação para violar a lei é moral, e a maior parte dos princípios morais só permite que se prejudique outras pessoas em situações extremas, tal como quando somos atacados e temos de nos defender."

Conceito desenvolvido pela primeira vez por Thoreau em 1849.
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A crise está virando zona...

quinta-feira, setembro 26, 2013

La educación transforma la vida = A educação transforma a vida

Dados sobre a importância da educação no desenvolvimento (Unesco, 2013)   - infografia
"La publicación de estos datos se realiza en el marco de una campaña en la que se pide a los dirigentes del mundo que den prioridad a la educación equitativa y de calidad en los nuevos programas de desarrollo para el periodo posterior a 2015. El análisis íntegro estará disponible en el Informe de Seguimiento de la EPT en el Mundo que verá la luz en enero de 2014."

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▶ Elyse Eidman-Aadahl on Writing in the Digital Age (Big Thinkers Series) - YouTube

"
anybody, anything, anywhere

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segunda-feira, setembro 23, 2013

Vila Franca de Xira retoma a sua garra




Escolhe quem seja francamente exigente, para autarquias que nos ajudem mesmo a viver melhor. Marca o que mais importa: acção social, ambiente, território e urbanismo, economia e emprego, transportes, mobilidade e acessibilidades, educação e cultura, saúde e desporto, cidadania.
in


Sítio web: Atreve-te a mudar
Presença no Facebook:
Candidatura do BE ao concelho de Vila Franca de Xira https://www.facebook.com/BEVFX2013?fref=ts
BE Vila Franca de Xira https://www.facebook.com/BlocoVFXira
BE Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa https://www.facebook.com/be.povoa.forte?fref=ts
BE de Alverca do Ribatejo e Sobralinho https://www.facebook.com/pages/Bloco-de-Esquerda-Alverca-e-Sobralinho/116707391721871?fref=ts
BE Alhandra, S. João dos Montes e Calhandriz (em construção)

Ir aos treinos e não perder a forma

Talvez possamos falar de uma democracia mais democrática, como António Sérgio a definiu, há 
80 anos, através de uma comparação com o desporto:
 “A liberdade e a cidadania devem ser alimentadas todos os dias, pacientemente recriadas, sempre reconquistadas, pois se não realizarmos este treino diário perdemos a forma, perdemos a pujança, e não conseguiremos construir o futuro que ambicionamos”. 
Há sempre uma saída, desde que estejamos dispostos a procurá-la e a assumir os riscos dessa 
procura.

António Sampaio da Nóvoa
introdução ao Programa Eleitoral (edição digital, no Issuu)
Candidatura não partidária à Junta de Freguesia de Alcântara, Lisboa 2013

Coração RR


Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda

sob montanhas cinzentas

e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa

Viva a sesta! Pela saúde do seu cérebro


No mínimo, 10-20 minutos (para voltar a trabalhar revigorado).
Bom mesmo, 90 minutos :)

How Long to Nap for the Biggest Brain Benefits ?

segunda-feira, setembro 16, 2013

How can the culture sector deal with digital change? Get rid of the 'digital' | Culture professionals network | Guardian Professional

 
"No one under the age of 20 even talks about 'digital' anything anymore. It's a part of the changes we see all around us – in communications, transport, retail, manufacturing, entertainment, education and medicine. Digital developments might drive these changes, but their lasting impact is found not in a raft of evolving technologies, but in our changing needs and behaviours."

How can the culture sector deal with digital change? Get rid of the 'digital' | Culture professionals network | Guardian Professional

:)

124. TAYLOR MALI: What Teachers Make

124. TAYLOR MALI: What Teachers Make

Marshal Berman (1940-2013): ler o mundo para o transformar


Marshal Berman (1940-2013): o marxismo contra a tristeza | Esquerda:
"“Nós não podemos gerar ideias que venham a juntar as vidas das pessoas se perdermos contato com essas vidas tais como são. Se não soubermos reconhecer as pessoas, como se apresentam, sentem e experienciam o mundo, nós nunca seremos capazes que as ajudar a conhecerem-se a elas mesmas ou a mudar o mundo. Ler o Capital não nos ajudará se não formos capazes, também, de ler os sinais que nos mostram as ruas.”
Marshal Berman 
Continuarei a viver as ruas e abrir janelas, a rir, e a frequentar a revista Dissent.
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Life is (a kind of) school

Contra o medo

A ler


Os clássicos nascen todos os dias :)
Extrato do conto "O Programador e o Bruxo", incluído no livro "O Inferno de Outro Mundo", que será lançado no Rio de Janeiro esta quarta, dia 18, na Livraria Antonio Gramsci

Já não havia cadeiras vazias quando a palestra começou. Deixei que o Sabatelli iniciasse o filme que trouxera, projetado numa tela nas costas dele – uma compilação de cenas de pseudoavistamentos de OVNIs, na maioria claramente falsos, alguns, os melhores, duvidosos. Mas nada que apontasse para um real contato de terceiro grau. Deixei a palestra ganhar ritmo, só para verificar que o sujeito sabia falar com segurança. Quem não conhecesse bem o tema podia deixar-se levar pela tese de que os ETs já estão na Terra há muito tempo, mas existe uma grande conspiração montada para ocultar as evidências. 
Quando achei que o sujeito estava ultrapassando os limites, disparei o primeiro míssil: intercalei na projeção cenas do filme “Ed Wood”, do Tim Burton. O público viu, de surpresa, imagens de uns pratos presos por cordéis sendo filmados como se fossem discos voadores, e o realizador, que ficou conhecido como “o pior cineasta do mundo”, interpretado pelo ator Johnny Depp, dizendo que não havia problema que os fios aparecessem. As pessoas começaram a rir, e o Sabatelli, que estava de costas, não entendeu nada. Quando se virou, cortei o filme que trouxera e voltei a exibir o dele. 
O homem não deu pela troca e achou que riam do filme dos OVNIs. Engasgou-se, vacilou, ensaiou um improviso dizendo que as imagens eram sérias, “avistamentos confirmados”, e eu disparei o segundo míssil – a cena do mesmo filme que mostrava o Ed Wood vestido de mulher e dançando. O público já ria às gargalhadas, o Sabatelli se virou de repente e a cena desapareceu. Fiquei brincando de gato e rato com ele. Mal se virava para o público, regressava o Ed Wood; logo que dava as costas ao público e encarava a tela regressavam os pseudoavistamentos de OVNIs. As pessoas já quase rebolavam de tanto rir. Aquilo parecia um filme dos irmãos Marx. Finalmente, desisti da brincadeira e deixei em looping a sequência dos pratos fingindo que eram discos voadores, presos a cordeizinhos, e o Ed Wood dizendo: “No problem!”
O Sabatelli espumou de raiva quando viu a projeção, saltou sobre o notebook e desligou-o da corrente, esquecendo que a bateria o manteria funcionando. Olhou perplexo o ecrã, sem saber o que fazer. O público não parava de rir. Até que finalmente lembrou o óbvio: desligou o cabo do projetor, agarrou o notebook e a mala e saiu porta afora. 
Quando achei que o sujeito estava ultrapassando os limites, disparei o primeiro míssil: intercalei na projeção cenas do filme “Ed Wood”, do Tim Burton. O público viu, de surpresa, imagens de uns pratos presos por cordéis sendo filmados como se fossem discos voadores, e o realizador, que ficou conhecido como “o pior cineasta do mundo”, interpretado pelo ator Johnny Depp, dizendo que não havia problema que os fios aparecessem. As pessoas começaram a rir, e o Sabatelli, que estava de costas, não entendeu nada. Quando se virou, cortei o filme que trouxera e voltei a exibir o dele. 
O homem não deu pela troca e achou que riam do filme dos OVNIs. Engasgou-se, vacilou, ensaiou um improviso dizendo que as imagens eram sérias, “avistamentos confirmados”, e eu disparei o segundo míssil – a cena do mesmo filme que mostrava o Ed Wood vestido de mulher e dançando. O público já ria às gargalhadas, o Sabatelli se virou de repente e a cena desapareceu. Fiquei brincando de gato e rato com ele. Mal se virava para o público, regressava o Ed Wood; logo que dava as costas ao público e encarava a tela regressavam os pseudoavistamentos de OVNIs. As pessoas já quase rebolavam de tanto rir. Aquilo parecia um filme dos irmãos Marx. Finalmente, desisti da brincadeira e deixei em looping a sequência dos pratos fingindo que eram discos voadores, presos a cordeizinhos, e o Ed Wood dizendo: “No problem!”
O Sabatelli espumou de raiva quando viu a projeção, saltou sobre o notebook e desligou-o da corrente, esquecendo que a bateria o manteria funcionando. Olhou perplexo o ecrã, sem saber o que fazer. O público não parava de rir. Até que finalmente lembrou o óbvio: desligou o cabo do projetor, agarrou o notebook e a mala e saiu porta afora.  
Luis Leiria


Quem for ao lançamento, adira ao evento aqui:
https://www.facebook.com/events/579074355486833/?fref=ts

Mia Couto aponta reinvenção do português como processo político - 27/08/2013

Folha de S.Paulo - Ilustrada - Mia Couto aponta reinvenção do português como processo político - 27/08/2013: "Língua portuguesa

Hoje o português é a língua nacional dos moçambicanos, mas a maior parte deles tem outra língua materna. É uma língua em constante movimento, e isso para um escritor é muito sedutor. Essa reinvenção da língua ocorre como um processo social.

João Guimarães Rosa foi uma grande influência. Era como um sinal verde que na literatura se pudesse fazer esse processo de reinvenção da língua. É a reinvenção da nação como linguagem. E Guimarães dá conta desse Brasil ameaçado pelo moderno. É uma coisa que vivemos em Moçambique. A linguagem vira campo de resistência."

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domingo, setembro 15, 2013

Canção amiga


Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, setembro 06, 2013

Ladrões de Bicicletas: Bem-vindos ao «cheque-ensino» (II)


Assinale-se, por agora, que é hoje mais que evidente o cumprimento prévio de uma das etapas essenciais deste processo - a degradação da escola pública - alcançada com êxito pelo ministro Nuno Crato ao longo dos últimos dois anos, no seu desígnio de financiar o ensino privado através do Orçamento de Estado (e ao arrepio do estabelecido no Memorando da Troika, o tal que era para cumprir «custe o que custar»). É isso que significa o despedimento massivo de professores, os sucessivos cortes orçamentais, o aumento do número de alunos por turma ou a criação de giga-agrupamentos escolares, entre outras medidas lesivas da qualidade do ensino. Nuno Crato, o arauto da livre «concorrência entre escolas e entre sistemas», não brinca em serviço: para permitir que colégios e escolas privadas possam generalizadamente competir com a escola pública, e antes de lhes reforçar por esta via o financiamento, tratou antecipadamente de a enfraquecer e deteriorar.

Ladrões de Bicicletas: Bem-vindos ao «cheque-ensino» (II):   « É legítimo supormos que todos os estudantes, ao estarem munidos do "vale" que o Estado lhes passou a colocar nas mãos (para...

quarta-feira, setembro 04, 2013

a vida pensada a régua e compasso | aposentos


"Dito de outro modo, as construções deixaram de ser um apoio à aquisição de propriedades e noções para passarem a ser ilustrações grosseiras de noções que eram dadas como adquiridas. E, isso, parece-nos natural por ser consistente com o ensino superior e as suas ferramentas de então.
Talvez por isso a manutenção e renovação dos utensílios de desenho para a geometria matemática deixou de ser acautelada. Falamos de escolas que conhecemos e onde trabalhámos. Quando começámos a preocupar-nos verdadeiramente com o problema, nos primeiros anos da década de 80, procurámos fazer construções geométricas em sessões para professores de matemática, na escola em que trabalhávamos. Com algum espanto nosso e nenhum espanto dos participantes, não conseguimos traçar uma circunferência e, em alguns casos, nem uma recta adequada aos passos da construção. Para além dos quadros de ardósia ou similares, os compassos e as réguas que requisitáramos já estavam em adiantado estado de decomposição. E estamos convencidos que essa degradação não se devia só a incúria das administrações; era suportada pelas práticas dos profissionais envolvidos no ensino da geometria matemática. Não se encontravam em mau estado os instrumentos dos anexos a salas específicas de professores de desenho.
(...)
Quando apareceram os quadros interactivos, experimentámos cada um dos modelos, um pouco por todo o lado, ao mesmo tempo que experimentávamos programas de Geometria Dinâmica na esperança de podermos ver os jovens nas salas de aula a resolver problemas usando instrumentos (réguas e compasso, visuais e virtuais), a confirmar resultados, a pensar o passo a passo, propriedade a propriedade, compondo raciocínios e percebendo como as coisas andam ligadas, como uma só construção está na base de muitas ideias diferentes. (...)"
Arsélio Martins, 2013

a vida pensada a régua e compasso | aposentos:

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