sexta-feira, maio 31, 2013

Estudo indicia que pouca diferença faz o suporte na leitura


En cuanto a la percepción de la tecnología que tienen los integrantes de la muestra derivada de su uso, las fuentes consultadas destacan que entre las preocupaciones manifestadas está la fatiga visual, el alto costo de los libros de texto digitales, la duración de la batería de los dispositivos, el software y la fiabilidad de la tecnología.
::: LECTURA LAB ::: comprension de textos, soporte digital, Julien Helmlinger, ActuaLitté, formatos Indiana State University, Jim Johnson, tableta, lectores, ordenadores, lectura digital

Um estudo da Universidade de Indiana conclui que a compreensão leitora não depende significativamente do tipo de suporte do material lido. As razões para as diferenças devem ser procuradas noutras vertentes, não na diferença tecnológica do suporte: livro impresso, tablet, écran...

Frankfurt: manifestação bloqueia Banco Central Europeu

Frankfurt: manifestação bloqueia Banco Central Europeu

E as estrelas aqui tão perto



Projeto de criação escrita e leitura das bibliotecas escolares de Constância, Portugal, 2013

Livro digital:
http://pt.calameo.com/read/0007492625c2e47901d04

quarta-feira, maio 29, 2013

Gato por lebre

Imagem daqui


O crescente recurso a esquemas privados é já um facto. Mesmo sem a privatização do sistema público, a privatização parcial é conseguida em resultado da erosão das pensões em nome do equilíbrio orçamental e dos desafios demográficos. 
Para os trabalhadores ativos mais jovens passa-se a ideia de que, no futuro, os descontos para o sistema público de proteção social poderão não trazer a remuneração esperada e que essa remuneração estará melhor protegida no sistema privado de gestão dos descontos sociais. Um duplo equívoco, já que a remuneração das aplicações financeiras privadas tem maior risco e está igualmente dependente do andamento da economia no seu todo. (...) 
Os sistemas privados não são mais sustentáveis nem robustos face às tendências demográficas e dinâmicas macroeconómicas do que os sistemas públicos. Se no estádio inicial, as contribuições para estes fundos excedem largamente os benefícios pagos, favorecendo deste modo a inflação de ativos financeiros, é expectável que as mesmas tendências apontadas para a insustentabilidade dos sistemas por repartição se venham a verificar nos esquemas privados no momento em que o número de reformados exceder os contribuintes ativos. O desequilíbrio resultante será agravado pela consequente deflação de ativos.
in Barómetro das crises. Nº5 (27.05.2013)

domingo, maio 26, 2013

escritas


Era uma vez


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Publisher Software from YUDU
Da biblioteca virtual dos trabalhos dos alunos da Escola dos Templários (3 a 10 anos de idade), em Tomar, Portugal, 2013. Ora veja: http://amoreirasdavarzea.blogspot.pt/

Copiar & criar



¡Copiad, malditos é um documentário sobre os novos desafios éticos e morais sobre a propriedade individual que levanta a revolução digital. É o primeiro documentário TVE com licença Creative Commons.

Direitos dos cidadãos à cópia privada versus direitos de autor sobre criações originais.
Como aprendemos sem praticar a cópia - todos começámos a escrever copiando palavras, por exemplo.  Como garantir a cultura como bem público possibilitando a existência de indústrias culturais mas impedindo que o critério do seu lucro seja o único que prevalece?
Como assegurar que os criadores como escritores e músicos conseguem viver da venda das suas criações? Por onde passam os limites?
Impressionou-me bastante a convicção de um representante das indústrias : se não  for possível ganhar dinheiro com a criação, ninguém se vai dedicar a atividades culturais. Mas que raio de ideia, que ideia pobre, a de que a única dimensão da vida é o dinheiro!
A grande questão é que os intermediários entre quem cria e quem frui sempre mudaram ao longo dos tempos, e a organização social e económica se foi adaptando a isso.

¿Qué es la propiedad intelectual? ¿Y el copyright? ¿Hasta qué punto se puede poseer una idea? Desde hace algunos años y especialmente desde la irrupción masiva de la sociedad de la información, el sistema se está cuestionando constantemente. ¿Hasta qué punto puede ser un delito copiar? ¿No copiamos todos constantemente cuando pensamos?
Fontehttp://www.rtve.es/television/documentales/copiad-malditos/

SOLE



We really need a curriculum of big questions.
Self Online Learning Environments

Transformemos ameaças em prazer e recriemos a educação com uma nova escola - uma Escola na Nuvem - global e humana.

The return of the book

sábado, maio 25, 2013

Caetano leitor, Drummond provocador, nós actores



Elegia 1938

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

Carlos Drummond de Andrade


Carreirismo

sexta-feira, maio 24, 2013

O que nos falta caminhar

Cartaz na Feira do Livro de Lisboa, Maio 2013


Dados de 2013. Sim, leram bem: não é 1913, mas 2013! Num país da "Europa civilizada". Onde quem está no poder afirma que "há professores a mais", e pretende despedir mais uns milhares e sobrecarregar os que restarem, pagando-lhes cada vez menos. Ou ainda não leram? Nem ouviram na rádio? Na TV é mais difícil, mas de vez em quando distraem-se e deixam fugir alguma informação entre programas de aturdimento, ou... como dizem... entretenimento.

quinta-feira, maio 23, 2013

EM DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA COM DIGNIDADE

Escola Básica e Secundária Quinta das Flores, Coimbra

“A aposta na educação como garantia de futuro, mesmo em momento de crise, é uma das recomendações gerais inúmeras vezes reiterada pelo Conselho Nacional de Educação (…). Na situação atual, em que a crise económica e o aumento do desemprego são muito graves, a aposta na educação e qualificação deveria constituir uma prioridade, um modo de quebrar o isolamento e dar mais atenção às pessoas e ao desenvolvimento e valorização dos seus saberes. Contribuiria seguramente para combater o desânimo, sobretudo onde existam situações dramáticas do ponto de vista individual, familiar ou comunitário.
A aposta na educação em tempos de crise económica pode também ser a estratégia por excelência para a promoção da coesão social e construção de uma cidadania solidária, inclusivamente em domínios de urgência europeia e mundial, como sejam o desenvolvimento sustentável ou a resposta às exigências da globalização.”
(Conselho Nacional de Educação (2012): Estado da Educação – Autonomia e Descentralização, CNE – Editorial do Ministério da Educação e Ciência, p. 10)


Em defesa de uma Escola Pública verdadeiramente inclusiva e de qualidade, pela valorização dos Professores e da sua dignidade enquanto profissionais e cidadãos que, com o seu trabalho, acrescentam valor à sociedade!

Norteados por estes princípios, os docentes da Escola Básica e Secundária Quinta das Flores, Coimbra, decidiram, em reunião de professores, alertar para a necessidade de combater a política educativa seguida pelo Ministério da Educação e Ciência, consubstanciada em medidas extremamente gravosas para a qualidade da educação pública, nomeadamente:
1. A diminuição do investimento na educação (2009 – 5,9% do PIB; 2012 – 3,9% do PIB; média da OCDE – 6,2% do PIB);
2. O elevado número de alunos por turma;
3. A exigência de um mínimo de 20 alunos para funcionamento de disciplinas de opção;
4. O elevado número de turmas, alunos e níveis por professor (com maior gravidade, nas disciplinas com menor carga letiva semanal);
5. O não reconhecimento de todas as atividades pedagógicas desenvolvidas com os alunos como atividade letiva;
6. A constituição de mega-agrupamentos; 
7. A criação de falsos horários zero, como resultado de medidas como as enunciadas anteriormente;
8. A limitação da oferta curricular e formativa da escola (disciplinas de opção, cursos profissionais, etc.) aos recursos humanos e materiais existentes, coartando a liberdade de escolha dos alunos e condicionando a concretização do Projeto Educativo;
9. A impossibilidade de formação de turmas mistas nas disciplinas de opção;
10. A falta de resposta às necessidades permanentes, concretizada na não abertura de vagas a concurso coincidentes com as necessidades reais e permanentes das escolas;
11. A exigência de trabalho aos professores que ultrapassa em muito as 35 horas semanais (investigação e atualização científico-pedagógica, preparação de aulas, elaboração de materiais, correção de trabalhos e portefólios, elaboração e correção de testes, avaliação de alunos, reuniões, atividades extracurriculares, preparação e participação em visitas de estudo, projetos, clubes, desempenho de cargos como o de direção de turma e de coordenação intermédia, trabalho burocrático, vigilância e classificação de exames…), não 
existindo nas escolas as condições necessárias para que todos os docentes desempenhem as funções que lhe são exigidas no seu local de trabalho;
12. O anúncio do aumento do horário de trabalho dos professores de 35 para 40 horas (em 2012: média de 761 horas de trabalho em Portugal contra 704 horas da OCDE);
13. O anunciado fim da redução da componente letiva (Artigo 79º do ECD);
14. A municipalização do ensino;
15. A criação de condições para a privatização do ensino;
16. A continuação do financiamento de escolas particulares com contrato de associação quando, no mesmo espaço geográfico, existem escolas da rede pública com capacidade de resposta;
17. A mobilidade especial / requalificação profissional;
18. A ameaça de rescisões amigáveis, claramente lesivas para os funcionários;
19. O congelamento de carreiras;
20. O não reposicionamento na carreira dos diferentes professores tendo em conta o seu tempo de serviço.
21. O aumento da idade da reforma, dado o desgaste físico e emocional inerente ao desempenho da profissão docente.

Perante esta política educativa, entendem os subscritores deste documento:
1. Exigir uma revalorização da educação enquanto aposta estratégica fundamental para o futuro do país e o correspondente aumento do investimento.
2. Exigir uma política educativa centrada na qualidade e que salvaguarde uma efetiva igualdade de oportunidades, o que só é possível com condições de trabalho que as medidas já tomadas e anunciadas de forma nenhuma favorecem.
3. Exigir que todas as atividades pedagógicas desenvolvidas com os alunos sejam incluídas  na componente letiva.
4. Exigir uma adequada definição da rede escolar de modo a que, havendo capacidade de resposta por parte das escolas da rede pública, não sejam estabelecidos contratos de associação.
5. Rejeitar em absoluto o aumento do horário de trabalho letivo e/ou não letivo dos professores, por ser incompatível com um trabalho docente digno e profissional, que exige um esforço físico, intelectual, emocional, de atualização científico-pedagógica e de acompanhamento pedagógico dos alunos.
6. Rejeitar em absoluto a integração de qualquer professor na chamada mobilidade especial/requalificação profissional, por se considerar que não há professores a mais na escola. Pelo contrário, há professores a menos nos quadros para se poder dar uma resposta adequada às exigências colocadas pela especificidade dos diferentes alunos. (Ver estatísticas do relatório Estado da Educação – Autonomia e Descentralização, elaborado pelo Conselho Nacional de Educação, de 2012, p. 101, fig. 3.4.3.).
7. Apelar aos diferentes órgãos representativos do poder, sensibilizando-os para o desastre anunciado na Educação, caso prossiga esta política.
8. Anunciar a disposição de recorrer ao Direito de Resistência previsto no artigo 21.º da Constituição da República, sempre que as medidas referidas ameacem pôr em causa direitos fundamentais. 
9. Adotar diferentes formas de luta que podem passar pela adesão a diferentes tipos de greve coincidentes ou não com períodos de avaliação e/ou exames e que incluam a greve de zelo. 
10. Suspender a realização de todas as atividades que dependam apenas da iniciativa dos professores. 
11. Enviar o presente documento ao MEC, à DGEstE, aos sindicatos, à comunicação social, ao Conselho Geral da Escola e ao Presidente da Associação de Pais.
12. Divulgar ainda este documento junto de outras escolas.

Coimbra, 15 de maio de 2013

domingo, maio 19, 2013

Para um futuro decente

Imagem daqui



4.6.1 Um Estado Social promotor do investimento, da criação de emprego e do desenvolvimento

4.6.1.1 Para promover o desenvolvimento é necessária uma administração pública moderna,
desburocratizada e eficiente, orientada pela ética do serviço público, que sirva adequadamente os
cidadãos e organize a sociedade e a economia. Um Estado que exerça as suas funções reguladoras
sem se deixar capturar pelos regulados. É necessário um sistema de justiça mais eficiente e que
garanta a igualdade de acesso e os direitos dos cidadãos. É necessário investimento público
orientado para o desenvolvimento das cidades e outros territórios, dos transportes públicos e
infraestruturas de transportes, ou de sectores da economia em que o capital privado não investe. É
necessária a elevação da literacia e da cidadania em todas as gerações, das qualificações nas Escolas e nas Universidades públicas, o acesso a bens culturais, a saúde, a proteção social e a segurança na velhice. Tudo isto são bens que só o Estado Social, não o mercado, pode assegurar.

Ler mais aqui

Maio maduro Maio

quinta-feira, maio 16, 2013

Nuno Júdice, premiado


JogoEu, sabendo que te amo, 
e como as coisas do amor são difíceis, 
preparo em silêncio a mesa 
do jogo, estendo as peças 
sobre o tabuleiro, disponho os lugares 
necessários para que tudo 
comece: as cadeiras 
uma em frente da outra, embora saiba 
que as mãos não se podem tocar, 
e que para além das dificuldades, 
hesitações, recuos 
ou avanços possíveis, só os olhos 
transportam, talvez, uma hipótese 
de entendimento. É então que chegas, 
e como se um vento do norte 
entrasse por uma janela aberta, 
o jogo inteiro voa pelos ares, 
o frio enche-te os olhos de lágrimas, 
e empurras-me para dentro, onde 
o fogo consome o que resta 
do nosso quebra-cabeças. 

Nuno Júdice, in "A Fonte da Vida"

Mais um poeta português premiado internacionalmente. 
Desta vez Nuno Júdice (1949-    ), um grande mestre da palavra e das ideias, com o Prémio Reina Sofia de poesia - que se atribui desde 1992 ao maior autor vivo de poesia do mundo iberoamericano.
Boa Notícia!

Ler mais aqui:
El portugués Nuno Júdice gana el Premio Reina Sofía de Poesía

:)usar!

De Artigo 21º

sábado, maio 11, 2013

Reunidos em assembleia...


MOÇÃO APROVADA EM PLENÁRIO DE PROFESSORES DA ESFH , EM GUIMARÃES, EM DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA E DO TRABALHO DOS PROFESSORES

Os professores da Escola Secundária Francisco de Holanda, de Guimarães, reunidos em plenário e abaixo assinados, tomando em consideração as políticas deste Governo e do Ministério da Educação, nomeadamente:

1. o esgotamento e empobrecimento da Escola Pública através de turmas sobrelotadas, dificultando inaceitavelmente o trabalho pedagógico com os alunos, prejudicando particularmente aqueles com mais dificuldades e desvantagens sociais;

2. o horário de trabalho letivo dos professores, de 22 horas [25 h no 1º ciclo e JI], contadas ao minuto, a que se somam mais 13 horas não letivas, num montante total de 35 horas semanais, mas manifestamente abaixo do trabalho efetivamente realizado, sem qualquer direito a horas extraordinárias;

3. o número crescente de turmas e alunos por professor, alcançando cerca de 150 alunos num grande número de casos e, noutros, podendo chegar aos 200;
4. a [necessidade de], diminuição de horas de trabalho para que os professores possam relacionar-se diretamente com as famílias dos seus alunos, condição essencial do sucesso educativo das crianças e jovens;

5. o completo congelamento das carreiras e progressões profissionais, há pelo menos seis anos, eliminando desse modo qualquer estímulo ao desenvolvimento profissional;

6. a redução acentuada dos salários, diminuindo as condições básicas de atualização e dignidade profissional, bem como da qualidade de vida das suas famílias;

7. e, como é do conhecimento público, a recente proposta de Governo de despedir todos os professores colocados em situação de horário zero, que se estima possam ser mais de quinze mil (não por falta de alunos ou tarefas educativas essenciais às escolas e aos país mas, bem pelo contrário, por uma sobrecarga pedagogicamente absurda do número de alunos e tarefas a desenvolver pelos professores), bem assim como a proposta de aumento do horário de trabalho das 35 para as 40 horas, o que conduzirá inevitavelmente à degradação das condições mínimas  das tarefas pedagógicas a realizar com os alunos,  

Deliberaram:

1. Rejeitar em absoluto o aumento do horário de trabalho dos professores para as 40 horas semanais, não porque se discorde, em princípio, com a ideia da igualdade do número de horas de trabalho dos trabalhadores do setor privado e da Função Pública (assinalando-se que os professores das escolas privadas têm o mesmo horário de trabalho semanal que os professores da Escola Pública, 35 horas), mas porque o desenvolvimento das tarefas educativas e docentes impõe exigências de esforço físico, intelectual e emocional, de atualização académica e trabalho de investigação fundamental e pedagógica, incompatíveis com tão elevado tempo de trabalho, que se antecipa essencialmente de caracter letivo. 
De facto, todos os indicadores internacionais de trabalho dos professores dizem que os professores portugueses são dos que trabalham mais horas dentro da sala de aula, não se percebendo esta medida a não ser como uma absurda tentativa de despedimento de professores, aos milhares, em necessário detrimento da qualidade da educação e do ensino e, portanto, da igualdade de oportunidades entre todos os portugueses.

2. Rejeitar em absoluto a integração dos professores no “regime de mobilidade especial da Função Pública”, objetivo ostensivamente negado por este Governo e por este Ministro da Educação em várias intervenções públicas e não constante do Programa de Governo aprovado na Assembleia da República ou nos programas eleitorais dos partidos membros da coligação de Governo, o que corresponde, de facto, ao seu despedimento liminar, em muitos casos de professoras e professores com mais de vinte e vinte cinco anos de serviço, com quarenta ou quarenta e cinco anos de idade, ou mais, que toda a sua vida adulta foram formados para as profissões que desempenham, vidas inteiras ao serviço do ensino, da educação e do progresso de Portugal, e que agora se propõe sejam descartados e abatidos, nem sequer com subsídio de desemprego.

3. Solicitar aos vários sindicatos de professores, particularmente aos mais representativos, que encetem todas as formas de luta visando combater este anunciado assassínio da profissão docente e da Escola Pública, que irá destruir, de modo cruel e contrário aos interesses do país, milhares de vidas de professores e outros profissionais da educação.

4. Que essas formas de luta passem, desde já, pela convocação de greves em períodos coincidentes com as avaliações e os exames dos 11º e 12º anos, forma de luta extrema mas proporcional ao genocídio educacional e profissional posto em marcha por este Ministério da Educação e por este Governo.             

5. Solicitar aos pais dos nossos alunos que dialoguem ativamente com os professores dos seus filhos, de modo a melhor compreenderem o actual processo de desestruturação da Escola Pública por parte deste Governo, de que o despedimento massivo de milhares de professores e a destruição das suas vidas é apenas a primeira parte, mas de que os seus filhos e as suas expectativas de ascensão e progresso social serão as vítimas principais. 

6. Desenvolver todas as ações necessárias ao combate a estas medidas ilegítimas e contrárias aos mais elementares interesses das famílias, dos alunos, das escolas, dos professores, de Portugal e dos portugueses.    

7. Mais se delibera enviar este comunicado para todas as instituições oficiais do país, para outras escolas, instando-as à ação, bem assim como para os meios de comunicação social.

Guimarães, Escola Secundária Francisco de Holanda, 8 de maio de 2013

Turismo neorealista 2013, Portugal




Num dos muros onde paramos para recuperar o fôlego, uma única mensagem sobreviveu às limpezas estratégicas da Câmara: “Somos todos imigrantes.” Neste grupo quase todos são. Antes da despedida chegamos ao maior arquipélago de ilhas da cidade.“Com quem então não fazemos turismo de desastre?”, comenta Isabel com os colegas, ao passearmos entre as casas de gente pobre, ali espremidas com vista para o Douro. “Nós não fazemos turismo de desastre”, responde Pedro. “O nosso turismo é neo-realista. A realidade é que é um desastre.”

Eu já não sei

sexta-feira, maio 10, 2013

Amanhã

Cultura é um termo orgânico


1. Diversidade e diferença - essenciais à natureza humana. As crianças desenvolvem-se melhor em curricula alargados e diversificados
2. Curiosidade é a chave para o empenho na aprendizagem, não a obediência. Ensinar é uma profissão criativa - deve facilitar aprendizagens. O seu produto não são resultados de testes e exames - que são apenas um instrumento.
3. Criatividade é o que distingue o ser humano. Não a standardização.
Como lidam muitos sistemas educativos com isto? Ignoram ou contrariam. Serão vencidos. Pelos sistemas educativos dos países (e os governantes) que entenderam que a educação é um investimento, não uma despesa, e que bons professores são preciosos e devem ser estimados como a água. Pelo bem comum. Não apenas porque merecem, mas porque o merecem as gerações futuras.

domingo, maio 05, 2013

Felicidade




“Esta governação não pode também poluir todos os meus momentos de qualidade. Há esta pressão da palavra horrorosa – crise – que nos está constantemente a empurrar para baixo. Acha-se que tem de se pactuar com essa palavra e já não se pode ser feliz porque pode estar alguém a ver. Esse é o mais atroz dos crimes que este governo está a fazer, a injectar-nos essa palavra como se cada português tivesse essa missão de ser miserável”. 

Rita Carmo, hoje, no Público: A felicidade como acto de resistência

sábado, maio 04, 2013

Contra o recuo, pela Escola Pública



Porque educar é abrir caminhos (...)
é nossa obrigação ir à procura de uma esperança, de uma esperança de primeira. (...) 
É tempo de dizer não.
António Nóvoa ontem no Congresso da Fenprof, Lisboa


O efeito na educação pública das mais novas medidas de austeridade ontem anunciadas pelo Primeiro Ministro de Portugal é fácil de antecipar, e é grave. Demasiado grave.
Vai ser preciso vencer o medo: do desemprego, do "inevitável", do isolamento de que nos querem convencer sempre. 
Vai ser preciso ser firme e claro na denúncia da realidade, contra a manipulação da "versão oficial e mediática": 

  • 40 horas de trabalho semanal registadas no horário são mais 5 pagas pelo mesmo salário, ou menos ainda, rompendo contratos e acordos, ou seja, roubando os trabalhadores a favor do empregador; se fosse o inverso (os docentes quererem o mesmo salário por 30 horas semanais) que diria o ministro?
  • 40 horas de trabalho semanal registadas no horário são menos postos de trabalho, logo, mais gente sem emprego - de imediato (contratados sem vaga), ou a curto ou médio prazo - pela aplicação das regras da mobilidade também em alteração unilateral e permanente; a última versão mediática são 18 meses com 1/3 do salário e depois rua, sem nada, desconhecendo-se até se se aplicará o direito ao subsídio de desemprego depois dessa data
  • há quem pense que mantendo-se o horário letivo atualmente definido por professor, e que nunca foi a totalidade do horário de trabalho (35 h=25 h letivas semanais no JI e 1º ciclo, 22 nos restantes ciclos) o número de lugares de professor se mantém, mas é evidente que esta disposição de alargamento do horário semanal terá implicações nas horas reservadas a algumas tarefas e funções consideradas equiparadas a letivas (diretor de turma, por exemplo), e consequências nas necessidades de pessoal para as cumprir; quanto mais passividade houver perante este anúncio, mais à vontade se sentirá o empregador para apertar com as orientações anuais sobre horários, turmas, cargos e organização do ano letivo que vem - e é um ano de cada vez...
  • há quem, não trabalhando nem nas escolas nem nos serviços públicos, se deixe embalar em vózinhas  de massa folhada recheadas a inveja que nos paralisam desviando o olhar das grandes diferenças (somos um dos países com maiores desigualdades de rendimentos pessoais da Europa, muito poucos muito ricos e muitos muito pobres) para as diferenças pontuais, e muitas vezes mitificadas - se a função pública tem sempre o emprego garantido, e os "privados" não, como ficaram sem emprego milhares de professores nos últimos anos, na escola pública, e há tantos milhares de trabalhadores na mesma empresa privada  há décadas? Ah, depende das empresas? Pois é, lá se vai a certeza universal...
  • 40 horas de trabalho semanal registadas no horário poderão ser muitas mais de vida mais dedicadas à escola e aos alunos, caso se mantenha o horário "de trabalho autónomo" fora do estabelecimento (leia-se em casa, ou "dia livre" assim impropriamente designado em discurso oral corrente) para tarefas que são efetivamente indispensáveis à função docente, incluindo preparação e avaliação de práticas letivas (aulas e outras) e não letivas; se não se mantiver esta "mancha de flexibilidade", que também cobre as soluções mais extravagantes e diversas para reuniões obrigatórias sem remuneração extra nem contabilização de horas absorvidas, por exemplo, terão de ser garantidas nas escolas condições para todo o trabalho ser realizado no seu interior, durante o horário de abertura dos estabelecimentos
  • aos sindicatos cabe neste momento uma responsabilidade histórica imensa, mas isso não dispensa cada um de agir e influenciar como puder o curso das medidas agira anunciadas, em tom de ameaça de "palavra final", como é costume e próprio do tom a que nos habituaram muitos governantes recentes, inseguros q. b. para nem se disporem a negociar
  • o mal que entretanto já foi feito à ideia que cada professor tem de si e da profissão é imenso, e o estrago que isso faz na qualidade do trabalho com os alunos ninguém o mediu, nem consta que o GAVE tenha exames para isso; 
  • as crianças e jovens são os mais prejudicados, sobretudo os das famílias com mais dificuldades económicas e culturais, e alertar para tal é uma responsabilidade cívica, que atravessa toda a sociedade.

Sou professora, e sou cidadã. Bibliotecária, e profissional da educação, da cultura e do conhecimento. Faço parte de um país quase milenar, que ainda existe. Lutei e luto pela democracia para todos, em todos os países, e no meu também. Em todos os palcos que puder. O caso é demasiado grave para dar confiança a cautelas tecno-burocratas do tipo "não compete aqui tratar disso", "é noutro local", "não é o momento certo", etc e tal. Por mim, por respeito próprio e brio, por gratidão aos que antes de mim lutaram contra outros "inevitáveis" que também se davam bem com ideias destas, e lutando  possibilitaram o alargamento e a qualificação da Escola Pública nos séculos XX e XXI. Filhos e netos, meus e de outros, também merecem o respeito de lutar por eles.

Por isso tenho de reagir e combater este vento de insanidade e de afronta à escola pública nas também à República, enquanto organização de cidadãos livres e por isso iguais no acesso aos meios de cultura e conhecimento. Porque o "possível" começa sempre por ser impossível, secundo António Nóvoa na defesa da Ética, da Pedagogia, da Democracia, ou seja, da Escola Pública de qualidade, e para todos, essa que não existe em lado nenhum sem valorização dos professores.

Não haverá recuo, não voltaremos atrás.