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quarta-feira, agosto 12, 2020

Direitos de Literacia - Cidadania Europeia




11 PONTOS DESTACADOS
ELINET - PROGRAMA EUROPEU LIFELONG LEARNING

Declaração dos Direitos de Literacia dos Cidadãos Europeus, ELINET - Rede Europeia de Literacia, 2016

Todas as pessoas na Europa têm direito à literacia. Os Estados-Membros da UE devem assegurar que sejam facultados às pessoas de todas as idades, independentemente da sua classe social, religião, etnia, origem e género, os recursos e as oportunidades necessários para desenvolverem competências de literacia suficientes e sustentáveis por forma a compreenderem e utilizarem de modo eficaz a comunicação escrita, seja ela manual, impressa ou digital.

Texto integral da Declaração aqui




domingo, janeiro 19, 2020

Afago na autoestima lusa, aviso à navegação geral


"Nem Bolsonaro nem Trump passariam em Portugal .Os portugueses - de direita ou de esquerda - não riem desse tipo de figura, nem permitem que elas floresçam.Ao mesmo tempo, de nada adianta o rigor japonês que acaba em suicídio, nem a frieza nórdica que resulta na ausência de vínculos.Os portugueses são dos poucos povos que sabem dosar rigidez e afecto, acidez e doçura, buscando sempre a medida correta de cada elemento, ainda que de forma inconsciente.Todo país do mundo deveria ter uma data como o 25 de Abril para celebrar.Se o Brasil tivesse definido uma data para celebrar o fim da ditadura, talvez não observássemos com tanta dor a fragilidade da nossa democracia."
Ruth Manus, é advogada e professora universitária e escreve num blogue num Jornal de S. Paulo. E escreveu isto sobre Portugal (2020)

quinta-feira, outubro 31, 2019

PALAVRAS COM CORPO E ALMA. PORQUE A POBREZA NÃO É FICÇÃO.




"Sete palavras foram escolhidas por sete pessoas que vivem ou já viveram em situação de pobreza e exclusão social: “desigualdade”, “solidão”, “violência”, “fardo”, “preconceito”, “justiça”,  dignidade”. Cada palavra foi pintada no corpo da pessoa que a escolheu. É a nova campanha da Rede Europeia Antipobreza —EAPN-Portugal, na sigla inglesa.
“Vivemos numa sociedade muito desigual”, salienta Sandra Araújo, directora da EAPN-Portugal. O risco de pobreza aumenta quando se cruza género com idade, origem, etnia, capacidade/incapacidade. “Os fenómenos de pobreza continuam a atingir muitas pessoas e muitas vezes a pobreza é mal compreendida. Há muitos preconceitos, muitos estereótipos, muitos mitos.”Desmontá-los parece-lhe “uma dimensão muito importante”.A palavra “desigualdade” foi escolhida por Neide Conceição."
in Público 20191031  https://www.publico.pt/2019/10/30/sociedade/noticia/pobreza-desigualdade-solidao-violencia-fardo-preconceito-justica-dignidade-1891438

7 videos, 7 histórias reais, uma campanha contra a pobreza. Combatendo a pobreza de espírito, pela dignidade de todos




https://www.eapn.pt/#

quinta-feira, novembro 08, 2018

RiseUP Portugal: O Neoliberalismo é um Fascismo

 A performer in Garth Knight’s “living sculpture” Submission.
A performer in Garth Knight’s “living sculpture” Submission. Photograph: Jodie Barker

A salvação por aliança
Este contexto ameaça, sem alguma duvida, os fundadores das nossas democracias, mas por isso mesmo condena ao desespero e desencorajamento? Certamente que não. Há 500 anos, no auge das derrotas que fizeram cair a maior parte dos estados italianos, impondo-lhes uma ocupação estrangeira de mais de três séculos, Nicolas Maquievel exortava os homens virtuosos a enfrentar o destino e, face à adversidade dos tempos, preferir a acção e a audácia do que a prudência. Por mais que a situação seja trágica, mais ela pede acção e recusa "o abandono".(O Príncepe,capitulos XXV XXVI).
 

Essa lição impõe-se de forma evidente à nossa época, na qual tudo parece comprometido. A determinação dos cidadãos profundamente ligados aos valores democráticos constitui um inestimável recurso que, pelo menos na Bélgica, ainda não revelou o seu potencial de mobilização e o poder de modificar o que é inelutável. 
Graças às redes sociais e à liberdade de expressão que estas facilitam, cada um pode agora se manifestar particularmente no seio dos serviços públicos, nas universidades, no mundo estudantil, na magistratura e nos tribunais para levar o bem comum e a  justiça ao seio do debate público e ao seio da administração do Estado e dascomunidades. 
O neoliberalismo é um fascismo. Deve ser combatido e um humanismo total deve ser restabelecido.

RiseUP Portugal: O Neoliberalismo é um Fascismo: Este é um excelente texto escrito por Manuela Cadelli, Presidente da Associação Sindical dos Magistrados Belgas, publicado no site belga ...

quarta-feira, agosto 15, 2018

On the same page = Na mesma página

I'm on the same page.



Em 2018, as Nações Unidas celebram o 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos (10.12.1948) e a Feira de Frankfurt realiza sua 70ª edição. 
Por isso, as duas resolveram juntar-se e lançaram a campanha On The Same Page, que pede que a indústria internacional de livros e media se envolva ativamente na garantia do respeito aos direitos humanos. 
Como os direitos mínimos estão sendo desafiados em várias partes do mundo, a campanha surgiu para mobilizar livreiros e editores em todo o mundo e garantir que estão todos “na mesma página”. 
Para participar, os livreiros são convidados a montar exposições de livros selecionados, enquanto os editores podem organizar leituras e eventos dedicados ao tema dos direitos humanos. O apelo para aderir estende-se a autores, tradutores, ilustradores, poetas, blogger, humoristas... e todos os visitantes da Feira.
Disponibiliza-se um banner (ver imagem) em inglês e alemão.
A campanha nas redes sociais começa em Setembro e diversos eventos sobre o tema estão sendo preparados para a Feira de Frankfurt. 
Se quiserem aderir, basta registar-se com um email para samepage@book-fair.com.
Ler mais aqui
A história do documento em pouco mais de 6 minutos; falado em inglês, com legendas em inglês, e possibilidade de tradução automática das legendas para muitas línguas:

sábado, junho 02, 2018

Pediu futuro? E tem feito bibliotecas?

Artist’s impression of the design for the children’s area of the Helsinki Central Library.
Image: ALA Architects. 2018
Enquanto as bibliotecas do futuro se tornam alta-tecnologia, parece que também estão a retornar ao conceito de Alexandria sobre o que as bibliotecas devem ser: lugares onde as comunidades se encontram, conversam e conectam. 

While the libraries of the future are going high-tech, it seems they are also returning to the Alexandrian concept of what libraries should be: places where communities meet, talk and connect.

Em Helsínkia (Finlândia), desenvolveu-se um projecto contando com participação dois cidadãos, que definiu o programa da biblioteca e, decorrente disso, o edifício a erguer - o que se concretizou em 2018.  A nova biblioteca pública reflecte um novo pensamento público sobre biblioteca, em que os utilizadores são fazedores activos, mais do que consumidores passivos.
Não tem muito sentido construir um depósito de livros no coração da cidade.  A nova biblioteca oferece serviços tradicionais de biblioteca, como empréstimo de livros, mas também vão ao encontro das necessidades públicas, que evoluem cada vez mais do uso do empréstimo para o fazer. O que exige às bibliotecas oferta de espaços e condições para aprender, trabalhar e praticar diferentes actividades de lazer.  A própria localização, central e perto de duas outras instituições culturais importantes (Museus), junto do Parlamento, reflecte o valor dado à Biblioteca Pública como eixo essencial da democracia e de políticas culturais e de acesso ao conhecimento - para toda a gente.
As pessoas procuram um espaço PÚBLICO culturalmente rico e inovador, gratuito e seguro, com possibilidade para fazer e para trabalhar em rede com outras pessoas, e, claro, com livros e outros materiais para emprestar. E com café!

Ler mais aqui e aqui

quarta-feira, abril 04, 2018

Óscar Lopes


Faz parte da galeria dos meus mestres.

Um dos seus textos porventura menos conhecidos, Gramática simbólica do Português (um esboço), de 1971, abriu-me horizontes de conhecimento que nunca lhe agradecerei bastante. A História da Literatura Portuguesa, que escreveu com António José Saraiva, numa valente edição da Estúdios Cor (1966-1973), depois repetida inúmeras vezes por outras editoras, iluminou gerações de portugueses, e continua a ser uma obra de referência. Pelas mãos de ambos descobrimos autores, épocas, títulos, num guia que nos tornou mais conscientes da nossa língua e dos nossos criadores, desde D. Dinis e os seus cantares de amigo ao século XX.

Antes e depois de 1974, a sua intervenção cidadã e académica sempre me inspirou.  Sou grata, e sei que a memória é fundamental para o futuro. Também por isso estou feliz com a notícia da homenagem que lhe é prestada por ocasião do centenário do seu nascimento.
Em 1983, Como eu gosto deste livro, o notável prefácio que escreveu para o magnífico livro de Haroldo Maranhão A Porta Mágica que editámos na Vértice assinala um dos momentos felizes de leitura e escrita em que pude participar.

Entre 4 de abril e 22 de Novembro de 2018 , a sua Faculdade de Letras da Universidade do Porto, homenageia este grande mestre, em curadoria de Fátima Oliveira e Isabel Pires de Lima.

1
Programa completo aqui 
"Notabilizou-se como ensaísta, linguista e crítico literário e, entre muitos outros epítetos que cabem num percurso singular, foi o primeiro diretor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) no pós-25 de abril. Óscar Lopes é a Figura Eminente da U.Porto 2018, iniciativa que, ao longo do ano, se propõe a celebrar o legado desta personalidade ímpar da história da Universidade e figura central da cultura portuguesa da segunda metade do século XX e início do século XXI.", citado de:
Óscar Lopes é a Figura Eminente da U.Porto 2018 « Notícias UP


sábado, março 31, 2018

Saber da poda




A ler, imediatamente.



Estas práticas [PODAS ABUSIVAS], que em alguns países configuram crimes ambientais, mesmo quando perpretadas em terrenos privados, aqui são sempre justificadas por qualquer razão irracional e mesquinha, ou simplesmente, como se diz no Algarve, porque “as árvores querem-se cortas”. Não há travão ético, estético, nem legal, para refrear o apetite crescente por madeira e outros detritos vegetais, que é a verdadeira força motriz que impulsiona toda esta voracidade podadora recente. Árvores e restante vegetação são em geral vistas entre nós como um estorvo ou apêndice inútil da paisagem, mas – que azar para elas e demais criaturas que delas dependem – cada vez mais uma fonte de rendimento irresistível, desde a venda de madeiras nobres, que atingem no mercado centenas de euros por metro cúbico, como o plátano, o jacarandá ou o cedro, até à transformação para composto, pellets e afins, biogás e electricidade. 
Quando podar, desvastar, recolher, só dava trabalho e nenhum lucro, esses serviços eram realizados por funcionários camarários. Embora as atrocidades tivessem aumentado na razão da evolução das “tecnologias da poda” e diminuição da formação dos podadores, ainda ia havendo uma certa indiferença tolerante. Quando começaram a dar lucro, e muito, rapidamente os mesmos serviços passaram para as mãos de empresas privadas, e desde então, não há erva ou árvore centenária que não esteja à merçê dos exércitos de sapadores recrutados por estas empresas – mão de obra barata não falta e quanto mais energúmeros melhor.
Maria José Castro 

A grande desmatação de 2018 – Observador

quarta-feira, janeiro 10, 2018

Artes, museus e literacia - cultura e democracia

Imagem: Raoul Hausmann
"O combate à precarização laboral nas artes funciona em paralelo com valorização da cultura. É essencial, em primeiro lugar, combater a suborçamentação crónica reforçando os eixos: património, investigação, educação para a cultura. Usar o museu como centro dinamizador na preservação da experiência coletiva, criando um espaço que é do comum, fundamental na capacitação para o exercício de cidadania. Disponibilizar espaços de exposição informais, reconversão de edifícios para artista em residência reforçando práticas e experiências e criando territórios indiferenciados de crítica e questionamento que pensem outros modos de democratização e de maior articulação com os públicos. Consolidar as coleções das instituições com critérios de aquisição objetivos que permitam promover e apoiar o trabalho dos artistas. Construir públicos, colocando os serviços educativos como centrais na democratização dos conteúdos, criando, por exemplo, à semelhança de um Plano Nacional de Leitura e de Cinema, um plano de literacia para as artes formando públicos para os museus." 
Patrícia Barreira
Vale a pena ler o texto todo, nem sequer é muito grande, datado de Novembro de 2017, em Portugal, União Europeia.

O artista precário | Patrícia Barreira

domingo, julho 16, 2017

A toque de cidadania



Cidades de qualidade, combates de cidadania e cegueiras de quem manda e pode

“… a maior aventura humana é dizer o que se pensa.”
Raduan Nassar
Menina a caminho (p. 75)


Em Vila Franca de Xira, há uma passagem de nível que dá acesso ao Cais, um espaço em processo de resgate para o lazer dos cidadãos. O tráfego ferroviário é intenso, e a travessia tem de ser feita com cuidado. De há muito a empresa proprietária aboliu vigilante humano no local.
É verdade que muitas pessoas ainda não interiorizaram as cautelas redobradas que a localização da passagem exige - a visiblidade é escassa, e passam aqui comboios de alta velocidade. Existem cancelas automáticas, e uma alternativa de passagem aérea, mas a campainha de alarme continua a ser necessária.
Sendo necessária e útil, a solução da campainha de alarme nem por isso tem de ser estúpida e desumana.
Não estamos no deserto, nem numa zona rural desabitada. Trata-se do coração de uma cidade. Os níveis de ruído são poluição sonora que devem respeitar esta condição. A lei exige-o, a  saúde pública valoriza-o, o bom senso recomenda-o.
Junto à passagem, moram pessoas. Poucas que sejam, mas pessoas. Uma delas, durante mais de dois anos lutou para que a campainha tivesse um som menos estridente. Não conseguia dormir, e a sua saúde agravou-se. Correu Seca e Meca, de papel na mão, de email em riste, de conversas ao vivo. Respostas surdas, ou nem isso. O Nuno Bico era um combatente, e porfiou. Noutro dia falarei mais sobre o Nuno, amigo desde a infância. Hoje só o menciono neste caso. Esgrimiu com a lei, a saúde pública, a decência, a simples racionalidade. A sua saúde agravou-se. Morreu em 2017. Dias depois da sua morte, a REFER reduziu finalmente o som da campainha. Custou a engolir a aparente ironia, mas a suavidade do toque, que não perdeu o seu efeito de aviso, consolou-nos a gratidão ao Nuno.
A luz do cais sorri de outra maneira, e quem por ali encosta a cabeça no travesseiro, trabalha diariamente ou procura descanso e lazer ganhou um pouco mais de paz dia e noite. Por fora e por dentro, para pensar melhor e escutar melhor.  O direito ao silêncio faz parte do direito à liberdade.
Parecia uma história árdua, mas de final com um conforto e uma ténue confiança na democracia e na derrota da estupidez e da prepotência,
Não era. 
Passados alguns meses, alguém na REFER deve ter decidido que o som tinha de voltar aos níveis insuportáveis.
De repente, o Verão ficou mais escuro, e o rio Tejo engrossou de mágoa e de revolta.
Há quem ache que estas coisas são menores. Eu sei que não são. Por muitos "pormenores" destes é Portugal conhecido por má aplicação de fundos financeiros - a qualidade dos grandes investimentos é sabotada pelos pequenos poderes e a sua ignorância, incompetência ou maldade.
Há quem ache que não há nada a fazer. Não concordo.
Há quem ache que não é só esta a dificuldade que a passagem de nível acentua... Lembram a irregularidade do piso, a demora por vezes de muitas dezenas de minutos até ficar livre, a pouca confiança que a população tem na alternativa para atravessar a pé (passagem aérea junto à Fábrica das Palavras) por haver memória de avarias frequentes noutros elevadores sobre a via férrea na cidade. Concordo com os argumentos, e até posso ir adicionando outros, mas não os acho razões suficientes para adiar a questão.

A questão aqui é simples: conseguir que quem anulou a decisão sensata, embora tardia, de ajustar o nível de som da campainha corrija o erro. Se puder pedir desculpas, ficava bem.

Apelo a todos que o possam fazer que barafustem, escrevam, toquem campainhas nos canais da decisão cega, até que se reponha o nível sonoro decente do alarme.

Nunca esquecida, a questão da alteração da linha de caminho de ferro como barreira a outra qualidade de vida na cidade fica para outra publicação.

Maria José Vitorino


2017.07.16

sexta-feira, maio 19, 2017

Miranda do Corvo, 19.5.2017



TEMPOS E LUGARES DE NÓS-OUTROS, IGUALDADE E CIDADANIA
Maria José Vitorino
Laredo Associação Cultural
19 de Maio de 2015

Agradeço o convite que me foi endereçado para participar nesta Conferência na bela Serra da Lousã, que generosamente nos acolhe num ambiente tão propício à reflexão como favorável ao desenho que se sugere para a Biblioteca, ou para cada biblioteca, e para o papel que podem desempenhar no mundo. Lamento não poder permanecer no segundo dia da Conferência, por motivos profissionais inadiáveis, pois estou certa que vai ser muito estimulante.

Nesta primeira manhã, cabe-me partilhar com a Manuela Barreto Nunes e a Margarida Mota, queridas colegas bibliotecárias, a primeira mesa de desafios, antes da comunicação de Roberto Soto Aranz. Convido-vos a um pequeno aperitivo para a nossa conversa – numa mesa de 3 mulheres, como eram as Moiras, ou Parcas , mas neste caso ao contrário da mitologia, fiando fios para tecer por bons destinos. Assim seja!

No aprazível Hotel onde nos encontramos, os quartos têm designações inspiradoras, e a sua descodificação pode ser deveras estimulante. Coube-me Hefesto, uma saborosa ironia e uma escolha muito adequada.

A omnipresente Wikipedia, com todas as suas limitações, dá informação:
Hefesto ou Hefaísto (em grego: Ήφαιστος, transl.: Hēphaistos)  e “um deus da mitologia grega, cujo equivalente na mitologia romana era Vulcano. Filho de Zeus e Hera, rei e rainha dos deuses ou, de acordo com alguns relatos, apenas de Hera, era o deus da tecnologia, dos ferreiros, artesãos, escultores, metais, metalurgia, fogo e dos vulcões. Como outros ferreiros mitológicos, porém ao contrário dos outros deuses, Hefesto era manco, o que lhe dava uma aparência grotesca aos olhos dos antigos gregos. Servia como ferreiro dos deuses, e era cultuado nos centros manufatureiros e industriais da Grécia, especialmente em Atenas. O centro de seu culto se localizava em Lemnos.
Os símbolos de Hefesto são um martelo de ferreiro, uma bigorna e uma tenaz, embora por vezes tenha sido retratado empunhando um machado.Hefesto foi responsável, entre outras obras, pela égide, escudo  usado por Zeus em sua batalha contra os titãs. Construiu para si um magnífico e brilhante palácio de bronze, equipado com muitos servos mecânicos. De suas forjas saiu Pandora, primeira mulher mortal.

Talvez por também eu ser coxa, e assumir um fascínio pelas tecnologias e pela inovação em dispositivos vários associados à leitura e às bibliotecas, me seja tão grata esta associação ao simbólico que Hefesto nos transmite. Talvez seja coincidência o quarto que me atribuíram, mas é certamente uma feliz coincidência. E como são preciosas as felizes coincidências!

Sou bibliotecária e professora, e realmente de certo modo uma artesã, faço coisas – faço bibliotecas.... E como nas forjas antigas, nenhum de nós trabalha sozinho: são sempre equipas, muitos braços e olhos, e sempre com alguém mais novo a aprender dia a dia os segredos do ofício.

Tal como os ferreiros, amo as minhas ferramentas, e pouco importa que elas hoje pareçam bem diferentes da bigorna e da tenaz. Tecnologia e literacia são membros dum mesmo corpo construtor, e para nadarmos nos mares do presente precisamos de os coordenar nos nossos movimentos. 

Nada se faz sem riscos, e tal como o mitológico ferreiro sofreu os efeitos da exposição ao arsénio, com consequências no seu corpo, quem hoje se arrisca na forja das bibliotecas sujeita-se, frequentemente, a perdas e danos, que valem a pena se fizerem sentido numa visão e num compromisso que transcende a esfera individual. É preciso pois reunir tecnologia, literacia, cidadania e alguma ousadia. Serão estes elementos que teremos de associar na liga que sustente as bibliotecas de que precisamos para a nossa sobrevivência enquanto Humanidade, neste Planeta Terra, ou Gaia, se preferirem... Uma liga ao mesmo tempo resistente e ágil, leve, portátil, à medida da mão, do coração e da razão da Gente de hoje, em toda a parte.

O desafio é servirmos, não deuses, mas homens e mulheres iguais, fraternos e felizes.

A perfeição das formas exteriores não é o que Hefesto dá, nem o que procura – e as imperfeições, dificuldades e carências não lhe repugnam, antes o fazem voltar à forja, inventar, construir, martelar, aperfeiçoar, fabricar, e dar a outros os frutos do seu labor, para que sejam úteis ao caminho de cada um. Que melhor metáfora, amigos bibliotecários, para a nossa labuta, seja na biblioteca móvel que calcorreia caminhos com livros e jornais e conversa atenta, seja nos conteúdos alimentados na web diariamente, seja nas bibliotecas municipais ou nas universitárias?

Retomando o título deste meu contributo, atrevo-me a um pequeno exercício de invocação. Que Hefesto nos inspire na invenção de Bibliotecas como dispositivos de espelhos. Neste tempo de selfies e Narcisos, por um lado, e, por outro, de avassaladora comunicação virtual através de distâncias físicas imensas (tal como nos sinais de espelhos usados militarmente noutro tempo), o espelho é também uma analogia com grande potencial.
Serão as bibliotecas salas de espelhos, onde poderemos descobrir mais sobre nós mesmos e sobre o Outro, espelhos mágicos a atravessar, como Alice, pelo puro prazer da descoberta, ou para mover o mundo de pernas para o ar e o transformar noutro melhor?

Nos anos 70 do século passado, o Manuel António Pina bem anunciou esse caminho, no livro O País das Pessoas de Pernas Para o Ar:
Um dia fez as malas e foi conhecer mundo. Chegou a uma terra em que as pessoas andavam todas de pernas para o ar e de cabeça para baixo. As pessoas daquele país calçavam os sapatos nas mãos e as luvas nos pés.

Zeus venceu os Titãs graças ao escudo que Hefesto concebeu e construiu.
Construamos Bibliotecas como as múltiplas obras de Hefesto, providenciemos bibliotecas ao povo, e venceremos os modernos Titãs. Que Pandoras sairão das nossas forjas?

As boas histórias são assim, levam-nos os pensamentos longe, e nós regressamos sempre mais ricos, mais fortes, mais sábios de novas perguntas. Saibam as bibliotecas manter-se casas de boas histórias, abertas, fraternas e livres, e não teremos feito pouco.

Por hoje, bem dito e louvado, está o conto acabado.


Conferência Ibérica
promovido por Fundação ADFP
Miranda do Corvo, Hotel Parque Serra da Lousã, 19-20 de Maio de 2017

domingo, fevereiro 21, 2016

Leonor Teles, Urso de Ouro, Berlim 2016


A cineasta já se tinha centrado nesta comunidade no primeiro filme, "Rhoma Acans", e confessou que a impotência sentida na primeira película a inspirou a desenvolver uma nova abordagem, em "Balada de um Batráquio"."Havia esse sentimento de frustração em relação ao filme anterior, que tinha uma personagem a quem não consigo mudar a vida. E é ingénuo da minha parte achar que poderia fazer isso. Essa ideia de querer fazer alguma coisa, em vez de estar apenas a ilustrar, era tão forte, era uma urgência. Neste filme decidi: não vamos ficar com frustrações, vamos intervir, vamos partir a loiça toda!"

Um sorriso que derrota qualquer batráquio. Uma equipa que funciona, e ri. E parte batráquios como se houvesse futuro, bom futuro. E há.

Um orgulho imenso, nesta menina e no que este sinal representa. Uma alegria. Um "estúpido" sorriso na cara da urgência.

Parabéns, a ti Leonor, e a toda a tua rede de apoio. Da família ao bairro, dos amigos às escolas, as formais (ES Reynaldo dos Santos, em V. F. Xira, Escola Superior de Cinema, na Amadora) e informais (o futebol, e tantas outras). Cá estamos, espero que à altura.

Vamos partir a loiça toda!


Mais notícia, aqui:

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=5040015

"Nunca pensei ir até Berlim quanto mais ganhar o Urso de Ouro" - Cultura - TSF Rádio Notícias

quarta-feira, dezembro 18, 2013

O futuro está em nós

A Troika não tem nada a ver com o exame a que os professores iam ser sujeitos hoje. Nem com a marosca dos Estaleiros de Viana, nem com a Foral, nem com a criação de um lugar para o ex-comandante da PSP em Paris e, muito menos, com o caos da reforma do IRC. A Troika não pode ser desculpa para tudo, principalmente quando não tem culpa. A gente culpa a Troika, justamente, por ser cega e surda, mas se imaginarmos que a Troika de cegos e surdos lida com um governo de incompetentes e loucos, temos um resultado que inquieta.
A Troika não obrigou a UGT a vender-se por causa da prova. A Troika não impõe a transferência de competências para as freguesias, na lei Relvas, que põe em risco a sobrevivência das bibliotecas de Lisboa. A Troika nunca mandou assinar o acordo de pescas com Espanha para continuar a prejudicar os nossos pescadores. A Troika não foi ao Parlamento Europeu impedir a troca de sementes. A Troika nunca pediu reformas vitalícias para os administradores da EPUL nem sustentou mordomias aos juizes jubilados. A Troika não mandou parar os Simplex. A Troika não impediu o investimento na cultura, não impôs benefícios fiscais aos Casinos portugueses. A Troika, que se saiba, não exige que se cumpra o Acordo Ortográfico nem que os preços das telecomunicações em Portugal sejam dos mais altos da Europa.
A Troika não mandou empregar o filho do senhor Aguenta Ulrich no Estado, nem quer a dissolução da RL Mozart. A Troika não somos nós, portugueses.
Sim, a Troika é um bando de depravados capitalistas, sem ética nem moral. Nós, no entanto, somos suicidas políticos, porque andamos há 40 anos a votar em Cavacos. Paremos de nos queixar da Troika, antes que a Troika se queixe de nós, com toda a razão.
João Vasco Almeida, 18.12.2013, de Lisboa para o Facebook 

quinta-feira, agosto 01, 2013

Calendário EIG _ Agosto 2013 tem rostos de Portugal


Discrimination is everywhere –  hidden and usually within us, both women and men. We accept things as natural’, but they are not natural. They are cultural norms that determine the ways things are.
A discriminação está em toda a parte - oculta e geralmente entre nós, tanto mulheres como homens. Aceitamos as coisas como "naturais", mas não são naturais. São normas culturais que determinam o modo como as coisas são. 
Isabel Barreno 

What I tell young women is not to give up on their dreams. The struggle is not for social liberties, since these have already been established; the struggle is rather to change the mentality.
O que eu digo às mulheres jovens é para não desistirem dos sues sonhos. A luta não é por liberdades sociais, uma vez que essas já foram estabelecidas; a luta é sobretudo por mudar a mentalidade. 
Maria Teresa Horta

Calendário (pdf)
Notícia aqui http://aviagemdosargonautas.net/2013/08/01/calendario-com-rosto-de-maria-isabel-barreno-e-maria-teresa-horta-por-clara-castilho/#comments

quarta-feira, julho 17, 2013

Vampiros - Nicolas Jaar e Gisela João - Lux (Lisboa)



ZECA AFONSO





Vampiros
No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada



Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada 
A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

domingo, maio 19, 2013

Para um futuro decente

Imagem daqui



4.6.1 Um Estado Social promotor do investimento, da criação de emprego e do desenvolvimento

4.6.1.1 Para promover o desenvolvimento é necessária uma administração pública moderna,
desburocratizada e eficiente, orientada pela ética do serviço público, que sirva adequadamente os
cidadãos e organize a sociedade e a economia. Um Estado que exerça as suas funções reguladoras
sem se deixar capturar pelos regulados. É necessário um sistema de justiça mais eficiente e que
garanta a igualdade de acesso e os direitos dos cidadãos. É necessário investimento público
orientado para o desenvolvimento das cidades e outros territórios, dos transportes públicos e
infraestruturas de transportes, ou de sectores da economia em que o capital privado não investe. É
necessária a elevação da literacia e da cidadania em todas as gerações, das qualificações nas Escolas e nas Universidades públicas, o acesso a bens culturais, a saúde, a proteção social e a segurança na velhice. Tudo isto são bens que só o Estado Social, não o mercado, pode assegurar.

Ler mais aqui

sexta-feira, abril 12, 2013

Aaron Swartz


A palestra de Lawrence Lessig estrutura-se em uma tese central e contra-intuitiva:os juristas deveriam celebrar hackers como Aaron Swartz. Para Lessig, utilizar o conhecimento técnico para avançar o bem comum deveria ser a preocupação por excelência dos juristas, bem como a preocupação de qualquer cidadão.

Ler mais aqui
http://ponto.outraspalavras.net/2013/04/11/a-cidade-e-o-futuro-do-mundo-segundo-aaron-swartz/