segunda-feira, outubro 31, 2016

Fim

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,


Façam estalar no ar chicotes,


Chamem palhaços e acrobatas!



Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.


Mário de Sá-Carneiro

A ouvir pelos Trovante, música de João Gil (1987):

https://youtu.be/IOsJqWYO3gc



Ainda podemos ver online o documentário do Pedro Seabra

O Estranho Caso de Mário de Sá-Carneiro



Imagem encontrada aqui, sem indicação de autor nem de créditos. Alvíssaras a quem ajudar a identificar.



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domingo, outubro 16, 2016

Adriano e Gedeão, ao toque de Rui Pato

The Third Self: Mary Oliver on Time, Concentration, the Artist’s Task, and the Central Commitment of the Creative Life

Mary Oliver


FORWARD,

FOR THE EXTRAORDINARY



In creative work — creative work of all kinds — those who are the world’s working artists are not trying to help the world go around, but forward. Which is something altogether different from the ordinary. Such work does not refute the ordinary. It is, simply, something else. Its labor requires a different outlook — a different set of priorities.



The Third Self: Mary Oliver on Time, Concentration, the Artist’s Task, and the Central Commitment of the Creative Life – Brain Pickings

domingo, outubro 09, 2016

Mexican Tales


La Madre Buena (The Good Mother) Film from Sarah Clift on Vimeo.

Lebresse Oblige

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Você já comeu gato por lebre? perguntaram-me devido a meu ar um pouco distraído.
Respondi:
― Como gato por lebre a toda hora. Por tolice, por distração, por ignorância. E até às vezes por delicadeza: me oferecem gato e agradeço a falsa lebre, e quando a lebre mia, finjo que não ouvi.
Respondi:
― Como gato por lebre a toda hora. Por tolice, por distração, por ignorância. E até às vezes por delicadeza: me oferecem gato e agradeço a falsa lebre, e quando a lebre mia, finjo que não ouvi.
Porque sei que a mentira foi para me agradar. Mas não perdoo muito quando o motivo é de má-fé.
Mas a variedade do assunto está já exigindo uma enciclopédia. Por exemplo, quando o gato se imagina lebre. Já que se trata de gato profundamente insatisfeito com sua condição, então lido com a lebre dele: é direito do gato querer ser lebre.
E há casos em que o gato até quer ser gato mesmo, mas lebresse oblige, o que cansa muito.
Há também os que não querem admitir que gostam mesmo é de gato, obrigando-nos a achar que é lebre, e aceitamos só para poder comer em paz com tempos e costumes.
Num tratado sobre o assunto, um professor de melancolia diria que já serviu de lebre a muito gato ordinário. Um professor de irritação diria uma coisa que não se publica.
Tenho mesmo vergonha é quando não aceito lebre pensando que era gato. (Há um provérbio que diz: é melhor ser enganado por um amigo do que desconfiar dele.) É o preço da desconfiança.
Mas na verdade, quando aceito gato por lebre, o problema verdadeiro é de quem me ofereceu, pois meu erro foi apenas o de ser crédula.
Estou gostando de escrever isso. É que várias lebres andaram miando pelos telhados, e tive agora a oportunidade de miar de volta. Gato também é hidrófobo.

LISPECTOR,Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Em Portugal, ed. Porto: Relógio de água, 2013

Wook.pt - A Descoberta do Mundo

Biblioterapia

 
El término biblioterapia parece estrenarse en 1916 en un artículo publicado en la revista The Atlantic Monthly. En él se habla de un tal doctor Bangster, que receta libros a quien los pudiera necesitar. Esto era lo que decía sobre ellos: “Un libro puede ser un estimulante, un tranquilizante, un irritante o un soporífero. La cuestión es que debe hacerte algo, y tú tienes que saber qué es. Un libro puede ser de la naturaleza de un jarabe calmante o puede ser una cataplasma de mostaza irritante”.


Biblioterapia: el poder de un libro sobre tu cerebro | RINCON DEL BIBLIOTECARIO



Remédios Literários, Quetzal, Deus Me Livro




Não sentem por vezes estar a fugir da biblioterapia e a entrar no mundo da psicologia?
Sim, isso foi um elemento algo inesperado do nosso trabalho. Primeiro pensámos na biblioterapia como forma de conduzir as pessoas aos livros certos mas, ao fim de algumas sessões, percebemos que temos também esse papel. Que é algo de que tanto eu como a Susan gostamos muito, e por vezes pensámos em treinar para ser terapeutas a sério, usando a biblioterapia como ferramenta. Mas acabámos por decidir sermos apenas biblioterapistas e não levar isto para o campo medicinal, porque desvirtuaria a nossa abordagem inicial.
Ler mais aqui, entrevista (2016)  http://deusmelivro.com/mil-folhas/entrevista-ella-berthoud-14-6-2016/