Os passos a que ando, um atrás do outro, como as letras em carreirinha, do fim para o princípio.
segunda-feira, maio 17, 2021
terça-feira, novembro 07, 2017
quarta-feira, janeiro 01, 2014
Sorria, está a ser estimulado a pensar
| Imagem daqui |
Remorsos de um encenador de teatro
segunda-feira, setembro 16, 2013
A ler
Os clássicos nascen todos os dias :)
Extrato do conto "O Programador e o Bruxo", incluído no livro "O Inferno de Outro Mundo", que será lançado no Rio de Janeiro esta quarta, dia 18, na Livraria Antonio Gramsci
Já não havia cadeiras vazias quando a palestra começou. Deixei que o Sabatelli iniciasse o filme que trouxera, projetado numa tela nas costas dele – uma compilação de cenas de pseudoavistamentos de OVNIs, na maioria claramente falsos, alguns, os melhores, duvidosos. Mas nada que apontasse para um real contato de terceiro grau. Deixei a palestra ganhar ritmo, só para verificar que o sujeito sabia falar com segurança. Quem não conhecesse bem o tema podia deixar-se levar pela tese de que os ETs já estão na Terra há muito tempo, mas existe uma grande conspiração montada para ocultar as evidências.Quando achei que o sujeito estava ultrapassando os limites, disparei o primeiro míssil: intercalei na projeção cenas do filme “Ed Wood”, do Tim Burton. O público viu, de surpresa, imagens de uns pratos presos por cordéis sendo filmados como se fossem discos voadores, e o realizador, que ficou conhecido como “o pior cineasta do mundo”, interpretado pelo ator Johnny Depp, dizendo que não havia problema que os fios aparecessem. As pessoas começaram a rir, e o Sabatelli, que estava de costas, não entendeu nada. Quando se virou, cortei o filme que trouxera e voltei a exibir o dele.O homem não deu pela troca e achou que riam do filme dos OVNIs. Engasgou-se, vacilou, ensaiou um improviso dizendo que as imagens eram sérias, “avistamentos confirmados”, e eu disparei o segundo míssil – a cena do mesmo filme que mostrava o Ed Wood vestido de mulher e dançando. O público já ria às gargalhadas, o Sabatelli se virou de repente e a cena desapareceu. Fiquei brincando de gato e rato com ele. Mal se virava para o público, regressava o Ed Wood; logo que dava as costas ao público e encarava a tela regressavam os pseudoavistamentos de OVNIs. As pessoas já quase rebolavam de tanto rir. Aquilo parecia um filme dos irmãos Marx. Finalmente, desisti da brincadeira e deixei em looping a sequência dos pratos fingindo que eram discos voadores, presos a cordeizinhos, e o Ed Wood dizendo: “No problem!”O Sabatelli espumou de raiva quando viu a projeção, saltou sobre o notebook e desligou-o da corrente, esquecendo que a bateria o manteria funcionando. Olhou perplexo o ecrã, sem saber o que fazer. O público não parava de rir. Até que finalmente lembrou o óbvio: desligou o cabo do projetor, agarrou o notebook e a mala e saiu porta afora.Quando achei que o sujeito estava ultrapassando os limites, disparei o primeiro míssil: intercalei na projeção cenas do filme “Ed Wood”, do Tim Burton. O público viu, de surpresa, imagens de uns pratos presos por cordéis sendo filmados como se fossem discos voadores, e o realizador, que ficou conhecido como “o pior cineasta do mundo”, interpretado pelo ator Johnny Depp, dizendo que não havia problema que os fios aparecessem. As pessoas começaram a rir, e o Sabatelli, que estava de costas, não entendeu nada. Quando se virou, cortei o filme que trouxera e voltei a exibir o dele.O homem não deu pela troca e achou que riam do filme dos OVNIs. Engasgou-se, vacilou, ensaiou um improviso dizendo que as imagens eram sérias, “avistamentos confirmados”, e eu disparei o segundo míssil – a cena do mesmo filme que mostrava o Ed Wood vestido de mulher e dançando. O público já ria às gargalhadas, o Sabatelli se virou de repente e a cena desapareceu. Fiquei brincando de gato e rato com ele. Mal se virava para o público, regressava o Ed Wood; logo que dava as costas ao público e encarava a tela regressavam os pseudoavistamentos de OVNIs. As pessoas já quase rebolavam de tanto rir. Aquilo parecia um filme dos irmãos Marx. Finalmente, desisti da brincadeira e deixei em looping a sequência dos pratos fingindo que eram discos voadores, presos a cordeizinhos, e o Ed Wood dizendo: “No problem!”O Sabatelli espumou de raiva quando viu a projeção, saltou sobre o notebook e desligou-o da corrente, esquecendo que a bateria o manteria funcionando. Olhou perplexo o ecrã, sem saber o que fazer. O público não parava de rir. Até que finalmente lembrou o óbvio: desligou o cabo do projetor, agarrou o notebook e a mala e saiu porta afora.
Luis Leiria
Quem for ao lançamento, adira ao evento aqui:
https://www.facebook.com/events/579074355486833/?fref=ts
quinta-feira, maio 16, 2013
sexta-feira, janeiro 25, 2013
segunda-feira, junho 25, 2012
quarta-feira, julho 13, 2011
quinta-feira, maio 19, 2011
quinta-feira, junho 03, 2010
João Aguiar, até sempre
A NATIVIDADE RELUTANTE
À porta da Sala fui encontrar o Supervisor, rodeado pelos seus Técnicos. Aqueles rostos tensos, angustiados, confirmaram o meu pressentimento: havia crise.
Mal me viu, o Supervisor correu ao meu encontro.
– Ainda bem que veio, é a nossa última esperança!
– O que se passa? Algum contratempo?
Ele dominava-se, mas era evidente que estava à beira do pânico.
– Contratempo? Se fosse só um contratempo... mas é bem pior. Pode muito bem ser uma catástrofe!
Indicou a porta da Sala, que se mantinha fechada, e acrescentou:
– O Processo foi interrompido.
Como assim, perguntei. Isso nunca tinha acontecido, era uma coisa inconcebível. O Supervisor encolheu os ombros e explicou:
– Ele abandonou a Câmara de Transformação e recusa-se a voltar para lá.
Não percebi logo o significado da frase.
– Não quer voltar? Quer dizer que...
Gravemente, o Supervisor fez um aceno afirmativo: – Recusa-se a nascer.
– Como?
Ao longo dos corredores silenciosos, a minha voz vibrou como uma explosão, a ponto de me assustar e de fazer estremecer os Técnicos.
– Mas isso não é possível. A Hora está a chegar.
O Supervisor fez outro aceno de cabeça. – Por isso o chamei com tanta urgência. Talvez Ele lhe dê ouvidos.
Sentia-me atordoado. A ideia de tal recusa era inimaginável.
– Quando entrou – prosseguiu o Supervisor – ia mais sombrio do que é habitual. Mas iniciou o Processo normalmente. De súbito, ao atingir os sete anos, parou, saiu da Câmara e disse: «Nada feito!»
– Está, então, nos sete anos?
– Sim, parou aí. – Num fio de voz, o Supervisor suplicou: – Fale-Lhe. Tente convencê-Lo. Pense no que está em jogo.
Eu pensava, sim, e a ideia dava-me tonturas. Fiz um gesto com a mão; ele abriu a porta e entrei.
Quando O vi, tive outra surpresa: estava, de facto, com sete anos – um Menino negro de sete anos, magrinho e mirrado, acocorado a um canto da sala. Olhou-me com ar de irritação.
– Ah. Pedro. Contaram-te.
– Sim, contaram. Estão todos muito preocupados.
Com cautela, para não parecer que recorria à lisonja, acrescentei:
– Era uma boa ideia, essa. A cor da pele, quero dizer.
Esboçou um sorriso. – Sim, pensei que era tempo. A África está a sofrer demasiado.
– Exactamente.
O sorriso apagou-se. – Mas pensei melhor e... não, decidi que não. Estou farto de esforços inúteis, sem sentido. Não haverá Nascimento.
Engoli em seco.
– Senhor, isso significa que na Terra não haverá Natal.
Ele, que baixara os olhos para o chão, endireitou-se. Era, agora, um pequeno Semita, um Árabe ou um judeu.
– Não haverá? Mas tem havido Natal, Pedro? Natal digno desse nome? Nunca dei por isso. Terei Eu andado distraído durante todos estes séculos?
Abri os braços. – Compreendo o que quereis dizer. A Humanidade da Terra não parece observar o verdadeiro espírito...
– Observar? Fizeram dele uma farsa! Festas, banquetes, presentes... aqueles que podem, porque os outros morrem de fome ou de guerra. E tem piorado, se é que ainda é possível. Natal, Pedro, só nos romances e nas peças de teatro e naqueles filmes que fazem nesse lugar infernal chamado... han...
– Hollywood.
– Isso. E mesmo aí, passou de moda. Não, não Me convences a submeter-Me a mais uma Natividade. Aliás, deixou de fazer sentido.
Esta última frase desorientou-me: – Como? Deixou de...
E Ele, numa ironia cortante:
– O Nascimento milagroso através de uma Virgem. Eles já não gostam, já não lhes diz nada. As virgens perderam a cotação nos seus malditos mercados. Aliás, não acreditam. Quando muito, hão-de produzir as crianças em laboratório. Eles acreditam nos laboratórios, mas não nas virgens.
Neste momento, Quem estava diante de mim era uma Criança loura, resplandecente, de olhos azuis brilhantes e zangados. Estremeci sem querer e Ele perguntou-me se tinha frio.
– Não. Perdoai-me, são essas mudanças tão rápidas. Perturbam-me...
Fez uma careta infantil. A Transformação costuma produzir efeitos desses.
– Nem reparei, foi involuntário.
Retomou o curso das recriminações: – Tantas mais coisas que poderia dizer! Houve algum dia de Natal, um só, em que não houvesse mortes, e doenças, e crimes? Algum dia...! Eles nem sabem ao certo em que dia nasci. E a hora: uma convenção. Decidiram festejar-Me à meia-noite, mas quantas meias-noites há na Terra? Numa só noite, nasço tantas vezes quantos os fusos horários!
Abri a boca, porém Ele disparou:
– Dois mil anos, Pedro. Dois mil Natais traídos. Não haverá mais nenhum. já decidi.
Ficou calado enquanto ganhava os traços fisionómicos de um pequeno Chinês. Decidi-me a falar:
– Senhor: não foram eles concebidos com sexos, desejos, paixões e instintos? Não estão sujeitos à morte e à doença e à luxúria e à miséria e a uma muito breve e insatisfatória felicidade?
Baixei a voz para rematar: – E não estão eles à espera... há muito mais que dois mil anos... de um Sinal inegável e irrecusável?
Ele fixou-me com intensidade: – Queres dizer que a culpa... que foi tudo mal planeado e mal executado?
Curvei humildemente a cabeça.
– Não. Não me atrevo a dizer seja o que for, não quero renegar-Vos outra vez. Mas considerai, suplico-Vos: pode bem ser que ainda haja neste momento, lá em baixo, um deles que esteja à Vossa espera, sinceramente e verdadeiramente. Um só, perdido entre biliões.
Não sei quanto tempo ali ficámos a olhar-nos. De repente, Ele encaminhou-se para a Câmara de Transformação, abriu a escotilha e virou-se de novo para mim.
– Está bem, Pedro. Com esse argumento...
Sorri-Lhe, aliviado. Devolveu-me o sorriso e entrou na Câmara.
Mas por um instante, um milésimo de segundo, quando voltava a ser um Menino negro, vi que os Seus olhos eram agora os de um velho. Cansados, mortalmente cansados e tristes.
Quando saí da Sala, o Arcanjo Supervisor e os seus Anjos, que ainda estavam junto da porta, felicitaram-me com entusiasmo. Não lhes respondi.
Avancei pelo corredor deserto, levando comigo a memória daqueles olhos em que cabia toda a mágoa do Universo.
© João Aguiar, O Canto dos Fantasmas, 2ª ed. revista, Porto, Edições Asa, 1999, pp. 90-94 (reprodução autorizada pelo autor) Inhttp://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/aguiar3.htm
domingo, dezembro 20, 2009
E-Book RBE, criação espontânea, edição Issuu
Sílvio Maltez, Professor Bibliotecário em Mem Martins (Sintra). Humor RBE neste Natal.
Como diria a Luísa Alvim, Vival as Bibliotecas Vivas!
sexta-feira, junho 29, 2007
Isto é dois mil e sete? Really?
NESTE BLOG NÃO
SE FAZ CROCHET
SE ESTUDA EM CIMA DAS MESAS
SE CRITICA MONSIEUR LE PRÉSIDENT, MR. PRESIDENT, SEÑOR PRESIDENTE, AMO
por supuesto presupuesto...
Humor (sentido de )
Ainda havemos de o ver à venda nas farmácias em unidoses com a recomendação
SE NÃO USAR TODAS ESTAS DOSES - DÊ AOS POBRES, QUE EMPRESTA AO ESPÍRITO SANTO!
Isto é um caso muito sério. Aliás, vários casos. E o tempo que nos faz perder em melindres de donzela, gasta-o este Governo à socapa em delitos de (isso mesmo que estais a pensar). Eficaz? E revelador.
Como se aplica o conceito de desobediência civil à gargalhada por ver um "superior hierárquico" perder completamente a compostura, ou seja, a noção do ridículo? Quem não consegue ver que a melhor maneira de aumentar as anedotas é proibir uma anedota?
Ora aí está: o que se pretende é aumentar desesperadamente a jocosidade nacional, em privado já se vê. À vista, tudo cinzentinho e conformado.
Depois contamina e há falta de inovação, criatividade, competitividade? Pois há, lá isso... riscos de privatizar exercícios de inteligência. Paciência! Não se pode ter tudo: para obediência, mesmo na inutilidade, sobretudo na inutilidade, a inteligência só atrapalha.
(agradecendo provocação ao Daniel)
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Senhores, sou mulher de trabalho, e falo com poucas maneiras, porque as maneiras, são como a luva que calça o ladrão. Ás vezes, eu ponho-me...
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PORTUGAL (de Jorge Sousa Braga, 1981) Portugal Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir como se tivesse oitocentos Que ...
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CANTIGA PARA QUEM SONHA Tu que tens dez reis de esperança e de amor grita bem alto que queres viver. Compra pão e vinho, mas rouba uma fl...


