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sexta-feira, abril 16, 2021

Dora Rodrigues, Rossana Rinaldi, Marco Alves dos Santos, André Henriques e Cristóvão Luiz | Agenda Cultural de Guimarães

"ROSSINI SACRO"
Convento de Santo António dos Capuchos
Almada, Portugal

Sábado, 3 de Abril 2021, 21.30
c. 1h

SINOPSE
Este concerto está marcado pela figura da Virgem Dolorosa.
Face à impossibilidade, pelas atuais circunstâncias pandémicas, de podermos executar esta magnífica obra com Coro e Orquestra, ouviremos todos os momentos pertencentes aos solistas.
Completaremos este programa “ Rossini Sacro “ com as intervenções solísticas da não menos maravilhosa “Petite Messe Solemnelle”.


Dora Rodrigues, Rossana Rinaldi, Marco Alves dos Santos, André Henriques e Cristóvão Luiz | Agenda Cultural de Guimarães

terça-feira, março 16, 2021

Pequenos deuses caseiros - Sidónio Muralha, Manuel Freire



Pequenos deuses caseiros
Que brincais aos temporais,
Passam-se os dias, semanas,
Os meses e os anos
E vós jogais, jogais
O jogo dos tiranos.
O jogo dos tiranos.
O jogo dos tiranos.
Pequenos deuses caseiros
Cantai cantigas macias
Tomai vossa morfina,
Perdulai vossos dinheiros
Derramai a vossa raiva
Gozai vossas tiranias,
Pequenos deuses caseiros.
Pequenos deuses caseiros.
Erguei vossos castelos
Elegei vossos senhores
Espancai vossos criados,
Violai vossas criadas,
E bebei,
O vinho dos traidores
Servido em taças roubadas
Servido em taças roubadas
Dormi em colchões de pena,
Dançai dias inteiros,
Comprai os que se vendem,
Alteai vossas janelas,
E trancai as vossas portas,
Pequenos deuses caseiros,
E reforçai, reforçai as sentinelas.
E reforçai, reforçai as sentinelas.
E reforçai, reforçai as sentinelas.
E reforçai, reforçai as sentinelas.
Fonte: Musixmatch
Compositores: Sidonio Muralha / Manuel Freire

terça-feira, novembro 10, 2020

sábado, maio 02, 2020

Três Tristes Tigres - Língua franca


com Regina Guimarães
Depois da terra arrefecer
Sem o tempo a correr
Sem escola e sem esmola

Em vez dos ais e dos eus
Eram mil formas de Deus
E a nossa fala era dele
Língua anterior a papel

No agora de outrora
Depois do caldo esfriar
Sem o tempo nos faltar
Sem espécie, sem espera

Eram mil formas de Deus
Que nos caíam dos céus
Que nos caíam dos céus
Só uma fala existia
Língua da feitiçaria

No agora de outrora
Depois do sopro animar
Cada nova criatura
Sem mal e sem cura

Eram mil formas de Deus
E não cordeiros e réus
E não diabos e virgens
A interrogar as origens
Cada folha sol dizia
E cada pedra cantava
Cada folha sol dizia
E cada pedra cantava

Correndo a água narrava
O fumo exprimia o lume
O vapor pavor contava
A neve chamava o cume

O fogo ardia a brincar
As terras secas boiavam
O céu tinha um ar de mar
Os anjos proliferavam

Cobra entendia rochedo
Rochedo entendia musgo
Musgo entendia arvoredo
Todos entendiam tudo
https://genius.com/Tres-tristes-tigres-lingua-franca-lyrics

quarta-feira, abril 15, 2020

Luiz Goes - Cantiga para quem sonha



CANTIGA PARA QUEM SONHA

Tu que tens dez reis de esperança e de amor
grita bem alto que queres viver.
Compra pão e vinho, mas rouba uma flor.
Tudo o que é belo não é de vender
Não vendem ondas do mar
nem brisa ou estrelas, sol ou lua-cheia
Não vendem moças de amar
nem certas janelas em dunas de areia.

Canta, canta como uma ave ou um rio
Dá o teu braço aos que querem sonhar
Quem trouxer mãos livres ou um assobio,
nem é preciso que saiba cantar.

Tu que crês num mundo maior e melhor
grita bem alto que o céu está aqui.
Tu que vês irmãos, só irmãos em redor,
Crê que esse mundo começa por ti.
Traz uma viola, um poema,
um passo de dança, um sonho maduro.
Canta glosando este tema,
Em cada criança há um homem puro.

Canta, canta como uma ave ou um rio
Dá o teu braço aos que querem sonhar
Quem trouxer mãos livres ou um assobio,
nem é preciso que saiba cantar.

Letra de Leonel Neves
Música de João Gomes
Canta Luiz Goes

sábado, março 14, 2020

Gente Humilde



MULHERES DO SUL de Adriana Queiroz

Gente Humilde de Vinicius de Moraes

Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece
De repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a tudo, quando eu passo
Num subúrbio
Eu muito bem, vindo de trem
De algum lugar
Aí me dá uma inveja
Dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar
São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada, escrito em cima
Que é um lar
Pela varanda, flores tristes
E baldias
Como a alegria que não tem
Onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito de eu não ter
Como lutar
E eu não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar

segunda-feira, outubro 22, 2018

A vida é tão rara!


Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...


domingo, maio 14, 2017

Amar



Europa, 2017

Homenagem singela a Salvador Sobral e ao seu traje negro que nos recorda as camisolas que o proibem de vestir, proibições ridículas mas mesmo assim tentadas, e todas as bandeiras que o nosso coração ama por dois e ergue por todos.

Viva a ironia, a utopia e o sonho. Viva a nossa bela língua portuguesa.

Viva a Música e a Poesia.




Imagem REUTERS/GLEB GARANICH de Salvador Sobral na final do concurso da Eurovisão, Kiev, 13.05.2017, publicada aqui. Numa conferência de imprensa, usou uma camisola com "SOS REFUGEES" e apelou ao que chamou "humanitarismo". Esta veste foi proibida pela organização do Festival.
A canção "Amar pelos dois" venceria o concurso. Sou fan de Salvador Sobral há muito tempo, e fiquei feliz, há sinais de esperança que nos animam. Até agora, a minha interpretação favorita da canção é esta 

sábado, março 11, 2017

Música, Alegria, Educação e Futuro



Lendo e relendo o que queremos que a gente da nossa terra seja e aprenda no próximo século, eis que a Música se desenha como área fundamental do caminho educativo. Fruindo, aprendendo, praticando, experimentando música ficamos mais capazes de som e silêncio, escuta e expressão, de falar e calar entre nós, sobre nós, com outros, sobre todos. Ou seja, a sermos melhores e tornar melhor o Mundo. Um mundo de gente igual por dentro, gente igual por fora. Capital da alegria.

É possível, necessário. E urgente.

Esta reflexão foi suscitada pelo documento em discussão pública
Perfil dos alunos à saída da Escolaridade Obrigatória, 
https://dge.mec.pt/sites/default/files/Noticias_Imagens/perfil_do_aluno.pdf.
E também por indignações várias nos jornais sobre a escassez de horas para Português e Matemática, como se educar gente fosse coisa de caixinhas separadas em disciplinas académicas, e se medisse em horas de relógio. O tempo que dedicamos a um assunto não está só no horário afixado na parede, mas também no tempo interior que alarga e se adensa com o interesse, o amor e a alegria que lhe conseguimos associar. O rigor que importa é o que se deseja e valoriza, por amar o que se aprende e pratica.

Espero sinceramente que a Música, como as artes em geral (incluindo as da palavra e as que usam matemática, que são todas, como ensina tantas vezes o Almada Negreiros), sejam entendidas como coração das propostas da escola. E se mantenham no coração das propostas da educação não formal. E que a Música, toda a Música
  • não seja proibida nem perseguida nas cidades e nos campos
  • não seja proibida nem perseguida nas escolas
  • seja acarinhada e respeitada nas escolas, em todas as escolas
  • não seja transformada em horror em lado nenhum
Porquê? Por desejar aos que vierem depois muitas capitais da alegria.