domingo, setembro 15, 2013

Canção amiga


Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, setembro 06, 2013

Ladrões de Bicicletas: Bem-vindos ao «cheque-ensino» (II)


Assinale-se, por agora, que é hoje mais que evidente o cumprimento prévio de uma das etapas essenciais deste processo - a degradação da escola pública - alcançada com êxito pelo ministro Nuno Crato ao longo dos últimos dois anos, no seu desígnio de financiar o ensino privado através do Orçamento de Estado (e ao arrepio do estabelecido no Memorando da Troika, o tal que era para cumprir «custe o que custar»). É isso que significa o despedimento massivo de professores, os sucessivos cortes orçamentais, o aumento do número de alunos por turma ou a criação de giga-agrupamentos escolares, entre outras medidas lesivas da qualidade do ensino. Nuno Crato, o arauto da livre «concorrência entre escolas e entre sistemas», não brinca em serviço: para permitir que colégios e escolas privadas possam generalizadamente competir com a escola pública, e antes de lhes reforçar por esta via o financiamento, tratou antecipadamente de a enfraquecer e deteriorar.

Ladrões de Bicicletas: Bem-vindos ao «cheque-ensino» (II):   « É legítimo supormos que todos os estudantes, ao estarem munidos do "vale" que o Estado lhes passou a colocar nas mãos (para...

quarta-feira, setembro 04, 2013

a vida pensada a régua e compasso | aposentos


"Dito de outro modo, as construções deixaram de ser um apoio à aquisição de propriedades e noções para passarem a ser ilustrações grosseiras de noções que eram dadas como adquiridas. E, isso, parece-nos natural por ser consistente com o ensino superior e as suas ferramentas de então.
Talvez por isso a manutenção e renovação dos utensílios de desenho para a geometria matemática deixou de ser acautelada. Falamos de escolas que conhecemos e onde trabalhámos. Quando começámos a preocupar-nos verdadeiramente com o problema, nos primeiros anos da década de 80, procurámos fazer construções geométricas em sessões para professores de matemática, na escola em que trabalhávamos. Com algum espanto nosso e nenhum espanto dos participantes, não conseguimos traçar uma circunferência e, em alguns casos, nem uma recta adequada aos passos da construção. Para além dos quadros de ardósia ou similares, os compassos e as réguas que requisitáramos já estavam em adiantado estado de decomposição. E estamos convencidos que essa degradação não se devia só a incúria das administrações; era suportada pelas práticas dos profissionais envolvidos no ensino da geometria matemática. Não se encontravam em mau estado os instrumentos dos anexos a salas específicas de professores de desenho.
(...)
Quando apareceram os quadros interactivos, experimentámos cada um dos modelos, um pouco por todo o lado, ao mesmo tempo que experimentávamos programas de Geometria Dinâmica na esperança de podermos ver os jovens nas salas de aula a resolver problemas usando instrumentos (réguas e compasso, visuais e virtuais), a confirmar resultados, a pensar o passo a passo, propriedade a propriedade, compondo raciocínios e percebendo como as coisas andam ligadas, como uma só construção está na base de muitas ideias diferentes. (...)"
Arsélio Martins, 2013

a vida pensada a régua e compasso | aposentos:

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terça-feira, agosto 27, 2013

A questão Cinemateca - PÚBLICO

A questão Cinemateca - PÚBLICO: "Colocar a Cinemateca na dependência directa das receitas de publicidade das televisões faz tanto sentido quanto indexar o orçamento da Biblioteca Nacional e da Torre do Tombo aos resultados das vendas dos romances de José Rodrigues dos Santos.(...)
A Cinemateca, graças a Félix Ribeiro e a Luís de Pina, mas sobretudo graças à inesgotável energia e ao enorme carisma de João Bénard da Costa, foi uma instituição que se soube afirmar como poucas na vida cultural portuguesa, e que desempenha hoje um papel único, essencial e insubstituível, cuja prossecução não pode estar dependente de anúncios de carros, telemóveis e cervejas. E isto não é ser estatista. Isto é ser liberal - uma Cinemateca fechada afecta a minha liberdade enquanto indivíduo, ao vedar-me o único acesso que existe neste país a 120 anos de história do cinema. Não é coisa pouca."

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domingo, agosto 25, 2013

Voemos

Edna de Araquara

ALGUMAS PROPOSIÇÕES COM PÁSSAROS E ÁRVORES QUE O POETA REMATA COM UMA REFERÊNCIA AO CORAÇÃO

OS PÁSSAROS NASCEM NA PONTA DAS ÁRVORES

As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
Deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
Quando o Outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
Mas deixo essa forma de dizer ao romancista
É complicada e não se da bem na poesia
Não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração


RUY BELO, in TODOS OS POEMAS ( Lisboa: Assírio & Alvim, 2000)

quarta-feira, agosto 21, 2013


A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

A meu favor tenho uma rua em transe
Um alto incêndio em nome de nós todos

Alexandre O'Neill
(19 de Dezembro de 1924 -21 de Agosto de 1986)

Quando a comunicação social se suicida


 
A correspondente de guerra não nega a crise dos jornais: "Existe uma crise dos media, mas não dos leitores." Para ela, essa crise explica-se pela corrida para o simplismo e o sensacionalismo, acompanhada pelos cortes abruptos na qualidade da comunicação social. Os leitores continuam a querer compreender aquilo que acontece no mundo e isso exige um jornalismo que vá para além da histeria das aparências, feito por jornalistas que vão aos locais para contar as histórias e entender as pessoas e as suas circunstâncias.

 Mais escandaloso que o tempo e o modo como Judite Sousa entrevistou um jovem milionário com pouca história é o facto de nenhum órgão de comunicação social nacional ter conseguido enviar um jornalista para o Egipto. Não é o público que só consegue ler as Pepas e os Lorenzos desta vida, é a comunicação social que está a decretar o seu próprio suicídio.
Se lermos a "História de Portugal" organizada por José Mattoso, verificamos que no início do século xx, com uma população escassamente alfabetizada, "O Século" e o "Diário de Notícias" vendiam, cada um, cerca de 100 mil exemplares por dia. Em pleno século xxi, os nossos jornais têm muito menos leitores. Não foram eles que desapareceram, são os jornais, a comunicação social e os jornalistas que não estão a cumprir devidamente o seu papel de informar com qualidade. O que fazem não serve.
Nuno Ramos de Almeida, Agosto 2013 

Quando a comunicação social se suicida | iOnline - Notícias de Portugal, Mundo, Economia, Desporto, Boa Vida, Opinião e muito mais.

terça-feira, agosto 20, 2013

The Learning Generalist: Why my daughter doesn't deserve school

De vez em quando, é bom recentrarmo-nos no essencial. Cada criança é de facto uma oportunidade para melhorar.


The Learning Generalist: Why my daughter doesn't deserve school:

 " I do have a few things in mind that I want my daughter to get out of her education - and I'm particular about these to the extent that I'm more than happy to homeschool her if necessary.

  • Enjoy her childhood and grow organically
  • Develop a respect for nature
  • Experience the dignity of labour
  • Build respect for tradition and indigenous livelihoods; learn extensively from them
  • Gain mastery over all our family languages - Hindi, Bengali and Marathi
  • Pursue knowledge for its own sake - not for curriculum
  • Discover the ability to follow her passion without fear
  • Question the status quo of the current world
  • Learn to work with others, not against them
  • Apply her learning in real life through inter-disciplinary challenges"


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quinta-feira, agosto 15, 2013

Um rio, só se for claro

ROTEIRO

Parar. Parar não paro.
Esquecer. Esquecer não esqueço.
Se carácter custa caro
pago o preço.

Pago embora seja raro.
Mas homem não tem avesso
e o peso da pedra eu comparo
à força do arremesso.

Um rio, só se fôr claro.
Correr, sim, mas sem tropeço.
Mas se tropeçar não paro
- não paro nem mereço.

E que ninguém me dê amparo
nem me pergunte se padeço.
Não sou nem serei avaro
- se carácter custa caro
pago o preço.

SIDONIO MURALHA

Pode a confiança ser o cerne da educação? Pode ser de outro modo?

In the following video from Digital Media Research Hub, Katie Salen, Depaul University professor and Executive Director of the Institute of Play discusses the role of play in learning, describing it as a “state of being” that empowers learners to access and explore content, and consider the roles of others in a shared learning space.  (Retirei daqui)



Lembrei-me de uma canção, já antiga...


segunda-feira, agosto 12, 2013

Meninas que lutam por ir à escola (Paquistão, 2013)



United Nations, 11 July 2013 - Disastrous flooding in Pakistan has destroyed countless schools throughout the country. But the rebuilding efforts have presented an opportunity for change in traditional attitudes towards girls' education

Nações Unidas, 11 Jukho 2013 - As inundações catastróficas no Paquistão destruíram inúmeras escolas em todo o país. Mas os esforços de reconstrução trouxeram uma oportunidade para mudar as atitudes tradicionais relativamente à educação das raparigas.

Ler mais aqui

sábado, agosto 10, 2013

É na terra do teu pão / que se joga a tua sorte



Em 1969 Luís Cília, gravou o seu segundo disco para a etiqueta moshé-naim, com poesia portuguesa, no qual surge este tema. Mais tarde Adriano Correia de Oliveira interpretou e gravou, esta canção com o nome de "Margem Sul". O poema é de Urbano Tavares Rodrigues de quem, o Luís, gravou mais um poema, num disco unicamente editado em Espanha.

Ó Alentejo dos pobres
Reino da desolação
Não sirvas quem te despreza
É tua a tua nação

Não vás a terras alheias
Lançar sementes de morte
É na terra do teu pão
Que se joga a tua sorte

Terra sangrenta de Serpa
Terra morena de Moura
Vilas de angústia em botão
Dor cerrada em Baleizão

A foice dos teus ceifeiros
Trago no peito gravada
Ó minha terra vermelha
Como bandeira sonhada

Para saber mais consulte o site www.luiscilia.com

quinta-feira, agosto 08, 2013

Street Boy -- Sixto Rodriguez

Cá dentro inquietação, inquietação


Entre o Twitter, o Facebook e a rua, a gente vai enfrentando o medo. Coletivamente, em comunicação global, a aprender sempre, reforçando-se pela não violência. Tudo começa, como na canção do José Mário Branco, "cá dentro", na inquietação.
"Os movimentos dizem que o mais importante não é o produto, o que conseguiram, mas sim o processo, ou seja, como conseguiram. A partir daí, criam experiências do que poderiam ser outras formas de representação políticas"
(...)
"Enquanto tivermos capacidade de indignação e de mobilização, poderemos ir para a prática"

Não basta apenas criticar na internet, diz sociólogo Manuel Castells - Terra Brasil:

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quarta-feira, agosto 07, 2013

Mundo Feio

http://www.pobrezanaopagaadivida.info/
Petição

Todavia, mais que criticar as “frases infelizes” de alguns protagonistas, interessa entender que, como mostra Doreen Massey, palavras como “cliente”, “consumidor”, “mercado” modelam quer a nossa visão de nós próprios quer a nossa visão do mundo e criam a ilusão de que o mundo é “isto” porque não pode ser outra coisa (o tal TINA neoliberal, o inefável “there is no alternative”).
Maria Rosa Martelo, 2013 
Ler o resto do texto aqui:
Mundo Feio | iOnline - Notícias de Portugal, Mundo, Economia, Desporto, Boa Vida, Opinião e muito mais.

terça-feira, agosto 06, 2013

Agonia em Agosto, Setembro mal posto


Por incrível que pareça, para que um ano lectivo decorra com normalidade, a maior parte das decisões têm de ser tomadas com grande antecedência, obrigando a um misto de planeamento, sensibilidade e bom senso.
Num tempo em que é o paradigma empresarial que rege a visão sobre todas as outras instituições, seria de esperar que o Ministério da Educação se comportasse como um conselho de administração dirigido por gestores previdentes.
Em vez disso, a equipa de Nuno Crato reforça o caos nas escolas, criando uma situação que leva a que haja alunos sem turma, professores sem horário e directores sem férias. Ao mesmo tempo, quer impor, em Agosto, uma prova que, mesmo que fizesse sentido, teria de estar preparada com muito mais antecedência.
Nuno Crato já não vai a tempo de perceber o que é um ano lectivo. Por outro lado, no fundo, nunca quis saber. Se soubesse, não podia ser Ministro da Educação.
Nuno Crato não sabe o que é um ano lectivo

sábado, agosto 03, 2013

COR


TESTAMENTO 
Maria Helena Vieira da Silva (1908-1993)

Eu lego aos meus amigos

Um azul cerúleo para voar alto.
Um azul cobalto para a felicidade.
Um azul ultramarino para estimular o espírito.
Um vermelhão para o sangue circular alegremente.
Um verde musgo para apaziguar os nervos.
Um amarelo ouro: riqueza.
Um violeta cobalto para o sonho.
Um garança para deixar ouvir o violoncelo.
Um amarelo barita: ficção científica e brilho; resplendor.
Um ocre amarelo para aceitar a terra.
Um verde de Verona para a memória da primavera.
Um anil para poder afinar o espírito com a tempestade.
Um laranja para exercitar a visão de um limoeiro ao longe.
Um amarelo limão para o encanto.
Um branco puro: pureza.
Terra de siena natural: a transmutação do ouro.
Um preto sumptuoso para ver Ticiano.
Um terra de sombra natural para aceitar melhor a melancolia negra.
Um terra de Siena queimado para o sentimento de duração.

Nota: texto encontrado entre os papéis de Maria Helena Vieira da Silva após a sua morte, onde nos transmite a convicção de que as cores, simples matéria pigmentada, contêm afinal todo o arco-íris de que a vida é composta.

sexta-feira, agosto 02, 2013

Mobilizar



Bandeira hasteada 21.07.2013, Cascais (Grécia & Portugal).
 In www.dalaiama.blogspot
Ao contrário do que acontece, por exemplo, na França da Frente Nacional, em Portugal uma parte da esquerda tem ocupado como pode o terreno do nacional, tentando dar-lhe um cunho popular e democrático que pode e deve ser o seu. Afinal de contas, foi neste país que ocorreu uma revolução democrática e nacional que colocou na agenda de um país anteriormente colonizador e colonizado três irrecusáveis D (Democratizar, Descolonizar, Desenvolver). Tendo deixado de ser colonizador, o D de descolonização tem hoje uma nova declinação, num contexto apesar de tudo infinitamente menos coercitivo, pelo menos por enquanto, mas que põe em causa a independência nacional e o desenvolvimento igualitário. 
De resto, o preconceito racista, mais ou menos velado, não é apenas atributo da versão sombria do nacionalismo, já que tem sido cultivado, a norte, pelos defensores e beneficiários do euro e é reproduzido por elites nacionais que lhe dão a devida coloração social. Para além disso, a história nacional e europeia mostra-nos a outra face do nacionalismo, como bem sublinhou José Manuel Sobral; uma face de que nos esquecemos por nossa conta e risco: «entendido como amor da pátria, como terra própria e dos antepassados e, mesmo, lugar da liberdade e da democracia», «contribuiu para sustentar a resistência que venceu o nazismo e os fascismos». Estou certo que o nacionalismo, se for entendido como o que reivindica esta herança emancipatória, contribuirá para quebrar, pelas periferias e mobilizando as classes populares, esta estrutura de dominação com escala europeia. O que pode haver de mais importante, do ponto de vista ético-político, hoje, neste país?
João Rodrigues
Que fazer neste país? : a centralidade da escala nacional

quinta-feira, agosto 01, 2013

Are you past oriented or future oriented.

Calendário EIG _ Agosto 2013 tem rostos de Portugal


Discrimination is everywhere –  hidden and usually within us, both women and men. We accept things as natural’, but they are not natural. They are cultural norms that determine the ways things are.
A discriminação está em toda a parte - oculta e geralmente entre nós, tanto mulheres como homens. Aceitamos as coisas como "naturais", mas não são naturais. São normas culturais que determinam o modo como as coisas são. 
Isabel Barreno 

What I tell young women is not to give up on their dreams. The struggle is not for social liberties, since these have already been established; the struggle is rather to change the mentality.
O que eu digo às mulheres jovens é para não desistirem dos sues sonhos. A luta não é por liberdades sociais, uma vez que essas já foram estabelecidas; a luta é sobretudo por mudar a mentalidade. 
Maria Teresa Horta

Calendário (pdf)
Notícia aqui http://aviagemdosargonautas.net/2013/08/01/calendario-com-rosto-de-maria-isabel-barreno-e-maria-teresa-horta-por-clara-castilho/#comments

sábado, julho 20, 2013

Não julgar pela aparência e pelo preconceito

Escuta!

Os sons da Natureza fazem-nos repara em muito mais do que nós próprios, incluindo nós próprios. Bernie Krause grava sons da natureza (Geofonia, Biofonia) há 45 anos. Tem aprendido muito, e partilha o que aprendeu connosco. Surpreendente.

sexta-feira, julho 19, 2013

Turning shipping containers into internet hubs: a new library model in Africa | MobyLives

Os Librii hubs são formados por:
1) um pequeno edifício de biblioteca tradicional, com livros, zona de estudo, condiçoes para impressão a pedido, e um bibliotecário no pessoal
2) um ciber-café construído num contentar náutico reconvertido, equipado com computadores, tomadas elétricas e outros recursos on-line. (Para outros usos criativos de contentores náuticos, associados a bibliotecas, veja este post no  MobyLives.)
3) uma praça abrigada, com sombra, com acesso wi-fi, que liga os dois edifícios.

The Librii hubs would consist of
1) a traditional small library building with books, study space, on-demand printing capabilities, and a librarian on staff
2) an internet café built in a converted shipping container, stocked with computers, outlets, and other online resources. (For other creative library-related uses of shipping containers, see this MobyLives post.)
3) a shaded recessed plaza, with wi-fi access, that joins the two buildings
Ler mais aqui
Turning shipping containers into internet hubs: a new library model in Africa | MobyLives

quarta-feira, julho 17, 2013

Vampiros - Nicolas Jaar e Gisela João - Lux (Lisboa)



ZECA AFONSO





Vampiros
No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada



Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada 
A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

terça-feira, julho 16, 2013

Porque desistem os professores e como o evitar


A Few Takeaways

  • 14% of teachers leave the profession after one year. The longer a teacher teaches, the less likely they are to leave.
  • The majority of teachers who leave the profession cite dissatisfaction with the administration as the reason (38%).
  • 71% of all teachers say they bring their own supplies to the classroom!
  • Teacher turnover rates in areas with mentoring and support programs are less than half than those with no support (9%/21%)

quarta-feira, julho 03, 2013

Amor Tudo Vence

Amor vence tudo, tudo suporta (Vergílio)
Postal Arte Nova, daqui

Bibliotecas maravilhosas: São Paulo, Carandiru



A Biblioteca está feita e ativa, é uma delícia visitá-la. Belas condições, boa visão e boa gestão, de ampla percepção do que é a diversidade de funções numa biblioteca pública democrática, inclusiva e empenhada na cultura. Embora de vínculo precário, em permanente instabilidade laboral, o pessoal é motivado, preparado e simpático. Muito utilizada, por vizinhos e não só - fica perto de uma estação de metro - é um sinal luminoso de um futuro diferente. No parque, resta a memória da prisão, num muro usado para desportos radicais. Nas mesas encontrei (2012) alguns leitores furiosos que eram antigos moradores do presídio. No ar, perfumes de luta e liberdade.

outra, outro, outras, outros


domingo, junho 16, 2013

Professores em luta



Estive lá, e pareeceram-me muitos mais que 50 mil.
A razão principal pode até ser só uma, mas tem força que baste: defender a qualidade na escola pública num país democrático.

Fotogaleria

sexta-feira, junho 14, 2013

Alargar o campo de visão

13.6.13

O MATERIAL TEM SEMPRE RAZÃO (21):  O QUE ESTÁ EM CAUSA NA GREVE DOS PROFESSORES

O que está em causa para o governo na greve dos professores   é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos sem direitos nem justificações, a aplicar ao sector. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.

Há mesmo em curso uma tentação de cópia do thatcherismo, à portuguesa.

(...)




terça-feira, junho 11, 2013

Inventário

Um dente d'ouro a rir dos panfletos
Um marido afinal ignorante
Dois corvos mesmo muito pretos
Um polícia que diz que garante

A costureira muito desgraçada
Uma máquina infernal de fazer fumo
Um professor que não sabe quase nada
Um colossalmente bom aluno

Um revolver já desiludido
Uma criança doida de alegria
Um imenso tempo perdido
Um adepto da simetria

Um conde que cora ao ser condecorado
Um homem que ri de tristeza
Um amante perdido encontrado
Um gafanhoto chamado surpresa

O desertor cantando no coreto
Um malandrão que vem pe-ante-pé
Um senhor vestidíssimo de preto
Um organista que perde a fé

Um sujeito enganando os amorosos
Um cachimbo cantando a marselhesa
Dois detidos de fato perigosos
Um instantinho de beleza

Um octogenário divertido
Um menino coleccionando estampas
Um congressista que diz Eu não prossigo
Uma velha que morre a páginas tantas


Alexandre O'Neill

Manifesto: Obrigado professores (Portugal, 2013)



Sem Educação não há país que ande para a frente. E é para trás que andamos quando o governo decide aumentar o número de alunos por turma, despedir milhares de professores e desumanizar as escolas, desbaratando os avanços nas qualificações que o país conheceu nas últimas décadas. Não satisfeito, continua a sua cruzada contra a escola pública. Ameaça com mais despedimentos e com o aumento do horário de trabalho dos que ficam.

Ao atacar os professores o governo torna os alunos reféns. Com menos apoios educativos e menos recursos para fazer face à diversidade de estudantes, é a escola pública que sai enfraquecida. Querem encaixotar os alunos em turmas cada vez maiores com docentes cada vez mais desmotivados. Cortam nas disciplinas de formação cívica e do ensino artístico e tecnológico, negando aos jovens todos os horizontes possíveis. 
Os professores estão em greve pela qualidade da escola pública e em nome dos alunos e das suas famílias. Porque sabem que baixar os braços é pactuar com a degradação da escola. Os professores fazem greve porque querem devolver as asas aos seus alunos que o governo entretanto roubou. Esta greve é por isso justa e necessária. É um murro na mesa de quem está farto de ser enganado. É um murro na mesa para defender um bem público cada vez mais ameaçado. 
Por isso, estamos solidários. Apoiamos a greve dos professores em nome de uma escola para todos e onde todos cabem. Em nome de um país mais informado e qualificado, em nome das crianças que merecem um ensino de qualidade e toda a disponibilidade de quem sempre esteve com elas. É preciso libertar a escola pública do sequestro imposto pelo governo e pela troika. Aos professores dizemos “obrigado!” por defenderem um direito que é de todos. 

Subscritores:
António Pinho Vargas, Compositor
Bruno Cabral, Realizador
Camilo Azevedo, Realizador, RTP
Carlos Mendes, Músico
David Bonneville, Cineasta
Eurico Carrapatoso, Compositor
Hélia Correia, Escritora
Leonel Moura, Artista plástico
Luís Varatojo, Músico, A Naifa
Luísa Ortigoso, Actriz
Jacinto Lucas Pires, Escritor
Joana Manuel, Actriz
João Salaviza, Cineasta
José Luís Peixoto, Escritor
José Mário Branco, Músico
José Vítor Malheiros, Jornalista
Marta Lança, Editora e produtora
Messias, Músico, Mercado Negro
Nuno Artur Silva, Autor e produtor
Pedro Pinho, Cineasta
Rui Vieira Nery, Musicólogo
Raquel Freire, Cineasta
Sérgio Godinho, Músico
Valter Vinagre, Fotógrafo.
Zé Pedro, Músico, Xutos e Pontapés.
Fonte: aqui 

Assalto a Lisboa, 21 a 23 junho de 2013

Convite e programa, 3 dias de assalto a aproveitar


Inscrições no local no próprio dia - Museu da Cidade, Campo Grande) ou no site das Bibliotecas Municipais de Lisboa : http://blx.cm-lisboa.pt/
Horário no Museu da Cidade
21, 6ª feira: 20.30/23.00
22, sábado: 10.30/22.00
23, domingo: 10.30/18.00

Sempre A Ler!



Ready to become a knowmad?


More: 
Website: http://www.knowmadsociety.com/
Book: On the Horizon (online since 2000) http://www.knowmadsociety.com/

E ainda
A business approach (digital marketing agency) : http://www.knowmad.com/

Os 4 princípios da "aprendizagem nómada" são assim resumidos por Ann Kramer (Ready for the future: the four principles of nomadic learning in organizations, p. 149-157 http://www.knowmadsociety.com/oth/)


The four principles of nomadic learning 
1. Insert as much reality as possible 

Because the main trait of the world is continuous change, and therefore unpredictability, we need a way of learning that is rooted in this changing reality. That is the first principle of nomadic learning: to bring in as much reality as you possibly can. This means that the ‘‘lessons’’ and the ‘‘applications of these lessons’’are one and the same, so that there is no transfer issue to the work situation anymore. For example, if there is a need to learn about team dynamics, the program is ‘‘on the job,’’ or the whole team comes ‘‘to the classroom.’’
This way, the atmosphere is much more informal. Participants are not even aware that they are learning; they are just their regular selves. At the same time, they are more aware of their behavior, because the situation is not regular. This ‘‘unconscious awareness’’ accelerates and deepens their learning.
Another possibility is to meet an unfamiliar reality, rather than the day-to-day situation of the participants. Once, for example, I took a management team to visit a group of young asylum seekers. First they shared their life stories to get to know each other. After this introduction, the asylum seekers became the personal coaches of the managers. For both groups, this was an impressive learning experience. The asylum seekers were deeply empowered as they realized that their traumatic experiences from abroad had given them much wisdom that they could share. The managers learned the benefits of opening up and letting go of their prejudices. The reality they met was very impressive and had deep impact. 
2. Incorporate multiple perspectives 
In complex situations there is never a single solution. More and even contradicting perspectives are simultaneously true.We have to learn that no one can know the whole truth, which is the core property of complexity. And, yet, we all long for certainty. We are educated by a teacher, a father, and a mother who knows what is ‘‘correct’’ and what to do. But in complexity, we have to learn to accept more realities and perspectives at the same time.

Studying harder or longer does not bring a final solution. The current complex issues of society and consequently of organizations – the lack of sustainability and the financial crisis, to name just two – cannot be solved with logical, linear, one-way thinking. Therefore the second principle of nomadic learning is that multiple perspectives are always needed. That makes collaboration in diverse environments a necessity.
Gratton (2011) shows this need as she describes the second shift towards the future of work: moving from isolated competitor to innovative connector. The basis of professional mastery is personal skill and knowledge development. These are rarely developed in isolation.
Instead, people need to make new connections, virtual and non-virtual, to learn and develop their knowledge: The future is about innovation, and sometime your best, most innovative ideas will come as you talk and work with people who are completely different from you – perhaps they have a different mindset, or come from a different country – or are younger. It is this wide network, the ‘‘big ideas crowd’’ that will be a crucial source of inspiration (Gratton, 2011, p. 262). 

3. Create a strong interconnection between ‘‘action’’ and ‘‘conceptualization’ 
Nomadic learning is embedded in the action of day-to-day working and living. There is no given structure or model to follow; we have to conceptualize our actions as we go along. We create concepts for today, which may no longer be valid tomorrow. Action and reflection are immediate and interconnected. Social media are yet again a useful image to keep in mind (Lanting, 2010). This is the third principle of nomadic learning: action and conceptualization are strongly interconnected. In a Deleuzian manner of speaking, one could intertwine the two even stronger: action and concept are one and the same. Deleuze uses the concept of becoming.

The world is never fixed, but always becoming. Our interpretations of reality, and therefore our conceptualizations of it, are part of this becoming, and not separate (Romein et al., 2009).
When conceptualizing and action are more interconnected we get a dynamic concept of knowledge. ‘‘Knowing is a dynamic, social and emotional process of constant development, influenced by cognitions and memories of stakeholders, their social relations, the context of learning, interpretations, ambitions and preferences’’ (Keursten, 2006) (my translation).
In Situated Cognition Theory, Brown et al. (1989) write: ‘‘Situations might be said to co-produce knowledge through activity. Learning and cognition, it is now possible to argue, are fundamentally situated’’ (Brown et al., 1989). Knowing and doing are inseparable because all knowledge is situated in activity bound to social, cultural and physical contexts. Nomadic learning correspondents perfectly to this tradition. 
4. Make the learning horizontal 
By translating this nomadic, rhizomatic way of thinking to learning, nomadic learning becomes non-hierarchical. It is horizontal in the way people relate. That is the fourth principle of nomadic learning. There are no longer any experts telling us what to do because there no longer is one, big truth to follow. That is why the trainer becomes a facilitator and the participant becomes a co-learner. Together they are searching, learning, and creating a truth for the moment. They are creating rhizomes. Again, social media present a good example: anyone can ask anything they want to know at any moment all around the world, and share experiences, networks, and knowledge (Lanting, 2010). To put it rhizomatically: ‘‘Any point of a rhizome can be connected to anything other, and must be’’ (Deleuze and Guattari, 1993, p. 29).

segunda-feira, junho 10, 2013

Luís de Camões - ler em qualquer parte do mundo

O sempre atento Carlos Pinheiro brinda-nos com este e-book muito a propósito do dia. Boas leituras!

Jardins



A Amizade Floresce em Jardins Inapagáveis
Mário Cláudio


Frase inscrita os sacos dos Amigos de Serralves na Festa de 2013
Fotos da Angelina, voluntária partilhante em Bibliotecar

sábado, junho 08, 2013

IMENSO SUL: Luta de Classes


É ridícula a ideia de que a divulgação deturpa. A banalização é sempre tarefa de quem banaliza e não do objeto banalizado. Quem não for capaz de convocar os seus sentidos e a sua razão para apreciar uma determinada obra, apenas por acreditar que se encontra muito difundida, tem problemas graves ao nível do espírito crítico e da isenção mais básica. Esse é um daqueles casos em que se aconselha a lavagem de olhos. É aí que reside a deturpação.

IMENSO SUL: Luta de Classes: Foto: Carlos Jesus Não contem comigo para defender o elitismo cultural. Pelo contrário, contem comigo para rebentar cada detalhe do seu ...

Ler é interagir com um autor