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segunda-feira, junho 10, 2013

Jardins



A Amizade Floresce em Jardins Inapagáveis
Mário Cláudio


Frase inscrita os sacos dos Amigos de Serralves na Festa de 2013
Fotos da Angelina, voluntária partilhante em Bibliotecar

segunda-feira, junho 13, 2011

Verler

A leitura enche de pétalas a imaginação (ilustração de  Svetlana Rumak)
De um maravilhante blog, Lecturimages, a que cheguei por pétala partilhada pela Paixão Pinto, grande verleitora :).

domingo, abril 18, 2010

Conjuras

Nunca agradecerei o suficiente o olho certeiro do blogue A Natureza do Mal para imagens como esta. O texto também vale a a pena. Ide até lá ler.

quinta-feira, abril 15, 2010

Babel - muitas línguas para re-acordar a curiosidade


Dedicado a quem é francófilo

“...Les hommes parlaient tous la même langue.
En ce temps-là, comme aujourd’hui, ils ne faisaient que se plaindre du temps;
les femmes de leur mari, les époux de leur femme, gémir sur leur santé et l’approche de la mort.
Cette litanie était devenue si monotone que personne n’écoutait plus personne.
Sachant d’avance, à quelque mots près ce que l’autre allait dire, on ne lui prêtait plus la moindre attention.
C’est donc pour échapper à l’indifférence et à l’ennui que nous nous serions lancés dans cette construction inepte. (...) la tour se serait édifiée dans un silence de mort. Dieu qui contemplait ce gâchis avec un sourire navré aurait alors, dans son infinie miséricorde, créé toutes ces langues, dialectes ou patois différents pour réveiller une curiosité qui s’était éteinte.”


Nicolas Bouvier, L’échappée belle, Eloge de quelques pérégrins@ Edition Metropolis, 1996
via

quinta-feira, junho 18, 2009

Depressão escondida



Se repararmos bem, Portugal tem todos os sinais de uma depressão escondida, e já não é de hoje. As forças que Portugal não utiliza são estas: os nossos jovens licenciados que trabalham em call centers, os nossos desempregados de meia-idade que já não encontram trabalho, quem trabalhou quase meio século e não se reforma para dar lugar aos mais novos, os nossos idosos que depois de uma vida de trabalho estão abandonados em casa. Como digo, esta depressão escondida já não vem de hoje: ela está também em gerações de trabalhadores (e empresários) em que a formação foi muito baixa. Mas as soluções também podem vir em conjunto: se isentarmos de propinas os jovens que queiram fazer assistência à terceira idade, por exemplo, atacamos o problema por dois lados ao mesmo tempo.
A solução para a nossa depressão escondida passa por imaginação. E passa, sobretudo, por um acto de vontade. Não é sempre assim, aliás?

Rui Tavares (ruitavares.net)

sábado, maio 12, 2007

Partilhas do dia de hoje (doze do cinco) - 3

17. CAPUCHINHO VERMELHO DE HELICÓPTERO

Vi fazer este jogo em algumas escolas. Dão-se às crianças algumas palavras, sobre as quais deverão inventar uma história. Cinco palavras, por exemplo, surgem em série e sugerem a história do Capuchinho Vermelho: “menina”, “floresta”, “flores”, “lobo” e “avó”. A sexta desfaz a série: por exemplo, “helicóptero”.

Os professores, ou os outros autores da experiência, medem com este jogo-exercício a capacidade que têm as crianças de reagir a um elemento novo e, em relação a uma certa série de acontecimentos, inesperado; e de absorver a palavra dada na história conhecida; e de fazer reagir as palavras do costume ao novo contexto em que virão a encontrar-se.

Visto de perto, o jogo tem a forma de um binómio fantástico: de um lado está o Capuchinho Vermelho, do outro, o helicóptero. O segundo termo do binómio é uma única palavra. O primeiro uma série de palavras, que no entanto em relação à palavra helicóptero se comportam como um conjunto. Assim, tudo é claro do ponto de vista da lógica fantástica.

Os resultados mais interessantes para o psicólogo obtêm-se, penso eu, quando este tema fantástico se dá a frio, sem preparação, embora sem um mínimo de explicação.

Pessoalmente, tendo ouvido falar desta experiência a um professor de Viterbo de quem infelizmente perdi o nome e a morada, decidi servir-me dela durante um encontro com algumas crianças alunas da segunda classe bastante bloqueadas por uma rotina didáctica da pior espécie (cópias, ditados e análogos). Em resumo, nas piores condições. Tentara em vão fazer que deles nascesse uma história: empresa difícil, quando se aparece de repente, como um estranho, que custa a perceber-se o que quer. De resto, tinha poucos minutos à minha disposição porque me esperavam outras aulas. Mas não me agradava deixar aquelas crianças sem lhes dar algo que não fosse apenas a lembrança de um tipo esquisito que para se armar em palhaço se sentava no chão ou se punha em cima de uma cadeira (gestos necessários, naquele contexto, para quebrar a atmosfera burocrática criada pela presença do professor e do inspector escolar). Se ao menos tivesse trazido uma harmónica de boca, u pífaro, um tambor…

Finalmente lembrei-me de perguntar de algum queria contar a história do Capuchinho Vermelho. As raparigas indicam um rapaz, os rapazes apontam para uma menina.

“E agora”, peço depois de o rapazinho ter acabado de me debitar já não a história do Capuchinho Vermelho como lha deveria ter contado a avó, mas uma insípida lengalenga (recordação de uma récita escolar, coitado), “agora digam-me uma palavra qualquer”.

Não compreendem o que quer dizer qualquer, naturalmente. Temos de nos explicar. Por fim dizem-me: “cavalo”. Posso contar a história do capuchinho Vermelho que na floresta encontra um cavalo, montando-o e chegando a casa da avó antes do lobo…

Então vou ao quadro e escrevo, no meio de um belo silêncio finalmente cheio de expectativa, caloroso como uma fogueira: “menina”, “floresta”, “flores”, “lobo”, “avó “helicóptero”… Volto-me para a sala. Nem preciso de explicar o novo jogo. Os mais desembaraçados já somaram dois mais dois e levantaram a mão. Surge, a várias vozes, uma bela história em que o lobo, ao bater à porta da avó, é surpreendido por um helicóptero da polícia de trânsito lá em cima… “Mas o que está aquele a fazer? O que quer?”, interrogam-se os agentes. E descem em voo picado, mesmo a tempo de pô-lo em fuga precisamente na direcção do caçador…

Poder-se-ia discutir o conteúdo ideológico da nova criação, mas não creio que seja caso disso. É mais precioso o que se põe em movimento. Tenho a certeza de que aquelas crianças, de quando em quando, pedirão que se volte a fazer o jogo do Capuchinho Vermelho com uma palavra nova: conhecerão o prazer de inventar.

Uma experiência de invenção é boa quando as crianças se divertem com ela, mesmo que, para se chegar a esse objectivo (a criança como objectivo), possamos infringir as regras da própria experiência.

(Rodari, Gramática...p. 75-77)