quarta-feira, julho 01, 2009

PRIDE BRIO LIBRARY BIBLIOTECA






Os cidadãos corresponderam ao apelo da Biblioteca Pública de Nova Iorque, numa campanha para que não fechassem a biblioteca! (9.06.2009)

domingo, junho 28, 2009

Video de Bibliotecas escolares de Loulé, 2009

GRANDE DIA

GRANDE DIA PARA A COMUNIDADE DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES PORTUGUESAS!
As instalações da FIL no Parque das Nações, em Lisbs, receberam no dia 26 de Junho o Forum RBE, da RBE Rede de Bibliotecas Escolares, hoje com mais de 2000 bibliotecas escolares, e que começou há 13 anos em 1996, coordenada desde o seu início por Maria Teresa Calçada, que abriu o Forum com uma intervenção estimulante.
Um espaço amplo, no interior de um dos edifícios emblemáticos da EXPO'98, belamente decorado com imagens impressas em grandes dimensões, e imagens e sons (3 écrans gigantes), de e sobre as bibliotecas escolares portuguesas, acolheu cerca de 1500 participantes, incluindo professores bibliotecários, bibliotecários de leitura pública, directores de escolas, e outros elementos das equipas responsáveis pelas bibliotecas, revelando grande interesse nas comunicações e um sentimento de alegria.
A alegria dos participantes, embora discreta à boa maneira portuguesa, percebia-se nos rostos, e era bem compreensível, pois na semana anterior o Ministério criara lugares em todas as escolas para professores bibliotecários (um ou mais profissionais por cada escola ou agrupamento de escolas, estimando-se em cerca d 1500 lugares, em todo o país - com excepção da Madeira e dos Açores, onde os Governos Regionais legislam com autonomia), reconhecendo o valor das equipas das bibliotecas escolares, e criando ainda 70 lugares para Coordenadores Intermunicipais da Rede de Bibliotecas Escolares (professores bibliotecários especialistas, que trabalham com as escolas e outras parcerias locais RBE, em especial com as Bibliotecas Municipais e de Leitura Pública). Os professores colocados nestas vagas deverão iniciar funções nos novos lugares já a partir de Setembro de 2009, por um período de 4 anos, renovável.
É de sublinhar a presença da Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que falou na sessão de abertura, e de outros decisores políticos relacionados com o crescimento e o nascimento da Rede, como Marçal Grilo, ministro em 1996, e que também usou da palavra.
Depois de uma mesa redonda sobre o presente e o futuro das bibliotecas escolares, incluindo 5 vozes distintas - Carlos Pinheiro, professor coordenador de uma biblioteca escolar em Sintra, Elsa Conde, coordenadora intermunicipal vinda do Sul, Vera Silva, bibliotecária municipal do Seixal, Manuela Barreto Nunes, professora universitária e investigadora, vinda do Norte, e Ana Bela Martins, membro do Gabinete Coordenador da Rede, o almoço permitiu conviver e trocar ideias.
À tarde, António Firmino da Costa (professor do ISCTE especialista em avaliação, que também coordenou estudos sobre Literacia) apresentou as conclusões da avaliação externa em desenvolvimento sobre a RBE. Definindo 2009 como o início de uma nova fase para a Rede, para o papel essencial nas aprendizagens das bibliotecas escolares e dos seus profissionais, destacou 3 factores do sucesso da RBE:
1. a visão de 1996, que mantém actualidade;
2. a liderança, incluindo a acção determinante de Teresa Calçada ao longo dos 13 anos
3. o suporte político-insititucional, indispensável, incluindo investimento financeiro (40 milhões de Euros em 13 anos)
Seguiam-se-lhe José Luís Ramos, professor da Univ. de Évora, sobre o Plano Tecnológico da Educação, e Isabel Alçada, Comissária do PNL Plano Nacional de Leitura, e que coordenou o grupi que produziu em 1996 um Relatório oficial com ecomendações para a criação do Programa, e uma comunicação de grande interesse sobre As práticas de leitura dos nativos digitais, por Daniel Cassany, da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona. Por fim, a música preencheu todos, pelas vozes e instrumentos do Coro da Universidade de Lisboa.

domingo, junho 21, 2009

quinta-feira, junho 18, 2009

Literacia & ironia


"Com um maior grau de literacia financeira, Constâncio terá um aliado de peso na supervisão à banca: os clientes."
Pedro Sousa Carvalho, "Diário Económico", 17-6-2009

Depressão escondida



Se repararmos bem, Portugal tem todos os sinais de uma depressão escondida, e já não é de hoje. As forças que Portugal não utiliza são estas: os nossos jovens licenciados que trabalham em call centers, os nossos desempregados de meia-idade que já não encontram trabalho, quem trabalhou quase meio século e não se reforma para dar lugar aos mais novos, os nossos idosos que depois de uma vida de trabalho estão abandonados em casa. Como digo, esta depressão escondida já não vem de hoje: ela está também em gerações de trabalhadores (e empresários) em que a formação foi muito baixa. Mas as soluções também podem vir em conjunto: se isentarmos de propinas os jovens que queiram fazer assistência à terceira idade, por exemplo, atacamos o problema por dois lados ao mesmo tempo.
A solução para a nossa depressão escondida passa por imaginação. E passa, sobretudo, por um acto de vontade. Não é sempre assim, aliás?

Rui Tavares (ruitavares.net)

domingo, junho 14, 2009

Sinais dos tempos Alegria geracional


Optimista inveterada, a alegria sempre me encheu os dias. Este video faz-me sentir sinais de bom astral. A publicidade é um texto fundamental para entender o futuro próximo.
Haja sinais, e gente para os ler.
Com um obrigado à equipa da LPM e a esse desconhecido detergente que suscitou a coisa

sexta-feira, junho 12, 2009



2007
Genial
Not my tags? No tags!

Não há BOA tecnologia sem fracassos

You can't possibly get a good technology going without an enormous number of failures. It's a universal rule.
If you look at bicycles, there were thousands of weird models built and tried before they found the one that really worked. You could never design a bicycle theoretically. Even now, after we've been building them for 100 years, it's very difficult to understand just why a bicycle works - it's even difficult to formulate it as a mathematical problem. But just by trial and error, we found out how to do it, and the error was essential.
em entrevista (1998)
Mesmo assim,
dava jeito ir teorizando para melhorar a relação custo/benefício, não era?

terça-feira, junho 09, 2009

13 anos da rede de bibliotecas escolares de viva voz - I



Teresa Calçada, Portugal, 2009
Coordenadora da Rede de Bibliotecas Escolares

A biblioteca escolar considerada um mínimo, um direito comum, de toda a gente, e já não um plus, uma aspiração extraordinária e um bem de alguns.
A biblioteca escolar multimodos, do livro à web, do som à cor, da letra ao gesto, da memória à invenção.
Literacia no coração do tempo de hoje, literacia no pulsar da biblioteca.
Direito, exigência, realidade
RBE, 2009

Da próxima vez, era bom ter um video menos longo, com outras imagens e legendas. Câmara parada aguenta mal 7 minutos. Som óptimo, falas nítidas.

Ler mais no Blog do ForumRBE

sexta-feira, junho 05, 2009

Para saber do trabalho infantil é preciso torná-lo visível

http://educar.files.wordpress.com/2009/06/foto.jpg

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Obrigada, Paulo Guinote.
Para os dias em que perdemos o foco do essencial

Diz muito bem o Mal. Votar, votar a toda a brida. Contra!

A Natureza do Mal: Votar contra o Sócrates

Como tomar banho na praia, beber um copo ou dormir são actos insignificantes, é preferível a insignificância do nosso voto. Um voto contra Sócrates, que representa o pior dos últimos trinta e cinco anos: inscreveu-se no PS porque se enganou na porta, assinou projectos que simbolizam a degradação imobiliária do país interior, transformou o PS no partido dos Coelhos e dos Varas, dos Campos e dos Vitais, esteve na trapalhada do Freeport, na entrega do CCB, criou a dona Lurdes e a dona Ana, privatizou o ar e nacionalizou o BPN, foi elogiado ad nausea pelo dr. Dias Loureiro. Aos socialistas que votam nessa sêxtupla de pesadelo que assombra as rotundas da pátria- Campos e Estrela, Gomes e Estrela, Capoulas e Estrela, Vital e Estrela, Elisa e Estrela – devíamos dizer: jamais esqueceremos.


Copiado com gosto

sexta-feira, maio 29, 2009

Amanhã



Ver Percurso aqui

O ponto de encontro do Movimento Escola Pública, para os professores das escolas sem cortejo próprio, é no cruzamento da Rua Castilho com a Rua Joaquim António Aguiar (a que sobe do Marquês para os Amoreiras).

quinta-feira, maio 28, 2009

Daniel Cassany em Lisboa, 13º ano RBE



No dia 26 de Junho, o Forum RBE traz a Lisboa Daniel Cassany (Barcelona), e reunirá na FIL centenas e centenas de profissionais envolvidos com as bibliotecas nas escolas.

Podemos aproveitar o mês que falta para comemorar os 13 anos da RBE (uma mulherzinha...) e colocar questões, comentários e sugestões através do Blog da RBE.
Gerar ideias também é gerir informação

sábado, maio 23, 2009

quinta-feira, maio 21, 2009

Darwich voz da Palestina

Vamos ouvir falar da Palestina e de Darwich hoje no Clube Vilafranquense,Vila Franca de Xira, pelas 21.30
pela mão da Cooperativa Alves Redol, com Paulo Rato, José Goulão e Júlio Magalhães


Mais nous souffrons d'un mal incurable qui s'appelle l'espoir. Espoir de libération et d'indépendance. Espoir d'une vie normale où nous ne serons ni héros, ni victimes. Espoir de voir nos enfants aller sans danger à l'école. Espoir pour une femme enceinte de donner naissance à un bébé vivant, dans un hôpital, et pas à un enfant mort devant un poste de contrôle militaire. Espoir que nos poètes verront la beauté de la couleur rouge dans les roses plutôt que dans le sang. Espoir que cette terre retrouvera son nom original : terre d'amour et de paix. Merci pour porter avec nous le fardeau de cet espoir. "


Mas sofremos de um mal incurável que se chama esperança. Esperança da libertação e da independência. Esperança de uma vida normal em que não seremos nem heróis, nem vítimas. Esperança dever os nossos filhos irem sem perigo à escola. Esperança para uma mulher grávida de dar à luz um bebé vivo, num hospital, e não uma criança morta frente a um posto de controle militar. Esperança em que os nossos poetas verão a beleza da cor vermelha nas rosas, em vez de no sangue. Esperança em que esta terra voltará a encontrar o seu nome original: terra de amor e de paz. Obrigada por carregarem connosco o fardo desta esperança (200?)

Sometimes I feel as if I am read before I write. When I write a poem about my mother, Palestinians think my mother is a symbol for Palestine. But I write as a poet, and my mother is my mother. She’s not a symbol.

Por vezes sinto que me leram antes que eu escrevesse. Quando escrevo um poema sobre a minha mãe, os palestinianos pensam que a minha mãe é um símbolo da Palestina. Mas eu escrevo como um poeta,e a minha mãe é a minha mãe. Ela não é um símbolo. (2001)



Ler mais

quarta-feira, maio 13, 2009

ensinar e aprender, objectos e objectivos



As lições

 

Ensinaram-me a falar

aprendi a escrever.

 

Ensinaram-me a escrever

aprendi a falar.

 

Ensinaram-me a ler

aprendi a ver.

 

Ensinaram-me a ouvir

aprendi a calar.

 

Ensinaram-me a pedir

aprendi a dar.

 

Ensinaram-me a comprar

aprendi a ter.

 

Ensinaram-me a beber

aprendi a rir.

 

Ensinaram-me a fugir

aprendi a ficar.

 

Ensinaram-me a aprender

aprendi a ignorar.

 

Ensinaram-me a amar

aprendi a criar.

 

Ensinaram-me a viver

aprendi a morrer.

 

Ensinaram-me a estar só

aprendi a estar.

 

Ensinaram-me a ser livre

aprendi a ser.

 

Ana Hatherly (1929-    )

 

In Antologia da poesia portuguesa. Org. M. Alberta Meneres, E. M. Melo  Castro. Vol. 2: 1940-1977, Lisboa, Moraes Editores, 1979, Col. Círculo de Poesia, p.76-77

 

sábado, abril 25, 2009




diariogauche (2007)

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, abril 22, 2009

Escrever na ou para a net & Escola (qual escola?)



«Temos necessidade de uma nova didáctica que não esteja subordinada ao "diálogo professor-aluno" e que encare os média como verdadeiras "máquinas de representar" (Jacquinot, 1993a) e verdadeiras "máquinas de comunicar" (Perrault, 1989).» (Oliveira, 2004).

Tal didáctica está por inventar…
Para produzir e-conteúdos precisamos de:

1) uma estrutura de enquadramento/produção/difusão (que pode ser um Centro de Recursos);  

2) recursos humanos (equipas de desenvolvimento que integrem generalistas, “sábios” como autores ou professores, “escriturários digitais” para uso adequado das ferramentas informáticas, e artistas que possam contribuir para a qualidade estética dos materiais); e  

3) alguns equipamentos (relativamente acessíveis no seu custo).

De resto, precisamos, sobretudo, de muita imaginação e muita coordenação de esforços, a par de motivação, incentivos e liderança com visão estratégica.

Oliveira, Lia Raquel (2006) 

Globalização e (des) igualdades: os desafios curriculares. CIEd 2006 

Actas do VII Colóquio sobre Questões Curriculares (III Colóquio Luso-Brasileiro

domingo, abril 19, 2009

Samuel, 3º dia



Chegou. 
Tomou o lugar de si mesmo
Inteiro, suave, definitivo

Sonhos perfeitos, olhos tamanhos

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Ruminações

imagem JSD (2009)


Os meninos, a quem são dirigidas estas palavras de muita sabedoria, não devem imitar o analfabetismo dos bois nem dos homens que andam atrás ou à frente deles. (...) Numa coisa, porém, devem imitar os bois: na ruminação. E isto quer dizer: ler, ler bem, ler com os olhos e o pensamento. 
António José Forte. Os bois e os livros in Uma faca nos dentes (2003), p. 124

 

São os livros pasto de ruminação, no sentido que o poeta lhe dá, que é o da leitura reflexiva, crítica, educada e educadora; antes de mais, de cada leitor em si. Depois, desse leitor para outros, através da comunicação sobre o lido, e da migração entre textos, entre ideias. Mais rica se mais pensada, criticamente, acrescentando um bocadinho de cada um – uma ideia, uma pergunta... - e assim mais apta à transformação. Como diriam as avós da minha infância, analfabetas algumas porém pensantes todas, mais capaz de medrar

Nos livros, lemos com os olhos tudo: as palavras, os sinais, as cores e os desenhos, o próprio formato do objecto. Nos outros lugares do lido, como os rectângulos luminosos por onde espreitamos palavras, sinais e outros alimentos do nosso ruminar, face a face como as telas pintadas ou o som directo dos instrumentos musicais, ou emitidos à distância por misteriosos meios como a Internet, aprisionados em discos brilhantes ou em outros mil disfarces ainda por descobrir, olhos e ouvidos, como nos audio-livros, ou na voz que simplesmente lê alto, desafiam o pensamento, e com ele alimentam a construção de cada qual como leitor, ou leitora. 

Aprender a ler, a ser leitor, é caminho de muito ruminar. Carece, necessariamente, de muitos livros e de outros formatos ou suportes, quantidades acessíveis a sujeitos dispostos, para tal leitura animados, e apoiados. Vive ainda, do mais precioso dos bens, o tempo - para si, e para ler. 

No coração dos meios que fomos inventando para formar leitores para ler o mundo, as bibliotecas são incontornáveis: tal como na alegoria dos ruminantes, pasto de ler com os olhos e o pensamento. Desejavelmente, meios preciosos para formar leitores,  autores eles próprios do sentido do que lerem e imaginarem. Recursos que distinguem, em séculos cada vez mais exigentes, quem sabe, e pode, aprender e exercitar o ler o mundo, no sentido que lhe deu Paulo Freire. 

Promover a leitura, a formação de leitores, a criação e boa gestão de bibliotecas, com  destaque naturalmente para as escolares e as públicas, mas também de museus e outros recursos, é assumir a Cultura como factor essencial do Desenvolvimento nas sociedades actuais. Fazê-lo para toda a gente, com toda a gente, é desafio inevitável quando se defende o desenvolvimento das democracias, e o aumento de uma riqueza maior do Planeta, tantas vezes ameaçada: a capacidade dos seres humanos de entender, compreender, criar.

Fazer tudo isto, a sério, implica conhecimento, profissionais - gente preparada e aplicada - meios materiais, criatividade. Tem de ser feito com rapidez, porém sem pressa. Com firmeza, porém na maior das liberdades. A muitas mãos, colaborativamente, com brio porém sem protagonismos que dispersem energias. Falhando e emendando, repetindo e inventando. Ninguém disse que era fácil... Implica, além disso, humor e alegria. Alegria que ajuda ao fluir da acção e da comunicação - conquistando tempo para cada qual se construir leitor, fazemos o tempo crescer, sentir-se maior mesmo quando se mede em escassos minutos de relógio. 

Formar leitores para ler o mundo significa assim agir para alargar a elasticidade do tempo psicológico, fenómeno que os sábios do cérebro explicarão. Se formos capazes de o cumprir, formar leitores para ler o mundo é, afinal, actuar para que no futuro os leitores, e o mundo, se transformem e se reescrevam. Sabendo-o, não o temem nem se diminuem pelo medo da transformação. 

Formar leitores – e leitoras – para ler o mundo vem-se tornando cada vez mais urgente. Se calhar, foi-o sempre. Nós é que ainda não o tínhamos lido bem, imitando o maravilhoso ruminar dos bois no texto de Forte, e um bocadinho mais: lendo com vagar, com os olhos, o coração e o pensamento. 

 

Maria José Vitorinopor desafio da Casa da Leitura,Vila Franca de Xira, 12.01.2009


António José Forte (1931-1988). Nos anos 50, integrou o Grupo do Café Gelo, em Lisboa Foi funcionário da Fundação Calouste Gulbenkian, trabalhando, durante mais de 20 anos, em Bibliotecas Itinerantes. Publica desde 1958.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Slowmile Arte Aprendendo Viajando



Artistas, professores, gente amante do vagar. Organizam-se para ensinar e aprender, agindo e viajando, a prática da arte, a criatividade. Abrem as iniciativas a outros, em paisagens naturais ou ambientes urbanos.
Percursos pedestres, em diferentes lugares deste Planeta. Andando e desenhando. Ao compasso da atenção e do traço.
Próximos destinos: Sintra, Nova Iorque
Imagem de Florença (2008)

terça-feira, janeiro 06, 2009

Magos em Dia de Reis, mais 500 menos 500 anos...


imagem Leonardo Da Vinci (séc. XV)


Qual seria sua mensagem para os jovens de hoje?



Gostaria que tentassem, apesar de tudo (e talvez esteja aí o elemento de nostalgia que você notou), apesar de todas as tendências em contrário e de todas as pressões de fora, reter na consciência e na memória o valor da durabilidade, da constância, do compromisso.


Eles não podem mais contar, como a antiga geração, com a natureza permanente do mundo lá fora, com a durabilidade das instituições que tinham antes toda a probabilidade de sobreviver aos indivíduos. Isso não é mais possível e, na verdade, a vida humana individual, apesar de ser muito curta, abominavelmente curta, é a única entidade da sociedade de agora que tem sua longevidade aumentada. Sim, somente a vida humana individual vê crescer sua durabilidade, enquanto a vida de todas as outras entidades sociais que a rodeiam — instituições, idéias, movimentos políticos — é cada vez mais curta.


Assim, o único sentido duradouro, o único significado que tem chance de deixar traços, rastos no mundo, de acrescentar algo ao mundo exterior, deve ser fruto de seu próprio esforço e trabalho. Os jovens podem contar unicamente com eles próprios e só haverá em suas vidas o sentido e a relevância que forem capazes de lhes dar. Sei que essa é uma tarefa muito difícil... mas é a única coisa que posso lhes dizer





domingo, dezembro 28, 2008

Fazer balanço, tomar balanço - 10


1º ano: 2009



John, 1º ano de vida
20 anos em 2009


Tamar Katz, n. 1989

Shministim - Movimento de Objectores de Consciência de Israel (2008)

Nome: Tamar Katz
Idade: 19
Local: Tel-Aviv
Why I am one of the Shministim:
“I refuse to enlist in the Israeli military on conscientious grounds. I am not willing to become part of an occupying army,
 that has been an invader of foreign lands for decades, which perpetuates a racist regime of robbery in these lands, tyrannizes civilians and makes life difficult for millions under a false pretext of security.”

Recuso alistar-me no exército de Israel por motivos de consciência. Não quero fazer parte de um exército de ocupação, que tem sido um invasor de terras estrangeiras há décadas, que perpetua um regime racista de roubo nessas terras, tiraniza civis e torna a vida difícil para milhões, sob um falso pretexto de segurança.


1ª sentença de prisão: 28 Set. - 10th Oct. 2008 (12 dias)
2ª sentença: 12 - 30 Out. 2008 (18 dias) 
3ª sentença: 1 - 22 Dez. 2008 (21 dias) 

Fazer balanço, tomar balanço - 8


28 anos em 2009


Eu sou o anti-herói que nunca se renderá. (…)

O mundo novo é inevitável

Valete, n. 1981
 in Anti Herói, do álbum Serviço Público (2006) 

Fazer balanço, tomar balanço - 7

30 anos em 2009

Foto Mafalda Capela

O MAPA

Um dia perguntou-me:
Estudaste os teus mapas? Conheces os caminhos?

Olhei-a desconfiada e, cheia de medo de me perder,
desenhei-me em quadrado,

desfiz-me em quilómetros.

 

Filipa Leal, n. 1979
inn blog Quintas de Leitura (Set. 2007)

Fazer balanço, tomar balanço - 6

35 anos em 2009


Isso, emprestem dinheiro aos bancos. Coitadinhos dos bancos. Coitadinhos dos banqueiros e dos administradores. Nós ficamos calados. Afinal, não passámos por aquilo que vocês passaram. Sabemos isso. Seria importante que soubessem igualmente que vocês não passaram por aquilo que nós passámos e passamos ainda. Uma casa por pagar, por pagar, a dezenas de quilómetros de onde trabalhamos, se tivermos trabalho. Um futuro incerto. Infantários, hipermercados, o Natal.

(…) Falta pouco para o momento em que vocês se vão embora. E, quando forem, não voltam. Espero não estar a dar-vos nenhuma novidade. Quando chegar esse definitivo, quando se forem embora, seremos nós os guardiões da vossa memória. (…) Poderá então acontecer que, por comum acaso, nos esqueçamos de vós, que aquilo que vocês são agora se transforme em nada.

Nessa altura, (…) não terão sequer a memória disso e nós estaremos com aqueles que vocês nunca conhecerão, estaremos a não lhes falar de vocês. Falaremos talvez da natureza, da história de Portugal, de assuntos que queiramos que aprendam, mas não lhes estaremos a falar de vocês. Se isto é uma ameaça? Não, nós não precisamos de fazer ameaças. Ou, melhor, sim, é uma ameaça, embora não precisemos de fazê-las. Nós sofremos, mas temos tempo.

 

José Luís Peixoto, n. 1974

 in Visão (23.12.2008)

Fazer balanço, tomar balanço - 5

42 anos em 2009

A princesa prometida

Há um véu no meu olhar
Que a brilhar dá que pensar
Nos mistérios da beleza
Espelho meu que aconteceu
Do que é teu e do que é meu
Já não temos a certeza

A moldura deste espelho
Espelho feito de oiro velho
Tem os traços duma flor
Muitas vezes foi partido
Prometido e proibido
Aos encantos do amor

Espelho meu diz a verdade
Da idade da saudade
À mulher envelhecida
Segue em frente na memória
Mata a glória dessa história
Da princesa prometida


Aldina Duarte, n. 1967?
in Mulheres ao Espelho [cd audio] (2007) e no Youtube, aqui

Fazer balanço, tomar balanço - 4

40 anos em 2009


Les désirs retenus 00

João Moreno, n. 1969

Exposição de desenho (2003)

Fazer balanço, tomar balanço - 3

50 anos em 2009


A busca não é de dar rumo ao povo, mas de estarmos juntos com o povo e sermos menores e servidores entre eles. 

Frei Evaristo Pascoal Spengler, n. 1959 

in Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, 28.12.2008

Fazer balanço, tomar balanço - 2

60 anos em 2009

[um nome grande do cinema africano] diz que Amílcar Cabral foi para ele “como um pai” e foi quem lhe “pôs nas mãos uma câmara de filmar”. […] considera importante “mostrar essa África positiva, que existe, e que tem muitas coisas para dar ao mundo”.

Flora Gomes, n. 1949

referido in Revista Macau (28.12.2008)

Fazer balanço, tomar balanço - 1


70 anos em 2009

Parece-me que há em Portugal cada vez mais uma aprendizagem por parte da comunidade portuguesa e da sociedade civil da democracia, da democracia dos direitos. E isso é bom, isso parece-me melhor. Depois há um desenvolvimento individual da criação cultural. E isso também me parece muito melhor. De certa maneira há, curiosamente é paradoxal o que vou dizer, curiosamente há uma espécie de liberdade maior mas que não vem do poder político, é uma liberdade maior que vem dos conflitos, dos embates sociais, do facto desses embates aparecerem nos meios mediáticos e serem consciente na parte da população. Também o facto de Portugal estar cada vez mais consciente do que se passa, como se dizia antigamente, lá fora. Quer dizer, Portugal está cada vez mais lá fora, o que dá uma reacção cada vez mais dentro. E isto é devido certamente a reacções sociais, das pessoas.

José Gil, n. 1939

in Correio da Manhã (28.12.2008)

imagem daqui

quarta-feira, dezembro 03, 2008

GREVE


Reabro este blog pessoal, mais ou menos adormecido, hoje, porque é um dia excepcional.

Professora na Escola Pública há mais de 30 anos (comecei em 1976), uma parte deles em situação diferente de outros colegas - sem turmas nem aulas, giro entre escolas trabalhando com bibliotecas escolares.
Hoje, estou em greve.

Estamos em greve, nas escolas públicas portuguesas.
Serena. Clara. Firme. Fluente e legível.

Assim saibam outros e outras ler os sentidos deste acto colectivo e de tantos actos individuais.

Ler com os olhos, a mente e o coração - dar valor, diz-se na nossa língua.

Avaliar o essencial.

Escrevo antes das 7 da manhã de 3 de Dezembro de 2008.

Maria José Vitorino
Professora do quadro da Escola EB23 Dr. Vasco Moniz
Vila Franca de Xira

terça-feira, novembro 18, 2008

Legibilidade vs transparência


Teremos de rever e ampliar uma das grandes exigências políticas da sociedade civil nos últimos anos. Temos de concluir que a transparência não basta.

É transparência, mas não só: é legibilidade. Uma das primeiras coisas que F.D. Roosevelt fez, durante a grande depressão, foi usar um dos seus discursos na rádio para explicar como funcionava um banco. Depois desse discurso fechou os bancos durante uma semana para se percorrer os livros e entender qual era a situação real das suas contas. Isto é um exemplo de como é essencial em democracia ter acesso a informação que seja verídica, mas também: que faça sentido, que seja legível e sobre a qual se possa agir em conjunto.

Temos de exigir que o desenho de informação esteja incluído em cada "objecto" disponível ao público.
Um dia haverá cursos sobre as melhores maneiras de o fazer (no plural: nunca será apenas uma) e isto dirá respeito a muitas profissões, de jornalistas a académicos e políticos.
Mas notem que quando digo "objecto" não estou a falar apenas de produtos, financeiros ou outros. Isto é um problema maior do que o mercado. As próprias leis não têm em conta a impossibilidade de a maioria dos cidadãos as compreenderem (mesmo quando são feitas de boa-fé). Isso é um problema de democracia. Nos EUA, uma organização não-governamental chamada OpenCongress.org dedica-se a "traduzir" as leis para linguagem quotidiana, com grande sucesso. Precisamos do mesmo aqui, e também de obrigar a Assembleia da República, o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia a fazê-lo no seu processo legislativo.

Os políticos não podem ser apenas legisladores; têm de ser intérpretes. No futuro, isso significará não apenas intérpretes da vontade popular, mas bons tradutores da realidade à sua volta para que uma vontade popular possa sequer começar a emergir.
Rui Tavares, Público, 7.11.2008, Desenho de Informação
Ler é mais, muito mais que soletrar, de facto.

quarta-feira, junho 11, 2008

Há 9 anos. Manifesto da Biblioteca Escolar IFLA/Unesco - 1999

A Biblioteca Escolar no Ensino-Aprendizagem Para Todos Manifesto da Biblioteca Escolar da IFLA/UNESCO


A biblioteca escolar proporciona informação e ideias fundamentais para sermos bem sucedidos na sociedade actual, baseada na informação e no conhecimento. A biblioteca escolar desenvolve nos estudantes competências para a aprendizagem ao longo da vida e desenvolve a imaginação, permitindo-lhes tornarem-se cidadãos responsáveis.




Missão da Biblioteca Escolar.
A biblioteca escolar disponibiliza serviços de aprendizagem, livros e recursos que permitem a todos os membros da comunidade escolar tornarem-se pensadores críticos e utilizadores efectivos da informação em todos os suportes e meios de comunicação. As bibliotecas escolares
articulam-se com as redes de informação e de bibliotecas de acordo com os princípios do Manifesto da Biblioteca Pública da UNESCO.

O pessoal da biblioteca apoia a utilização de livros e outras fontes de informação, desde obras de ficção a documentários, impressas ou electrónicas, presenciais ou remotas. Os materiais complementam e enriquecem os manuais escolares, materiais e metodologias de ensino.
Está comprovado que quando os bibliotecários e os professores trabalham em conjunto, os estudantes alcançam níveis mais elevados de literacia, leitura, aprendizagem, resolução de problemas e competências no domínio das tecnologias de informação e comunicação.
As bibliotecas escolares devem disponibilizar os seus serviços de igual modo a todos os membros da comunidade escolar, independentemente da idade, raça, sexo, religião, nacionalidade, língua e estatuto profissional ou social. Aos utilizadores que, por qualquer razão, não possam utilizar os
serviços e materiais comuns na biblioteca, devem ser disponibilizados serviços e materiais específicos.
O acesso aos serviços e colecções deve orientar-se pela Declaração Universal dos Direitos e Liberdades do Homem das Nações Unidas e não deverá ser sujeito a nenhuma forma de censura ideológica, política ou religiosa ou a pressões comerciais.

Financiamento, legislação e redes
A biblioteca escolar é essencial a qualquer estratégia de longo prazo nos domínios da literacia, educação, informação e desenvolvimento económico, social e cultural. Sendo da responsabilidade das autoridades locais, regionais ou nacionais, a biblioteca escolar deve ser apoiada por legislação e políticas específicas. As bibliotecas escolares devem possuir meios adequados para assegurar a existência de pessoal com formação, materiais, tecnologias e equipamentos e ser de utilização gratuita.
A biblioteca escolar é um parceiro essencial das redes local, regional e nacional de bibliotecas e de informação.
Sempre que a biblioteca escolar partilhe equipamentos e/ou recursos com outro tipo de biblioteca, designadamente com a biblioteca pública, os objectivos únicos da biblioteca escolar devem ser reconhecidos e mantidos.

Objectivos da biblioteca escolar
A biblioteca escolar é parte integrante do processo educativo.
Os objectivos seguintes são essenciais ao desenvolvimento da literacia, das competências de informação, do ensino, da aprendizagem e da cultura e correspondem a serviços básicos da biblioteca escolar:
• Apoiar e promover os objectivos educativos delineados de acordo com as finalidades e curriculum da escola;
• Desenvolver e manter nas crianças o hábito e o prazer da leitura e da aprendizagem, e também da utilização das bibliotecas ao longo da vida;
• Proporcionar oportunidades de produção e utilização de informação para o conhecimento, compreensão, imaginação e divertimento;
• Apoiar os estudantes na aprendizagem e prática de capacidades de avaliação e utilização da informação, independentemente da natureza, suporte ou meio, usando de sensibilidade relativamente aos modos de comunicação de cada comunidade;
• Providenciar acesso aos recursos locais, regionais, nacionais e globais e às oportunidades que exponham os estudantes a ideias, experiências e opiniões diversificadas;
• Organizar actividades que favoreçam a tomada de consciência cultural e social e a sensibilidade;
• Trabalhar com os estudantes, professores, administradores e pais de modo a alcançar as finalidades da escola;
• Defender a ideia de que a liberdade intelectual e o acesso à informação são essenciais à construção de uma cidadania efectiva e responsável e à participação na democracia;
• Promover a leitura e os recursos e serviços da biblioteca escolar junto da comunidade escolar e do meio.
A biblioteca escolar cumpre estas funções desenvolvendo políticas e serviços, seleccionando e adquirindo recursos, proporcionando acesso físico e intelectual a fontes de informação apropriadas, disponibilizando equipamentos educativos e dispondo de pessoal treinado.

Pessoal
O bibliotecário escolar é o elemento do corpo docente profissionalmente habilitado, responsável pelo planeamento e gestão da biblioteca escolar. É apoiado por um equipa tão adequada quanto possível, trabalhando em conjunto com todos os membros da comunidade escolar e em ligação com a biblioteca pública e outras.
O papel dos bibliotecários escolares varia consoante o orçamento, curriculum e metodologias de ensino das escolas, de acordo com o quadro legal e financeiro nacional. Em termos específicos, existem grandes áreas de conhecimento que são vitais se os bibliotecários escolares desejarem
desenvolver serviços efectivos nas bibliotecas escolares: gestão de recursos, gestão de bibliotecas e de informação e ensino.
Num ambiente cada vez mais integrado pelas redes de informação, os bibliotecários escolares devem possuir competências para planear e ensinar diferentes habilidades no tratamento da informação tanto a professores como a estudantes. Devem, por conseguinte, prosseguir a sua formação e desenvolvimento profissionais.

Funcionamento e Gestão
Para garantir a eficácia e avaliação dos serviços:
• A política de serviços da biblioteca escolar deve ser formulada de modo a definir objectivos, prioridades e serviços em articulação com o curriculum escolar;
• A biblioteca escolar deve ser organizada e mantida de acordo com standards profissionais;
• Os serviços devem ser acessíveis a todos os membros da comunidade escolar e funcionar dentro do contexto da comunidade local;
A cooperação com professores, gestores escolares experientes, administradores, pais, outros bibliotecários e profissionais de informação, e grupos da comunidade deve ser estimulada.

Aplicação do Manifesto
Os governos, por intermédio dos seus ministros da educação, são convidados a desenvolver estratégias, políticas e planos que implementem os princípios deste Manifesto. Estes planos devem prever a divulgação do Manifesto nos programas de formação inicial e contínua de bibliotecários e de professores.
Incentivam-se todos os decisores a nível local e nacional e a comunidade de bibliotecários em todo o mundo a aplicar os princípios deste Manifesto.

O Manifesto foi preparado pela Federação Internacional de Associações de Bibliotecários e Bibliotecas e aprovado pela UNESCO na sua Conferência Geral em Novembro de 1999. Trad. portuguesa da Rede de Bibliotecas Escolares