quinta-feira, maio 21, 2009

Darwich voz da Palestina

Vamos ouvir falar da Palestina e de Darwich hoje no Clube Vilafranquense,Vila Franca de Xira, pelas 21.30
pela mão da Cooperativa Alves Redol, com Paulo Rato, José Goulão e Júlio Magalhães


Mais nous souffrons d'un mal incurable qui s'appelle l'espoir. Espoir de libération et d'indépendance. Espoir d'une vie normale où nous ne serons ni héros, ni victimes. Espoir de voir nos enfants aller sans danger à l'école. Espoir pour une femme enceinte de donner naissance à un bébé vivant, dans un hôpital, et pas à un enfant mort devant un poste de contrôle militaire. Espoir que nos poètes verront la beauté de la couleur rouge dans les roses plutôt que dans le sang. Espoir que cette terre retrouvera son nom original : terre d'amour et de paix. Merci pour porter avec nous le fardeau de cet espoir. "


Mas sofremos de um mal incurável que se chama esperança. Esperança da libertação e da independência. Esperança de uma vida normal em que não seremos nem heróis, nem vítimas. Esperança dever os nossos filhos irem sem perigo à escola. Esperança para uma mulher grávida de dar à luz um bebé vivo, num hospital, e não uma criança morta frente a um posto de controle militar. Esperança em que os nossos poetas verão a beleza da cor vermelha nas rosas, em vez de no sangue. Esperança em que esta terra voltará a encontrar o seu nome original: terra de amor e de paz. Obrigada por carregarem connosco o fardo desta esperança (200?)

Sometimes I feel as if I am read before I write. When I write a poem about my mother, Palestinians think my mother is a symbol for Palestine. But I write as a poet, and my mother is my mother. She’s not a symbol.

Por vezes sinto que me leram antes que eu escrevesse. Quando escrevo um poema sobre a minha mãe, os palestinianos pensam que a minha mãe é um símbolo da Palestina. Mas eu escrevo como um poeta,e a minha mãe é a minha mãe. Ela não é um símbolo. (2001)



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quarta-feira, maio 13, 2009

ensinar e aprender, objectos e objectivos



As lições

 

Ensinaram-me a falar

aprendi a escrever.

 

Ensinaram-me a escrever

aprendi a falar.

 

Ensinaram-me a ler

aprendi a ver.

 

Ensinaram-me a ouvir

aprendi a calar.

 

Ensinaram-me a pedir

aprendi a dar.

 

Ensinaram-me a comprar

aprendi a ter.

 

Ensinaram-me a beber

aprendi a rir.

 

Ensinaram-me a fugir

aprendi a ficar.

 

Ensinaram-me a aprender

aprendi a ignorar.

 

Ensinaram-me a amar

aprendi a criar.

 

Ensinaram-me a viver

aprendi a morrer.

 

Ensinaram-me a estar só

aprendi a estar.

 

Ensinaram-me a ser livre

aprendi a ser.

 

Ana Hatherly (1929-    )

 

In Antologia da poesia portuguesa. Org. M. Alberta Meneres, E. M. Melo  Castro. Vol. 2: 1940-1977, Lisboa, Moraes Editores, 1979, Col. Círculo de Poesia, p.76-77

 

sábado, abril 25, 2009




diariogauche (2007)

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, abril 22, 2009

Escrever na ou para a net & Escola (qual escola?)



«Temos necessidade de uma nova didáctica que não esteja subordinada ao "diálogo professor-aluno" e que encare os média como verdadeiras "máquinas de representar" (Jacquinot, 1993a) e verdadeiras "máquinas de comunicar" (Perrault, 1989).» (Oliveira, 2004).

Tal didáctica está por inventar…
Para produzir e-conteúdos precisamos de:

1) uma estrutura de enquadramento/produção/difusão (que pode ser um Centro de Recursos);  

2) recursos humanos (equipas de desenvolvimento que integrem generalistas, “sábios” como autores ou professores, “escriturários digitais” para uso adequado das ferramentas informáticas, e artistas que possam contribuir para a qualidade estética dos materiais); e  

3) alguns equipamentos (relativamente acessíveis no seu custo).

De resto, precisamos, sobretudo, de muita imaginação e muita coordenação de esforços, a par de motivação, incentivos e liderança com visão estratégica.

Oliveira, Lia Raquel (2006) 

Globalização e (des) igualdades: os desafios curriculares. CIEd 2006 

Actas do VII Colóquio sobre Questões Curriculares (III Colóquio Luso-Brasileiro

domingo, abril 19, 2009

Samuel, 3º dia



Chegou. 
Tomou o lugar de si mesmo
Inteiro, suave, definitivo

Sonhos perfeitos, olhos tamanhos

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Ruminações

imagem JSD (2009)


Os meninos, a quem são dirigidas estas palavras de muita sabedoria, não devem imitar o analfabetismo dos bois nem dos homens que andam atrás ou à frente deles. (...) Numa coisa, porém, devem imitar os bois: na ruminação. E isto quer dizer: ler, ler bem, ler com os olhos e o pensamento. 
António José Forte. Os bois e os livros in Uma faca nos dentes (2003), p. 124

 

São os livros pasto de ruminação, no sentido que o poeta lhe dá, que é o da leitura reflexiva, crítica, educada e educadora; antes de mais, de cada leitor em si. Depois, desse leitor para outros, através da comunicação sobre o lido, e da migração entre textos, entre ideias. Mais rica se mais pensada, criticamente, acrescentando um bocadinho de cada um – uma ideia, uma pergunta... - e assim mais apta à transformação. Como diriam as avós da minha infância, analfabetas algumas porém pensantes todas, mais capaz de medrar

Nos livros, lemos com os olhos tudo: as palavras, os sinais, as cores e os desenhos, o próprio formato do objecto. Nos outros lugares do lido, como os rectângulos luminosos por onde espreitamos palavras, sinais e outros alimentos do nosso ruminar, face a face como as telas pintadas ou o som directo dos instrumentos musicais, ou emitidos à distância por misteriosos meios como a Internet, aprisionados em discos brilhantes ou em outros mil disfarces ainda por descobrir, olhos e ouvidos, como nos audio-livros, ou na voz que simplesmente lê alto, desafiam o pensamento, e com ele alimentam a construção de cada qual como leitor, ou leitora. 

Aprender a ler, a ser leitor, é caminho de muito ruminar. Carece, necessariamente, de muitos livros e de outros formatos ou suportes, quantidades acessíveis a sujeitos dispostos, para tal leitura animados, e apoiados. Vive ainda, do mais precioso dos bens, o tempo - para si, e para ler. 

No coração dos meios que fomos inventando para formar leitores para ler o mundo, as bibliotecas são incontornáveis: tal como na alegoria dos ruminantes, pasto de ler com os olhos e o pensamento. Desejavelmente, meios preciosos para formar leitores,  autores eles próprios do sentido do que lerem e imaginarem. Recursos que distinguem, em séculos cada vez mais exigentes, quem sabe, e pode, aprender e exercitar o ler o mundo, no sentido que lhe deu Paulo Freire. 

Promover a leitura, a formação de leitores, a criação e boa gestão de bibliotecas, com  destaque naturalmente para as escolares e as públicas, mas também de museus e outros recursos, é assumir a Cultura como factor essencial do Desenvolvimento nas sociedades actuais. Fazê-lo para toda a gente, com toda a gente, é desafio inevitável quando se defende o desenvolvimento das democracias, e o aumento de uma riqueza maior do Planeta, tantas vezes ameaçada: a capacidade dos seres humanos de entender, compreender, criar.

Fazer tudo isto, a sério, implica conhecimento, profissionais - gente preparada e aplicada - meios materiais, criatividade. Tem de ser feito com rapidez, porém sem pressa. Com firmeza, porém na maior das liberdades. A muitas mãos, colaborativamente, com brio porém sem protagonismos que dispersem energias. Falhando e emendando, repetindo e inventando. Ninguém disse que era fácil... Implica, além disso, humor e alegria. Alegria que ajuda ao fluir da acção e da comunicação - conquistando tempo para cada qual se construir leitor, fazemos o tempo crescer, sentir-se maior mesmo quando se mede em escassos minutos de relógio. 

Formar leitores para ler o mundo significa assim agir para alargar a elasticidade do tempo psicológico, fenómeno que os sábios do cérebro explicarão. Se formos capazes de o cumprir, formar leitores para ler o mundo é, afinal, actuar para que no futuro os leitores, e o mundo, se transformem e se reescrevam. Sabendo-o, não o temem nem se diminuem pelo medo da transformação. 

Formar leitores – e leitoras – para ler o mundo vem-se tornando cada vez mais urgente. Se calhar, foi-o sempre. Nós é que ainda não o tínhamos lido bem, imitando o maravilhoso ruminar dos bois no texto de Forte, e um bocadinho mais: lendo com vagar, com os olhos, o coração e o pensamento. 

 

Maria José Vitorinopor desafio da Casa da Leitura,Vila Franca de Xira, 12.01.2009


António José Forte (1931-1988). Nos anos 50, integrou o Grupo do Café Gelo, em Lisboa Foi funcionário da Fundação Calouste Gulbenkian, trabalhando, durante mais de 20 anos, em Bibliotecas Itinerantes. Publica desde 1958.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Slowmile Arte Aprendendo Viajando



Artistas, professores, gente amante do vagar. Organizam-se para ensinar e aprender, agindo e viajando, a prática da arte, a criatividade. Abrem as iniciativas a outros, em paisagens naturais ou ambientes urbanos.
Percursos pedestres, em diferentes lugares deste Planeta. Andando e desenhando. Ao compasso da atenção e do traço.
Próximos destinos: Sintra, Nova Iorque
Imagem de Florença (2008)

terça-feira, janeiro 06, 2009

Magos em Dia de Reis, mais 500 menos 500 anos...


imagem Leonardo Da Vinci (séc. XV)


Qual seria sua mensagem para os jovens de hoje?



Gostaria que tentassem, apesar de tudo (e talvez esteja aí o elemento de nostalgia que você notou), apesar de todas as tendências em contrário e de todas as pressões de fora, reter na consciência e na memória o valor da durabilidade, da constância, do compromisso.


Eles não podem mais contar, como a antiga geração, com a natureza permanente do mundo lá fora, com a durabilidade das instituições que tinham antes toda a probabilidade de sobreviver aos indivíduos. Isso não é mais possível e, na verdade, a vida humana individual, apesar de ser muito curta, abominavelmente curta, é a única entidade da sociedade de agora que tem sua longevidade aumentada. Sim, somente a vida humana individual vê crescer sua durabilidade, enquanto a vida de todas as outras entidades sociais que a rodeiam — instituições, idéias, movimentos políticos — é cada vez mais curta.


Assim, o único sentido duradouro, o único significado que tem chance de deixar traços, rastos no mundo, de acrescentar algo ao mundo exterior, deve ser fruto de seu próprio esforço e trabalho. Os jovens podem contar unicamente com eles próprios e só haverá em suas vidas o sentido e a relevância que forem capazes de lhes dar. Sei que essa é uma tarefa muito difícil... mas é a única coisa que posso lhes dizer





domingo, dezembro 28, 2008

Fazer balanço, tomar balanço - 10


1º ano: 2009



John, 1º ano de vida
20 anos em 2009


Tamar Katz, n. 1989

Shministim - Movimento de Objectores de Consciência de Israel (2008)

Nome: Tamar Katz
Idade: 19
Local: Tel-Aviv
Why I am one of the Shministim:
“I refuse to enlist in the Israeli military on conscientious grounds. I am not willing to become part of an occupying army,
 that has been an invader of foreign lands for decades, which perpetuates a racist regime of robbery in these lands, tyrannizes civilians and makes life difficult for millions under a false pretext of security.”

Recuso alistar-me no exército de Israel por motivos de consciência. Não quero fazer parte de um exército de ocupação, que tem sido um invasor de terras estrangeiras há décadas, que perpetua um regime racista de roubo nessas terras, tiraniza civis e torna a vida difícil para milhões, sob um falso pretexto de segurança.


1ª sentença de prisão: 28 Set. - 10th Oct. 2008 (12 dias)
2ª sentença: 12 - 30 Out. 2008 (18 dias) 
3ª sentença: 1 - 22 Dez. 2008 (21 dias) 

Fazer balanço, tomar balanço - 8


28 anos em 2009


Eu sou o anti-herói que nunca se renderá. (…)

O mundo novo é inevitável

Valete, n. 1981
 in Anti Herói, do álbum Serviço Público (2006) 

Fazer balanço, tomar balanço - 7

30 anos em 2009

Foto Mafalda Capela

O MAPA

Um dia perguntou-me:
Estudaste os teus mapas? Conheces os caminhos?

Olhei-a desconfiada e, cheia de medo de me perder,
desenhei-me em quadrado,

desfiz-me em quilómetros.

 

Filipa Leal, n. 1979
inn blog Quintas de Leitura (Set. 2007)

Fazer balanço, tomar balanço - 6

35 anos em 2009


Isso, emprestem dinheiro aos bancos. Coitadinhos dos bancos. Coitadinhos dos banqueiros e dos administradores. Nós ficamos calados. Afinal, não passámos por aquilo que vocês passaram. Sabemos isso. Seria importante que soubessem igualmente que vocês não passaram por aquilo que nós passámos e passamos ainda. Uma casa por pagar, por pagar, a dezenas de quilómetros de onde trabalhamos, se tivermos trabalho. Um futuro incerto. Infantários, hipermercados, o Natal.

(…) Falta pouco para o momento em que vocês se vão embora. E, quando forem, não voltam. Espero não estar a dar-vos nenhuma novidade. Quando chegar esse definitivo, quando se forem embora, seremos nós os guardiões da vossa memória. (…) Poderá então acontecer que, por comum acaso, nos esqueçamos de vós, que aquilo que vocês são agora se transforme em nada.

Nessa altura, (…) não terão sequer a memória disso e nós estaremos com aqueles que vocês nunca conhecerão, estaremos a não lhes falar de vocês. Falaremos talvez da natureza, da história de Portugal, de assuntos que queiramos que aprendam, mas não lhes estaremos a falar de vocês. Se isto é uma ameaça? Não, nós não precisamos de fazer ameaças. Ou, melhor, sim, é uma ameaça, embora não precisemos de fazê-las. Nós sofremos, mas temos tempo.

 

José Luís Peixoto, n. 1974

 in Visão (23.12.2008)

Fazer balanço, tomar balanço - 5

42 anos em 2009

A princesa prometida

Há um véu no meu olhar
Que a brilhar dá que pensar
Nos mistérios da beleza
Espelho meu que aconteceu
Do que é teu e do que é meu
Já não temos a certeza

A moldura deste espelho
Espelho feito de oiro velho
Tem os traços duma flor
Muitas vezes foi partido
Prometido e proibido
Aos encantos do amor

Espelho meu diz a verdade
Da idade da saudade
À mulher envelhecida
Segue em frente na memória
Mata a glória dessa história
Da princesa prometida


Aldina Duarte, n. 1967?
in Mulheres ao Espelho [cd audio] (2007) e no Youtube, aqui

Fazer balanço, tomar balanço - 4

40 anos em 2009


Les désirs retenus 00

João Moreno, n. 1969

Exposição de desenho (2003)

Fazer balanço, tomar balanço - 3

50 anos em 2009


A busca não é de dar rumo ao povo, mas de estarmos juntos com o povo e sermos menores e servidores entre eles. 

Frei Evaristo Pascoal Spengler, n. 1959 

in Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, 28.12.2008

Fazer balanço, tomar balanço - 2

60 anos em 2009

[um nome grande do cinema africano] diz que Amílcar Cabral foi para ele “como um pai” e foi quem lhe “pôs nas mãos uma câmara de filmar”. […] considera importante “mostrar essa África positiva, que existe, e que tem muitas coisas para dar ao mundo”.

Flora Gomes, n. 1949

referido in Revista Macau (28.12.2008)

Fazer balanço, tomar balanço - 1


70 anos em 2009

Parece-me que há em Portugal cada vez mais uma aprendizagem por parte da comunidade portuguesa e da sociedade civil da democracia, da democracia dos direitos. E isso é bom, isso parece-me melhor. Depois há um desenvolvimento individual da criação cultural. E isso também me parece muito melhor. De certa maneira há, curiosamente é paradoxal o que vou dizer, curiosamente há uma espécie de liberdade maior mas que não vem do poder político, é uma liberdade maior que vem dos conflitos, dos embates sociais, do facto desses embates aparecerem nos meios mediáticos e serem consciente na parte da população. Também o facto de Portugal estar cada vez mais consciente do que se passa, como se dizia antigamente, lá fora. Quer dizer, Portugal está cada vez mais lá fora, o que dá uma reacção cada vez mais dentro. E isto é devido certamente a reacções sociais, das pessoas.

José Gil, n. 1939

in Correio da Manhã (28.12.2008)

imagem daqui

quarta-feira, dezembro 03, 2008

GREVE


Reabro este blog pessoal, mais ou menos adormecido, hoje, porque é um dia excepcional.

Professora na Escola Pública há mais de 30 anos (comecei em 1976), uma parte deles em situação diferente de outros colegas - sem turmas nem aulas, giro entre escolas trabalhando com bibliotecas escolares.
Hoje, estou em greve.

Estamos em greve, nas escolas públicas portuguesas.
Serena. Clara. Firme. Fluente e legível.

Assim saibam outros e outras ler os sentidos deste acto colectivo e de tantos actos individuais.

Ler com os olhos, a mente e o coração - dar valor, diz-se na nossa língua.

Avaliar o essencial.

Escrevo antes das 7 da manhã de 3 de Dezembro de 2008.

Maria José Vitorino
Professora do quadro da Escola EB23 Dr. Vasco Moniz
Vila Franca de Xira

terça-feira, novembro 18, 2008

Legibilidade vs transparência


Teremos de rever e ampliar uma das grandes exigências políticas da sociedade civil nos últimos anos. Temos de concluir que a transparência não basta.

É transparência, mas não só: é legibilidade. Uma das primeiras coisas que F.D. Roosevelt fez, durante a grande depressão, foi usar um dos seus discursos na rádio para explicar como funcionava um banco. Depois desse discurso fechou os bancos durante uma semana para se percorrer os livros e entender qual era a situação real das suas contas. Isto é um exemplo de como é essencial em democracia ter acesso a informação que seja verídica, mas também: que faça sentido, que seja legível e sobre a qual se possa agir em conjunto.

Temos de exigir que o desenho de informação esteja incluído em cada "objecto" disponível ao público.
Um dia haverá cursos sobre as melhores maneiras de o fazer (no plural: nunca será apenas uma) e isto dirá respeito a muitas profissões, de jornalistas a académicos e políticos.
Mas notem que quando digo "objecto" não estou a falar apenas de produtos, financeiros ou outros. Isto é um problema maior do que o mercado. As próprias leis não têm em conta a impossibilidade de a maioria dos cidadãos as compreenderem (mesmo quando são feitas de boa-fé). Isso é um problema de democracia. Nos EUA, uma organização não-governamental chamada OpenCongress.org dedica-se a "traduzir" as leis para linguagem quotidiana, com grande sucesso. Precisamos do mesmo aqui, e também de obrigar a Assembleia da República, o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia a fazê-lo no seu processo legislativo.

Os políticos não podem ser apenas legisladores; têm de ser intérpretes. No futuro, isso significará não apenas intérpretes da vontade popular, mas bons tradutores da realidade à sua volta para que uma vontade popular possa sequer começar a emergir.
Rui Tavares, Público, 7.11.2008, Desenho de Informação
Ler é mais, muito mais que soletrar, de facto.

quarta-feira, junho 11, 2008

Há 9 anos. Manifesto da Biblioteca Escolar IFLA/Unesco - 1999

A Biblioteca Escolar no Ensino-Aprendizagem Para Todos Manifesto da Biblioteca Escolar da IFLA/UNESCO


A biblioteca escolar proporciona informação e ideias fundamentais para sermos bem sucedidos na sociedade actual, baseada na informação e no conhecimento. A biblioteca escolar desenvolve nos estudantes competências para a aprendizagem ao longo da vida e desenvolve a imaginação, permitindo-lhes tornarem-se cidadãos responsáveis.




Missão da Biblioteca Escolar.
A biblioteca escolar disponibiliza serviços de aprendizagem, livros e recursos que permitem a todos os membros da comunidade escolar tornarem-se pensadores críticos e utilizadores efectivos da informação em todos os suportes e meios de comunicação. As bibliotecas escolares
articulam-se com as redes de informação e de bibliotecas de acordo com os princípios do Manifesto da Biblioteca Pública da UNESCO.

O pessoal da biblioteca apoia a utilização de livros e outras fontes de informação, desde obras de ficção a documentários, impressas ou electrónicas, presenciais ou remotas. Os materiais complementam e enriquecem os manuais escolares, materiais e metodologias de ensino.
Está comprovado que quando os bibliotecários e os professores trabalham em conjunto, os estudantes alcançam níveis mais elevados de literacia, leitura, aprendizagem, resolução de problemas e competências no domínio das tecnologias de informação e comunicação.
As bibliotecas escolares devem disponibilizar os seus serviços de igual modo a todos os membros da comunidade escolar, independentemente da idade, raça, sexo, religião, nacionalidade, língua e estatuto profissional ou social. Aos utilizadores que, por qualquer razão, não possam utilizar os
serviços e materiais comuns na biblioteca, devem ser disponibilizados serviços e materiais específicos.
O acesso aos serviços e colecções deve orientar-se pela Declaração Universal dos Direitos e Liberdades do Homem das Nações Unidas e não deverá ser sujeito a nenhuma forma de censura ideológica, política ou religiosa ou a pressões comerciais.

Financiamento, legislação e redes
A biblioteca escolar é essencial a qualquer estratégia de longo prazo nos domínios da literacia, educação, informação e desenvolvimento económico, social e cultural. Sendo da responsabilidade das autoridades locais, regionais ou nacionais, a biblioteca escolar deve ser apoiada por legislação e políticas específicas. As bibliotecas escolares devem possuir meios adequados para assegurar a existência de pessoal com formação, materiais, tecnologias e equipamentos e ser de utilização gratuita.
A biblioteca escolar é um parceiro essencial das redes local, regional e nacional de bibliotecas e de informação.
Sempre que a biblioteca escolar partilhe equipamentos e/ou recursos com outro tipo de biblioteca, designadamente com a biblioteca pública, os objectivos únicos da biblioteca escolar devem ser reconhecidos e mantidos.

Objectivos da biblioteca escolar
A biblioteca escolar é parte integrante do processo educativo.
Os objectivos seguintes são essenciais ao desenvolvimento da literacia, das competências de informação, do ensino, da aprendizagem e da cultura e correspondem a serviços básicos da biblioteca escolar:
• Apoiar e promover os objectivos educativos delineados de acordo com as finalidades e curriculum da escola;
• Desenvolver e manter nas crianças o hábito e o prazer da leitura e da aprendizagem, e também da utilização das bibliotecas ao longo da vida;
• Proporcionar oportunidades de produção e utilização de informação para o conhecimento, compreensão, imaginação e divertimento;
• Apoiar os estudantes na aprendizagem e prática de capacidades de avaliação e utilização da informação, independentemente da natureza, suporte ou meio, usando de sensibilidade relativamente aos modos de comunicação de cada comunidade;
• Providenciar acesso aos recursos locais, regionais, nacionais e globais e às oportunidades que exponham os estudantes a ideias, experiências e opiniões diversificadas;
• Organizar actividades que favoreçam a tomada de consciência cultural e social e a sensibilidade;
• Trabalhar com os estudantes, professores, administradores e pais de modo a alcançar as finalidades da escola;
• Defender a ideia de que a liberdade intelectual e o acesso à informação são essenciais à construção de uma cidadania efectiva e responsável e à participação na democracia;
• Promover a leitura e os recursos e serviços da biblioteca escolar junto da comunidade escolar e do meio.
A biblioteca escolar cumpre estas funções desenvolvendo políticas e serviços, seleccionando e adquirindo recursos, proporcionando acesso físico e intelectual a fontes de informação apropriadas, disponibilizando equipamentos educativos e dispondo de pessoal treinado.

Pessoal
O bibliotecário escolar é o elemento do corpo docente profissionalmente habilitado, responsável pelo planeamento e gestão da biblioteca escolar. É apoiado por um equipa tão adequada quanto possível, trabalhando em conjunto com todos os membros da comunidade escolar e em ligação com a biblioteca pública e outras.
O papel dos bibliotecários escolares varia consoante o orçamento, curriculum e metodologias de ensino das escolas, de acordo com o quadro legal e financeiro nacional. Em termos específicos, existem grandes áreas de conhecimento que são vitais se os bibliotecários escolares desejarem
desenvolver serviços efectivos nas bibliotecas escolares: gestão de recursos, gestão de bibliotecas e de informação e ensino.
Num ambiente cada vez mais integrado pelas redes de informação, os bibliotecários escolares devem possuir competências para planear e ensinar diferentes habilidades no tratamento da informação tanto a professores como a estudantes. Devem, por conseguinte, prosseguir a sua formação e desenvolvimento profissionais.

Funcionamento e Gestão
Para garantir a eficácia e avaliação dos serviços:
• A política de serviços da biblioteca escolar deve ser formulada de modo a definir objectivos, prioridades e serviços em articulação com o curriculum escolar;
• A biblioteca escolar deve ser organizada e mantida de acordo com standards profissionais;
• Os serviços devem ser acessíveis a todos os membros da comunidade escolar e funcionar dentro do contexto da comunidade local;
A cooperação com professores, gestores escolares experientes, administradores, pais, outros bibliotecários e profissionais de informação, e grupos da comunidade deve ser estimulada.

Aplicação do Manifesto
Os governos, por intermédio dos seus ministros da educação, são convidados a desenvolver estratégias, políticas e planos que implementem os princípios deste Manifesto. Estes planos devem prever a divulgação do Manifesto nos programas de formação inicial e contínua de bibliotecários e de professores.
Incentivam-se todos os decisores a nível local e nacional e a comunidade de bibliotecários em todo o mundo a aplicar os princípios deste Manifesto.

O Manifesto foi preparado pela Federação Internacional de Associações de Bibliotecários e Bibliotecas e aprovado pela UNESCO na sua Conferência Geral em Novembro de 1999. Trad. portuguesa da Rede de Bibliotecas Escolares

Há 30 anos. Manifesto da IFLA/Unesco Para as Bibliotecas Escolares (1ª versão)

Manifesto da UNESCO


Origens do Manifesto

1976 : a Comissão Australiana da UNESCO promoveu um seminário sobre Planeamento e Desenvolvimento de Bibliotecas Escolares. Uma das recomendações desse seminário refreia a preparação de um “Manifesto das Bibliotecas escolares “ semelhante ao “Manifesto das Bibliotecas Públicas” da UNESCO.

1978 : a Comissão Australiana da UNESCO envia um esboço preliminar deste documento, preparado pela Associação Australiana de Bibliotecas Escolares, ao Secretariado da UNESCO.

1980: esta questão foi discutida no Encontro da Secção de Bibliotecas Escolares da IFLA (International Federation of Library Associations), em Manila, recebendo apoio e aprovação unânimes. Em Novembro deste ano, a UNESCO confirma o Manifesto como seu documento oficial



MANIFESTO DA UNESCO SOBRE MEDIATECAS ESCOLARES
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura foi fundada para promover a paz e a felicidade, agindo sobre o espírito dos homens e das mulheres. O presente Manifesto proclama que os serviços das mediatecas escolares são essenciais para uma efectiva educação de todas as crianças e adolescentes, e que a educação é um agente vital na manutenção da paz e do entendimento entre povos e nações.

Serviço de Mediatecas Escolares
Um efectivo serviço de mediatecas escolares é essencial para o cumprimento do projecto educativo de escola e uma componente necessária do conjunto de serviços de bibliotecas. Um serviço eficaz de mediateca escolar deverá :

  • dar apoio constante ao programa de ensino e aprendizagem e propiciar mudanças na educação ;

  • assegurar o máximo acesso a uma gama de recursos e serviços tão vastos quanto possível;

  • fornecer aos estudantes as capacidades básicas para obter e usar a máxima diversidade de recursos e de serviços ;

  • habituá-los à utilização das bibliotecas, para divertimento, informação e educação contínua.

Para alcançar estes objectivos, a mediateca escolar necessita de :

  • pessoal com qualificações profissionais quer em biblioteconomia quer em educação, assistido por pessoal de apoio em número suficiente ;

  • colecções adequadas de materiais seleccionados, impressos e audiovisuais ;

  • espaço adequado para organizar estes recursos, de modo a assegurar o acesso fácil aos serviços e a sua utilização racional.

Extensão dos serviços
Os serviços da mediateca deverão proporcionar :

  • Uma grande variedade de materiais impressos e audiovisuais. Estes materiais precisam de ser avaliados, seleccionados, adquiridos e organizados para uso, de acordo com os procedimentos reconhecidos para facilitar o acesso, assegurar a utilização e evitar a desnecessária duplicação de materiais.A palavra impressa tem sido tradicionalmente aceite registar e comunicar conhecimentos, ideias e informação. Livros, jornais e revistas continuam a ser os recursos mais importantes das bibliotecas escolares. Contudo, a tecnologia criou novas formas de registo que fazem parte, cada vez mais, do acervo da biblioteca. Estas formas incluem a impressão em formatos reduzidos para armazenagem e transporte, filmes, diapositivos, discos, fitas magnéticas audio e vídeo, objectos tácteis, maletas multimedia e “realia”;

  • Materiais que sirvam as necessidades específicas quer das crianças sobredotadas quer das que revelem lentidão na aprendizagem, bem como de outras com situações diferenciadas;

  • Instalações, equipamento e materiais para trabalho individual e para trabalho em grupo;

  • Oportunidades para a satisfação pessoal, o divertimento e o estímulo da imaginação ;

  • Recursos para encorajar a pesquisa e o desenvolvimento de técnicas de estudo ;

  • Materiais para o aperfeiçoamento profissional dos professores e para a selecção e produção de recursos que apoiem o desenvolvimento curricular, a programação e a avaliação do curriculum.

Partilhando recursos
Este Manifesto reconhece como essencial o envolvimento de toda a comunidade no planeamento do conjunto de serviços de bibliotecas. Tal envolvimento deveria beneficiar todos os grupos envolvidos. O seu principal objectivo é satisfazer as necessidades dos estudantes e professores ; contudo, a mediateca escolar deve ser considerada como um elemento da rede de bibliotecas que pode contribuir para o serviço global das bibliotecas da comunidade, de acordo com os recursos de que dispõe.


in CARROLL, F. Laverne, e BEILKE, P.F. Guidelines for Planning and Organization of School Library Media Centre. Paris : UNESCO, 1979.
Estas Guidelines e outras posteriores
apoiam a promoção deste Manifesto, e podem ser solicitadas à IFLA, Secção 11. Bibliotecas Escolares e Centros de Recursos Educativos, ou à UNESCO, Division of PGI, 7, Place de Fontenoy, 75 700 Paris, França.


sexta-feira, março 07, 2008

Quais as gotas de água que chegam ao Céu?



Agentes quiseram saber quantos professores pretendem ir à manifestação
Escolas no Porto e em Ourém questionadas pela PSP sobre participação no protesto de sábado

06.03.2008 - 19h59 Alexandra Barata



Para que conste, até reabri este blog adormecido


EU VOU, senhores agentes.

À Manifestação de Sábado, dia 8 de Março.



NÃO VOU ao comício de apoio ao governo, uns dias depois.



Devidamente identificada, por meus próprios motivos e escolhas. Pelas que a foto ilustra, também. Haja quem saiba lê-las (há!).

Foto raptada. Berlim. JSD (2008)

quarta-feira, julho 18, 2007

Bibliotecas públicas - o que significa que o público (nós todos) as sustentamos, por isso por elas já as pagamos, por impostos... uma vez! Há quem queira que paguemos este serviço mais uma vez, e outra, e outra, de cada vez que ousarmos usar um documento por elas disponibilizado.

Transcrevo, com devida vénia, o texto da Luísa Alvim no blogue viva bilioteca viva

Leiam, divulguem, comentem, agreguem esforços ao Manifesto. As imagens são da BAD (Portugal) e da Non Pago di Leggere (Itália), e do Copyleft (Global).



Manifesto
em defesa do empréstimo público gratuito

nas bibliotecas portuguesas

A Comunidade Europeia aprovou, em 1992, uma directiva relativa ao direito de comodato e a certos direitos conexos de autor em matéria de propriedade intelectual, passando as bibliotecas, museus, arquivos e outras instituições privadas sem fins lucrativos a ter que pagar pelo empréstimo público dos seus documentos abrangidos por estes direitos de autor.
Depois de algumas intervenções em defesa pelo não pagamento, e lembro a famosa petição portuguesa em favor do empréstimo público gratuito nas bibliotecas, patrocinada pela BAD (Associação de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas), com 20.000 assinaturas em 2004, a situação é de condenação pelo Tribunal de Justiça da União Europeia sobre Portugal que isentou todas as categorias de estabelecimentos que praticam o comodato público da obrigação de pagar aos autores.
Esta é a grande questão. Actualmente, a Assembleia da República terá que apresentar uma proposta de lei diminuindo o número de isenções ao pagamento da remuneração pelo empréstimo público de documentos.
Entendo que esta normativa europeia e o decreto-lei vão contra todos os princípios que os profissionais da informação defendem e lutam, desde sempre, em apoiar a disponibilização de documentos que possibilitem a educação individual, a autoformação, a educação formal, o oferecer possibilidades de um criativo desenvolvimento pessoal, o estimular a imaginação, o promover o conhecimento e o apreço pelas artes e inovações científicas,o facilitar o acesso às diferentes formas de expressão cultural, o fomentar o diálogo inter-cultural, a assegurar o acesso dos cidadãos a todos os tipos de informação à comunidade, nas instituições públicas e privadas onde trabalham, de forma gratuita, princípios explícitos no Manifesto da UNESCO sobre Bibliotecas Públicas, no Código de Ética. Princípios defendidos internacionalmente pela IFLA (International Federation of Library Associations and Institutions) e pela EBLIDA (European Association of Library Information and Documentation Associations).
A missão das bibliotecas sempre foi garantir aos cidadãos o acesso livre ao conhecimento, à cultura e à informação. O papel das bibliotecas públicas, escolares, universitárias, e outras, em Portugal, nos últimos anos é inquestionável no exercício das suas missões sociais e culturais.
A BAD apesar de defender estes princípios, optou, e muito bem, por apresentar uma proposta de alteração da lei, à Comissão da Assembleia da República, no sentido de salvaguardar algumas questões, como o não pagamento de direitos de autor pela consulta presencial de documentos nas bibliotecas, o mesmo se passando com o empréstimo inter-bibliotecas e a transmissão de obras em rede. Relativamente ao empréstimo de documentos que seja pago não pelo utilizador/cidadão mas pelos organismos que tutelam as bibliotecas (Ministério da Cultura/Câmaras?), e que este pagamento não se repercuta nos orçamentos das bibliotecas.

A proposta da BAD para alterar o Decreto-Lei n.º 332/97, apresentada à Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República: circular nº8 Remuneração pelo Empréstimo Público

Ainda não sabemos como a lei vai figurar em Portugal, mas sabemos que já não é possível que a utilização de documentos seja disponibilizada gratuitamente nas bibliotecas. É necessário continuar a falar sobre este assunto, e de outras questões associadas, como o estabelecimento dos critérios para a fixação da remuneração a pagar, etc.
O papel dos profissionais da informação, e das associações, terá que ser de sensibilizar a opinião pública para a "indiscutível" defesa do direito à informação gratuita disponibilizada pelas instituições públicas, na nossa dita "sociedade democrática".

1. Solicito que reenviem esta mensagem, a discutam nos blogues, linkem os posts sobre este assunto entre blogues, escrevam nos jornais e em artigos nas redes sociais e fóruns, pelo menos não fiquemos calados quando nos pedirem alguns cêntimos pela consulta de um livro que precisamos para estudar ou para os nossos filhos aprenderem, numa qualquer biblioteca.

2. Aconselhemos os nossos amigos - Autores - (de livros, música, bd, cinema, etc.) que disponibilizem os seus conteúdos em livre acesso, com etiquetas de Creative Commons, GNU License (documentos-software), copyleft, etc. e prescindam dos direitos de autor, sempre que as suas obras sejam consultadas/emprestadas em bibliotecas, arquivos, centros de documentação e museus.

Ajudemos a partilhar informação.

ver Livro de Lawrence Lessig Free Culture (2004), primeiro livro licenciado sob CC.

ver blogue Entre Estantes, do Bruno Duarte Eiras

sexta-feira, junho 29, 2007

Isto é dois mil e sete? Really?

AVISO

NESTE BLOG NÃO
SE FAZ CROCHET
SE ESTUDA EM CIMA DAS MESAS
SE CRITICA MONSIEUR LE PRÉSIDENT, MR. PRESIDENT, SEÑOR PRESIDENTE, AMO

por supuesto presupuesto...



Humor (sentido de )
Ainda havemos de o ver à venda nas farmácias em unidoses com a recomendação
SE NÃO USAR TODAS ESTAS DOSES - DÊ AOS POBRES, QUE EMPRESTA AO ESPÍRITO SANTO!

Isto é um caso muito sério. Aliás, vários casos. E o tempo que nos faz perder em melindres de donzela, gasta-o este Governo à socapa em delitos de (isso mesmo que estais a pensar). Eficaz? E revelador.
Como se aplica o conceito de desobediência civil à gargalhada por ver um "superior hierárquico" perder completamente a compostura, ou seja, a noção do ridículo? Quem não consegue ver que a melhor maneira de aumentar as anedotas é proibir uma anedota?
Ora aí está: o que se pretende é aumentar desesperadamente a jocosidade nacional, em privado já se vê. À vista, tudo cinzentinho e conformado.
Depois contamina e há falta de inovação, criatividade, competitividade? Pois há, lá isso... riscos de privatizar exercícios de inteligência. Paciência! Não se pode ter tudo: para obediência, mesmo na inutilidade, sobretudo na inutilidade, a inteligência só atrapalha.
(agradecendo provocação ao Daniel)