domingo, março 01, 2020

Ser diferente

 A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e pessoas sentadas

“A única salvação do que é diferente é ser diferente até o fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; 
tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; 
não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; 
ser ele; 
não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; 
no fim de todas as batalhas — batalhas para os outros, não para ele, que as percebe — há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos.”

AGOSTINHO DA SILVA (Porto, 13 de Fevereiro de 1906 — Lisboa, 3 de Abril de 1994), filósofo, poeta e ensaísta, in “Diário de Alcestes
SILVA (Agostinho da).— DIÁRIO DE ALCESTES. (Gráficas Minerva.Vila Nova de Famalicão. 1945). 12x17,5 cm.  69-IV págs. B. - Reedição pela Ulmeiro, Lisboa, 1990 

segunda-feira, fevereiro 24, 2020

Ócio, adolescentes y autocrítica bibliotecária

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Infográfico partilhado por Julia Baena, 2019
21.02.2020. Ocio, adolescentes y autocrítica bibliotecaria - título de um belo artigo de Ana Ordáz nesse maravilhoso recurso que é o sítio Bibliogtecarios.

Podemos seguir Ana Ordáz no twitter

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Estocolmo. Biblioteca só para jovens - duas secções, uma para preadolescentes (10-13) outra para maiores de 14 anos. Interditas a adultos. Fonte aqui
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Jovens e videojogos. Talvez não saibam, mas jogar estes jogos pode fazer ganhar muito dinheiro
Pictoline, 2018
Das Conclusões (não substituem a leitura do artigo todo!):
Hagamos por tanto todo lo posible para que las propuestas al público adolescente no se queden en meras acciones puntuales. Trabajemos de forma conjunta para invitar a los jóvenes a espacios bibliotecarios vivos, seguros, con propuestas que les parezcan interesantes y que cumplan sus expectativas. Formémonos de forma continua para estar al día en un mundo que cambia constantemente y hagamos lo imposible frente a una administración que no avanza al mismo ritmo. Y sobre todo mimemos la atención y experiencia de esas personas, la mejor forma de crear vínculos que sirvan para ganarnos poco a poco su respeto y confianza.

quinta-feira, fevereiro 20, 2020

As palavras em papel de seda - a propósito de eutanásia


Resultado de imagem para maria judite carvalho o homem no araME

Obras Completas Maria Judite de Carvalho - Vol. 4.:  Janela Fingida | O Homem no Arame | Além do Quadro. Minotauro, 2019


As palavras em papel de seda
Podem ser assustadoras, as palavras. Podem magoar, ferir, matar até. Podem encher-nos de vergonha. Por isso o medo, o pavor que delas têm os nossos coraçõezinhos de pomba. E eis que as envolvemos em delicados papéis de seda e, de repente, é como se não existissem. É estranho, mas as coisas que significam, as terríveis coisas que significam, não nos assustam tanto. Porque são a vida, o inevitável, aquilo que sempre houve, nada a fazer. Agora elas, as palavras… Preferimos pois os doces eufemismos tranquilizadores. Estamos, de resto, preparados para tal atitude. Somos um povo eufemístico,  hospitaleiro e de brandos costumes. Entre muitas outras coisas.Basta ler jornais, ouvir rádio, ver-ouvir televisão. A quantidade de palavras lindamente embrulhadas no papel de seda chamado eufemismo... Claro que isto não é só nosso, chega-nos de muitos outros países. Países que lutam pela paz (fazendo guerras cuja origem é silenciada), Ministérios da Defesa (que são de ataque), gente de cor (em terra onde, diz-me, não há racismo), sei lá. Mas entre nós. E aqui estão os economicamente débeis, os culturalmente desfavorecidos, os subdesenvolvidos, quem vai chamar-lhes pobres de pedir ou ignorantes de tudo ou abandonados na vida? E os deficientes físicos e os invisuais e os que sofrem com os problemas da terceira idade? E os que morrem (falecem às vezes, são mesmo chamados à divina presença de Deus) vitimados pela doença-que-não-perdoa? Quantas vezes vemos uma família a quem acaba de morrer um ente querido, uma família que sofreu diariamente com essa morte lenta, e, com coragem, tropeçar de súbito, hesitar, baixar a voz ou recusar-se mesmo a dizer a palavra terrível que queima os lábios?
É, pelos vistos, muito mais difícil enfrentar a realidade do que as palavras. E se uma pessoa vier falar-nos de cancerosos, pobres, aleijados, cegos e velhos na miséria, arrisca-se a que fiquemos a pensar, quando se for embora, que é, na verdade, uma pessoa muito insensível. Enfim, arrisca-se a deixar-nos uma péssima impressão.
Maria Judite de Carvalho
O homem no arame, 1979

quarta-feira, fevereiro 19, 2020

Escola Azul Parceria Laredo







Cetáceo Bonifácio, ilustração de Miguel Horta em Rimas salgadas (2015),  obra esgotada

Divulgação da actividade "Leitura, Literacia do Oceano e Agenda 2030"




A Agenda 2030 alerta-nos para a Literacia, o conhecimento dos oceanos e dos mares e a educação marinha multidisciplinar. Na Laredo, preparámos 10 actividades que podem ser realizadas em todo o país. Como sempre, com as Bibliotecas, as Artes, a Leitura e a Natureza no coração da aprendizagem. Para a rede Escola Azul, com condições muito especiais.

Formação. Mediação leitora e artistica. Oficinas.. Espectáculos Residências. Cursos.
Escola Azul é um programa educativo do Ministério do Mar que tem como missão promover a Literacia do Oceano em Portugal. É uma honra e um gosto sermos seus parceiros. 
Vejam aqui:

Pode ser que vos interesse e que queiram divulgar. Ou que vos inspire para olhar e amar o mar e as palavras que no-lo ensinam. Só isso, já me alegra o coração.






















quinta-feira, fevereiro 13, 2020

Flutuar

Nenhuma descrição de foto disponível.
Foto Fátima Barbot

Miles Davis - Sketches of Spain - Solea

13 de Fevereiro de 1906: nasce Agostinho da Silva


Que diria Agostinho da Silva destas duas afirmações da espuma dos dias que agora vivemos?

Tema: eutanásia e proposta de referendo sobre o tema por representantes de confissões religiosas
 "Não podemos permitir que alguns deputados queiram decidir por nós." -afirmação de um bispo católico em 2020, Portugal 
 "Não podemos permitir que alguns bispos, que ninguém elegeu, queiram decidir por nós."- afirmação de uma cidadã em 2020, Portugal
Sobre Agostinho da Silva:

Estórias da História: 13 de Fevereiro de 1906: Nasce Agostinho da Silva: Professor e investigador português, George Agostinho Batista da Silva nasceu a 13 de fevereiro de 1906, no Porto, e morreu a 3 de ab...

terça-feira, fevereiro 11, 2020

Das palavras e dos seus ofícios



Miguel Horta, 2020 (ultrapasse a publicidade, por favor)
Narrador
"O narrador quando mais livre se sente mais favorece a empatia. É uma correnteza de palavras. Sendo que o conto não sai igual ao dia anterior.

Por vezes fazemos uma alteração, noutros casos alguém na audiência sugere uma abordagem diferente, ou temos a companhia de outro narrador e decidimos pegar na mesma história e contá-la de modo diferente... Há liberdade mas também há encantamento de quem conta a história. Nós gostamos muito do que fazemos e quem está na audiência acaba por criar esta empatia e criar a escuta que é o mais importante."
"A escuta perdeu para a visão e muitas vezes é mal feita, muito alta e com auscultadores, o que nos isola do mundo. Perdem-se escutas seletivas. Neste sentido, há também aqui um trabalho para se fazer. Uma sessão de narração oral contribui para isso. Mesmo com uma criança que não sabe ler já se está a criar uma competência da escuta. É uma espécie de pré-leitor. Ele próprio vai ganhando competências com a palavra. Vai aprender a desenhar com a palavra, ganha vocabulário."
Ler mais aqui

Somos a Diversidade, somos o Rádio! (Vídeo oficial do Dia Mundial do Rád...


Neste 13 de fevereiro, juntemo-nos à UNESCO e a centenas de estações de rádio para desejar a todos um óptimo Dia Mundial do Rádio e celebrar o tema da diversidade!
A diversidade está presente em todos os nossos dias, em nossos programas, em nossos conteúdos, em nossas entrevistas, em nossos perfis.

Vamos celebrar a nona edição desse dia internacional pelo site http://www.worldradioday.org e pelas hashtags #WeAreRadio, #WeAreDiversity

sábado, fevereiro 08, 2020

Ástor Piazzolla - Fuga y Misterio for 12 Celli - Die 12 Cellisten der De...

Em memória de Zuraida Soares. Sem amos

Vila Franca de Xira, Portugal, Fevereiro 2020
Foto de Maria José Vitorino, telemóvel HUAWEY, câmara Leika

Antes de abrir o sol. Som de gaivotas em fundo. Tempo suspenso
Poucas horas depois desta fotografia, soube que mais uma amiga nos deixou. Como ela um dia disse, vou ficando a reinventar lutas por causas possíveis e impossíveis. Sem amos. 
Um dia, todos viverão sem amos. Assim seja.

Vasco Ribeiro & Os Clandestinos - Falem

sexta-feira, fevereiro 07, 2020

Não tem futuro sem partilha


Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra do buraco quente
Meu nome é Jesus da gente
Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque de novo cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais que a escuridão
Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão
Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E num domingo verde e rosa
Ressurgi pro cordão da liberdade
Mangueira
Samba que o samba é uma reza
Se alguém por acaso despreza
Teme a força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba també

Laredo Associação Cutlural


Temáticas Laredo (em construção)
Bibliotecas : Escolares, Públicas, Prisionais, Comunitárias; Leitura e Literacias; Museus; Mediação Cultural e Artística; Inclusão; Necessidades Educativas Especiais/Diversidade Funcional; Cidadania; Inclusão; Ecologia/Ambiente; Educação; Formação; Parcerias.


Desde 2914 a promover e divulgar a leitura e as bibliotecas, o ambiente, a educação e a formação, a cultura e o recreio, a criação e o conhecimento.


sábado, fevereiro 01, 2020

Porue é de baixo que me vem acima

Resultado de imagem para SONETO PRESENTE Ary dos Santos Não me digam mais nada senão morro aqui neste lugar dentro de mim a terra de onde venho é onde moro o lugar de que sou é estar aqui. Não me digam mais nada senão falo e eu não posso dizer eu estou de pé. De pé corno um poeta ou um cavalo de pé como quem deve estar quem é. Aqui ninguém me diz quando me vendo a não ser os que eu amo os que eu entendo os que podem ser tanto como eu. Aqui ninguém me põe a pata em cima porque é de baixo que me vem acima a força do lugar que for o meu.

SONETO PRESENTE

Ary dos Santos

Não me digam mais nada senão morro
aqui neste lugar dentro de mim
a terra de onde venho é onde moro
o lugar de que sou é estar aqui.

Não me digam mais nada senão falo
e eu não posso dizer eu estou de pé.
De pé corno um poeta ou um cavalo
de pé como quem deve estar quem é.

Aqui ninguém me diz quando me vendo
a não ser os que eu amo os que eu entendo
os que podem ser tanto como eu.

Aqui ninguém me põe a pata em cima
porque é de baixo que me vem acima
a força do lugar que for o meu.

sexta-feira, janeiro 31, 2020

Do Rigor da Ciência





«Sobre o Rigor na Ciência

…Naquele império, a Arte da Cartografia alcançou tal Perfeição que o mapa de uma única Província ocupava uma cidade inteira, e o mapa do Império uma Província inteira. Com o tempo, estes Mapas Desmedidos não bastaram e os Colégios de Cartógrafos levantaram um Mapa do Império que tinha o Tamanho do Império e coincidia com ele ponto por ponto. Menos Dedicadas ao Estudo da Cartografia, as gerações seguintes decidiram que esse dilatado Mapa era Inútil e não sem Impiedade entregaram-no às Inclemências do sol e dos Invernos. Nos Desertos do Oeste perduram despedaçadas Ruínas do Mapa habitadas por Animais e por Mendigos; em todo o País não há outra relíquia das Disciplinas Geográficas.

(Suárez Miranda: Viajes de Varones Prudentes, libro cuarto, capítulo XIV, Lérida, 1658.)
Jorge Luís Borges, “Sobre o Rigor na Ciência”, in História Universal da Infâmia, trad. de José Bento, Assírio e Alvim,1982, 117.

quarta-feira, janeiro 29, 2020

tão tem que ser, agora - e a doer

Também o que é Eterno

Também o que é eterno morre um dia.
Eu tusso e sinto a dor que a tosse traz;
O doutor quer por força a ecografia,
Mas eu não estou pra tantas precisões.

Eu rio à morte com um riso largo:
Morrer é tão banal, tão tem que ser!
Disto ou daquilo, que me importa a mim?
Mas, ó horror, com fotos, não, nem documentos!

A tanta exactidão mata o mistério.
O pH, o índice quarenta...
Não quero as pulsações, os eritrócitos,
O temeroso alzaimer, ou o cancro,
Nem sequer o tão raro, do coração.

Ver o pulmão, o peito aberto, o coração,
A palpitar a cores no computador?
Eu morro, eu morro, não se preocupem,
Mas sem saber, de gripe, ou duma coisa,
Ou doutra coisa.

Manuel Resende, in 'O Mundo Clamoroso, Ainda'

segunda-feira, janeiro 27, 2020

Faltam perguntas

Eat time | 2017 | Cristiano Mangovo (cortesia do artista e da galeria MOVART)Eat time | 2017 | Cristiano Mangovo (cortesia do artista e da galeria MOVART)
















"não podemos dizer que em Itália não se produza cultura, antes pelo contrário existe um número significativo de pessoas que se ocupam de cultura a vários níveis. Publicam-se muitíssimos livros, há uma oferta cultural variada, o problema é que ela se dilui cada vez mais num sistema de eventos, festivais, lançamentos e recensões mútuas e de cortesia,  elementos que acabaram por criar um sistema fechado, solipsista e interdito à maioria das pessoas que o rotula como prerrogativa da “esquerda”, que representa para muita gente a velha ordem e que falhou infelizmente o seu objetivo de criar uma sociedade mais justa. 
O problema é que dentro de um sistema desse tipo, poucos e quase nada exercem um verdadeiro ofício crítico útil para a sociedade, vindo-se assim a esgotar qualquer função civil da cultura. 
Acaba assim por se construir na cena cultural uma contra-narrativa apenas superficial do populismo e do racismo reinante, que exerce uma função auto-reconfortante  alimentada pela constante autopromoção do que se escreve, se filma, se pinta, se encena etc.

São práticas que se tornam produtos de um mercado cultural profundamente narcisista incapaz de se abrir para um “nós sincero” como escreve ainda Fofi e que cria um sistema de hábitos sociais vistos pela maioria dos italianos, que hoje vivem descomplexadamente a sua ignorância, como manifestações sem sentido que promovem, muitas vezes contraditoriamente, valores vistos como inúteis quando não nocivos para a sociedade porque não respeitam o lema “prima gli italiani” e porque se inspiram em princípios solidários. 

Falta militância, pressuposto do verdadeiro exercício intelectual, no sentido de promover a capacidade de repensar o país partindo da educação."

https://www.buala.org/pt/a-ler/la-grande-bellezza-breve-apontamento-sobre-a-cultura-hoje?fbclid=IwAR2MJe_mNWTRcLdjtPKhRQU0w7Y-LpCFERrhVZWG8yMHyp9mftG2O12518I

AGUAVIVA Los cuentos

Maria Rueff lê Etty Hillesum

domingo, janeiro 26, 2020

Projeto Inocência. Serão todos os condenados, de facto, culpados? - DN







Uma pessoa que continue a declarar-se inocente depois de ter sido condenada em tribunal não tem quaisquer atenuantes. É como se o facto de insistir na sua inocência fosse, em si, encarado como uma agravante. Sobretudo para o sistema judicial. Vencedor da segunda edição da bolsa de jornalismo da Fundação Calouste Gulbenkian, o Projeto Inocência que o DN acolhe está a investigar casos de processos-crime em que os condenados continuaram a declarar-se inocentes, quer tenham recorrido da sentença ou não.



Projeto Inocência. Serão todos os condenados, de facto, culpados? - DN

ANGELA DAVIS | A liberdade é uma luta constante [tradução simultânea PT BR]





19.10.2019



Transmissão ao vivo da conferência "A LIBERDADE É UMA LUTA CONSTANTE ", de Angela Davis. Encerramento do Seminário Internacional "Democracia em colapso?". Mediação de Adriana Ferreira da Silva (Marie Claire Brasil).

Um dos maiores ícones na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, Angela Davis é considerada por muitos uma das grandes personificações globais da resistência ao racismo. Pela primeira vez em São Paulo, a ativista e professora emérita do departamento de estudos feministas da Universidade da Califórnia compartilhará sua trajetória pessoal e política a fim de refletir de forma crítica sobre as correntes do pensamento feminista hoje, bem como sobre a contribuição da luta de mulheres negras na construção de sociedades mais justas e democráticas. Na ocasião, lança sua autobiografia pela Boitempo.

terça-feira, janeiro 21, 2020

Estão a chegar, são as bibliotecas do futuro

future-libraries
Future Libraries: Workshops Summary and Emerging Insights [e-Book] . London, Arup University, 2015
Las bibliotecas están experimentando un renacimiento, tanto en lo que respecta a la infraestructura social que proporcionan como a la diversificación del servicio y las experiencias que ofrecen. En los entornos corporativos están jugando un papel cada vez más importante en la provisión de espacios de trabajo colaborativos y diversos. En las comunidades, se están convirtiendo en centros de educación, salud, entretenimiento y trabajo. Las bibliotecas están animando a la gente a volver al espacio físico mediante la integración de, por ejemplo, cafeterías, Wi-Fi gratuito, makerspaces o guarderías” (p.5). 
Future Libraries, publicado en julio de 2015 por Arup2, (p. 5)
Texto completo do Relatório Future Libraries (2015, em inglês, aqui
Resulta de trabalhos de investigação. Analisa a relevância que as bibliotecas terão no contexto físico e digital - uma base para prosseguir o debate sobrte o seu papael nas comunidades que servem

domingo, janeiro 19, 2020

Cinema


Cuidar de mães, amor de filhos, segurança de todos


A propósito de uma notícia no JN (Janeiro de 2020), em que se destaca 
Aumento do número de inspetoras causa inquietação na Judiciária 
Nos últimos dois cursos as mulheres inspetoras estiveram em maioria na PJ, mas esta tendência crescente estará a criar problemas. Menos disponibilidade, maior absentismo e menor apetência para o crime violento são pontos fracos identificados
 https://www.dn.pt/edicao-do-dia/19-jan-2020/aumento-do-numero-de-inspetoras-causa-inquietacao-na-judiciaria-11715742.html


Para além da reflexão sobre os critérios de recrutamento de homens e mulheres para as mesmas funções, o texto suscita pensamentos sobre a forma como no trabalho as pessoas com família podem contar com capacidade de gestão dos serviços e horários, seja qual for a sua profissão. E como tudo isso diz respeito a todos, pois as crianças desenvolvem-se conforme os pais e as mães as conseguem acompanhar, e no futuro do desenvolvimento das crianças dependemos todos.

Os direitos de parentalidade também absorvem, ou deveriam absorver, inspetores masculinos que sejam pais. Na verdade, em verdade vos digo: o problema é que é preciso pagar a mais inspetores para ao mesmo tempo ter gente para o serviço e garantir os direitos sociais e a renovação das gerações - sem haver mais crianças, dificilmente haverá futuro, e sem maternidade/paternidade elas pura e simplesmente não aparecem. Cuidar mal das mães dá mau resultado, e não é preciso ser inspetor para o perceber. O viés da notícia é claro, com raízes na nostalgia da "mulher dona de casa e mãe que desiste da carreira pela família" e depende do salário do marido ou de herança de família. Poderiam dizer que havia falta de pessoal na PJ, mas isso seria menos cómodo e muito menos conveniente ideologicamente.
Ora bolas! como diria a Mafalda do Quino

Afago na autoestima lusa, aviso à navegação geral


"Nem Bolsonaro nem Trump passariam em Portugal .Os portugueses - de direita ou de esquerda - não riem desse tipo de figura, nem permitem que elas floresçam.Ao mesmo tempo, de nada adianta o rigor japonês que acaba em suicídio, nem a frieza nórdica que resulta na ausência de vínculos.Os portugueses são dos poucos povos que sabem dosar rigidez e afecto, acidez e doçura, buscando sempre a medida correta de cada elemento, ainda que de forma inconsciente.Todo país do mundo deveria ter uma data como o 25 de Abril para celebrar.Se o Brasil tivesse definido uma data para celebrar o fim da ditadura, talvez não observássemos com tanta dor a fragilidade da nossa democracia."
Ruth Manus, é advogada e professora universitária e escreve num blogue num Jornal de S. Paulo. E escreveu isto sobre Portugal (2020)

quinta-feira, janeiro 16, 2020

Micro-manifesto pela Cultura



Praticar desporto. Caminhar, respirar, dançar. Cantar. Contar histórias e escutá-las.
Ler um livro, ler jornais. Escrever uma ideia por dia, nova, menos nova, bonita, assim-assim.
Rir.

Apanhar ar. Conversar com gente real, na rua.
Ir a um concerto, ir ao teatro, sair de casa e da prisão dos écrans - televisão, computador, smartphone, tablet, telemóvel.

Lutar por tempo livre, para não ser preciso correr entre 2 empregos, 16 horas por dia, dinheiro sempre curto, juros e juros.
Fazer tudo isto por si, e com outros. Por todos.
Exigir investimento que modifique os hábitos culturais e a visão sobre a cultura, sem esquecer que isto anda tudo ligado.

O que não se cultiva não se colhe.
A cultura começa no povo.

Isto anda tudo ligado

Guifões - reabre a oficina. Vivam os comboios!


Põe amor em tudo o que fazes e as coisas terão sentido. Retira delas o amor, e elas tornar-se-ão vazias.
Santo Agostinho, Sermão 138,2

CP, Caminhos de Ferro, Portugal, 2020

Decisão boa (2019): reabertura da oficina, recuperação de material ferroviário circulante. Voltar a produzir, recuperar, aumentar a capacidade do País. 140 novos postos de trabalho até finais de 2021 (90 dos quais especializados).
Reabertura do complexo industrial ferroviário. 
A destruição não é inevitável.
Há futuro.

quarta-feira, janeiro 15, 2020

Revista Nova Síntese já está à janela na internet

nova síntese

Pela mão generosa do Vítor Dias, a Revista Nova Síntese já tem um blog que divulga na web os seus números - título, descrição bibliográfica sucinta, capa e índice de cada um.
https://revnovasintese.blogspot.com/?fbclid=IwAR33b9vj-RNIdaHK6prhGyhpMH_TBQnwCdNEw3iPiaHU6w4QZ0ta2H1fDwU


Nova Síntese - Textos e Contextos do Neo-Realismo

Uma alegria nunca vem só, e encontrámos um outro blog sobre o mesmo tema, de autor anónimo
http://revistanovasintese.blogspot.com/


Vivam os amigos da Associação Promotora do Museu do Neorealismo!
Vivam os autores da Nova Síntese!
Vivam os leitores que escrevem blogues!

sexta-feira, janeiro 03, 2020

Sidónio Muralha, 1920-1982



História sem fim

Do ovo da rola
saiu uma rola
que botou de novo
um ovo de rola
que tinha uma rola 
que botou um ovo.

Escreve com graça e leveza:
Pedi uma pluma
ao colibri
e escrevi
escrevi
escrevi...
...e o bico-de-lacre veio
e lacrou todo o meu correio.

E com uma mágoa triste e bonita:
Nos jardins abandonados
por culpa de certos senhores
ficaram desempregados
os beija-flores.

Sidónio Muralha, 1920-1982


terça-feira, dezembro 31, 2019

Invencionáticos de todo o mundo, unamo-nos!


O Apanhador de Desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios. 
Não gosto das palavras fatigadas de informar. 
Dou mais respeitoàs que vivem de barriga no chão 
tipo água pedra sapo.Entendo bem o sotaque das águas 
Dou respeito às coisas desimportantes 
e aos seres desimportantes. 
Prezo insetos mais que aviões. 
Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. 
Tenho em mim um atraso de nascença. 
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. 
Tenho abundância de ser feliz por isso. 
Meu quintal é maior do que o mundo. 
Sou um apanhador de desperdícios: 
Amo os restos como as boas moscas. 
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. 
Porque eu não sou da informática: 
eu sou da invencionática. 
Só uso a palavra para compor meus silêncios.


Manoel de Barros, Poesia Completa

Sexta sugestão : ensina-a a ler

Capa


Ensina a Chizalum a ler. Ensina-a a gostar dos livros. A melhor maneira é dando o exemplo. Se ela te vir ler compreenderá que ler é uma actividade com valor. Pode argumentar-se que se ela não fosse para a escola e se limitasse a ler livros, obteria mais conhecimentos do que uma criança educada em moldes convencionais. Os livros vão ajudá-la a compreender e a questionar o mundo, vão ajudá-la a exprimir-se e a tornar-se no que quiser ser – uma chefe de cozinha, uma cientista, uma cantora, todas beneficiam das competências que se adquirem com a leitura. Não me refiro a livros escolares. Refiro-me a livros que não têm nada a ver com a escola, auto-biografias e romances e livros de História. Se nada mais resultar, paga-lhe para ler. Recompensa-a. Conheço uma nigeriana notável, Angela, uma mãe solteira que estava a criar a filha nos Estados Unidos; como a filha não mostrava inclinação para a leitura, ela decidiu pagar-lhe cinco cêntimos por página. Um esforço dispendioso, dizia ela mais tarde a brincar, mas foi um investimento que valeu a pena.

Chimamanda Ngozi Adiche
Querida Yeawelle : como educar para o feminismo, Leya, 2018, p. 19. trad. de original em inglês, 2017 

terça-feira, dezembro 24, 2019

sábado, dezembro 21, 2019

segunda-feira, dezembro 09, 2019

Poeta

Quinta Essência: Arquimedes da Silva Santos (1921-2019), entrevista realizada em 2008 ao médico pedopsiquiatra, ensaísta e poeta (os seus versos deram origem a canções