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domingo, janeiro 19, 2020

Cuidar de mães, amor de filhos, segurança de todos


A propósito de uma notícia no JN (Janeiro de 2020), em que se destaca 
Aumento do número de inspetoras causa inquietação na Judiciária 
Nos últimos dois cursos as mulheres inspetoras estiveram em maioria na PJ, mas esta tendência crescente estará a criar problemas. Menos disponibilidade, maior absentismo e menor apetência para o crime violento são pontos fracos identificados
 https://www.dn.pt/edicao-do-dia/19-jan-2020/aumento-do-numero-de-inspetoras-causa-inquietacao-na-judiciaria-11715742.html


Para além da reflexão sobre os critérios de recrutamento de homens e mulheres para as mesmas funções, o texto suscita pensamentos sobre a forma como no trabalho as pessoas com família podem contar com capacidade de gestão dos serviços e horários, seja qual for a sua profissão. E como tudo isso diz respeito a todos, pois as crianças desenvolvem-se conforme os pais e as mães as conseguem acompanhar, e no futuro do desenvolvimento das crianças dependemos todos.

Os direitos de parentalidade também absorvem, ou deveriam absorver, inspetores masculinos que sejam pais. Na verdade, em verdade vos digo: o problema é que é preciso pagar a mais inspetores para ao mesmo tempo ter gente para o serviço e garantir os direitos sociais e a renovação das gerações - sem haver mais crianças, dificilmente haverá futuro, e sem maternidade/paternidade elas pura e simplesmente não aparecem. Cuidar mal das mães dá mau resultado, e não é preciso ser inspetor para o perceber. O viés da notícia é claro, com raízes na nostalgia da "mulher dona de casa e mãe que desiste da carreira pela família" e depende do salário do marido ou de herança de família. Poderiam dizer que havia falta de pessoal na PJ, mas isso seria menos cómodo e muito menos conveniente ideologicamente.
Ora bolas! como diria a Mafalda do Quino

quinta-feira, maio 17, 2018



Alberto Soler, 07.05.2018 (51:30)

Destaco de entre as suas propostas:

  • conceito de co-paternidade, em que os homens não "ajudam em casa", antes se responsabilizam, consistindo a parentalidade no reconhecer e dar espaço para a educação de mães e de pais, com as suas diferenças e peculariedades;
  • aviso para os riscos do ensino com "etiquetas" e da obediência cega: o futuro das crianças passa mais pela educação em valores como a assertividade, o pensamento crítico e a autonomia;
  • crítica ao sistema académico (escola) que se centra demasiado nos resultados (classificações, notas - incluindo os prémios por boas classificações, com os seus efeitos nefastos) e pouco no empenho e no esforço, e no que se aprende;
  • referência a Hanna Arendt, às experimentações de Milgram e aos perigos da acção dos burocratas aborrecidos que cumprem ordens... 
  • abordagem do tema dos limites, da protecção durante o crescimento e das obsessões securitárias : " se de repente tudo é importante, tudo perde importância".

Alto Soler é psicólogo, Mestre em Psicologia e da Saúde, com mais de 100 anos de experiència clínica e de aconselhamento a pais, conferências, contributos na imprensa, na rádio e na televisão. Publicou o livro "Hijos y padres felices" e do videoblog "Píldoras de Psicologia".