Os passos a que ando, um atrás do outro, como as letras em carreirinha, do fim para o princípio.
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terça-feira, outubro 27, 2020
quinta-feira, junho 04, 2020
segunda-feira, janeiro 27, 2020
Faltam perguntas
Eat time | 2017 | Cristiano Mangovo (cortesia do artista e da galeria MOVART)"não podemos dizer que em Itália não se produza cultura, antes pelo contrário existe um número significativo de pessoas que se ocupam de cultura a vários níveis. Publicam-se muitíssimos livros, há uma oferta cultural variada, o problema é que ela se dilui cada vez mais num sistema de eventos, festivais, lançamentos e recensões mútuas e de cortesia, elementos que acabaram por criar um sistema fechado, solipsista e interdito à maioria das pessoas que o rotula como prerrogativa da “esquerda”, que representa para muita gente a velha ordem e que falhou infelizmente o seu objetivo de criar uma sociedade mais justa.
O problema é que dentro de um sistema desse tipo, poucos e quase nada exercem um verdadeiro ofício crítico útil para a sociedade, vindo-se assim a esgotar qualquer função civil da cultura.
Acaba assim por se construir na cena cultural uma contra-narrativa apenas superficial do populismo e do racismo reinante, que exerce uma função auto-reconfortante alimentada pela constante autopromoção do que se escreve, se filma, se pinta, se encena etc.
São práticas que se tornam produtos de um mercado cultural profundamente narcisista incapaz de se abrir para um “nós sincero” como escreve ainda Fofi e que cria um sistema de hábitos sociais vistos pela maioria dos italianos, que hoje vivem descomplexadamente a sua ignorância, como manifestações sem sentido que promovem, muitas vezes contraditoriamente, valores vistos como inúteis quando não nocivos para a sociedade porque não respeitam o lema “prima gli italiani” e porque se inspiram em princípios solidários.
Falta militância, pressuposto do verdadeiro exercício intelectual, no sentido de promover a capacidade de repensar o país partindo da educação."
https://www.buala.org/pt/a-ler/la-grande-bellezza-breve-apontamento-sobre-a-cultura-hoje?fbclid=IwAR2MJe_mNWTRcLdjtPKhRQU0w7Y-LpCFERrhVZWG8yMHyp9mftG2O12518I
quinta-feira, janeiro 16, 2020
Micro-manifesto pela Cultura
Praticar desporto. Caminhar, respirar, dançar. Cantar. Contar histórias e escutá-las.
Ler um livro, ler jornais. Escrever uma ideia por dia, nova, menos nova, bonita, assim-assim.
Rir.
Apanhar ar. Conversar com gente real, na rua.
Ir a um concerto, ir ao teatro, sair de casa e da prisão dos écrans - televisão, computador, smartphone, tablet, telemóvel.
Rir.
Apanhar ar. Conversar com gente real, na rua.
Ir a um concerto, ir ao teatro, sair de casa e da prisão dos écrans - televisão, computador, smartphone, tablet, telemóvel.
Lutar por tempo livre, para não ser preciso correr entre 2 empregos, 16 horas por dia, dinheiro sempre curto, juros e juros.
Fazer tudo isto por si, e com outros. Por todos.
Exigir investimento que modifique os hábitos culturais e a visão sobre a cultura, sem esquecer que isto anda tudo ligado.
O que não se cultiva não se colhe.
A cultura começa no povo.Isto anda tudo ligado

terça-feira, setembro 04, 2018
Direito à Vida Por Inteiro - Artes, Cultura

“A gente não quer só comida”: o direito à arte e a uma vida por inteiro*
PEDRO RODRIGUES·TERÇA-FEIRA, 4 DE SETEMBRO DE 2018
O primeiro semestre de 2018 foi relativamente agitado no que diz respeito ao financiamento público da criação e da programação artísticas em Portugal. Quase tudo foi dito e escrito sobre o que se passou e eu arrisco apenas fazer aqui um brevíssimo resumo:- manteve-se o sub-financiamento da actividade artística por parte do Estado;- houve um ligeiro alargamento da consciência dessa realidade por parte da população;- houve mobilização entre os profissionais do sector e houve mobilização popular;- houve um inaceitável comportamento por parte do Governo (Primeiro-Ministro incluído) na gestão de todo o processo de revisão do Modelo de Apoio Público às Artes;- houve posições claras e fortes por parte do Bloco e do PCP;- houve ligeiríssimas conquistas, que não resolveram nenhum dos problemas que subsistem nesta matéria nem permitem satisfazer as necessidades do país.- em suma, repetindo o grito a que milhares de pessoas quiseram dar voz em várias cidades do país a 6 de Abril, “isto não acaba aqui”. Isto não pode acabar aqui, nem assim.
Creio que importa, à entrada de um novo ano político e quando se prepara o último Orçamento do Estado feito por um Governo que temos ajudado a viabilizar, reflectir sobre o que continua a estar em causa em matéria de política pública para as artes, parte importante do universo mais vasto a que se convencionou chamar “Cultura”.Entendo que, para além da escassez das condições materiais para o exercício da actividade cultural de serviço público que subsistem em Portugal – consequência directa do investimento público que sucessivos governos têm decidido não fazer – o problema mais sério (porque estrutural, duradouro e a agravar-se) é o facto de continuar a ser ambíguo o lugar que a Cultura (e em particular a Arte) deve ocupar na vida da comunidade e, em consequência, no conjunto das políticas públicas. É na prática ambíguo (ou irregular, se preferirem) o lugar em que colocamos a Cultura entre os direitos sociais pelos quais lutamos diariamente – mesmo à Esquerda, mesmo, às vezes, no Bloco de Esquerda.Por trás de um aparente (mas cínico e muitíssimo frágil) consenso sobre a importância da Cultura, subsiste no debate político, partidário e mediático uma confrangedora falta de discussão sobre as bases em que se funda este direito. Reflectir sobre elas, discutindo e divergindo onde tivermos de divergir (em particular com quem está à nossa Direita), parece-me essencial para que possamos finalmente construir algo de verdadeiramente transformador.
Concentremo-nos nas artes, campo da Cultura a vários níveis exemplar do que se passa com outras áreas relativas à produção e partilha de conhecimentos. Porque é tão importante para a democracia a disseminação do acesso às artes, quer ao nível da criação quer da fruição? Porque é tão importante que esta fruição da cultura, estabelecida como direito universal na Constituição que ainda nos rege, implique uma atitude activa, crítica, reflexiva por parte das cidadãs e dos cidadãos, contra o rolo compressor e homogeneizador que nos procura transformar em meros consumidores de formas, modelos e conteúdos impostos pelo mercado e pelos seus poderes?A dificuldade em respondermos de forma simples, clara, directa e facilmente compreensível pela generalidade da população inibe-nos com frequência de respondermos aos ataques do liberalismo com a mesma firmeza com que respondemos noutras áreas, igualmente sob ataque cerrado e contínuo, como bem sabemos. Pior, tem-nos inibido, à esquerda, de aprofundarmos a reflexão e a construção da proposta transformadora, em consonância com a sociedade que queremos, com o país queremos. Demasiadas vezes também nós nos ficamos – nos discursos e na prática política – pela mera superfície da questão, sem que nos consigamos libertar das regras do jogo que nos são impostas, contrárias ao interesse público.
É realmente uma luta difícil. Sob um certo ponto de vista, mais difícil do que na Saúde, na Protecção Social, na Educação. Num país como Portugal, em que apesar de tudo subsistem traços de social-democracia:- é consensual que quem está doente deve ter acesso a cuidados médicos;- é consensual que devem ser garantidos tecto e comida a quem não tem meios de subsistência;- é consensual que toda a gente tem o direito (e a obrigação) de aprender a ler e a fazer contas (até o mercado precisa disso).Apesar dos ataques que afectam estas áreas essenciais da nossa vida colectiva e das limitações com que nos confrontamos a toda a hora e que a toda a hora denunciamos e combatemos, nestes campos ainda fazemos a luta, por paradoxal que possa parecer, numa situação de vantagem. A vantagem de que toda a gente sabe que temos razão, contra a qual se opõem apenas o estafado argumento da falta de meios ou a vontade de dar dinheiro a ganhar a privados na prestação destes serviços públicos. A vantagem de estarmos a falar de direitos sociais que felizmente conseguimos (também é mérito nosso, da esquerda que por eles lutou) que a generalidade da população sentisse como seus, depois do 25 de Abril.
Na Cultura não é assim. Será por isso – adianto como primeira hipótese – que tem sido tão fácil cortar no financiamento público às artes aos primeiros sinais de austeridade e manter a parcela do Orçamento do Estado dedicada à cultura em níveis tão baixos, tanto em termos absolutos como relativos; será por isso que é tão difícil aprofundar a discussão – do outro lado temos quem precisamente não quer que as pessoas sintam que têm este direito e esta necessidade, que não lutem por ele; será por isso que os poderes (políticos e mediáticos) tantas vezes tratam os profissionais das artes ora como figuras decorativas, ora como pedintes, ora como crianças que não entendem as dificuldades de quem governa; será por isso que mesmo os nossos programas (apesar de se diferenciarem de forma muito significativa dos que são feitos à nossa direita) não têm sido capazes de assumir em pleno o potencial transformador e emancipatório de uma sociedade em que o direito à arte está realmente a par dos restantes direitos sociais.É por isto que nesta área a luta é tão exigente e os trabalhos redobrados. Ao mesmo tempo que lutamos pela prestação de níveis mínimos de serviço público, estamos ainda – 44 anos depois de Abril – a lutar pelo reconhecimento de um direito.O contacto regular com diferentes formas de expressão artística – literatura, cinema, música, dança, teatro, artes visuais, entre outras – enriquece a nossa capacidade de ler o mundo e de imaginar e construir alternativas; reforça os instrumentos de que dispomos para atribuir valor e sentido aos espaços e aos contextos sociais em que vivemos; estimula o pensamento crítico e a curiosidade; aumenta a capacidade (e a vontade) de comunicarmos com o outro e com a diferença; assume-se como campo propício à realização dos indivíduos, desafiados a identificarem, exercitarem, desenvolverem e partilharem as suas capacidades intelectuais; é fonte e veículo de conhecimentos plurais; auto-reproduz-se, propaga-se com facilidade em terrenos férteis ou minimamente preparados e raramente seca depois de enraizado; é, frequentemente, causa de felicidade para quem cria e para quem acede ao resultado.
É aqui – e não em eventuais retornos financeiros, contributos para o PIB, promoções dos territórios ou sequer na integração social de minorias mais ou menos desfavorecidas – que reside o papel essencial da Arte (e da cultura, em geral). É aqui que reside o potencial transformador e emancipatório das artes e o contributo imprescindível para o aprofundamento da democracia e da participação das cidadãs e dos cidadãos na vida colectiva.É aqui, portanto, que reside o interesse público da Arte e a necessidade de o Estado assegurar a prestação de um serviço público nesta área, seja directamente através das suas instituições (bibliotecas, museus, monumentos, teatros nacionais, estruturas públicas de criação artística, equipamentos culturais nacionais e municipais, entre outros), seja através da contratualização com estruturas e indivíduos da sociedade civil (que faz particular sentido no caso das artes, dada a heterogeneidade e a pluralidade de vozes e expressões que é necessário assegurar).É por isto (e não porque os artistas precisam de viver ou porque supostamente têm capacidade de fazer muito barulho) que um Orçamento do Estado em que a cultura representa pouco mais de 0,1% é uma vergonha e nos afasta da sociedade que desejamos, pela qual temos lutado e pela qual nos propomos continuar a lutar.Ter, como eu tenho e vós certamente também, a consciência de que nada disto é novo é muito frustrante. Mas acredito que reavivar esta consciência, desde logo entre nós, é um pressuposto indispensável para que nos mantenhamos mobilizados e combativos.Até porque a ofensiva liberal sobre um direito cujo reconhecimento universal nunca atingimos produziu riscos novos, a que é preciso estar atento.
Gostaria de chamar a atenção para três desses riscos, que proponho que debatamos já de seguida:1. a retórica vaziaAntónio Costa prometeu para 2019 o “maior orçamento da cultura de sempre”. Conhecemos a contradição entre o que prometia o programa do actual Governo e o que foi feito nestes três anos, sem nenhuma mudança significativa na forma de enquadrar e articular a cultura no conjunto das políticas públicas. Lembramo-nos dos títulos de jornais e da forma paternalista e ofensiva como o Primeiro-Ministro se dirigiu ao país, numa triste “carta aberta”, tentando esvaziar a contestação popular. Percebemos que os mecanismos de mercado (incluindo a sua tendência para a massificação e a homogeneização de conteúdos) funcionam em força nos meios de comunicação e que na esmagadora maioria das vezes isso não só não é coincidente com o interesse público como se opõe a ele, em nome de interesses e lucros particulares.Não se trata já apenas de desconfiar das palavras bonitas que em momentos de crise responsáveis institucionais vêm publicamente dizer para acalmar os ânimos. Trata-se de assumir que quem governou o país nos últimos quarenta anos não quis colocar a cultura no centro do desenvolvimento do país e que continua a caber à esquerda lutar por isso.2. o nevoeiro orçamentalFaço parte do Manifesto em Defesa da Cultura e defendo que o mínimo aceitável para o orçamento da cultura é 1% do Orçamento Geral do Estado. Trata-se de uma marca simbólica, que trabalha em duas frentes: ajuda a evidenciar que a realidade que temos tido se mantém muito abaixo deste mínimo; lembra que qualquer política pública digna desse nome implica, para ser levada a sério, uma dotação orçamental que não nos envergonhe e nos tome por estúpidos.Nenhuma das pessoas que defende este mínimo orçamental ignora, contudo, que a radical alteração de que o país precisa na forma de encarar a cultura está longe de se esgotar na questão orçamental. O aumento do orçamento é essencial para essa transformação mas há muito mais a fazer na construção de uma política cultural que vise realmente a democratização do acesso à arte. Entre vários outros aspectos, destaco a necessidade de articulação com a Educação e com outras formas de produção e transmissão de conhecimentos; a atenção à descentralização e à correcção de assimetrias; a coerência e a sustentabilidade das medidas adoptadas (com repercussões directas, por exemplo, nos mecanismos de financiamento público criados pelo Estado); a valorização e a divulgação das actividades artísticas, entendidas em sentido lato (que vai desde os meios de divulgação propriamente ditos até à forma como responsáveis políticos publicamente se referem aos agentes culturais e ao trabalho que realizam).Tenho as maiores dúvidas de que seja verdade que o orçamento do Estado para a cultura em 2019 venha a ser o maior de sempre. Se não for verdade, é mentira o que António Costa anda a dizer há dois meses e que ainda agora reafirmou, na rentrée do PS. Mas já nem é isso o mais importante. O importante é sabermos que, mesmo que em ano de eleições e no fim do mandato venha a haver algum aumento visível, ele não só vem tarde como vale de pouco se não for acompanhado de outras políticas.3. a instrumentalização e o condicionamentoDa “cultura-flor-na-lapela” aos “artistas do regime”, a cultura é há muito alvo de diferentes tentativas de instrumentalização e a todas tem, apesar de tudo, resistido.Nos últimos anos, contudo, duas ameaças sérias têm vindo a esconder ou a subverter ainda mais os fundamentos do interesse público das actividades artísticas. A primeira é a do turismo ou – na novilíngua dos financiamentos comunitários – a da “promoção do território”. Com a escassez de fundos específicos para a actividade cultural e atendendo ao que parece ser o novo-velho desígnio salvífico do país, cada vez mais artistas e projectos artísticos são atirados para as oportunidades de financiamento que vão abrindo para servir o turismo. Teoriza-se, até, sobre o papel importante que a cultura pode ter na promoção dos territórios, das cidades, do interior, do país. Tem-no, de facto, mas apenas enquanto não for especificamente criada para isso. A partir do momento em que o é, particularmente quando falamos de expressões artísticas, perde a sua marca de originalidade, a sua capacidade diferenciadora, desafiante e geradora de perplexidades, para se transformar num instrumento de propaganda ou num produto de entretenimento. Mais ou menos criativo, com maior ou menor qualidade, mas afastado do contributo essencial que é suposto oferecer-nos.A segunda ameaça é construída a partir de uma ideia cuja validade me parece inquestionável: a de que a cultura e o contacto regular com as diferentes expressões artísticas contribuem para promover a inclusão social. O problema é que na maior parte das medidas que têm sido postas em prática (materializadas em concursos e programas de financiamento europeus, nacionais ou municipais) se entende essa qualidade como um fim em si mesmo das actividades artísticas. Chega-se ao ponto de, em concursos públicos de apoio à criação artística, promovidos pelo Ministério da Cultura, privilegiar os que abordem determinados temas ou se dirijam a determinados segmentos da população, condicionando à partida a liberdade de criação dos artistas nacionais. Talvez estejamos a conseguir ajudar a resolver alguns problemas sociais através de práticas artísticas, mas enquanto isto for feito à custa do que devia ser o eixo central de uma política pública para a cultura e para as artes, estamos sobretudo a empobrecer a oferta à disposição da população e a limitar ainda mais a efectiva democratização do direito à arte.O painel em que estamos cita no título um verso de Arnaldo Antunes, ainda do tempo dos Titãs: “a gente não quer só comida / a gente quer comida, diversão e arte”.Continua a ser preciso reivindicar o direito a uma vida por inteiro, recusando as metades (cada vez mais pequenas) que nos querem conceder.Creio que é essa a luta que é preciso continuar a fazer.* Comunicação apresentada no painel “A gente não quer só comida: Porque incomoda tanto o direito à arte?”, no âmbito do Forum Socialismo 2018, org. Bloco de Esquerda, Leiria, 31 de Agosto a 2 de Setembro de 2018.
quinta-feira, junho 28, 2018
quarta-feira, junho 13, 2018
Cidades com cabeça e coração, precisam-se
ENTREVISTA
Estado coloca à venda terrenos da ex-Lisnave no início de 2019
Miguel Cruz, presidente da Parpública, holding que agrega várias participações e activos imobiliários do Estado, diz que no primeiro trimestre do próximo ano serão colocados à venda os 630 mil metros quadrados de área de construção ligados à Margueira, na margem sul do Tejo.
Desafiada
pelos jornais de agora, páro para pensar no que aí vem, e no que podemos fazer para que seja melhor e diferente do que temos tido. Moro na Grande Lisboa. Habito
uma parte do planeta em que se antevê a aplicação de capitais
financeiros vultuosos para construção em áreas significativas sem que o cidadão comum perceba que resultado desenhamos
para essa enorme cidade que o Tejo marca, até ao mar. Das antigas
Escolas da Armada (Vila Franca de Xira até à antiga Lisnave
(Almada), passando pela antiga Feira Popular e a parte poente de
Marvila (Lisboa), o previsto novo aeroporto (Montijo) e ainda por
projetos no arco ribeirinho que inclui a antiga Lisnave (Barreiro,
Almada, Seixal).
Quando
começaremos a ser capazes de imaginar desenvolvimento do território
sem ser apenas com betão e mais betão? E a conseguir que a cidade
seja um projeto das pessoas e com elas, ouvindo os cidadãos, os seus
medos e desejos, ou seja... democrático? Em vez de um território de
torneio entre interesses restritos de produtos "do costume"
(prédios e mais prédios, em vez de, por exemplo, jardins, ambos
produtos de atividades económicas,. e geradores de criação, produção, fruição...).
Mais uma vez, discutindo cidades, desenhamos o território, mas o maior desafio é a democracia e a cultura democrática, esse terreno de labor a longo prazo em que os livros nos ajudam e a leitura é essencial.
Leitura
útil destes dias :
João Seixas, A cidade na encruzilhada : repensar a cidade e a sua política. Edições Afrontamento, 2013. https://www.wook.pt/.../a-cidade-na-encruzilhada.../15248870
Existe nas Bibliotecas de Vila Franca de Xira
Recomendo ainda a rcensão de Simone Tulumello, 2013, aqui , que, descrevendo de forma clara o conteúdo da obra, vai mais longe, e interpela autores e leitores :
"Ao mesmo tempo em que se reformava a máquina administrativa utilizando alguns dos princípios delineados neste livro (principalmente descentralização e qualificação), as políticas urbanas aplicadas no contexto da crise privilegiavam a competitividade sobre a coesão e até fomentavam a apropriação de algumas práticas participativas para agendas de caráter neoliberal (Tulumello, 2015). Será que a reinvenção da governação, se não for acompanhada por uma clara visão política de cariz progressista (ou até radical?), pode resultar na exaltação das mesmas tendências que quer contrastar? "
"O papel dos movimentos sociais, por exemplo, e mais em geral das críticas de ordem estrutural à hegemonia do sistema neoliberal é deixado numa posição marginal no livro: será, enfim, que a reinvenção da política na cidade é possível no quadro das estruturas presentes? Esta pergunta não tem resposta no livro. Por um lado o «otimismo da prática» de Seixas parece sugerir que sim, será possível, sobretudo pela capacidade das cidades se organizarem em torno de visões construídas de forma deliberativa. Por outro lado, porém, os desafios levantados ao longo do texto podem sugerir que a mudança necessária é de ordem mais estrutural (uma nova hegemonia cultural e económica). É nesta encruzilhada, a meu ver, que o debate sobre o futuro da democracia urbana se irá desenvolver nos próximos tempos." (p. 4)
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segunda-feira, abril 23, 2018
Curso de Cultura Geral (II) - Episódio 13 - RTP Play - RTP

Ouvir bem conversar, por bem pensar - Sobrinho Simões, Teresa Salema Levy, Teresa Calçada.
Pela mão e a atenção de Anabela Mota Ribeiro.
O último programa da segunda série. Uma delícia, quase uma hora, boa.
Se nunca viu, pode começar por este, graças ao arquivo digital. Uma espécie de livro.
Curso de Cultura Geral (II) - Episódio 13 - RTP Play - RTP
quinta-feira, fevereiro 15, 2018
Ideias boas - cidades de aprendizagem, ao longo da vida

Alguns exemplos do que fizeram as cidades membros da Rede Global das Cidades de Aprendizagem da UNESCO para alcançar a equidade e a inclusão (em Portugal há sete cidades pertencentes a esta rede: Anadia, Câmara de Lobos, Cascais, Gondomar, Lagoa - Açores, Mação e Pampilhosa da Serra)
- Fornecer oportunidades educacionais alternativas a todos os cidadãos, em particular para os grupos vulneráveis (por exemplo, jovens e adultos com baixos níveis de literacia, quem abandona a escola, refugiados e migrantes) que não estão na escolaridade formal ou em formação, permitindo-lhes adquirir literacia e outras capacidades básicas / vocacionais, bem como para participar na educação contínua para adultos
- Oferecer aulas de aprendizagem on-line que permitem a participação das pessoas em palestras gratuitas numa variedade de tópicos relevantes para a sua comunidade local
- Estabelecer escolas para migrantes que permitam aos trabalhadores migrantes obter qualificações profissionais, ajudando-os a integrar-se na sociedade
- Promover iniciativas de aprendizagem intergeracional aproximando crianças e adultos
- Fornecer orientações de carreira, particularmente para as mulheres, para as encorajar a obter qualificações mais elevadas que lhes permitam assumir posições de liderança
- Criar bibliotecas móveis que proporcionem oportunidades de leitura para todos, especialmente para pessoas com deficiência, idosos e crianças abaixo da idade escolar
- Usar centros culturais que sirvam de locais de aprendizagem, aproximando a cultura, arte e a aprendizagem, e acolhendo projetos organizados conjuntamente por instituições educacionais e culturais locais, como forma de permitir que as pessoas locais tenham acesso ao seu património cultural e promovam a tolerância intercultural
Guia de Ação para as Cidades de Aprendizagem | Aprender
segunda-feira, dezembro 18, 2017
Pedir livros, pedir horizontes
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| Ed. Casa Museo Federico Garcia Llorca de Fuente Vaqueros |
Llorca, séc. XX (via Manuela Barreto Nunes, séc. XXI). Iberia: Alocución al pueblo de Fuente Vaqueros, 1931. Leiam a tradução em português do Brasil aqui (via Youtube- Focus Portal Cultural, 2016)
"Cuando alguien va al teatro, a un concierto o a una fiesta de cualquier índole que sea, si la fiesta es de su agrado, recuerda inmediatamente y lamenta que las personas que él quiere no se encuentren allí. «Lo que le gustaría esto a mi hermana, a mi padre», piensa, y no goza ya del espectáculo sino a través de una leve melancolía.
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| Trad. português de Portugal, 1ª ed. 2004 |
"Por eso no tengo nunca un libro, porque regalo cuantos compro, que son infinitos, y por eso estoy aquí honrado y contento de inaugurar esta Biblioteca del pueblo, la primera seguramente en toda la provincia de Granada.
"No sólo de pan vive el hombre”. Yo, si tuviera hambre y estuviera desvalido en la calle no pediría un pan; sino que pediría medio pan y un libro. Y yo ataco desde aquí violentamente a los que solamente hablan de reivindicaciones económicas sin nombrar jamás las reivindicaciones culturales que es lo que los pueblos piden a gritos.
Bien está que todos los hombres coman, pero que todos los hombres sepan. Que gocen todos los frutos del espíritu humano porque lo contrario es convertirlos en máquinas al servicio de Estado, es convertirlos en esclavos de una terrible organización social.
Yo tengo mucha más lástima de un hombre que quiere saber y no puede, que de un hambriento. Porque un hambriento puede calmar su hambre fácilmente con un pedazo de pan o con unas frutas, pero un hombre que tiene ansia de saber y no tiene medios, sufre una terrible agonía porque son libros, libros, muchos libros los que necesita y ¿dónde están esos libros?
¡Libros! ¡Libros!
Hace aquí una palabra mágica que equivale a decir: «amor, amor», y que debían los pueblos pedir como piden pan o como anhelan la lluvia para sus sementeras.
Cuando el insigne escritor ruso Fedor Dostoyevsky, padre de la revolución rusa mucho más que Lenin, estaba prisionero en la Siberia, alejado del mundo, entre cuatro paredes y cercado por desoladas llanuras de nieve infinita; y pedía socorro en carta a su lejana familia, sólo decía: «¡Enviadme libros, libros, muchos libros para que mi alma no muera!».
Tenía frío y no pedía fuego, tenía terrible sed y no pedía agua: pedía libros, es decir, horizontes, es decir, escaleras para subir la cumbre del espíritu y del corazón. Porque la agonía física, biológica, natural, de un cuerpo por hambre, sed o frío, dura poco, muy poco, pero la agonía del alma insatisfecha ura toda la vida.
Ya ha dicho el gran Menéndez Pidal, uno de los sabios más verdaderos de Europa, que el lema de la República debe ser: «Cultura». Cultura porque sólo a través de ella se pueden resolver los problemas en que hoy se debate el pueblo lleno de fe, pero falto de luz".
domingo, fevereiro 02, 2014
No Ocidente, "podemos aprender muito com os pobres"
"A lição fundamental que aprendemos com os países pobres é que pessoas criativas que não têm meios usam as comunidades para dar resposta aos problemas da saúde. Em particular, fazem um uso muito maior das famílias e dos leigos, não separam a saúde das outras questões (como a educação) e põem em prática sistemas informais de prestação de cuidados. Uma coisa que nós, no Ocidente, vamos ter de aprender ou reaprender. Os sistemas e os profissionais de saúde não vão poder fazer tudo por nós. Temos de fazer mais por nós próprios.
Isto é particularmente importante porque as nossas necessidades de saúde mudaram nos últimos 30 anos."
No Ocidente, "podemos aprender muito com os pobres" na área da saúde - PÚBLICO
Exercício salutar: a mesma afirmação substituindo "saúde" por "cultura". Por exemplo, pensando em bibliotecas, museus, etc:
"A lição fundamental que aprendemos com os países pobres é que pessoas criativas que não têm meios usam as comunidades para dar resposta aos problemas da cultura. Em particular, fazem um uso muito maior das famílias e dos leigos, não separam a culturadas outras questões (como a educação e a saúde) e põem em prática sistemas informais de prestação de serviços. Uma coisa que nós, no Ocidente, vamos ter de aprender ou reaprender. Os sistemas e os profissionais de cultura não vão poder fazer tudo por nós. Temos de fazer mais por nós próprios.
Isto é particularmente importante porque as nossas necessidades de cultura mudaram nos últimos 30 anos."
quarta-feira, janeiro 01, 2014
Sorria, está a ser estimulado a pensar
Com vénia ao autor
| Imagem daqui |
Remorsos de um encenador de teatro
por FILIPE LA FÉRIA*29 dezembro 2013
Muita gente me acusa de ser o culpado do estado de desgraça do nosso país por ter reprovado Pedro Passos Coelho numa audição em que eu procurava um cantor para fazer parte do elenco de My Fair Lady. Até o espertíssimo gato fedorento Ricardo Araújo Pereira já afirmou que eu devia ser chicoteado em público todos os dias até Passos Coelho desistir de ser primeiro-ministro, como insistentemente o aconselha o Dr. Soares.
Na verdade, confesso que em 2002, quando preparava os ensaios para levar à cena My Fair Lady fiz uma série de audições a cantores para procurar o intérprete do galã apaixonado por Elisa Doolittle, a pobre vendedora de flores do Covent Garden, personagem saída da cabeça brincalhona e maniqueísta de Bernard Shaw, genial dramaturgo que no seu tempo se fartou de gozar com políticos. Entre muitos concorrentes à audição, apareceu Pedro Passos Coelho de jeans, voz colocada, educadíssimo e bem-falante. Era aluno de Cristina de Castro, uma excelente cantora dos tempos de glória do São Carlos que tinha sido escolhida por Maria Callas para contracenar com a diva naTraviata quando da sua passagem histórica por Lisboa. As recomendações portanto não podiam ser melhores e a prova foi convincente. Porém, Passos Coelho era barítono e a partitura exigia um tenor. Foi por essa pequena idiossincrasia vocal que Passos Coelho não foi aceite, o que veio a ditar o futuro do jovem aspirante a cantor que, em breve, ascenderia a actor protagonista do perverso musical da política. Se não fosse a sua tessitura de voz de barítono, hoje estaria no palco do Politeama na Grande Revista à Portuguesa a dar à perna com o João Baião, a Marina Mota, a Maria Vieira, e talvez fosse muitíssimo mais feliz. Diria mal da forma como o Estado trata a cultura em Portugal, revoltar-se-ia com os impostos que o teatro é obrigado a pagar, saberia que um bilhete que é vendido ao público a dez euros, sete vão para o Estado, teria um ataque de nervos contra os lobbies da Secretaria de Estado da Cultura, há quarenta anos sempre os mesmos... não saberia sequer o nome do obscuro e discretíssimo secretário da Cultura oficial, não perceberia porque em Portugal não há uma Lei do Mecenato que permita aos produtores de espectáculos cativar os mecenas, tal é a volúpia cega dos impostos, saberia que cada vez mais há artistas no desemprego em condições miserabilistas e degradantes, que fazer teatro, cinema ou arte em Portugal se tornou um acto de loucura e de militância esquizofrénica. Mas a cantar no palco do Politeama estaria bem longe da bomba-relógio do Dr. Paulo Portas, cada vez mais fulgurante como pop-star, da troika, agora terrível e pós-seguramente medonha, das reuniões de quinta-feira com o Senhor Professor, do Gaspar que se pisgou para o Banco de Portugal, dos enredos do partido bem mais enfadonhas do que as animadas tricas dos bastidores do teatro, das reuniões intermináveis com os alucinados ministros, das manifestações dos professores, dos polícias, dos funcionários públicos, dos pescadores, dos estivadores, dos reformados, dos trabalhadores de tudo o que mexe e não mexe em cima deste desgraçado país, ah!, e das sentenças do Palácio Ratton (1) que agora são chamadas para tudo, só para tramarem a cabeça intervencionada do pobre Pedrinho... não bastava já as constantes birrinhas do Tó Zé Seguro, as conversas da tanga do Dr. Durão Barroso, o charme cínico e discreto de Madame Christine Lagarde, as leoninas exigências da mandona da Europa para Bruxelas assinar a porcaria do cheque. Valha-me o Papa Francisco que tudo isto é de mais para um barítono!
Assumo o meu mais profundo remorso. Devia ter proporcionado ao rapaz um futuro mais insignificante mas mais feliz. Mas, tal como Elisa Doolittle, que depois de ser uma grande dama prefere voltar a vender flores no mercado de Covent Garden, talvez o nosso herói renegue todas as vaidades e vicissitudes da política e suba ao palco do Politeama para interpretar a versão pobrezinha mas bem portuguesa de Os Miseráveis!
PS. O artigo foi escrito em português antigo. No Teatro Politeama nem as bailarinas russas aderiram ao Acordo Ortográfico.
* Encenador e dramaturgo. Diplomou-se em Londres com uma bolsa da Fundação Gulbenkian, foi diretor da Casa da Comédia. Com "What happened to Madalena Iglésias" iniciou e revitalizou o teatro ligeiro
(1) Sede do Tribunal Constitucional
quarta-feira, julho 25, 2012
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| de Gui Castro Felga 2012 |
Se gostar, é favor votar para ser publicado, aqui:
http://
The experts have been saying for years that the ‘power nap’ (siesta, in spanish) increases productivity and lowers work accidents.When the spanish government ‘outlaws’ the siesta, is it making an act of cultural resistence out of it? Grab your pillows, this is a cultural attack.Vote at http://
quinta-feira, junho 28, 2012
terça-feira, fevereiro 07, 2012
Quem não gosta de samba / bom sujeito não é
| Revista do Centro Cultural Cartola |
Escola de samba deve ser uma das poucas instituições no Brasil que vieram de baixo para cima. E o Centro Cultural Cartola é uma coisa de baixo para cima. A Casa do Samba é uma coisa muito de cima para baixo. O importante é essa acessibilidade, é saber que você trabalha com uma cultura popular e que popular tem que ser, não pode ficar tentando colocar em amarras. Você tem que entender o seu espaço para poder perpetuar e crescer.
ÂMBITO CULTURAL NO EL CORTE INGLÉS DE LISBOA
Uma vénia à equipa do Corte Inglês que em Lisboa como noutras cidades promove a cultura sem alarde mas com (bom) critério. Por mim falo, grata por já ter sido simples assistente a boas palestras que me fizeram pensar e imaginar, embora confesse que usei mais em Espanha que em Portugal.
Este ano de 2012, em Lisboa, depois de um curso sobre História da Música por Teresa Castanheira (cara colega da Escola Secundária Conservatório Nacional de Música), e antes de um outro sobre Ideias Religiosas por José Manuel Anes, decorre em Fevereiro um sobre Poesia com José Fanha, que assim se manifesta sobre a experiência no seu blogue:
sexta-feira, novembro 11, 2011
A língua a quem a trabalha
http://videos.sapo.pt/OunWBqLal0sB8maQHe4C
Clube da Palavra, amanhã, 12 de Novembro, 23.30, no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa.
Depois eu conto, que a Cultura ainda persiste e floresce quando a gente assim não falha, em como eles dizem, assume "a língua a quem a trabalha"
Se acabarem com os transportes públicos urbanos depois das 21h, por enviesamento de políticas em decurso, podemos sempre ir treinando e ocupar as noites.
Temos de começar por qualquer lado.
segunda-feira, agosto 22, 2011
Ray Bradbury
You don’t have to burn books to destroy a culture. Just get people to stop reading them.
— Author Ray Bradbury, whose birthday is today and who once said, “Libraries raised me.”
Happy birthday, Ray.
Um dos meus escritores de sempre!
Os meus livros preferidos da sua vasta bibliografia:
- Farenheit 451 (trad. do Mário Henrique Leiria, para edição Livros do Brasil, entre 1960 e 1970)
- Crónicas marcianas (trad. da Fernanda Pinto Rodrigues, edição Caminho, 1985)
sábado, julho 30, 2011
sábado, julho 23, 2011
Ser
Certa manhã, um velho índio Cherokee falava ao seu neto sobre uma batalha que acontece dentro das pessoas.
Ele disse: "Meu filho, a batalha é entre dois lobos dentro de todos nós.""Um é mau - É raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, auto-piedade, culpa, ressentimento, inferioridade, mentira, falso orgulho, superioridade e ego." O outro é bom - É alegria, paz, amor, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.
O neto pensou por um minuto e perguntou ao seu avô:"Qual dos lobos vence?"O velho Cherokee respondeu: "Aquele que tu alimentares."
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