sexta-feira, junho 25, 2010

História! História!


A fonte dos pardais

Era uma vez uma fonte à beira da estrada. Os pardais das árvores vizinhas tinham ali o seu ponto de encontro.

Matavam a sede, tomavam banho, chilreavam uns com os outros.

De semana a semana, vinha um homem, sempre de automóvel, buscar água à fonte. Enchia uma quantidade de garrafões de plástico e, depois, abalava.

Nessas alturas, a pardalada fugia para o poiso das árvores e ficava a observar.

— O que é que ele vai fazer com tanta água? — intrigava-se um pardalito novo.

— Deve ir regar as couves — sugeria um pardal.

— Para regar as couves é pouca — replicava uma velha pardoca, muito conhecedora da vida.

— Então é para ele beber — propunha outro pardal.

— Para ele beber é muita — replicava a velha pardoca.

— Para o que será? — perguntava o pardalito, sem que ninguém soubesse responder-

-lhe.

Decidiu investigar. Voou atrás do automóvel, mas como ainda tinha as asas com pouca força e a estrada era às curvas e contra-curvas, perdeu-lhe o rasto. E perdeu-se.

Esvoaçou ao calhas, até descer sobre um telheiro, junto à estrada. No telheiro havia melões à venda e cebolas e batatas e garrafões de vinho. Alto lá! E também havia garrafões de água, tal e qual os que o homem do automóvel enchia, na fonte dos pardais.

Se o pardal soubesse ler, leria no rótulo dos garrafões:

“ÁGUA DA FONTE DA SAÚDE – Graças a ela, os novos crescem e os velhos não encolhem”.

Aos saltinhos, diante dos garrafões, o pardalito admirava a fotografia do rótulo. Lá estava a fonte, centro da sua vida, e uns passarinhos a beber água no rebordo do tanque. Vendo bem, aquele mais pequeno, à direita, podia ser ele, o pardalito aventureiro.

Muito orgulhoso da sua descoberta, o pardal voou muito alto, tão alto que, lá de cima, viu o telheiro dos garrafões, a estrada às curvas e a fonte da Saúde ou dos pardais, donde ele viera.

Disparou em direcção ao ponto de partida e muito excitado piou para os companheiros:

— Já sei o segredo dos garrafões. O homem anda a vender o nosso retrato mais o retrato da nossa fonte.

— E a água para que serve? — perguntou um companheiro.

— Para segurar o nosso retrato — respondeu, prontamente, o pardalito.

António Torrado

il. Cristina Malaquias

http://www.historiadodia.pt/pt/historias/11/26/historia.aspx

quinta-feira, junho 24, 2010

Burmese football



Em tempo de futeboladas várias, esta fotografia de antologia está bem ao pé do nosso interesse. Graças à tecnologia e ao maravilhoso mundo das bibliotecas digitais, neste caso a Europeana.
O original está guardado na British Library, UK. Assim, num clic, além da fotografia, alcançamos a sabedoria da história, do como foi, do para que era...
Ler sentidos e pôr em sentido a memória e o coração.

segunda-feira, junho 21, 2010

vidasimples pensamentoselevados: MARTA 3

vidasimples pensamentoselevados: MARTA 3

Ler por fora da profissão. Ler porque apetece, sem obrigação.
Pensar no que nos rodeia, sem a utilidade à vista. Deixar entrar o sol da inquietação.
Para coisas dessas se criaram os autores

sábado, junho 19, 2010

Quase 100 anos depois de chegarmos à República



Exposição em Lisboa
O Jogo da Política Moderna - Desenho humorístico e cartoon na I República Portuguesa
(até 26 de Setembro)


Comentário incitador no Bibliotecário Iberista

terça-feira, junho 08, 2010

Biblioteca Escolar, Enxara do Bispo, Mafra, Portugal, 2010

Jl enxara[1]A Professora Bibliotecária Ana Filipa Julião está de parabéns, mai-los membros da Comunidade Escolar de Enxara do Bispo. O JL contou a notícia, mas o brilho já lá estava todo...
View more documents from Filipa Julião.

quinta-feira, junho 03, 2010

João Aguiar, até sempre

Morreu o escritor João Aguiar - Cultura - PUBLICO.PT

Perdemos novos sinais do seu humor, fino como a lucidez. Felizmente, há os livros :), para sempre. Até sempre.

A NATIVIDADE RELUTANTE

Ilustração de Joaquim de Sousa

À porta da Sala fui encontrar o Supervisor, rodeado pelos seus Técnicos. Aqueles rostos tensos, angustiados, confirmaram o meu pressentimento: havia crise.

Mal me viu, o Supervisor correu ao meu encontro.

– Ainda bem que veio, é a nossa última esperança!

– O que se passa? Algum contratempo?

Ele dominava-se, mas era evidente que estava à beira do pânico.

– Contratempo? Se fosse só um contratempo... mas é bem pior. Pode muito bem ser uma catástrofe!

Indicou a porta da Sala, que se mantinha fechada, e acrescentou:

– O Processo foi interrompido.

Como assim, perguntei. Isso nunca tinha acontecido, era uma coisa inconcebível. O Supervisor encolheu os ombros e explicou:

– Ele abandonou a Câmara de Transformação e recusa-se a voltar para lá.

Não percebi logo o significado da frase.

– Não quer voltar? Quer dizer que...

Gravemente, o Supervisor fez um aceno afirmativo: – Recusa-se a nascer.

Como?

Ao longo dos corredores silenciosos, a minha voz vibrou como uma explosão, a ponto de me assustar e de fazer estremecer os Técnicos.

– Mas isso não é possível. A Hora está a chegar.

O Supervisor fez outro aceno de cabeça. – Por isso o chamei com tanta urgência. Talvez Ele lhe dê ouvidos.

Sentia-me atordoado. A ideia de tal recusa era inimaginável.

– Quando entrou – prosseguiu o Supervisor – ia mais sombrio do que é habitual. Mas iniciou o Processo normalmente. De súbito, ao atingir os sete anos, parou, saiu da Câmara e disse: «Nada feito!»

– Está, então, nos sete anos?

– Sim, parou aí. – Num fio de voz, o Supervisor suplicou: – Fale-Lhe. Tente convencê-Lo. Pense no que está em jogo.

Eu pensava, sim, e a ideia dava-me tonturas. Fiz um gesto com a mão; ele abriu a porta e entrei.

Quando O vi, tive outra surpresa: estava, de facto, com sete anos – um Menino negro de sete anos, magrinho e mirrado, acocorado a um canto da sala. Olhou-me com ar de irritação.

– Ah. Pedro. Contaram-te.

– Sim, contaram. Estão todos muito preocupados.

Com cautela, para não parecer que recorria à lisonja, acrescentei:

– Era uma boa ideia, essa. A cor da pele, quero dizer.

Esboçou um sorriso. – Sim, pensei que era tempo. A África está a sofrer demasiado.

– Exactamente.

O sorriso apagou-se. – Mas pensei melhor e... não, decidi que não. Estou farto de esforços inúteis, sem sentido. Não haverá Nascimento.

Engoli em seco.

– Senhor, isso significa que na Terra não haverá Natal.

Ele, que baixara os olhos para o chão, endireitou-se. Era, agora, um pequeno Semita, um Árabe ou um judeu.

– Não haverá? Mas tem havido Natal, Pedro? Natal digno desse nome? Nunca dei por isso. Terei Eu andado distraído durante todos estes séculos?

Abri os braços. – Compreendo o que quereis dizer. A Humanidade da Terra não parece observar o verdadeiro espírito...

– Observar? Fizeram dele uma farsa! Festas, banquetes, presentes... aqueles que podem, porque os outros morrem de fome ou de guerra. E tem piorado, se é que ainda é possível. Natal, Pedro, só nos romances e nas peças de teatro e naqueles filmes que fazem nesse lugar infernal chamado... han...

– Hollywood.

– Isso. E mesmo aí, passou de moda. Não, não Me convences a submeter-Me a mais uma Natividade. Aliás, deixou de fazer sentido.

Esta última frase desorientou-me: – Como? Deixou de...

E Ele, numa ironia cortante:

– O Nascimento milagroso através de uma Virgem. Eles já não gostam, já não lhes diz nada. As virgens perderam a cotação nos seus malditos mercados. Aliás, não acreditam. Quando muito, hão-de produzir as crianças em laboratório. Eles acreditam nos laboratórios, mas não nas virgens.

Neste momento, Quem estava diante de mim era uma Criança loura, resplandecente, de olhos azuis brilhantes e zangados. Estremeci sem querer e Ele perguntou-me se tinha frio.

– Não. Perdoai-me, são essas mudanças tão rápidas. Perturbam-me...

Fez uma careta infantil. A Transformação costuma produzir efeitos desses.

– Nem reparei, foi involuntário.

Retomou o curso das recriminações: – Tantas mais coisas que poderia dizer! Houve algum dia de Natal, um só, em que não houvesse mortes, e doenças, e crimes? Algum dia...! Eles nem sabem ao certo em que dia nasci. E a hora: uma convenção. Decidiram festejar-Me à meia-noite, mas quantas meias-noites há na Terra? Numa só noite, nasço tantas vezes quantos os fusos horários!

Abri a boca, porém Ele disparou:

– Dois mil anos, Pedro. Dois mil Natais traídos. Não haverá mais nenhum. já decidi.

Ficou calado enquanto ganhava os traços fisionómicos de um pequeno Chinês. Decidi-me a falar:

– Senhor: não foram eles concebidos com sexos, desejos, paixões e instintos? Não estão sujeitos à morte e à doença e à luxúria e à miséria e a uma muito breve e insatisfatória felicidade?

Baixei a voz para rematar: – E não estão eles à espera... há muito mais que dois mil anos... de um Sinal inegável e irrecusável?

Ele fixou-me com intensidade: – Queres dizer que a culpa... que foi tudo mal planeado e mal executado?

Curvei humildemente a cabeça.

– Não. Não me atrevo a dizer seja o que for, não quero renegar-Vos outra vez. Mas considerai, suplico-Vos: pode bem ser que ainda haja neste momento, lá em baixo, um deles que esteja à Vossa espera, sinceramente e verdadeiramente. Um só, perdido entre biliões.

Não sei quanto tempo ali ficámos a olhar-nos. De repente, Ele encaminhou-se para a Câmara de Transformação, abriu a escotilha e virou-se de novo para mim.

– Está bem, Pedro. Com esse argumento...

Sorri-Lhe, aliviado. Devolveu-me o sorriso e entrou na Câmara.

Mas por um instante, um milésimo de segundo, quando voltava a ser um Menino negro, vi que os Seus olhos eram agora os de um velho. Cansados, mortalmente cansados e tristes.

Quando saí da Sala, o Arcanjo Supervisor e os seus Anjos, que ainda estavam junto da porta, felicitaram-me com entusiasmo. Não lhes respondi.

Avancei pelo corredor deserto, levando comigo a memória daqueles olhos em que cabia toda a mágoa do Universo.


© João Aguiar, O Canto dos Fantasmas, 2ª ed. revista, Porto, Edições Asa, 1999, pp. 90-94 (reprodução autorizada pelo autor) Inhttp://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/aguiar3.htm

sábado, maio 29, 2010

Moçambique

Biblioteca de Capulanas

pela mão da Margarida Botelho
a lembrar que os tecidos contam histórias

Deixem as ideias crescer

Quem nasce primeiro,a ideia ou a acção, o ovo ou a galinha?
Hoje dediquei a manhã a pensar sobre educação, no Forum da Educação do BE, em Lisboa. Bem empregado tempo.
A falta que nos faz parar de vez em quando para pensar! Bem hajam os oradores e os debatentes, mesmo escassos numericamente.

Conselhos Locais de Educação ou Conselhos Municipais de Educação?
Gestão de edifícios e outras sendas de restrição da autonomia na prática.
Como combater o Medo? Não há democracia nem autonomia com medo.

E assim, como na canção, dei bem por necessárias estas horas extraordinárias :)


quinta-feira, maio 06, 2010

MInha alma tem pressa

O Valioso Tempo dos Maduros

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

Mário de Andrade
(1893-1945)
Selecção emprestada do blogue Lume e AR - escolha bem curiosa numa Escola Secundária em Portugal (2010), uma dessas onde dizem uns sábios que ninguém lê, ninguém pensa, ninguém cria... e esta hem?

Volver a los diecisiete-Mercedes Sosa-Veloso-Gal-Buarque-Nascimento-Viol...




Como o musgo na pedra / amor e seus esmeros / decifra novos caminhos
Extrardinário grupo iberocantante

domingo, abril 18, 2010

Conjuras

Nunca agradecerei o suficiente o olho certeiro do blogue A Natureza do Mal para imagens como esta. O texto também vale a a pena. Ide até lá ler.

quinta-feira, abril 15, 2010

Babel - muitas línguas para re-acordar a curiosidade


Dedicado a quem é francófilo

“...Les hommes parlaient tous la même langue.
En ce temps-là, comme aujourd’hui, ils ne faisaient que se plaindre du temps;
les femmes de leur mari, les époux de leur femme, gémir sur leur santé et l’approche de la mort.
Cette litanie était devenue si monotone que personne n’écoutait plus personne.
Sachant d’avance, à quelque mots près ce que l’autre allait dire, on ne lui prêtait plus la moindre attention.
C’est donc pour échapper à l’indifférence et à l’ennui que nous nous serions lancés dans cette construction inepte. (...) la tour se serait édifiée dans un silence de mort. Dieu qui contemplait ce gâchis avec un sourire navré aurait alors, dans son infinie miséricorde, créé toutes ces langues, dialectes ou patois différents pour réveiller une curiosité qui s’était éteinte.”


Nicolas Bouvier, L’échappée belle, Eloge de quelques pérégrins@ Edition Metropolis, 1996
via

domingo, abril 11, 2010

Reading & School = Leitura & Escola

Reading is taught as if it’s a transferable skill. It’s assumed that once children learn how to convert printed symbols into sounds and words, or “decode,” they can be taught to read anything by practicing strategies such as “find the main idea” and “question the author.”

But cognitive science has shown that comprehension is “domain specific.” If you can comprehend this op-ed, it doesn’t mean you can also comprehend Kant’s Critique of Pure Reason. Several studies show that “poor” readers suddenly look quite strong when reading on subjects they know a lot about, and “strong” readers who have weak subject knowledge, suddenly look quite weak. Despite this finding, students are boringly and time-wastingly taught to practice formal strategies on trivial fictions as though these strategies will somehow replace the subject-matter knowledge needed to become broadly literate.

Transforming the elementary school “literacy block” into a rich, meaningful and sustained engagement with subject matter would be the single greatest transformation of instructional time in decades. If there is one Big Idea that can help arrest the decline of reading achievement in American schools, this is the one.


Ler mais aqui - More here

sábado, abril 10, 2010

Conclusões do 10º Congresso BAD

Conclusões do 10º Congresso BAD
Pessoal BAD congressante, mesmo aqueles que não puderam estar na emocionante sessão de encerramento. Temos até segunda-feira (12/04) - comentem e sugiram alterações ao texto das conclusões do 10º Congresso. Democracia, sempre!
Vivam as bibliotecas vivas.

segunda-feira, março 29, 2010

Pela biblioteca em cada escola, e logo desde pequeninos...

Uma brochura janotíssima para melhor argumentar com directores e outros decisores que tanta diferença fazem no caminho das bibliotecas nas escolas dos primeiros anos.
Viva a SLA!

domingo, março 21, 2010

Cuscos de Vinhais = Portuguese Couscous

Andava eu a pensar na criação e na poesia, saltou-me um blog ao caminho
e um fabuloso documentário sobre os cuscos, ou carola, ou couscous de... Vinhais, em Trás os Montes (Portugal)



A gentileza veio pela Ervilha Cor de Rosa, blog de Rosa Pomar, famosa retroseira 2.0

Lemo-nos nos sabores e nos gestos, e neles se entendem irmandades e saberes de longo alcance, aqui com cheiro a Magreb nas Terras Altas da Ibéria, madres do trigo Barbela.


Bom apetite, e bom proveito.

Sábado leitor

Entrevista de quase 18 minutos a Fernando Pinto do Amaral, comissário do Plano Nacional de Leitura. RTP e Antena 1 (Portugal), na véspera do Dia Mundial da Poesia 21 de Março de 2010. Conduzida por Rosário Lira

http://ww1.rtp.pt/blogs/programas/estesabado/?k=Entrevista-a-Fernando-Pinto-do-Amaral.rtp&post=7178

quarta-feira, março 17, 2010

Toy Maker, me and you Fazedor de brinquedos, eu e tu





Brinquedos de papel

Desenhar, vincar, dobrar e construir brinquedos de papel
Brincar
Sonhar
Antecipar

Ler

Um belo site, aqui
(agradeço a dica à Beatriz)

quarta-feira, março 10, 2010

Ler, Ler, Ler - A Casa do Folhas: Bibliocatalog na Casa do Folhas

Ler, Ler, Ler - A Casa do Folhas: Bibliocatalog na Casa do Folhas

Quem disse que o catálogo online e no computador
não adianta para alimentar em cada menino um leitor?

Quem pensa que bibliotecário e professor
não podem ambos ajudar a crescer esse leitor?

Quem teme experimentar usar sem dor
a palavra amiga a palavra amigo o dia com cor?

Póvoa da Galega, Portugal, 2010

sexta-feira, março 05, 2010

Saudades de Mestre Rogério Fernandes


A educação é fundamentalmente ética. Assenta sempre num dever-ser. Por isso, julgo que essa interacção entre as equipas mais velhas e as mais novas pode ser mutuamente frutuosa e contribuir para a escola plural.
Rogério Fernandes (200-?) Entrevista em A Página, Nº 8
Ao contrário do angustiado professor que se perguntava qual era o cacique a quem mais lhe convinha servir, o estatuto que a nova equipa da Direcção Geral do Ensino Básico atribuía ao docente era o de cidadão pleno, o que lhe criava o dever de intervenção cívica consciente. Não se tratava de fazer do professor (…) um propagandista de qualquer regime, de qualquer partido ou de qualquer seita. O professor deveria ser além de docente, na acepção verdadeira da palavra, um dinamizador cultural do seu meio em ordem à reconstrução da nação que o fascismo deixara devastada (…). Reconstruir a nação (…) seria sim libertar as energias criadoras do povo, promovendo a sua emancipação concreta no plano material e espiritual, de acordo com uma larga perspectiva racionalista e científica, de tal sorte que a opressão e a exploração do homem pelo homem desaparecessem para sempre da nossa terra.
Rogério Fernandes (1977), Discurso enquanto Director Geral da Educação, citado aqui

O primeiro livro que li sobre bibliotecas escolares, dos Livros Horizonte, foi-me sugerido pelo Rogério Fernandes. A Biblioteca do Educador Profissional ensinou-me a respeitar o seu nome, e n'O Professor e na Vértice aprendi o valor das suas palavras, postura e ideias, como as desse outro Mestre, o extraordinário Rui Grácio. Com eles aprendi a chave dos círculos de estudo, da partilha no coração do fôlego, que vive do ar que não se respira sozinho, do sopro comum que alimenta o canto diferente de cada voz. O bom sabor da generosidade, sem idade nem cálculo, pois não há tempo a perder nesta vida tão curta. O laço forte da liberdade.

Ao longo da vida nos encontrámos e reencontrámos, mais ou menos por acaso, em combates nem sempre ganhos, nem sempre totalmente perdidos, sempre do mesmo lado. E também em conversas saborosas e estimulantes.
Um homem livre, um homem bom, um Sábio que nos ajudou a descobrir o que queríamos compreender, a ganhar consciência do mundo e dos viventes, a confirmar o amor à Educação e ao ensino como amor à Humanidade, e o valor do tempo na criação, na acção e no pensamento.

Uma honra tê-lo conhecido. Um privilégio não o esquecer.
A falta que nos vai fazer... A falta que me faz!

Notícias aqui e aqui

segunda-feira, março 01, 2010

Histórias & Poder


Combater a única história sobre povos e lugares, contra o estereótipo que nos rouba a dignidade e nos afasta do Paraíso. Palavras claras da nigeriana Adichie.
Legendado em português, tradução com falhas mas que mesmo assim ajuda.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Prioridade CI Cultura da Infância


As creches e os jardins-de-infância deveriam constituir prioridade no sistema de ensino, privilegiando um ambiente familiar e não tendo a preocupação de criar uma escola em ponto pequeno, porque antes da aprendizagem das letras convém garantir um mínimo de bem-estar emocional que as permita compreender.

A cultura da infância é a única forma de fazer o país progredir.

Daniel Sampaio, Pública, 2010.02.21

domingo, fevereiro 21, 2010

Paixão


Fabulosa história de uma grande contadora, Isabel Allende, cortesia TED, alimento de imaginar. Legendas em língua portuguesa (BR). Som em língua inglesa (EUA). Olhar, silêncios e sorrisos não precisam tradução.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Estamos a tempo de derrotar o medo

O que fizeram?
Abandonaram a avaliação individual – aliás, esses patrões estavam totalmente fartos dela.
Durante um encontro que tive com o presidente de uma das empresas, ele confessou-me, após um longo momento de reflexão, que o que mais odiava no seu trabalho era ter de fazer a avaliação dos seus subordinados e que essa era a altura mais infernal do ano. Surpreendente, não? E a razão que me deu foi que a avaliação individual não ajuda a resolver os problemas da empresa. Pelo contrário, agrava as coisas.
Neste caso, trata-se de uma pequena empresa privada que se preocupa com a qualidade da sua produção e não apenas por razões monetárias, mas por questões de bem-estar e convivialidade do consumidor fi nal. O resultado é que pensar em termos de convivialidade faz melhorar a qualidade da produção e fará com que a empresa seja escolhida pelos clientes face a outras do mesmo ramo.
Para o conseguir, foi preciso que existisse cooperação dentro da empresa, sinergias entre as pessoas e que os pontos de vista contraditórios pudessem ser discutidos. E isso só é possível num ambiente de confiança mútua, de lealdade, onde ninguém tem medo de arriscar falar alto.
Se conseguirmos mostrar cientificamente, numa ou duas empresas com grande visibilidade, que este tipo de organização do trabalho funciona, teremos dado um grande passo em frente.

Entrevista a Christophe Dejours, Público, 30.01.2010

domingo, janeiro 24, 2010

quinta-feira, dezembro 31, 2009

lerdo ler: Recomeço

lerdo ler: Recomeço

Recomeço

Recomeça...
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
(Portugal, séc. 20)

Foto:
Veneza / JSD (2009)

domingo, dezembro 20, 2009

E-Book RBE, criação espontânea, edição Issuu



Sílvio Maltez, Professor Bibliotecário em Mem Martins (Sintra). Humor RBE neste Natal.
Como diria a Luísa Alvim, Vival as Bibliotecas Vivas!

quinta-feira, dezembro 10, 2009

domingo, dezembro 06, 2009

Calvino, Italo - entre nós

Ir aonde a gente passa para perturbar os dias e fazer pensar. Que tem isto a ver com ler e bibliotecas, literacia de informação e nós? Ora, vocês descobrem!

Se numa noite de Inverno um viajante: o livro de Calvino é o ponto de partida deste projecto multidisciplinar, que parou na estação Coimbra B. Viajante é uma experiência colectiva, proposta aos sentidos do espectador. Esta viagem é feita de sons e desenhos, vídeo, instalação, fotografia, pintura e escultura.

Simplesmente maravilhante. Obrigada Luís Januário, do blog htpp://anaturezadomal.blogspot.com, obrigada Vasco Paiva e ESEC

sexta-feira, outubro 23, 2009

A escola não pode esperar mais

Assim subscrevo a posição do Movimento Escola Pública,
publicada em blog a 21 de Outubro de 2009 (10.00), na Era AHG (Antes de Haver Governo)

O actual modelo de avaliação de professores e a divisão arbitrária da carreira em duas categorias criaram o caos nas escolas. A burocracia, a desconfiança e o autoritarismo jogam contra a melhoria das aprendizagens e contra a dedicação total dos professores aos seus alunos. Quem perde é a escola pública de qualidade.

Este ambiente crispado e negativo promete agudizar-se nas próximas semanas. Com efeito, até ao dia 31 de Outubro, se até lá nada for feito, as escolas estão obrigadas por lei a fixar o calendário da avaliação docente para o ano lectivo que agora começou. Pior ainda, sucedem-se os Directores que teimam em recusar avaliar os docentes que não entregaram os objectivos individuais, aumentando a instabilidade e a revolta.

Independentemente das alternativas que importa construir de forma ponderada, é urgente que a Assembleia da República decida sem demoras parar já com as principais medidas que desestabilizaram a Educação, sob pena de arrastar o conflito em cada escola e nas ruas.

Porque a escola não pode esperar mais, os subscritores deste manifesto apelam à Assembleia da República que assuma como uma prioridade pública a suspensão imediata do actual modelo de avaliação de professores, a revogação de todas as penalizações para os que não entregaram os objectivos individuais e o fim da divisão da carreira docente. Sem perder mais tempo.

Não podemos esperar mais. A Educação também não.

domingo, outubro 18, 2009

Fair use: construir códigos de boas práticas



Mais ideias neste wiki:
http://aaslsmackdown.wikispaces.com/Digital+Citizenship

ML, Copyright and Fair Use

Esta apresentação de 3 colegas norteamericanos faz pensar melhor em termos como direitos de autor, copyright, fair use, creative commons e literacia da informação, educação e media...
O Media Education Lab também merece uma visitinha - fica na Universidade de Temple (filadélfia, EUA), na sua Escola de Comunicações e Teatro!

terça-feira, outubro 13, 2009

Para além da literacia e da numeracia

A lot of people find themselves being creative despite their social standing.

You are the kid who is smart, so all your mates listen to your counsel.
You are the kid who is funny, so they look to you for a laugh.
You are the great dancer at the local disco.
You are the one who is good at building stuff.
You are the one who is been practising the guitar in your bedroom since you were nine.
You are the one who is good at problem solving.

I think it is a teacher’s job to spot these kids and give them a nudge in the right direction. Encourage the smart one to get smarter; encourage the funny one to read books, look at the history of comedy, organise his thoughts, write stuff down; encourage the dancer to practice, look at videos, see shows, etc.
I know there are some schools that do this, but there are a lot that don’t.

It is not just about numeracy and literacy… It’s about vigilance, kindness, empathy and creativity.

Lenny Henry(actor/comediante)

in All Our Futures: Creativity, Culture and Education / Ken Robinson et al. (1999) http://www.cypni.org.uk/downloads/alloutfutures.pdf

domingo, outubro 04, 2009

Digital, digital, até se come sem sal!




Uma biblioteca escolar digital, da Escola Secundária (do 8º ao 12º ano) de Springfield, c. 19.500 habitantes, nos subúrbios de Filadéfia, EUA
Grande trabalho de Joyce Valenza e da equipa da Biblioteca!

http://www.sdst.org/shs/library/
Ross Todd, em Lisboa pelas mãos do SLAMIT e da RBE, refrescou-nos este link. Vale a pena ir até lá e navegar.

Gracias a la vida



Quando a tristeza bate, Mercedes Sosa, agora de partida aos 74 anos, sempre me ampara. Gracias a la Vida!
Gracias a tu vida, que nos ha dado tanto. Los poetas SON profetas
Até sempre, Mercedes

Prémio IASL School Librarianship 2009. Agradecimentos e construção

Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão

Vinicius de Moraes, O operário em construção
in Nossa Senhora de Paris



Não consigo agradecer individualmente, como gostaria, as palavras de afecto que me transmitiram.

Assim, agradeço por esta forma aos que se manifestaram sobre o Prémio IASL que me foi atribuído, e que espelha, creio bem, o reconhecimento internacional que o trabalho que tanta gente tem desenvolvido, e continua a desenvolver, nas, com as e pelas bibliotecas escolares portuguesas, de há largos anos a esta parte, antes e depois do marco que foi a criação do Programa RBE (1996), liderado por Teresa Calçada desde o início, e que tem contado com o valor de construtores, mais ou menos anónimos, por todo o país, em escolas e bibliotecas públicas, de múltiplas formas, felizmente bem diversas e criativas, ultrapassando dificuldades, transformando obstáculos em vantagens ou aprendendo com fracassos e erros. O prémio recorda-nos ainda a dimensão global do trabalho na educação e na cultura, e nas bibliotecas escolares em particular, e a Casa Comum em que nos movemos e por que somos todos responsáveis.

Receber este prémio, além da alegria que naturalmente provoca, emocionou-me porque me fez lembrar o que devo ao empenhamento de tantos, que é impossível nomear, mas que, espero, sintam o meu reconhecimento. Somos hoje o que somos - e muito haverá sempre a corrigir e melhorar! - também pelo contributo de muitos que vieram antes de nós, nos acolheram e transmitiram vontades, sabedoria e ganas de agir, dando-nos um exemplo a seguir na ligação aos que vierem depois de nós. Por isso, cumpre-me nomear duas Senhoras de referência no caminho que me trouxe às bibliotecas escolares e ao trabalho em rede: Maria Natália Pedroso de Lima, que em Coimbra me envolveu para sempre, e Maria José Moura, cuja determinação e acção nos continuam a inspirar.

Saibamos todos e todas que este prémio IASL School Librarianship 2009, sendo individual, não será nunca, definitivamente, só meu. A alegria não podia, pois, ser maior :D.
Não cresceremos em vão.

sábado, agosto 22, 2009

081002-RWP_8990


081002-RWP_8990, upload feito originalmente por antwerpenR.

Oh felicidade
aquela coisa pequenina
que nem se aprende nem se ensina:
a gente dá por ela
e vai praticando...

Boas férias!

sábado, agosto 01, 2009

quinta-feira, julho 30, 2009

videos de férias do lerdo ler 2009-02


Original de Nando da Cruz incluído no disco Livre (Cleanfeed, 2004) com Bernardo Sassetti a solo, no piano. As fotos de Cabo Verde são da autoria de Louk Numan. Pode vê-las em http://www.pbase.com/loukio/cabo_verd...

videos de férias do lerdo ler 2009-01


geracional, mas mesmo assim so true!

sexta-feira, julho 10, 2009

Fundamentos de economia do conhecimento na rede



Para que esa manera de proceder instintivamente egoísta y codiciosa del ser humano
sea domeñada
o, más allá todavía,
para que esa pulsión utilitarista e interesada
encuentre beneficio y provecho en ser desprendida y pródiga
—en hacer prácticamente todo lo contrario de lo que el reflejo más instintivo parece marcarnos—,
debe existir un marco dentro del cual, duraderamente,
sea más ventajoso comportarse dadivosamente, con la largura del que da lo que tiene y,
mediante el acto de la donación,
obtener
una especie de capital más y mejor reconocido en la comunidad que debe apreciarlo.

DIGITAL

Digital marketing is not (necessarily) about ebooks. Ebooks are a format, like paperback or hardcover – and while people may prefer one format over another, they’re not going to have the option of any format if they don’t know that your books exist. Digital marketing is about getting information about your books in as many places as humanly possible – so that the ever-growing number of people who are online can find out about them.
L JN Dawson (2009)

quarta-feira, julho 08, 2009

Certezas, precisam-se

Certezas, precisam-se

(no mês em que se publicou uma sua prosa inédita, Bárbara Ruiva)

Preciso urgentemente de adquirir meia dúzia de valores absolutos,
inexpugnáveis e impenetráveis,
firmes e surdos como rochedos.

Preciso urgentemente de adquirir certezas,
certezas inabaláveis, imensas certezas, montes de certezas,
certezas a propósito de tudo e de nada,
afirmadas com autoridade, em voz alta para que todos oiçam,
com desassombro, com ênfase, com dignidade,
acompanhadas de perfurantes censuras no olhar carregado, oblíquo.

Preciso urgentemente de ter razão,
de ter imensas razões, montes de razões,
de eu próprio me instituir em razão.
Ser razão!
Dar um soco furibundo e convicto no tampo da mesa
e espadanar razões nas ventas da assistência.

Preciso urgentemente de ter convicções profundas,
argumentos decisivos,
ideias feitas à altura das circunstâncias.
Preciso de correr convictamente ao encontro de qualquer coisa,
de gritar, de berrar, de ter apoplexias sagradas
em defesa dessa coisa.
Preciso de considerar imbecis todos os que tiverem opiniões diferentes
da minha,
de os mandar, sem rebuço, para o diabo que os carregue,
de os prejudicar, sem remorsos, de todas as maneiras possíveis,
de lhes tapar a boca,
de lhes cortar as frases no meio,
de lhes virar as costas ostensivamente.
Preciso de ter amigos da mesma cor, caras unhacas,
que me dêem palmadinhas nas costas,
que me chamem pá e me façam brindes
em almoços de camaradagem.
Preciso de me acocorar à volta da mesa do café,
e resolver os problemas sociais
entre ruidosos alívios de expectoração.
Preciso de encher o peito e cantar loas,
e enrouquecer a dar vivas,
de atirar o chapéu ao ar,
de saber de cor as frequências dos emissores.
O que tudo são símbolos e sinais de certezas.
Certezas!
Imensas certezas! Montes de certezas!
Pirinéus, Urais, Himalaias de certezas!

quarta-feira, julho 01, 2009

PRIDE BRIO LIBRARY BIBLIOTECA


A Biblioteca Pública de Nova Iorque agradece o apoio que lhe deram na campanha para que se mantivesse aberta 6 dias por semana(19.06.2009)

PRIDE BRIO LIBRARY BIBLIOTECA






Os cidadãos corresponderam ao apelo da Biblioteca Pública de Nova Iorque, numa campanha para que não fechassem a biblioteca! (9.06.2009)