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sexta-feira, janeiro 04, 2019

A paz, o pão, a habitação


Demorei uns meses, mas ainda bem que consegui ler o livro. Interessante, actual, desafiador, sobretudo se quisermos cidades em que podemos morar.
O Estado tem de intervir, com ponderação e firmeza.
"Se se quer garantir o acesso à habitação aos cidadãos que trabalham em Lisboa é necessário actuar, mas não mediante a construção de habitação nova. Uma política de esquerdas deve alterar a lei do arrendamento para proteger o inquilino (mais tempo e mais segurança), mas sobretudo deve regular o preço do arrendamento de acordo com os salários da procura local. Esta medida é urgente e necessária. O actual governo tem possibilidade de intervir nesse sentido, mas não parece ter a mínima intenção de o fazer. O governo também deveria eliminar os "Vistos Gold" e os "Residentes habituais" para limitar a atracção de capitais especulativos. Ao mesmo tempo a Câmara Municipal de Lisboa possui um grande património imobiliário que deveria colocar ao serviço dos cidadãos em vez de promover programas como "Reabilita primeiro e paga depois". Existem programas de concessão de uso que estão a ser implementados noutros sítios e que deveriam ser explorados neste contexto. As possibilidades de regulação e intervenção são múltiplas (...). O importante é ter em conta que o caminho adoptado, tanto pela Câmara Municipal de Lisboa como pelo Governo, só agudiza o problema. Para o capitalismo imobiliário, Lisboa continuará a ser uma oportunidade de extracção de lucro e para nós a batalha diária é para não sermos expulsos da casa que se habita ou para procurar uma casa digna."
Agustin Cocola Gantt
p. 247-248

terça-feira, novembro 28, 2017

Águias, procuram-se

Foto daqui
Foto daqui



Por detrás do horizonte há sempre outro horizonte - falta alcance, ai de nós. Já é tempo de erguer os olhos e apontar mais longe.

No rescaldo de mais uma votação do Orçamento de Estado de Portugal, para 2018, envolvendo compromissos e desistências, com manifesta falta de águias no comando e no desejo, cito uma voz sábia:


Os próximos quatro anos "poderiam servir para implementar algumas das reformas estruturais que a esquerda defende para o país e para o Estado, mostrando que tem proposta, e não apenas resistência, que não é uma força conservadora, apenas defende caminhos diferentes na mudança."
Pois. Mas isso exigiria, não um golpe de asa como o que nos levou à solução parlamentar e governativa actual, mas um grande voo de águia, visando para além do horizonte.



quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Nazaré: protesto, com todas as letras


Era uma vez uma população que desejava muito ter uma biblioteca. Demorou, demorou, mas lá conseguiram. Amaram-na desde o primeiro dia, frequentam-na intensamente. É delas e para elas, das gentes da Nazaré.
Mudou a Câmara. Despediram mais de metade do pessoal da biblioteca, de repente, sem aviso, esquecendo contratos anteriores.
Pode até ser legal (?) mas é, pelo menos, irresponsável. Que farão com aquela biblioteca? Que fará a gente da Nazaré sem ela, ou com ela transtornada?
Maus sinais de governação em terra, tempestades no mar.
A BAD protesta e pede audiência ao Presidente da Câmara

domingo, fevereiro 02, 2014

No Ocidente, "podemos aprender muito com os pobres"


"A lição fundamental que aprendemos com os países pobres é que pessoas criativas que não têm meios usam as comunidades para dar resposta aos problemas da saúde. Em particular, fazem um uso muito maior das famílias e dos leigos, não separam a saúde das outras questões (como a educação) e põem em prática sistemas informais de prestação de cuidados. Uma coisa que nós, no Ocidente, vamos ter de aprender ou reaprender. Os sistemas e os profissionais de saúde não vão poder fazer tudo por nós. Temos de fazer mais por nós próprios.
 
Isto é particularmente importante porque as nossas necessidades de saúde mudaram nos últimos 30 anos."


No Ocidente, "podemos aprender muito com os pobres" na área da saúde - PÚBLICO



Exercício salutar: a mesma afirmação substituindo "saúde" por "cultura". Por exemplo, pensando em bibliotecas, museus, etc:

"A lição fundamental que aprendemos com os países pobres é que pessoas criativas que não têm meios usam as comunidades para dar resposta aos problemas da cultura. Em particular, fazem um uso muito maior das famílias e dos leigos, não separam a culturadas outras questões (como a educação e a saúde) e põem em prática sistemas informais de prestação de serviços. Uma coisa que nós, no Ocidente, vamos ter de aprender ou reaprender. Os sistemas e os profissionais de cultura não vão poder fazer tudo por nós. Temos de fazer mais por nós próprios. 
Isto é particularmente importante porque as nossas necessidades de cultura mudaram nos últimos 30 anos."