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domingo, agosto 27, 2017

Votar



1965. Há 52 anos. Havia eleições em Portugal? Haver, havia mas não era a mesma coisa. Recordemos que era um país de analfabetos - em 1960, 4 em cada 10 portugueses não sabiam ler nem escrever. 

Só podiam votar os que tivessem sexo masculino, soubessem ler e escrever ou, não sabendo, tivessem algum rendimento (analfabeto e pobre então, nem pensar). 

E as mulheres? Ainda menos, tinham que ter cursos médios, não bastava saber ler nem escrever, ou serem chefes de família (leia-se "sem homem que as guiasse" - viúvas, por exemplo), com rendimentos. Se fossem casadas e tivessem rendimentos, mesmo analfabetas, para votar tinham de pagar o dobro dos homens anualmente, para terem o mesmo direito de voto. Uma lei de 1946, que se manteve em vigor. 

Ora aconteceu que muitas destas mulheres criaram filhos e netos, e filhas e netas, e incentivavam gerações a ir à escola, aprender e formar capacidade de ler e entender, criticar e mudar. 9 anos depois destas eleições, e 38 depois daquela lei fascista, muitas mulheres de todas as condições e graus de instrução apoiaram os militares de Abril, quase todos com menos de 40 anos de idade, e a revolução. 

Nas primeiras votações depois do 25 de abril, elas eram imensas, eles eram muitos, faziam filas e filas, e votaram. A melhor resposta à ditadura - não ter medo, participar, sentir-se igual e cidadão. E votar. Agradeço a partilha da imagem à Helena Pato, no precioso grupo do FB Fascismo nunca mais, que vai em mais de 12000 membros.

Estatísticas de educação - ver pg. 18 do vol. II sobre a evolução do analfabetismo
http://www.dgeec.mec.pt/np4/172/

segunda-feira, setembro 08, 2014

8 de setembro

Dia Internacional da Literacia (também designado Dia Internacional da Alfabetização).

Este ano o Dia é dedicado à ligação intensa entre Literacia e Desenvolvimento Sustentável.
Num tempo de ameaças cada vez mais fortes ao equilíbrio do planeta, em aquecimento perigoso, e aos direitos humanos de quem nele vive, a literacia é uma emergência global.


Ler mais aqui


Unesco 

World Literacy Summit 

sexta-feira, maio 24, 2013

O que nos falta caminhar

Cartaz na Feira do Livro de Lisboa, Maio 2013


Dados de 2013. Sim, leram bem: não é 1913, mas 2013! Num país da "Europa civilizada". Onde quem está no poder afirma que "há professores a mais", e pretende despedir mais uns milhares e sobrecarregar os que restarem, pagando-lhes cada vez menos. Ou ainda não leram? Nem ouviram na rádio? Na TV é mais difícil, mas de vez em quando distraem-se e deixam fugir alguma informação entre programas de aturdimento, ou... como dizem... entretenimento.

quinta-feira, agosto 05, 2010

A tristeza de não ler e escrever

A tristeza de não saber ler nem escrever
in Educare.pt 30.04.2010
Números actualizados em Portugal. Ainda (século vinte e um!)
Cito:
Lisboa é a região do país em que a taxa é menor, ao longo das últimas décadas. Em 2001, a taxa era de 5,81%, sendo 3,87% de homens e 7,6% de mulheres. Segue-se o Porto, com 6,19% - 3,86% de homens e 8,34% de mulheres. Braga tem menos analfabetos do que Coimbra. Segundo os Censos de 2001, Braga regista 8,19% e Coimbra 10,04%. Os dados mais recentes revelam ainda que, na Madeira, 12,71% da população é analfabeta, enquanto nos Açores essa percentagem fica nos 9,45%.