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domingo, maio 06, 2018

Educação e acesso : chaves da universalização do Direito à Leitura e à Escrita


Silvia Castrillón assume, citando Emilia Ferreiro, que a leitura é um direito, não é um luxo, nem uma obrigação. Um direito de todos, essencial ao exercício pleno da democracia.
"Parto da convicção de que a leitura não é boa nem ruim em si mesma, de que ela é um direito histórico e cultura e, portanto, político, que deve situar-se no contexto em que ocorre. Historicamente, a leitura tem sido um instrumento de poder e de exclusão social: primeiro nas mãos da igreja, que garantia para si, por meio do controle dos textos sagrados, o controle da palavra divina; em seguida, pelos governos aristocráticos e pelos poderes políticos e, atualmente, por interesses económicos que dela tentam se beneficiar.
Estou consciente de que ao redor da leitura se movem diferentes propósitos, que a necessidade de sua democratização obedece a diversos fins e que disso depende, em grande parte, o fato de setores excluídos - não só da leitura, mas também de outras manifestações da cultura e da economia - não se apropriarem dessa prática. Em outras palavras: somente quando a leitura constituir uma necessidade sentida por grandes setores da população, e essa população considerar que a leitura pode ser um instrumento para seu benefício e for de seu interesse apropriar-se dela, poderemos pensar numa democratização da cultura letrada." p.16
Referindo-se a diversas campanhas, planos e projetos, é útil escutar a sua voz crítica - defende que tais campanhas podem ocultar o verdadeiro problema, criando a ilusão de que se está a fazer alguma coisa pela leitura. Tal não é verdade, se se limitarem a nos convencer da necessidade dessa prática, sem ter em conta que nada se torna necessário se não se tiver a íntima convicção de que pode ser um meio para melhorar as condições de vida. Dar livros, como um favor, gratuitamente, não resolve a discriminação e o desequilíbrio no que diz respeito à participação na cultura letrada
O verdadeiro problema está "na educação e nas possibilidades reais de acesso democrático à leitura e à escrita." (p. 21). As estatísticas que medem a leitura pelo consumo de livros por pessoa encobrem a realidade. Estimular a oferta de livros, por si só, pode confirmar privilégios, em vez de combater desigualdades, apesar das boas intenções.
Precisamos tomar consciência do problema, e assegurar espaços de participação - aí os cidadãos poderão "expressar-se pelo cumprimento do direito à leitura e à escrita e a uma verdadeira inclusão na cultura letrada." (p.21)


Pontos básicos: 

  • educação como área de intervenção central - o que requer transformações nas escolas - proporcionando a literacia a todos, e não apenas aos que já herdam a sua inserção na cultura letrada
  • bibliotecas como meios para a democratização do acesso - o que requer transformações nas bibliotecas - garantindo o acesso gratuito a materiais escritos, em todas as formas, incluindo as novas tecnologias
  • debate alargado sobre que fazer para transformar escolas e bibliotecas
Na Colômbia, este debate tem assinalado alguns eixos a desenvolver:
  • melhorar a formação de professores, enquanto leitores e escritores, que permita romper com a tradição de ensinar como aprenderam
  • equipar bem as escolas com materiais de leitura e de escrita - não apenas manuais, mas livros e outros recursos - para que se possam converter em "comunidades de leitores e escritores"
  • melhorar a gestão do tempo nas escolas - onde cada vez é mais difícil ler, refletir,  pensar, debater, e ter tempo para tal (alunos, professores, pessoal não docente)
  • construir as bibliotecas públicas a partir de projetos das próprias comunidades, de modo a alcançar todos, e não apenas a população já letrada, e/ou já escolarizada, ultrapassando formas rotinadas de gestão por atividades sem planeamento coerente com um objetivo político, social e cultural claro; o suporte financeiro é essencial, mas também é essencial a participação da sociedade civil no desenho da política pública de leitura e escrita 
Exemplos positivos mencionados 
Do Estado: Biblioteca Luis Angel Arango, no centro de Bogotá, que cumpre em 2018 60 anos



domingo, julho 02, 2017

Mia Couto - O poder de contar e ouvir histórias | Fronteiras do Pensamento

  
Acho que houve um momento em que eu, já jornalista, fui tentado a escrever as histórias que escutava. Essas histórias estavam tão vivas, tinham tanta força, que pediam que fossem transportadas dessa oralidade para a escrita.Mas aí percebi que a própria escrita tinha de mudar. Aquela que eu sabia e reconhecia não acomodava essa riqueza, essa coloração e, sobretudo, a música, a prosódia. Comecei a procura de uma escrita que fosse plástica e permitisse essa inundação da oralidade.
(...) 
Não escolhi a literatura, escolhi a escrita, que é provavelmente outra coisa. A construção que fizeram da escrita me parece que a complicou muito, a intelectualizou e construiu um edifício com vários andares e hierarquias. Quando começamos a escrever e a querer usar a escrita do ponto de vista criativo, estamos muito longe da escolha dessa grande construção e dessa grande estrutura que é a literatura.
Eu sou salvo por ser várias coisas, e sempre que tenho de enfrentar “a" literatura, que depois se manifesta nessas coisas muito solenes dos congressos e das conferências, puxo logo o chapéu de biólogo…
Esse universo me apraz, mas na maior parte das vezes é uma grande chatice. Estão ali os grandes estudiosos, os filósofos, os próprios escritores que, algumas vezes, dão demasiada importância a si mesmos e àquilo que fazem, e estou sempre a pensar qual o momento que tenho para escapar ( risos). Esse discurso parece uma arrogância disfarçada de humildade, mas na verdade não sinto que pertenço a essa construção. Sou mais de uma pequena tribo que é a dos contadores de histórias, e podem fazer isso mesmo sem usarem da escrita.


Mia Couto - O poder de contar e ouvir histórias | Fronteiras do Pensamento

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Hungria - concurso só no feminino

sábado, junho 09, 2007

Ao alcance da mão ou dessacralizar a escrita

Escribir –esa tarea que parece un difícil arte pero que es más fácil de lo que creen si hay práctica y ganas- permite tener voz y ser visible es un mundo en el que unos pocos infelices se disputan la visibilidad para sentirse superiores. Y permite ser visibles y tener voz precisamente para decir las propias palabras, para gritar las propias opiniones, para proclamar que existimos a pesar de todo y de todos. Investigar y contar los resultados permite crear una nueva profesión, remodelarla de acuerdo a nuestras necesidades cotidianas.
Y construir teoría no es tan difícil. Ocurre que con la teoría podemos cambiar la práctica. Y hay muchos –muchísimos, como mi buen amigo el “gran editor”- que están muy contentos con el palacio de cristal del que son cortesanos, y no quieren que nada cambie
Civallero, 2007
e tem mais