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quinta-feira, maio 16, 2013

Nuno Júdice, premiado


JogoEu, sabendo que te amo, 
e como as coisas do amor são difíceis, 
preparo em silêncio a mesa 
do jogo, estendo as peças 
sobre o tabuleiro, disponho os lugares 
necessários para que tudo 
comece: as cadeiras 
uma em frente da outra, embora saiba 
que as mãos não se podem tocar, 
e que para além das dificuldades, 
hesitações, recuos 
ou avanços possíveis, só os olhos 
transportam, talvez, uma hipótese 
de entendimento. É então que chegas, 
e como se um vento do norte 
entrasse por uma janela aberta, 
o jogo inteiro voa pelos ares, 
o frio enche-te os olhos de lágrimas, 
e empurras-me para dentro, onde 
o fogo consome o que resta 
do nosso quebra-cabeças. 

Nuno Júdice, in "A Fonte da Vida"

Mais um poeta português premiado internacionalmente. 
Desta vez Nuno Júdice (1949-    ), um grande mestre da palavra e das ideias, com o Prémio Reina Sofia de poesia - que se atribui desde 1992 ao maior autor vivo de poesia do mundo iberoamericano.
Boa Notícia!

Ler mais aqui:
El portugués Nuno Júdice gana el Premio Reina Sofía de Poesía

sexta-feira, maio 06, 2011

Confissão


Confissão 

De um e outro lado do que sou,da luz e da obscuridade,
do ouro e do pó,
ouço pedirem-me que escolha;
e deixe para trás a inquietação,
a dor,
um peso de não sei que ansiedade. 
Mas levo comigo tudo
o que recuso. Sinto
colar-se-me às costas
um resto de noite;
e não sei voltar-me
para a frente, onde
amanhece.

Nuno Júdice, in
Meditação sobre ruínas, Ed. Quetzal