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segunda-feira, abril 23, 2018

Curso de Cultura Geral (II) - Episódio 13 - RTP Play - RTP

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Ouvir bem conversar, por bem pensar - Sobrinho Simões, Teresa Salema Levy, Teresa Calçada.

Pela mão e a atenção de Anabela Mota Ribeiro.

O último programa da segunda série. Uma delícia, quase uma hora, boa.

Se nunca viu, pode começar por este, graças ao arquivo digital. Uma espécie de livro.

Curso de Cultura Geral (II) - Episódio 13 - RTP Play - RTP

sábado, junho 11, 2016

Portugal - pensar o futuro a longo prazo

É bom reler esta notável entrevista de Coimbra de Matos a Anabela Mota Ribeiro, sobre Portugal. Fotografia de Gérard Castello Lopes, partilhada pela autora, hoje, no Facebook, relembrando o texto, publicado em 2012.




Lidamos mal com o conflito e com a interpelação? Porque é que o outro discordar de nós é sentido pelos portugueses como uma forma de afrontamento, de intimidação? Tudo é demasiado pessoal.Confirmo isso. Se fizer uma pergunta a um conferencista, discordando dele, num congresso em Portugal sou acusado de ser agressivo. Se for num congresso internacional, isso é completamente aceite. Aqui somos muito narcísicos, ficamos logo ofendidos. Discordar é ofender o outro.
Isso é um traço de narcisismo?É, não aceitamos bem que o outro discorde de nós, sentimos isso como uma diminuição.
Como é que ficamos menos vulneráveis, menos narcísicos? Como é que aprendemos a lidar com a crítica e aquilo que sentimos como sendo a agressividade do outro?A causa psicológica assenta num sentimento de inferioridade. Se a pessoa se sente inferior, qualquer discordância do outro é sentida como uma ofensa pessoal. Se está consciente da sua capacidade, se não tem complexos de inferioridade…
Como é que se trabalha este sentimento de inferioridade? É uma coisa importante na maneira como interagimos com o colectivo.Começa na família e depois na sociedade em geral: os portugueses tornam-se autónomos muito tarde. Por razões financeiras e por razões culturais. Mesmo nos anos 60, em que se vivia relativamente bem, as pessoas saíam muito tarde de casa. É-se muito ligado à família de origem. Desde pequeno há uma cultura de concentrar, proteger, e não de fomentar a autonomia.
O que podemos extrair disso é a ideia de que todos juntos somos mais fortes? É por isso que devemos permanecer no espaço da família, resguardados? Por que é que não se incentiva a independência?Vem da geração anterior. Os pais têm dificuldade em promover a independência dos filhos, sentem isso como uma perda da influência deles. Vê-se também ao nível pedagógico; a maior parte dos professores, se um aluno tem ideias diferentes das dele sente isso mal; gosta que o aluno copie as ideias do mestre. Não gostamos de ser contestados pelos mais novos.
Isso é considerado uma insolência. Temos um ditado que traduz isso bem: “Já a formiga tem catarro”.Pois é, mas não devia ser. Os mais novos trazem ideias novas.

"O que nos deve entusiasmar é aquilo que não sabemos, não aquilo que sabemos."

"É preciso pensar num futuro a longo prazo."


Coimbra de Matos (sobre Portugal) - Anabela Mota Ribeiro

quinta-feira, agosto 20, 2015

Dar a cara pelo amor


(Sobre o amor)
EXTRATO DA ENTREVISTA DADA EM 2012 POR ALEXANDRE QUINTANILHA E RICHARD ZIMLER A ANABELA MOTA RIBEIRO:
"Como é que se conheceram? 
AQ – Num café. 
RZ – Num café maravilhoso. 
AQ – Num café maravilhoso em São Francisco, que se chama Café Flore, como o de Paris. Ia lá ao domingo de manhã tomar um café e comer um muffin. Estava a conversar, estava a falar de Proust – pretensioso e intelectual! – e ele apareceu com mais duas pessoas. De repente os nossos olhos cruzaram-se. Achei-o lindíssimo, porque era e por que é. Eu estava a falar e a pessoa com quem eu estava levantou-se para ir buscar um café; ele veio ter comigo e começou a conversar. “Por que é que não vamos?”. E eu disse: “Deixa-me pelo menos acabar a conversa”. Acabei a conversa e fomos. Estivemos uns três dias juntos, sem parar. 
RZ – Fomos ao meu apartamento, que eu partilhava com duas pessoas. No meu quarto não havia móveis. Dormia em cima de um colchão de sumaúma que tinha comprado por cinco dólares. Estava limpo, tinha lençóis, mas eu não tinha dinheiro nenhum. 
AQ – A parte mais importante do corpo de uma pessoa é a cara."

Bela entrevista. Obrigada pela lembrança e pela foto, Isabel Duarte