quinta-feira, abril 06, 2017

Gentileza, Ternura, Compaixão tornam-nos mais saudáveis

 
Richard Davidson, doutor em Neuropsicologia, investigador em neurociência afectiva
Descobri que uma mente calma pode produzir bem-estar em qualquer tipo de situação. E quando me dediquei a investigar, por meio da neurociência, quais são as bases para as emoções, fiquei surpreso de ver como as estruturas do cérebro podem mudar em tão somente duas horas.(...)
Os estudos nos dizem que estimular a ternura em crianças e adolescentes, melhora os resultados acadêmicos, o bem-estar emocional e a saúde deles. 

E como se treina isso?
Primeiro, levando a mente deles até uma pessoa próxima, que eles amam. Depois, pedimos que revivam um momento em que essa pessoa estava sofrendo e que cultivem o desejo de livrar essa pessoa do sofrimento. Logo, ampliamos o foco para pessoas não tão importantes e, por fim, para aquelas que os irritam. Estes exercícios reduzem substancialmente o bullying nas escolas. 

Da meditação à ação há uma distância.
Umas das coisas mais interessantes que tenho visto nos circuitos neurais da compaixão é que a área motora do cérebro é ativada: a compaixão te capacita para agir, para aliviar o sofrimento.
Tibet House Brazil – “A base de um cérebro saudável é a bondade, e pode-se treinar isso”

Traduzido do original - artigo de La Vanguardia (2017)

quarta-feira, abril 05, 2017

terça-feira, abril 04, 2017

Tornar-nos cada vez mais cansados, faz de nós pouco produtivos = sistema estúpido



“O Funcionário Cansado”
A noite trocou-me os sonhos e as mãos

dispersou-me os amigos

tenho o coração confundido e a rua é estreita

estreita em cada passo

as casas engolem-nos

sumimo-nos,

estou num quarto só num quarto só

com os sonhos trocados

com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado

um funcionário triste

a minha alma não acompanha a minha mão

Débito e Crédito Débito e Crédito

a minha alma não dança com os números tento escondê-la envergonhado

o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente

e debitou-me na minha conta de empregado

Sou um funcionário cansado dum dia exemplar

Porque não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?

Porque me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?
Soletro velhas palavras generosas

Flor rapariga amigo menino

irmão beijo namorada

mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho

palavras soterradas na prisão da minha vida

isto todas as noites do mundo uma noite só comprida

num quarto só
António Ramos Rosa
Ouvir aqui


Por causa disto:


Portugueses trabalham cada vez mais horas e põe saúde e família em risco – O Jornal Económico (2017)

Estes senhores da cidade

Estes senhores da cidade, senhores compenetrados que já não sabem dançar à noite sob o luar, que já não sabem andar sobre a carne de seus pés, que já não sabem contar histórias noite adentro!... 
ora, escuta mundo branco! escuta nos seus argumentos grandiosos o seu miserável estertor. quanto a nós, negros, só nos resta a piedade. piedade para os nossos vencedores omniscientes e ingénuos! 

Léopold Senghor

domingo, abril 02, 2017

LGP - "Waiting on the world to change" - Agrupamento D.Dinis Leiria

Balea de Federico Fernandez y Germán González- Kalandraka

Cláudio Torres: “Foi na prisão que recebi o primeiro abraço do meu pai”

Ao fim de 30 anos descobrimos que a ideia de que a islamização da península decorreu de uma invasão é cada vez mais uma mitologia. Pode até ter havido várias invasões, mas o que islamizou a Península Ibérica foi a grande conversão do cristianismo não católico, que era dominante. É isso que nos dizem as lápides encontradas neste cemitério, de pessoas ligadas ao mundo monofisita, não católico, precisamente a minoria que se converte ao Islão. Outra grande descoberta é o povoamento: graças à arqueologia, hoje sabemos que o povoamento do Sul da Península Ibérica é o mesmo que o do Norte de África. São as mesmas pessoas, a mesma civilização, a mesma língua.


Expresso | Cláudio Torres: “Foi na prisão que recebi o primeiro abraço do meu pai”

segunda-feira, março 27, 2017

domingo, março 26, 2017

O que importa

Uma rua no Castelo - Lisboa

Nem balanço nem contas. Nada disso.
Importa é recusar o compromisso
do permanente deve & haver.
Importa é ter insubmisso
a todo o tempo o coração.
Importa é não ceder
e saber dizer não
a quem, por qualquer razão
que supõe ter,
não pretende senão
fazer-nos obedecer.
Importa é que a rebeldia
nos seja pão de cada dia.

Torquato da Luz

2013

Daqui, post 2/272013

quinta-feira, março 23, 2017

Um Dia Com… Maria José Moura – RTP Arquivos

 
Planos de objetos de livros; empresa gráfica de impressão de livros; Maria José Moura refere que estudou Histórico Filosóficas na Faculdade de Letras e que de inicio desconhecia as oportunidades que uma biblioteca poderia proporcionar; afirma que a biblioteca desempenha hoje um serviço público e que o bibliotecário deve estar preparado para essa tarefa; salienta o papel que o bibliotecário, documentalista e arquivista pode dar ao utilizador, desde o infantil, ao especializado e académico, e que deve estar integrado no seu meio. 
13m45: Placard da exposição "O Livro"; Maria José Moura, refere que o bibliotecário deverá ser o intermediário entre o livro e o utilizador; fala também na importância do trabalho em equipa e no meio que o rodeia; depois fala na exposição do livro; imagens de utilizadores na biblioteca; afirma que a biblioteca é um instrumento importante na educação.


Imagens no video de 1972, palavras atuais em 2017. A foto é mais recente que o video, mas é para identificarmos melhor a entrevistada.



Video RTP

Um Dia Com… Maria José Moura – RTP Arquivos

sexta-feira, março 17, 2017

A invenção da "heterossexualidade"

(Credit: Getty Images)
Enquanto o sexo heterossexual é claramente tão antigo como a Humanidade, o conceito da heterossexualidade como identidade é uma invenção recente
O Dicionário Médico de Dorland, de 1901, definia heterossexualidade como "um apetite anormal e pervertido pelo sexo oposto". Mais de duas décadas mais tarde, em 1923, o dicionário Merriam Webster defenia-a como "uma paixão sexual mórbida por alguém do sexo oposto". Só em 1934 a heterossexualidade foi contemplada como o significado que hoje nos é familiar: "manifestação de paixão sexual por alguém do sexo oposto; sexualidade normal".
Sempre que conto isto às pessoas, elas respondem com incredulidade dramática. Isso não pode estar certo! Bem, certamente não o sentimos como certo. Sentimos que a heterossexualidade simplesmente "esteve sempre ali".


O resto do artigo, interessante porém um bocado longo, para ler com vagar, está em inglês, aqui - à fgalta de melhor, usem o tradutor automático do Google:

BBC - Future - The invention of ‘heterosexuality’

terça-feira, março 14, 2017

Este site disponibiliza gratuitamente mais de 2.000 folhetos de cordel - Nexo Jornal

 
“O imposto disse a fome: — Collega, vamos andar, Vamos ver pobre gemer E o rico se queixar? A tarde está suculenta O governo nos sustenta Nós podemos passeiar. 
Disse a fome—eu estou tão triste Que nem sei o que lhe diga Este novo presidente Vôtes, credo, eu dou-lhe figa, Este Hermes da Fonseca Jurou acabar com a secca Vae tudo encher a barriga” 
Leandro Gomes de Barros Duas primeiras estrofes de “O imposto e a fome”, de 1909, com a grafia original
Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/03/07/Este-site-disponibiliza-gratuitamente-mais-de-2.000-folhetos-de-cordel.




Este site disponibiliza gratuitamente mais de 2.000 folhetos de cordel - Nexo Jornal

domingo, março 12, 2017

Raul Brandão

“Húmus” | Raúl Brandão
Nos alicerces uma geração, outra geração, todos apodrecendo juntos na mesma terra misturada e revolvida. A parte exterior é maravilhosa, a parte subterrânea é mais maravilhosa ainda. É a única raiz que se conserva intacta.
in Humus (1917)
Ler mais sobre a obra aqui, incluindo texto integral em formato digital (e-book, pdf)  

Nota biográfica sobre o autor, nascido em 12.03.1867:



Raul Brandão - Século XX - Centro Virtual Camões - Camões IP

sábado, março 11, 2017

Música, Alegria, Educação e Futuro



Lendo e relendo o que queremos que a gente da nossa terra seja e aprenda no próximo século, eis que a Música se desenha como área fundamental do caminho educativo. Fruindo, aprendendo, praticando, experimentando música ficamos mais capazes de som e silêncio, escuta e expressão, de falar e calar entre nós, sobre nós, com outros, sobre todos. Ou seja, a sermos melhores e tornar melhor o Mundo. Um mundo de gente igual por dentro, gente igual por fora. Capital da alegria.

É possível, necessário. E urgente.

Esta reflexão foi suscitada pelo documento em discussão pública
Perfil dos alunos à saída da Escolaridade Obrigatória, 
https://dge.mec.pt/sites/default/files/Noticias_Imagens/perfil_do_aluno.pdf.
E também por indignações várias nos jornais sobre a escassez de horas para Português e Matemática, como se educar gente fosse coisa de caixinhas separadas em disciplinas académicas, e se medisse em horas de relógio. O tempo que dedicamos a um assunto não está só no horário afixado na parede, mas também no tempo interior que alarga e se adensa com o interesse, o amor e a alegria que lhe conseguimos associar. O rigor que importa é o que se deseja e valoriza, por amar o que se aprende e pratica.

Espero sinceramente que a Música, como as artes em geral (incluindo as da palavra e as que usam matemática, que são todas, como ensina tantas vezes o Almada Negreiros), sejam entendidas como coração das propostas da escola. E se mantenham no coração das propostas da educação não formal. E que a Música, toda a Música
  • não seja proibida nem perseguida nas cidades e nos campos
  • não seja proibida nem perseguida nas escolas
  • seja acarinhada e respeitada nas escolas, em todas as escolas
  • não seja transformada em horror em lado nenhum
Porquê? Por desejar aos que vierem depois muitas capitais da alegria.

terça-feira, março 07, 2017

Ideas Box - Access to education, information and culture in humanitarian...




Bibliotecários sem fronteiras.
Combates pela Literacia.
Por e para sermos mais humanos.
Ler mais aqui
Literacy: Libraries Without Borders | Library of Congress Blog


libraries-wo-borders


The Ideas Box, Libraries Without Borders’ portable media center, provides young Congolese refugees with information and education resources in a camp in Burundi. Photo courtesy Libraries Without Borders

Salvador Sobral - Amar pelos Dois (Lyric Video)


Subtitles - english https://youtu.be/t48etNJpLTM


Entrevista no programa televisivo 5 para ameia-noite (Janeiro 2017)
https://www.youtube.com/watch?v=a2oNlGUOcjo

Nossa história - a propósito de um programa de TV

  Companhia de Diamantes de Angola Andrada – Mulheres de trabalhadores contratados, regressando de uma distribuição de mandioca, feita pela Secção de Propaganda e Assistência à Mão de Obra Indígena da Companhia (início do século XX).
Companhia de Diamantes de Angola Andrada – Mulheres de trabalhadores contratados, regressando de uma distribuição de mandioca, feita pela Secção de Propaganda e Assistência à Mão de Obra Indígena da Companhia (início do século XX).
O ponto de vista que adotei, enquanto historiador e argumentista da série, é um ponto de vista da história de Portugal. Estamos a contar a História do ciclo africano do império, a partir de um ponto de vista de um historiador português. Ou seja, a partir dos fatores que contribuíram para a abertura e falência desse ciclo. Esse ponto de vista é claramente assumido. Não estamos a fazer nem a História de Angola nem de Moçambique. Estamos a fazer a história a partir de um ponto de observação que é a sociedade portuguesa: como nasceu o moderno colonialismo na sociedade portuguesa, como concorreu com os outros capitalismos modernos das potências europeias imperiais, e como é que esse colonialismo acabou por derrotar e se envolver numa guerra sem fim que durou 13 anos, e perdê-la. Essa é a história. Há outras formas de a contar, mas esta foi a que escolhemos.
Fernando Rosas 


“As histórias de crimes do colonialismo neste século estão largamente por contar”, entrevista a Fernando Rosas | BUALA

quinta-feira, março 02, 2017

«Toda a literatura é educativa» – Educatio Madeira

 
Que revolução silenciosa está, afinal, a acontecer na promoção da leitura em Portugal? 
Essa foi uma metáfora que escolhi para o título da conferência porque é uma transformação que tem vindo, de facto, a acontecer nas últimas décadas.Já temos esta revolução silenciosa como adquirida e quase nem damos por ela.Temos a tendência para nos queixarmos e não nos damos conta de como, em Portugal, estão a acontecer coisas muito interessantes a este nível. Antes do 25 de Abril, a taxa de analfabetismo em Portugal era de quase um quarto da população — há indicadores que até apontam para números mais elevados — e agora, pela primeira vez, em 2015, os resultados do PISA colocam-nos acima da média da OCDE em todas as áreas: na leitura, na matemática e nas ciências.
Isto não acontece por acaso. Acontece porque houve uma série de iniciativas que ocorreram ao longo de décadas.
Aí, eu destacava a rede de bibliotecas públicas, a rede de bibliotecas escolares, as mudanças na formação de professores (inicial e continuada), os programas escolares que têm insistido na leitura e nas competências de leitura. 
Por isso, isto não é uma questão de um governo ou de outro, de uma política ou de outra, mas é a questão de uma atenção continuada em distintas áreas da leitura.
Se pensar que há 40 anos, quando eu era uma criança, não havia um espaço parecido com este… Claro que não basta ter os espaços, é preciso promover, formar os públicos, atrair as crianças e as famílias para estes espaços. Estamos a dar passos muito interessantes a este nível. 
Por exemplo, as bibliotecas escolares em Portugal têm merecido — por parte dos nossos parceiros europeus, inclusivamente países da Europa do Norte — um reconhecimento e uma atenção muito especial. 
Em alguns casos, estamos a funcionar como exemplo para países que sempre vimos como referências.
Ana Margarida Ramos, 2017


«Toda a literatura é educativa» – Educatio Madeira – Medium

terça-feira, fevereiro 28, 2017

Levar a sério o linguista, pela fala que toda a gente reinventa

 Resultado de imagem para fala
Sobre o Falso Neutro e a nossa língua, esta carta do João Veloso merece atenção e reflexão.




A imposição legal e política de determinadas palavras, formas e regras gramaticais em detrimento de outras terminantemente proibidas, como um fenómeno totalitárioé um exclusivo da ficção orwelliana e do seu malfadado Newspeak, praticamente impossível no universo mais livre das línguas naturais.




Desdramatizar esta questão, separando claramente aquilo que é uma propriedade formal das línguas de uma interpretação antropológica pouco fundamentada de um traço gramatical, parece-me ser o melhor caminho, para já, para desencalharmos este problema (que é, quanto a mim, um falso problema).


(...)

Dizem que os anjos não têm sexo e que discuti-lo é perder tempo com verbo inútil e desperdiçada razão. A gramática, assim sendo, é angelical também: ela não tem sexo e por isso defendo que discutir o sexo da gramática é como discutir o sexo dos anjos. Género, desafortunadamente chamado como tal até aos nossos dias, tem-no sem dúvida, mas de forma largamente independente dessa propriedade biológica e cultural.
Não culpem a gramática da dominação masculina do mundo, que é um problema social e cultural inegável. Não confundam a gramática com a linguagem e com o poder fascizante que certos usos da linguagem podem ter. Mas, já agora, lembremo-nos também do uso libertador, revolucionário, criativo e criador que a linguagem, edificada sobre a gramática, também torna possíveis.
E através da linguagem e desses usos libertadores que dela podemos fazer concentremo-nos num mundo mais razoável e mais racional, menos discriminatório, mais pacífico e mais igual. Concentremo-nos naquilo com que se constrói a paz e a liberdade, em que a língua, a palavra e a gramática não são ameaças: são sim portas e veredas para o diálogo, para o pensamento livre e esclarecido sem o qual não há o mundo sem desigualdades, sem opressões e sem discriminações que é o mundo que eu também quero.
João Veloso

Portugal, 2017 
 

Ler mais aqui:

domingo, fevereiro 26, 2017

Ser mais capaz de ler, gente: com os olhos, a cabeça e... a barriga!

Image: R~P~M/Flickr

Sobre a intuição como forma de inteligência, um artigo sugestivo de Bruce Kasanoff na Forbes (21.2.2017)

Albert Einstein said, "The intuitive mind is a sacred gift and the rational mind is a faithful servant. We have created a society that honors the servant and has forgotten the gift."
Sometimes, a corporate mandate or group-think or your desire to produce a certain outcome can cause your rational mind to go in the wrong direction. At times like these, it is intuition that holds the power to save you. That "bad feeling" gnawing away at you is your intuition telling you that no matter how badly you might wish to talk yourself into this direction, it is the wrong way to go.
Smart people listen to those feelings. And the smartest people among us - the ones who make great intellectual leaps forward - cannot do this without harnessing the power of intuition.


Intuition Is The Highest Form Of Intelligence

sábado, fevereiro 25, 2017

Num segundo se evolam tantos anos (ao Nuno Bico)



E por vezes sorrimos ou choramos

E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos

David-Mourão-Ferreira


Ontem despedi-me do Nuno Bico, cerrados para sempre os seus olhos azuis, entre família e amigos, na terra que ele tanto quis ver melhor, de gentes melhores e liberdade.

Uma cidade pequena, que parece por vezes ainda tão pequena como quando ele e o Zé Amador deram corpo às histórias do Rogério Ceitil (Grande, grande era a cidade, 1971), antes do João Mota no perturbador Mal-Amado do Fernando Matos Silva, em 1972. Na nossa terra, o cinema continua a ser amado e experimentado, e nessa arte haverá rasto do Nuno e dos sonhos que não desistem. Contra os fascismos, nos anos 70 da Guerra Colonial e da opressão, hoje e sempre.

O desconsolo da partida devolveram-me aos poetas que ambos amamos desde a juventude. Poetas como o David Mourão-Ferreira, que nos ensinou como num segundo se evolam tantos anos, ou o Zeca, ausente fisicamente há 30 anos, mas que continua a trazer-nos as palavras entaladas na garganta, as palavras que nos dão alento a prosseguir. Mesmo quando, abraçando as belas meninas do Nuno, se afoguem as vozes em lágrimas num dia de sol. Sorrimos e choramos, e não, não desistimos.


quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Leia antes de dormir à noite - e não o faça num écran



 As mulheres têm a sua quantidade e qualidade de sono mais afectadas do que os homens


 Muito trabalho e pouco sono, a mistura explosiva
O médico aconselha ainda a que o quarto esteja a uma temperatura de 18 a 20ºC e que a obscuridade seja uma prioridade. “Não vale ter televisores no quarto, é um disparate”, diz Joaquim Moita, acrescentando que também não se deve utilizar smartphones nem tablets uma hora antes de dormir, uma vez que estes dispositivos emitem a chamada “radiação azul”. Esta radiação é “importantíssima em termos biológicos” mas, durante a noite, dificulta o adormecimento uma vez que inibe a produção de melatonina – a hormona do sono.




Portugueses dormem pouco, mal, e nada fazem para o contrariar - PÚBLICO

segunda-feira, janeiro 30, 2017

Que há-de ser de nós?

170127-obsessao


Filósofo italiano aponta: obsessão pelo sucesso individual e troca dos contatos corpóreos pelos digitais podem realizar distopia da humanidade insensível, para a qual já alertava Pasolini. (...)
Durante os anos 1970, Pasolini identificou, em seus livros Escritos Corsários e Cartas Luteranas, uma verdadeira transmutação nas sensibilidades de amplos setores da sociedade italiana, em consequência do “novo fascismo” imposto pela globalização. Acreditava que esse processo estava criando – fundamentalmente por meio do influxo semiótico da publicidade e da televisão – uma nova “espécie” de jovens burgueses, que chamou de “os sem futuro”: jovens com uma acentuada “tendência à infelicidade”, com pouca ou nenhuma raiz cultural ou territorial, e que estavam assimilando, sem muita distinção de classe, os valores, a estética e o estilo de vida promovidos pelos novos “tempos do consumo”.
 Quarenta anos depois, outro inquieto intelectual de Bolonha – o filósofo e teórico dos meios de comunicação Franco “Bifo” Berardi – acha que o sombrio diagnóstico de Pasolini tornou-se profético, diante da situação de “precariedade existencial” e aumento de transtornos mentais que as mudanças neoliberais provocaram.Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é hoje a segunda causa de morte entre jovens e crianças – a grande maioria do sexo masculino – entre 10 e 24 anos. Do mesmo modo, a depressão – patologia emocional mais presente no comportamento suicida – será em 2020 a segunda forma de incapacidade mais recorrente no mundo.
Neoliberalismo, assexualidade e desejo de morte | A Estátua de Sal

sábado, janeiro 28, 2017

Trump, o rei dos tempos modernos

Foto de Antonio Antunes.
António Antunes, 2017, Janeiro


Todas as suas declarações e medidas são quase sem excepção inaceitáveis numa sociedade democrática, e não adianta dizer que tudo foi sufragado pelo “povo” em eleições. Uma democracia, vale a pena estar sempre a repeti-lo, não é apenas o voto – é também os procedimentos e o primado da lei. O modo como fala de deportar os ilegais só pode ser feito com um enorme reforço policial e campos de concentração. E depois onde é que os deixam? Na fronteira com o México? Atiram-nos ao mar para eles regressarem à Síria ou ao Brasil? Deportar dois milhões de pessoas não tem precedente desde a Segunda Guerra e não pode ser feito em tempo de paz sem uma mudança estrutural do Estado, tornando-o um Estado policial. O modo como fala da tortura viola várias convenções sobre a guerra e as declarações de direitos humanos que os EUA assinaram, para além de que qualquer militar lhe dirá que isso expõe os soldados americanos ao mesmo tipo de práticas. As guerras não são só com o ISIS, que não conhece qualquer regra, mas com outros inimigos, que estarão agora à vontade para aplicar aos americanos os mesmos métodos. A Administração Trump ficará igual aos torcionários argentinos e brasileiros.
Pacheco Pereira, 2017, Janeiro 


Trump, o rei dos tempos modernos - PÚBLICO

segunda-feira, janeiro 23, 2017

El derecho a leer | R. Stallman

 Resultado de imagem para stallman
Más tarde Dan descubrió que había habido un tiempo en el que todo el mundo podía ir a una biblioteca y leer artículos, incluso libros, sin tener que pagar. Había investigadores que podían leer miles de páginas sin necesidad de becas de biblioteca. Pero desde los años noventa del siglo anterior, tanto las editoriales comerciales como las no comerciales habían empezado a cobrar por el acceso a los artículos. En 2047, las bibliotecas que ofrecían acceso público y gratuito a los artículos académicos eran ya solo un vago recuerdo.
A ler -um belo texto de R. Stallman (1997), relembrado em 2017 Julio A. Alvarado. E a pensar.

Começa assim:



De El camino a Tycho, una colección de artículos sobre los antecedentes de la Revolución Lunar, publicado en Luna City en 2096.
El derecho a leer | Universo Abierto

El derecho a leer | R. Stallman

 Resultado de imagem para stallman
Más tarde Dan descubrió que había habido un tiempo en el que todo el mundo podía ir a una biblioteca y leer artículos, incluso libros, sin tener que pagar. Había investigadores que podían leer miles de páginas sin necesidad de becas de biblioteca. Pero desde los años noventa del siglo anterior, tanto las editoriales comerciales como las no comerciales habían empezado a cobrar por el acceso a los artículos. En 2047, las bibliotecas que ofrecían acceso público y gratuito a los artículos académicos eran ya solo un vago recuerdo.
A ler -um belo texto de R. Stallman (1997), relembrado em 2017 Julio A. Alvarado. E a pensar.

Começa assim:



De El camino a Tycho, una colección de artículos sobre los antecedentes de la Revolución Lunar, publicado en Luna City en 2096.
El derecho a leer | Universo Abierto

quarta-feira, janeiro 18, 2017

A bem da incompreensão e da pedagogia, pela Cultura Geral

Convidados: Jorge Silva Melo, Maria ...




Um episódio fascinante de um belo programa, a seguir. Atualmente, sem ser preciso parar a vida em simultâneo para assistir, graças aos recursos tecnológicos do diferido.



Neste dia, bibliotecas, literatura, educação e transformar o destino e os destinos, Maria Emília Brederode Santos, Almeida Faria, Jorge Silva Melo, com Anabela Mota Ribeiro.



Bem hajam.

"Não perceber é a primeira condição para gostar da Arte. Olha, não percebi, vou ver/ler outra vez!" (minuto 2 e tal, Jorge Silva Melo)  
Tão mal-amada e tão preciosa, a incompreensão. Quase tão mal-amada como a sua irmã essencial, a pedagogia - de que também aqui se fala, entre muitas outras coisas, leituras e inquietações.


Curso de Cultura Geral - Episódio 4 - RTP Play - RTP

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Acreditamos se quisermos



Fizeram-nos acreditar que amor mesmo, amor a sério, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram que o amor não é accionado, nem chega com hora marcada.  
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém que entra na nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: nós crescemos através de nós mesmos. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram-nos acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. 
 Fizeram-nos acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.  
Fizeram-nos acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que têm pouco sexo são caretas, que os que têm muito sexo não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não nos disseram que existem muito mais cabeças tortas do que pés tortos. Fizeram-nos acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.  
Ah, também não contaram que ninguém nos vai contar isso tudo. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando estiveres muito apaixonado por ti mesmo, vais poder ser muito feliz e apaixonar-te por alguém. 
Vivemos num mundo em que nos escondemos para fazer amor... enquanto a violência é praticada à luz do dia. 
John Lennon
Fonte: http://lapelaita.tumblr.com/post/48172475063/they-made-us-believe-that-real-love-the-oneTradutor anónimo 

Poema de Janeiro -Álvaro de Campos, 1929

Resultado de imagem para gazetilha alvaro de campos

Álvaro de Campos

GAZETILHA

Dos Lloyd Georges da Babilónia
Não reza a história nada.
Dos Briands da Assíria ou do Egipto,
Dos Trotskys de qualquer colónia
Grega ou romana já passada,
O nome é morto, inda que escrito.

Só o parvo dum poeta, ou um louco
Que fazia filosofia,
Ou um geómetra maduro,
Sobrevive a esse tanto pouco
Que está lá para trás no escuro
E nem a história já historia.

Ó grandes homens do Momento!
Ó grandes glórias a ferver
De quem a obscuridade foge!
Aproveitem sem pensamento!
Tratem da fama e do comer,
Que amanhã é dos loucos de hoje!

s.d.
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).
- 271.

1ª publ. in Presença, nº18. Coimbra: Jan. 1929.

quarta-feira, janeiro 11, 2017

Ladrões de Bicicletas: Todos dias há uma apropriação de valor

"Foi um choque. A empresa, como todas as outras do sector, não está acostumada a que os seus trabalhadores a ponham em tribunal."









Ladrões de Bicicletas: Todos dias há uma apropriação de valor: Não, não vou falar da apropriação da figura do Mário Soares pela direita. Quero contar algo que se passou há pouco tempo. Só para dar a id...

sexta-feira, dezembro 23, 2016

Antes que mais um ano termine

 
A Forma Justa

Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas 
Pelo canto dos espaços e das fontes 
O céu o mar e a terra estão prontos 
A saciar a nossa fome do terrestre 
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia 
Cada dia a cada um a liberdade e o reino 
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa 
E no todo se integra como palavra em verso 
Sei que seria possível construir a forma justa 
De uma cidade humana que fosse 
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco 
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo

Sophia de Mello Breyner Andresen

em 'O Nome das Coisas
"

quinta-feira, dezembro 22, 2016

Pim pam pum! : suplemento infantil do jornal O Século [1925-1940]

Ainda o li, e bem me lembro!

Tempos felizes, em que os jornais se lembravam dos petizes.


"No dia 1 de dezembro de 1925, o jornal O Século dava início à publicação de um suplemento semanal, às 3.ªs feiras, dedicado ao público infantil. Tratava-se doPimPamPum!, que fica agora disponível na Hemeroteca Digital, aqui.

Integrando-se numa tendência comum a grande parte dos jornais importantes nessa segunda década 

do século XX, o PimPamPum tornou-se percursor e em larga medida o modelo e exemplo seguido 
pelos restantes suplementos infantis. Foi também um fenómeno de longevidade, com 2554 números 
editados durante 52 anos, pelo que estamos certos que este título evocará infâncias de várias gerações"

Pim pam pum! : suplemento infantil do jornal O Século [1925-1940

segunda-feira, dezembro 12, 2016

O Livro do Dia - 2ª a 6ª feira, TSF, 6h25, 10h15, 14h50, 20h35



Esta crónica diária e radiofónica de Carlos Vaz marques é uma preciosidade em língua portuguesa.
Hoje, um livro de Isabela Figueiredo



 
O Livro do Dia - "A Gorda", de Isabela Figueiredo

Literacia na saúde - uma biblioteca a construir, para todos os profissionais

Constantino Sakellarides

30.11.2016, Lisboa
Explicou, também, que a literacia na saúde não depende exclusivamente do setor, mas da literacia de um determinado público ou sociedade, de aspetos socioeconómicos e das desigualdades existentes.
Para o orador, é essencial existir uma uniformidade na comunicação entre todos os intervenientes, desde os hospitais até às farmácias. Para que isto seja possível, Constantino Sakellarides defende a ideia de que é necessário existir uma “biblioteca digital ou física”, onde os profissionais possam compartilhar ideias e enriquecer os seus conhecimentos no que se refere à informação e comunicação.

Literacia na saúde em debate

domingo, dezembro 11, 2016

Patti Smith - A Hard Rain's A-Gonna Fall (ceremonia Nobel 2016)





"A Hard Rain's A-Gonna Fall"

Bob Dylan, 1964

Oh, where have you been, my blue-eyed son?
And where have you been my darling young one?
I've stumbled on the side of twelve misty mountains
I've walked and I've crawled on six crooked highways
I've stepped in the middle of seven sad forests
I've been out in front of a dozen dead oceans
I've been ten thousand miles in the mouth of a graveyard
And it's a hard, it's a hard, it's a hard, and it's a hard
It's a hard rain's a-gonna fall.

Oh, what did you see, my blue eyed son?
And what did you see, my darling young one?
I saw a newborn baby with wild wolves all around it
I saw a highway of diamonds with nobody on it
I saw a black branch with blood that kept drippin'
I saw a room full of men with their hammers a-bleedin'
I saw a white ladder all covered with water
I saw ten thousand talkers whose tongues were all broken
I saw guns and sharp swords in the hands of young children
And it's a hard, it's a hard, it's a hard, and it's a hard
It's a hard rain's a-gonna fall.

And what did you hear, my blue-eyed son?
And what did you hear, my darling young one?
I heard the sound of a thunder that roared out a warnin'
I heard the roar of a wave that could drown the whole world
I heard one hundred drummers whose hands were a-blazin'
I heard ten thousand whisperin' and nobody listenin'
I heard one person starve, I heard many people laughin'
Heard the song of a poet who died in the gutter
Heard the sound of a clown who cried in the alley
And it's a hard, it's a hard, it's a hard, it's a hard
And it's a hard rain's a-gonna fall.

Oh, what did you meet my blue-eyed son ?
Who did you meet, my darling young one?
I met a young child beside a dead pony
I met a white man who walked a black dog
I met a young woman whose body was burning
I met a young girl, she gave me a rainbow
I met one man who was wounded in love
I met another man who was wounded in hatred
And it's a hard, it's a hard, it's a hard, it's a hard
And it's a hard rain's a-gonna fall.

And what'll you do now, my blue-eyed son?
And what'll you do now my darling young one?
I'm a-goin' back out 'fore the rain starts a-fallin'
I'll walk to the depths of the deepest black forest
Where the people are a many and their hands are all empty
Where the pellets of poison are flooding their waters
Where the home in the valley meets the damp dirty prison
And the executioner's face is always well hidden
Where hunger is ugly, where souls are forgotten
Where black is the color, where none is the number
And I'll tell and speak it and think it and breathe it
And reflect from the mountain so all souls can see it
And I'll stand on the ocean until I start sinkin'
But I'll know my song well before I start singing
And it's a hard, it's a hard, it's a hard, and it's a hard
It's a hard rain's a-gonna fall.

quarta-feira, novembro 16, 2016

Interessa-me a mistura

A ideia de uma identidade que está completa, formada, não me interessa nada. Interessa-me esta ideia que vem da cosmogonia indígena e que tem uma potência política: o outro não é aquele que nos enfraquece, é aquele que nos fortalece. O movimento de curiosidade dos indígenas em relação ao outro, que é o movimento básico da antropofagia, é o movimento de reconhecer no outro uma força. E isto tem, para mim, uma potência política, hoje, e faz parte da própria ideia de criação. 


Alexandra Lucas Coelho: “Interessa-me a mistura” - PÚBLICO

"Imagine" de John Lennon, versão UNICEF, em Língua Gestual Portuguesa (LGP)


Mesmo na Era Trump, persistiremos :)

sábado, novembro 12, 2016

Nenhuma partilha de saber é pequena demais

Na biblioteca / Manuel António Pina

Na biblioteca


O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,

quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,

em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,

as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.

Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.

Manuel António Pina
Sugestão que a Andante ofereceu em Janeiro de 2007, com  leitura em voz alta pela Cristina. Vejam e oiçam aqui:



porosidade etérea: Sugestão da Andante para esta semana

Election 2016: Exit Polls - The New York Times







Estatísticas muito interessantes. Para ler melhor o mundo.

Election 2016: Exit Polls - The New York Times

quarta-feira, novembro 02, 2016

Língua portuguesa, línguas portuguesas



Cançom 'Aló Irmao' do projeto musical Aló Irmao, 

do galego Narf e o guineense Manecas Costa.

Ouvida em Portugal, pelo Youtube, essa nação forasteira sem nações