Mostrar mensagens com a etiqueta Sofia de Melo Breyner. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sofia de Melo Breyner. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, maio 08, 2017

Escrito no ar, transcrito por Sophia

Resultado de imagem para lojas que dizer da direita sophia

Nestes Últimos Tempos 

Nestes últimos tempos é certo a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças.

Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?

Que diremos do lixo do seu luxo —  de seu
Viscoso gozo da nata da vida — que diremos

De sua feroz ganância e fria possessão?.
Que diremos da sua sábia e tácita injustiça

Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?

Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?

Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto

Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?

Sophia de Mello Breyner Andresen
in O Nome das Coisas, publicado pela primeira vez em 1977 

Sophia de Mello Breyner Andresen, "O Nome das Coisas"

sexta-feira, dezembro 23, 2016

Antes que mais um ano termine

 
A Forma Justa

Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas 
Pelo canto dos espaços e das fontes 
O céu o mar e a terra estão prontos 
A saciar a nossa fome do terrestre 
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia 
Cada dia a cada um a liberdade e o reino 
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa 
E no todo se integra como palavra em verso 
Sei que seria possível construir a forma justa 
De uma cidade humana que fosse 
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco 
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo

Sophia de Mello Breyner Andresen

em 'O Nome das Coisas
"

quinta-feira, julho 03, 2014

Herdar a liberdade e a dignidade do ser


"O artista não é, e nunca foi, um homem isolado que vive no alto duma torre demarfim. O artista, mesmo aquele que mais se coloca à margem da convivência, influenciará necessariamente, através da sua obra, a vida e o destino dos outros. Mesmo que o artista escolha o isolamento como melhor condição de trabalho e criação, pelo simples facto de fazer uma obra de rigor, de verdade e de consciência ele irá contribuir para a formação duma consciência comum. Mesmo que fale somente de pedras ou de brisas a obra do artista vem sempre dizer-nos isto: que não somos apenas animais acossados na luta pela sobrevivência mas que somos, por direito natural, herdeiros da liberdade e da dignidade do ser."
Sophia

segunda-feira, outubro 31, 2011

Zona de conforto??


Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia 
Até a voz do mar se torna exílio 

E a luz que nos rodeia é como grades

 
Sophia de Mello Breyner, Exílio




Por causa disto



Governo aconselha jovens a emigrarem | agência financeira

«Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras»