quinta-feira, junho 21, 2012

Monitor do MEC, 2012-2013


Foi publicado em 15.06.2012 o Monitor, instrumento de monitorização de medidas tomadas pelo MEC, Ministério da Educação e Ciência de Portugal.
Alguns excertos:

Em curso: Autonomização do Gabinete de Avaliação Educacional. Prevê-se que o GAVE se torne uma entidade autónoma e independente, com competência na avaliação externa da aprendizagem dos alunos, a partir de janeiro de 2013. (p. 4)


- A Iniciar: Programa «O Mundo na Escola»: Através de um conjunto de ações adequadas aos diferentes níveis de ensino, este programa fará chegar a todos conhecimentos, conceitos e obras fundamentais nas várias áreas da ciência e da cultura. Pretende-se: (...) - Aproximar a população escolar das instituições e dos  profissionais que trabalham no domínio da ciência, das artes e da literatura;
O ano letivo 2012/2013 será dedicado à Ciência, prevendo-se nos anos subsequentes dar continuidade ao programa abordando a Literatura, as Artes Plásticas, a Música, entre outras.
A Iniciar: Plano Nacional de Leitura:
- Preparação de uma seleta de clássicos da literatura portuguesa para o ano letivo 2012-2013, em articulação com a Secretaria de Estado da Cultura. Esta será divulgada na Rede de Bibliotecas Escolares e nas Bibliotecas Municipais;
- Seleção de um repertório de filmes a integrar num ciclo de cinema nas escolas dos diferentes níveis de ensino;
- Num trabalho conjunto com a Secretaria de Estado do Mar e com o projeto Portugal Oceano, o PNL dedicará a semana da leitura do ano letivo 2012/2013 ao tema Mar. (p. 8)


- Concluída: Análise da situação financeira da FCCN – Fundação para a Computação Científica Nacional:--Negociação com editoras internacionais dos contratos b-on em vigor, com poupança de cerca de 2 Milhões de Euros de OE em 2012. -- Proposta de um novo processo aquisitivo de conteúdos a serem disponibilizados via b-on a partir de 2013. (p. 13)



Ler mais aqui (17 p.)
Descarregável (pdf).

BIBLIOTECAR: "IMAGINARIA" PASSA A SER TAMBÉM UMA LIVRARIA ONLIN...

BIBLIOTECAR: "IMAGINARIA" PASSA A SER TAMBÉM UMA LIVRARIA ONLIN...: A revista online argentina Imaginaria divulga ativamente a literatura infanto juvenil desde 1999. Agora passou a ser uma 'porta' para a...

Biblioteca Pedro Ivo, Porto

Criada em 1951. Biblioteca Infantil Pedro Ivo (municipal), Porto.
Encerrada em 2001, nunca mais foi biblioteca até 2012
10 anos devoluta, 
enquanto as prioridades municipais eram ocupadas por outras coisas

Ocupada em 2012, limpa, arranjada, equipada e recheada com alguns livros, porta aberta.



Pessoal, os livros da Biblioteca Popular do Porto estão na Polícia Municipal, na Pasteleira. 
Quem tiver possibilidade de os ir buscar, por favor, façam-no, senão o mais provável é acabarem no  EcoPonto ao lado dos "resíduos sólidos" = estantes, cadeiras, sofás...
Por favor, venham rápido 
(mensagem no Facebook, 19.06.2012)

Nos últimos dias, foi ocupada uma pequena biblioteca pública abandonada no jardim do Marquês no Porto. Tanto quanto se pode perceber, o processo é o mesmo usado na Escola da Fontinha: um edifício público devoluto é ocupado pacificamente, não apenas por pessoas mas por actividades próximas às  projectadas originalmente para aquele local. Aulas, actividades recreativas, espaços de leitura, tudo pontuado por assembleias populares.
Desde há anos que se vão fechando escolas, centros de saúde, linhas de comboio, bibliotecas, cinemas, por todo o país mas especialmente nas periferias, argumentado a poupança e racionalização dos recursos, o excesso de despesa pública. O que sobrou é um deserto pontuado por concentrações de recursos aqui e ali, cada vez menos acessíveis a quem viva fora dos centros, tenha menos dinheiro ou disponibilidade para navegar a burocracia toda.

Ler mais aqui:
http://opiniao.porto24.pt/2012/06/20/a-biblioteca-popular-do-marques/


Numa altura em que a crise económica e, bem pior, uma crise identitária de valores se instaura um pouco por todo o mundo ocidental, nesta época de profunda desilusão, desmotivação e agravamento sistemático do poder de compra dos cidadãos e da sua qualidade de vida, urgem movimentos cívicos semelhantes. Os livros, e a sua vertente máxima, a cultura, sempre foram tidos desde a génese da cidade grega como instrumentos de formação cívica, de enriquecimento individual e pessoal.
Encerrar gratuitamente uma biblioteca é um dos actos mais tiranos perpetuados pelo poder instituído.

Ler mais aqui:
http://ressabiator.wordpress.com/2012/06/19/desironizar/

domingo, junho 10, 2012

10 de Junho de 2012. Portugal


"Começa a haver demasiados Portugais dentro de Portugal. Começa a haver demasiadas desigualdades. (...) Há sempre alternativas. A arrogância do pensamento inevtável é o contrário da liberdade. (...) O futuro está numa sociedade que se organiza com base no conhecimento. (...) Ou nos salvamos a nós, ou ninguém nos salva."
António Sampaio da Nóvoa, um quarto de hora de palavras certeiras, lúcidas, portuguesas
Lisboa, 10.06.2012 

sábado, junho 09, 2012

To reach the unreachable star



The Impossible Dream Lyrics - original de 1965. Elvis tem também uma outra inesquecível versão de 1971, disponível no Youtube

To dream the impossible dream
To fight the unbeatable foe
To bear the unbearable sorrow
To run where the brave dare not go

To right the un-rightable wrong
To be better far than you are
To try when your arms are too weary
The reach the unreachable star

This is my quest, to follow that star
No matter how hopeless,
No matter how far
To fight for the right
Without question or pause
To be willing to march into hell
For a heavenly cause

And I know if I'll only be true
To this glorious quest
That my heart will be peaceful and calm
When I'm laid to my rest

And the world would be better for this
That one man scorned and covered with scars
Still strove with his last ounce of courage
To reach the unreachable star

ALL BY MYSELF, EARTHA KITT



Quando lhe perguntam sobre homens e compromisso e amor, o olhar e o riso de Eartha valem tanto como as palavras



Gravação dos finais da década de 1970, interpretando a canção de Eric Carmen

quinta-feira, junho 07, 2012

Mestre


Notícia com humor, daqui 



Ray Bradbury deixou-nos, com 91 anos de idade e incontáveis leitores das suas obras. Inesquecíveis obras. A sua gargalhada, o fino humor, o amor à liberdade e à imaginação sempre me farão pensar melhor e viver melhor.




Desde o seu primeiro livro publicado em Portugal (O Mundo Marciano, na extraordinária coleção Argonauta da Livros do Brasil, 1954) até ao mais recente (creio que  O Regresso das Cinzas, da Europa-América, 2004), sempre teve leitores ávidos de todas as idades, que também acorreram aos filmes e séries televisivas inspirados nas suas obras. 


Brinquedos construídos a partir  do livro.  Daqui

Celebrating a lifetime of wonder and imagination (lema ilustrado no seu website).





quinta-feira, maio 31, 2012

Dia Mundial da Criança, 1 de Junho




O projecto era explicar a crianças entre 4 e 6 anos os direitos da criança segundo a carta das Nações Unidas. O que não era fácil dado a abordagem mental do documento e pouco ajustado à idade dos destinatários.
As fases foram:1. contar como história;2. pedir para fazerem desenho sobre cada um dos aspectos;3. fazer gravação da narração feita pelas crianças.
 
Com base nesse material foi feito um ppt onde foram feitas todas as animações, que em seguida só foi convertido em vídeo com o Camtasia studio. Depois em colaboração com uma escola espanhola convertemos para espanhol e com a narração de uma das minhas netas fizemos em inglês. As três versões tão disponíveis no youtube em: 
PT -http://youtu.be/jcOkhr2kzc8 EN -http://youtu.be/-45NCBQijcc

(Partilhado pelo António dos Reis no Facebook, no grupo E-Learning Gurus-Portugal)

Iela Mari

terça-feira, maio 29, 2012

Pela capa vive o livro


Maravilhoso blogue, de Jorge Silva, que enceta um novo projecto, Living Dead Covers, com a sua colecção de imagens de capas de livros fantásticos. Capas fantásticas a não perder! Esta é de Miguel Flávio, para a Estúdios Cor.


http://livingdeadcovers.wordpress.com/#

Jorge de Sena na voz de Mário Viegas



Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya


Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso. 
É possível, porque tudo é possível, que ele seja aquele que eu desejo para vós. 
Um simples mundo, onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém de nada haver que não seja simples e natural.  
Um mundo em que tudo seja permitido, conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer, o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.  
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto o que vos interesse para viver. 
Tudo é possível, ainda quando lutemos, como devemos lutar, por quanto nos pareça a liberdade e a justiça, ou mais que qualquer delas uma fiel dedicação à honra de estar vivo.  
Um dia sabereis que mais que a humanidade não tem conta o número dos que pensaram assim, amaram o seu semelhante no que ele tinha de único, de insólito, de livre, de diferente, e foram sacrificados, torturados, espancados, e entregues hipocritamente â secular justiça, para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»  
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento, a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas à fome irrespondível que lhes roía as entranhas, foram estripados, esfolados, queimados, gaseados, e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido, ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória. Às vezes, por serem de uma raça, outras por serem de urna classe, expiaram todos os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência de haver cometido.
Mas também aconteceu e acontece que não foram mortos. Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer, aniquilando mansamente, delicadamente, por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.  
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror, foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha há mais de um século e que por violenta e injusta ofendeu o coração de um pintor chamado Goya, que tinha um coração muito grande, cheio de fúria e de amor. 
Mas isto nada é, meus filhos. Apenas um episódio, um episódio breve, nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis) de ferro e de suor e sangue e algum sémen a caminho do mundo que vos sonho.  
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la. É isto o que mais importa - essa alegria. 
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto não é senão essa alegria que vem de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém está menos vivo ou sofre ou morre para que um só de vós resista um pouco mais à morte que é de todos e virá.  
Que tudo isto sabereis serenamente, sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição, e sobretudo sem desapego ou indiferença, ardentemente espero. Tanto sangue, tanta dor, tanta angústia, um dia - mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga - não hão-de ser em vão. 
Confesso que multas vezes, pensando no horror de tantos séculos de opressão e crueldade, hesito por momentos e uma amargura me submerge inconsolável.  
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam, quem ressuscita esses milhões, quem restitui não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?  
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes aquele instante que não viveram, aquele objecto que não fruíram, aquele gesto de amor, que fariam «amanhã».  
E  por isso, o mesmo mundo que criemos nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa que não é nossa, que nos é cedida para a guardarmos respeitosamente em memória do sangue que nos corre nas veias, da nossa carne que foi outra, do amor que outros não amaram porque lho roubaram.

dito por Mário Viegas
música de fundo Luís Cília

domingo, maio 27, 2012

E todavia, a Primavera insiste



15 de novembro
As paixões dormem, o riso postiço creou cama, as mãos habituaram-se a fazer todos os dias os mesmos gestos. A mesma teia pegajosa envolve e neutralisa, e só um ruido sobreleva, o da morte, que tem deante de si o tempo ilimitado para roer. Há aqui odios que minam e contraminam, mas como o tempo chega para tudo, cada anno minam um palmo. A paciencia é infinita e mete espigões pela terra dentro: adquiriu a côr da pedra e todos os dias cresce uma polegada. A ambição não avança um pé sem ter o outro assente, a manha anda e desanda, e, por mais que se escute, não se lhe ouvem os passos. Na aparencia é a insignificancia a lei da vida; é a insignificancia que governa a villa. É a paciencia, que espera hoje, amanhã, com o mesmo sorriso humilde:--Tem paciencia--e os seus dedos ageis tecem uma teia de ferro. Não há obstaculo que a esmoreça.--Tem paciencia--e rodeia, volta atraz, espera anno atraz d'anno, e olha com os mesmos olhos sem expressão e o mesmo sorriso estampado. Paciencia... paciencia... Já a mentira é d'outra casta, faz-se de mil côres e toda a gente a acha agradavel.--Pois sim... pois sim... Não se passa nada, não se passa nada. Todos os dias dizemos as mesmas palavras, cumprimentamos com o mesmo sorriso e fazemos as mesmas mesuras. Petrificam-se os habitos lentamente acumulados. O tempo moe: moe a ambição e o fel e torna as figuras grotescas.

Raul Brandão, Humus (1ª ed. lISBOA, 1917)

in Projeto Gutenberg


sábado, maio 26, 2012

Autoedição, the real thing?


Dos mais de 3,1 milhões de títulos editados em 2010 nos Estados Unidos, 90 por cento foram edições não-tradicionais destinadas unicamente à Internet. E alguns novos autores que optaram por editar directamente as suas obras em versões para o Kindle conseguiram vender mais de um milhão de exemplares. O que significa que também no mundo da edição estamos a assistir à desconstrução da tradicional cadeia de valor e à emergência de novos modelos mais flexíveis, dinâmicos e em rede. Uma revolução está em curso.


José Afonso Furtado, 29.11.2011
Ler mais aqui

No pity, but respect



“People are wrong when they think that an unemployed man only worries about losing his wages; on the contrary, an illiterate man, with the work habit in his bones, needs work even more than he needs money. An educated man can put up with enforced idleness, which is one of the worst evils of poverty. But a man like Paddy, with no means of filling up time, is as miserable out of work as a dog on the chain. That is why it is such nonsense to pretend that those who have 'come down in the world' are to be pitied above all others. The man who really merits pity is the man who has been down from the start, and faces poverty with a blank, resourceless mind.” 

(George Orwell, Down and Out in Paris and London)



Não queremos piedade, exigimos respeito


Está errado quem pensar que um homem desempregado só se preocupa com a perda dos seus salários; pelo contrário, um homem iletrado, com o hábito do trabalho enraizado, precisa de trabalho ainda mais do que precisa de dinheiro. Um homem culto pode aguentar a inatividade forçada, que é um dos piores males da pobreza. Mas um homem como Paddy, sem meios para preencher o seu tempo, é tão miserável sem trabalho como um cão acorrentado. É por isso que é um disparate tamanho pretender que os caírem em desgraça são, entre todos, os mais dignos de piedade. O homem que é realmente digno de pena é o homem que esteve por baixo desde sempre e que encara a pobreza com um espírito vazio e sem recursos.

(George Orwell, Down and Out in Paris and London)

Retirado (citação e imagem), do blog Abrupto (21.5.2012) daqui

sexta-feira, maio 25, 2012

Efeito placebo

Por detrás das grandes marcas há sempre grandes expetativas.




Vem este video a propósito de um livro que aderiu ao Facebook, aqui.
Marcas, literacias, e as coisas do nosso dia-a-dia.
E a naturalidade com que as redes sociais fornecem meios para difusão e promoção de obras e ideias, todos os dias. Longe vão os tempos do espanto com a difusão pela internet de capítulos inteiros por Stephen King ou Paulo Coelho? Não, foram menos de 10 anos...

“(…) sugiro que o estimado leitor vista comigo a bata branca do clínico e encare por hora os seus produtos como medicamentos. Em qualquer dos casos os respetivos consumos enquadram-se sempre no pressuposto de uma contrapartida utilitária, ainda que subjetiva.” (p. 65)

terça-feira, maio 22, 2012

O desemprego tem rosto


Há blogs que nos redimem,. Este, começado em Portugal no dia 1 de maio de 2012, é um deles.


Para lá de números ou estatís­ti­cas, é de pes­soas que falamos quando o assunto é o desem­prego.
Com iní­cio no dia 1 de Maio, este pro­jecto fotográ­fico com a duração de 365 dias tem o objec­tivo de mostrar 365 ros­tos. Com dig­nidade. Uma pes­soa por dia.
Estas são algu­mas das caras reais do desem­prego em Por­tu­gal.
Fotografia: Daniel Rocha

domingo, maio 20, 2012

BANZAI



Duas  revistas originais,  Banzai  e Waribashi, para o público em geral e para os amantes de BD, anime e manga em especial.



Uma criatura emergente NCreatures, que a si mesma se apresenta como "produtora de conteúdos" e também faz convites para lançamento de livros, como qualquer editora...


Para ler e seguir, a seguir, já a seguir...

sexta-feira, maio 18, 2012

Fotograma de Uma abelha na chuva, filme de Fernando Lopes a partir do romance de Carlos de Oliveira

Fruto


foto Jose Sousa Dias, 2011


Por um desvio semântico qualquer, que os filólogos ainda não estudaram, passámos a chamar manhã à infância das aves. De facto envelhecem quando a tarde cai e é por isso que ao anoitecer as árvores nos surgem tão carregadas de tempo.






Carlos de Oliveira, in "Sobre o Lado Esquerdo", 1968

sexta-feira, maio 04, 2012

TEMOS UM PROBLEMA

Atenta Inquietude: TEMOS UM PROBLEMA:
Numa roda de colegas na sala de professores, dizia a Sara em tom preocupado:


Temos um problema, perguntei ao Fábio que faria ele se quisesse ir para casa e estivesse a chover, respondeu que atirava as nuvens ao chão para parar a chuva. Perguntei-lhe também o que faria se ficasse sozinho em casa. Disse-me que com uma escavadora deitava a casa abaixo e já não ficava lá sozinho. Ainda lhe perguntei que se tivesse pressa para ir para casa o que faria. Imaginem que me respondeu que iria a cavalo. Na verdade, temos um problema.

O Professor Velho, o que está na biblioteca, a olhar para o vapor que saía da inseparável chávena de chá, comentou como quem pensa alto:

Esses problemas, às vezes têm nome, chamam-se Mozart ou Einstein ou Beethoven ou Picasso ou … tantos outros problemas. Outras vezes esses problemas chamam-se só “mais um miúdo espertíssimo que passou pela escola e não fez nada de jeito”.

Eles têm um problema maior, concluiu o Velho ainda a olhar para o chá...

quinta-feira, maio 03, 2012

Palavra





9
O diálogo? Que diálogo pode haver entre o condenado à morte e o carrasco que o conduz ao patíbulo? O diálogo é entre amantes, entre amigos, entre camaradas. Fora disso não há diálogo. Tens a palavra, explorado.

Lisboa, 25 de Maio de 1982

António José Forte, in 
Teses sobre a visita do papa

terça-feira, maio 01, 2012

May Day 2012


May Day 2012, upload feito originalmente por hughillustration.

No shopping. No work. Occupy everywhere.
Não fazer compras. Não ir trabalhar. Ocupar em toda a parte.

sexta-feira, abril 27, 2012

Luz

Foto Javier Ortega (Chile, 2012)


Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumiére
just a little light
una piccola…em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a advinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça
Brilhando indefectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
Indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
Como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
No meio de nós.
Brilha.



Jorge de Sena
in FIDELIDADE, 1958

(ao Miguel Portas, 2012)

quinta-feira, abril 26, 2012

Exemplar, meu caro Jorge



Donos de Portugal, dir. Jorge Costa. Quase 50 min.
Documentário realizado para televisão. Lisboa, 2012
1º emissão RTP2, 25.04.2012, 01:20

terça-feira, abril 24, 2012

Fundação José Saramago lança revista literária digital | iOnline

Fundação José Saramago lança revista literária digital | iOnline

Miguel


Miguel
serena lucidez
grão do tempo
subitamente ausente.

Nenhum de nós queria acreditar em menos
que um milagre
que nos poupasse à tua partida
à face dolorosa do privilégio de te conhecer
no coração
lugar de valor e de coragem
alegria
à esquerda.

Duo, com voz


Pat Metheny & Antonio Carlos Jobim

Há pessoas assim. Pessoas que fazem tudo o que está ao alcance delas para ajudar os outros a ser felizes. O capitão de Abril, Salgueiro Maia, foi, sem dúvida, um herói que ajudou a escrever a História recente do nosso país. Já tinhas ouvido falar dele?
Texto de Gi Negrao aqui

quarta-feira, abril 11, 2012

Voz da luta



Acusam-me de mágoa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos
não fosse carne vossa, homens dispersos,
e a minha dor a tua, pensamento.

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
quando a luz que não nego abrir o escuro
da noite que nos cerca como um muro,
e chegares a teus reinos, alegria.

Entretanto, deixai que me não cale:
até que o muro fenda, a treva estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.

A minha voz de morte é a voz da luta:
se quem confia a própria dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança

Carlos de Oliveira

domingo, abril 08, 2012

Acapulco


Banda do Ateneu Artístico Vilafranquense
Maestro Décio Gonçalves
25.04.2010

Em breve em edição discográfica :). O trompetista é  João Raquel, e alegra a alma.

sábado, abril 07, 2012

Desejos


Desejo a vocês... 

Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade 

Pequenos deuses caseiros


Poema de Sidónio Muralha
Cantado por Manuel Freire

Pequenos deuses caseiros
que brincais aos temporais,
passam-se os dias, semanas,
os meses e os anos
e vós jogais, jogais
o jogo dos tiranos.
o jogo dos tiranos.
o jogo dos tiranos.

Pequenos deuses caseiros
cantai cantigas macias
tomai vossa morfina,
perdulai vossos dinheiros
derramai a vossa raiva
gozai vossas tiranias,
pequenos deuses caseiros.
pequenos deuses caseiros.

Erguei vossos castelos
elegei vossos senhores
espancai vossos criados,
violai vossas criadas,
e bebei,
o vinho dos traidores
servido em taças roubadas
servido em taças roubadas

Dormi em colchões de pena,
dançai dias inteiros,
comprai os que se vendem,
alteai vossas janelas,
e trancai as vossas portas,
pequenos deuses caseiros,
e reforçai, reforçai as sentinelas.
e reforçai, reforçai as sentinelas.
e reforçai, reforçai as sentinelas.
e reforçai, reforçai as sentinelas  

Felicidade


Helen Shapiro
Walking back to happiness, 1961. Letra aqui

Versão de 1970 aqui

quinta-feira, março 22, 2012

Moebius


Jean Giraud Moebius

MONSTRA na Gulbenkian, Lisboa

A MONSTRA na Gulbenkian - Animação e música from Descobrir - FCG on Vimeo.



Ciclo de cinema realizado em parceria com a MONSTRA - Festival de Animação de Lisboa
A relação entre a música e o cinema de animação é o tema central do programa que a MONSTRA concebeu especificamente para o programa Descobrir. 
Os filmes escolhidos foram organizados em quatro sessões e são representativos da multiplicidade de abordagens ao universo proposto. Seja partindo de obras musicais existentes, seja resultando de um estreito trabalho em parceria, os filmes ultrapassam a "simples" ilustração das músicas ou das partituras, para reinterpretarem e repensarem o discurso musical acrescentando-lhe uma nova dimensão artística e autoral. 
De 22 a 24 de março de 2012. Edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian
Para mais informações clique aqui - descobrir.gulbenkian.pt/index.php?article=4901&visual=2. 

quarta-feira, março 21, 2012

Trans-leitura



Los peligros de leer / Os perigos de ler
¿En qué consisten estos peligros? Casi podrían ponerse en una lista, cosa que no vamos a hacer aquí, porque ya lo hace el libro y mejor de lo que podríamos siquiera insinuar. Pero algunos de estos peligros pueden ser elocuentes. Veamos. 

"Leer es demorarse", cosa nada recomendable en una época que nos lleva de un sitio para otro sin que muchos de estos lugares nos inviten a permanecer en ellos.
Y, además, eso comporta otro riesgo, que es el de encontrarse: "desde luego, con los otros y, si se persiste, consigo". Por eso, para leer, hay que estar dispuesto a hacer la experiencia de la hospitalidad: "la que permite el acceso, la entrada, la irrupción, la participación", nada menos.

Y leer, además, exige estar dispuesto a "pensar más, para pensar mejor, de otro modo". Pero, sobre todo, leer implica estar a punto para "dejarse decir": para que algo nos llegue de fuera y se nos meta dentro, para convertirse, talvez, en algo más nuestro que lo que, antes de leer, era nuestro. Y así, llegar a ser algo que no éramos gracias a esa irrupción, en nosotros, de algo de lo que ya no podremos prescindir.

Xavier Antich (2012)

Ler mais aqui


Ler é pois experimentar tal hospitalidade, devagar. Arriscar correr estes e outros perigos. Correr o risco de ser transformado, descobrindo-se outro em si mesmo, e outro absolutamente imprescindível.

Força



Sérgio Godinho

Dia Mundial da Poesia


LIVRE



(Não há machado que corte
a raíz ao pensamento) [bis]
(não há morte para o vento
não há morte) [bis]
Se ao morrer o coração
morresse a luz que lhe é querida
sem razão seria a vida
sem razão
Nada apaga a luz que vive
num amor num pensamento
porque é livre como o vento
porque é livre
Carlos de Oliveira

Música e voz de 
Manuel Freire (1968)

sexta-feira, março 09, 2012

130 ainda ardem na nossa memória



"No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade estadunidense de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, como redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com muita violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem às mulheres que se manifestaram por condições melhores em 1857. Somente em 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU."

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terça-feira, março 06, 2012