sábado, agosto 18, 2018

Saber ler

 
Apesar de acreditar que a leitura de obras de diversas proveniências cronológicas e geográficas é extremamente útil para a formação de qualquer pessoa e pode de facto contribuir para atenuar fossos, pondo o leitor em contacto com realidades muito diferentes das que habitualmente conhece, isso por si só não basta. É preciso também saber ler de forma despreconceituosa. Se o leitor procura um manual de etnografia que corrobore todas as suas ideias já feitas, é bem possível que esta obra corra o risco de não atenuar qualquer fosso, ou mesmo de desiludir o leitor. Se não for esse o caso, é bem possível que o leitor fique enormemente espantado pela riquíssima imaginação e surpreendentes fantasias nela patentes. Talvez assim ganhe mais consideração por quem a concebeu, e consequentemente pelos descendentes dos povos que a produziram. Afinal, é precisamente pelo seu imaginário maravilhoso que estes contos se tornaram tão conhecidos universalmente.
Hugo Maia, Tradutor 


″É um milagre que 'As mil e uma noites' tenham sobrevivido até hoje″

quinta-feira, agosto 16, 2018

Eros, Tanathos


"Falarei sucessivamente dessas três formas, a saber: o erotismo dos corpos, o erotismo dos corações e, finalmente, o erotismo sagrado. Falarei dessas três formas a fim de deixar bem claro que nelas o que está sempre em questão é substituir o isolamento do ser, a sua descontinuidade, por um sentimento de continuidade profunda".
O Erotismo
Georges Bataille
 erotismo-georges-bataille
imagem daqui

quarta-feira, agosto 15, 2018

Palavras Andarilhas - Agosto de 2018


Beja
Prosseguimos até domingo, em dias intensos, outra vez, de palavra em silêncio, de conversa em partilha. Histórias, e livros, ideias, e exercícios,Inscrição - BOL (gratuita), aqui


Começamos no dia 22, 4ª feira... antecipando o Festival de Narração, ao fim da tarde, Eu conto para que tu sonhes
Certificado das Oficinas (13, a decorrer na 6ª feira e no sábado), cada sessão 90 minutos.
Programa aqui

On the same page = Na mesma página

I'm on the same page.



Em 2018, as Nações Unidas celebram o 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos (10.12.1948) e a Feira de Frankfurt realiza sua 70ª edição. 
Por isso, as duas resolveram juntar-se e lançaram a campanha On The Same Page, que pede que a indústria internacional de livros e media se envolva ativamente na garantia do respeito aos direitos humanos. 
Como os direitos mínimos estão sendo desafiados em várias partes do mundo, a campanha surgiu para mobilizar livreiros e editores em todo o mundo e garantir que estão todos “na mesma página”. 
Para participar, os livreiros são convidados a montar exposições de livros selecionados, enquanto os editores podem organizar leituras e eventos dedicados ao tema dos direitos humanos. O apelo para aderir estende-se a autores, tradutores, ilustradores, poetas, blogger, humoristas... e todos os visitantes da Feira.
Disponibiliza-se um banner (ver imagem) em inglês e alemão.
A campanha nas redes sociais começa em Setembro e diversos eventos sobre o tema estão sendo preparados para a Feira de Frankfurt. 
Se quiserem aderir, basta registar-se com um email para samepage@book-fair.com.
Ler mais aqui
A história do documento em pouco mais de 6 minutos; falado em inglês, com legendas em inglês, e possibilidade de tradução automática das legendas para muitas línguas:

sexta-feira, agosto 10, 2018

TER TEMPO E PENSAR - CONTRA O INEVITÁVEL, BUSCAR O IMPREVISÍVEL

 
A solidariedade é a maior ameaça para o capitalismo financeiro. A solidariedade é o lado político da empatia, do prazer de estarmos juntos. E quando as pessoas gostam mais de estar juntas do que de competir entre si, isso significa que o capitalismo financeiro está condenado. Daí que a dimensão da empatia, da amizade, esteja a ser destruída pelo capitalismo financeiro. Mas atenção, não acredito numa vontade maléfica. O que me parece é que os processos tecnológico e econômico geraram, simultaneamente, o capitalismo financeiro e a aniquilação tecnológica digital da presença do outro. Nós desaparecemos do campo da comunicação porque quanto mais comunicamos menos presentes estamos – física, erótica e socialmente falando – na esfera da comunicação. No fundo, o capitalismo financeiro assenta no fim da amizade. Ora, a tecnologia digital é o substituto da amizade física, erótica e social através do Facebook, que representa a permanente virtualização da amizade. Agora diz-se que é preciso “consertar o Facebook”. O problema não está em “consertar” o Facebook, mas sim em ‘consertarmo-nos’ a nós. Precisamos de regressar a algo que o Facebook apagou.
O pensamento crítico pode ajudar a “consertarmo-nos”?
Não há pensamento crítico sem amizade. O pensamento crítico só é possível através de uma relação lenta com a ciência e com as palavras. O antropólogo britânico Jack Goody explica na sua obra “Domesticação do Pensamento Selvagem” que o pensamento crítico só é possível quando conseguimos ler um texto duas vezes e repensar o que lemos para podermos distinguir entre o bem e o mal, entre verdade e mentira. Quando o processo de comunicação se torna vertiginoso, assente em multicamadas e extremamente agressivo, deixamos de ter tempo material para pensarmos de uma forma emocional e racional. Ou seja, o pensamento crítico morreu! É algo que não existe nos dias de hoje, salvo em algumas áreas minoritárias, onde as pessoas podem dar-se ao luxo de ter tempo e de pensar. 
Franco Berardi 
'O pensamento crítico morreu', afirma o filósofo italiano Franco Berardi - Revista Prosa Verso e Arte



Entrevista completa, aqui (17.06.2018)

Palavras Andarilhas, Beja, 23 a 26 agosto 2018



Programa de truz!

Inscrições abertas!



Palavras Andarilhas

quinta-feira, agosto 02, 2018

Ler é um verbo activo




"Como a Literatura nos transforma", Alberto Manguel
"A literatura pode ser transformadora, mas não necessariamente. Uma pessoa pode ler a Divina Comédia e não sentir nada, entediar-se. Porque o livro que o leitor cria lendo-o é o produto da troca entre essas palavras que estão na página e a experiência íntima do leitor. (...)
A Comédia que eu leio responde a dúvidas secretas, desejos ocultos, paixões não confessadas que estão diante de mim. Então eu respondo à leitura da Comédia que me dá a possibilidade de transformação. Eu me sinto transformado depois da leitura de certos livros. Mas essa transformação ocorre porque, nos elementos que o texto me dá, eu encontrei a matéria para estimular a minha transformação. É um verbo activo o verbo "ler". É um verbo que preciso de um sujeito que quer transformar-se, que busca transformar-se."

segunda-feira, julho 23, 2018

“La lectura obligada para después hacerte un examen sobre el libro:ese tipo de prácticas es lo peor que se puede hacer” - El Diario de la Educación

 
Cristina Novoa, Rede de Bibliotecas Escolares Galega, 2018
Si algo tenemos que hacer los maestros es contribuir a que los chicos salgan del sistema con un dominio suficiente para saber expresarse de manera autónoma, tener sus propios pensamientos y ser capaces de codificar y entender los mensajes que les llegan teniendo una mínima idea, no solo del contenido que tienen, sino de dónde reciben esos mensajes (un periódico, una película, un libro) y qué intereses tienen detrás. Que nadie se sienta manipulado por no tener suficiente dominio del lenguaje oral o escrito. El fomento de la lectura y de la lectura literaria es imprescindible que sea con textos de calidad. Necesitamos textos que nos conformen como personas. Hacerlo con textos banales, que no dicen nada y solo repiten frases estereotipadas o conceptos cómodos para la sociedad o el sistema, tampoco sirve de mucho. Siempre propongo que mejor poquitos libros, bien elegidos y en actividades que sean significativas.
Mantener la curiosidad. Y cuando me refiero a textos también digo el audiovisual. Si una familia en vez de leer está viendo la tele, una serie, hay formas para conseguir una aproximación crítica a esa serie. Luego hay un momento en el que se abandona al crío porque ya sabe leer. Lo que funciona es que hay que seguir acompañando al adolescente en la lectura. No leerle por la noche, no lo va a aceptar, pero sí hablar de libros en casa, igual que se habla de fútbol o de una noticia local. Se puede hablar del último libro que se han leído o por qué han cogido tal libro de la biblioteca. Acudir a la biblioteca, sacarle el carné. Ir a una ciudad y hacer una visita a la biblioteca, ir a la Feria del Libro, que el libro y la lectura estén presenten en la vida familiar igual que otras cosas. Lo que estamos viendo es que los adolescentes necesitan seguir siendo acompañados en compartir experiencia lectora. Hay que hacerlos consumidores activos de lectura. En los regalos que siempre haya un libro y el niño vaya haciendo su biblioteca personal. Nunca obligar a la lectura es una máxima. Todas las actividades que incluyen el vínculo afectivo favorecen lo cultural. Lo que se vive como una obligación no funciona.


Vale mesmo a pena ler toda a entrevista. Fresquinha, fresquinha...

“La lectura obligada para después hacerte un examen sobre el libro: ese tipo de prácticas es lo peor que se puede hacer” - El Diario de la Educación

Qualidade



E quando o poema é bom 
não te aperta a mão: 
aperta-te a garganta


Ana Hatherly

quinta-feira, julho 19, 2018

Leituras obrigatórias

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A propósito de uma discussão efémera sobre a obrigatoriedade da leitura de Os Maias de Eça de Queirós no Ensino Secundário.

As histórias do que lemos e quando são sempre curiosas.

A primeira vez que li Os Maias foi há imensos anos, quase às escondidas. Na época, incentivada por uma frase de grande efeito:"esse não é para a tua idade" (13 anos), seguida de uma outra ainda melhor "isso não é próprio para meninas".. Não há nada como uma beatice para promover a leitura num adolescente... Já agora, não era mesmo para a minha idade, achei-o uma chatice, ao contrário de outros do Eça, como A cidade as serras, ou os Contos...

Depois, com 15 ou 16 anos, li-o com mais gosto, mas mesmo assim sem grande entusiasmo, e com ajuda de professora em sala de aula. O incesto era tabu, nesse tempo, mas por essa altura tive a sorte de a professora de Português e a de Grego falarem uma com a outra, e ambas connosco, e ambas estarem disponíveis para nos escutarem. E ambas terem lido o livro, e muitos outros livros.

Mas quando o entendi melhor foi quando tive de reler para o ensinar a alunos adultos, num curso noturno, tinha eu 18 anos, e todos eles muitos mais - ajudou imenso imaginarmos a história num filme, e claro que descobri que a idade interessa para apreciar o romance. As palavras saltaram do livro para a nossa voz, e foi um prazer que ainda recordo, grata. Mais tarde, o Botelho fez o filme. Ou fez um dos filmes possíveis. Não vi, acredito que será bom, pelo que me disseram.

Voltei ao livro algumas vezes, e de cada vez reagi de modo diferente. Uma das grandes vantagens dos livros é que alguns - os bons - não são como os iogurtes, e não têm prazo de validade... Como leitora livre, aluna da escola secundária e professora, fui sempre poupada aos resumos para efeitos escolares, até ter que apoiar estudantes em tarefas sujeitas a avaliação. Foi uma trabalheira conseguirmos chegar ao livro propriamente dito... mas os resumos ajudavam imenso a treinar as respostas para exames e testes. Aprendi assim que se pode escrever sobre um livro sem nunca o ter lido. Parecer que se leu - na verdade, lemos outra coisa, a versão do livro, uma imagem numa fotografia de alguém que nunca conhecemos.
O Eça, hoje, faria disto um romance, inventava uma casa de espelhos e traria para papel as dores e os amores da gente real. De tal modo o escreveria, que o leríamos, não por estar numa lista de obrigações, mas porque a vida nos obriga a procurar compreender, sentir e imaginar. Uma empresa diária, em que contamos com ajudas - por exemplo, dos bons livros, acessíveis no momento certo, é da nossa disponibilidade interior para nos encontrarmos com eles, e neles.

quarta-feira, julho 18, 2018

João



https://www.esquerda.net/artigo/joao-semedo-1951-2018/55728

Dois dias de silêncio, entre as notícias dos écrans. Mágoa, saudade.
Gratidão.
Amanhã, recomeçamos a memória e a História, como quem somos.

terça-feira, julho 03, 2018

Ali à meia laranja


Lisboa, a dos punhais, na voz e no saber inesquecíveis de José Manuel Osório.
Fado de José Luís Gordo e Joaquim Campos, 1988

domingo, julho 01, 2018

Escrever é lutar

Foto de Helena Pato.

José Manuel Tengarrinha é um dos mestres a quem estou grata, e por isso hoje cumpre-me recordá-lo.

Esta entrevista, de 1975, é uma leitura útil para pensarmos a nossa História e e afinarmos a pontaria nas lutas pela libertação do povo, pelo povo e com o povo. Não sei se está fora de moda, nem isso importa - o conhecimento ajuda sempre a mudar o modo de pensar e de agir, que é o que transforma a vida e o mundo. O modo, e não as modas.
Assis Pacheco, optimista, vaticinava nesta entrevista, em pleno período revolucionário após o 25 de abril, que o ensino da História daria aos jovens mais ferramentas para entender esta mensagem e intervir em conformidade - falava ele num futuro de 10, 15 anos... 43 anos depois da entrevista, enfrentamos um dos maiores desafios na luta pela democracia e pelo pensamento crítico - a redução do ensino das Humanidades nas escolas, incluindo o estudo do passado histórico e o aprofundamento da Filosofia. 


Entrevista com referência à cultura do século XIX; experiência da criação do Centro de Estudos do Século XIX do Grémio Literário; processo de criação do livro "A Revolução de 1820"; a relação entre a Revolução de 1820 e a Revolução de 1974, Tengarrinha clarifica que sem igualdade e justiça social a liberdade política não vale.
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/jose-tengarrinha/

Na peça, disponível no abençoado Arquivo RTP, serviço público de que beneficiamos, Fernando Assis Pacheco introduz alguns dados biográficos, nomeadamente o facto de José Tengarrinha ser natural de Portimão e ter 42 anos de idade; licenciado em Histórico-Filosóficas; a ligação ao MUD Juvenil; prisão por motivos políticos por quatro vezes e candidato em 1969 e 1973 pelo Movimento Democrático Português MDP/CDE a deputado à Assembleia Nacional; chefe de redacção do "Diário Ilustrado"; membro da Comissão Central do MDP e membro do Conselho Mundial da Paz; recebe o prémio "Rodrigues Sampaio" pela Associação de Jornalistas do Porto, por um estudo sobre o jornalista Rodrigues Sampaio; publicou a "História da Imprensa Periódica Portuguesa", "A novela e o Leitor Português" e "A Revolução de 1820". 

quarta-feira, junho 13, 2018

Cidades com cabeça e coração, precisam-se

ENTREVISTA

Estado coloca à venda terrenos da ex-Lisnave no início de 2019

Miguel Cruz, presidente da Parpública, holding que agrega várias participações e activos imobiliários do Estado, diz que no primeiro trimestre do próximo ano serão colocados à venda os 630 mil metros quadrados de área de construção ligados à Margueira, na margem sul do Tejo.


Desafiada pelos jornais de agora, páro para pensar no que aí vem, e no que podemos fazer para que seja melhor e diferente do que temos tido. Moro na Grande Lisboa. Habito uma parte do planeta em que se antevê a aplicação de capitais financeiros vultuosos para construção em áreas significativas sem que o cidadão comum perceba que resultado desenhamos para essa enorme cidade que o Tejo marca, até ao mar. Das antigas Escolas da Armada (Vila Franca de Xira até à antiga Lisnave (Almada), passando pela antiga Feira Popular e a parte poente de Marvila (Lisboa), o previsto novo aeroporto (Montijo) e ainda por projetos no arco ribeirinho que inclui a antiga Lisnave (Barreiro, Almada, Seixal).

Quando começaremos a ser capazes de imaginar desenvolvimento do território sem ser apenas com betão e mais betão? E a conseguir que a cidade seja um projeto das pessoas e com elas, ouvindo os cidadãos, os seus medos e desejos, ou seja... democrático? Em vez de um território de torneio entre interesses restritos de produtos "do costume" (prédios e mais prédios, em vez de, por exemplo, jardins, ambos produtos de atividades económicas,. e geradores de criação, produção, fruição...).

Mais uma vez, discutindo cidades, desenhamos o território, mas o maior desafio é a democracia e a cultura democrática, esse terreno de labor a longo prazo em que os livros nos ajudam e a leitura é essencial.

Leitura útil destes dias : 

Wook.pt - A Cidade na Encruzilhada
João Seixas, A cidade na encruzilhada : repensar a cidade e a sua política. Edições Afrontamento, 2013.  https://www.wook.pt/.../a-cidade-na-encruzilhada.../15248870
Existe nas Bibliotecas de Vila Franca de Xira
Recomendo ainda a rcensão de Simone Tulumello, 2013, aqui , que, descrevendo de forma clara o conteúdo da obra,  vai mais longe, e interpela autores e leitores :
"Ao mesmo tempo em que se reformava a máquina administrativa utilizando alguns dos princípios delineados neste livro (principalmente descentralização e qualificação), as políticas urbanas aplicadas no contexto da crise privilegiavam a competitividade sobre a coesão e até fomentavam a apropriação de algumas práticas participativas para agendas de caráter neoliberal (Tulumello, 2015). Será que a reinvenção da governação, se não for acompanhada por uma clara visão política de cariz progressista (ou até radical?), pode resultar na exaltação das mesmas tendências que quer contrastar? "
"O papel dos movimentos sociais, por exemplo, e mais em geral das críticas de ordem estrutural à hegemonia do sistema neoliberal é deixado numa posição marginal no livro: será, enfim, que a reinvenção da política na cidade é possível no quadro das estruturas presentes? Esta pergunta não tem resposta no livro. Por um lado o «otimismo da prática» de Seixas parece sugerir que sim, será possível, sobretudo pela capacidade das cidades se organizarem em torno de visões construídas de forma deliberativa. Por outro lado, porém, os desafios levantados ao longo do texto podem sugerir que a mudança necessária é de ordem mais estrutural (uma nova hegemonia cultural e económica). É nesta encruzilhada, a meu ver, que o debate sobre o futuro da democracia urbana se irá desenvolver nos próximos tempos." (p. 4)
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sábado, junho 02, 2018

Parar. Pensar


Pensar, como hervir un huevo, es algo que se debe parar en cierto momento, porque, si no, sale un huevo duro. También es contraproducente pensar más allá de donde puede llegar el pensamiento.
Lo racional es instrumental. Manipular la realidad no es entenderla, ni aceptarla, ni tiene nada que ver con las emociones, la creatividad o la intuición. Todo eso queda fuera de lo racional. Sólo los científicos mediocres creen que con la razón se debe solucionar todo; los competentes saben hasta dónde puede llegar la razón y no intentar aplicarla a todo, ni pretender que lo que no es racional no existe.
Se dice que fue Parménides el que inició el descarrío al decir que la realidad es racional y, algo aún peor, que lo que está cambiando no es real, y sólo es real lo fijo. Ahí se extravió el pensamiento occidental, que aún no ha rehecho el camino.Heráclito es el único que no se perdió como los que confundieron la fijeza de las palabras con la fijeza de la realidad. Las palabras son una foto fija, pero la realidad que intentan representar es una película, un flujo en movimiento. No puedes bañarte dos veces en el mismo río pero puedes usar mil veces la misma palabra o lo que ella representa, un mismo concepto. Pensamos linealmente (en silogismo: si A es B y B es C, ergo A es C) y hablamos linealmente (sujeto-verbo-predicado) pero la realidad no es lineal, es interrelacionada o matricial y holográfica, y en ella una parte refleja el todo y el todo está en todo; todo influye en todo, está interactuando.
Es hora de estudiar la filosofía occidental no cómo el medio de entender la existencia, sino como otra mitología griega. Panta rei.
Luis Racionero (2018) http://www.lavanguardia.com/opinion/20180504/443216167200/fracaso-de-la-filosofia-occidental.html

Pediu futuro? E tem feito bibliotecas?

Artist’s impression of the design for the children’s area of the Helsinki Central Library.
Image: ALA Architects. 2018
Enquanto as bibliotecas do futuro se tornam alta-tecnologia, parece que também estão a retornar ao conceito de Alexandria sobre o que as bibliotecas devem ser: lugares onde as comunidades se encontram, conversam e conectam. 

While the libraries of the future are going high-tech, it seems they are also returning to the Alexandrian concept of what libraries should be: places where communities meet, talk and connect.

Em Helsínkia (Finlândia), desenvolveu-se um projecto contando com participação dois cidadãos, que definiu o programa da biblioteca e, decorrente disso, o edifício a erguer - o que se concretizou em 2018.  A nova biblioteca pública reflecte um novo pensamento público sobre biblioteca, em que os utilizadores são fazedores activos, mais do que consumidores passivos.
Não tem muito sentido construir um depósito de livros no coração da cidade.  A nova biblioteca oferece serviços tradicionais de biblioteca, como empréstimo de livros, mas também vão ao encontro das necessidades públicas, que evoluem cada vez mais do uso do empréstimo para o fazer. O que exige às bibliotecas oferta de espaços e condições para aprender, trabalhar e praticar diferentes actividades de lazer.  A própria localização, central e perto de duas outras instituições culturais importantes (Museus), junto do Parlamento, reflecte o valor dado à Biblioteca Pública como eixo essencial da democracia e de políticas culturais e de acesso ao conhecimento - para toda a gente.
As pessoas procuram um espaço PÚBLICO culturalmente rico e inovador, gratuito e seguro, com possibilidade para fazer e para trabalhar em rede com outras pessoas, e, claro, com livros e outros materiais para emprestar. E com café!

Ler mais aqui e aqui