terça-feira, março 16, 2021

Pequenos deuses caseiros - Sidónio Muralha, Manuel Freire



Pequenos deuses caseiros
Que brincais aos temporais,
Passam-se os dias, semanas,
Os meses e os anos
E vós jogais, jogais
O jogo dos tiranos.
O jogo dos tiranos.
O jogo dos tiranos.
Pequenos deuses caseiros
Cantai cantigas macias
Tomai vossa morfina,
Perdulai vossos dinheiros
Derramai a vossa raiva
Gozai vossas tiranias,
Pequenos deuses caseiros.
Pequenos deuses caseiros.
Erguei vossos castelos
Elegei vossos senhores
Espancai vossos criados,
Violai vossas criadas,
E bebei,
O vinho dos traidores
Servido em taças roubadas
Servido em taças roubadas
Dormi em colchões de pena,
Dançai dias inteiros,
Comprai os que se vendem,
Alteai vossas janelas,
E trancai as vossas portas,
Pequenos deuses caseiros,
E reforçai, reforçai as sentinelas.
E reforçai, reforçai as sentinelas.
E reforçai, reforçai as sentinelas.
E reforçai, reforçai as sentinelas.
Fonte: Musixmatch
Compositores: Sidonio Muralha / Manuel Freire

domingo, março 14, 2021

segunda-feira, março 08, 2021

PAS ESSENTIEL - Grand Corps Malade (Clip officiel)


Não é essencial
Não é essencial
Não é essencial
Abrace alguém, não essencial.
Abrir um livro, não essencial.
Sorriso sincero, não essencial.
Ir aos concertos, não essencial.
Passear na floresta, não essencial
Dançando à noite, não é essencial.
Encontrar as pessoas, não essencial.
Espetáculo vivo


ÀS MULHERES

sábado, fevereiro 20, 2021

Adult Literacy | Europeana


The rise of literacy in early modern Europe was a result of both the formal education of children and the changing reading habits of adults.


Adult Literacy | Europeana

sábado, fevereiro 13, 2021

Bob Marley - Everything's Gonna Be Alright

BANIR

 


BANIR OU NÃO BANIR O CHEGA


A minha ex-colega na embaixada de Portugal, em Londres, Ana Gomes, pessoa cuja inteligência, energia e coragem muito admiro – tendo um invejável percurso em defesa de grandes causas – fez recentemente uma participação à PGR no sentido de se ilegalizar o CHEGA. O assunto é complexo e o paradoxo democrático que
implica não é de hoje. António Barreto, no Diário de Notícias, classifica expeditamente o acto da diplomata portuguesa, sem a ela explicitamente se referir, como estúpido e irracional. Acho curioso e um bocadinho
bizarro um juízo tão expedito e sumário sobre uma perplexidade que tem preocupado os filósofos desde Platão para cá: a de saber-se se os tolerantes devem ou não tolerar os intolerantes. 

Há quem pense que sim, seja qual for o grau de intolerância, a bem da pureza da democracia. O notável filósofo Karl Popper chamou a isto o “paradoxo da democracia” porque, se por um lado, não aceitar tolerantemente a intolerância dos outros pode ferir a imagem da democracia, por outro, aceitá-la pode levar à morte dela. O problema não é de fácil solução, pelo que não deve ser despachado à pressa, com dois qualificativos injuriosos. No seu notabilíssimo livro – The Open Society and its Ennemies – Popper pronunciou-se, não só do alto da sua imensa cultura filosófica e científica, mas também ao sabor da sua experiência de cidadão germânico que assistiu ao assalto ao poder congeminado pelas hostes de Hitler, que a República de Weimar não quis ilegalizar (mesmo depois de Hitler ter deixado bem claro ao que vinha). A democracia alemã jogou o jogo da democracia impoluta e os nazis aproveitaram-se dessa fraqueza para se alcandorarem ao poder, alterando então as regras para se perpetuarem nele. Ficou-se à espera do “crime cometido” para só então se poder “democraticamente” agir.
Simplesmente, uma vez cometido o crime, já era tarde para o punir e corrigir.

Quando se diz que, só quando o CHEGA cometer um claro atentado violento (“tiros e pistolas”) contra a democracia, se poderá ilegalizá-lo, está-se a escancarar a porta a uma tirania. A verdade, repito, é que o
partido nazi já tinha deixado bem claro ao que vinha, e não me parece particularmente sensato que se tenha
ficado à espera de ele destruir toda a Europa, para, finalmente, se intervir. O CHEGA já deu claramente indícios de que não quer jogar o jogo da democracia e quem não quer jogar segundo as regras do jogo não deve sentar-se à mesa de quem joga. Pode ser que assim, como se diz, a democracia fique ligeiramente imperfeita, mas é preferível ficar com ela imperfeita a assistir ao seu suicídio, a bem da pureza. A perfeição não é deste mundo e eu prefiro
viver com uma democracia um bocadinho imperfeita a cair de novo na ignomínia de um regime regido por um tiranete. Os demagogos intolerantes e famintos de poder fazem-me e sempre me fizeram mau sangue. Como dizia o meu admirado Jean Rostand, grande biólogo, excepcional escritor e admirável pensador aforístico, “há, na intolerância, um grau que confina com a injúria”.

Eugénio Lisboa
Fevereiro 2021

segunda-feira, fevereiro 08, 2021

Um ensaio sobre a imbecilidade: o Brasil atual e a leitura de Ortega y Gasset | Revista Bula




"O conhecimento científico é diariamente desprezado. O homem massa passa a defender que a terra não é redonda; passa a recomendar que não é preciso vacinar crianças e idosos; afirma que o isolamento social em época de Pandemia não tem efeitos no controle de contágio; passa a recomendar, genericamente, tratamentos e medicações ainda não reconhecidos pela sociedade científica, ou seja; resume o conhecimento e evolução científica da humanidade a nada. Cientistas sérios devem estar refletindo de que valeram centenas de anos de estudo, descobrimento, experimento, testes, sucesso e fracasso que levaram à evolução científica?

No campo das relações sociais e da convivência, o homem massa não mais esconde seu preconceito com as diferenças de identidade sexual, raça ou de cor da pele; faz piada com o tamanho de órgãos genitais dos asiáticos; faz piada com a forma de falar português dos chineses e com o tamanho das cabeças dos nordestinos; trata quem pensa diferente como inimigo; exalta a violência; despreza o sofrimento. Celebra-se o confronto, a morte e a desunião.

O modelo de sociedade do homem massa só pode triunfar na violência, na ignorância e na desinformação.

O saber histórico também passa a ser desprezado: para os imbecis não houve holocausto; não houve ditadura; nazismo foi de esquerda e o comunismo está implantado no país.

E a empatia? Aquela capacidade de se identificar com o sofrimento do outro? O imbecil é impermeável à empatia!

O filósofo Emmanuel Levinas prescreveu que, se o homem não caminhasse para uma emergência ética em relação ao outro, estaríamos destinados a viver novamente “tempos bárbaros”, denominados pelo sofrimento e pelo mal impostos de maneira deliberada… parece que não aprendemos nada.

O interessante é que a leitura de Hanna Arendt indica que, de fato, o homem é um ser político e viver em sociedade significaria que tudo deveria ser decidido “mediante palavras e persuasão, e não por força e violência”. O que diria sobre os tempos de hoje?

Na verdade, ela antecipou esse momento lamentável, ao afirmar que “a ausência de pensamento — despreocupação negligente, a confusão desesperada ou a repetição complacente de verdades que se tornaram triviais e vazias” — é uma das“características do nosso tempo”. A filósofa propõe uma solução: “o que proponho, portanto, é muito simples: trata-se apenas de pensar o que estamos fazendo…”

Pensar, portanto, é uma forma de combater o imbecil. O imbecil, já disse Ortega y Gasset, não pensa, não avalia o mundo, suas transformações e os aspectos imanentes dos avanços artísticos, intelectuais e científicos.

O imbecil, assim, está fadado à infantilidade: não consegue evoluir.

A violência cansa; a ciência sempre comprova sua importância; as instituições democráticas — muitas vezes criticáveis — retomam as rédeas de seu destino; o conhecimento avança; as lições do passado sempre serão relembradas.

Nesse momento, quando a centelha da lucidez impactar sobre a sociedade, o imbecil perderá sua força, mostrar-se-á como verdadeiramente é. Será desprezado e será ele mesmo, para seu desespero, exemplo para as gerações futuras, que deverão valorizar o reconhecimento histórico: um exemplo a não ser seguido.

Não há dúvidas, portanto, que se Ortega y Gasset presenciasse a realidade brasileira hoje, seria enfático: vocês estão sendo governados por imbecis!"


Um ensaio sobre a imbecilidade: o Brasil atual e a leitura de Ortega y Gasset | Revista Bula

sábado, janeiro 30, 2021

Una Mujer Inteligente (Gabriel Garcia Márquez)

"Las mujeres inteligentes cuestionan, analizan, discuten,no se conforman, avanzan. Esas mujeres tuvieron vida antes de ti y saben que la seguirán teniendo una vez que tu te hayas ido. Ella está para avisar, no para pedir permiso"
—Gabriel García Márquez–

quarta-feira, dezembro 09, 2020

Sampaio da Nóvoa: O Português como Língua Global – Ler o Mundo em Português

 


LP – Estamos a viver uma crise que parece não ter fim. Quando sentíamos que nada podia parar o desenvolvimento, eis que uma pandemia vem mostrar a nossa fragilidade, a fragilidade do nosso modo de vida. Como enfrentar estes tempos?

SN – Estamos a viver tempos dramáticos. Estamos desorientados, perdidos. Não sabemos como agir, nem o que pensar, mas sabemos que precisamos de mudar de via, como escreveu Edgar Morin, e de vida. O presente já não é o que era, e o futuro muito menos.

Precisamos urgentemente de libertar o futuro, adoptando três caminhos: uma valorização do comum, uma outra relação com o planeta e a participação de todos, incluindo os jovens, na definição do seu futuro. Recentemente, falando na Reunião Mundial da Educação (22 de Outubro de 2020), Angelina Jolie afirmava: “Com a conectividade que temos não há nenhuma razão para que não haja uma conversa nos dois sentidos, entre líderes, educadores e os jovens que são quem conhece os melhores desafios que enfrentam. Da mesma forma que a educação, também a participação é um direito”.

O pior que nos poderia acontecer seria considerar esta pandemia como um parêntesis, como se fosse possível, e desejável, regressar ao “normal” que aqui nos trouxe. Precisamos de libertar o futuro de ideias feitas, de preconceitos, de visões únicas e totalitárias do mundo, de comportamentos que estão a destruir a vida e a humanidade. Para isso, é urgente substituir as certezas pelas dúvidas, dar lugar a conversas plurais. E ninguém pode pensar fora das possibilidades da língua em que pensa, como escreve Vergílio Ferreira. Cultivar e alargar estas possibilidades é abrir a língua aos futuros possíveis e escolher os desejáveis. Porque é na língua que está a liberdade.

Segundo Bernard-Henri Lévy, o século passado ensinou-nos que, quando apostamos na nostalgia, apenas pavimentamos o caminho para o totalitarismo, mas “quando, em vez disso, nos comprometemos a seguir em frente, mergulhar no desconhecido e abraçar a nossa humanidade com todas as suas incertezas, então embarcamos numa aventura verdadeiramente bela e nobre – o próprio caminho para a liberdade”. O nosso futuro comum precisa das línguas, e da língua portuguesa



Sampaio da Nóvoa: O Português como Língua Global – Ler o Mundo em Português

sábado, novembro 28, 2020

Sei um ninho

 


Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...  

Miguel Torga

quarta-feira, novembro 18, 2020

Fluir nº 6 - Novembro 2020

(a imagem da revista, de apuro gráfico assinalável, não é reproduzível: ide ler.
Fluir nº 6 - Novembro 2020

Tema Fronteiras
Dir. José Pacheco
Ed. apenas digital

A fruir!

terça-feira, novembro 10, 2020

sexta-feira, outubro 30, 2020

Pepe Mujica, Grandeza

 


Fazer política é procurar construir felicidade para todos.

Triunfar na vida não é ganhar, é recomeçar.

Pepe Mujica, 28.10.2020

quarta-feira, outubro 14, 2020

E-READ-COST - Declaração de Stavanger, 2020



Questões para futura investigação: 
À medida que aumenta a utilização de materiais digitais para uso educacional e pessoal,
surgem questões importantes sobre o futuro da leitura, a pedagogia da literacia e a importância
da comunicação textual: 
• Em que contextos de leitura e para que leitores pode o uso de textos digitais ser mais
vantajoso? 
• Inversamente, em que domínio de aprendizagem e da escrita literária deve ser
incentivado e defendido o suporte em papel? 
• Estará a tendência da leitura em ecrã para ser mais fragmentada, menos focada e com
um processamento mais superficial, a ser transferida para a leitura em papel e, assim,
transformando este padrão naquele que é mais frequentemente adotado
independentemente do suporte? 
• Estará a nossa suscetibilidade para as notícias falsas e ideias preconcebidas a ser
ampliada pelo excesso de confiança nas nossas competências para a leitura digital
• O que pode ser feito para incentivar um tratamento mais aprofundado dos textos em
geral e, em particular, daqueles que são lidos em ecrã?
Declaração de Stavangen, Fevereiro 2020 (pdf)

https://ereadcost.eu/wp-content/uploads/2020/03/DeclaracaodeStavangerPT.pdf



Quem somos? 

O projeto “Evolução da Leitura na Era da Digitalização (E-READ) (Evolution of Reading in the Age of Digitisation) é uma iniciativa de investigação europeia que reuniu cerca de 200 académicos e cientistas no domínio da leitura, edição de texto e literacia de toda a Europa, num esforço conjunto para pesquisar o impacto da digitalização nas práticas de leitura. Grande parte da nossa pesquisa concentrou-se na forma como os leitores, principalmente crianças e jovens, compreendem e recordam textos escritos quando utilizam materiais impressos ou digitais. Os membros desta Ação COST de investigação, financiada pela União Europeia e outras partes interessadas, reuniram-se a 3 e 4 de outubro de 2018 em Stavanger (Noruega) para debater as principais conclusões de quatro anos de investigação empírica e de discussões sobre o assunto (2014-2018). A Declaração de Stavanger sobre o Futuro da Leitura representa um resumo desses estudos e colaborações


Grupo Linkedin https://www.linkedin.com/groups/8456377/ - criado em 2015, 50 membros


sexta-feira, outubro 02, 2020

RIO DE CONTOS 17 OUTUBRO 2020


Assistir presencialmente - sujeito a inscrição, dependendo da lotação da sala
Assistir on-line - transmissão via zoom (inscrição prévia)
Posteriormente, será editado um video que ficará disponível nos canais da Câmara Municipal de Almada

sábado, setembro 26, 2020

Lisboa em 8 passeios ao som de podcasts 2020

© FG+SG Fotografia de Arquitectura
O Open House Lisboa 2020 tem um formato adaptado às restrições desta fase de pandemia, numa edição onde não está incluída a visita a espaços e a entrada em apartamentos, museus ou casas privadas. Assim, convidamos a serpentear por Lisboa de forma independente e segura, através de passeios sonoros narrados na 1ª pessoa por oito personalidades de diferentes áreas da cultura.
Ao descarregar os oito podcasts ou optar pela versão em streaming, o seu telemóvel ou dispositivo electrónico acompanham esta viagem sonora de inegável riqueza e diversidade. De mãos dadas com vozes únicas, este Open House Lisboa sugere formas singulares de ouvir, ver, sentir e viver o espaço público de Lisboa.
Com uma duração que varia entre os 21 e 71 minutos, estes passeios sonoros estão disponíveis na plataforma Soundcloud e nas aplicações habituais para Iphone a Android. Se usar o Spotify, pesquise nos podcasts por Open House Lisboa. No seu telemóvel pode ainda pesquisar na aplicação de podcasts que costuma utilizar.
Em 2020, o Open House Lisboa convida a sair de casa e não inclui qualquer visita a espaços.
Partilhe a sua experiência no instagram #openhouselisboa2020


Open House Lisboa

segunda-feira, setembro 14, 2020

sexta-feira, setembro 04, 2020

PORTUGAL 2030 - Visão 2030

Picture




Existem neste momento áreas de enorme incerteza que condicionarão a forma como olhamos para a presente crise. No entanto, há uma ameaça que surge clara desde já: a pressa, o imediatismo e a ausência de reflexão dos agentes políticos que terão a tentação em repor a ‘normalidade’ pré-crise, e o retorno ao business as usual, quando foi precisamente essa ‘normalidade’ que nos trouxe até aqui. 
Precisamos de visões de futuro, apoiadas em valores, e de políticos corajosos que as saibam implementar. 
A aceitação da pobreza, da desigualdade e da injustiça como inevitáveis, impede uma verdadeira transformação e limita o potencial de crescimento social e humano de que Portugal e a Europa precisam. O apelo e incentivo ao consumo, como narrativa para a superação imediata da crise económica, esquecendo todos os impactos ambientais decorrentes, é um erro que nos sairá muito caro a curto prazo. Precisamos de instituições fortes, valorização do conhecimento; de aproveitar a promessa da “Revolução Digital” para reduzir a pegada ecológica, desenvolvendo serviços e produtos de alto valor. Acima de tudo, precisamos de ancorar as políticas em ideais, na confiança, na ética e assumir um novo paradigma. Um paradigma em torno do qual os cidadãos e cidadãs portuguesas se possam unir para liderar esta transformação a nível mundial e construir uma sociedade ética.  
Documento coletivo divulgado por Susana Peralta, Portugal, Setembro 2020, no Público, aqui




PORTUGAL 2030 - Visão 2030

domingo, agosto 30, 2020

Octavia Butler on How (Not) to Choose Our Leaders

Octavia Butler on How (Not) to Choose Our Leaders

"Choose your leaders with wisdom and forethought.To be led by a coward is to be controlled by all that the coward fears.To be led by a fool is to be led by the opportunists who control the fool.To be led by a thief is to offer up your most precious treasures to be stolen.To be led by a liar is to ask to be told lies.To be led by a tyrant is to sell yourself and those you love into slavery."
Octavia Butler (June 22, 1947–February 24, 2006)

Octavia Butler on How (Not) to Choose Our Leaders – Brain Pickings

quarta-feira, agosto 12, 2020

Direitos de Literacia - Cidadania Europeia




11 PONTOS DESTACADOS
ELINET - PROGRAMA EUROPEU LIFELONG LEARNING

Declaração dos Direitos de Literacia dos Cidadãos Europeus, ELINET - Rede Europeia de Literacia, 2016

Todas as pessoas na Europa têm direito à literacia. Os Estados-Membros da UE devem assegurar que sejam facultados às pessoas de todas as idades, independentemente da sua classe social, religião, etnia, origem e género, os recursos e as oportunidades necessários para desenvolverem competências de literacia suficientes e sustentáveis por forma a compreenderem e utilizarem de modo eficaz a comunicação escrita, seja ela manual, impressa ou digital.

Texto integral da Declaração aqui




domingo, julho 26, 2020

Marte, aqui


SONETO DA VIAGEM A MARTE

O tempo não tem sul e não tem norte
seja qual fôr a hora de quem parte,
não tem fronteiras, não possui estandarte,
quem fôr a Marte irá sem passaporte.
Nós teremos partido para a morte
quando os homens partirem para Marte
e embora Marte já não nos importe,
importante, ó futuro, é importar-te.
Importante, ó futuro, é quando a terra
falar da fome e descrever a guerra
como histórias lendárias de gnomos.
Os dias forem lúcidos, translúcidos,
e a vida, ao sabor dos dias lúcidos,
se esqueça dos selvagens que nós fomos.

Sidónio Muralha, "O Pássaro Ferido", 1972
Cantado por A. P. Braga
Estimado no blog A Viagem Dos Argonautas

How to Be Correct About Everything All the Time

sábado, julho 11, 2020

Emidio Santana - A Voz Resistente do Anarquismo

A Rua Emídio Santana, o homem que atentou contra Salazar em 1937 ...
Imagem daqui


Anarquistas, e mestres.

Reais, e presentes na nossa memória

Um bom documentário da RTP. Obrigada!

Serviço público pela sanidade mental e o desenvolvimento do capital que importa : o capital humano



Emidio Santana - A Voz Resistente do Anarquismo: Figura maior do movimento sindical anarquista português, Emídio Santana foi o elo de ligação entre o anarco-sindicalismo do início do século XX em Por

sexta-feira, julho 10, 2020

Ser aluno das aves do céu

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Recebemos uma generosa oferta de livros para a Laredo e o seu projeto Livralhada, em que fazemos circular exemplares entre bibliotecas de todo o tipo e, assim, entre quem ama a partilha e a leitura. De um deles, partilho uma história que veio ao meu encontro.
SER ALUNO DAS AVES DO CÉU
Conta o P. Schaluck que nas montanhas frias da sua aldeia natal, as aves voam em geral aos bandos e em forma de V. E dizem os entendidos nesses segredos das aves, que voando dessa maneira, umas aproveitando o esforço das outras, todo o bando ganha mais 71 por cento de capacidade de voo do que se cada uma voasse sozinha por sua conta e risco.
E quando alguma ave sai dessa formatura e cede à tentação de voar por sua conta e risco, ao sentir a resistência do ar e a dificuldade em manter o ritmo do bando, logo volta à formatura para poder tirar vantagem da ave que vai à sua frente.
E se o chefe do bando se sente cansado, passa para trás e outro toma naturalmente o seu lugar na liderança do grupo, sem que dispute esse lugar mas também sem fugir a essa responsabilidade.
E diz ainda a parábola que em geral as aves que vão atrás grasnam para encorajar as que vão à frente e todas sentirem que o bando caminha unido.
E quando uma ave fica doente ou é ferida ou abatida por algum caçador indesejado, duas outras saem da formatura e acompanham aquela que está em dificuldade para a amparar e proteger. E ficam com ela até a ave ferida poder de novo voar ou então até que ela morra. Depois, as duas partem de novo e, ou recuperam o seu próprio bando ou se integram noutro que esteja ao seu alcance.
Estais a ver como ao contar a história destas aves eu estou a pensar na história das nossas comunidades.
A melhor maneira de caminhar das pessoas que têm o mesmo voo e caminham para as mesmas distências é juntar-se às outras e com elas repartir o custo da caminhada. O milagre da multiplicação das forças repete-se todos os dias numa comunidade que acerta o passo, tendo em conta as forças de cada um. É natural que os que vão à frente se cansem mais depressa, mas lá estão os que vêm atrás para os substituir. É um ciclo que devia ser normal numa comunidade onde a liderança não é um privilégio de classe nem um carisma de carreira.
O grasnar das aves da retaguarda fala-nos do espírito de entreajuda, da colaboração de todos, da convergência na caminhada.
E se alguém adoece ou por qualquer motivo não pode acompanhar o ritmo do conjunto, não é abandonado à sua sorte ou à sua crise. Há sempre alguém que em nome da comunidade fica ao seu lado para o encorajar e amparar. Uma comunidade não rejeita aqueles que se cansaram do voo, mas antes procura ajudá-los a recuperar a alegria de voar.
NEIVA, P. Adélio Torres (2017). Parábolas, ed. do autor, p. 241/242