sexta-feira, agosto 12, 2016

Do que é feita uma vida boa? De gente...



Mas repetidas vezes, ao longo desses 75 anos, nosso estudo tem mostrado que as pessoas que se deram melhor foram as bem relacionadas, com a família, amigos e com a comunidade. E você? Digamos que esteja com 25, 40 ou 60 anos. Que tal buscar o que os relacionamentos têm a oferecer? Bem, as possibilidades são praticamente infinitas Pode ser algo tão simples quanto trocar o tempo vendo TV por tempo com pessoas ou reviver uma relação antiga fazendo algo novo juntos, longas caminhadas ou encontros à noite. Ou contatar aquele membro da família com quem você não fala há anos porque aquelas brigas de família tão comuns deixam marcas terríveis nas pessoas que guardam rancor. Eu gostaria de encerrar com uma citação de Mark Twain. Mais de um século atrás, ele estava se lembrando de sua vida e escreveu isto: "Não há tempo, tão curta é a vida, para discussões banais, desculpas, amarguras, tirar satisfações. Só há tempo para amar, e mesmo para isso, é só um instante." Uma vida boa se constrói com boas relações 


Robert Waldinger: Do que é feita uma vida boa? Lições do mais longo estudo sobre felicidade | TED Talk Subtitles and Transcript | TED.com

Transformar os incêndios descontrolados de Verão em incêndios controlados ao longo de todo o ano

http://rapidfire.sci.gsfc.nasa.gov/gallery/?search=portugal.



Artigo de 2005, de António João Lopes.

Claro, conciso e preciso.

Faz sentido e faz falta

Ainda vamos a tempo de ler e agir



Como evitar incêndios florestais e produzir energia

SALLÚQUIA - A BELLA MOURA





A história da valsa de Alfredo Keil vale leitura: https://www.publico.pt/local/noticia/formosa-moura-inspirou-alfredo-keil-para-compor-valsa-dedicada-a-agua-castelo-agora-reeditada-1740919

quarta-feira, agosto 10, 2016

Direitos de autor, Ambiente digitais, Cultura & Inclusão







III Seminário Internacional | CULTURA, LUSOFONIA E DIREITOS DE AUTOR NA ERA DIGITAL

Rui Vieira Nery (Professor Associado da Universidade Nova de Lisboa. Presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores).

Painel: A Cultura como factor de inclusão
III Seminário Internacional realizou-se nos dias 25 e 26 de Novembro de 2015, na Fundação Calouste Gulbenkian. 

Lisboa, 26 de Novembro de 2015

O curto prazo cega-nos e devora o futuro

O professor lembra que a deslocalização de grande parte da população rural para o litoral levou ao abandono dos campos e à inevitável falta de gestão destes espaços, com a consequente acumulação do combustível. Por isso, também é preciso apostar na limpeza dos terrenos, mesmo que seja necessário fazê-lo de forma coerciva. Mas, acima de tudo, é preciso premiar os cumpridores, criando incentivos públicos para quem gerir de forma adequada a floresta e para quem limpar o combustível. Em complemento, sugere a criação de equipas de prevenção de incêndios, que trabalhariam todo o ano nas limpezas e na criação e manutenção de pontos de água e de aceiros.
Ricardo Ribeiro insiste que é preciso trocar as políticas de curto prazo, essencialmente reactivas e baseadas em investimentos tecnológicos, por políticas de longo prazo que eliminem as causas estruturais dos incêndios florestais. 
“Somos o único país da União Europeia que apresenta um nível de reflorestação negativa, ou seja, refloresta-se menos do que a área que arde. Por isso, temos hoje muito menos floresta que há 20 anos

Ricardo Ribeiro, professor na área da protecção civil e comandante dos bombeiros de Paço de Arcos



Melhorou-se no combate aos fogos, mas "deixou-se tudo o resto por fazer" - PÚBLICO

sábado, agosto 06, 2016

Felicidade, arte e vida





Eugénio Lisboa, 2016, JL:

"toda a grande arte é sempre, à partida, uma promessa de felicidade: aquela felicidade que, de outro modo, tanto se nos furta, na vida; mas que prevalece, insisto, na grande arte, mesmo quando esta se alimenta do sofrimento. Parafraseando o título célebre da obra fundamental de Proust, a rate éuma busca da felicidade perdida, e, por fim, um reencontro luminoso com ela."

quarta-feira, agosto 03, 2016

Pão moreno e rica lua

 



Agosto

Contraponientes
de melocotón y azúcar,
y el sol dentro de la tarde,
como el hueso en una fruta.


La panocha guarda intacta
su risa amarilla y dura.

Agosto.
Los niños comen
pan moreno y rica luna.

Federico García Lorca

Imagem daqui http://www.dn.pt/sociedade/interior/em-agosto-as-noites-sao-de-chuvas-de-estrelas-5318111.html

sexta-feira, julho 22, 2016

55b





Eu cá sou do 55b

E dos outros números e letras todos

Mas, sempre a ajudar a iluminar

o 55b

E as outras áreas todas

Isto anda tudo ligado, quem se especializa "estioliza".

E vai ficando às escuras, encadeado

:)





Uma das áreas identificada chama-se 55b e “ilumina-se” quando uma pessoa ouve uma história. Outras parecem guardar o campo de visão do indivíduo ou estão envolvidas no controlo do movimento. Porém, sublinham os cientistas, a maioria das áreas não será identificada com nenhuma função específica, porque simplesmente não fazem apenas uma coisa mas antes coordenam os sinais recebidos pelos diferentes sentidos.


O novo mapa do cérebro tem 180 regiões em cada hemisfério - PÚBLICO

segunda-feira, julho 18, 2016

Ai

O Melhor Amigo


julius lenko / na biblioteca da escola depois da guerra


Ao entrar sinto a cara a arder:
montes de livros, migalhas de cultura e de beleza
juncam o chão como espigas calcadas
após a passagem de um brutal furacão.

A poeira da guerra veio pousar nos lábios
dos homens de génio. Vozes incorruptíveis
a troar por cima do espaço e do tempo.
Mas incapazes de esmagar as botas do fantasma.

Apanho o livro pouco espesso furado
por uma bala. A chaga é horrível.
Todas as folhas estão manchadas de sangue.

Abro. Leio. Não posso reter as lágrimas
quando o título vem dançar diante dos meus olhos:
«Os sonetos sangrentos de Hviezdoslav.»


julius lenko
tradução de ernesto sampaio
a rosa do mundo 2001 poemas para o futuro
assírio & alvim
2001

domingo, julho 17, 2016

Visão | "Estamos a matar os sonhos dos nossos filhos"

Sempre de mala pronta.  E ironia fina. George Steiner







O senhor fala da utopia e do seu oposto, da ditadura da certeza...Muitos dizem que as utopias são idiotices. Mas, em qualquer caso, serão idiotices vitais. Um professor que não deixa os seus alunos pensar em utopias e errar é um péssimo professor.O erro tem má fama nas sociedades utilitárias e competitivas.O erro é o ponto de partida da criação. Se temos medo de errar, nunca podemos assumir os grandes desafios, os riscos. O erro voltará? É possível, existem alguns sinais. Mas ser jovem hoje em dia não é fácil. O que é que lhes estamos a deixar? Nada. Incluindo a Europa, que já não tem mais nada para lhes oferecer. O dinheiro nunca falou tão alto quanto agora. O cheiro do dinheiro sufoca-nos, e isso não tem nada a ver com o capitalismo ou com o marxismo. A isso soma-se o enorme desprezo dos políticos em relação aos que não têm dinheiro. Para eles, somos apenas uns pobres idiotas. Karl Marx viu isso com bastante antecedência. No entanto, nem Freud nem a psicanálise, com toda sua capacidade de análise dos traços patológicos, foram capazes de compreender nada disso.


Visão | "Estamos a matar os sonhos dos nossos filhos"

"É muito mais fácil ensinar matemática e ciência do que artes" - PÚBLICO

Resultado de imagem para imaginação e criatividade

Imagem daqui

A importância da imaginaçãoAntónio Damásio não tem dúvidas em afirmar que "é muito mais fácil ensinar matemática e ciência do que artes", posição com que Ken Robinson, especialista britânico em educação artística e criatividade, concorda. "As artes exigem tempo e um tipo de empenho diferente", diz. "Muitas vezes os professores não estão lá para ensinar os alunos, mas para ensinar matérias. A preparação para as artes não é tão boa como a retórica sobre as artes." Robinson, que hoje vive nos Estados Unidos e é consultor do J. Paul Getty Center de Los Angeles, defendeu em Lisboa que a imaginação é tão importante para os alunos do século XXI como os números e as letras, apesar de as artes estarem quase sempre no fim da lista de prioridades do ensino escolar público."Temos tendência a separar as artes da ciência, quando na realidade são complementares. Os grandes cientistas são incrivelmente criativos e intuitivos. O processo científico valida, demonstra. É a imaginação que cria." Para Robinson, as artes devem ser vistas como motor de transformação do sistema de ensino: "Gastamos muito tempo e energia a tentar fazer com que o actual sistema de ensino assimile as artes, quando devíamos era pensar em formas de criar, através delas, um sistema novo." (Conferência da Unesco, 2006)


"É muito mais fácil ensinar matemática e ciência do que artes" - PÚBLICO

sexta-feira, julho 15, 2016

terça-feira, julho 05, 2016

Indomables, una historia de Mujeres Libres / Indomáveis, uma história de...





Em meados de maio de 1936 aparecia o primeiro número da revista Mujeres Libres.Um ano depois, em agosto de 1937, se celebrava em Valencia o primeiro congresso estatal da Federação nacional de Mulheres Livres, uma organização feminista de corte anarquista que tinha por objetivo que as mulheres se liberassem por elas mesmas da cruel servidão da ignorância.Esquecidas até por seus próprios companheiros Mujeres Libres chegou a contar com mais de 20.000 afiliadas. O turbilhão da guerra não lhes permitiu desenvolver seu programa "em paz", mas nada nem ninguém pode impedir que germinasse a semente que carregavam em suas entranhas.O objetivo deste trabalho é, além de resgatar dos esquecimento estas mulheres, denunciar (ainda que não me goste o termo) a invisibilização a que se submetem, não só a Mujeres Libres como também a outras mulheres e grupos de mulheres que por coerência levaram até o final sua dissidência e se mantém as margens de estruturas pré-estabelecidas.

"A las mujeres" (1936), canción anarquista - anarchist song





Por una idea luchamos,la cual defendemoscon mucha razón.Se acabarán los tiranos,guerras no queremosni la explotación.

domingo, julho 03, 2016

Europeísmo, Federalismo e Ordoliberalismo

A memória não tem de ser curta, e ainda menos míope.









"Ainda hoje nos querem impingir a mentira de que a ascensão de Hitler se deveu à hiperinflação dos anos vinte quando, de facto, ela já estava ultrapassada há muito. Pelo contrário, foi a espiral da austeridade deflacionista, levada a cabo pelo Chanceler Brüning, a partir de 1930, para responder aos efeitos da Grande Depressão nos EUA, no quadro do padrão-ouro, que gerou o desemprego de massa e criou o ambiente de conflitualidade social e política que catapultou Hitler para o poder. Tal como hoje, nesses anos de crise, a social-democracia apoiava as políticas de rigor orçamental, com excepção da Suécia."

Jorge Bateira, Julho 2016 




Ladrões de Bicicletas: Europeísmo, Federalismo e Ordoliberalismo: Hoje, é preciso lembrar que o ordoliberalismo germânico - a doutrina que preconizava a subtracção da economia aos decisores políticos med...

sexta-feira, julho 01, 2016

What to expect from libraries in the 21st century: Pam Sandlian Smith at...

Reformulação dos apoios públicos esconde novo ano zero nas Artes





(...) a prática dos últimos cinco anos destruiu qualquer regularidade e previsibilidade no trabalho da DGArtes. Para exemplo, os apoios pontuais, de regularidade semestral, tiveram lugar apenas anualmente em 2011, 2013, 2014 e 2015, falhando por completo no ano de 2012. Os apoios anuais foram realizados em 2011, 2013 e 2015, falhando todos os restantes anos. A redução violenta de 50% das verbas entre 2010 e 2015 explica a incapacidade da DGArtes em garantir a regularidade dos concursos.


Reformulação dos apoios públicos esconde novo ano zero nas Artes | Esquerda

Hélia Correia, nesta Europa

 

A Europa consegue este prodígio: sem existir, tem a existência ameaçada. Sem homogeneidade que a defina, vê tremer o que nela é homogéneo, os direitos humanos, a dignidade e a liberdade, já que da igualdade e da fraternidade aguardamos ainda a vinda messiânica. Posta em desequilíbrio, impreparada para dar combate aos velhos-novos inimigos que, sendo tudo aquilo que já fomos, exterminadores a mando de palavras divinas, e sendo tudo aquilo que hoje somos, internautas capazes de atravessar paredes, dificilmente se distinguem dos vizinhos cujas crianças brincam com as nossas. 
Desejos que pareciam repugnantes como a expulsão daquele que é estranho ao nosso clã sobem do cérebro reptiliano até à fronte e ali inscrevem novamente uma brutalidade primitiva que, confessemos, preservou o género humano: o egoísmo da sobrevivência. Pois é a vida, a física e do espírito, o que está a correr um grande risco aqui.
Hélia Correia, 2016 

Fala o pobre - PÚBLICO

quarta-feira, junho 29, 2016

Francisco José Viegas



De vez em quando vou a uma dessas bibliotecas públicas perto de casa, aberta aos fins de semana. Oiço o silêncio dos livros, que murmuram sem cessar. Risos no jardim. A felicidade de estar perto de gente que lê e se perde a despropósito, sem razões nem método. 

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/colunistas/francisco_jose_viegas/detalhe/20160628_0100_blog.html

Blog - Francisco José Viegas - Correio da Manhã

segunda-feira, junho 27, 2016

Mário Tomé: “Íamos entusiasmadíssimos para a guerra” – Observador



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E que é que lia?Lia o Italo Calvino, lia o Augusto Abelaira, lia o Steinbeck. Essa leitura dava-me uma forma de estar no mundo ainda não definida, mas pelo menos já a elaborava uma capacidade de crítica em relação ao que vivia. No caso do fascismo, a tropa — a tropa em geral, não era eu –, em relação à PIDE tínhamos aversão, tirando os que eram da PIDE lá da tropa. A tropa era contra a PIDE, a não ser depois na guerra…


Mário Tomé: “Íamos entusiasmadíssimos para a guerra” – Observador

Crianças presas em espaços fechados não aprendem nem crescem – Observador

Questionado sobre o contexto que levou pais e educadores a aprisionarem as suas próprias crianças, o professor elenca diversos motivos. Entre eles, o “desaparecimento da rua enquanto local de jogo”, muito por via da crescente urbanização das cidades, aumento do tráfego automóvel e ausência de políticas públicas dirigidas ao bem-estar na infância. Ao mesmo tempo, assiste-se ao “excessivo alarmismo dos órgãos de comunicação social sobre os perigos a que as crianças estão sujeitas”, levando à redução da permissão dada pelos pais para que se desloquem sozinhas.
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O que os pais não sabem – ou facilmente esquecem – é que esta via da proteção excessiva está longe de ser benéfica para os filhos: “Brincar é ganhar confiança em si próprio e é também o melhor caminho para evitar o acidente, ou seja, quanto mais risco mais segurança.”
Ainda assim, o fundador e antigo presidente da Sociedade Internacional para Estudos da Criança não tem dúvidas em afirmar que “hoje temos melhores pais, melhores famílias, melhores crianças e melhor sociedade do que há anos atrás. O que está em causa é o aparecimento de novos problemas associados à educação das crianças do nosso tempo que podem estar a colocar em perigo a sua identidade, autonomia e necessidades básicas de desenvolvimento biológico e cultural”, alerta.


Crianças presas em espaços fechados não aprendem nem crescem – Observador

Ladrões de Bicicletas: Tem os dias contados

 

O Labour está numa encruzilhada: ou Jeremy Corbin assume em definitivo os anseios das classes trabalhadoras, dos jovens precarizados e das regiões deprimidas, e ainda pode ganhar as eleições no Outono, ou o Labour expulsa Corbyn e iniciará um declínio inexorável. Aliás, o mesmo dilema espera os socialistas de outros países, com destaque para França, Espanha e Portugal




Ladrões de Bicicletas: Tem os dias contados: O povo do Reino Unido decidiu Brexit. Foi um dia histórico porque marca o início do fim da UE. Pelo que li, há uma grande correlação en...

quinta-feira, junho 23, 2016

Manuel Gusmão: a alegria partilhável da resistência – Caliban

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Acha que é possível passar dessa ordem puramente estética como aquela que diz respeito à poesia e às artes em geral para a ordem política. Acha que há essa possibilidade de efectivar essa beleza da chama na ordem política?Acho. Acho decisivamente que é uma das possibilidades da redenção das nossas coisas, dos nossos casos de vida, vidas perturbadas, onde reside sempre a possibilidade de em algum sítio e algum lugar viver algo que é para nós um acontecimento e a promessa de uma alegria comunicável e partilhável. A possibilidade da estética tem a ver, ou pode ter a ver com uma disponibilidade ética.
(...)

Acha ainda possível, urgente, necessário, que a arte surja como função de libertação? Ou só ela não chega?MG: terá de ser a arte a encontrar aquilo que quer fazer com os seus materiais e instrumentos. E se ela vier encontrar-se com a política ela deverá configurar o seu espaço, uma espécie de protocolo, de terreno, para o seu encontro com a política, porque ela não se pode entregar pura e simplesmente nas mãos da política e dar à política o comando. Porque neste sentido encontramos mais uma vez, pela enésima vez, uma forma de a política colonizar a poesia ou de a política colonizar a poética. A poética é um termo que para mim me é mais simpático que o termo de estética. Porque a poética recoloca no centro de qualquer fenómeno artístico e de qualquer relação com a arte a questão do fazer. A poética é um produzir, um estudo da poiesis, e, a poesis já introduz artes e portanto podemos falar da poesis de qualquer arte sem trazer nada de exterior à arte, enquanto que, quando falamos da estética, tentamos confrontar o mundo da arte com o mundo em que vivemos, o mundo onde a arte é. Esse confronto pode não nos trazer muita coisa de bom porque substitui a descrição daquilo que as artes fazem por valores de comparação entre a figura artística e a figura do mundo e isso é aquilo que significa, por um lado, aparentemente, a necessidade de ver que a arte tem sempre a ver com o mundo mas não implica, não garante, que o que o que a arte ganha do mundo seja dito pela arte tal qual, e, portanto, é preferível escutar a arte no que ela diz enquanto arte e aí confiarmos que ela tem uma palavra sobre o mundo.


Manuel Gusmão: a alegria partilhável da resistência – Caliban

domingo, junho 12, 2016

Estamos a nada de serlo todo


LAREDO, CALLES QUE BESAN from estudios vimagit-tlf.650434137- on Vimeo.
Um sorriso nesta noite em que encontrámos outro Laredo tão semelhante ao povo da Laredo Associação Cultural que parece fantasia.

O segredo não está no treino, mas na verdade

Wook.pt - De Zero a Dez



Seguindo o link abaixo indicado, encontra um texto riquíssimo, em inglês, apresentado numa conferência internacional de Reumatologia pela Margarida.

Como lidar com a dor?

Com entender o corpo e com eles e entender?

Vale a pena ler o texto, e, depois, os livros da Margarida. Pela sua saúde, pela nossa saúde.



Leaning to control - The power over the day-to-day setbacks is... ours! (Full presentation) | Margarida Fonseca Santos | LinkedIn

sábado, junho 11, 2016

Portugal - pensar o futuro a longo prazo

É bom reler esta notável entrevista de Coimbra de Matos a Anabela Mota Ribeiro, sobre Portugal. Fotografia de Gérard Castello Lopes, partilhada pela autora, hoje, no Facebook, relembrando o texto, publicado em 2012.




Lidamos mal com o conflito e com a interpelação? Porque é que o outro discordar de nós é sentido pelos portugueses como uma forma de afrontamento, de intimidação? Tudo é demasiado pessoal.Confirmo isso. Se fizer uma pergunta a um conferencista, discordando dele, num congresso em Portugal sou acusado de ser agressivo. Se for num congresso internacional, isso é completamente aceite. Aqui somos muito narcísicos, ficamos logo ofendidos. Discordar é ofender o outro.
Isso é um traço de narcisismo?É, não aceitamos bem que o outro discorde de nós, sentimos isso como uma diminuição.
Como é que ficamos menos vulneráveis, menos narcísicos? Como é que aprendemos a lidar com a crítica e aquilo que sentimos como sendo a agressividade do outro?A causa psicológica assenta num sentimento de inferioridade. Se a pessoa se sente inferior, qualquer discordância do outro é sentida como uma ofensa pessoal. Se está consciente da sua capacidade, se não tem complexos de inferioridade…
Como é que se trabalha este sentimento de inferioridade? É uma coisa importante na maneira como interagimos com o colectivo.Começa na família e depois na sociedade em geral: os portugueses tornam-se autónomos muito tarde. Por razões financeiras e por razões culturais. Mesmo nos anos 60, em que se vivia relativamente bem, as pessoas saíam muito tarde de casa. É-se muito ligado à família de origem. Desde pequeno há uma cultura de concentrar, proteger, e não de fomentar a autonomia.
O que podemos extrair disso é a ideia de que todos juntos somos mais fortes? É por isso que devemos permanecer no espaço da família, resguardados? Por que é que não se incentiva a independência?Vem da geração anterior. Os pais têm dificuldade em promover a independência dos filhos, sentem isso como uma perda da influência deles. Vê-se também ao nível pedagógico; a maior parte dos professores, se um aluno tem ideias diferentes das dele sente isso mal; gosta que o aluno copie as ideias do mestre. Não gostamos de ser contestados pelos mais novos.
Isso é considerado uma insolência. Temos um ditado que traduz isso bem: “Já a formiga tem catarro”.Pois é, mas não devia ser. Os mais novos trazem ideias novas.

"O que nos deve entusiasmar é aquilo que não sabemos, não aquilo que sabemos."

"É preciso pensar num futuro a longo prazo."


Coimbra de Matos (sobre Portugal) - Anabela Mota Ribeiro

quinta-feira, junho 09, 2016

Expresso | Bebé do São José: seis razões para um milagre





“Não foi um milagre, mas um avanço da ciência e da capacidade de multidisciplinaridade e eficácia de uma equipa. Não são só os médicos, mas os enfermeiros, os nutricionistas, os farmacêuticos e todos os profissionais que contribuíram para este êxito”, que exigiu uma dedicação de 24 horas por dia, todos os dias. “A tranquilidade com que vivemos o desenvolvimento do feto foi o que nos deu segurança. O que não queríamos era que ele tivesse problemas graves”.


Expresso | Bebé do São José: seis razões para um milagre

terça-feira, junho 07, 2016

Lídia Jorge, a inquietar

 

Não tenho uma carreira, não gosto da palavra, vou antes fazendo um caminho e aceito com naturalidade que um dia realcem o meu trabalho e que no outro o critiquem. Podem até esquecer-se de mim. Há grandes escritores de que já ninguém fala. Acima de tudo sou e serei sempre uma entre os outros e não uma fora dos outros, ou se quiser acima dos outros. Não gosto dessa postura de superioridade que alguns escritores acabam por adotar.


“A literatura serve para inquietar e despertar as pessoas para a realidade” | Esquerda

quinta-feira, junho 02, 2016

Un vestido y un amor - Mercedes Sosa





Mercedes, como Caetano, vem da América Latina e domina o coração híbrido luso-hispano-hablante, mais o perfume índio e de sagradas misturas que a História explicará, mas eu felizmente não preciso: ainda consigo escutar a pele, e o arrepio que a todos nos irmana.

Un vestido y un amor - Caetano Veloso



Por mistérios que desconheço, tenho um coração ibérico, para além de outros. Nele a palavra em português se casa sem conflitos com o castelhano e as demais línguas da Iberia.

Caetano é como eu, e faz bater esta hibridez como poucos outros cantores.






terça-feira, maio 31, 2016

Portentoso incipit de Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar (Prémio Camões, 2016).

"Os olhos no teto, a nudez dentro do quarto; róseo, azul ou violáceo, o quarto é inviolável; o quarto é individual, é um mundo, quarto catedral, onde, nos intervalos da angústia, se colhe, de um áspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero, pois entre os objectos que o quarto consagra estão primeiro os objectos do corpo"

terça-feira, maio 24, 2016

“We designed our libraries for people, not books”

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4 espaços, para



  • Inspiração
  • Aprendizagem
  • Performance
  • Produção (making)


"CREATING MEANINGWhat the staff of Dokk1 learned after the new library opened is telling. An average of 4,000 people visit each day, many staying for hours, working and socializing. Others attend programs in meeting rooms and flexible spaces related to learning, community art, and self-expression. “If you build for people, people will come,” Østergård said. Dokk1 promotes open dialog between citizens and encourages the exchange of ideas.I can’t help but reflect on how this model would look in U.S. libraries. Consider those in your community, seeking answers to big or life questions. What answers could you provide not just with resources but with connections to other people, groups, or service agencies within the building or nearby? Partnerships, Østergård noted, are a cornerstone for keeping Dokk1’s vibrancy going.The seeds are there in many of the notable libraries we read about in these pages. I’d be most interested to see the concepts applied to the academic setting. What does the Four Space model look like in a university or school library? Performative spaces for students and teachers might lead to some interesting and unexpected learning."


Dream. Explore. Experiment. | Office Hours

Pop up: há livros que saltam na Biblioteca Nacional – Observador

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Pop up: há livros que saltam na Biblioteca Nacional – Observador

Lisboa, até 9 de setembro


Histórias, quem as conta

segunda-feira, maio 23, 2016

Art poétique (Paul Verlaine) - Léo Ferré





(...) De la musique encore et toujours ! 
 Que ton vers soit la chose envolée
Qu'on sent qui fuit d'une âme en allée 
Vers d'autres cieux à d'autres amours.  
Que ton vers soit la bonne aventure 
Eparse au vent crispé du matin 
Qui va fleurant la menthe et le thym... 
Et tout le reste est littérature.





Trad. Filipe Jarro:

Música ainda, sem nenhuns temores! 
Seja o teu verso a coisa enlevada 
Fugindo assim da alma puxada 
Para outros céus e outros amores
Seja o teu verso a boa ventura 
Dispersa ao vento mordaz da manhã, 
Embalsamada em menta, hortelã... 
E tudo o resto é literatura.
Trad. Augusto Campos

 música ainda e eternamente! 
que teu verso seja o vôo alto  
que se desprende da alma no salto 
para outros céus e para outra mente. 
que teu verso seja a aventura 
esparsa ao árdego ar da manhã 
que enche de aroma ótimo e a hortelã... 
e todo o resto é literatura.
Trad. Guilherme de Almeida

 Música, sempre e cada vez mais! 
Seja o teu verso a cousa evolada 
Que vem a nós de uma alma exilada 
Em outros céus para outros ideais. 
Seja o teu verso a boa aventura 
Esparsa ao áspero ar da manhã, 
Que vai cheirando a giesta e hortelã… 
E tudo mais é literatura.

Tempo tempo tempo

Vide a "Canção de outono". E não é verdade?

segunda-feira, maio 09, 2016

Escuta

This Powerful Comic Shows the Struggle Curvy Women Go Through Every Day

This Powerful Comic Shows the Struggle Curvy Women Go Through Every Day



This Powerful Comic Shows the Struggle Curvy Women Go Through Every Day

Pela liberdade sem fronteiras


A ouvir, aqui

"Pelo silêncio na planície, pela tranquilidade em tua voz,
pelos teus olhos verdes estelares, pelo teu corpo líquido de
bruma,
pelo direito de seguir de mãos dadas na solidão nocturna
lutaremos meu Amor.
Pela infância que fomos, pelo jardim escondido que não teve
o nosso amor,
pelo pão que nos recusam, pela liberdade sem fronteiras, pelas manhãs de sol sem mácula de grades
lutaremos meu Amor.
Pela dádiva mútua da nossa carne mártir,
pela alegria em teu sorriso claro, pelo teu sonho imaterial,
pela cidade escravizada, pela doçura de um beijo à despedida
lutaremos meu Amor.

Pelos meninos tristes suburbanos
contra o peso da angústia contra o medo
contra a seta de fogo traiçoeira cravada
em nosso doce coração aberto
lutaremos meu Amor.

Na aparência sózinhos ... multidão na verdade
lutaremos meu Amor."

Daniel Filipe

domingo, maio 01, 2016

1º de Maio, 2016. Lutar e ler


Dizer Não

Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros.

Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.

Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de «elitismo», mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.

Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação.

Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo.

Diz NÃO à verdade que te pregam, se ela é a mentira com que te ilude o pregador. Porque a verdade tem a face do Sol e não há noite nenhuma que prevaleça enfim contra ela.

Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos.

Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenanmo-nos em gado sob o comando de um pastor.

Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fratricida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue.

Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal.

E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'