segunda-feira, outubro 27, 2014

Dilma elege reforma do sistema político e combate à corrupção como prioridades do mandato



"27 por cento dos brasileiros com capacidade eleitoral não escolheram nenhum dos dois candidatos à presidência do país. A abstenção fixou-se nos 21 por cento e os votos brancos e nulos nos 6 por cento""O Brasil é um dos 31 países do mundo onde o voto é obrigatório, sendo apenas facultativo para analfabetos, idosos com mais de 70 anos e jovens com mais de 16 e menos de 18 anos. Quem não comparecer às urnas, apesar de poder anular ou justificar a ausência, pode ter sérios problemas com a Justiça, como ser proibido de concorrer a concursos públicos, fazer empréstimos bancários, tirar o passaporte e cartão de cidadão ou renovar a matrícula em universidades públicas.

A obrigatoriedade do voto foi introduzida em 1932, altura em que apenas 10 por cento da população detinha capacidade eleitoral, pelo direito, à época, estar vedado a analfabetos. Atualmente, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, 70 por cento da população brasileira está apta a votar."
 "Entre as reformas, a primeira e mais importante deve ser a reforma política. Meu compromisso, como ficou claro durante toda a campanha, é deflagrar esta reforma", destacou a recém reeleita Presidente. Dilma também se comprometeu com o combate à corrupção prometendo fortalecer "as instituições de controlo e propondo mudanças na legislação atual para acabar com a impunidade".
Dilma Roussef reeleita Presidente do Brasil | Esquerda

domingo, outubro 26, 2014

Falará por sua boca



Quantas coisas quisera hoje dizer, brasileiros,
quantas histórias, lutas, desenganos, vitórias,
que levei anos e anos no coração para dizer-vos, pensamentos
e saudações. Saudações das neves andinas,
saudações do Oceano Pacífico, palavras que me disseram
ao passar os operários, os mineiros, os pedreiros, todos
os povoadores de minha pátria longínqua.
Que me disse a neve, a nuvem, a bandeira?
Que segredo me disse o marinheiro?
Que me disse a menina pequenina dando-me espigas?
Uma mensagem tinham. Era: Cumprimenta Prestes.
Procura-o, me diziam, na selva ou no rio.
Aparta suas prisões, procura sua cela, chama.
E se não te deixam falar-lhe, olha-o até cansar-te
e nos conta amanhã o que viste.
Hoje estou orgulhoso de vê-lo rodeado
por um mar de corações vitoriosos.
Vou dizer ao Chile: Eu o saudei na viração
das bandeiras livres de seu povo.
Me lembro em Paris, há alguns anos, uma noite
falei à multidão, fui pedir auxílio
para a Espanha Republicana, para o povo em sua luta.
A Espanha estava cheia de ruínas e de glória.
Os franceses ouviam o meu apelo em silêncio.
Pedi-lhes ajuda em nome de tudo o que existe
e lhes disse: Os novos heróis, os que na Espanha lutam, morrem,
Modesto, Líster, Pasionaria, Lorca,
são filhos dos heróis da América, são irmãos
de Bolívar, de O' Higgins, de San Martín, de Prestes.
E quando disse o nome de Prestes foi como um rumor imenso.
no ar da França: Paris o saudava.
Velhos operários de olhos úmidos
olhavam para o futuro do Brasil e para a Espanha.
Vou contar-vos outra pequena história.
Junto às grandes minas de carvão, que avançam sob o mar,
no Chile, no frio porto de Talcahuano,
chegou uma vez, faz tempos, um cargueiro soviético.
Quando a noite chegou
vieram aos milhares os mineiros, das grandes minas,
homens, mulheres, meninos, e das colinas,
com suas pequenas lâmpadas mineiras,
a noite toda fizeram sinais, acendendo e apagando,
para o navio que vinha dos portos soviéticos.
Aquela noite escura teve estrelas:
as estrelas humanas, as lâmpadas do povo.
Também hoje, de todos os rincões
da nossa América, do México livre, do Peru sedento,
de Cuba, da Argentina populosa,
do Uruguai, refúgio de irmãos asilados,
o povo te saúda, Prestes, com suas pequenas lâmpadas
em que brilham as altas esperanças do homem.
Por isso me mandaram, pelo vento da América,
para que te olhasse e logo lhes contasse
como eras, que dizia o seu capitão calado
por tantos anos duros de solidão e sombra.
Vou dizer-lhe que não guardas ódio.
Que só desejas que a tua pátria viva.
E que a liberdade cresça no fundo
do Brasil como árvore eterna.
Eu quisera contar-te, Brasil, muitas coisas caladas,
carregadas por estes anos entre a pele e a alma,
sangue, dores, triunfos, o que devem se dizer
o poeta e o povo: fica para outra vez, um dia.
Peço hoje um grande silêncio de vulcões e rios.
Um grande silêncio peço de terras e varões.
Peço silêncio à América da neve ao pampa.
Silêncio: com a palavra o Capitão do Povo.
Silêncio: que o Brasil falará por sua boca.


Pablo Neruda
Poema lido no Estádio do Pacaembu, a 15 de julho de 1945  

sexta-feira, outubro 24, 2014

Que caminho tão longo, que viagem tão comprida Alice Brito - refundar o Bloco moção B



Vivemos tempos ferozes e complexos, para os quais a esquerda tradicional não tem dado alternativas. Tem sido cega e preguiçosa. Tem sido incapaz de abrir as portas à avalanche de questões com que a complexidade do social de hoje a tem confrontado. Tem sido cúmplice do patriarcado, tem sido omissa em relação à ecologia.  

É tempo de recuperar o tempo. E este tempo tem sido o específico tempo da feminização do trabalho produzido pela globalização capitalista. Conjugar o anti capitalismo com a luta feminista sem que cada uma destas lutas se atropele uma à outra, é por certo o desafio que se coloca hoje a ambos os movimentos. 


Que caminho tão longo, que viagem tão comprida Alice Brito - refundar o Bloco moção B

quinta-feira, outubro 23, 2014

O Bloco, o desafio de unidade e luta contra a austeridade - Mário Gómez Olivares - refundar o Bloco moção B



A chave da solução para uma mudança na política seguida ate agora, esta na mobilização social em conjunto com a movimentação politica tendente a gerar um quadro de convergência, de alianças políticas das forças a esquerda. O Bloco deve dialogar com todos sem excepção e propor uma plataforma anti austeridade, mas deve ir mais longe, procurando acordos transversais com todos os que estão contra esta política, no mesmo sentido que dirigentes do Bloco tem feito em iniciativas como o Manifesto dos 73, pêlo que não se deve excluir acordos e negociações com ninguém.


O Bloco, o desafio de unidade e luta contra a austeridade - Mário Gómez Olivares - refundar o Bloco moção B

Algumas ideias sobre como recuperar a organização chamada Bloco de Esquerda - Jorge Candeias - refundar o Bloco moção B

A boa notícia é que ainda vamos a tempo de evitar que esta nossa organização siga o caminho típico de todas as outras. Ainda vamos a tempo de refrescá-la, de lhe devolvermos a razão de existir. De a devolvermos à sua função original de representação de uma nuvem de ideologias diversas de esquerda e de renovação do sistema político-partidário. Para isso precisamos urgentemente de três coisas:

1. Democratização interna radical, abandonando de uma vez por todas tendências hegemonizantes que só poderão contribuir para o esfrangalhamento de uma organização como a nossa, entregando às bases, na prática e não apenas em teoria, as rédeas do movimento.

2. Abertura significativa ao exterior, chamando para conversar e trabalhar connosco tanto simpatizantes como independentes, tanto organizações sociais como os partidos que nos rodeiam. Ou seja: precisamente o inverso do rumo seguido nos últimos anos.

3. Acarinhar os desalinhados dentro do próprio Bloco, porque ao longo da evolução das organizações são os desalinhados que melhor se apercebem dos sinais iniciais de fossilização e são eles quem tem mais condições para conceber planos viáveis que a evitem. Embora sejam uma força extremamente útil noutros aspetos da vida de um partido, para esse fim específico os alinhados são piores que inúteis: são uma parte significativa do problema. Uma organização que queira evitar fossilizar-se deve ter, portanto, a capacidade para ouvir com muita atenção o que os seus desalinhados têm a dizer. Eles nem sempre terão razão, mas partir do princípio de que não a têm pelo simples facto de serem desalinhados é o caminho mais direto para o desastre.


Algumas ideias sobre como recuperar a organização chamada Bloco de Esquerda - Jorge Candeias - refundar o Bloco moção B

Este é o tempo. Este é o nosso tempo


Não há nada pior que o conformismo que nos torna insensíveis, do que a indiferença que nos torna desumanos.

Antes sozinho toda a vida / que ter um coração que mente

sábado, outubro 18, 2014

Information Literacy Interactive Tutorial

Imagem daqui

O que é Literacia da Informação?
Em poucas palavras, literacia da informação diz respeito a como encontramos a informação de que necessitamos mais rapidamente e como a utilizamos de forma efetiva.
Desenvolvendo competências de literacia da informação, iremops compreender como abordar a informação de que precisamos, saber onde procurar por ela, como a encontrar, avaliar se ela é fiável ou não, e partilhar efetivamente a nossa informação com outros
What is information literacy?

In a nutshell, information literacy is about how to find the information you need quickly and use it effectively.

By gaining information literacy skills, you will understand how to approach your information need, know where to look for information, how to find it, judge whether it is reliable and useful, and share your information effectively with others.

Um recurso que pode ajudar a desenvolver a literacia da informação nas escolas e em toda a parte, que nos chega da Escócia (UK) pela mão do Institute for Research and Innovation in Social Services (IRISS), que considera, e bem, que a iliteracia é um problema essencial para o desenvolvimento social.

Ler mais aqui:

Information Literacy Interactive Tutorial

terça-feira, outubro 14, 2014

Leitores, leitura social, nuvem e crise

(...) como dice la filósofa Marina Garcés: “Es interesante ver cómo en un momento de destrucción de la vida colectiva y de acoso a las personas como el que estamos viviendo, la lectura y quizás más aún la escritura, reaparece como una práctica que hace comunidad o, más bien, que organiza y articula comunidades muy concretas: grupos de lectura, bibliotecas populares, colecciones digitales, puntos de intercambio de libros, librerías pequeñas, especializadas y alternativas, proyectos editoriales independientes vinculados a grupos de aficionados a determinadas corrientes o prácticas literarias, blogs, plataformas, etc.”
A promoção de leitura atreve-se em novos modelos, com renovada adesão de leitores.



Nuevos modelos de promoción de la lectura - BiblogTecarios

segunda-feira, outubro 13, 2014

Stabat Mater

Nada te turbe,
Nada te espante,

Todo se pasa.

Dios no se muda.

La paciencia

Todo lo alcanza;

Quien a Dios tiene

Nada le falta



Teresa de Jesus (séc. XVI)

via Luis António Alìas, séc. XXI


.

quinta-feira, outubro 02, 2014

O Marketing secreto (legendado)


Muito bom.

Nunca se deve subestimar o poder da ignorância intencional... e nunca se deve deixar de a combater.

Viver



"Aqui tem você um conselho que lhe poderá servir para a sua filosofia: não force, nunca; seja paciente pescador neste rio do existir. Não force a arte, não force a vida, nem o amor nem a morte. Deixe que tudo suceda como um fruto maduro que se abre e lança no solo as sementes fecundas. Que não haja em si, no anseio de viver, nenhum gesto que lhe perturbe a vida"
- Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo.

segunda-feira, setembro 29, 2014

Essencial para a coragem: compreender



Na célebre entrevista que concedeu a Günter Gaus (1964), Hannah Arendt afirmou que o mais importante para si era compreender, referindo-se mesmo a uma “necessidade” de compreensão. Arendt definiu esse tipo de compreensão especial que o pensamento político exige, e que reclamou de si mesma, afirmando que só a imaginação torna possível ver as coisas segundo uma perspetiva própria, sem distorções ou preconceitos. Assim,  a compreensão é interminável e, por isso, não pode chegar a resultados finais; constitui “o modo distintivamente humano de viver”, porque cada pessoa singular necessita de se reconciliar com um mundo no qual nasceu estrangeira. A compreensão, como define Arendt, “é criadora de sentido, de um sentido que produzimos no próprio processo de viver”4. 
Ora, a necessidade de compreender o mundo no presente, procurando uma reconciliação com o passado e projetando a promessa do futuro, coloca a faculdade de julgar no centro do inquérito sobre as condições de possibilidade da ação. Este é o horizonte ético-político das modalidades da compreensão e do juízo que se traduzem numa experiência muito particular da vida activa, a experiência da política. No pensamento arendtiano, compreensão e juízo integram o relato da vivência da pluralidade. A compreensão está também intimamente ligada ao senso comum, que é o sentido político por excelência e pressupõe a existência de um mundo partilhado onde, de facto, estão outros.
Hannah Arendt propõe-nos pensar a política enquanto o desejo da revelação involuntária, a vontade das alegrias inerentes à ação, como as de aparecer no discurso e no agir em conjunto. Se a compreensão, esse modo particular de refletir a partir do qual reconhecemos a realidade, é o que nos permite ser contemporâneos do mundo que habitamos, é pela exposição pública que nos tornamos atores nesse mesmo mundo. 
Agir é, portanto, correr o “risco da vida pública”5 e é o poder da promessa que nos torna capazes do comprometimento. A coragem é, por conseguinte, a primeira virtude política, tanto num sentido aristotélico como homérico. Distinguindo-se da informação adequada e do conhecimento científico, e também do perdão, que é “uma ação singular que termina num ato singular”, a ação de compreender é definida por Arendt como sendo, na verdade, um processo complexo, uma atividade incessante que nunca chegará a resultados unívocos, embora constitua uma fonte de sentido e unidade no tempo essenciais para o reconhecimento da realidade e a reconciliação com o mundo.

O poder da compreensão em Hannah Arendt | (Sofia Roque) Esquerda

quinta-feira, setembro 25, 2014

quarta-feira, setembro 24, 2014

Matthew Battles | Revista Biblioo

E. S.: Seria possível o senhor traçar um panorama das bibliotecas nos EUA? Existe uma preocupação do poder público com essas instituições?M. B.: Sim, em diferentes níveis. A maneira como as bibliotecas e os bibliotecários são vistas nos Estados Unidos está muito ligada a como as pessoas tem vivido as tecnologias e a internet em particular. Muitas pessoas sentem que as bibliotecas deveriam acabar agora que existe a internet, enquanto muitas outras sentem que a biblioteca é o lugar ideal para compartilhar a internet com o grande publico e torná-la acessível para pessoas que não teriam acesso a ela de outra maneira. E as pessoas notaram algumas coisas nos últimos tempos: depois do 11 de setembro, dos ataques ao World trade Center, o governo tentou cercear as liberdades das pessoas nas bibliotecas. O governo queria ser informado quando as pessoas pegassem livros que ele considera perigosos. Os bibliotecários sempre tiveram uma ética de privacidade: você pode ir à biblioteca, pegar livros e ninguém tem que saber. Os bibliotecários, nos Estados Unidos e em muitos outros lugares evitam comentar com os usuários sobre os livros que eles estão pegando emprestado porque eles não querem que as pessoas se sintam vigiadas. Então quando o governo disse: “nós queremos saber o que as pessoas tem procurado”, os bibliotecários foram muito contra e as pessoas notaram e ficaram gratas pelos bibliotecários estarem zelando pela sua liberdade intelectual. Mais recentemente houve uma série de desastres: o furacão que atingiu Nova Orleans [também chamado Katrina] alguns anos atrás e os mais recentes que atingiram Nova Iorque e outros lugares. Depois desses desastres, as bibliotecas se tornaram lugares vitais aonde as pessoas iam para se informar, procurar notícias de seus entes queridos, buscar abrigo. E as pessoas reconheceram o serviço comunitário que essas bibliotecas prestaram.
Matthew Battles | Revista Biblioo

terça-feira, setembro 23, 2014

First Listen: Leonard Cohen, 'Popular Problems' : NPR

First Listen: Leonard Cohen, 'Popular Problems' : NPR

No melhor dos caos possíveis - PÚBLICO

Depois da chatice do Terramoto de Lisboa de 1755, do enfado da participação na I Grande Guerra e da maçada da Guerra Colonial, Portugal enfrenta agora o “transtorno” da nova organização judiciária e da sua plataforma informática Citius. Mas como a ministra Paula Teixeira da Cruz assegurou que “não há caos” na Justiça portuguesa, os juízes, advogados e funcionários dos tribunais podem regressar alegremente ao trabalho. 
Poderão agora perguntar “mas qual trabalho”?, uma vez que o portal Citius muitas vezes não abre, outras vezes abre mas apaga dados antigos, outras não aceita os dados novos. Ou então, desde a reabertura do ano judicial, diverte-se a misturar testemunhas e documentos em processos errados, a enviar processos para o Grande Nada, além de obrigar à anulação de sessões de julgamento já feitas. E, se entretanto se perderam as novas comarcas, elas andam por aí, nós sabemos que elas andam por aí. 
Pois bem, dão-se várias sugestões para que os juízes e advogados queixosos aproveitem as próximas semanas, em vez de ficarem a olhar um ecrã bloqueado, chateados como perus: por exemplo, se estiverem em Lisboa no Campus de Justiça do Parque das Nações, podem visitar o Pavilhão do Conhecimento e procurar respostas científicas para o mistério de como o Caos (agora conhecido, pelos astrónomos, como o Transtorno) deu origem ao Universo. Se acharem isto demasiado complicado, os infoexcluídos queixinhas poderão seguir para o Oceanário, ali mesmo ao lado, e aprender a contar arenques e atuns (em geral, começa-se pela frente do cardume, mas há excepções), enquanto os técnicos resolvem o percalço.


No melhor dos caos possíveis - PÚBLICO (Rui Cardoso Martins, Setembro de 2014)

segunda-feira, setembro 08, 2014

8 de setembro

Dia Internacional da Literacia (também designado Dia Internacional da Alfabetização).

Este ano o Dia é dedicado à ligação intensa entre Literacia e Desenvolvimento Sustentável.
Num tempo de ameaças cada vez mais fortes ao equilíbrio do planeta, em aquecimento perigoso, e aos direitos humanos de quem nele vive, a literacia é uma emergência global.


Ler mais aqui


Unesco 

World Literacy Summit 

sexta-feira, setembro 05, 2014

Chicago Public Schools Reassign Librarians, Endanger Freedom to Read | Comic Book Legal Defense Fund

Librarians’ mission to connect people and information goes hand in hand with a strong commitment to intellectual freedom, and the school library should be a safe place for students to explore literature or research topics that might be deemed controversial. Some Chicago public schools lack any central library at all, while others have previously existing libraries which are now staffed by aides or parent volunteers since the librarian was reassigned. Parents’ desire to at least keep some sort of library available in their childrens’ schools is laudable, but many of the volunteers would probably be among the first to say that students would be much better served by a full-time professional librarian. Aside from the various tasks listed above, librarians are also well-versed in legal precedents pertaining to students’ right to read. Without Chicago school librarians in libraries where they belong, there is a strong chance that the Persepolis fiasco will be repeated with other books–only this time there may be no one to raise the alarm in the first place.


Chicago Public Schools Reassign Librarians, Endanger Freedom to Read | Comic Book Legal Defense Fund

Dancemos


ABRO MAIS UMA GARRAFA

e continuo a dançar minha dança
estico uma perna
que poderia perfeitamente ser braço
recolho um braço
que poderia perfeitamente ser perna
fico de cócoras sem parar de dançar
e vou tirando meus senhores sapatos
um deles atiro para cima do céu
outro enfio fundo terra abaixo
agora estou tirando meu suéter
nisso ouço tocar o telefone
me ligam da senhora fábrica
respondo que continuarei dançando
até que aumentem meu salário

Nicanor Parra, poeta e matemático chileno
Prémio Cervantes 2011
(n. 05.09.1914)

quinta-feira, setembro 04, 2014

Jorge de Sena, há 38 anos


NÃO, NÃO, NÃO SUBSCREVO...

Não, não, não subscrevo, não assino
que a pouco e pouco tudo volte ao de antes,
como se golpes, contra-golpes, intentonas
(ou inventonas - armadilhas postas
da esquerda prá direita ou desta para aquela)
não fossem mais que preparar caminho
a parlamentos e governos que
irão secretamente pôr ramos de cravos
e não de rosas fatimosas mas de cravos
na tumba do profeta em Santa Comba,
enquanto pra salvar-se a inconomia
os empresários (ai que lindo termo,
com tudo o que de teatro nele soa)
irão voltar testas de ferro do
capitalismo que se usou de Portugal
para mão-de-obra barata dentro ou fora.
Tiveram todos culpa no chegar-se a isto:
infantilmente doentes de esquerdismo
e como sempre lendo nas cartilhas
que escritas fedem doutras realidades,
incompetentes competiram em
forçar revoluções, tomar poderes e tudo
numa ânsia de cadeiras, microfones,
a terra do vizinho, a casa dos ausentes,
e em moer do povo a paciência e os olhos
num exibir-se de redondas mesas
em televisas barbas de faláeia imensa.
E todos eram povo e em nome del' falavam,
ou escreviam intragáveis prosas
em que o calão barato e as ideias caras
se misturavam sem clareza alguma
(no fim das contas estilo Estado Novo
apenas traduzido num calão de insulto
ao gosto e à inteligência dos ouvintes-povo).
Prendeu-se gente a todos os pretextos,
conforme o vento, a raiva ou a denúncia,
ou simplesmente (ó manes de outro tempo)
o abocanhar patriótico dos tachos.
Paralisou-se a vida do pais no engano
de que os trabalhadores não devem trabalhar
senão em agitar-se em demandar salários
a que tinham direito mas sem que
houvesse produção com que pagá-los.
Até que um dia, à beira de uma guerra
civil (palavra cómica pois que
do lume os militares seriam quem tirava
para os civis a castanhinha assada),
tudo sumiu num aborto caricato
em que quase sem sangue ou risco de infecção
parteiras clandestinas apararam
no balde da cozinha um feto inexistente:
traindo-se uns aos outros ninguém tinha
(ó machos da porrada e do cacete)
realmente posto o membro na barriga
da pátria em perna aberta e lá deixado
semente que pegasse (o tempo todo
haviam-se exibido eufóricos de nus,
às Áfricas e às Europas de Oeste e Leste).
A isto se chegou. Foi criminoso?
Nem sequer isso, ou mais do que isso um guião
do filme que as direitas desejavam,
em que como num jogo de xadrez a esquerda
iria dando passo a passo as peças todas.
É tarde e não adianta que se diga ainda
(como antes já se disse) que o povo resistiu
a ser iluminado, esclarecido, e feito
a enfiar contente a roupa já talhada.
Se muita gente reagiu violenta
(com as direitas assoprando as brasas)
é porque as lutas intestinas (termo
extremamente adequado ao caso)
dos esquerdismos competindo o permitiram.
Também não vale a pena que se lave
a roupa suja em público: já houve
suficiente lavar que todavia
(curioso ponto) nunca mostrou inteira
quanta camisa à Salazar ou cueca de Caetano
usada foi por tanto entusiasta,
devotamente adepto de continuar ao sol
(há conversões honestas, sim, ai quantos santos
não foram antes grandes pecadores).
E que fazer agora? Choro e lágrimas?
Meter avestruzmente a cabeça na areia?
Pactuar na supremíssima conversa
de conciliar a casa lusitana,
com todos aos beijinhos e aos abraços?
Ir ao jantar de gala em que o Caetano,
o Spínola, o Vasco, o OteIo e os outros,
hão-de tocar seus copos de champanhe?
Ir já fazendo a mala para exílios?
Ou preparar uma bagagem mínima
para voltar a ser-se clandestino usando
a técnica do mártir (tão trágica porque
permite a demissão de agir-se à luz do mundo,
e de intervir directamente em tudo)?
Mas como é clandestina tanta gente
que toda a gente sabe quem já seja?
Só há uma saída: a confissão
(honesta ou calculada) de que erraram todos,
e o esforço de mostrar ao povo (que
mais assustaram que educaram sempre)
quão tudo perde se vos perde a vós.
Revolução havia que fazer-se.
Conquistas há que não pode deixar-se
que se dissolvam no ar tecnocrata
do oportunismo à espreita de eleições.
Pode bem ser que a esquerda ainda as ganhe,
ou pode ser que as perca. Em qualquer caso,
que ao povo seja dito de uma vez
como nas suas mãos o seu destino está
e não no das sereias bem cantantes
(desde a mais alta antiguidade é conhecido
que essas senhoras são reaccionárias,
com profissão de atrair ao naufrágio
o navegante intrépido). Que a esquerda
nem grite, que está rouca, nem invente
as serenatas para que não tem jeito.
Mas firme avance, e reate os laços rotos
entre ela mesma e o povo (que não é
aqueles milhares de fiéis que se transportam
de camioneta de um lugar pró outro).
Democracia é isso: uma arte do diálogo
mesmo entre surdos. Socialismo à força
em que a democracia se realiza.
Há muito socialismo: a gente sabe,
e quem mais goste de uns que dos outros.
É tarde já para tratar do caso: agora
importa uma só coisa - defender
uma revolução que ainda não houve,
como as conquistas que chegou a haver
(mas ajustando-as francamente à lei
de uma equidade justa, rechaçando
o quanto de loucuras se incitaram
em nome de um poder que ninguém tinha).

E vamos ao que importa: refazer
um Portugal possível em que o povo
realmente mande sem que o só manejem,
e sem que a escravidão volte à socapa
entre a delícia de pagar uma hipoteca
da casa nunca nossa e o prazer
de ter um frigorifico e automóveis dois.
Ah, povo, povo, quanto te enganaram
sonhando os sonhos que desaprenderas!
E quanto te assustaram uns e outros,
com esses sonhos e com o medo deles!

E vós, políticos de ouro de lei ou borra,
guardai no bolso imagens de outras Franças,
ou de Germânias, Rússias, Cubas, outras Chinas,
ou de Estados Unidos que não crêem
que latinada hispânica mereça
mais que caudilhos com contas na Suíça.
Tomai nas vossas mãos o Portugal que tendes
tão dividido entre si mesmo. Adiante.

Com tacto e com fineza. E com esperança.
E com um perdão que há que pedir ao povo.
E vós, ó militares, para o quartel
(sem que, no entanto, vos deixeis purgar
ao ponto de não serdes o que deveis ser:
garantes de uma ordem democrática
em que a direita não consiga nunca
ditar uma ordem sem democracia).
E tu, canção-mensagem, vai e diz
o que disseste a quem quiser ouvir-te.
E se os puristas da poesia te acusarem
de seres discursiva e não galante
em graças de invenção e de linguagem,
manda-os àquela parte. Não é tempo
para tratar de poéticas agora.

Jorge de Sena
(Santa Bárbara, Fev. 1976) 
in Quarenta Anos de Servidão (1979)

Poesia vira terapia para Alzheimer



“A poesia não cura a senilidade”, disse Dave Bell, enfermeiro da organização Dementia UK, que luta contra o Alzheimer. “Mas tem o poder de, como a música, devolver confiança aos pacientes: eles descobrem que lembram de algo”. Além disso, “permite criar um laço entre gerações”, acrescentou.
“Quando for velha”, disse Hannah, de 15 anos, “vou querer que as pessoas venham me ver para ler poemas e cantar músicas para mim”.
Poesia vira terapia para Alzheimer

Serviço público - Ilustração portuguesa



Generoso, o Jorge Silva partilha connosco saber e maravilhas, há já alguns anos.

Enquanto não publica a sua História da Ilustração Portuguesa, este Almanaque é certamente um belo serviço público.

Recomendo o pdf com a Conferência feita na Casa Roque Gameiro em 2013, A Tribo dos Pincéis.



almanaque silva | histórias da ilustração portuguesa

terça-feira, setembro 02, 2014

E vão treze



Num qualquer destes dias, vi numa infografia que as pessoas fortes "celebram os êxitos dos outros".
Nos últimos dias, senti-me fortíssima, uma rocha. Pude participar nas XIII Palavras Andarilhas quase todas (não consegui assistir às sessões nas aldeias, infelizmente) e testemunhar o enorme êxito que as Andarilhas são, persistentemente, há tantos anos.
A equipa andarilha, da Biblioteca Municipal de Beja, que tanta cumplicidade sabe transformar em actos e beleza, está de parabéns. Todos os envolvidos, das Oficinas ao cuidado do Jardim, também.
Este ano, beneficiei de uma Oficina fabulosa, "Diz que disse", com a Margarida Mestre. Bem haja!


Daqui a dois anos, venham mais Andarilhas.
Nós precisamos, e merecemos.
Não é, Cristina Taquelim?

Mais notícias aqui aqui

segunda-feira, setembro 01, 2014

quarta-feira, agosto 27, 2014

Eduardo White e a leitura


Na verdade, já ninguém lê em Moçambique. Ou porque estão a ver uma novela ou… Neste momento temos um grave problema: o regresso do analfabetismo. Já tivemos quase 97 por cento de população alfabetizada, hoje é o inverso. A escolarização é muito importante. O meu projeto para Moçambique é exatamente incutir o espírito de leitura. Ler é também sonhar. Infelizmente, mesmo hoje um jornal para se vender é um problema sério. Até me dói dizer isto, mas creio que o meu país está a apostar mais na telenovela do que no livro. O livro hoje tem um preço exorbitante, nenhum pai, nenhum encarregado de educação pode comprar. Quinhentos e tal meticais é quase o preço de um uniforme para a escola. Quando o Ministério da Educação popularizar a educação, voltaremos a ter tudo em plenitude.

Aqui: 

«A língua portuguesa usa capulana»: provavelmente a última entrevista de Eduardo White

Pensar pouco e obedecer muito - embalar fascismos

Há hoje um verdadeiro poder oculto, uma autêntica ideologia dominante, que nos invade a vida: para onde quer que nos viremos, somos interpelados por instrumentos de avaliação. Mas as práticas avaliativas, desde que enquistadas em modelos burocráticos e universais, ou são instrumentos de poder e de controlo social, alegadamente para tornar mais eficiente o funcionamento das nossas instituições, ou não passam de modismos improdutivos, macaqueados por uma sociedade que pensa pouco e obedece demasiado.
Santana Castilho, 27.08.2014 


Uma certa versão moderna de fascismo - PÚBLICO

domingo, agosto 24, 2014

O fascismo com esta sua nova roupa

A propósito de imagens difundidas pelo alegado Califado e da realidade que nos cerca:

"é muito fácil um homem num beco deixar de ser um homem, e é com isso que o fascismo ganha a vida"



Alexandra Lucas Coelho, agosto 2014



O fascismo com esta sua nova roupa - PÚBLICO

Língua Portuguesa



Em 2050 vamos ser 350 milhões de falantes

Parlamento Europeu abre exposição sobre Língua Portuguesa. | (Fevereiro 2014)

sábado, agosto 23, 2014

Um poeta por dia. 01

Cérebro e coração estão intimamente ligados. Imagem daqui

Alexandre: faz como eu.
Fecha-te nestas quatro paredes,
mas sonha que andas lá por fora
(na terra sem céu)
a matar as sedes
da gente que chora.
O moleiro mói melhor a farinha para o pão
no isolamento do moinho,
mas com a condição
de ouvir bater no coração
o do vizinho.
Acredita, Alexandre, que a solidão
é boa para não se estar sozinho.

José Gomes Ferreira, 1967, para o seu filho Alexandre, que gostava de ficar sozinho "a ler e pensar, na república livre do seu quarto"

(agradecimento ao José Soeiro que selecionou este poema hoje, no FB)

segunda-feira, agosto 11, 2014

Pela tenacidade crítica



Em segundo lugar, devemos recusar uma tendência dominante na sociedade portuguesa - a desistência de pensar aliada ao conformismo lógico. A desistência de pensar é um dos pilares da astrologia austeritária: Hannah Arendt identificou-a, há meio século, ao observar Eichmann em Jerusalém. Enquanto portuguesas e portugueses, devemos recusar-nos a desistir de pensar. Nos próximos 25 anos, só poderemos transformar o País se usarmos as nossas faculdades cognitivas, se recusarmos dogmas e se compreendermos que a imaginação acorrentada é a primeira causa dos autoritarismos bem-sucedidos. O conformismo lógico é o corolário da desistência de pensar: afirmamos que o País está "assim" porque sempre foi "assim" e será sempre "assim". Sabemos que isso não é verdade. Pierre Bourdieu afirmava que o novo imperialismo neoliberal, um imperialismo das consciências, produzia esse conformismo para estabilizar relações desiguais de poder. É preciso inventar um inconformismo crítico. A participação cívica portuguesa precisa de uma tenacidade crítica que a variedade portuguesa da democracia capitalista não admite. Recomeçar a pensar, inconformada e criticamente, é a única forma de conceber um paradigma novo e transformador. Que nos recoloque, desejavelmente, no caminho de uma sociedade florescente e justa. Para que o ciclo multi-secular do medo e da pulsão repressiva, tão perniciosos para Portugal, seja quebrado e definitivamente transformado em matéria para os historiadores.


Ler mais aqui (Luis Bernardo, Agosto 2014, Portugal)

Imaginar um país sem medo e sem lixo | Económico

domingo, agosto 10, 2014

Israel Has Broken My Heart: I'm a Rabbi in Mourning for a Judaism Being Murdered by Israel



"For our non-Jewish allies, the following plea: Do not let the organized Jewish community intimidate you with charges that any criticism of Israel’s brutality toward the Palestinian people proves that you are anti-Semites. Stop allowing your very justified guilt at the history of oppression your ancestors enacted on Jews to be the reason you fail to speak out vigorously against the current immoral policies of the State of Israel. The way to become real friends of the Jewish people is to side with those Jews who are trying to get Israel back on track toward its highest values, knowing full well that there is no future for a Jewish state surrounded by a billion Muslims except through friendship and cooperation.  (...)
Above all else, I grieve for all the unnecessary suffering on this planet, including the Israeli victims of terrorism, the Palestinian victims of Israeli terror and repression, the victims of America’s misguided wars from Vietnam through Afghanistan and Iraq and the apparently endless war on terrorism, the victims of so many other struggles around the world, and the less visible but real victims of a global capitalist order in which according to the U.N. some 8,000-10,000 children under the age of 5 die every day from malnutrition or diseases related to malnutrition.  And yet I affirm that there is still the possibility of a different kind of world, if only enough of us would believe in it and then work together to create it."

Israel Has Broken My Heart: I'm a Rabbi in Mourning for a Judaism Being Murdered by Israel

segunda-feira, agosto 04, 2014

Ladrões de Bicicletas: Admirável Banco Novo

Ladrões de Bicicletas: Admirável Banco Novo: « Do nome do banco, já registado por outros, à coisa, tudo remendado, apressado, mal feito, enganador, enganador, enganador. As únicas preoc...

segunda-feira, julho 28, 2014

For Rare Languages, Social Media Provide New Hope : All Tech Considered : NPR

An Aymara woman prepares to take part in a pageant in La Paz, Bolivia, in 2013. Jaqi-Aru, a community of volunteers is working on translating the Facebook interface in the indigenous language of Aymara.Juan Karita/AP


For Rare Languages, Social Media Provide New Hope : All Tech Considered : NPR

SERGIO DOGLIANI [non-bibliotecario] | letto&detto



Idea Store - uma rede de bibliotecas em Londres, com um outro conceito.



De uma entrevista de um dos seus responsáveis (em italiano):



4. Come definiresti la biblioteca?Quella pubblica? Dipende a chi ci rivolgiamo: un punto d’incontro, un campo neutro, un rifugio, un magazzino, un distributore, un deposito, un palcoscenico, un trampolino, un laboratorio, un baluardo, un avamposto, una trincea, un’oasi, un’incubatrice, un crocevia, un crogiuolo, una scatola di Pandora.O “una piazza del sapere”, come la definisce la mia amica Antonella Agnoli.




SERGIO DOGLIANI [non-bibliotecario] | letto&detto

segunda-feira, julho 21, 2014

Sixth BRICS Summit – Fortaleza Declaration

A cimeira das 5 economias emergentes assinou um tratado que estabelece um instrumento financeiro comum, NDB, New Development Bank. 15 Julho 2014, Fortaleza, Brasil

3 dias depois, a Unesco apoia a declaração, que reforça a importância da educação igualitária, inclusiva e de qualidade, e o reforço da cooperação nesse sentido.



Sixth BRICS Summit – Fortaleza Declaration

quinta-feira, julho 10, 2014

Chegou a hora de a Europa aprender com o resto do mundo - PÚBLICO



“Nalguns sítios, caímos no horror de viver a vida para trabalhar como se a vida não fosse outra coisa que não uma meta. E deixámos de viver momentos que, muitas vezes, são mais vida, são mais vitais, do que o trabalho e a suposta auto-realização.”
Coimbra, CES, julho 2014

Chegou a hora de a Europa aprender com o resto do mundo - PÚBLICO

quarta-feira, julho 09, 2014

181º aniversário da Biblioteca Pública Municipal do Porto


9 de Julho de 1833
Decreto do estabelecimento da Real Bibliotheca Publica do Porto
O decreto é precedido de um Relatório de Cândido José Xavier que começa com a frase:
«Senhor! A ignorancia é a inimiga mais irreconciliavel da Liberdade»
e depois fala de
«estabelecer depositos de todos os conhecimentos humanos, aonde os Cidadãos possam vir livremente consultar as fontes da sciencia, ou estancar a sede louvavel de Instrucção: o estabelecimento pois de Biblithecas publicas é o complemento de todo o systema instructivo, e não será sem fundamento dizer-se que pelo número destes estabelecimentos em cada um dos Paizes civilizados se póde avaliar sem erro a Instrucção comparativa dos seus habitantes.».

Com vénia à Manuela Barreto Nunes, que nos lembrou.

O que é ler?

João Costa, 2014

sábado, julho 05, 2014

Biodiversity Heritage Library

Ladrões de Bicicletas: «O objectivo era economizar, reduzir, cortar... e o resultado é uma dívida maior»



"A quem é que serviu o resgate? Que foi resgatado? Em primeiro lugar foi resgatada a banca portuguesa, que tinha perdido o acesso aos mercados internacionais e tinha entrado numa situação de falta de liquidez. Em segundo lugar, o resgate foi para os bancos credores da banca portuguesa (e do Estado português também). E portanto quem é que não foi resgatado? Quem não foi resgatado foi o conjunto dos cidadãos contribuintes portugueses e o conjunto de cidadãos contribuintes europeus. Não foram penas os cidadãos portugueses que ficaram a perder nesta forma de intervir da União Europeia. Foi o conjunto dos cidadãos europeus que passaram a ser responsáveis por dívida e por créditos que anteriormente eram privados."
Transcrição da excelente entrevista de José  Castro Caldas (Antena Um, 2014)


Ladrões de Bicicletas: «O objectivo era economizar, reduzir, cortar... e o resultado é uma dívida maior»

quinta-feira, julho 03, 2014

Nenhum socialismo real será possível se a cultura não foi posta em comum

(...)


Sabemos muito claramente o que não queremos. Não queremos a violência, não queremos que a liberdade seja sofismada. Não queremos nem inquisições nem perseguições. Não queremos política da terra queimada. Não queremos política imposta. E no plano da cultura queremos acima de tudo que a política não seja anti-cultura.

A demagogia é a traição cultural da revolução. Porque a demagogia é a arte de ensinar um povo a não pensar. Um provérbio africano diz: Uma palavra que está sempre na boca transforma-se em baba. Não queremos continuar a suportar a baba dos slogans.
Querer fazer política cultural quando os meios de comunicação estão inundados de demagogia é uma incoerência radical. O ministro da comunicação referiu-se ao facto de o trabalho dos artistas ser agora pago pelo povo. Também muitos jornais são agora pagos pelo povo e todos os dias custam ao povo uma despesa escandalosa.
A cultura é cara. A incultura acaba sempre por sair mais cara. E a demagogia custa sempre caríssimo. 
Sophia de Mello Breyner Andresen, Portugal, 12.07,1075



Ler mais: http://expresso.sapo.pt/em-defesa-da-cultura-o-texto-que-sophia-escreveu-para-o-expresso=f879082#ixzz36PheCHbK



Em defesa da cultura. O texto que Sophia escreveu para o Expresso - Expresso.pt

Herdar a liberdade e a dignidade do ser


"O artista não é, e nunca foi, um homem isolado que vive no alto duma torre demarfim. O artista, mesmo aquele que mais se coloca à margem da convivência, influenciará necessariamente, através da sua obra, a vida e o destino dos outros. Mesmo que o artista escolha o isolamento como melhor condição de trabalho e criação, pelo simples facto de fazer uma obra de rigor, de verdade e de consciência ele irá contribuir para a formação duma consciência comum. Mesmo que fale somente de pedras ou de brisas a obra do artista vem sempre dizer-nos isto: que não somos apenas animais acossados na luta pela sobrevivência mas que somos, por direito natural, herdeiros da liberdade e da dignidade do ser."
Sophia

terça-feira, julho 01, 2014

Um livro perdido



Vivemos numa civilização que se constrói sobre uma perda de memória. A lufa-lufa do dia-a-dia existe para que esqueçamos que as coisas não são inevitáveis
Somos todos feitos por livros, muitos dos quais nem sequer vamos ler. As nossas memórias perduram nas páginas escritas. São milhares de vidas que vivemos, num curto espaço de tempo em que existimos, quando lemos as letras que outros nos deixaram inscritas.


Nuno Ramos de Almeida, 2014, aqui:



Um livro perdido | iOnline