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sábado, julho 13, 2019

In My Language

O Video tem texto (legendado) incorporado, em inglês.
Foi criado com cuidado para ser inclusivo e a sua leitura ser acessível.
É uma criação impressionante, pelo conteúdo, pela forma e pelo processo.
"Há pessoas a morrer por serem consideradas não-pessoas"


IN MY LANGUAGEUSA2007(8.37 min)
This extraordinary short film by autism rights activist, Amanda Baggs, forces its neurotypical spectators out of their comfort zone. After showing her native language in part 1--the repetitive behaviors associated with autism (flapping her hands, playing with water, rubbing her hand on a fabric, rubbing her face on the inside of a book, clicking a stapler, rubbing metal against metal, etc.), which are accompanied by her own wordless humming of a haunting tune, she finally confronts us with the “Translation” in part 2. 
Using her keyboard voice-box as an augmentative communication device, she tells us in a computerized voice over that she has not presented these images merely to amuse us with a voyeuristic freak show but rather to explain that this is her native language and to ask us unsettling questions. Why is it, that in order to communicate with us, we assume it is only natural for her to learn our language whereas we are unwilling to learn hers? Why do we accuse her and other autistic individuals of refusing to interact with the world, when her native language clearly enables her to interact with everything in her environment? 
If we are unwilling to accept these repetitive gestures as a language, perhaps we should recall the writings of Russian theorist, Mikhail Bakhtin, who claimed in The Dialogic Imagination that whenever we encounter an alien discourse, it leads to “an ideological awakening” that makes us realize our own language is “only one among other cultures and languages,” which prevents us from naturalizing our own or any other single language as “the truth.”

In the epilogue to Nobody Nowhere: The Remarkable Autobiography of an Autistic Girl (1992), the first of the nine books that have made Australian writer Donna Williams one of the most well-known and highly respected persons with ASD in the world, she presents a list of gestures (similar to those demonstrated by Baggs) that she also considers “the more important language of `my world’.” Describing her own meanings and strategic uses of these gestures, Williams presents them, not as a provocative political stance like Baggs, but as helpful information for neurotypicals who want to understand and reach persons with autism “on their own terms.” As Stuart Murray points out in Representing Autism, “Listening to those with autism has never been a more available option, and it is one that those who are in the business of making cultural representations of the condition need to take up.” There is no better place to start than with Donna Williams’s Nobody Nowhere or Amanda Baggs' In My Language.

Marsha Kinderinhttp://www.interactingwithautism.com/section/understanding/media/representations/details/12

domingo, setembro 24, 2017

Elogio da edição revolucionária : Orfeu Negro, Judith Butler, 2017



Há editoras que nos cabem no coração, e, ao mesmo tempo, o ampliam. É o caso da Orfeu Negro, um caminho arrojado a produzir desde 2007,  pela audácia dos temas e o primor na linguagem e na edição de cada título. Sou fan, tanto da linha "para estudiosos" como da maravilhosa colecção Orfeu Mini, encetada em 2008, para miúdos e graúdos, e da inquietadora Casimiro.

Ontem, lançou mais um ensaio, para estudiosos, algo hermético mas nem por isso menos significativo para o homem e a mulher comuns. Trata-se do livro de Judith Butler, Problemas de género, numa bela tradução em português de Nuno Quintas, com a colaboração de João Manuel Oliveira e João Berham.

Quando não são assim tão cuidadosamente publicados, traduzidos e preparados para a leitura e a fruição de muitos mais leitores, os livros correm o risco de serem muito citados mas pouco lidos. E de citação e citação, se tornam banais e, mesmo, incompreensíveis.


Em português, e por mão da Orfeu Negro, há menos perigo de tal continuar a acontecer com esta obra, no centro do debate sobre o género e o feminismo na atualidade. Coisas que, se forem bem discutidas, podem ajudar a viver melhor muita gente, por ajudarem a compreender o que são as pessoas, e o que somos, para além das palavras que usamos, e pelo efeito que as palavras têm no modo como nos pensamos.

As ideias de Butler já tinham sido introduzidas em Portugal na tese de doutoramento da investigadora Conceição Nogueira ( 1997, Universidade do Minho). Terá sido desde 1991 na dança contemporânea – com Vera Mantero, Francisco Camacho, Carlota Lagido, Miguel Pereira, João Fiadeiro – que se “notaram os primeiros efeitos” de “Problemas de Género”.


"Definir identidades tem um problema: as identidades são pequenas demais para nos descreverem e ao descreverem-nos estão a produzir o sujeito que querem descrever”, entende João Manuel de Oliveira. “Descrever é já produzir um determinado sujeito. Quando se diz a uma menina que ela é muito feminina, está-se a construir, e a constranger, o que a menina vai ser. Não é apenas este discurso que contribui para isso, há outras estruturas sociais que o fazem. A ideia de ‘gay’, para a maioria das pessoas, incluindo muitos homossexuais, aponta para uma certa pertença a uma classe social, uma certa inserção racial, um certo capital económico. Mas há muitos gays que não são isso e, eventualmente, a palavra não esgota a possibilidade de serem outras coisas ao mesmo tempo. A Butler demonstra isso a partir da categoria ‘mulher’. Ele desconstrói a ideia de mulher, vem dizer que se trata de uma construção do discurso. Discurso não são apenas as palavras, são as instituições, desde logo o Estado, que geram representações.”
Notícia sobre o lançamento, 23.09.2017, Lisboa, aqui
Catálogo da Orfeu Negro:


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sábado, fevereiro 23, 2013

Apes do not ask a question


Dá que pensar sobre nós humanos, o pensamento, a linguagem, a comunicação. Afinal, em todas as investigações com outros primatas, só os humanos fazem perguntas.